o diário de anne frank .nne frank escreveu um diário entre 12 de junho de 1942 e 1º de agosto

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  • Traduo deALVES CALADO

    47a edio

    2015

    Edio definitiva por Otto H. Frank e Mirjam Pressler

    R I O D E J A N E I R O S O PA U L OE D I T O R A R E C O R D

    Anne FrAnko dir io de

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  • Anne Frank nasceu em 12 de junho

    de 1929. Ela morreu aprisionada no

    campo de concentrao Bergen-Belsen,

    trs meses antes de completar 16 anos.

    Otto H. Frank foi o nico membro

    da famlia que sobreviveu ao

    Holocausto. Ele morreu em 1980.

    Mirjam Pressler premiada autora de

    livros infantojuvenis na Alemanha.

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    PREFCIO

    Anne Frank escreveu um dirio entre 12 de junho de 19 42 e 1 de agosto de 1944. A princpio, guardava-o para si mes ma. At que, certo dia de 1944, Gerrit Bolkestein, membro do governo

    holands no exlio, declarou em transmisso radiofnica que, depois

    da guerra, esperava recolher testemunhos oculares do sofrimento do

    povo holands sob ocupao alem e que estes pudessem ser postos

    disposio do pblico. Referiu-se especificamente a cartas e dirios.

    Impressionada com aquele discurso, Anne Frank decidiu que pu-

    blicaria um livro a partir de seu dirio, quando a guerra terminasse.

    Assim, comeou a reescrever e a organizar o dirio, melhorando o

    texto, omitindo passagens que no achava to interessantes e acrescen-

    tando outras de memria. Ao mesmo tempo, continuava a redigir seu

    dirio original. The Diary of Anne Frank: The Critical Edition (1989),

    o primeiro dirio de Anne, sem cortes, citado como verso a, para

    distingui-lo do segundo, com alteraes, conhecido como verso b.

    A ltima anotao no dirio de Anne data de 1 de agosto de

    1944. Trs dias depois, em 4 de agosto, as oito pessoas que se escon-

    diam no Anexo Secreto foram presas. Miep Gies e Bep Voskuijl, as

    duas secretrias que trabalhavam no prdio, encontraram as folhas

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    do dirio de Anne espalhadas pelo cho. Miep Gies guardou-as

    numa gaveta. Depois da guerra, quando no havia mais dvidas

    de que Anne estava morta, ela deu o dirio, sem l-lo, ao pai da

    menina, Otto Frank.

    Aps longa deliberao, Otto Frank decidiu realizar o desejo da

    filha de publicar o dirio. Ele selecionou material das verses a e b,

    organizando-os numa verso mais concisa, posteriormente citada

    como verso c. Leitores no mundo inteiro conhecem essa verso

    como O dirio de Anne Frank.

    Otto Frank levou em conta vrios aspectos ao tomar essa deci-

    so. Para comear, o livro tinha de ser curto, para adequar-se a uma

    coleo publicada pelo editor holands. Alm disso, omitiram-se

    vrias passagens que tratavam da sexualidade de Anne; na poca da

    primeira publicao do dirio, em 1947, no se costumava escrever

    abertamente sobre sexo, muito menos em livros para jovens. Em

    respeito aos mortos, Otto Frank tambm omitiu vrias passagens

    pouco elogiosas sobre sua mulher e os outros moradores do Anexo

    Secreto. Anne Frank, ento com 13 anos quando comeou o di-

    rio e 15 quando foi forada a parar, escreveu sem reservas sobre as

    coisas de que gostava ou no gostava.

    Quando morreu, em 1980, Otto Frank deixou os manuscritos

    da filha para o Instituto Estatal Holands para Documentao de

    Guerra, em Amsterd. Como se ques tio nava a autenticidade do di-

    rio desde sua primeira publicao, o Instituto para Documentao

    de Guerra mandou fazer uma profunda investigao. Assim que foi

    considerado autntico, sem qualquer sombra de dvida, publicou-

    -se o dirio na ntegra, juntamente com os resultados de um estudo

    exaustivo. The Critical Edition contm no somente as verses a, b, e

    c, mas tambm artigos sobre o passado da famlia Frank, as circuns-

    tncias relativas sua priso e deportao e o exame da caligrafia

    de Anne, do documento e dos materiais usados.

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    A ANNE FRANK-FONDS Basel (Fundao Anne Frank) na

    Basi leia, Sua, que como nica herdeira de Otto Frank tambm

    recebera os direitos autorais de sua filha, optou por uma edio nova

    e amplia da do dirio, para os leitores em geral. Esta nova edio no

    afeta absolutamente a integridade da antiga, editada por Otto Frank,

    que levou o dirio e sua mensagem a milhes de pessoas. A tarefa

    de compilar a edio ampliada ficou a cargo da escritora e tradutora

    Mirjam Pressler. A seleo original de Otto Frank foi ento acrescida

    de trechos das verses a e b de Anne. A edio integral de Mirjam

    Pressler, aprovada pela Fundao Anne Frank, contm cerca de trin-

    ta por cento a mais de material e tem a inteno de dar ao leitor uma

    ideia melhor do mundo de Anne Frank.

