O Mundo dos Mistrios: histria da Imprensa e histria ... : o que caracteriza uma histria cultural da imprensa? E qual a contribuio dos estudos da comunicao para uma histria os primrdios ...

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  • O Mundo dos Mistrios: histria da Imprensa e histria cultural - o sensacionalismo como objeto de uma abordagem multidisciplinar

    Autor: Valria GUIMARESTitulao: Professora DoutoraGraduao: Bacharel e Doutora em Histria Social (USP), ps-doutoranda em Comunicao e Semitica (CEO-COS-PUC-SP)Instituio: Centro de Estudos da Oralidade (CEO-COS-PUC-SP) e FAPESPUnidade da Federao: SPe-mail: valeriaguimaraes@terra.com.brGrupo Temtico: GT4 Histria da Mdia Impressa

    O sensacionalismo e o fait divers tm sido alvo de variadas abordagens. Nossa

    pergunta : o que caracteriza uma histria cultural da imprensa? E qual a contribuio dos

    estudos da comunicao para uma histria os primrdios do sensacionalismo em peridicos

    no Brasil.

    1. Um objeto de pesquisa pouco explorado

    H pouca informao sobre as primeiras publicaes de fait divers no Brasil.

    Em Freitas Nobre (1950) h uma lista de jornais publicados com suas respectivas

    descries, tais como tiragem, direo, nmero de pginas. Nas pginas introdutrias, porm,

    no h qualquer referncia ao sensacionalismo ou sobre o incio da publicao de fait divers

    pela imprensa brasileira.

    Werneck Sodr (1999: p.283) fala da modernizao da imprensa ocorrida no incio do

    sculo XX quando se abandona o que chamou de linguagem empolada dos literatos, havendo

    uma adeso gradativa a um estilo simples, claro e direto. Surge a reportagem e a influncia

    francesa seria predominante at este perodo. A crescente penetrao do estilo americano de

    se fazer jornalismo, mais objetivo, aparece como marca de modernizao, sobretudo no ps-

    guerra. O autor no mais se refere ao sensacionalismo nos jornais e s cita esporadicamente

    crnicas sobre suicdios que, para ele, so exemplos ainda da falta de objetividade e da baixa

    literatice (Sodr, 1999: p.288) que permanece nos textos jornalsticos.

    Esta questo sobre o marco da modernizao da imprensa est presente tambm em

    Juarez Bahia (1990: p.155). Ambos afirmam que a passagem para o sculo XX marca uma

    inovao tcnica e citam a I Guerra Mundial como limite de passagem do estilo francs para o

    americano (Bahia, 1990:138). Em relao ao sensacionalismo, evasivo e o cita quando se

    refere questo tica, identificando a modernizao com a erradicao do tom sensacionalista

    1

  • em fins da dcada de 20, pelo menos entre os grandes jornais, considerados srios (1990:

    p.216).

    Capelato informa que at a metade do sculo XX a maioria dos jornais brasileiros

    (inclusive os rgos de partido, como o Dirio Nacional) davam destaque seo de crimes

    (1988: p.16). Que a mudana comeou apenas aps os anos 30, com a maior concorrncia

    entre os jornais, o que resultou na sofisticao grfica, por exemplo, e na melhora da

    qualidade da apurao e da notcia. Mas tambm no traz mais informaes sobre o universo

    da produo dos fait divers nas redaes.

    O que parece central, no que diz respeito ao sensacionalismo neste contexto a tnica

    na oposio entre modernizao e sensacionalismo.

    Desde nossa pesquisa de doutorado (Guimares, 2004b) constatamos que o projeto de

    modernizao que esteve por trs de reformas sociais na Repblica Velha tambm atingiu a

    imprensa. E que o sensacionalismo, dentro da perspectiva dos contemporneos, estava ligado

    ao seu oposto em uma chave representada como atraso, excessivamente popular, no

    civilizado, algo a ser banido.

    Defendemos que o sensacionalismo em jornais parte da modernizao da imprensa

    no s brasileira, mas de vrios outros pases. Embora ele fosse carregado de estigma e se

    vinculasse diretamente a uma matriz cultural popular, muitas vezes de feies opostas aos

    projetos civilizatrios encampados, ele fruto desta modernizao.

