O DIREITO FUNDAMENTAL AO MEIO AMBIENTE ?· O direito à higidez ambiental é um direito humano fundamental…

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<p>www.derechoycambiosocial.com ISSN: 2224-4131 Depsito legal: 2005-5822 1 </p> <p>Derecho y Cambio Social </p> <p>O DIREITO FUNDAMENTAL AO MEIO AMBIENTE </p> <p>ECOLOGICAMENTE EQUILIBRADO E A EDUCAO </p> <p>AMBIENTAL NO BRASIL </p> <p>Ivy de Souza Abreu (*) </p> <p>Luisa Cortat Simonetti Gonalves (**) </p> <p> Fecha de publicacin: 01/10/2013 </p> <p>EL DERECHO FUNDAMENTAL AL MEDIO AMBIENTE </p> <p>ECOLOGICAMENTE EQUILIBRADO Y LA EDUCACIN </p> <p>AMBIENTAL EN BRASIL </p> <p>RESUMEN: Este artculo se propone a analizar la educacin </p> <p>ambiental en el contexto de garanta al derecho fundamental al </p> <p>medio ambiente ecolgicamente equilibrado. Para eso, son </p> <p>discutidos el derecho fundamental al medio ambiente </p> <p>equilibrado, la temtica ambiental en la Constitucin brasilea </p> <p>de 1988 y el principio de la educacin ambiental. La conciencia </p> <p>ecolgica derivada de la Educacin ambiental posibilita a los </p> <p>individuos un actuar reflexivo, tico y activo para la </p> <p>transformacin de la realidad destructiva del medio natural, </p> <p>construyendo la ciudadana ambiental y efectuando los valores y </p> <p>principios de conservacin del ambiente expresos en la </p> <p>Constitucin de 1988. </p> <p> (*)</p> <p> Mestranda em Direitos e Garantias Fundamentais pela FDV Faculdade de Direito de </p> <p>Vitria-ES; Bolsista da FAPES Fundao de Amparo a Pesquisa do Estado do Esprito </p> <p>Santo; Membro do Grupo de Pesquisa Estado, Democracia Constitucional e Direitos </p> <p>Fundamentais da FDV; Membro do BIOGEPE Grupo de Estudos, Pesquisa e Extenso </p> <p>em Polticas Pblicas, Direito a Sade e Biotica da FDV; MBA em Gesto Ambiental; Ps </p> <p>Graduada em Direito Pblico; Licenciada em Cincias Biolgicas; Advogada; Biloga; </p> <p>Professora universitria. E-mail: ivyabreu@hotmail.com (**) Mestranda em Direitos e Garantias Fundamentais pela FDV, bolsista da FAPES; Licenciada </p> <p>em Direito pela Universidade de Coimbra e Graduada em Direito pela FDV; Graduada em </p> <p>Fsica pela Universidade Federal do Esprito Santo UFES. E-mail: luisacsg@gmail.com </p> <p>mailto:ivyabreu@hotmail.commailto:luisacsg@gmail.com</p> <p>www.derechoycambiosocial.com ISSN: 2224-4131 Depsito legal: 2005-5822 2 </p> <p>PALABRAS CLAVE: educacin ambiental, medio ambiente </p> <p>ecolgicamente equilibrado, derecho fundamental. </p> <p>RESUMO: O presente artigo se prope a analisar a educao </p> <p>ambiental no contexto de garantia do direito fundamental ao </p> <p>meio ambiente ecologicamente equilibrado. Para isso, sero </p> <p>postos em discusso o direito fundamental ao meio ambiente </p> <p>equilibrado, a temtica ambiental na Constituio brasileira de </p> <p>1988 e o princpio da educao ambiental. A conscientizao </p> <p>ecolgica, advinda da educao ambiental, possibilita aos </p> <p>indivduos um agir reflexivo, tico e ativo para transformao da </p> <p>realidade destrutiva do meio natural, construindo a cidadania </p> <p>ambiental e efetivando os valores e princpios de conservao do </p> <p>ambiente expressos na Constituio de 1988. </p> <p>PALAVRAS-CHAVE: educao ambiental, meio ambiente </p> <p>ecologicamente equilibrado, direito fundamental. </p> <p>SUMRIO: 1 Introduo; 2 O direito fundamental ao meio </p> <p>ambiente ecologicamente equilibrado; 3 A educao ambiental </p> <p>no Brasil: a poltica nacional de educao ambiental; 4 A </p> <p>educao ambiental e o direito fundamental ao meio ambiente </p> <p>ecologicamente equilibrado: a importncia da conscincia </p> <p>ecolgica; 5 Consideraes Finais; Referncias. </p> <p>1 INTRODUO </p> <p>A preocupao com a proteo do ambiente alou patamar constitucional </p> <p>em 1988, com o advento da Constituio da Repblica Federativa do </p> <p>Brasil, que trouxe um captulo especfico acerca do tema, Ttulo VIII Da </p> <p>Ordem Social, Captulo