O Empreendedorismo Compreendido sob a Perspectiva dos ... ? 1 O Empreendedorismo Compreendido sob

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1O Empreendedorismo Compreendido sob a Perspectiva dos Estudos Culturais: A Contribuio Terica do Circuito da Cultura Autoria: Simone de Lira Almeida, Jos Roberto Ferreira Guerra, Fernando Gomes de Paiva Jnior Resumo A aproximao com o cenrio catico que circunda a produo cultural coloca em relevo a necessidade de se desenvolver uma anlise mais complexa acerca do Empreendedorismo. As distines que separam e enquadram as disciplinas acadmicas que tratam do tema demarcam a persistncia de blocos tericos que no procuram dialogar entre si. Nesse processo de departamentalizao do saber, indivduo, sociedade e organizao so vistos como entidades independentes, resultando numa interpretao reificada da realidade social. A urgncia de se apontar caminhos alternativos na produo de conhecimento visando emancipao humana demanda o esforo de ultrapassar limites disciplinares na tentativa de reduzir lacunas epistemolgicas entre a teoria, a prtica e o contexto social. Nesse sentido, os pesquisadores precisam buscar novas perspectivas terico-metodolgicas que possam refletir a complexidade do mundo contemporneo. Frente a esse desafio, os Estudos Culturais podem representar uma colaborao alternativa s abordagens clssicas que tratam o Empreendedorismo sob uma tica econmica ou comportamentalista. Nesse esforo, buscamos responder ao seguinte questionamento: Como os Estudos Culturais podem contribuir com a pesquisa no campo do Empreendedorismo? O referencial terico questiona a perspectiva atomstica do Empreendedorismo, a qual atribui exclusivamente ao indivduo a responsabilidade do xito empresarial. Em seguida, apresentamos a dimenso terica dos Estudos Culturais que podem servir de guia a pesquisas na rea do Empreendedorismo. Sugerimos o circuito de cultura como uma proposta terico-metodolgica dos Estudos Culturais por enfatizar a necessidade de uma anlise integrada entre produo, consumo, representao, identidade e regulao, a fim de se investigar prticas empreendedoras emergentes na contemporaneidade. Ao se reconhecer que todas as prticas sociais so dotadas de significado e, portanto, fundamentalmente culturais, a Cultura deixa de ser tratada como parte subalterna de outros campos temticos e passa a ser constitutiva do mundo social tanto quanto a Economia e a Poltica. Por isso, nos ltimos tempos, a descrio e a anlise cultural adquirem um papel relevante no entendimento das prticas sociais. As consideraes gerais sinalizam a perspectiva dos Estudos Culturais como ncora para a construo de um olhar crtico e contra-hegemnico acerca do discurso empreendedor. Quando dirigido por uma abordagem transdisciplinar e contextualizada dos fenmenos investigados, o pressuposto do prisma cultural pode acolher a complexidade do mundo contemporneo e responder s transformaes que atravessam a temtica empreendedora. 21 Introduo Perguntas como quem o empreendedor? ou o que empreendedorismo? ainda demandam esforos acadmicos para serem respondidas. No entanto, a investigao sobre o tema [re]produz conceitos hegemnicos e refora a concepo norte-americana do empreendedorismo herico (do empreendedor super-heri). Com o intuito de ampliar as possibilidades terico-metodolgicas em relao ao Empreendedorismo, buscamos a perspectiva dos Estudos Culturais para a construo de uma concepo crtica e contra-hegemnica acerca do tpico. Tal argumentao baseia-se no pressuposto de que o prisma cultural, quando dirigido por uma abordagem transdisciplinar e contextualizada de um fenmeno, pode acolher a complexidade do mundo contemporneo e responder de modo mais efetivo s transformaes que atravessam a sociedade atual. Atualmente, o Empreendedorismo a palavra de ordem quando so colocados lado a lado temas como globalizao, desenvolvimento, mercado e inovao, por exemplo. Mas qual o por qu de tal aproximao? As mudanas vivenciadas no mbito tecnolgico, econmico, social, poltico e cultural, a partir da segunda metade do sculo XX vm modificando o cenrio da vida humana e instituindo a sensao de uma mudana de poca. A incorporao das tecnologias de comunicao e informao no cotidiano social tem alterado a escopo e a dinmica da sociedade contempornea, ao globalizar mercados, modificar a noo de espao-tempo e permitir a troca quase que instantnea de informaes entre pessoas situadas em diferentes partes do globo. Mais do que isso, a incorporao de tais tecnologias no cenrio social vem esfumaando as fronteiras territoriais e acelerando o ritmo de nossas vidas alm de sedimentar o capitalismo globalizado. Diante da revoluo da tecnologia da informao, os indivduos encontram-se interligados mesmo quando no se deslocam. Por esse motivo, Castells (2007 argumenta que a revoluo da tecnologia da informao vem construindo uma nova morfologia social: a sociedade em rede. A crescente aproximao entre os povos tem resultado na mundializao da cultura, mas no na sua padronizao. A mundializao da cultura ou a sociedade em rede significa correspondem ao conjunto de valores, estilos e formas de pensamento de determinados grupos sociais permeado por um fenmeno social que se enraza nas prticas cotidianas dos sujeitos para instituir um universo simblico especfico civilizao atual. Trata-se, portanto, de uma redefinio das idias de pertencimento social, a qual [re]estrutura a viso antropolgica de cultura. Deste modo, as divises binrias estabelecidas entre cultural local e global passam a ser questionadas, posto que o sistema cultural torna-se um mosaico de culturas desterritorizadas (ORTIZ, 2007). Cabe-nos refletir sobre as questes culturais que no podem mais ser pensadas por meio de binarismos, uma vez que o processo de hibridao dissolve a ingnua noo de pureza e insolubilidade dos grupos que se renem sob as diferentes identidades nacionais, raciais ou tnicas. Alm disso, na vida cotidiana, ocupamos uma gama de posies sociais distintas de maneira que parece difcil separar as identidades construdas em cada um desses espaos e definir os limites entre elas (SILVA, 2000; HALL, 2006). Um exemplo dessa discusso sobre o descentramento das identidades no campo do Empreendedorismo pode ser visto no estudo de Paiva, Almeida e Guerra (2008), onde se protagoniza a figura do empreendedor humanizado, como aquele que consegue conectar as diversas esferas da vida social, inclusive o seu ato de empreender como uma de suas muitas expresses. Diante de uma sociedade culturalmente hibridizada, parece difcil acreditar que o enquadramento disciplinar possa dar conta da diversidade de fenmenos culturais e sociais que caracteriza a contemporaneidade. Alm disso, tentamos