    2. Histria cultural e estudos comunicacionais

    Sabemos que estudos mais atuais, como a Histria Cultural, tm se esforado para

    resgatar objetos desprezados pela pesquisa de cunho tradicional, levantando questes que

    fogem da abordagem puramente tcnica e que destaca os grandes personagens (Hunt, 2001;

    Burke, 2005). A linguagem aparece como campo constituinte da realidade, entendida em sua

    materialidade (Williams, 2000). O estudo do periodismo por este vis encerra a busca de

    desvendar esses processos sociais atravs da anlise de suas prticas e representaes

    (Chartier, 1988). Uma histria da leitura do sensacionalismo na imprensa deve buscar, dentro

    desta perspectiva, a relao entre cultura letrada e as novas levas de leitores em formao,

    tentando achar seus nexos que no so apenas uma expresso da base econmica dada pelos

    progressos materiais (Cruz, 2000).

    A prtica letrada entendida, ento, como uma dimenso importante da vida na cidade

    e a imprensa, como local de transformao da cultura. No perodo por ns estudado h uma

    2

  • penetrao da cultura impressa em parcelas iletradas da populao (Cruz, 2000: p.34-36). E

    assim, h um redimensionamento no espao social ocupado pela cultura oral.

    Nos estudos comunicacionais o fait divers como objeto de pesquisa marcado pela

    crtica da indstria cultural, mero pastiche e expresso da mercantilizao da cultura com a

    conseqente perda da qualidade esttica. Sob esta perspectiva, no h possibilidade de

    resistncia, apenas integrao. Martn-Barbero chama a tudo isso de aristocratismo cultural

    que se nega a aceitar a existncia de uma pluralidade dos modos de fazer e usar socialmente

    a arte. (Martn-Barbero, 2003: p.82)1.

    Devemos levar em conta o interesse pelas margens que Benjamin demonstra e que

    vem em direo oposta a seus colegas frankfurtianos, dando outra direo aos estudos de

    mdia. A sua pesquisa sobre as redes que ligam o conto e o mito faz Benjamin perceber que os

    caminhos da comunicao so complexos e que o espao da comunicao compartilhado.

    Cita o exemplo de Dickens em cuja obra v o universo compartilhado entre os burgueses e

    os criminosos (que) coexistem em grande harmonia, porque seus interesses, embora opostos,

    situam-se no mesmo mundo. O mundo desses marginais homlogo ao mundo burgus.

    (Benjamin, 1985: p.59).

    Com os estruturalistas, como Roland Barthes (1970) e George Auclair (1970), o fait

    divers torna-se objeto legtimo de reflexo. Ainda assim, o primeiro v o sensacionalismo

    como a-histrico, fato sem contexto e universal e Auclair d a mesma abordagem estrutural,

    colocando-o como objeto fora da histria.

    Retomando toda essa tradio, os Estudos Culturais relem o conceito de indstria

    cultural e a encaram como local das tenses, conflitos entre cultura e modos de vida, viso

    esta que se constitui a partir dos trabalhos de Thompson (1997) e Raymond Willians (2000).

    Sem negar a dimenso econmica da comunicao, tm uma abordagem mais abrangente,

    tomando os conceitos de ideologia e hegemonia como centrais sua crtica.

    Seguindo esta direo e fazendo parte do grupo de tericos da mediao latino-

    americana, temos Gillermo Sunkel que se dedicou a entender o sensacionalismo como

    expresso de uma indstria cultural que toma o lugar de uma cultura popular tradicional no

    seu livro Razon y Pasion en la prensa popular un estudio sobre cultura popular, cultura de

    masas y cultura poltica (1985). Ele nos interessa em particular porque faz um estudo

    detalhado da imprensa sensacionalista no Chile e levanta hipteses interessantes que podem

    contribuir para nossa pesquisa, apesar de no concordarmos plenamente com suas concluses.

    1 Sobre a questo da resistncia do leitor temos o livro de Michel de Certeau, A Inveno do Cotidiano (1990), sobre o qual iremos nos debruar em outra oportunidade.

    3

  • Ele relaciona os jornais sensacionalistas com as publicaes populares que ganharam

    espao em vrios pases da Amrica Latina no sculo XIX como as gacetas argentinas ou a

    literatura de cordel brasileira que misturavam o noticioso ao potico e narrativa popular

    (Martn-Barbero, 2003: p.256).

    Como outros tericos da medio latino-americanos, Sunkel trata a comunicao a

    partir da expresso cultural, com uma trajetria histrica particular calcada na mestiagem.

    Seu objeto de estudo no um estudo dos meios, mas das instituies, organizaes e

    sujeitos, da diversidade das temporalidades sociais e da pluralidade das matrizes culturais

    (Martn-Barbero In: Sunkel, 1985: p.11).