    Em 1998, veio luz a existncia de cinco pginas anterior mente

    desconhecidas do dirio. Com a permisso da Fundao Anne

    Frank, uma longa passagem datada de 8 de fevereiro de 1944 foi

    ento acrescentada ao fim da anotao j existente naquela data.

    Uma curta alternativa anotao de 20 de junho de 1942 no foi

    includa aqui porque uma verso mais detalhada desse mesmo dia j

    faz parte do di rio. Alm disso, em razo das descobertas de 1998,

    a anotao de 7 de novembro de 1942 passou para 30 de outubro

    de 1943. Para mais infor maes, o leitor pode recorrer quinta

    edio da The Critical Edition holandesa revisada (De Dagboeken

    van Anne Frank, Nederlands Instituut voor Oorlogsdocu mentatie,

    Amsterdam: Uitge verij Bert Bakker, 2001).

    Ao escrever a segunda verso (b), Anne criou pseudnimos para

    as pessoas que figurariam em seu livro. Inicialmente, quis chamar

    a si prpria de Anne Aulis e, mais tarde, de Anne Robin. Otto

    Frank optou por chamar os membros de sua famlia pelos prprios

    nomes e acatar a vontade de Anne com relao aos demais. Com o

    passar dos anos, a identidade das pessoas que ajudaram as famlias

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    do Anexo Secreto tornou-se amplamente conhecida. Na presente

    edio, as pessoas que ajudaram aparecem com os nomes verdadei-

    ros, como merecem. Todas as outras figuram com os pseudnimos

    usados em The Critical Edition. O Instituto para Documentao de

    Guerra designou ini ciais arbitrariamente para as pessoas que prefe-

    riram continuar annimas.

    Os nomes verdadeiros das outras pessoas que estavam escondi-

    das no Anexo Secreto so:

    A Famlia van Pels

    (De Osnabrck, Alemanha)

    Auguste van Pels (nascido em 9 de setembro de 1900)

    Hermann van Pels (nascido em 31 de maro de 1898)

    Peter van Pels (nascido em 8 de novembro de 1926)

    Chamados por Anne, em seu manuscrito, de: Petro nella,

    Hans e Alfred van Daan; e, no livro, de: Petro nella,

    Hermann e Peter van Daan.

    Fritz Pfeffer

    (nascido em 30 de abril de 1889, Giessen, Alemanha):

    Chamado por Anne, em seu manuscrito e no livro, de

    Albert Dussel.

    O leitor pode ter em mente que boa parte desta edio se baseia

    na verso b do dirio de Anne, que ela escreveu quando estava com

    cerca de 15 anos. s vezes, Anne voltava e comentava uma passagem

    que escrevera antes. Esses comentrios esto bem marcados nesta

    edio. Naturalmente, a grafia e os erros de linguagem de Anne fo-

    ram corrigidos. Afora isso, o texto foi preservado basicamente como

    ela escreveu, posto que qualquer tentativa de alter-lo e torn-lo

    mais claro seria inadequada em um documento histrico.

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    12 DE JUNHO DE 1942

    Espero poder contar tudo a voc, como nunca pude contar a nin-

    gum, e espero que voc seja uma grande fonte de conforto e ajuda.

    COMENTRIO ACRESCENTADO POR ANNE

    EM 28 DE SETEMBRO DE 1942

    At agora voc tem sido um grande apoio para mim, como tambm tem sido

    Kitty, para quem tenho escrito com regularidade. Esse modo de manter um

    dirio bem melhor, e agora mal posso esperar os momentos de escrever em voc.

    Ah, estou to feliz por ter voc comigo!

    DOMINGO, 14 DE JUNHO DE 1942

    Vou comear a partir do momento em que ganhei voc, quando o

    vi na mesa, no meio dos meus outros presentes de aniversrio. (Eu

    estava junto quando voc foi comprado, e com isso eu no contava.)

    Na sexta-feira, 12 de junho, acordei s seis horas, o que no de

    espantar; afinal, era meu aniversrio. Mas no me deixam levantar

    a essa hora; por isso, tive de controlar minha curiosidade at quinze

    para as sete. Quando no dava mais para esperar, fui at a sala de

    jantar, onde Moortje (a gata) me deu boas-vindas, esfregando-se

    em minhas pernas.

    Pouco depois das sete horas, fui ver papai e mame e, depois,

    fui sala abrir meus presentes, e voc foi o primeiro que vi, talvez

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    um dos meus melhores presentes. Depois, em cima da mesa, havia

    um buqu de rosas, algumas penias e um vaso de planta. De papai

    e mame ganhei uma blusa azul, um jogo, uma garrafa de suco de

    uva, que, na minha cabea, deve ter gosto parecido com o do vinho

    (afinal de contas, o vinho feito de uvas), um quebra-cabea, um

    pote de creme para o corpo, 2,50 florins e um vale para dois livr