apontar nessa introduo que a produo de mercadorias est intimamente relacionada com as questes de consumo, 3identidade e representao. As conexes existentes entre essas quatro instncias ajudam a compor o cenrio complexo que circunda os fenmenos sociais na atualidade, o qual se constitui em desafio aos pesquisadores dos Estudos Organizacionais condicionados a investigar a dinmica da gesto no interior das fronteiras de seu campo disciplinar. Alm disso, cabe destacar a crescente aproximao do empreendedor com seus interagentes (clientes, fornecedores, sociedade civil, Governo, stackeholders), o que implica no imperativo de desenvolvermos, como pesquisadores, abordagens multidimensionais que contemplem o empreendedor e o empreendedorismo numa dinmica mais ampla do que aquela relacionada estritamente com a criao e o desenvolvimento de novos negcios. A aproximao com o cenrio catico que circunda a dimenso cultural coloca em relevo a necessidade de se desenvolver uma anlise mais teoricamente articulada acerca do empreendedorismo. As distines que separam e enquadram as disciplinas acadmicas demarcam a persistncia de blocos tericos que no procuram dialogar entre si. Nesse processo de departamentalizao do saber, indivduo, sociedade e organizao so vistos como entidades independentes, desvinculadas umas das outras. Como resultado tem-se uma interpretao reificada da realidade social. A urgncia de apontar caminhos alternativos que levem a produo do conhecimento que melhore as condies de vida da nossa sociedade refora a necessidade de ultrapassarmos os limites disciplinares na tentativa de diminuir as lacunas existentes entre a teoria, a prtica e o contexto social mais amplo no qual amas esto inseridas. Por isso, os pesquisadores precisam se preocupar, no apenas em se debruar em temticas da atualidade, mas tambm em buscar novas perspectivas, novas formas de construir conhecimento, que possam acolher a complexidade do mundo contemporneo. Assim, pretende-se reavivar as discusses sobre a pesquisa no campo do empreendedorismo a partir de um ponto de vista alternativo, que emprega campos tericos diversos para ressaltar a complexidade da dinmica organizacional e estabelecer conexes entre temas compartimentados. Ao mesmo tempo, espera-se que a prtica da pesquisa se torne instrumento de transformao social e poltica ao introduzir um novo flego para aqueles que se interessam em compreender questes relativas ao mundo dos negcios, por meio de uma tradio de pesquisa que estuda a temtica da cultura de forma relacional com outras prticas sociais, econmicas e histricas. Frente ao desafio apresentado, buscamos inspirao nos Estudos Culturais para revisitar abordagens clssicas que tratam o empreendedorismo sob uma tica estritamente econmica ou comportamentalista, com objetivo de responder o seguinte questionamento: Como os Estudos Culturais podem contribuir com a pesquisa no campo do empreendedorismo? Para tanto, desenvolvemos inicialmente um referencial terico que questiona a perspectiva individualista do empreendedorismo, a qual atribui exclusivamente ao indivduo a responsabilidade do sucesso empresarial. Em seguida, apresentamos os sinalizadores dos Estudos Culturais que podem servir de guia a pesquisa na rea do empreendedorismo. Por fim, apresentamos o circuito de cultura, dentre as diversas propostas terico-metodolgica dos Estudos Culturais, para enfatizar a necessidade de uma anlise integrada entre produo, consumo, representao, identidade e regulao para se investigar as prticas empreendedoras na contemporaneidade. 2 Em Defesa de uma Viso Crtica do Empreendedorismo A reestruturao produtiva provocada pela crise capitalista, alm de instituir a especializao flexvel com apoio das tecnologias de informao, contribui para o surgimento do fenmeno denominado fim do emprego, conseqncia do aprofundamento dos processos associados globalizao, downsizing e reengenharia, no final do sculo XX (RIFKIN, 2004). 4Deste modo, novas formas de tecnologia gerencial emergem como alternativas de empregabilidade. O empreendedorismo surgei, nesse cenrio, como mais um caminho a ser ofertado para a gerao de empregos, contribuindo para a diminuio do ndice de mortalidade das pequenas empresas e para o desenvolvimento local (PAIVA JR.; CORDEIRO, 2002; PAIVA JR.; CORRA; SOUZA, 2006). Ao mesmo tempo em que o declnio do nmero de empregos contribui para o crescente interesse da iniciativa privada e dos rgos pblicos pela prtica empreendedora como caminho alternativo para a gerao de trabalho, emprego e renda, verifica-se o aumento de pesquisas e estudos acadmicos sobre o empreendedorismo. No entanto, a busca por uma definio do termo se revela como um desafio acadmico ainda no suplantado, cujas formas de expresso so mltiplas e as concepes, genricas e ambguas resultam na polissemia do termo (PAIVA JR., 2004). Estes aspectos aclaram a dificuldade de encerrar numa definio genrica do conceito de empreendedorismo, alm de deixarem mostra a fragilidade de um discurso dominante (cf. PAIVA JR; ALMEIDA; GUERRA, 2008; OGBOR, 2000). Em termos conceituais, h pouca concordncia sobre o que seria empreendedorismo. Julien (2010) ressalta que, mesmo nas concepes que se limitam ao empreendedorismo individual, podemos encontrar pelo menos quatro definies distintas para o termo: 1) as que se referirem criao de uma empresa nova inovadora; 2) as que se direcionam criao de empresa a partir da reproduo ou imitao de outras organizaes; 3) as que mencionam retomada de uma empresa existente com a introduo de mudanas e, 4) as que visam ampliar o mercado de organizaes estabelecidas por meio do intra-empreendorismo. A polissemia associada palavra empreendedorismo tambm pode ser compreendida quando reconhecemos o fato das definies serem propostas por pesquisadores de diferentes reas do conhecimento, os quais se fundamentam nos paradigmas de seu campo disciplinar para construo de um conceito. Assim, no surpresa que economistas, a exemplo de Cantillon, Say e Schumpeter, associem o empreendedorismo inovao e ao crescimento econmico, enquanto estudiosos ligados a reas como psicologia, psicanlise e sociologia se direcionem a aspectos criativos e intuitivos do empreendedor (FILION, 1999). O que parece consensual entre os estudiosos do tema o fato de o empreendedorismo no poder ser encerrado em uma definio universal, uma vez que isso no traduz a complexidade do fenmeno. A utilizao do conceito multidimensional que envolve o empreendedor, a empresa e o ambiente justifica-se por representar uma concepo mais ampliada do assunto e por renunciar ao formato reducionista de compreenso do fenmeno apenas como prtica de abertura de empresa ou de interveno em seu exerccio funcional