    Para alm dos aspectos tcnicos adotados, em geral vistos como tributrios da

    importao dos padres europeus de produo e difuso, so valorizadas as caractersticas

    prprias do caso latino-americano. Ele relaciona o sensacionalismo na imprensa de peridicos

    mais com los modos de expresin populares (Martn-Barbero In: Sunkel, 1985: p.10) que

    com um processo ocorrido em funo das tecnologias de impresso ou de expanso das

    grandes empresas, olhando a histria da imprensa por um vis econmico, feito de tiragens e

    expanso da publicidade.

    Vendo o massivo como o espao das diferenas e do conflito, sua perspectiva se

    choca, porm, com a abordagem marxista, criticando sua representao do popular e a

    excluso do cotidiano, da subjetividade e das prticas culturais do povo, vistas como

    alienao e onde no se poderia exercer conscincia poltica. (Martn-Barbero In: Sunkel,

    1985: p.11).

    Seu objeto consiste em comparar a produo sensacionalista da era industrial como a

    lira popular (poesia popular chilena) sob seu aspecto poltico. Traz, assim, temas que

    questionam o discurso poltico oficial (no que se refere aos atores e aos conflitos que da

    emergem), o papel dos meios de comunicao na construo de uma identidade nacional e da

    cultura de massas como o lugar de resistncia e luta popular das classes subalternas pelo seu

    reconhecimento (Martn-Barbero In: Sunkel, 1985: p.12).

    Ele chama de Imprensa de massas aquela que se desenvolve, no Chile, de 1930 em

    diante, tomando fora nas dcadas de 40 e 50. Os classifica como populares tendo como base

    o fato de que todos tm programas populares e se autodenominam como tal. E, em vista de

    uma distribuio nacional, ao contrrio dos antigos peridicos, desenvolve uma linguagem

    nacional e uma temtica nacional que se vinculam ao tema da identidade (Sunkel, 1985:

    p.17).

    4

  • H, assim, a quebra da oposio entre cultura popular e cultura de massas. V a cultura

    popular sob a tica de Canclini, onde ela espao de resistncia em oposio ao espao

    organizado pelo capitalismo (trabalho, famlia, comunicao etc.). Defende a existncia de

    uma articulao entre prticas e sistemas de representao simblica nesta concepo de

    cultura, que a aproxima muito das novas abordagens da histria cultural.

    bem interessante sua hiptese sobre a existncia de duas matrizes na cultura popular:

    a matriz racional-iluminista e a matriz simblico-dramtica (Sunkel, 1985: p.23).

    Aos jornais dos trabalhadores, de cunho mais doutrinrio, se vincularia a primeira

    matriz, qual seja, a racional-iluminista. Esta, por sua vez, seria definida como aquela que se

    volta para o popular com fins civilizatrios, em volta da cultura poltica e da educao.

    (Sunkel, 1985: p.47) O objetivo erradicar as concepes tradicionais populares atravs da

    razo, educao, ilustrao e progresso (Sunkel, 1985: p.49).

    E os jornais sensacionalistas, de cunho comercial, estariam vinculados matriz

    simblico-dramtica, que justamente esta que o projeto racional-iluminista combate.

    Provinda de uma viso religiosa e mgica do mundo, seus componentes encerram

    contradies dicotmicas entre o bem e o mal. O sensacionalismo de massas vem, na

    concepo de Sunkel, deste sensacionalismo j presente na comunicao da Igreja catlica,

    por exemplo.En este sentido, parece posible sostener que el sensacionalismo de la cultura popular de masas tiene como un antecedente importante el sensacionalismo de la imaginera religiosa de la Iglesia Catlica. Sin duda, los medios de la cultura popular de masas (y, particularmente los diarios) van a incorporar otros temas, pero utilizarn los mismos mdios para conseguir un mismo efecto: apelando a instintos primrios (al miedo, a la emocin, al dolor, al sufrimento, a la alegria, etc.) intentarn causar sensacin, es dicer, impresionar (Sunkel, 1985: p.51).

    Esta matriz simblico-dramtica se integraria cultura de massas, sobretudo no

    tablide, onde temas, linguagem e esttica so os mesmos.

    Depois da I Guerra Mundial, no Chile, os poetas populares comeam a glosar com

    temas urbanos, enquanto ainda no estava constituda uma imprensa sensacionalista (Sunkel,

    1985: p.79), que ele chama de periodismo popular espontneo (Sunkel, 1985: p.80), onde se

    comentam os fatos do dia.

