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O sistema de Banco de Caixas já foi mostrado como uma importante ferramenta de administração da logística reversa e da higienização das embalagens plásticas retornáveis de produtos horticulturais (frutas, legumes e verduras) que circulam dentro da rede de comercialização das CEASAs (Centrais de Abastecimento) no Brasil.Nas pesquisas de Julioti (2010) e Garbellotto (2012), muito já se foi explanado acerca da descrição da funcionalidade do sistema de Banco de Caixas e suas estratégias de operação. Diversos benefícios trazidos pela sua implantação foram constatados, entre eles a alternativa mais eficiente para o controle do fluxo logístico reverso das embalagens plásticas hortifrutícolas, a redução do volume de caixas em circulação, a padronização de peso quantidade, a maior rastreabilidade das embalagens plásticas e a menor incidência de perdas e roubos das embalagens e a possibilidade do uso de tecnologias para aplicação de automação das transações comerciais. Além disso, em associação com a ideia de redução do uso das embalagens de madeira e a função de higienização das embalagens plásticas a cada uso, proporcionada pelo sistema, mais benefícios podem ser citados, como o aumento da qualidade e da vida útil dos hortifrútis, a redução das perdas com contaminação e manuseio inadequado, menor número de acidentes de trabalho para quem manipula as caixas, maior atratividade e bem estar para o consumidor, minimização do impacto ambiental com a redução da geração de resíduos e devida disposição final dos rejeitos, diminuição dos volumes de lixo em aterros sanitários, a diminuição da disseminação de pragas da lavoura, a maior facilidade de negociação com o cliente devido a maior confiabilidade e fidelidade do consumidor e a aplicabilidade da Instrução Normativa Conjunta no 9 (INMETRO, ANVISA, SARC, de 12 de novembro de 2002).

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  • UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JLIO DE MESQUITA FILHO

    FACULDADE DE ENGENHARIA

    CAMPUS DE BAURU

    O FLUXO LOGSTICO REVERSO DAS EMBALAGENS HORTIFRUTCOLAS

    E OS DESAFIOS FRENTE NOVA POLTICA NACIONAL DE RESDUOS

    SLIDOS

    MATHEUS COCENZA QUINTILIANO

    BOLSISTA PIBIC-REITORIA

    Relatrio final referente a bolsa PIBIC-Reitoria

    ligado PROPe. Apresentado Profa. Dra.

    Rosani de Castro.

    BAURU, MARO DE 2013

  • SUMRIO

    1. INTRODUO ........................................................................................................ 1

    2. REVISO BIBLIOGRFICA .................................................................................. 3

    2.1. Panorama geral dos Bancos de Caixas no Brasil ................................................... 3

    2.2. Fatores Restritivos ............................................................................................... 10

    2.3. O Plano Nacional de Resduos Slidos ............................................................... 13

    3. OBJETIVO .............................................................................................................. 16

    4. METODOLOGIA ................................................................................................... 17

    5. RESULTADOS E DISCUSSES .......................................................................... 19

    5.1. Alternativas aos fatores restritivos ...................................................................... 19

    5.2. Estudo de caso in loco: A CEASA-Bauru ........................................................... 22

    5.3. A anlise da viabilidade econmica .................................................................... 25

    6. CONCLUSO ........................................................................................................ 26

    7. REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS .................................................................... 28

    8. ANEXOS ................................................................................................................. 31

  • 1

    1. INTRODUO

    O sistema de Banco de Caixas j foi mostrado como uma importante

    ferramenta de administrao da logstica reversa e da higienizao das embalagens

    plsticas retornveis de produtos horticulturais (frutas, legumes e verduras) que circulam

    dentro da rede de comercializao das CEASAs (Centrais de Abastecimento) no Brasil.

    Nas pesquisas de Julioti (2010) e Garbellotto (2012), muito j se foi

    explanado acerca da descrio da funcionalidade do sistema de Banco de Caixas e suas

    estratgias de operao. Diversos benefcios trazidos pela sua implantao foram

    constatados, entre eles a alternativa mais eficiente para o controle do fluxo logstico

    reverso das embalagens plsticas hortifrutcolas, a reduo do volume de caixas em

    circulao, a padronizao de peso quantidade, a maior rastreabilidade das embalagens

    plsticas e a menor incidncia de perdas e roubos das embalagens e a possibilidade do

    uso de tecnologias para aplicao de automao das transaes comerciais. Alm disso,

    em associao com a ideia de reduo do uso das embalagens de madeira e a funo de

    higienizao das embalagens plsticas a cada uso, proporcionada pelo sistema, mais

    benefcios podem ser citados, como o aumento da qualidade e da vida til dos hortifrtis,

    a reduo das perdas com contaminao e manuseio inadequado, menor nmero de

    acidentes de trabalho para quem manipula as caixas, maior atratividade e bem estar para

    o consumidor, minimizao do impacto ambiental com a reduo da gerao de resduos

    e devida disposio final dos rejeitos, diminuio dos volumes de lixo em aterros

    sanitrios, a diminuio da disseminao de pragas da lavoura, a maior facilidade de

    negociao com o cliente devido a maior confiabilidade e fidelidade do consumidor e a

    aplicabilidade da Instruo Normativa Conjunta n 9 (INMETRO, ANVISA, SARC, de

    12 de novembro de 2002).