somente durante a primeira etapa de seu ciclo de vida (DANJOU, 2002). Com presena constante nos meios de comunicao, o discurso dominante do empreendedorismo configura-se por um perfil reificado e atomizado, cujas aes so pautadas pela racionalidade instrumental, a exemplo do entendimento de ferramentas como o plano de negcios sendo o elemento primordial do empreendedorismo (MEYER; ALLEN, 2000; ZACHARAKIS, 2004). As concepes atomsticas sobre o empreendedorismo tendem a associar o fenmeno a projetos individuais aventureiros alm de postular um profissional capaz de tomar decises de forma racional com base em um conhecimento sistematizado e especializado. A Management Systems International (1999), por exemplo, lista treze caractersticas marcantes dos empreendedores bem sucedidos classificadas em trs dimenses: a de realizao, composta por busca de oportunidades, iniciativa, persistncia, aceitao de riscos e comprometimento; a de planejamento, composta por estabelecimento de metas, busca de informaes, planejamento e monitoramento, e, por fim, a dimenso do poder, composta por persuaso, estabelecimento de redes de contato, liderana, independncia e autoconfiana. Neste tipo de abordagem a capacidade de empreender tende a ser vinculada aos atributos 5individuais de forma que recaem sobre o indivduo maior responsabilidade e tenso. A nfase nos padres comportamentais do empreendedor implicitamente sugere que a sada do desemprego passa a ser de responsabilidade individual, cabendo s pessoas se adequarem ao mercado, aprimorando seus talentos e adquirindo competncias para tornar-se empregado ou criar oportunidades de empresariar a si mesmo. Como conseqncia, a figura do homem de sucesso, pertencente s classes dominantes vista como o arqutipo do empreendedor no discurso hegemnico, de tal forma que grupos minoritrios, como as mulheres, os negros, os homossexuais e as comunidades carentes, enfrentam um nmero maior de barreiras para desenvolver prticas produtivas e inovadoras de empreendimentos (OGBOR, 2000). Por isso, estudos crticos visam denunciar e renunciar s grandes narrativas que so tomadas como naturais e servem de legitimao para a cultura ocidental contempornea marcada pela excluso e desigualdade socioeconmica. Alm disso, a complexidade da ao empreendedora no permite que o assunto seja abordado com profundidade quando se tem uma concepo fragmentada, determinista e a-histrica da ao humana, principalmente porque nenhum ser humano age unicamente pela racionalidade instrumental nem vive dissociado do seu contexto cultural. Para Dodd (2007), conceber o empreendedor atomizado e isolado como um agente de mudana significa ignorar o meio que gera suporte, dirige, produz e acolhe o processo empreendedor. Esse ator encontra a esfera social, molda-se por ela e a utiliza para mudar a estrutura de sua agncia. O olhar multidimensional do fenmeno empreendedor tem recebido certa ateno, no apenas devido s limitaes e dificuldades metodolgicas inerentes ao tratamento isolado das abordagens dos traos e da orientao de comportamentos e de processos (VERSTRAETE, 2001; DANJOU, 2002), como tambm devido tentativa de destacar as especificidades da prtica empreendedora local e sua relao com contexto scio-cultural (JULIAN, 2010). Ao compreender que a fragmentao das disciplinas no consegue revelar a complexidade do empreendedorismo, alguns autores passaram a desenvolver abordagens diferentes da corrente hegemnica. Julien (2010) fundamenta-se na idia de territrio para subverter o modelo dominante de empreendedorismo concebido para ser, em sua essncia, indiferente ao meio (melie) no qual est inserido. A discusso acerca do territrio valoriza a diversidade dos indivduos, dos ambientes socioeconmicos, das formas organizacionais e do tempo, contribuindo assim para desconstruo de abordagens tericas universalizantes acerca do tema. Por sua vez, Danjou (2002) sugere trs focos a serem analisados na tentativa de explicar a dinmica empreendedora: a) o contexto, correspondente condies ou efeitos da ao empreendedora, originando-se dos campos da economia, sociologia e antropologia; b) a do ator, sendo este o empreendedor, originando-se a partir da psicologia; e c) a da ao, como sendo o processo empreendedor, originando-se de estudos organizacionais. Uma viso sistmica proposta por Verstraete (2001), quando argumenta que a anlise do empreendedorismo exige a integrao de trs nveis: o empreendedorismo como fenmeno, o empreendedor como ator, e a organizao impulsionada pelo ator empreendedor. Na inter-relao destes nveis, trs dimenses indissociveis e irredutveis surgem como pilares conceituais para dar solidez ao modelo: a dimenso cognitiva, a dimenso praxiolgica e a dimenso estrutural. As trs dimenses estabelecem as condies para a materializao da viso empreendedora e para o posicionamento de sua estrutura no meio ambiente. Nessa perspectiva, o empreendedor visto como um criador de organizaes e o empreendedorismo como fruto da relao dialtica empreendedor-organizao, agente-estrutura. Essas abordagens reconhecem o empreendedorismo como um fenmeno sociocultural e o empreendedor como um ser que no pode agir isoladamente na medida em que est ligado coletividade. Neste sentido, a dimenso cultural auxilia na desmistificao da idia dominante de que a ao empreendedora movida, unicamente, por uma lgica utilitarista. Por outro lado, a noo de cultura presente nesses estudos considera o social e o cultural como 6elementos constitutivos de um sistema sociocultural nico. Ou seja, a cultura vista como uma varivel superestrutural que atua diretamente sobre o comportamento empreendedor e as prticas organizacionais. Isso significa que, para fins de pesquisa, a organizao e o empreendedor tendem a refletir os traos de sua comunidade. Dentro dessa linha de pesquisa encontram-se discusses a respeito da cultura nacional como um elemento marcante na atitude empreendedora (SOUZA; DEPIERI, 2007) e na formao da cultura empresarial (MOTTA; CALDAS, 1997). Os limites dessas concepes residem no entendimento da cultura por um ponto de vista exclusivamente antropolgico. Ainda que, na perspectiva antropolgica, a dimenso simblica seja considerada adequada para integrar todos os aspectos da prtica social, no existe nessa viso uma preocupao em se estabelecer relaes entre as representaes e o poder (EAGLETON, 2005). Alm disso, os acontecimentos que caracterizam a ps-modernidade vm subvertendo a idia tradicional de cultura como propriedade natural e autntica de populaes circunscritas em limites territoriais especficos. Ressaltamos que cultura deixa de se localizar dentro de contornos precisos para se situar no entre-lugar onde as diferentes esferas da experincia