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  • JANANA TEIXEIRA CAMAPUM DE CARVALHO

    O POLUIDOR INDIRETO E A RESPONSABILIDADE CIVIL

    POR DANO AMBIENTAL

    Monografia apresentada como requisito para

    concluso do curso de bacharelado em Direito

    do Centro Universitrio de Braslia

    Orientador: Prof. Mrcia Dieguez Leuzinger

    BRASLIA

    2009

  • DEDICATRIA

    Este trabalho dedicado minha jia, meu amor, minha me: Rosngela

    Teixeira Camapum de Carvalho.

  • AGRADECIMENTOS

    Agradeo Deus por guiar meus passos e me dar foras para alcanar meus

    objetivos.

    Ao meu querido pai pelo companheirismo e por ser meu grande exemplo de

    carter e conduta tica, sempre incentivando meu crescimento pessoal e

    profissional.

    minha linda me pelo amor incondicional e apoio constante.

    professora Mrcia Dieguez Leuzinger, pela orientao dedicada, paciente

    e motivadora.

    Aos amigos e familiares pelo apoio ao longo dessa jornada.

  • RESUMO

    Visto que o meio ambiente patrimnio essencial sade e qualidade de vida dos seres

    humanos, cabe ao direito oferecer tutela jurdica adequada, objetivando sua proteo. Na

    esfera do direito civil essa tutela ocorre por meio da responsabilizao civil do causador do

    dano, tambm chamado poluidor. A responsabilidade do poluidor objetiva e encontra apoio

    em princpios legais tais como o da preveno, o da precauo e o do poluidor-pagador. Nesse

    contexto, a fim de afastar qualquer forma de impunidade, a lei estabelece que no s o agente

    direto, como tambm o indireto, ser responsabilizado pelo dano que causar, estabelecendo

    entre eles uma relao de co-responsabilidade. Porm a legislao genrica, uma vez que

    no define quem seja o responsvel indireto pelo dano ambiental. Assim, a tarefa de

    enquadrar o agente como poluidor indireto cabe ao magistrado, que, ao analisar o caso

    concreto, atribuir a ele as obrigaes decorrentes da responsabilizao civil, desde que

    restem comprovadas a existncia do dano e do nexo de causalidade entre o dano e a conduta

    do agente. A exemplo disso tem-se o recente posicionamento do TJ/PR, na Apelao Cvel

    18652100, na qual verifica-se a condenao de uma empresa engarrafadora de refrigerantes

    pelo descarte inadequado de garrafas PET, mesmo no tendo sido ela a responsvel pelo

    descarte. Diante dessa deciso possvel notar o rigor na aplicao da lei, evidenciando a

    crescente preocupao com as questes de cunho ambiental, que foram por tanto tempo

    negligenciadas.

    PALAVRAS CHAVE: Meio Ambiente. Responsabilidade Civil por Dano Ambiental.

    Poluidor Indireto.

  • SUMRIO

    INTRODUO ........................................................................................................................ 6

    1 FUNDAMENTOS PARA A RESPONSABILIZAO CIVIL DO POLUIDOR .... 8

    1.1 Princpios da preveno e da precauo ................................................................ 10

    1.2 Princpio do poluidor-pagador ............................................................................... 16

    1.3 Imputao de responsabilidade civil objetiva ao poluidor .................................... 20

    1.4 Teoria do risco integral e teoria do risco criado .................................................... 26

    2 A PROBLEMTICA REFERENTE AO CONCEITO DE POLUIDOR INDIRETO ................................................................................................................ 30

    2.1 Definio de Poluidor ............................................................................................ 30

    2.2 O Poluidor Indireto ................................................................................................ 34

    2.3 A responsabilidade solidria do poluidor indireto................................................. 38

    2.4 Necessidade de limitao ao conceito de Poluidor Indireto .................................. 42

    2.4.1 A responsabilidade das empresas no momento ps-consumo: responsabilizao dos produtores e fornecedores pela destinao final dos

    resduos ...................................................................................................... 42

    2.4.2 A co-responsabilidade das Instituies Financeiras ................................. 46

    2.4.3 Responsabilidade civil do Estado figurando como poluidor indireto por omisso ...................................................................................................... 48

    3 POSICIONAMENTO DO TJ/PR NA APELAO CVEL 18652100, 8 CMARA CVEL DESCARTE DE GARRAFAS PET .................................... 56

    CONCLUSO ......................................................................................................................... 65

    REFERNCIAS ..................................................................................................................... 68

  • 6

    INTRODUO

    No mundo todo, percebe-se uma preocupao cada vez maior com a

    degradao ambiental e com os padres de produo e consumo, que tomaram propores

    jamais imaginadas, em funo do rpido desenvolvimento do capitalismo e do aumento

    populacional. As conseqncias desse desenfreado crescimento econmico e demogrfico

    vm se anunciando ao longo do tempo, afinal, espcies foram extintas, florestas

    desapareceram, o clima sofreu significativas alteraes e os fenmenos da natureza ganharam

    propores destruidoras, em reao s agresses sofridas diante do intenso processo de

    industrializao e urbanizao.

