O DIREITO FUNDAMENTAL SOCIAL À SAÚDE: DO BIOPODER ?· DEMOCRACIA DELIBERATIVA FACULDADE DE DIREITO…

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<ul><li><p>FACULDADE DE DIREITO DO SUL DE MINAS </p><p>LUCIANO MENI GONALVES </p><p>O DIREITO FUNDAMENTAL SOCIAL SADE: </p><p>DO BIOPODER S AUDINCIAS PBLICAS DE SADE </p><p>COMO INSTRUMENTO DA DEMOCRACIA </p><p>DELIBERATIVA </p><p>POUSO ALEGRE </p><p>2012 </p></li><li><p>LUCIANO MENI GONALVES </p><p>O DIREITO FUNDAMENTAL SOCIAL SADE: </p><p>DO BIOPODER S AUDINCIAS PBLICAS DE SADE COMO INSTRUMENTO DA </p><p>DEMOCRACIA DELIBERATIVA </p><p>FACULDADE DE DIREITO DO SUL DE MINAS </p><p> Data de Aprovao ___/___/_____ </p><p>Banca Examinadora </p><p>_________________________________________ Prof. Dr. Alexandre Gustavo Melo Franco Bahia </p><p>Orientador FDSM </p><p>_______________________________ Prof. Dr. Dierle Jos Coelho Nunes </p><p>FDSM </p><p>_______________________________ Prof. Dr. Delton Ricardo Soares Meirelles </p><p>UFF </p><p>Pouso Alegre- MG 2012 </p></li><li><p>Dedico este trabalho a Deus, por ser a maior fonte de luz e </p><p>inspirao que eu poderia ter, e aos meus pais, Aldo e </p><p>Angela, por todo auxlio ao longo desta longa jornada. </p></li><li><p>H de chegar o dia em que, numa grande </p><p>conveno, onde os destinos da humanidade </p><p>estiverem em jogo, e o dinheiro e o mercado </p><p>triunfarem sobre todas as 'razes', algum dos </p><p>presentes chegar brilhante concluso de que a </p><p>soluo ser "Amar ao prximo como a si </p><p>mesmo". Ante a perplexidade de todos, ouvir-se- </p><p>o comentrio: "mas, isso j foi dito por algum!". </p><p> Eddie Vedder </p></li><li><p>RESUMO </p><p> MENI GONALVES, Luciano. O Direito Fundamental Social Sade: Do Biopoder s Audincias Pblicas de Sade como instrumento da Democracia Deliberativa. 2012.xxxf. Dissertao (Mestrado em Constitucionalismo e Democracia) Faculdade de Direito do Sul de Minas. Programa de Ps-Graduao em Direito, Pouso Alegre. 2012. </p><p>O presente trabalho, inserido na linha de pesquisa efetividade dos direitos fundamentais-sociais, tem como objeto o direito social sade. Primeiramente, o presente estudo visa abordar o surgimento da medicina social, demonstrando a aplicao do conceito foucaultiano de biopoltica e do biopoder na Europa e no Brasil. Em um segundo momento, analisamos a legislao nacional, pactos internacionais e programas nacionais que preveem o direito social sade, examinando, tambm, as provveis causas que impediram e ainda impedem a consolidao de um Sistema nico de Sade que oferea prestaes mdicas e farmacuticas a todos os indivduos que delas necessitam em prol de um mnimo existencial digno. Por fim, tendo em vista as disparidades socioculturais e at mesmo de diagnsticos clnicos nas diversas regies do Brasil, abordamos a necessidade da participao dos cidados no sistema social poltico atravs das audincias pblicas de sade, utilizando como marco terico o filsofo Jrgen Habermas em sua teoria discursiva. Deste modo, surge a possibilidade de uma anlise sistmica da sade pblica nacional, permitindo a legitimao das polticas pblicas de sade atravs da democracia deliberativa, afastando ou minimizando os efeitos dos mecanismos seletivos e de controle do biopoder. Palavras-chave: Direito fundamental social sade. Biopoder. Dignidade da pessoa humana. Mnimo existencial. Reserva do Possvel. Audincias Pblicas de sade. </p></li><li><p>ABSTRACT </p><p> MENI GONALVES, Luciano. The Fundamental Social Right to Health: From Biopower to the Health Public Audiences as an instrument of the Deliberative Democracy. 2012.xxxf. Dissertation (Masters Degree in Constitutionalism and Democracy) Faculdade de Direito do Sul de Minas. Post-Graduation Program in Law, Pouso Alegre. 