o custo do trabalho temporÁrio de agÊ .o custo do trabalho temporÁrio de agÊncia justificaÇÃo

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  • Rua Quirino da Fonseca, 15 r/c-A, 1000-250 Lisboa Portugal Telef. 218 477 373 Fax: 218 477 777 www.apespe.pt - info@apespe.pt NIPC N. 501 934 642 REG. N. 4/88 DE 88.02.15 DO MTSS

    O CUSTO DO TRABALHO TEMPORRIO DE AGNCIA

    JUSTIFICAO DA DISCRIMINAO DOS COMPONENTES INTEGRANTES DO CMPUTO DO

    CUSTO DO TRABALHO TEMPORRIO DE AGNCIA SUA FUNDAMENTAO LEGAL

    1. INTRITO

    O exerccio do Trabalho Temporrio de Agncia apresenta inmeras especialidades

    inerentes sua natureza, que o caracterizam como modalidade contratual/relao jurdico-

    laboral de matriz triangular, onde, para alm do trabalhador temporrio, a posio

    contratual da entidade empregadora se apresenta desdobrada entre a empresa de trabalho

    temporrio de agncia (que contrata, remunera e exerce o poder disciplinar) e o utilizador

    (que recebe nas suas instalaes um trabalhador que no integra os seus quadros, mas em

    relao ao qual exerce, por delegao de competncias da Empresa de Trabalho Temporrio

    de Agncia, os poderes de autoridade e direo prprios da entidade empregadora).

    Neste sentido, e no que respeita regulamentao legal desta modalidade contratual,

    cumprir aferir quais as reais obrigaes contratuais adstritas s Empresas de Trabalho

    Temporrio de Agncia, no que respeita execuo contratual, porquanto de extrema

    utilidade que estas garantam o efeito til pretendido, em sede legislativa.

    Tendo a presente nota informativa o intuito de esclarecer as entidades cujo objeto social

    se subsume ao exerccio da atividade de trabalho temporrio de agncia, quanto aos

    aspetos de maior relevncia no que concerne ao teor das obrigaes referidas,

    designadamente as carcter remuneratrio, passamos a concretizar os dispositivos legais

    que as determinaram e o modo como tais obrigaes contratuais se devero efetivar.

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    Em sede da presente anlise, os diplomas legais a considerar para o efeito sero, prima

    facie, o DL n. 260/09, de 25.091 (doravante RJETTAPC), e ainda a L n 7/2009, de 12.02

    (Cdigo do Trabalho, doravante CT), bem como ainda demais legislao avulsa

    regulamentadora deste diploma.2

    2. RETRIBUIO

    No que respeita retribuio a garantir aos trabalhadores temporrios, dispe o n 5 do

    art. 185 do CT, que [] retribuio mnima de instrumento de regulamentao coletiva

    de trabalho aplicvel empresa de trabalho temporrio ou ao utilizador que corresponda s

    suas funes, ou praticada por este para trabalho igual ou de valor igual, consoante a que

    for mais favorvel [].

    Segundo refere o n 6 do mesmo artigo, [] O trabalhador tem direito, em proporo da

    durao do respetivo contrato, a frias, subsdios de frias e de Natal, bem como a outras

    prestaes regulares e peridicas a que os trabalhadores do utilizador tenham direito por

    trabalho igual ou de valor igual [].

    Tomando como base de referncia o valor da unidade 100,00, os custos relativos a uma

    Empresa de Trabalho Temporrio de Agncia, no que concerne aos montantes a afetar, em

    sede de pagamento de frias, subsdio de frias e subsdio de Natal, aos trabalhadores

    temporrios calculado do seguinte modo:

    1 Regula o exerccio e licenciamento da atividade das empresas de trabalho temporrio, bem como das

    agncias privadas de colocao de candidatos a emprego 2 De destacar, exemplificadamente:

    Proteo social na parentalidade (DL n 91/2009, de 09 de Abril);

    Acidentes de Trabalho e Doenas Profissionais (Lei n 98/2009, de 3 de Setembro);

    Regime jurdico da Segurana e Sade no Trabalho (Lei n 102/2009, de 10 de Setembro);

    Regulamentao de alguns aspetos do CT (Lei n 105/2009, de 14 de Setembro);

    Regime processual das Contraordenaes Laborais e de Segurana Social (Lei n 107/2009, de 14 de Setembro)

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    - Para efeitos de aferio da retribuio mensal horria, deve aplicar-se a frmula

    constante do art. 271 do CT.

    (Rm12):(52n)

    em que Rm o valor da retribuio mensal e n o perodo normal de trabalho

    semanal.

