o escotismo brasileiro - escoteiros do brasil .escotismo em geral, do escotismo brasileiro em...

Download O ESCOTISMO BRASILEIRO - Escoteiros do Brasil .Escotismo em geral, do Escotismo brasileiro em particular,

Post on 14-Jan-2019

212 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

1

O ESCOTISMO BRASILEIROno primeiro decnio do sculo XXI

DIAGNSTICOPERSPECTIVASPROPOSTARECOMENDAES

Dr. Jean CASSAIGNEAU

Genebra - Curitiba22 de fevereiro de 2008

2

3

Ser jovem no Brasil contemporneo estar imerso - por opo ou por origem - em uma multiplicidade de identidades, posies e vivncias.Poltica Nacional de Juventude. 2006

A prctica do Escotismo atrai jovens de todas as classes e camadas (altas e baixas, ricos e pobres) e igualmente inclui, tambm, os que tenham defeito fsico... Ele inspira o desejo de aprender.Robert Baden-Powell. 1919

4

5

CONTEDO

INTRODUO

1. Origem 72. Objetivos 73. Modalidades 84. Entrevistas 95. Documentao 96. O que o estudo no 117. O que o estudo 11

PRIMEIRA PARTEDIAGNSTICO

I. CONSTATAES

1. Evidncias quantitativas 13

1.1 Escotismo e populao no Brasil 131.2 Evoluo do efetivo nacional 1980 - 2007 151.3 Evoluo do efetivo por Estado 2000 - 2007 171.4 Evoluo do nmero de grupos 2000 - 2007 241.5 Taxa de evaso 2000 - 2007 251.6 Taxa de adeso 2000 - 2007 261.7 Relao homem - mulher no efetivo 2006 271.8 Relao adultos - jovens no efetivo 2006 281.9 Relao escotistas - dirigentes no efetivo 2006 291.10 Presena dos carentes no efetivo 2006 30

2. Posicionamentos qualitativos 32

2.1 Quanto imagem do Escotismo brasileiro 322.2 Quanto ao desempenho organizacional da UEB 342.3 Quanto oferta pedaggica da UEB 362.4 Quanto capacidade operacional da UEB 39

6

II. PROBLEMTICA

1. Falta de confiana em si 412. Falta de coeso 423. Evidncias 42

SEGUNDA PARTEREMDIOS

I. PERSPECTIVAS

1. Oportunidades nicas em 2011 e 2014 452. Crescimento quantitativo 463. Consolidao qualitativa 474. Evoluo institucional 48

II. PROPOSTA E RECOMENDAES

PROPOSTA1. Uma proposta sinrgica 492. Mobilizar as energias 503. Fixar a prioridade 52

RECOMENDAES1. Adaptar as estruturas 532. Tornar o funcionamento mais gil e eficiente 563. Afirmar a presena na comunidade 604. Reforar a profissionalizao 615. Aumentar os recursos 626. Reformar o Estatuto 657. Planejar utilmente 66Palavras finais 67

TERCEIRA PARTE

1. Agradecimentos 692. Informao sobre a consultoria 693. Anexo 70

7

INTRODUO

Origem

O conceito do presente estudo iniciou-se em 2006 em ocasio da consultoria relacionada com os eventos mundiais do ano 2011. Frente aos problemas de efetivo que a UEB estava sofrendo desde o incio do novo sculo, e frente as recentes iniciativas de diviso do Movimento, os dirigentes, membros da Direo Executiva Nacional (DEN) e do Conselho Administrativo Nacional (CAN), acharam que era o momento de estabelecer um diagnstico da verdadeira situao do Escotismo brasileiro quepermitira desenhar perspectivas positivas para o prximo decnio junto com propostas concretas de aprimoramento e de desenvolvimento to pedaggico quanto institucional. Para esse efeito, a contratao dos servios de um consultor apareceu como a melhor soluo do ponto de vista operacional e tambm econmico. Para poder garantir um trabalho independente e um resultado objetivo, o consultor tinha que ter caractersticas especficas: no estar envolvido no funcionamento da UEB, mas possuir conhecimentos e experincias amplas do Escotismo em geral, do Escotismo brasileiro em particular, e do pas mesmo. O Dr. Jean Cassaigneau, antigosecretrio geral adjunto da Organizao Mundial do Movimento Escoteiro (OMME) que tinha terminado uma consultoria para ajudar UEB em organizar-se para receber os eventos mundiais de 2011, aceitou o desafio em junho de 2007.

Objetivos

Os objetivos determinados foram os seguintes:

8

A. Estabelecer um diagnstico da penetrao social, da pertinncia educativa e da eficincia do funcionamento organizacional da UEB, em base a uma coleta de dados e opinies em diferentes regies do pas.

B. Formular recomendaes para o reforamento do impacto do Movimento escoteiro na sociedade brasileira do novo sculo, e para o melhoramento adequado do desempenho organizacional da UEB.

Uma pauta de coleta de dados e opinies foi elaborada pelo consultor como quadro geral de referncia (Anexo).

