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Projeto editorial experimental, utilizando trechos do livro O GRÁFICO AMADOR de Guilherme Cunha Lima - 1997. Projeto publicado na revista da Abigraf nº 249.

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  • O GRFICO AMADORAS ORIGENS DA MODERNA TIPOGRAFIA BRASILEIRA

    Organizao Leandro Daniel

    Gui lherme Cunha L ima

  • INTRODUO Leandro Danie l

  • Expor idias e pensamentos sobre o design con- temporneo incita explorar como a pluralidade das linguagens visuais integra experincias e tc-nicas com o objetivo de alcanar originalidade no processo criativo e conceitual. Hoje vemos como a multiplicidade dos valores culturais de-termina o recorte de influncias que mantm viva as experincias no campo visual. nesse momento que o design grfico deve interpretar e integrar o que est presente no mundo das imagens em todos os quatro cantos do globo e projet-las de acordo com sua prpria reali-dade. Nas ltimas dcadas o design incorpora cada vez mais as tradies populares e eruditas, o que mostra como a ligao entre dois mundos totalmente distintos ganham fora e caracteri- zam a busca pelo prprio sentido das imagens. Com o avano das tcnicas digitais observamos como essa transferncia de valores modifica o significado das linguagens e possibilita a troca de experincias como parte de um conjunto superior. Segundo Ftima Finizola, podemos per-ceber uma multiplicidade de repertrios visuais

    que coexistem em nossa cultura, devido mis-cigenao dos diversos povos que constituem a formao histrica do Brasil. Seja nas cores do cerrado, nas xilogravuras nordestinas ou nas caticas cidades, a personalidade impressa em cada grupo demonstra a riqueza de elementos presentes nessa cultura atordoada, que permite inmeras leituras e interpretaes de sentidos. Hibridismo de acordo com o dicionrio Michaelis significa a qualidade do que provm de nature- zas diferentes. Em design grfico faz referncia busca por elementos que juntos compe a totali-dade visual e prtica do projeto. Nessa experin-cia possvel coletar formatos sem deixar que perturbem sua essncia, separar o que rele- vante e atenuar o significado de sua forma mais pura. Ao transitar pelas ruas observamos essa troca de influncias no sentido mais explcito e natural, que na maioria das vezes esto relaciona-das plena necessidade de sobrevivncia, ou seja, comunicar. Contudo podemos assegurar que o acaso fruto da espontaneidade com que esses elementos se comportam ou interagem entre si.

  • O GRFICO AMADOR

  • O GRFICO AMADOR

  • A imprensa foi introduzida no Brasil em 1808. Em Pernambuco ela s chegou algum tempo depois, mas desde ento, tem sido um importante fator no de-senvolvimento cultural, poltico e econmico do es-tado. No sculo XIX os jornais desempenharam um papel decisivo no cenrio poltico do esforo de Per-nambuco para se tornar independente de Portugal. Os pernambucanos estiveram envolvidos em vrios movimentos revolucionrios e a primeira expresso dos ideais republicanos no Pas foi o manifesto da Re- voluo de 1817. Esse documento foi impresso na Oficina Typographica da Republica de Pernambuco.

  • Esses movimentos foram marcados pelos ideais republicanos inspirados pela Revoluo Francesa e pela independncia dos Estados Unidos.

  • Os revolucionrios tinham ligaes com os Estados Unidos e conseqentemente com que estava acontecendo no resto da Amrica Latina. Um exemplo que pode ser lembrado o do Capito Jos Incio de Abreu e Lima que se exilou nos Estados Unidos aps a revoluo de 1817. Na Filadlfia conheceu Simon Bolvar, por intermdio da Maonaria, e juntando-se a ele seguiu para a Venezuela para lutar pela inde-pendncia das colnias espanholas. Quando voltou ao Brasil, j no reinado de D. Pedro II, detinha o posto de General de Brigada da Gr-Colmbia. Entretanto, longe de ser um fenme- no restrito a um perodo determinado, o trabalho editorial se manteve ao longo dos anos como

    uma atividade cultural das mais importantes estabelecendo uma tradio que perdura at os nossos dias. O Recife tem o mais antigo jornal em circulao na Amrica Latina, o Dirio de Per-nambuco, fundado em 1825. tambm Pernam-buco o plo de onde partiram vrias oficinas grficas para estados vizinhos como o Cear, a Paraba, Alagoas e o Rio Grande do Norte. Pa- ralelamente atividade editorial, desenvolveu-se tambm atividade projetual. o caso de pessoas que exerceram, individualmente ou em grupo, o ofcio de projetar peas grficas como livros, rtulos, folhetos e peridicos. Apesar disso o estabelecimento de uma indstria grfica local no suscitou o aparecimento de uma indstria

    Os revolucionrios tinham ligaes com os Estados Unidos e conseqentemente com que estava acontecendo no resto da Amrica Latina...