VI Do Meio Ambiente, artigo 225. </p> <p>Dentre as temticas elencadas no art. 225 pela Carta constitucional </p> <p>brasileira, a educao ambiental se destaca. A educao ambiental exsurge </p> <p>neste contexto como um instrumento legtimo e eficaz para a formao da </p> <p>conscientizao individual e coletiva em prol da defesa do ambiente, que </p> <p>indispensvel para manuteno do equilbrio ecolgico e da </p> <p>sustentabilidade, enfim, imprescindvel garantia da qualidade de vida e </p> <p>bem-estar dos seres humanos e dos demais seres. </p> <p>No ordenamento jurdico brasileiro, alm do art. 225 da Constituio </p> <p>Federal, a Poltica Nacional do Meio Ambiente (Lei n 6938, de 1981) </p> <p>trouxe a previso da educao ambiental como um dos princpios da </p> <p>PNMA e, posteriormente, em 1999, foi instituda a Poltica Nacional de </p> <p>Educao Ambiental (Lei n 9795). Assim, importncia da educao </p> <p>ambiental se tornou evidente na realidade jurdica do Brasil. </p> <p>www.derechoycambiosocial.com ISSN: 2224-4131 Depsito legal: 2005-5822 3 </p> <p>Desse modo, indaga-se, no contexto atual da realidade brasileira: Como a </p> <p>educao ambiental pode interferir na garantia do direito fundamental ao </p> <p>meio ambiente ecologicamente equilibrado? Eis a problemtica que ser </p> <p>trabalhada no presente artigo. </p> <p>A hiptese de trabalho se estabelece com a efetivao do princpio da </p> <p>educao ambiental como forma de garantir a qualidade ambiental e o </p> <p>direito ao meio ambiente equilibrado por meio da conscientizao dos </p> <p>cidados acerca dos problemas ambientais. </p> <p>2 O DIREITO FUNDAMENTAL AO MEIO AMBIENTE </p> <p>ECOLOGICAMENTE EQUILIBRADO </p> <p>A qualidade do meio ambiente conditio sine qua non para o saudvel </p> <p>desenvolvimento da vida em todas as suas formas. O meio ambiente </p> <p>ecologicamente equilibrado , indubitavelmente, imprescindvel </p> <p>realizao da vida humana digna, por isso, o direito a este ambiente salubre </p> <p>e harmnico um direito humano fundamental. </p> <p>Informam Vendramini e Alves (2006, p.181) que o direito ao meio </p> <p>ambiente ecologicamente equilibrado um direito fundamental, uma vez </p> <p>que tem por finalidade a qualidade de vida. Enuncia a Declarao de </p> <p>Estocolmo de 1972, em seu primeiro princpio: </p> <p>O homem tem o direito fundamental liberdade, igualdade e </p> <p>ao desfrute de condies de vida adequadas, em um meio </p> <p>ambiente de qualidade que lhe permita levar uma vida digna </p> <p>e gozar do bem-estar, e tem a solene obrigao de proteger e </p> <p>melhorar o meio ambiente para as geraes presentes e futuras. </p> <p>(grifo nosso) </p> <p>E a Declarao do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1992), </p> <p>em seu princpio 1: Os seres humanos esto no centro das preocupaes </p> <p>com o desenvolvimento sustentvel. Tm o direito a uma vida saudvel e </p> <p>produtiva, em harmonia com a natureza. </p> <p>Traz a lume o ordenamento jurdico brasileiro, com a lei 6938/81, em seu </p> <p>art. 2, o mesmo entendimento: </p> <p>Art. 2 - A Poltica Nacional do Meio Ambiente tem por </p> <p>objetivo a preservao e recuperao da qualidade ambiental </p> <p>propcia vida, visando assegurar, no pas, condies ao </p> <p>desenvolvimento scio-econmico, aos interesses da segurana </p> <p>nacional e proteo da dignidade da vida humana [...]. </p> <p>(grifo nosso) </p> <p>E o prprio texto da Carta Magna de 1988, em seu art. 225, caput: Todos </p> <p>tm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso </p> <p>comum do povo e essencial sadia qualidade de vida [...]