social, frequentemente postas em oposio, se encontram. Desta forma, o passado e o presente, o privado e o pblico, o psquico e o social, que existiam de forma separada, se combinam para gerar novas estruturas, objetos e prticas. Ou seja, as culturas continuem tendo seus locais, embora j no se possa dizer de onde elas se originam (BHABHA, 1998), afinal o local e o global esto ligados um ao outro, no porque este seja oposto daquele, mas porque cada um tornou-se a condio de existncia do outro (ORTIZ, 2007; HALL, 2006). A dimenso cultural mostra-se fortemente imbricada com questes sociopolticas e econmicas. Desta forma, concordamos com Boava e Macedo (2006) quando estes mencionam que a compreenso do empreendedorismo exige uma abordagem multidimensional em funo do carter inter, multi e transdisciplinar do fenmeno. Entretanto, no podemos ignorar que a cultura tambm envolve questes poder. Ela no um campo autnomo nem externamente determinado, mas um local de diferenas e de lutas sociais (JOHNSON, 2006, p. 13). Por isso, adotamos a perspectiva crtica dos Estudos Culturais para minar categorias analticas preestabelecidas, reduzir fronteiras dos campos disciplinares e expor os movimentos acadmicos que contribuem para hegemonia de certos discursos acerca do empreendedorismo. Para evitar separaes rgidas entre domnios inter-relacionados e fugir de interpretaes reducionistas sobre a prtica empreendedora, recorremos perspectiva dos Estudos Culturais para valorizar o contexto scio-histrico da ao humana e, ao mesmo tempo, propor uma mudana na nossa maneira de pensar e investigar a cultura e suas relaes com o poder e as prticas organizacionais. Dessa forma, acreditamos estar mais propensos construo de uma teoria auto-reflexiva, inspiradora a compreenso de diferentes formatos de empreendedorismo. 3 Um Olhar Sobre os Estudos Culturais No existe um consenso sobre o que seriam os Estudos Culturais, nem mesmo sobre seu ponto de origem terica ou geogrfica. a narrativa dominante sobre os Estudos Culturais que atribui o surgimento dessa tradio terica a convergncia de campos disciplinares como os Estudos Literrios, a Sociologia, a Comunicao e a Lingstica durante os anos 1950 na Inglaterra por meio dos esforos de pesquisadores como Richard Hoggart, Raymond Williams, E. P. Thompson, Stuart Hall e Richard Jonhson, os quais colaboraram com a fundao e a manuteno do Centre for Contemporary Cultural Studies (CCCS) na Universidade de Birmingham (ESCOSTEGUY, 2006). 7O termo Estudos Culturais no se refere apenas a um estudo sobre cultura, j que essa tradio de pesquisa tem se preocupado mais em expor o como e o porqu desse trabalho do que apontar seus interesses temticos. O diferencial dos Estudos Culturais pode ser reconhecido pela maneira como seus praticantes desenvolvem seus esforos intelectuais. Esses atores no identificam suas investigaes to somente como crnicas da mudana social, mas como uma interveno nessa mudana. Eles vem a si prprios como participantes politicamente engajados em lugar de estudiosos fornecendo determinado relato. Eles tambm compartilham do compromisso de pesquisar prticas culturais do ponto de vista de seu envolvimento com e no interior de relaes de poder (NELSON; TREICHLER; GROSSBERG, 2002). Isso no significa que a cultura torna-se uma instncia secundria. Ela apenas recebe um tratamento interdisciplinar que contesta a diviso entre diferentes reas do conhecimento para compreenso dos fenmenos sociais, diferentemente da noo de cultura empregada nos Estudos Organizacionais (ALMEIDA, GUERRA, PAIVA Jr. 2009). As pesquisas pautadas nos Estudos Culturais buscam a interdisciplinaridade como forma de superar a diviso do pensamento provocado pelo paradigma moderno e de produzir um entendimento denso acerca dos aspectos culturais da sociedade contempornea. A noo de cultura nos Estudos Culturais difere da perspectiva antropolgica comumente encontrada na pesquisa do empreendedorismo. O estudo de Souza e Depieri (2007), por exemplo, aponta a influncia da cultura nacional sobre os traos de personalidade do empreendedor. J Malach-Pines et al. (2005) investigam as diferenas culturais entre pases e sua relao sobre a manifestao do empreendedorismo. Em ambos os estudos a cultura tratada como varivel superestrutural pertencente a territrios especficos e desvinculada da outras dimenses sociais igualmente responsveis pela gerao de sentido. A interdisciplinaridade presente nos Estudos Culturais se recusa a definir a cultura de forma isolada das demais dimenses da vida social. Isso faz com que os Estudos Culturais alcancem tanto uma concepo antropolgica de cultura, quanto uma concepo humanstica, na medida em que interagem continuamente com o poltico, o econmico, o social e o ideolgico (NELSON; TREICHLER; GROSSBERG, 2002). Desta forma, os aspectos especficos de uma sociedade continuam sendo vlidos, mas estes j no so vistos fora da histria global. Os Estudos Culturais podem ser concebidos como uma construo discursiva caracterizada, sobretudo, pela abertura conceitual, que nos permite pensar o objeto sob o espectro de um leque de opes tericas, nem se reduz a um pluralismo simplista ou falta de teoria (HALL, 2006). A interdisciplinaridade dos Estudos Culturais, que se aproxima de uma antidisciplina, faz com que as investigaes inspiradas nessa corrente se alinhem complexidade da realidade contempornea, principalmente quando nos aproximamos da cultura. Conforme destaca Johnson (2004), os processos culturais ultrapassam os contornos das disciplinas acadmicas, por isso os Estudos Culturais recusam o fechamento disciplinar, j que nenhuma disciplina, na forma que existe, capaz de apreender a plena complexidade de tais processos. A abertura conceitual promovida pelos Estudos Culturais alinha-se a crtica de um conceito universal de empreendedorismo e rompe com a idia de um modelo gerencial que gira em torno da restrio de gnero e etnia para as prticas empreendedoras. Ao mesmo tempo, tal concepo aborda a ao do empreendedor de forma relacional articulando indivduo, organizao e ambiente em uma interao dialgica para a criao de significado, ao invs de compreend-la de forma individualizada e compartimentada. Contudo, o carter interdisciplinar e transdisciplinarii dos Estudos Culturais no deve ser confundido com a capacidade de se alcanar o fenmeno em sua totalidade. Embora, haja a ambio de articular campos desmembrados pelas disciplinas, os pesquisadores da cultura 8precisam reconhecer que sempre iro investigar uma rea de deslocamento. Isso sugere a emergncia de um movimento voltado para a construo, desconstruo e reconstruo do intercmbio indivduo-organizao em determinada realidade scio-histrica. Essas preocupaes ontolgicas e