    Contra as crticas a esta viso sobremaneira dicotmica para quem se prope a se

    livrar das polarizaes, o autor chama a ateno para o fato de que os jornais analisados no

    expressam as matrizes acima definidas de maneira homognea. Neles se encontra, ao

    contrrio, variantes destas matrizes, articulando elementos de ambas. Um exemplo disso sua

    5

  • anlise do Clarn que incorpora as duas matrizes, ou do Puro Chile que faz um

    sensacionalismo marxista, usando os temas e estruturas da matriz simblico-dramtico em

    funo da doutrina.

    O problema dos conceitos da cultura popular e da cultura de massas no contexto

    especfico da Amrica Latina bastante debatido por intelectuais como Martn-Barbero

    (2003) e Canclini (2003) entre outros. Do mesmo modo, a questo do povo nos meios de

    comunicao e de uma imprensa de massas foi alvo de vrias teorias da comunicao.

    Sua tese consiste em afirmar no s as razes fincadas na tradio oral-popular deste

    sensacionalismo, mas tambm na existncia de um dilogo deliberado e assumido entre os

    produtores da notcia e seu leitor. Assim, sob esta perspectiva, descartada a hiptese mais

    aceita de manipulao ideolgica pura e simples. Existe uma busca de conexo com as outras

    linguagens que circulam marginalizadas na sociedade. (...) Todavia, somente correndo riscos

    se pode descobrir a conexo cultural entre a esttica melodramtica e os dispositivos de

    sobrevivncia e revanche da matriz que irriga as culturas populares (Martn-Barbero, 2003:

    p.259).

    Neste caso, caberia uma reavaliao do fait divers na historiografia brasileira. Deixar

    de ser visto como simples recurso comercial ou resultado da inovao tcnica. Desembaraar-

    nos da idia de ser este um tipo menor de jornalismo e, por isto, um objeto de pesquisa menos

    importante. Cabe ao historiador, a nosso ver, em amplo dilogo com outros mtodos e

    disciplinas, explorar a dimenso simblica desta narrativa, visto que o fait divers no

    resultado de uma operao restrita imaginao do autor ou do editor e nem uma forma

    narrativa isolada. fruto de uma determinada sociedade e assim deve ser encarado.

    3. O Mundo dos Mistrios: questes para a histria do fait divers no Brasil

    Em nossa pesquisa atual levantamos alguns jornais paulistas, entre eles um dos mais

    sensacionalistas dos que pudemos localizar, o jornal A Gazeta. Comparado com O Estado

    de S.Paulo ou o Correio Paulistano, o sensacionalismo dA Gazeta muito mais explcito,

    escandaloso, estampado na primeira pgina enquanto os demais tinham uma seo exclusiva

    para os fatos diversos, aos fundos dos jornais e com um tom nada sbrio.

    Este dirio foi fundado dia 16/05/1906, por Adolpho Arajo, com seis pginas. Com

    sua morte passa a ser propriedade de Dr. Joo Dente, em 08/11/1916, adotando o lema Jornal

    Independente, com 8 pginas. Em 18 de abril o jornal passa para A.A. Covello, um dos

    6

  • redatores. Em 16 de maio de 1918 o novo proprietrio passa a ser Casper Lbero. Suas

    dimenses iniciais so de 48 x 65 cm, com 6 pginas divididas em 6 colunas. A partir de 1917

    passa a ser menor, com 44 x 59 cm, de 4 a 8 pginas, com 7 colunas cada. Isso j fazia parte

    de um esforo de reestruturao do jornal que foi encampado com maior fora por Casper

    Lbero.2

    Para nossa pesquisa, adotamos a diviso em trs tipos de faits divers: cotidiano, crime

    e prodgios. Esta diviso foi estabelecida depois da pesquisa em vrios peridicos de So

    Paulo e do Rio de Janeiro, dentro do recorte temporal de 1870 a 1930. Isso porque reparamos

    que as crnicas sensacionalistas encontradas em jornais da poca so normalmente

    classificadas simplesmente como notcias policiais ou tragdias. De fato, algumas delas so

    notcias de ocorrncias policiais que no raro acabaram em tragdias, tendo, por isso mesmo,

    destaque nos jornais. Mas nem todos os faits divers podem ser assim identificados. Existem

    casos que so relatados de forma muito bem-humorada, migrando da tragdia para a comdia;

    outras onde o tom exagerado, caracterstico do sensacionalismo, empregado para destacar o

    ufanismo e no a realidade agnica.

    As tragdias foram por ns includas na rubrica CRIME, que se subdivide em:

    homicdios e suas variaes parricdios, uxoricdios etc.; suicdios; brigas e cenas de sangue

    em geral; roubos e assaltos; atropelamentos; colises etc.