. (grifo nosso) </p> <p>www.derechoycambiosocial.com ISSN: 2224-4131 Depsito legal: 2005-5822 4 </p> <p>A proteo do meio ambiente, englobando a preservao da natureza em </p> <p>todas as suas vertentes relacionadas vida humana, tem por escopo tutelar </p> <p>o ambiente em decorrncia do direito sadia qualidade de vida, sendo </p> <p>considerada um dos aspectos dos direitos humanos fundamentais. (Silva, </p> <p>2002, p.70) </p> <p>O direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado traduz-se como </p> <p>uma das formas da expresso e desenvolvimento do princpio da dignidade </p> <p>da pessoa humana, um dos fundamentos basilares e inconcussos da </p> <p>Repblica brasileira, conforme dico do art. 1, inciso III da Constituio </p> <p>Federal de 1988. </p> <p>O direito higidez ambiental um direito humano fundamental e como tal, </p> <p> indispensvel qualidade de vida das presentes e futuras geraes, </p> <p>consubstanciando-se no princpio da dignidade da pessoa humana. </p> <p>(ABREU e SAMPAIO, 2007, p. 78) </p> <p>A preservao e sustentabilidade do uso racional dos recursos naturais </p> <p>devem ser encaradas de modo a assegurar um padro constante de melhoria </p> <p>da qualidade de vida dos seres humanos que, necessitam da utilizao </p> <p>desses recursos para garantir sua prpria vida (Antunes, 1998, p.19), </p> <p>inclusive para garantia da perpetuao da espcie no planeta, afinal, as </p> <p>geraes futuras sofrero as conseqncias das atitudes das geraes atuais. </p> <p>Neste sentido, Sirvinskas (2005, p.45) reitera que os recursos naturais </p> <p>devem ser racionalmente utilizados para a subsistncia do homem, em </p> <p>primeiro lugar, e das demais espcies, em segundo. sabido que os </p> <p>recursos ambientais so caracterizados por sua finitude, em especial por sua </p> <p>acelerada esgotabilidade pelo uso irracional e desmedido. Para evitar que </p> <p>os recursos se esgotem necessrio que o bicho homem utilize sua </p> <p>racionalidade principal caracterstica que o distingue dos demais animais </p> <p> para preservar os recursos naturais e usufru-los de modo adequado e sem </p> <p>desperdcios, garantindo, destarte, a vida com qualidade para as geraes </p> <p>vindouras. </p> <p>Destarte, conservar os bens ambientais torna-se imprescindvel para </p> <p>manuteno da qualidade de vida da espcie humana, vez que, a relao </p> <p>entre os recursos ambientais, sejam eles biticos ou abiticos, e a vida </p> <p>inexorvel, no havendo vida sadia sem recursos naturais hgidos. </p> <p>Da salubridade do meio ambiente decorre, portanto, a manuteno da vida </p> <p>humana digna e de qualidade, conseqentemente, incontestvel a </p> <p>relevncia da insero do direito ao meio ecologicamente equilibrado nos </p> <p>direitos fundamentais da pessoa humana. </p> <p>3 A EDUCAO AMBIENTAL NO BRASIL: A POLTICA </p> <p>NACIONAL DE EDUCAO AMBIENTAL </p> <p>www.derechoycambiosocial.com ISSN: 2224-4131 Depsito legal: 2005-5822 5 </p> <p>Vislumbrando-se o meio ambiente como um todo complexo e interligado, </p> <p>torna-se imprescindvel o princpio constitucional da Educao Ambiental, </p> <p>expresso no art. 225, 1, VI, da Constituio da Repblica Federativa do </p> <p>Brasil, para que haja conservao do ambiente. Expe a Constituio </p> <p>Federal: </p> <p>Art. 225 - Todos tm direito ao meio ambiente ecologicamente </p> <p>equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial sadia </p> <p>qualidade de vida, impondo-se ao Poder Pblico e coletividade </p> <p>o dever de defend-lo e preserv-lo para as presentes e futuras </p> <p>geraes. </p> <p>1- Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao </p> <p>Poder Pblico: </p> <p>[...] </p> <p> VI promover a educao ambiental em todos os nveis de </p> <p>ensino e a conscientizao pblica para a preservao do meio </p> <p>ambiente; </p> <p>A lei n 6938, de 31 de agosto de 1981, que introduziu no ordenamento </p> <p>jurdico ptrio a Poltica Nacional do Meio Ambiente, trouxe a lume, em </p> <p>seu art. 2, inciso X, a Educao Ambiental como um de seus princpios, in </p> <p>verbis, </p> <p>Art 2 - A Poltica Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo </p> <p>a preservao, melhoria e recuperao da qualidade ambiental </p> <p>propcia vida, visando assegurar, no Pas, condies ao </p> <p>desenvolvimento scio-econmico, aos interesses da segurana </p> <p>nacional e proteo da dignidade da vida