o filho de tarzan - tarzan - vo - edgar rice burroughs

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O Filho de Tarzan - Tarzan - Vo - Edgar Rice Burroughs

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    "Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e no mais lutandopor dinheiro e poder, ento nossa sociedade poder enfim evoluir a um novo

    nvel."

  • Edgar Rice Burroughs

    O Filho deTarzan

    Digitalizao de Digital SourceFormatao de LeYtor

  • Traduo deGODOFREDO RANGELCODIL COMPANHIA DISTRIBUIDORA DE LIVROSSO PAULO Do original norte-americano: THE SON OF TARZAN1959

  • CAPTULO I O COMPRIDO escaler do Marjorie W. derivara no largo rio Ugambi ao sabor

    do refluxo da mar e da correnteza. Seus tripulantes, agora ociosos, folgavam comaquele descanso aps o rduo esforo de remarem acima. Trs milhas abaixo estavaancorado o prprio Marjorie W., pronto para zarpar logo que lhes houvessemsubido a bordo e iado o escaler para as serviolas. Naquele momento a ateno dosmarinheiros alheava-se de seus devaneios e tagarelices, comentando-se/ na margemnorte do rio. Naquele lugar, gritando para eles em esganiado falsete e a agitar os braosesquelticos, viam uma estranha figura de homem.

    Que ser? exclamou um dos tripulantes do escaler. Um homem branco! murmurou o contramestre. E acrescentou, em seguida:

    Aos remos, rapaziada! Vamos ver o que quer.Ao chegarem junto margem viram uma criatura macilenta tendo brancos os poucos

    cabelos emaranhados e empastados de terra. Unicamente uma tanga lhe recobria a nudezdo corpo magro e corcovado. Corriam-lhe lgrimas pelai faces encovadas e picadas desinais de bexigas. quele homem falava-lhes embaralhadamente em lngua estrangeira.

    Fala o ingls? experimentou o contramestre.Ele o sabia e nesta lngua, entrecortadamente e com sbitas paradas, como se desde

    muitos anos no se exprimisse na mesma, suplicou que o levassem daquela terrvelregio. Uma vez a bordo do Marjorie W o desconhecido narrou a seus salvadoresuma comovente histria de privaes, trabalhos e torturas que abrangia um perodo dedez anos. No lhes contara, porm, porque se achava na frica, deixando-os conjeturarque esquecera os incidentes de sua vida anterior devido s tributaes que lhe arrasaram,a um tempo, o fsico e a moral. Nem mesmo lhes revelou seu verdadeiro nome.Conheciam-no apenas como Michael Sabrov. E no havia a mnima semelhana entreaquela runa humana e o galhardo, embora desonesto, Alexis Paulvitch dos velhostempos.

    Fazia j dez anos que o russo escapara do destino de seu amigo, o satnico Rokoff eno s uma, seno muita:? vezes, durante esses dez anos, Paulvitch maldissera o destinoinjusto, que aquinhoava Nicolas Rokoff com a morte, insensibilizando-o para osofrimento, ao passo que lhe dera, a ele, Paulvitch, os horrores de uma existnciainfinitamente pior que a morte, a qual teimosamente se recusava a tom-lo tambmconsigo.

    Paulvitch se entranhara na floresta na ocasio em que vira irromper, no convs doKincaid, as feras de Tarzan com seu selvagem dono; aterrado com a idia de que esteo perseguisse e capturasse, fugiu adentrando-se nas selvas, para cair, todavia, nas mosde uma das tribos de ferozes canibais que haviam sentido os efeitos do gnio perverso ebrutalidade cruel de Rokoff. Algum estranho capricho do chefe da tribo salvara-o damorte, mergulhando-o, porm, numa vida de misria e de tortura. Durante dez anosfora, naquela aldeia, o alvo das pancadas e pedradas das mulheres e das crianas, aopasso que os guerreiros, por seu lado, o feriam, aoitavam e desfiguravam; fora aindavtima de febre intermitente das espcies mais malignas, mesmo assim no morrera. A

  • varola cravara-lhe as hediondas garras, deixando-o indescritivelmente marcado comseus sinais. Com isto, e tambm com os vestgios das atenes da tribo, se mudaratanto o semblante de Alexis Paulvitch, que sua prpria me no reconheceria naqueladeplorvel mscara um s dos traos que lhe eram familiares. Algumas poucas mechasrevoltas de cabelos de um branco amarelado substituram os bastos cabelos pretos quelhe recobriam a cabea. Suas pernas eram encolhidas e cambaias e caminhava todo curvo,em passos arrastados e trpegos. No tinha mais dentes seu amos selvagens oshaviam quebrado. Mesmo seu esprito no passava de um risvel arremedo do que foradantes. Acolhido a bordo do Marjorie W. a lhe deram alimentao e cuidadosmdicos. O russo recuperou um pouco as foras, mas seu aspecto nunca mais melhorou era a runa humana que havia encontrado e assim continuaria at a morte reclam-lo.Posto que ainda na casa dos trinta, Alexis Paulvitch poderia facilmente passar por umoctogenrio. A Natureza, em seus fins inescrutveis, impusera ao cmplice uma penamaior do que a sofrida pelo principal culpado.