2012. The present research, inserted into the search line fundamental social rights effectiveness, aims the social right to health. Firstly, it aims to approach the appearance of social medicine, demonstrating the application of Foucaults concept of biopolitics and biopower in Europe and Brazil. After that, we analyze the national legislation, international agreements and national programs that provide the social right to health, analyzing, as well, the potential causes that prevented and still prevents the consolidation of a health system that provides medical and pharmaceutical services to all in need in favor of a decent existential minimum. Finally, considering the social and cultural disparites and even from clinical diagnosis all over Brazil, we approach the need for citizens to participate in the social and politic system through health public audiences, using as a theoretical background the philosopher Jrgen Habermas in his discursive theory. Thus, it arises the possibility of a systemic analysis of national public health, allowing the legitimacy of the health public policies through the deliberative democracy, departing or minimizing any effects of selective mechanisms and from biopower control. Keywords: Fundamental social right to health. Biopower. Human being dignity. Existential minimum. Reserve of possible. Health Public Audiences. </p></li><li><p>LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS Art. -Artigo. </p><p>CF -Constituio Federal. </p><p>ONU - Organizao das Naes Unidas. </p><p>CAPs - Caixas de Aposentadorias e Penses. </p><p>CFM - Conselho Federal de Medicina. </p><p>CNS - Conselho Nacional de Sade. </p><p>CRM - Conselho Regional de Medicina. </p><p>INPS - Instituto Nacional de Previdncia Social. </p><p>CPMF - Contribuio Provisria Sobre Movimentao Financeira. </p><p>SUS - Sistema nico de Sade. </p><p>RENAME - Relao Nacional de Medicamentos Essenciais. </p><p>ANVISA - Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria. </p><p>IAPs - Institutos de Aposentadoria e Penso. </p><p>STF - Supremo Tribunal Federal. </p></li><li><p>SUMRIO </p><p>INTRODUO ............................................................................................................................ 11 </p><p>1. O BIOPODER E O SURGIMENTO DA MEDICINA SOCIAL ........................................ 16 </p><p>1.1. A Biopoltica e o Biopoder: O poder poltico sobre a vida .................................................... 16 </p><p>1.2. O Nascimento da Medicina Social na Europa. ...................................................................... 17 </p><p>2. O DIREITO SOCIAL SADE NAS CONSTITUIES BRASILEIRAS .................... 24 </p><p>2.1. O Direito Sade na Constituio de 1934. .......................................................................... 26 </p><p>2.2. O Direito Sade na Constituio de 1946. .......................................................................... 29 </p><p>2.3. O Direito Sade na Constituio de 1967 e na Emenda Constitucional de 1969 ................ 30 </p><p>2.4. O Direito Fundamental Social Sade na Constituio de 1988 A Constituio Cidad ... 32 </p><p>3. O DIREITO SADE NO PLANO INTERNACIONAL .................................................. 37 </p><p>3.1. A Declarao Universal dos Direitos Humanos ..................................................................... 37 </p><p>3.2. Pacto Internacional dos Direitos Econmicos, Sociais e Culturais ........................................ 39 </p><p>3.3. Pacto de So Jos da Costa Rica ............................................................................................. 42 </p><p>3.4. Protocolo de So Salvador ...................................................................................................... 42 </p><p>3.5. Programa Nacional de Direitos Humanos PNDH ................................................................ 45 </p><p>4. O SISTEMA NICO DE SADE .......................................................................................... 47 </p><p>4.1. Princpios e Diretrizes do SUS ............................................................................................... 47 </p><p>4.2. As possveis razes que obstam a efetivao dos princpios do SUS ..................................... 