    Em COTIDIANO so classificadas as crnicas sobre: ocorrncias de destaque

    (polticas, econmicas, sociais) na cidade; notcias sobre guerras, revoltas ou conflitos;

    desastres (incndio, inundaes, acidentes); campanhas de higienizao (contra o tabaco, o

    lcool, a prostituio, o cafetismo etc.); conto do vigrio; esportes; curiosidades cientficas.

    E ainda os PRODGIOS: fenmenos espritas, circenses, gmeas siamesas, seres

    fenomenais.

    A Gazeta era farta dos trs tipos.

    As chamadas de Gazeta eram em letras garrafais e faits divers que se espalhavam pela

    primeira pgina, continuando nas seguintes, at as sees de texto acabarem para dar lugar s

    ltimas pginas com a publicidade crescente. Essa tendncia predominou at os anos 20. A

    entrada de Casper Lbero vinculou a modernizao do jornal com a diminuio do espao

    dado ao sensacionalismo, mas no o extinguiu.

    Vemos algumas manchetes encontradas em nossa pesquisa abaixo: De encontro a um Bonde (01/01/1914); Scena de Sangue - DOIS HOMENS BRIGARAM POR QUESTES DE NEGCIOS (05/01/1915);

    2 Pesquisa realiza pela autora no acervo de peridicos do Arquivo do Estado de So Paulo.

    7

  • O CRIME DE ONTEM - Uma mulher assassinada pelo amante (05/01/1915); Episdios da Guerra (09/01/1911); CRIMINOSO PRECOCE - Em Pirassununga um menor assassinou outro a facadas (15/10/1915); TRS GMEOS (10/11/1915); EL CUENTO... Dois vigaristas avanaram em 200$000 de uma ingnua (01/01/1916); No Mundo dos Excntricos - Acha-se em S. Paulo o homem da natureza (22/09/1916); OS FENMENOS HUMANOS - Um Caso de Macrocefalia (10/10/1916); O club da Morte uma campanha de saneamento moral (10/03/1017); Espectros da Fome - Os gneros de primeira necessidade esto pela hora da morte (10/05/1917); Os crimes Misteriosos (com foto da mulher degolada) (18/05/1917); Queria Morrer... - uma Italiana se jogou no rio Tiet (07/01/1918); OS CRIMES SENSACIONAIS - O preto Mauricio entrou hoje em julgamento no tribunal do jury

    (10/05/1918); Oito gols a um! Rah!..Rah!.. Chiii!.. Pum! Paulistas! S. Paulo! S. Paulo! J to cheio de vitrias, o seu

    pavilho oscila debaixo de tantas glrias! (06/09/1918); Os Vcios da populao - o uso e a venda de lcool, cocana, pio e seus derivados (01/09/1921); OS PRIAS uma noite no albergue noturno (12/09/1921); Que Valente! Agrediu uma mulher (05/01/1931); Quedas desastradas menor ferido na auto estrada (05/01/1931).

    No vamos nos ater aqui s descries j bem documentadas dos progressos tcnicos

    que possibilitaram a jornais como A Gazeta existirem. Novas tcnicas de impresso, um

    melhor sistema de comunicao integrado pelos correios e transportes, ampliao da

    distribuio, racionalizao da produo vieram junto com a transformao da imprensa em

    uma empresa capitalista. Alm do crescimento do publico leitor, principalmente do leitor de

    peridicos, muito mais lidos que os livros (Cruz: 2000). Um processo, como sabemos,

    vinculado ao processo mais amplo ocorrido em fins do sculo XIX de redimensionamento nos

    padres de consumo e no surgimento de uma nova sensibilidade.

    A nossa anlise tambm tenta se afastar da daquela que entende o aumento do

    sensacionalismo nos peridicos de SP to somente como um fenmeno derivado do aspecto

    tcnico muito embora o consideremos como central para entender o fenmeno do

    sensacionalismo como um todo, tendo nos debruado sobre o tema em outras oportunidades.

    Pretendemos levantar questes sobre como o sensacionalismo revela a existncia de

    uma matriz cultural articulada memria e tradio, estabelecendo um dilogo com o

    passado que tende a permanecer de forma renitente, ainda que reciclado.

    Supor que o leitor de fait divers menos instrudo ou pobre (Barbosa, 2007),

    tambm visto por ns como um reducionismo das possibilidades mltiplas e cruzadas que

    apresentam tais textos que so populares em vrios sentidos: no seu dilogo como uma forma

    de narrativa tradicional ou na capacidade de alcance, o que coloca em bases frgeis a idia de

    um conceito de popular restrito classe social.