  • editorial, exceo feita ao setor jornalstico. dentro deste contexto que, entre os anos de 1954 e 1961, um grupo de intelectuais autode-nominado O Grfico Amador produziu, no Nor-deste do Pas, mais de trinta obras que vieram a se tornar marcos na histria contempornea da literatura, da arte e do design do Brasil. A importncia desse grupo pode ser aferida ao se considerar a contribuio de alguns de seus membros vida artstica e cultural do Pas. Entre eles podemos destacar: Alosio Maga- lhes, designer grfico, professor universitrio, pintor e um dos fundadores da Escola Superior de Desenho Industrial, ESDI, no Rio de Janei-ro em 1963; entre outros cargos que exerceu

    na administrao pblica federal, foi secretrio geral do Ministrio da Educao e Cultura; Ana Mae Barbosa, arte-educadora, professora universitria, ensasta e foi diretora do Museu de Arte Contempornea de So Paulo; Ariano Suassuna, romancista, dramaturgo, poeta e professor universitrio e membro da Academia Brasileira de Letras; Arthur Lcio Pontual, arquiteto e professor universitrio; foi scio de Alosio Magalhes em um escritrio de design no Rio de Janeiro; Ayrton Carvalho; engenheiro e professor universitrio; diretor, por mais de trinta anos, do Instituto do Patri- mnio Histrico e Artstico Nacional, na regio Nordeste; Carlos Pena Filho, poeta; Fran-

  • cisco Brennand, pintor e ceramista; Gasto de Holanda, designer grfico, romancista e poeta, professor universitrio e editor; Henrique Mindlin, arquiteto; Hermilo Borba Fi- lho, dramaturgo, romancista e professor universitrio; fundador do Teatro de Estudantes de Pernambuco, TEP, e do Teatro Popular do Nordeste, TPN; Joo Alexandre Barbosa, professor universitrio e ensasta; foi presidente da Editora da Universidade de So Paulo, exercendo entre outros cargos acadmicos, o de pr-reitor de pesquisa nessa mesma universidade; Jorge Martins Jnior, arquiteto e professor universitrio; exerceu diversos cargos na administrao pblica de

  • Pernambuco, tendo sido vice-presidente nacional do Instituto de Arquitetos do Brasil; Jorge Wan-

    derley, professor universitrio, poeta, tradutor e ensasta; Jos Mindlin, biblifilo, industrial,

    decano da Federao das Indstrias do Estado de So Paulo; Jos Laurenio de Melo, poeta,

    tradutor e editor; Loureno Barbosa (Capiba), importante compositor de msica popular

    pernambucana; Luiz Delgado, advogado, professor universitrio, ensasta e poeta; membro

    da Academia Pernambucana de Letras; Mauro Mota, escritor, poeta e ensasta; membro da

    Academia Pernambucana de Letras; Orlando da Costa Ferreira, bibliotecrio, ensasta, pro-

    fessor universitrio e editor; Osman Lins, romancista, contista e ensasta; Reynaldo Fonseca,

    pintor e professor universitrio; Sebastio Uchoa Leite, crtico literrio, poeta e tradutor.

  • A importncia do trabalho desenvolvido por esse grupo evidencia-se na corres- pondncia mantida por seus membros com editores de revistas especializada entre outros Walter Herdeg da Graphis de Zurique, Francis Harvey da Print de Nova Iorque e Timothy Simon da Sig-nature de Londres. Uma apreciao da produo de O Grfico Amador pode tambm ser encontrada em artigos, da

    autoria de intelectuais do porte de um

    J.R. Thom (Le Courrier Graphique, Paris)

    Mauro Mota (Dirio de Pernambuco, Re-

    cife) e Carlos Drummond de Andrade

    (Correio da Manh, Rio de Janeiro).

  • A expresso tipografia moderna usada no presente tra-

    balho no deve ser entendida como um sinnimo de nova

    tipografia, termo criado por Jan Tschichold (1928), que

    o define e descreve em seu livro Die Neue Typographie

    (A Nova Tipografia). Esse movimento, na Alemanha, estabe-

    leceu regras especificas relacionadas com a idia de assime-

    tria, funcionalidade e tipografia com caracteres sem serifa.

    Tipografia moderna no contexto deste trabalho, tem, em es-

    sncia, o mesmo sentido que nos serve para identificar o movi-

    mento moderno em tipografia, no primeiro quartel do sculo

    XX na Europa, pois nesse momento histrico ligam-se as ra-

    zes da tipografia totalidade do movimento moderno de arte.

    E A T I P O G R A F I A M O D E R N A

  • Em 1922, o Brasil comemorou o seu primeiro centenrio da Independncia. Este tambm o ano que assinala a ecloso do Modernismo no Pas, propondo uma renovao no entendimento da

    arte, mais especificamente nas esferas da literatura, das artes plsticas e da arquitetura. Nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, realiza-se,no Teatro Municipal de So Paulo, a primeira manifesta- o de impacto do modernismo brasileiro a Semana de Arte Moderna. A divulgao desse evento pela imprensa permitiu que fossem difundidos os seus trs princpios fundamentais, os quais seriam, segundo Mrio de Andrade, principal idelogo da

    Semana de 22: o direito permanente pesquisa esttica; a atualizao da inteligncia artstica brasileira; e o estabelecimento de uma conscin-cia criadora nacional. Um dos mais importantes temas resultantes do relacio- namento entre o modernismo brasileiro e as vanguardas europias o do nacionalismo. A leitura dos documentos e das obras literrias da fase herica (1920-1930) revela te- rem sido mltiplos os caminhos de desenvolvimento desta questo, assim como o conceito de nacionalismo.