    Muitos tpicos tambm j foram desenvolvidos em suas revises

    bibliogrficas, como a descrio da logstica reversa, a funo da embalagem, a

    diferenciao dos tipos de embalagem (plstico, madeira e papelo ondulado) em

    descartvel, reutilizvel e reciclvel, o histrico da administrao das CEASAs, o

    panorama global do gerenciamento de resduos, entre outros. Os mesmo temas no sero

    repetidos, porm sero complementados na medida em que for cabvel ao atual trabalho.

    Apesar dos benefcios encontrados, ao imaginar a prtica da operao, muitos

    entraves foram observados pelos atores envolvidos, principalmente ao fato dos mesmos

  • 2

    associarem a implantao dessa nova ideia apenas aos custos trazidos por ela, e a no

    existncia de meios de fiscalizao da higienizao das embalagens conforme a Instruo

    Normativa Conjunta n 9, dando a ideia de que no so obrigados a aderirem mudana.

    De fato, como salienta Silveira (2009), o padro de comportamento dos agentes que

    operam nos mercados o de recusar qualquer novidade, principalmente se ela representar

    algum custo, por menor que seja. No interessa aos permissionrios se a novidade vai

    promover a melhoria das condies gerais de comercializao, ou se vai beneficiar o

    mercado como um todo, bem como a prpria cadeia de produo e distribuio, fazendo

    com que todo mundo possa ganhar mais no mdio prazo. E nem se pode dizer que eles

    estejam errados agindo assim, sobretudo porque no o papel dos permissionrios

    trabalharem pela implantao de projetos de modernizao.

    Essas e demais tendncias nos possibilita observar que existe um problema

    cultural e at, de certo descrdito para a viabilizao dos sistemas de higienizao de

    embalagens hortifrutcolas.

    Para dar continuidade a essa sequncia de estudos faz-se apropriado uma nova

    reviso bibliogrfica que encaminhe a ateno para o atual foco da pesquisa, que a

    anlise da viabilidade econmica sobre a instalao no sistema de Bancos de Caixas para

    incentivar o investimento em sua instalao nos entrepostos das CEASAs que ainda no

    o aderiram.

    Uma vez que j foram constatados os inegveis benefcios do sistema de

    Banco e Caixas, e tambm a existncia de entraves que dificultam a viabilizao do

    sistema, mister se faz que, partindo-se da identificao desses fatores restritivos e,

    oferecendo alternativas a eles, buscar os meios mais adequados a proporcionar o aumento

    da sua credibilidade entre aos atores envolvidos.

    Em meio s propostas oferecidas pelo Banco de Caixas, podemos observar a

    compatibilidade que sua ideia possui com o mais contemporneo plano governamental

    relacionado questo ambiental. Em 2011, o Brasil aprovou aps duas dcadas de

    discusses a Poltica Nacional de Resduos Slidos (PNRS). Essa poltica procura

    organizar a forma como o pas trata o lixo, incentivando a reciclagem e a sustentabilidade.

    Com a aprovao da poltica, foi elaborado o Plano Nacional de Resduos Slidos, cujo

    texto passou por um procedimento de consulta pblica, construdo em um processo

    participativo, recebendo sugestes de todos os setores envolvidos. Um dos principais

    pontos da poltica justamente a logstica reversa, que enfatiza o controle do retorno dos

  • 3

    resduos gerados por embalagens para o fim destinado a cada tipo. Convertendo isso para

    a realidade do setor hortifrutcola, fica clara a responsabilidade que os atores envolvidos

    possuem sobre o fluxo logstico das embalagens.

    O Banco de Caixas j se faz presente em alguns entrepostos, entre eles nas

    cidades de Braslia, Goinia, Porto Alegre, Recife, Campinas e em toda rede da

    CEASAMINAS, aonde vem adquirindo grande xito em pouco tempo de operao.

    Uma anlise de viabilidade econmica pode ser realizada atravs desses

    exemplos de sucesso, e juntamente com a dobra dos paradigmas resistentes ao sistema,

    do investimento em informao e esclarecimento aos atores envolvidos, e da contribuio

    do Plano Nacional de Resduos Slidos, so os mecanismos utilizados na tentativa de

    disseminar a ideia do Banco de Caixas para os demais entrepostos da CEASA do Brasil.

    2. REVISO BIBLIOGRFICA

    2.1. Panorama geral dos Bancos de Caixas no Brasil

    As CEASAs so uma rede descentralizada, com cerca de 41 unidades

    administrativas, 72 entrepostos em 22 estados da federao, sendo a principal responsvel

    por parcela expressiva do abastecimento alimentar da populao urbana brasileira, pela

    qualidade e, sobretudo, pelo processo de formao de preos no mercado HTF (CONAB,

    2009). Dos entrepostos existentes, 11 possuem Banco de Caixas instalados em suas

    unidades atualmente.

    Segundo a ABRACEN (2012), apesar de ter se passado aproximadamente

    uma dcada da promulgao da Instruo Normativa Conjunta n 9, seu real cumprimento

    no ocorre na grande maioria das centrais de abastecimento brasileiras. Desde o

    surgimento das CEASAs, no final da dcada de 1960, o processo de embalamento de

    produtos de origem hortigranjeira muito pouco evoluiu e aspectos de grande relevncia,

    como: logstica, tecnologia, sustentabilidade e economicidade, pouco evoluram.

    Esta condio pode ser apontada como uma das principais causas do

    insucesso de vrias tentativas de implantao de unidades de banco de caixas em CEASAs

    brasileiras, pois a adequao necessria se configura em profunda mudana nos hbitos e

  • 4

    costumes de todos os agentes envolvidos e, por extenso, na prpria operacionalizao

    do mercado atacadista de hortigranjeiros brasileiro.

    Nes