49 </p><p>4.2.1. O enfraquecimento do Movimento Sanitarista .................................................................... 50 </p><p>4.2.2. O problema referente ao financiamento do SUS ................................................................. 52 </p><p>4.2.3. O descaso institucional da sade pblica no Brasil ............................................................. 57 </p><p>5. A SADE SOB O ENFOQUE DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA, DO MNIMO EXISTENCIAL E DA RESERVA DO POSSVEL .................................................................. 63 </p><p>5.1. O Princpio da Dignidade da Pessoa Humana e o direito sade .......................................... 63 </p><p>5.2. O direito ao Mnimo Existencial de prestaes de sade ....................................................... 71 </p><p>5.2.1. O Mnimo Existencial no plano infraconstitucional. ........................................................... 75 </p><p>5.3. A Reserva do Possvel ............................................................................................................ 78 </p></li><li><p>5.4. A jurisprudncia ptria majoritria acerca do Mnimo Existencial e da Reserva do Possvel referente a prestaes de sade ...................................................................................................... 80 </p><p>6. AS AUDINCIAS PBLICAS DE SADE COMO INSTRUMENTO DA DEMOCRACIA DELIBERATIVA PROPOSTA POR HABERMAS ................................... 86 </p><p>6.1. O conceito de Audincia Pblica e sua previso legal no ordenamento jurdico ptrio ......... 86 </p><p>6.2. Audincia Pblica n 4: As concluses oriundas da Audincia Pblica de Sade realizada no mbito do STF ............................................................................................................................... 89 </p><p>6.3. A Teoria Discursiva de Jrgen Habermas .............................................................................. 99 </p><p>6.4. A Divergncia Epistemolgica entre Foucault e Habermas acerca do discurso ................... 104 </p><p>6.5. A aplicao de Audincias Pblicas em nvel regional, conforme a teoria discursiva de Habermas, visando a legitimao das polticas pblicas e como instrumento que atua contra os mecanismos do biopoder ............................................................................................................. 107 </p><p>CONCLUSO ............................................................................................................................ 119 </p><p>REFERNCIAS ......................................................................................................................... 125 </p></li><li><p>INTRODUO </p><p>Tendo em vista a grande problemtica social que envolve a concesso do direito a </p><p>prestaes de sade no Brasil, este tema, de grande complexidade e notria importncia social, </p><p>ser o objeto principal do presente trabalho. O objetivo geral deste estudo se limita a investigar a </p><p>evoluo do direito sade no Brasil, propondo, ao fim, meios que permitam uma democracia </p><p>participativa, nos moldes propostos por Jrgen Habermas, atravs das audincias pblicas </p><p>regionais de sade, onde o povo pode exercer efetivamente seu poder democrtico de opinio, </p><p>orientando as polticas pblicas de sade. </p><p>A Constituio Federal de 1988 representou um novo paradigma constitucional, </p><p>rompendo com as ordens constitucionais anteriores ao garantir diversos direitos sociais no antes </p><p>previstos ou no previstos de forma universal. Em seu Prembulo, a Constituio de 1988 </p><p>manifestou a inteno de instituir um Estado Democrtico, que garanta o exerccio desses direitos </p><p>sociais. Entretanto, por mais que o ordenamento constitucional e infraconstitucional ptrio </p><p>assegure o direito sade como direito fundamental universal, perceptvel que, na prtica, o </p><p>Sistema nico de Sade no logra xito em atender todos os indivduos que dele necessitam, </p><p>evidenciando um lastimvel cenrio