epistemolgicas na arena da cultura no se restringem anlise de formas culturais consagradas, seno dirigem-se, principalmente, s diversas modalidades de como os artefatos culturais so produzidos e consumidos no cotidiano. Alm disso, manifestam a necessidade de se compreender a autonomia relativa entre as instncias de produo e consumo do bem cultural por meio de uma abordagem relacional. Outra rubrica dos Estudos Culturais residem no olhar poltico que destaca as prticas culturais em relao com e no interior das estruturas de poder (NELSON; TREICHLER; GROSSBERG, 2002). So essas articulaes que demarcam a proximidade das formas culturais com foras histricas, colocando-nos diante do esforo de entender a cultura e suas representaes no apenas como formas de expresso artstica. Esse entendimento nos remonta ao conceito antropolgico de cultura, o qual entende as formas de viver, pensar e sentir de um grupo social como representaes da cultura (MATTERLAT; NEVEU, 2006), sem negar seu processo de mundializao. Essas observaes sugerem a impossibilidade de se estabelecer uma definio essencial ou narrativa nica dos Estudos Culturais mesmo que existam presses para isso acontecer. De fato, a necessidade de se identificar os sinalizadores que nos ajudaro a estabelecer as relaes mtuas entre diferentes abordagens parece ser mais importante do que uma definio para estabelecer os limites desse campo de pesquisa (JOHNSON, 2006; HALL, 2006). Uma marca importante dos Estudos Culturais reside no esprito crtico sobre outras tradies tericas e metodolgicas. O pensamento crtico, que permite abordar outras tradies tanto pelas suas contribuies quanto pelo que elas podem inibir (JOHNSON, 2006, p. 10), esteve sempre presente na histria dos Estudos Culturais, tal como aconteceu com os estudiosos que se debruaram sobre o velho marxismo. A gnese dos Estudos Culturais manteve uma aproximao com o marxismo que foi assumido como problema, dificuldade e no como soluo, uma vez que os estudiosos que se envolveram com o desenvolvimento desse campo tm como ponto de partida sua participao na Nova Esquerda britnica. No foram questes tericas que fizeram os fundadores dos Estudos Culturais encararem o marxismo como problema, mas o momento de desintegrao do prprio projeto histrico-poltico marxista que coincide com a emergncia da primeira Nova Esquerda em 1958. Hall (2006) relembra que por influncia do marxismo foram inseridas na agenda poltica dos Estudos Culturais questes como o poder, a extenso global e as capacidades de realizao histrica do capital; a questo da classe social; os relacionamentos complexos entre poder [...] e explorao; a questo de uma teoria geral que poderia ligar, sob uma reflexo crtica, os domnios distintos da vida, a poltica e a teoria,a a teoria e a prtica, questes econmica, polticas, ideolgicas, e assim por diante; a prpria noo de conhecimento crtico e a sua produo como prtica (HALL, 2006, p. 191). Ao exporem tais proposies advindas da influncia do marxismo sobre o pensamento europeu, os estudiosos dos estudos culturais assumiram a tarefa de trabalhar sobre, sob e ao lado do marxismo e em alguns momentos colocando-se contra ele na tentativa de desenvolv-lo. Essa postura deu-se em virtude de eles verem na teoria marxista insuficincias e ausncias de alguns temas que viriam a ser primordiais para a construo terica do novo campo que se iniciava: cultura, ideologia, linguagem e o simblico (Ibid). Sobre essa questo, Hall (2006) afirma que os estudos culturais devem ser compreendidos como um envolvimento com um problema e no com a problemtica ou a teoria marxista. Os pontos de crtica e superao da teoria marxista so debatidos pelo autor 9no que concerne ao economicismo e ao reducionismo presentes no marxismo; contestao dos conceitos de base e superestrutura que tentavam pensar as relaes estabelecidas entre a economia, a sociedade e a cultura; questo da falsa conscincia; e, por fim, ao eurocentrismo. Nesse sentido, os deslocamentos tericos realizados nos estudos culturais se repercutem na construo de um olhar pautado no entendimento de uma autonomia relativa das dimenses da economia, da cultura e do poltico, que constituem estruturas complexas intercambiveis e no apenas totalidades autnomas (ESCOSTEGUY, 2006). Outras crticas importantes surgiram do movimento feminista e das lutas contra o racismo. O feminismo contribuiu para reorganizar o campo de maneira concreta. Primeiro, ao expandir a noo de poder. Segundo, ao diminuir as fronteira entre as chamadas humanidades e as cincias social ao fazer com que questes literrias, estticas e psicanalticas sejam relacionadas com questes sociais. Terceiro, ao valorizar as experincias vividas. Quarto, ao dar visibilidade a novos sujeitos. Quinto, ao tornar visvel o interesse masculino que tem sustentado a maior parte das pesquisas sociais (TERRAGNI, 2005). Por sua vez, os movimentos anti-racismo fizeram com que os estudos culturais inclussem na sua agenda as questes crticas de raa, a poltica racial, a resistncia ao racismo, questes crticas da poltica cultural (HALL, 2006, p. 197). No mbito do empreendedorismo, pesquisas com vieses feministas contribuem para desmistificao do discurso dominante ao darem ateno perpetuao, produo e reproduo do padro masculinizado de empreender. A necessidade de se afastar de concepes masculinas se faz presente at nos estudos sobre o empreendedorismo feminino, pois, segundo Ogbor (2000), muitas pesquisas usam o gnero masculino como parmetro de comparao para estudar as mulheres empreendedoras. Sob esta perspectiva, as mulheres implicitamente so estimuladas a adotar caractersticas de pessoas agressivas, independentes e individualistas, igualando sua postura a do gnero masculino para legitimar sua posio na estrutura organizacional. Por isso, Terragni (2005) defende a mudana filosfica da pesquisa de gnero, e no apenas a substituio do objeto de pesquisa macho pelo objeto de pesquisa fmea. A crtica ao modelo dominante de pesquisa instituda a partir do movimento feminista emergente em meados dos anos 1970 mostra que a abordagem de gnero vincula-se a interesses polticos que extrapola o debate da academia (VILA , 2007). A conexo entre pesquisa e poltica fica explcita quando entendemos que os Estudos Culturais podem ser considerados como um projeto de alcance poltico (correo poltica) e como um campo interdisciplinar de convergncia de preocupaes e mtodos de pesquisa que buscam contribuir para o entendimento e fortalecimento das mudanas sociais (ESCOSTEGUY, 2006) e de grupos considerados perifricos. Um dos princpios que norteiam o esforo acadmico de seus pesquisadores a funo intelectual em nossa sociedade, buscando estabelecer um esforo que tenha um