    8

  • Outro ponto que temos observado a constatao, por parte de estudiosos (Barbosa,

    2007), de fait divers na imprensa brasileira apenas no sculo XX, quando eles aparecem j no

    sculo XIX, em menor nmero, mas j presentes em jornais do eixo Rio de Janeiro-So Paulo.

    A questo acerca de um gosto e hbito populares que justifiquem esta produo

    tambm deveria ser mais bem explorada. Em termos de recepo, talvez seja pea chave para

    entender como a demanda define a produo.

    Defendemos tambm o jogo de tenses na questo da definio da identidade nacional

    que aparece de forma explcita em faits divers, onde o projeto de modernizao por vezes

    toma feies eugnicas, como mostramos em nossa tese (Guimares, 2004b) e em artigo

    recente (Guimares, 2007).

    Escolhemos uma crnica do dia 19/05/1916 que aparece numa coluna esquerda dA

    Gazeta com a chamada O Mundo dos Mistrios. Delimitada por um fio, encima a manchete

    em negrito Dr. Carlos Niemayer fala Gazeta sobre as experincias do Sr. Mirabelli -

    Sensacionais Revelaes. Trata-se de um homem que afirma ter poderes medinicos. A ele

    foi dedicada durante dias a seo O Homem do Dia e O Mundo dos Mistrios, sempre

    tratando de forma ruidosa seus feitos. Todos os recursos de uma imprensa de moldes

    empresariais j podem ser notados: o reprter com poderes investigativos, a enquete,

    entrevistas, testemunhos de gente com credibilidade na sociedade e fotografias (Delporte,

    1995).

    O caso do Sr. Mirabelli um caso de fait divers de prodgio. um tpico fait divers

    por que rene pouca informao e farta inveno3. Cria situaes que ampliam o poder de

    alcance. anunciado em seo especial, na primeira pgina, em manchetes garrafais que

    facilitam a leitura (Guimares, 2004b). E usado para chamar a ateno para a notcia, como

    eram os folhetos populares, pela aparncia, pelo tema e pela estrutura.

    No dia 20/05 dado maior destaque ao Homem do Dia: As almas do outro mundo

    - Duas aventuras misteriosas do Sr. Mirabelli, na sapataria Villaa e na Farmcia Assis - O Dr. Carlos de Castro acha o homem do dia simplesmente extraordinrio - As suas faculdades

    de viso e audio espiritual so notveis.

    E logo abaixo das manchetes temos fotografias de espritos, ou seja, de espectros

    que as legendas afirmam serem espritos, algumas delas tiradas especialmente para A Gazeta

    pelo fotgrafo Valrio Vieira, cuja experincia lembra mais uma investida surrealista

    (Benjamin, 1994: p.24).

    3 Questes relativas fico/realidade no fait divers foram tratadas em outro artigo (2008).

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  • Assim, o leitor tem sua ateno despertada para um longo texto de duas largas colunas