    No esprito de Paulvitch no perduraram idias de vingana e sim o sombriodio ao homem a quem ele e Rokoff haviam baldadamente tentado eliminar. Odiavatambm a memria de Rokoff, pois fora quem o lanara naquela horrvel situao;odiava a polcia das numerosas cidades donde fora forado a fugir; odiava a lei, aordem, odiava tudo, enfim. Cada momento a vida sobressaltada daquele homem eracheia de um mrbido sentimento de dio havia-se tornado mentalmente o que japarentava em seu aspecto fsico, isto , a personificao da avassaladora paixo do dio.Pouca cousa, ou nada tinha que fazer com os homens que o salvaram. Achava-se muitofraco para poder trabalhar c era muito taciturno para ser boa companhia, por issoprontamente se afastaram dele, deixando-o entregue a suas cogitaes.

    O Marjorie W fora contratado por um sindicato de ricos industriais e eouipadocom um laboratrio e uma turma de cientistas para buscar algum produto natural que osindustriais que o fretaram haviam antes importado por preo exorbitante da Amrica doSul. Qual fosse esse produto, ningum o sabia a bordo do Marjorie W. exceo doscientistas e a ns no interessa conhec-lo, sendo bastante que saibamos que aquelacircunstncia levou tambm o navio a certa ilha ao longo da costa da frica, depois dereceberem a bordo Alexis Paulvitch.

    O navio ficou ancorado junto ilha por espao de algumas semanas. A monotoniada vida a bordo era enfadonha para a tripulao; com freqncia desembarcava na costae, por fim, Paulvitch pedia-lhes que o deixassem acompanh-los pois tambm jestava cansado da mesmice exasperadora daquela expectativa ociosa.

    A ilha era recoberta de densa floresta que descia quase at a praia. Os cientistas sehaviam internado muito na mesma, prosseguindo em suas pesquisas, pois naturais docontinente os levaram a crer que naquele largo poderiam encontrar em quantidadecomercial o precioso produto procurado. Os marujos pescavam, caavam e faziamexcurses. Paulvitch passeava tropegamente pela praia ou se quedava sombra dasgrandes rvores da floresta vizinha.

    Certo dia enquanto os marinheiros se achavam reunidos a pequena distncia deleexaminando o corpo de uma pantera abatida por um dos homens que foram caar namata, Paulvitch dormia embaixo de uma rvore. Despertou-o a leve pancada de uma

  • mo em seu ombro. Ele sentou-se, assustado, e no mesmo instante viu agachado a seulado um enorme macaco que o observava com ateno. O russo entrou-se de grandemedo. Relanceando o olhar para o lado dos marinheiros, viu-os distncia de duzentosmetros, mais ou menos, daquele lugar. Novamente o antropide lhe bateu no ombrotarameleando qualquer cousa em tom de lstima. Paulvitch no viu ameaa pintada noolhar inquisidor e nem na atitude do animal. Lentamente ele se ps de p. O macaco, aseu lado, imitou-o.

    Todo acurvado, o russo arrastou cautamente os passos em direo aoscompanheiros. O macaco se foi com ele, segurando-lhe um brao. Haviam j chegado,sem ser vistos, quase ao lugar do pequeno grupo e a esse tempo Paulvitch se achavaconvicto de que o animal no tinha intenes agressivas. Estava, evidentemente,acostumado companhia de seres humanos. Ento ocorreu ao russo a idia de que omacaco representava um valor considervel; por isso, antes de se reunir aosmarinheiros, resolvera ser o nico a aproveitar-se dessa feliz circunstncia.

    Quando os marujos olharam para o lado deles e viram aproximar-se a extravaganteparelha, encheram-se de assombro e precipitaram-se em sua direo. O macaco no semostrou atemorizado; em vez disso, segurou cada qual dos marinheiros pelo ombro,examinando-lhes longa e ansiosamente os rostos, de um em um. Depois de assim fazer,voltou para o lado de Pauvitch, a exprimir, com a cara e com a atitude, um grandedesapontamento.

    Os homens ficaram contentes com o encontro do macaco. Rodearam-no,observando-o e fazendo muitas perguntas a Paulvitch. O russo respondeu-lhes que omacaco era dele no dava outra informao alm desta limitando-se a repisar: meu! meu! Fatigados com essa atitude do russo, um dos homens tentou fazer umabrincadeira. Pondo-se atrs do antropide, deu-lhe uma alfinetada nas costas. O macacovolveu-se instantaneamente para o lado do imprudente, e no breve instante em que fezesse movimento, o pacato e benvolo animal metamorfoseou-se em um demnioenfurecido. O ar chocarreiro do marujo mudou-se em expresso de terror. Tentou-seesquivar aos longos braos que o buscava, mas no o conseguindo, desembainhou acomprida faca que trazia. Com uma ligeira torso de seu punho, o macaco arrancou-lhea arma da mo, atirando-a para um lado e, em seguida, cravou no ombro dele