envolvimento visceral, e no simplesmente profissional ou acadmico, com os problemas (SCHULMAN, 2006, p. 202). Alm das intervenes dos movimentos sociais nos trabalho do CCCS, a leitura das obras de Gramsci serviu para embasar a reflexo dos intelectuais que se debruavam sobre as questes polticas referentes aos estudos culturais. Essa demarcao coloca em relevo o imperativo de se pensar o conhecimento como algo que deve prioritariamente ser difundido, atribuindo-o uma fora poltica e uma responsabilidade que o aproxima de uma prtica poltica. Hall (2006, p. 195) aponta que qualquer avano terico realizado por intelectuais orgnicos ser acompanhado por um envolvimento no nvel do projeto poltico. O desenvolvimento da prtica poltica que vem a caracterizar os estudos culturais coloca tal construo terica num plano em que o convvio com tenses ser uma constante. Outro ponto de reflexo que resultou numa reconfigurao da teoria at ento construda no CCCS foi a virada lingstica, ou como coloca Hall, a descoberta da discursividade, da 10textualidade (Ibid, p. 198). A partir desse momento, a cultura passou a ser analisada por meio das metforas da linguagem e da textualidade, que para o autor estavam sempre implcitas no conceito de cultura. Como a linguagem e o texto so difceis de serem capturados e significados de forma estanque, a cultura passaria a ser trabalhada sempre numa zona de deslocamentos de sentidos. Sobre eles, Hall declara que h sempre algo descentrado no meio cultural [...], na linguagem, na textualidade, na significao; h algo que constantemente escapa e foge tentativa de ligao, direta e imediata, com outras estruturas. [...] dos textos como fontes de poder, da textualidade como local de representao e de resistncia, nenhuma destas questes poder jamais ser apagada dos estudos culturais (HALL, 2006, p. 199). Esse contexto marcado por incertezas no constitui um imenso vazio terico. nele que Hall v a chance de produzirmos uma poltica da teoria baseada num enfrentamento dialgico, no qual o conhecimento debatido. Desta forma, o autor reconhece o avano terico assentado na luta com e contra as teorias, no sentido de no aceitar sua autoridade como se fosse divina, e afirma que a nica teoria que vale a pena reter aquela que voc tem de contestar, no a que voc fala com profunda fluncia (Ibid, p. 204). Com anseio de negar a concepo determinista e reducionista de cultura e compreender as premissas apontadas anteriormente, apresentaremos o circuito de cultura de Du Gay et al (1997), por acreditar que esse protocolo analtico capaz de responder as mudanas econmicas, polticas e sociais que se sustentam no plano das significaes, alm de se aproximar da prtica dinmica e multifacetada do empreendedorismo. 4 O Circuito da Cultura no Entendimento da Ao Empreendedora No mbito organizacional, o tema cultura tornou-se foco de interesse tanto dos acadmicos, quanto dos gestores apenas na dcada de 1980, embora o conceito j estivesse presente no campo organizacional desde os anos 1940 e 1950, atravs dos estudos de Elliot Jacques (SILVA, 2002). Dois motivos so apontados com freqncia para explicar o sbito interesse pelo conceito de cultura na rea organizacional. O primeiro foi a tentativa de explicar o mau desempenho e estagnao das empresas americanas entre as dcadas de 60 e 70 visando desenvolver instrumentos de interveno capazes de restaurar a excelente condio passada de tais organizaes. Outro argumento refere-se ao ganho de competitividade das empresas japonesas. As anlises organizacionais propuseram explicar o bom desempenho japons por meio de variveis culturais. Partindo deste entendimento haveria culturas favorveis e outras desfavorveis boa atuao empresarial (BERTERO, 1989; FREITAS, 1991). O conceito de cultura surgiu no campo da administrao como uma alternativa para incrementar a atividade empresarial e a concorrncia, de tal forma que essa dimenso, at ento intangvel, tornou-se instrumentalizada e adotada por grande parte dos pesquisadores que trabalharam sobre o tema. Freitas (1991) confirma este argumento ao examinar a bibliografia norte-americana sobre cultura organizacional entre os anos de 1979 e 1989. A autora aponta que a perspectiva funcionalista da cultura organizacional adquiriu significao no apenas como categoria de anlise organizacional, mas, principalmente, como um instrumento a ser otimizado na conduo dos negcios. Ela explica que embora alguns autores no acreditem que a cultura exera influncia no desempenho da organizao em termos de expresso quantitativa, maior a produo dos que defendem a posio contrria (FREITAS, 1991, p. 80). Uma segunda corrente de pesquisa, considerada mais crtica e sofisticada quando comparada a abordagem instrumental apresentada anteriormente, questiona-se a respeito do 11significado do universo simblico das organizaes e no aceita o pressuposto de que a cultura organizacional possa ser gerenciada. Trata-se de uma abordagem antropolgica, que utiliza os escritos de Geertz e recebe influncias de Parsons sobre a existncia de um domnio cultural simblico distinto, e de Weber, sob o ponto de vista interpretativo (CARRIERI; RODRIGUES, 2001; MASCARENHAS, 2002; JAIME JR. 2002). Alguns estudos procuram demonstrar como a adoo da perspectiva antropolgica aborda de forma diferenciada a discusso sobre cultura no contexto organizacional, seja apresentando as contribuies dessa perspectiva como uma possibilidade de superao dos limites deixados pela corrente funcionalista (BARBOSA, 1996; JAIME JR. 2002) ou mostrando como mtodos tradicionalmente utilizados pela antropologia, tais como etnografia (MASCARENHAS, 2002; HORTA, 2007) e hermenutica (JAIME JR. 2002; ROSA; TURETA; BRITO, 2006) podem ser teis para uma interpretao minuciosa da dinmica sociocultural em uma organizao. O que acontece, porm, que classificaes bipolares produzem a iluso de que os debates sobre cultura no podem existir fora destes paradigmas. Desta forma, a viso institucionalizada sobre a temtica da cultura no contexto organizacional pode representar um obstculo ao avano do conhecimento. No entanto, a virada cultural promovida nas cincias sociais e humanas especialmente pelos Estudos Culturais tende a enfatizar importncia do significado na definio da cultura. A cultura deixa de ser entendida como um conjunto de artefatos, valores ou prticas especficas para se concebida a partir do ato de produo e transformao de significados entre os membros de uma sociedade ou grupo. Conforme argumenta Hall (1997, p. 3), a cultura est envolvida em todas as prticas que so dotadas de significado e valores por ns, que precisam ser significativamente interpretada por outros, ou que dependem do significado para sua efetiva atuao. Por esse