    Embora exista um movimento ambiental constitudo desde o final do sculo

    XIX, somente nas ultimas dcadas o meio ambiente comeou a receber a devida ateno,

    visto que as conseqncias da degradao ambiental passaram a interferir diretamente na

    sade e na qualidade de vida humana. Assim, aps muito terem sido negligenciadas, as

    questes de cunho ambiental enfim ganham destaque nos debates da atualidade, despertando

    uma preocupao em buscar meios para garantir um desenvolvimento sustentvel,

    preservando ao mximo os recursos naturais.

    Nessa corrida contra o tempo, a fim de frear as conseqncias da

    degradao ambiental sofrida ao longo dos anos, cabe ao direito a funo de oferecer tutela

    jurdica ao meio ambiente, visando a garantir sua proteo. Nesse sentido, o direito brasileiro

    estabelece que a preservao do meio ambiente passa a ser no s um dever, mas tambm um

  • 7

    direito de todos, tendo em vista sua essencialidade para a vida humana, impondo que todo

    aquele que degrade o meio ambiente deva ser responsabilizado por seus atos. Na esfera civil,

    essa responsabilizao ocorre na modalidade objetiva e abrange tanto o agente direto, quanto

    o indireto, a fim de impedir que aqueles que no tenham causado o dano diretamente, tirem

    vantagem do dano causado por outrem.

    Entretanto, a lei no define especificamente quem pode ser responsabilizado

    como agente indireto, criando-se um dilema jurdico de ordem prtica que fica entre a

    impunidade de sujeitos que tirem vantagem indireta da degradao ambiental e a

    responsabilizao tais sujeitos. Diante desse dilema, o objetivo deste trabalho buscar

    subsdios que sejam suficientes para identificar e responsabilizar o agente indireto do dano, no

    direito ambiental, tambm conhecido como poluidor indireto.

    Para isso, sero analisados os fundamentos jurdicos para a

    responsabilizao civil do poluidor, que ocorre na modalidade objetiva e visa atender aos

    princpios da preveno, da precauo e do poluidor-pagador. Em seguida ser abordada a

    problemtica acerca do conceito de poluidor indireto, buscando definir e delimitar esse

    conceito, de modo a garantir tutela adequada ao meio ambiente. Por fim, ser analisada uma

    importante deciso judicial acerca do tema, na qual se verifica a condenao de empresa que

    figura como poluidora indireta, mostrando o posicionamento do tribunal brasileiro frente

    responsabilizao ambiental do agente indireto.

  • 8

    1 FUNDAMENTOS PARA A RESPONSABILIZAO CIVIL DO POLUIDOR

    As questes de cunho ambiental foram, por muito tempo, negligenciadas e

    encaradas como sendo algo suprfluo, desnecessrio. Porm, tm ganhado grande destaque

    nas ltimas dcadas, no s por idealismo, em funo do despertar do ser humano quanto

    importncia de preservao do planeta para as geraes futuras, mas, principalmente, por

    necessidade, tendo em vista que os danos ambientais esto atingindo o homem de forma cada

    vez mais intensa, resultando em impactos negativos para sua sade, segurana e qualidade de

    vida, alm de gerar prejuzos a economia, face a escassez de recursos naturais.

    O Direito Ambiental o ramo do direito responsvel por fornecer a tutela

    jurdica adequada ao meio ambiente, sendo que meio ambiente definido, pela Lei de Poltica

    Nacional do Meio Ambiente (Lei n 6.938/81), como o conjunto de condies, leis, influencias e

    interaes de ordem fsica, qumica e biolgica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas

    formas, conforme dispe o art. 3, inciso I, do referido dispositivo legal. Nesse sentido, Silva

    esclarece que a noo de meio ambiente abrange no s os recursos naturais encontrados na

    biosfera (ar, gua, solo, fauna e flora), mas tambm a relao do homem com esses elementos,

    visando o alcance de condies de vida satisfatria.1

    O meio ambiente patrimnio de interesse pblico e sua preservao

    constitui um direito fundamental, garantido pela Constituio Federal em seu art. 225, caput,

    1 SILVA, Jos Afonso.

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