    no lado superior direito da folha: Se verdade que muitas pessoas existem em S. Paulo de insuspeita idoneidade, que afirmam possuir o Sr. Carlos Mirabelli dons de mediunidade dos mais notveis, graas aos quais pode ver o invisvel e ouvir o que para os profanos no suscetvel de ser ouvido numerosas outras h tambm que asseguram ser o homem do dia nada mais que um comum charlato, quando muito um hbil prestidigitador. E para estes o fenmeno da sada de um lpis do interior de uma garrafa simplesmente um truc conseguido com o auxlio de um fio de linha ou de cabelo e de uma nfima quantidade de cera.Ora, pois, entre uns e outros ficamos, francamente, indecisos. Entre les deux notre coeur balance.... Nessa alternativa de confiana e desconfiana, quanto autenticidade dos fenmenos espiritistas anunciados, prosseguimos com empenho na reportagem que encetamos, menos, alis, para satisfazer a nossa curiosidade do que em satisfao da curiosidade dos leitores.UMA DO SR. MIRABELLIOs leitores talvez ignorem que o mdium de hoje foi, noutros tempos, alguma coisa menos interessante: apenas sapateiro, filho de sapateiro, neto, quem sabe, de oficial do mesmo ofcio. Como sapateiro, o Sr. Mirabelli foi, por vrios meses, empregado da Casa Villaa, conceituada casa de calados.Um dia, o homem maravilhoso de agora, ento modesto caixeiro de sapataria, teve de servir a uma cliente e acabou por obter que esta escolhesse um par de borzeguins do ltimo figurino. Quando os borzeguins novos, depois de experimentados haviam voltado para a respectiva caixa e iam ser embrulhados, uma coisa extraordinria se verificou: primeiro, os sapatos a saltarem sozinhos, dentro da caixa de papelo e, logo em seguida, a cliente fugiu espavorida, presa de um pavor muito justificvel.A conseqncia deste fato foi o misterioso caixeiro ser mais tarde despedido da casa sem remdio, como elemento pernicioso, tanto para o negcio como para a freguesia...OUTRAMuito mais recentemente, o Sr. Mirabelli procurou o farmacutico Assis Ribeiro disse-lhe que um seu amigo, j falecido, lhe mandava pedir que perdoasse de uma dvida velha proveniente de drogas que havia adquirido na farmcia.O popular boticrio estranhou o caso, no s pela esquisitice do pedido pstumo, como, alm disso, no se lembrava de que aquele seu amigo lhe ficasse a dever qualquer coisa. Por via das dvidas, recorreu aos livros da casa.Pois acreditem: l contava dos livros esse dbito antigo e, mais ainda precisamente a importncia declarada pelo Sr. Mirabelli sem mais nem menos real...MAS SER TRUC?No teria o homem, no primeiro caso, arranjado as coisas de modo que as botinas da Casa Villaa saltassem dentro da caixa aparentemente por espontneo movimento? No teria, no segundo, conhecimento prvio da dvida esquecida pelo farmacutico Assis, que outras muitas, provavelmente esqueceu da mesma forma?Francamente no h provas que, nestes dois casos possam ser admitidas como eficientes. Assim tambm, s pelo testemunho de pessoas de boa f, no se podem aceitar como autnticos fenmenos de mediunidade os processos fsicos at agora realizados pelo Sr. Mirabelli, tais como fazer mover-se um dado objeto, independente, como ele diz, de qualquer interveno material.O homem, entretanto, no faz s isso que o pblico est farto de saber. As provas do seu misterioso poder residem em fenmenos diversos que alm de outras muitas pessoas atestam os drs. Capote Valente, Carlos de Castro e Alberto Seabra, advogados e mdicos conceituadssimos no nosso meio. Citemos aqui, por agora, A OPINIO DO DR. CARLOS DE CASTROsobre as faculdades espritas do digno rival do baro Ergonte:- Estive presente a vrias sesses do Sr. Mirabelli duas vezes em casa do dr. Capote Valente, uma vez na residncia do farmacutico Luiz Pinto de Queiroz e outra ainda no consultrio do Alberto Seabra.- E qual foi a sua impresso?

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  • - A de que o Sr. Mirabelli possui, incontestavelmente, dons notveis. Os seus sucessos no residem absolutamente em trucs: so de tal ordem, que impressionam a quantos a eles assistam. - Qual foi o fenmeno por ele conseguido que mais o empolgou?- A sada de um anel do interior de uma garrafa.- Sempre mais ou menos as mesmas coisas... os mesmos fenmenos fsicos...- Mas verdadeiros, insofismveis. O Sr. Mirabelli submeteu-se, em nossa presena, aos mais minuciosos exames. Despiu-se das suas roupas e cobriu-se de outras que lhe demos simples avental de cirurgio. Foram tais as precaues tomadas, que tornavam impossveis os trucs. Demais, no se do atravs do Sr. Mirabelli, apenas os fenmenos fsicos. Ns j o ouvimos descrever pessoas mortas que ele no conheceu: pessoas vivas que ele nunca viu, usos e hbitos de umas e outras, pequeninas particularidades, de que s parentes muito ntimos esto ao par. A um filho do Sr. Aratangy, o mdium, descreveu, minuciosamente, o prdio de residncia de sua famlia, fez um retrato perfeito de seu progenitor e de sua progenitora, sem jamais os ter encontrado em pessoa ou em efgie.- Isso mais extraordinrio...- Mas pouco ainda. Fui testemunha de coisas simplesmente impressionantes, ocorridas em casa dos drs. Capote Valente e Alberto Seabra. No estou autorizado a divulg-las ao amigo, nem me competiria faz-lo. Acredito, porm, que aqueles meus dois distintos amigos no se recusaro a prestar-lhe informaes interessantssimas, provando cabalmente que o Sr. Mirabelli, conquanto desconhea o espiritismo quase por completo, um mdium digno de admirao, com faculdades elevadas de viso e audio espirituais.***Publicaremos no prximo nmero uma interessante carta do dr. Carlos de Niemeyer a respeito das experincias feitas em sua casa pelo Sr. Mirabelli.Daremos tambm uma sensacional entrevista que nos concedeu o Sr. Valrio Vieira.