de padecimento pblico, descreditando uma garantia </p><p>constitucional de eficcia plena e comprometendo a cidadania e a dignidade dos cidados. </p><p>A crise de legitimao das polticas pblicas de sade no Brasil um grave fator de </p><p>desestabilizao democrtica. Assim, ainda que o direito sade seja atualmente consagrado </p><p>como direito fundamental social, o presente estudo pretende abordar como o Poder Pblico age </p><p>ordinariamente com descaso em face aos cidados hipossuficientes, de conhecimento sanitrio </p><p>leigo, moradores das regies perifricas. </p><p>No primeiro captulo, utilizando as lies de Foucault, ser abordada a biopoltica, o </p><p>biopoder e o nascimento da medicina social na Europa, analisando as formas que o biopoder </p><p>atuava, servindo de instrumento para o domnio e gesto da vida e da sade dos indivduos. </p><p>No segundo captulo, visando analisar o histrico do direito sade no Brasil, levando </p><p>em considerao o marco social da Constituio de 1934, ser analisada a previso desse direito </p><p>nas principais Constituies a partir desta. </p><p>Com o surgimento do Estado Social, a partir da Constituio de 1934, o</p></li><li><p>11 </p><p>Estado mudou sua feio abstencionista para uma postura intervencionista. Contudo, como ser </p><p>averiguado, antes da Constituio de 1988, a prestao de servios mdicos de qualidade era </p><p>conferida to somente aos trabalhadores inseridos formalmente no mercado de trabalho, </p><p>discriminando o trabalhador informal e os desempregados. Desta forma, ser abordado a forma </p><p>que isto ocorria e como este parmetro se alterou aps anos de luta pelo movimento sanitarista </p><p>at a realizao da VIII Conferncia Nacional de Sade, em 1986, que gerou, como </p><p>consequncia, a instituio do Sistema nico de Sade na Constituio de 1988. </p><p>Levando em considerao a pouca utilizao dos diplomas internacionais pelos </p><p>operadores do Direito no Brasil, mesmo aps a promulgao da Emenda Constitucional 45/2004, </p><p>que conferiu aos tratados e convenes internacionais sobre direitos humanos aprovados pelo </p><p>Congresso a equivalncia de emendas constitucionais, no terceiro captulo sero estudados os </p><p>mais relevantes Pactos e Declaraes Internacionais que dispem sobre o direito sade, </p><p>justamente como defesa da normatividade destes e, pois, de sua obrigatoriedade para os poderes </p><p>pblicos. </p><p>Tendo em vista que no h como conciliar a democracia com injustias sociais, tambm </p><p>no terceiro captulo do presente estudo ser abordado o Programa Nacional de Direitos Humanos </p><p> PNDH. Originado na Conveno de Viena em 1993, tendo como propsito orientar as </p><p>Constituies dos Estados membros das Naes Unidas ao compromisso com os Direitos </p><p>Humanos, reconhecendo o cenrio de excluso social, assumindo o compromisso com a </p><p>promoo dos direitos do homem e objetivando a proteo dos excludos e desamparados, no ano </p><p>de 1996 o Brasil se tornou um dos primeiros a aderir ao projeto, encontrando-se, nos dias atuais, </p><p>na terceira verso do programa. </p><p>Criado pela Constituio de 1988 aps diversos anos de movimentos sociais, o Sistema </p><p>nico de Sade ser abordado no quarto captulo, apresentando as possveis razes que obstam a </p><p>efetivao de seus princpios, vertendo, como consequncia, a uma sade pblica deficitria. </p><p>Neste mesmo captulo, ser analisado o enfraquecimento dos movimentos sociais que lutaram em </p><p>prol de uma sade pblica assegurada a todos; a problemtica em relao financiamento do SUS </p><p>e as crticas a Emenda Constitucional 29/2011 e o descaso institucionalizado que permeia as </p><p>instituies de sade pblica A resignao do Poder Pblico no que tange a prestao de servios </p><p>mdicos e farmacuticos classe pobre e miservel, negligenciando ou prestando de forma </p><p>inferior aos padres mnimos de qualidade, demonstrando indcios de um biopoder que </p></li><li><p>12 </p><p>remanesce na sociedade atual, atingindo a dignidade do cidado, que