ponto de vista, as prticas sociais precisam ser dotadas de significado para existir, ou seja, a produo de significado social torna-se precondio necessria a produo de todas as prticas sociais. Ao reconhecer que todas as prticas sociais so significativas e, portanto fundamentalmente culturais, a cultura deixa de ser tratada como reflexo de outros processos e passa a ser considerada to constitutiva do mundo social quanto economia e a poltica, por exemplo (Du Gay et al, 1997). Por isso, nos ltimos tempos, a descrio e a anlise cultural adquirem um papel relevante no entendimento das prticas sociais. A proposta dos Estudos Culturais sugere que o significado no se origina da prtica em si, mas produzido e transformado em cada interao pessoal e social. O significado de um produto cultural, por exemplo, no se encontra no objeto, nem sua atribuio ocorre no momento da produo. O significado produzido em locais diferentes e circula por meio de diferentes processos e prticas. O circuito de cultura, apresentado por Du Gay et al (1997), desenvolve esse argumento ao mostrar que os significados atribudos aos produtos culturais so resultados provisriosiii de uma combinao de processos. O modelo terico adotado pelo autor, para analisar o caso do Walkman da Sony, articulaiv cinco processos culturais distintos - representao, identidade, produo, consumo e regulao - cuja interao pode levar a resultados variveis e contingentes (Figura 1). Em conjunto, os cinco processos formam um tipo de circuito chamado circuito de cultura por meio do qual a anlise de qualquer artefato cultural deve percorrer se deseja ser adequadamente estudado. 12Figura 1: O circuito da cultura (DU GAY et al., 1997, p. 03). Por isso, o significado no deriva diretamente do objeto, mas da articulao dos cinco momentos do processo que juntos estabelecem um espao cultural no qual esse significado criado, modificado e recriado. Assim, ao invs de privilegiar um fenmeno singular tal como o processo de produo - para explicar o significado de determinado artefato cultural, o circuito privilegia a combinao de processos distintos. Em termos de operacionalizao investigativa, no importa em que ponto do circuito a anlise seja iniciada, j que ser preciso percorrer todo o ciclo para concluir o estudo do artefato cultural. Embora as diferentes partes do circuito possam ser trabalhadas em sees distintas, no mundo real eles se entrelaam de modo complexo e contingente. Assim, cada elemento do circulo precisa ser retomado e reaparecer na seo seguinte. Modelo semelhante do circuito de cultura pode ser encontrado em Johnson (2006). Na composio do autor, a compreenso dos significados de um produto cultural passa pelo entendimento das condies especficas do momento de produo e de consumo. Cada um desses momentos relaciona-se entre si, alm de estarem vinculados s relaes sociais e s culturas vividas, ou seja, aos elementos culturais existentes no meio social que pautam o espao da produo e do consumo. Tanto o modelo de Du Gay et al (1997) quanto o de Johnson (2006) prevem a existncia de condies materiais e culturais, em cada momento do ciclo, por isso o circuito de cultura , ao mesmo tempo, um circuito de capital e um circuito de produo e circulao de formas subjetivas. O circuito, alm de envolver o movimento entre formas concretas e abstratas, oscila entre o pblico e o privado, ou seja, tambm abarca o movimento entre o coletivo e particular. Assim, cada ponto do circuito - embora dependa dos outros e seja indispensvel para o todo - responsvel por mudanas nas formas produzidas/consumidas em funo de suas caractersticas distintas. Johnson (2006) clarifica as implicaes do circuito de cultura para uma abordagem interdisciplinar dos produtos culturais, a partir do exemplo do carro ingls chamado Mini-Metro. O autor comenta que ao longo da histria do automvel, o produto cultural se desloca de formas mais concreto a outras mais abstratas; passando de algo privado para se torna pblico em determinada ocasio. Para esse seguidor dos Estudos Culturais so as diferentes formas assumidas pelo artefato cultural ao longo do circuito que destacam as lutas geradas em torno do seu significado. O circuito de cultura ajuda-nos a compreender que no existe um significado fixo no produto cultural que possa ser transportado de forma estvel para diferentes situaes. A dinmica do processo cultural revela que a interpretao de um artefato cultural aberta, possui leituras diversas, depende do ponto de vista, dos valores, das crenas, dos interesses e 13das expectativas de quem o decodifica. Por isso, os significados atribudos ao produto podem ser mltiplos a ponto de se tornarem at conflitantes. A concepo integradora do circuito tambm considera as contingncias das circunstncias de produo, circulao e consumo. Por isso, os significados atribudos ao produto cultural so situados em momentos scio-histricos particulares. O circuito de cultura pode servir de protocolo terico-medolgico pesquisa do empreendedorismo rediscutindo, por exemplo, o carter complexo e situacional da inovao. As idias de novidade e de mudanas, que fazem parte da maioria das definies de inovao nos ltimos 30 ou 40 anos (MOREIRA; QUEIROZ, 2007), podem ser investigadas a partir de uma perspectiva relacional, dinmica e contextualizada, na medida em que o significado da inovao deixa de se localizar no objeto/servio em si e passa a ser constitudo pela articulao dos cinco processos do circuito de cultura. 5 Consideraes Gerais O destaque de algumas concluses emergentes deste ensaio terico nos faz retornar indagao inicial: Como os Estudos Culturais podem contribuir com a pesquisa no campo do empreendedorismo? Historicamente, a pesquisa acerca do empreendedorismo vem sofrendo grande influncia da economia e da psicologia. As primeiras fases de estudos sobre esse fenmeno compreendem uma orientao econmica e comportamentalista, ao imprimir a naturalizao da postura utilitarista e individualista do empreendedor. Portanto, as abordagens iniciais de pesquisa favorecem o esteretipo do empreendedor-heri, reproduzindo as caractersticas pessoais que colaboram para uma prtica inovativa, ao mesmo tempo em que negligencia a natureza relacional dos indivduos e a possibilidade de adoo de conceitos mais amplos no campo do empreendedorismo. Em vista disso, o entendimento desse campo sob o marco de uma lente unidimensional e funcionalista poderia no contemplar a complexidade do fenmeno. Embora reas do conhecimento como a Sociologia, a Psicologia e a Economia tenham contribudo com estudos voltados para a descoberta de novos caminhos epistemo-metodolgicos no mbito da pesquisa em Empreendedorismo, a utilizao de diferentes tradies tericas na construo