o governo jk e o desenvolvimento econômico brasileiro no ...· a partir da desastrada execução

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  • UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

    INSTITUTO DE ECONOMIA

    MONOGRAFIA DE BACHARELADO

    O governo JK e o desenvolvimento econmico brasileiro no

    perodo 1956-1961

    __________________________________

    THIAGO ANDRADE MOELLMANN FERRO

    Matrcula n: 109023886

    ORIENTADOR: Prof. Ricardo Bielschowsky

    ABRIL 2013

  • 1

    As opinies expressas neste trabalho so de exclusiva responsabilidade do autor

  • 2

    Dedico este trabalho ao meu pas e seu povo

  • 3

    AGRADECIMENTOS

    Agradeo aos meus pais, que se preocuparam com minha educao e incentivaram

    meus estudos.

    Agradeo ao Instituto de Economia da UFRJ pelo amplo conhecimento em

    economia e sua preocupao com a diversidade terica.

    Agradeo aos meus professores, que estimularam meu estudo, como Reinaldo

    Gonalves, Lena Lavinas e outros, e, ao professor Ricardo Bielschowsky, que me orientou

    com dedicao e gentileza.

  • 4

    RESUMO

    O objetivo desta monografia realizar uma anlise sinttica da poltica econmica

    brasileira promovida durante o governo Juscelino Kubitschek (1956-1961), citando seus

    condicionantes e caractersticas de governo. Alm disso, pretende-se constatar o

    desenvolvimento econmico observado nesses cinco anos. Considera-se que o perodo

    promoveu uma slida deciso consciente em prol da industrializao, o Plano de Metas,

    resultado de intenso planejamento e interveno do Estado na economia. Nesse sentido, o

    perodo manifestou a busca clara e objetiva pelo desenvolvimento econmico, identificando

    e combatendo pontos de estrangulamento e promovendo a industrializao.

    Partindo de um contexto histrico e ideolgico, procura-se identificar as

    caractersticas do governo do presidente JK. Nesse contexto, demonstra-se o vis do

    pensamento econmico dominante na poca, o desenvolvimentismo, e suas implicaes na

    poltica econmica do perodo. Nota-se, ainda, que o governo constituiu um perodo

    democrtico, e, marcado pela estabilidade poltica, viabilizou o planejamento econmico.

    Na rea da poltica econmica, observa-se que as polticas monetria e cambial

    estiveram sobrepostas pela poltica de desenvolvimento durante o governo Kubitschek. O

    objetivo de intensificao do processo de industrializao no Brasil deveria ser

    condicionado pela poltica econmica, devendo esta eliminar restries e pontos de

    estrangulamento. Assim, o desenvolvimento econmico era visto com legitimidade poltica

    e ideolgica, no importando, freqentemente, quo elevados fossem os nveis de inflao,

    de endividamento ou de desequilbrio externo. O rompimento de relaes com o FMI em

    1959, nesse sentido, foi estrategicamente fundamental, tendo em vista que, tivesse se

    submetido s imposies do fundo, o presidente Kubitschek teria que refutar seu Programa

    de Metas.

    A criao do Conselho do Desenvolvimento em 1956 promoveu uma srie de

    estudos econmicos setoriais. Desta forma, efetuava-se o planejamento econmico do

    governo, que identificou setores estratgicos que viabilizariam o desenvolvimento. De fato,

    o Plano de Metas surgiu desse esforo e pde consubstanciar os objetivos de poltica

    econmica do perodo. Ademais, o plano econmico corroboraria a continuidade do

    processo de substituio de importaes, introduzindo uma nova fase em que a

    industrializao foi mais sofisticada, com maior intensidade de capital de orientao da

    poltica pblica.

    Disserta-se, ainda, sobre o papel desempenhado pelo BNDE no que tange ao Plano

    de Metas. A questo do financiamento do plano e da presena de capitais privados tambm

    abordada, bem como os desequilbrios provenientes do financiamento.

    Finalmente, conclui-se que o governo Kubitschek foi muito bem-sucedido em seu

    objetivo de industrializar o Brasil rapidamente, utilizando-se dados estatsticos de forma a

    ilustrar o progresso econmico do perodo.

  • 5

    SMBOLOS, ABREVIATURAS, SIGLAS E CONVENES

    BNDE Banco Nacional de Desenvolvimento Econmico

    CACEX Carteira de Comrcio Exterior do Banco do Brasil

    Cemig Companhia Energtica de Minas Gerais S. A.