se sente alijado do prprio </p><p>sistema que deveria lhe socorrer quando dele necessitasse. </p><p>Desta forma, tendo em vista que a Constituio vigente prev, no inciso III do art. 1, a </p><p>dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos do Estado Democrtico de Direito, no </p><p>se pode desconsiderar que a falta de um mnimo digno de prestaes de sade atinge diretamente </p><p>este fundamento e direito do homem, que se assenta como ncleo bsico e orientador de todo </p><p>ordenamento jurdico ptrio como princpio base e padro de valorao que orienta a </p><p>interpretao de todo o sistema constitucional1, se alterando no tempo e no espao, sofrendo </p><p>influncias da histria e da cultura de cada povo, assim como por questes polticas e ideolgicas. </p><p> Assim, sob o enfoque da dignidade da pessoa humana, no quinto captulo ser estudada </p><p>a teoria do mnimo existencial e a reserva do possvel, transcrevendo diversos julgados que </p><p>demonstram o posicionamento majoritrio dos tribunais acerca deste tema. </p><p>Considerando o fato de o Brasil ser um pas de dimenses continentais, possuidor de </p><p>enormes disparidades sociais e regionais, certo o povo de que cada local demanda necessidades </p><p>diferentes em relao sade. Assim, para que haja uma legitimidade democrtica no contexto de </p><p>multiculturalismo ptrio, a opinio do cidado comum deve ser relevada, procurando identificar </p><p>suas reais necessidades para a construo de uma sade pblica adequada. </p><p>Neste esteio, o ltimo captulo analisar como as audincias pblicas de sade podem </p><p>representar um instrumento da democracia deliberativa, tornando possvel a participao e </p><p>colaborao do cidado comum nas polticas pblicas de sade. Ser abordada a Audincia </p><p>Pblica n 4, realizada pelo Supremo Tribunal Federal, que teve como tema a sade pblica, e </p><p>suas principais contribuies para a melhoria do Sistema nico de Sade. </p><p>Utilizando como marco terico o filsofo alemo Jrgen Habermas em sua teoria </p><p>discursiva, pretende-se desenvolver um resgate do poder do povo atravs da democracia </p><p>participativa aplicada nas audincias pblicas de sade em nvel local, permitindo uma poltica </p><p>inclusiva que, atravs das opinies dos cidados, possibilite a conscientizao do Poder Pblico e </p><p>um planejamento factvel das polticas pblicas de sade no Brasil, atendendo, desta forma, as </p><p>exigncias de legitimidade presentes na concepo de Estado Democrtico de Direito. </p><p> 1 PIOVESAN, Flvia. Justiciabilidade dos direitos sociais e econmicas: desafios e perspectivas, p. 53-70, In CANOTILHO, J.J. Gomes et. al. Direitos Fundamentais Sociais. So Paulo: Saraiva, 2010. p. 54. </p></li><li><p>13 </p><p>Desta forma, ser investigado como a teoria discursiva pode apresentar meios que </p><p>afastem os mecanismos seletivos do biopoder, permitindo a visibilidade do cidado antes </p><p>esquecido ou invisvel aos olhos do poder pblico. </p><p>Habermas compreende o Direito como meio de integrao social atravs de discursos de </p><p>justificao e aplicao. Desta forma, o entendimento discursivo entre os governantes e </p><p>governados pode servir de recurso para o aprimoramento das polticas pblicas de sade, </p><p>prevalecendo a fora do melhor argumento.2 Alm disso, possibilidade de participao nos </p><p>debates incentiva o cidado a proteger seus interesses e suas opinies, proporcionando a </p><p>integrao entre representantes e representados, alargando o foro tradicional da poltica. </p><p>O presente estudo utiliza a elaborao teoria de Foucault acerca da biopoltica, </p><p>propondo, atravs da teoria discursiva e da democracia deliberativa concebida por Habermas, </p><p>medidas que reequilibrem os institutos da participao e da representao a partir da validao da </p><p>vontade do povo mediante o discurso, valorizando o poder democrtico local de modo a efetivar </p><p>uma democracia social que atua contra os efeitos do biopod

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