humana, atendidos os </p> <p>seguintes princpios: </p> <p>[...] </p> <p>X - educao ambiental a todos os nveis de ensino, inclusive a </p> <p>educao da comunidade, objetivando capacit-la para </p> <p>participao ativa na defesa do meio ambiente. </p> <p>Em 1987, o Conselho Federal de Educao, no parecer 221/87, </p> <p>recomendou a insero da educao ambiental nos currculos escolares de </p> <p>ensino formal (ensino mdio e fundamental). At ento, a promoo da </p> <p>educao ambiental no era feita pelo Poder Pblico e sim por instituies </p> <p>no governamentais. </p> <p>Em fins da dcada de 90, mais precisamente no ano de 1999, o Poder </p> <p>Legislativo brasileiro editou a Lei n 9795, de 27 de abril, que dispe sobre </p> <p>a Educao Ambiental e institui a Poltica Nacional de Educao </p> <p>Ambiental. O referido diploma legal esclarece que a Educao Ambiental </p> <p>configura-se como processos por meio dos quais o indivduo e a </p> <p>coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, </p> <p>atitudes e competncias voltadas para a conservao do meio ambiente. </p> <p>www.derechoycambiosocial.com ISSN: 2224-4131 Depsito legal: 2005-5822 6 </p> <p>Outrossim, a lei n 9795/99 estabelece a responsabilidade de distintas </p> <p>instituies na proteo do meio ambiente e na promoo da educao </p> <p>ambiental. Sintetiza Abreu (2008, p.05): </p> <p>[...] responsabilidade do Poder Pblico no engajamento da </p> <p>sociedade na conservao, recuperao e melhoria do meio </p> <p>ambiente; das Instituies de Ensino em promover a educao </p> <p>ambiental de maneira integrada aos programas educacionais que </p> <p>desenvolvem; dos Meios de Comunicao em colaborar de </p> <p>maneira ativa e permanente na disseminao de informaes e </p> <p>prticas educativas sobre meio ambiente e incorporar a </p> <p>dimenso ambiental em sua programao; da Sociedade em </p> <p>geral em manter ateno permanente formao de valores, </p> <p>atitudes e habilidades que propiciem a atuao individual e </p> <p>coletiva voltada para a preveno, a identificao e a soluo de </p> <p>problemas ambientais. (grifo do autor) </p> <p>Um dos objetivos fundamentais da Educao Ambiental o incentivo </p> <p>participao individual e coletiva, permanente e responsvel, na </p> <p>preservao do equilbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da </p> <p>qualidade ambiental como um valor inseparvel do exerccio da cidadania. </p> <p>Tal objetivo alcanado quando diferentes setores e instituies priorizam </p> <p>a temtica ambiental. </p> <p>Assevera Rodrigues (2005, p.262) que apenas ser possvel a concepo da </p> <p>ideia de preservao dos componentes ambientais para as geraes futuras </p> <p>se o ser humano passar a ter uma conscincia pblica em relao ao </p> <p>ambiente e uma das formas de se adquirir essa conscientizao a </p> <p>educao ambiental. </p> <p>Legalmente, a educao ambiental definida pela Lei n 9795/99 em seu </p> <p>art. 1 como </p> <p>os processos por meio dos quais o indivduo e a coletividade </p> <p>constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes </p> <p>e competncias voltadas para a conservao do meio ambiente, </p> <p>bem de uso comum do povo, essencial sadia qualidade de vida </p> <p>e sua sustentabilidade. </p> <p>O texto legal aborda a temtica de forma bastante ampla, extraindo-se de </p> <p>sua interpretao que a conscincia para a proteo da meio natural poder </p> <p>ser construda com uma efetiva aplicao do principio da Educao </p> <p>Ambiental, com o escopo de estabelecer, de fato, o desenvolvimento </p> <p>sustentvel, forma de compatibilizao do desenvolvimento econmico-</p> <p>social com a preservao da qualidade do meio ambiente e do equilbrio </p> <p>ecolgico. (Silva, 2002, p.26) </p> <p>Os princpios bsicos da Educao Ambiental esto no bojo do art. 4 da </p> <p>Lei n 9795/99, </p> <p>www.derechoycambiosocial.com ISSN: 2224-4131 Depsito legal: 2005-5822 7 </p> <p>Art. 4- So princpios bsicos da educao ambiental: </p> <p>I - o enfoque humanista, hols...</p>