do pensamento no campo do Empreendedorismo se manifesta ainda de forma desagregada e compartimentada. A necessidade de se reconstruir o pensamento em empreendedorismo e sobre a cultura se impe devido s profundas transformaes por que passa a sociedade contempornea. Nesse escopo, os Estudos Culturais trazem deslocamentos tericos em torno da temtica cultural, de modo a contribuir para a pesquisa no campo do empreendedorismo ao incentivar uma reflexo terica que partilhe do interesse de se investigar os aspectos relativos s ideologias, ao domnio simblico e ao poder subjacentes ao empreendedora. Desta forma, existe a possibilidade de se extrapolar concepes clssicas de cultura direcionadas por um olhar funcionalista ou reducionista das formas culturais e de suas relaes com as organizaes e a sociedade. Sob o prisma dos Estudos Culturais, a pesquisa do empreendedorismo se contrape s perspectivas vigentes que entendem a cultura ora como um constructo manipulvel que pode melhorar o desempenho empresarial, ora alheia s questes de poder ou, em ltimo caso, como uma varivel superestrutural que invisibiliza a ao poltica do indivduo. O carter complexo do empreendedorismo, bem como sua interao com a cultura e outros fatores sociais, evidencia a necessidade de uma concepo multidisciplinar do fenmeno que considere, sobretudo, seu contexto scio-histrico. Alm disso, as relaes de poder entrelaadas no processo de significao da prtica empreendedora, geralmente deixadas em 14segundo plano nas pesquisas sobre empreendedorismo, podem ser trabalhadas no modelo terico do circuito da cultura desenvolvido por Du Gay et al. (1997). A abertura e flexibilidade tericas dos Estudos Culturais se aproximam da dinamicidade do cotidiano empreendedor. Por isso, o formato de pesquisa desse campo de estudo se distancia dos modelos tradicionais que no conseguem ir alm da unidimensionalidade da leitura do fenmeno empreendedor. O aporte dos Estudos Culturais como ncora epistemolgica contribui para o entendimento do empreendedorismo na condio de uma experincia multifacetada. Nessa arena, conflitos e nuances sociais, econmicos, polticos e tecnolgicos interagem continuamente de modo a configurarem um todo heterogneo e repleto de vieses advindos de discursos controversos e paradoxais. O circuito de cultura surge na condio de alternativa terico-metodolgica interpretao reducionista e determinstica do empreendedorismo, como abordagem relacional que investiga o fenmeno sob um prisma dinmico e multifacetado. O princpio de articulao balizador do circuito da cultura ajuda a superar a diviso do pensamento inerente ao paradigma moderno. Por meio do circuito, a polissemia associada ao termo empreendedorismo no seria entendida como obstculo conceitual ao desenvolvimento desse campo de investigao, uma vez que a nfase cultural deve recair sobre o modo como os mltiplos sentidos so criados ao longo do processo empreendedor. A abordagem contra-hegemnica do empreendedorismo exige um esforo de desnaturalizao daquilo que apresentado como prtica social de desenvolvimento econmico. Assim, o empreendedor deixa de ser compreendido a partir de prticas atomizadas para ser visto como ator dotado de fora poltica no complexo processo de produo e resignificao de prticas culturais. Referncias ALMEIDA, S. de L.; GUERRA, R. F.; PAIVA JR, F. G. de. Que Cultura essa nos Estudos Organizacionais? Uma Proposta de [Re]Discusso a partir dos Estudos Culturais. In: ENANPAD, 33, 2009, So Paulo. Anais... So Paulo: ANPAD, 2009. VILA, M. B. Uma abordagem feminista sobre os problemas para o estudo de gnero. In: WEBER, S.; LEITHAUSER, T. Mtodos qualitativos nas cincias scias e na prtica social. Recife: Ed. Universitria da UFPE, 2007. BARBOSA, L. N. de H. Cultura administrativa: uma nova perspectiva das relaes entre antropologia e administrao. Revista de Administrao de Empresas. So Paulo, v. 36, n. 4, p. 6-19, 1996. BERTERO, C. O. 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Todavia, uma anlise crtica permite compreender que o discurso do empreendedorismo tende a ser ativado com mais pujana em perodos de elevado nveis de desemprego gerados pelas crises cclicas do capitalismo. ii A transdisciplinaridade no significa apenas que as disciplinas colaboram entre si para o estudo de um objeto, mas significa tambm que existe um pensamento organizador que ultrapassa as prprias disciplinas. Em outros termos, a transdisciplinaridade envolve aquilo que est ao mesmo tempo entre as disciplinas, atravs das diferentes disciplinas e alm de toda e qualquer disciplina (NICOLESCU, 1999). iii Em funo da dinmica dos fenmenos sociais. iv O termo articulao empregado por Du Gay (1997) para se referir ao processo em que elementos distintos se conectam para formar uma unidade temporria. /ColorImageDict > /JPEG2000ColorACSImageDict > /JPEG2000ColorImageDict > /AntiAliasGrayImages false /CropGrayImages true /GrayImageMinResolution 300 /GrayImageMinResolutionPolicy /OK /DownsampleGrayImages true /GrayImageDownsampleType /Bicubic /GrayImageResolution 300 /GrayImageDepth -1 /GrayImageMinDownsampleDepth 2 /GrayImageDownsampleThreshold 1.50000 /EncodeGrayImages true /GrayImageFilter /DCTEncode /AutoFilterGrayImages true /GrayImageAutoFilterStrategy /JPEG /GrayACSImageDict > /GrayImageDict > /JPEG2000GrayACSImageDict > /JPEG2000GrayImageDict > /AntiAliasMonoImages false /CropMonoImages true /MonoImageMinResolution 1200 /MonoImageMinResolutionPolicy /OK /DownsampleMonoImages true /MonoImageDownsampleType /Bicubic /MonoImageResolution 1200 /MonoImageDepth -1 /MonoImageDownsampleThreshold 1.50000 /EncodeMonoImages true /MonoImageFilter /CCITTFaxEncode /MonoImageDict > /AllowPSXObjects false /CheckCompliance [ /None ] /PDFX1aCheck false /PDFX3Check false /PDFXCompliantPDFOnly false /PDFXNoTrimBoxError true /PDFXTrimBoxToMediaBoxOffset [ 0.00000 0.00000 0.00000 0.00000 ] /PDFXSetBleedBoxToMediaBox true /PDFXBleedBoxToTrimBoxOffset [ 0.00000 0.00000 0.00000 0.00000 ] /PDFXOutputIntentProfile () /PDFXOutputConditionIdentifier () /PDFXOutputCondition () /PDFXRegistryName () /PDFXTrapped /False /CreateJDFFile false /Description > /Namespace [ (Adobe) (Common) (1.0) ] /OtherNamespaces [ > /FormElements false /GenerateStructure false /IncludeBookmarks false /IncludeHyperlinks false /IncludeInteractive false /IncludeLayers false /IncludeProfiles false /MultimediaHandling /UseObjectSettings /Namespace [ (Adobe) (CreativeSuite) (2.0) ] /PDFXOutputIntentProfileSelector /DocumentCMYK /PreserveEditing true /UntaggedCMYKHandling /LeaveUntagged /UntaggedRGBHandling /UseDocumentProfile /UseDocumentBleed false >> ]>> setdistillerparams> setpagedevice

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