    CEPAL Comisso Econmica para a Amrica Latina e o Caribe

    CEXIM Carteira de Exportao e Importao

    CHESF Companhia Hidro Eltrica do So Francisco

    CMBEU Comisso Mista Brasil-Estados Unidos

    Cosipa Companhia Siderrgica Paulista

    CPA Conselho de Poltica Aduaneira

    CSN Companhia Siderrgica Nacional

    CVRD Companha Vale do Rio Doce

    DNER Departamento Nacional de Estradas e Rodagem

    EUA Estados Unidos da Amrica

    Eximbank Export-Import Bank

    FGV Fundao Getlio Vargas

    FMI Fundo Monetrio Internacional

    IBC Instituto Brasileiro do Caf

    IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica

    IGP-DI ndice Geral de Preos Disponibilidade Interna

    IPEA Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada

    JK Juscelino Kubitschek

    Jango Joo Goulart

    PEM Programa de Estabilizao Monetria

    Petrobrs Petrleo Brasileiro S. A.

    PIB Produto Interno Bruto

    PM Plano de Metas

    PNB Produto Nacional Bruto

    PSD Partido Social Democrtico

    PSI Processo de Substituio de Importaes

    PTB Partido Trabalhista Brasileiro

    UDN Unio Democrtica Nacional

    UFMG Universidade Federal de Minas Gerais

    Usiminas Usinas Siderrgicas de Minas Geras S. A.

    SUDENE Superintendncia do Desenvolvimento do Nordeste

    SUMOC Superintendncia de Moeda e Crdito

  • 1

    NDICE

    INTRODUO ........................................................................................................................ 2

    CAPTULO I - O CONTEXTO HISTRICO E IDEOLGICO ...................................... 3

    I.1 - BREVE RESUMO DOS ANTECEDENTES HISTRICOS ................................................................. 3

    I.2 - O DESENVOLVIMENTISMO E SUA INFLUNCIA IDEOLGICA NO GOVERNO JK ......................... 6

    I.3 - A ESTABILIDADE POLTICA .................................................................................................... 9

    I.4 - O APROFUNDAMENTO DAS RELAES ENTRE ESTADO E ECONOMIA .................................... 11

    CAPTULO II - A POLTICA ECONMICA ................................................................... 17

    II.1 - A POLTICA DE DESENVOLVIMENTO ................................................................................... 17

    II.2 - O PLANO DE METAS ........................................................................................................... 18

    II.3 - A POLTICA CAMBIAL ......................................................................................................... 24

    II.4 - O FINANCIAMENTO E O PAPEL DO BNDE ............................................................................. 34

    II.5 - O PLANO DE ESTABILIZAO MONETRIA ......................................................................... 43

    II.6 - A SUDENE .......................................................................................................................... 47

    II.7 - BRASLIA ........................................................................................................................... 48

    CAPTULO III - O DESENVOLVIMENTO ECONMICO E AS

    CONSEQNCIAS DE POLTICA ECONMICA ......................................................... 50

    III.1 - INFLAO E DVIDA EXTERNA .......................................................................................... 50

    III.2 - O DESENVOLVIMENTO ...................................................................................................... 57

    III.3 - A AVALIAO DO PLANO DE METAS ................................................................................. 61

    CONCLUSO ......................................................................................................................... 66

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ................................................................................. 67

  • 2

    INTRODUO

    A partir de 1940, houve alguns ensaios incipientes de planejamento da economia

    brasileira. Nesse grupo, podem ser citadas as propostas do Relatrio Simonsen em 1944.

    Da mesma forma, em 1948, foram desenvolvidos os diagnsticos da Misso Abbink.

    Lanado pelo governo Dutra em 1947, o Plano SALTE pensou tentativas de racionalizar o

    processo oramentrio. Destacadamente para este trabalho, observaram-se os trabalhos da

    Comisso Mista Brasil-EUA no perodo 1951-1953.

    Todavia, o perodo de 1956-1961 significou, atravs do Plano de Metas, a

    introduo de formulaes mais complexas e de impacto mais profundo. Nesse sentido, o

    governo Juscelino Kubitschek considerado por autores consagrados como a primeira

    experincia efetivamente posta em prtica de planejamento governamental no Brasil.

    Neste trabalho, aborda-se o perodo 1956-1961 de modo a estudar uma parte

    importante da histria do planejamento econmico no Brasil. Este perodo se caracterizou

    por identificar debilidades da estrutura econmica brasileira e por projetar investimentos

    em setores essenciais para promover uma industrializao acelerada. Mais geralmente, este

    foi um governo que priorizou o desenvolvimento econmico e obteve alto grau de

    cumprimento de suas metas.

    Como mtodo aplicado na realizao desta monografia, efetuou-se um estudo

    histrico, reunindo uma pluralidade de autores relevantes sobre o tema. No primeiro

    captulo, o foco se direcionou para a caracterizao do perodo, apontando corrente