Modalidades

O primeiro passo na etapa preliminar da consultoria foi considerar as possibilidades reais de trabalho em funo dos prazos estabelecidos (assembleia nacional de 2008) e dos lmites da capacidade financeira da UEB e do tempo disponvel do consultor. A concluso foi que a consultoria tinha que ser:- simples nas suas modalidades- direita, transparente e livre nos seus contatos- ampla nas suas abrangncias geogrfica e institucional- concreta nas suas recomendaesO mtodo escolhido foi o de realizar entrevistas com a maior variedade possvel de membros do Movimento dentro do maior nmero possvel de regies, deixando aberta a ocorrncia de contatos complementrios com parceiros e conhecedores do escotismo no Brasil.Dez regies escoteiras foram incluidas em dois programas de visitas:

1. julho de 2007: Cear, Par, Distrito Federal, Gois, Paran

2. outobro de 2007: Rio de Janeiro, Minas Gerais, So Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina

O consultor foi acompanhado pelo Executivo nacional de Gesto que se encarregou da parte logstica das visitas sem interferir no contedo do programa nem das entrevistas.Os princpios que guiaram o consultor no seu trabalho de coleta de dados e opinies foram os seguintes:- favorecer a livre expresso dos membros do Movimento - ouvir o que eles querem dizer- fazer perguntas abertas - ir procura do positivo como do negativo

9

Quanto ao que se refere ao relatrio final, a opo foi de favorecer o carter prtico e proativo, simples de ler e de compreender, e orientado pelas solues e no pelas teorias.

Entrevistas

Foram realizadas entrevistas com 162 pessoas em 10 Estados do pas: Cear (26), Par (4), DF (9), Gois (8), Paran (12), Minas Gerais (27), Rio de Janeiro (30), So Paulo (17), Rio Grande do Sul (12), Santa Catarina (10), mais o nvel Nacional (7).Cada entrevista durou uma mdia de 60 minutos (algumas 30, outras hora e meia). A tabela dos entrevistados abrange o panorama completo das categorias de membros da UEB: desde os jovens pioneiros (e jovens no escoteiros) at o presidente da DEN passando por escotistas e dirigentes (programa, formao, comunicao, administrao, finanas, lojas, eventos, rede de jovens, ar, mar, animao espiritual, etc); antigos escoteiros, pais, patrocinadores privados e pblicos, homens e mulheres de todos os nveis sociais e profissionais.Embora no seja uma mostra estatisticamente vlida, essas 162 pessoas formam um grupo bem representativo do efetivo considerado da UEB.

Documentao

No estabelecimento do diagnstico do Escotismo brasileiro, as entrevistas representam uma fonte imprescindvel, mas no suficiente. bsico dispor de uma documentao de referncia para poder sustentar a anlise. Alm disso, existem na UEB, membros que j reflexionaram sobre o seu estado de desenvolvimento, atfizeram recomendaes para modificar alguns aspectos negativos ou controversais, e incentivar o crescimento to qualitativo quanto quantitativo. Consideramos essa documentao, que chamamos "de interesse" , uma contribuio nica ao nosso estudo.

Resumimos a continuao essa dupla documentao:

10

Documentao de referncia

Escotismo brasileiro e mundialA1- Estatuto da Unio dos Escoteiros do Brasil com alteraes aprovadas em 2005A2- Planejamento estratgico 2006 - 2010. Unio dos Escoteiros do Brasil. A3- Pesquisa UEB/SoftResearch. Abril de 2007A4- 100 Anos de Escotismo - Sempre Alerta! Edio especial. Informativo da UEB. No 162. Fevereiro de 2007A5- Sistema de Registro Escoteiro. Censos. Escritrio Nacional. 2000 - 2007A6- World Census 2006. Escritrio mundial. GenebraA7- Documentos de planejamento estratgico 1988 - 2005. Escritrio mundial. Genebra

Juventude BrasileiraB1- Perfil da Juventude Brasileira. Instituto Cidadania. 2003B2- Retratos da Juventude Brasileira - Anlises de uma pesquisa nacional. Fundao Perseu Abramo. 2005B3- Poltica Nacional de Juventude: Diretrizes e Perspectivas. Conselho Nacional de Juventude. 2006B4- Censos IBGE. Populao Jovem. Crianas e Adolescentes. Censos demogrficos. 1980, 1991, 1996, 2001, 2005

Documentao de interesse

DiagnsticoC1- Estudo comparado das atribues dos diversos nveis da UEB. 2003 - 2004. Renato Araujo Silva. So Paulo (SP) 2004C2- Proposta de reformulao institucional da UEB. David Izeckson Neto. Rio de Janeiro (RJ). 2006C3- Tpicos para Reflexo/Ao sobre o Movimento. Carla Gregol. Porto Alegre (RS). 2007

PlanejamentoD1- Planejamento estratgico. Grupo Falco Peregrino. So Paulo (SP). 2001 - 2010D2- Plano de Ao para a UEB/RS. 2007 - 2009. "Saltando Obstculos". Porto Alegre (RS). 2007D3- Plano de Desenvolvimento do Grupo. Grupo 13 - Cristo Redentor. Fortaleza (CE). 2007

11

O que o estudo no

Seguindo o exemplo do Baden-Powell, que sempre tinha modos simples de se comunicar para evitar confuses e falsas expectativas, queremos exprimir em breves puntos o que o estudo no , e logo, o que o estudo .

O estudo, cujo relatrio vem a continuao,- no uma pesquisa universitria- no um ensaio de interpretao histrica- no um exerccio de auto-flagelao ou de auto-satisfao- no um exame exaustivo nem definitivo

O que o estudo

O estudo pretende ser:- um esforo sistemtico de ouvir e de recolher as idias, opinies e sugestes dos membros da UEB- uma identificao e uma anlise das realidades e tendncias- uma proposta, numa viso de consolidao e desenvolvimento do escotismo no Brasil, no da soluo -que no existe -, mas de solues concretas, articuladas e coerentes

12

13

PRIMEIRA PARTEDIAGNSTICO

I. CONSTATAES

1. Evidncias quantitativas

1.1 Escotismo e populao no Brasil