    No modelo em anlise, e tendo por base o valor/remunerao 100,00, este, multiplicado

    pelo fator 12, permite calcular a remunerao anual (1200); dividindo-se por 2080 (52 x 40)

    = 0,57 /hora x 8 = 4,61/dia x 2 = 9,23

    Este valor final (9,23) determinar o valor a atribuir ao trabalhador temporrio, a ttulo de

    retribuio do perodo de frias, uma vez que se aplica subsidiariamente o regime jurdico

    referente aos contratos a termo. Ora, nestes termos, e porque com o CT desapareceu a

    diferena de regimes de frias para contratos de trabalho a termo ou sem termo, da

    conjugao do disposto nos arts. 239 n 1 e n 4 e 245 ns 1 e 3, todos do referido diploma

    legal, parece resultar claramente que a proporcionalidade referida no n 6 do art. 185 do

    CT, a que cumpre atentar, concretizar-se-, atentas as disposies conjugadas acima

    referidas, num perodo de 2 dias teis de frias por cada ms completo de durao do

    contrato, no sendo para este efeito contabilizados, naturalmente, os perodos de

    suspenso do contrato de trabalho, nos termos da Lei, e tomando para tal em linha de conta

    todos os dias, seguidos ou interpolados, em que foi efetivamente prestado trabalho.

    Apesar de haver desaparecido a regra3 que estipulava expressamente que nos contratos a

    termo que no atingissem a durao, inicial ou renovada, de um ano, os trabalhadores

    teriam direito a perodo de frias equivalente a 2 dias teis por cada ms completo de

    servio, a verdade que o novo regime jurdico regulamentador das frias acaba por, de

    igual modo, se bem que por via diversa e excecional em relao regra geral do regime das

    frias, estabelecer uma necessria proporcionalidade leia-se, naturalmente, os 2 dias por

    3 Constante do no n 2 do art. 21 do DL 358/89 de 17-10

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    cada ms de durao do contrato entre o perodo de frias e os contratos (sejam eles

    agora a termo ou sem termo) cuja durao no seja superior a de 12 meses, ou em caso de

    cessao de contrato no ano civil subsequente ao da admisso.4

    Dado que o limite de um ano, ou a situao de cessao de contrato no ano civil

    subsequente ao da admisso constitui, por via de regra a meta temporal do recurso ao

    trabalho temporrio, continuamos a perfilhar o entendimento de que esta ser a frmula

    qual se deve recorrer. 5

    Quanto ao subsdio de frias, este ser de igual montante, nos termos do n 2 do art. 264

    do CT; da a referncia do valor 9,23%, tendo como valor-padro o mesmo valor.

    No que respeita ao subsdio de Natal, e de acordo com o n 2 do art. 263 do CT, o valor a

    afetar proporcional ao tempo de servio prestado, nos anos de admisso e de cessao do

    contrato, ou em caso de suspenso do contrato de trabalho por facto respeitante ao

    trabalhador, e igual a um ms de retribuio. A 12 meses, contabilizado a 8,33 %

    (100,00:12) = 8,33%

    3. SEGURANA SOCIAL

    No que respeita s contribuies relativas Segurana Social, e em consonncia com o

    disposto n 1 do art. 13 do RJETTAPC, []Os trabalhadores temporrios so abrangidos

    4 Cfr. n 3 do art. 245 do CT 5 Poder-se-ia aqui levantar a questo de saber se, aps o decurso de 1 ano, sero aplicveis ao trabalho

    temporrio as regras constantes dos n 1 do art. 237 e n 1 do art. 238, ambos do CT, ou, ao invs, no colidiro estas com o princpio da proporcionalidade que consta do n 6 do art. 185 do mesmo diploma. A questo radica, no fundo, em saber se haver aqui lugar a uma aplicao subsidiria do regime legal do contrato de trabalho a termo, ou, outrossim, considerao de que a matria se encontra j para o caso particular do trabalho temporrio, considerando-se, pois, que o trabalhador temporrio ter sempre direito a um perodo de frias na proporo do tempo de durao do contrato, isto independentemente do facto de o contrato vigorar para alm do perodo de 1 ano, ou ainda que a cessao do contrato no ocorra no ano civil subsequente ao da admisso.

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    pelo regime geral da segurana social dos trabalhadores por conta de outrem, competindo

    empresa de trabalho temporrio o cumprimento das respetivas obrigaes legais [].6

    No que respeita s taxas contributivas, e segundo dispe o art. 53 do Cdigo Contributivo,

    a taxa contributiva global do regime geral de 34,75%, subdividindo-se em 2 parcelas

    23,75% cabe entidade empregadora e 11% corresponde quotizao do trabalhador

    beneficirio.

    Nesta esteira de raciocnio, cumprir s Empresas de Trabalho Temporrio a afetao de

    23,75%, para cumprimento das suas obrigaes contributivas, em sede de Segurana Social.

    Atente-se que a referida percentagem dever incidir sobre a totalidade do montante

    remuneratrio, que, no exemplo em anlise, seria constitudo pela unidade de referncia

    100, acrescida dos proporcionais de frias, subsdio de frias e subsdio de natal, tudo num

    total de 126,79, como se pode aferir no quadro anexo7.

    4. SEGURO DE ACIDENTES DE TRABALHO

    Quanto ao Seguro de Acidentes de Trabalho, e no que respeita s obrigaes inerentes s

    Empresas, e bem assim s Empresas de Trabalho Temporrio, este obrigatrio nos termos

    do n 3 do art. 13 do RJETTAPC, bem como nos termos da Lei n 98/2009, de 04.98,

    designadamente no n 1 do art. 79, onde se refere que o empregador obrigado a

    transferir a responsabilidade pela reparao prevista na presente lei para entidades

    legalmente autorizadas a realizar este seguro (instituies seg