    A notcia continua, interminvel, ocupando a pgina 2. Na primeira pgina ela

    entrecortada por fotografias de espritos. A foto 1 vem com o que parece ser um espectro de

    uma senhora de branco e a seguinte legenda: Fotografia de W. Crockes e do esprito de Katie

    King luz do magnesium. A foto 2, o espectro de um homem alto, de branco e a legenda

    Experincia de Aksakof reproduo de uma fotografia de Eglington e de um esprito

    materializado, obtida luz do magnesium e a foto 3, um homem segurando uma flor cuja

    legenda afirma ser parte da Experincia de Aksakof - reproduo da fotografia

    transcendental de um esprito materializado obtida na obscuridade completa.

    O fait divers continua por dias, como de costume, e sempre dialogando com a

    opinio pblica. No dia seguinte o famoso fotgrafo Valrio Vieira conclamado a narrar as

    cousas espantosas (A Gazeta, 22/05/1916) de que foi testemunha em matria de primeira

    pgina, com amplo destaque. A repercusso parece que foi tal que o rival Correio Paulistano

    armou um desafio com o intuito de desmascarar o Sr. Mirabelli e desmoralizar A Gazeta: O

    Sr. Mirabelli aceita o repto que lhe foi lanado pelo Correio Paulistano (A Gazeta,

    26/05/1916). A coisa extrapola a cidade e chega capital do pas4, onde Carlos de Castro

    escreve sobre o Homem do dia no carioca Correio da Manh (27/05/1916) e dias depois,

    4 O que faz deduzir que tenha chegado a vrios outros estados do pas, s vezes mesmo at outros pases, visto que tais jornais tinham distribuio e escritrios no interior e exterior do Brasil, e suas notcias eram incorporadas a outros jornais, multiplicando o alcance da notcia.

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  • dia 07/06, ganha as pginas do jornal A Noite. At os conceituados mdicos Vital Brasil (A

    Gazeta, 07/06/1916) e Franco da Rocha (A Gazeta, 19/06/1916), entre outros menos

    conhecidos hoje em dia, so convocados a sees coletivas para observar os feitos do Sr.

    Mirabelli que, a despeito do sucesso, continua desempregado e sem meios de subsistncia.

    Problema esse que mobilizou A Gazeta que anuncia a abertura de aceites de subscries para

    o fabuloso homem.

    S dia 13 de julho acaba o destaque dado a Mirabelli e no se v mais notcia deste

    nA Gazeta. Iniciada em 19 de maio, temos que foram quase dois meses de matrias

    ininterruptas sobre o mesmo caso, tcnica do folhetim que a crnica jornalstica tomou para si

    (Meyer, 1996).

    No cabe desenvolver no espao deste artigo uma anlise exaustiva desta fonte. Mas

    so questes a serem analisadas, entre outras: o significado do espiritismo neste momento

    histrico com a adeso das elites brasileiras religio de Alan Kardec, caso de Mcio

    Teixeira (o Baro Ergonte mencionado) que tambm traduzira Victor Hugo, outro adepto do

    espiritismo. No havia uma separao rgida ainda entre cincia e religio e parecia possvel

    que a existncia de espritos pudesse ser comprovada cientificamente, como quase tudo, alis,

    na poca do magnetismo, da eletricidade, da microbiologia, das foras invisveis da cincia.

    Ou qual o papel do jornal como agente social neste contexto, a qual matriz se vincula,

    para usarmos o exemplo de Sunkel? Esta conexo com os temas do popular se d no espao

    do jornal que traduz o espao da cidade: os nomes das ruas, dos estabelecimentos a loja, a

    farmcia , os nomes conhecidos, todos a dar uma coeso esfera pblica. E nas ruas da

    cidade, onde convivem diversas tradies, a matriz oral5 resgatada para a linguagem

    coloquial dos jornais. E essa mesma matriz oral est presente no tema do sobrenatural, do

    prodgio, no tom agonstico que lhe caracteriza. Ou na estrutura, que remonta ao ritmo da fala,

    com repeties, snteses, estruturas formulares (Ong, 1998) muitas vezes vista como inpcia

    tcnica, quando se trata de uma opo consciente empregada em um formato da era da

    reprodutibilidade tcnica.

    Tentamos apontar algumas questes acerca da histria cultural do fait divers, como os

    estudos brasileiros tratam o tema e como os estudos da comunicao se relacionam com

    algumas propostas da histria cultural, dilogo necessrio e enriquecedor.

    5 Preferimos nos referir assim ao que Sunkel chama de matriz simblico-dramtica.

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