o cotidiano nos campos de vacaria (mato grosso- sculo xix).

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    O COTIDIANO NOS CAMPOS DE VACARIA (MATO GROSSO-

    SCULO XIX). Maria Teresa Garritano Dourado

    No espao correspondente ao atual estado de Mato Grosso do Sul na primeira metade

    do sculo XIX havia escassa concentrao populacional, mas a partir da dcada de 1830 essa

    regio foi palco de um processo de expanso interna, com expropriao de terras indgenas e

    disputa de pioneiros por glebas imensas sem limites definidos. possvel identificar a

    existncia de moradores nos arredores de fazendas e povoados como Miranda e Nioaque,

    prximos da regio conhecida como Campos da Vacaria ou Campos de Er (no vocabulrio

    de lngua kaigang significa "campo ou campina, tambm uma rea de savana, paisagem aberta

    com relevo bem suave) e com as quais mantinham estreita relao. Inicialmente

    destacamentos de carter militar, tinham a funo de garantir a posse da regio fronteiria,

    cobiada pelos castelhanos, assegurar a livre navegao dos rios com freqentes assaltos dos

    primitivos habitantes e tambm incentivar o surgimento de ncleos de povoaes na regio.

    O processo de povoamento do interior do sul de Mato Grosso (uno) por paulistas

    oriundos de Franca e mineiros do Triangulo Mineiro, entre outras correntes, foi iniciado

    atravs de uma onda migratria que efetivamente penetraram e se fixaram nos sertes em

    busca de terras. Essa regio era no sculo XIX um ponto referencial de passagem entre as

    provncias de So Paulo, Mato Grosso e Minas Gerais, razo pela qual se tornou conhecida e

    tambm objeto de interesse dos colonizadores expansionistas. Seguindo as rotas descritas

    pelos primeiros desbravadores e as trilhas dos ndios, esperavam conquistar terras novas com

    pastagens ricas e verdejantes, amplas e vastas, formando fazendas de gado. Segundo Nelson

    Werneck Sodr o regime pastoril, naquele momento foi o grande fator de civilizao, de

    desbravamento, de expanso geogrfica e de posse efetiva dessas terras (SODR, 2009:59). A

    marcha para o oeste se apresentava como uma luta a ser vencida a cada dia por aqueles que

    assumiram conquistar novas reas enfrentando as agruras do serto inspito e distante, com

    fronteira internacional em litgio e indefinio de limites territoriais. Eram homens e mulheres

    com conhecimento de tcnicas de sobrevivncia em terra hostil e dotados de bravura

    Dr Maria Teresa Garritano Dourado. Bolsista DCR/FUNDECT/SEPROTUR/CNPQ/UFGD (Universidade

    Federal da Grande Dourado/MS).

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    suficientes para enfrentar uma situao pioneira e perigos sem fim: tocando rebanhos,

    trazendo famlias, agregados e escravos, instrumentos de trabalhos e objetos que possuam em

    suas regies de origem que poderiam ser teis e vitais para a sobrevivncia, caravanas de

    pioneiros luso-brasileira atravessaram rios, penetrando no serto pouco conhecido e

    enfrentando perigos inseparveis do dia a dia. A luta constante contra o elemento indgena, as

    privaes, as incurses dos vizinhos paraguaios, animais bravios e a grande distncia das

    regies povoadas foram fundamentais para que se desenvolvesse uma economia agrria e

    pastoril voltada para a subsistncia e expanso interna, pois obstculos quase intransponveis

    dificultavam naquele incio de povoamento a economia voltada para exportao.

    O estudo desses primeiros habitantes civilizados fundamental para a compreenso do

    processo histrico de formao da sociedade do sul de Mato Grosso, bem como de vrios

    aspectos da histria do Brasil. tambm o estudo de como a ao de homens e mulheres em

    busca de solues para seus problemas de sobrevivncia forjaram a histria dos Campos da

    Vacaria, regio recortada na pesquisa e em linhas gerais rea formada pelas bacias dos rios

    Brilhante e Vacaria e zona que no sculo XIX compreendia, tambm, toda a regio do

    planalto fronteirio com limites imprecisos. Durante muitos anos foi palco de divergncias

    com acirrados debates e conflitos entre Brasil e Paraguai que resultaram em srios

    desentendimentos internacionais.

    As fontes principais utilizadas so os relatos encontrados no Memorial do Tribunal de

    Justia em Campo Grande (MS), que revelam material privilegiado na tarefa de fazer vir a

    tona uma parte importante do cotidiano dos afazendados. Os inventrios post-mortem so

    testemunhos da cultura material, dos costumes, crenas e valores da sociedade. Dispem,

    entre outros elementos, dados sobre o estrato social, produtos vendidos no comrcio das vilas,

    hbitos e costumes, mezinhices (remdio ou prticas de curandeiros), justia e defesa,

    alimentos, transporte, vesturio, festas, religio, o nome das fazendas, relao de valor e

    quantidade do gado, instrumentos de trabalho e produo, ocupao paraguaia de 1865, etc.

    Trata-se de um universo pouco conhecido, emergido dos fragmentos extrados da

    documentao examinada, que muitas vezes esto deterioradas e ilegveis. A produo de

    escritos esto organizadas em dezenas de caixas, que contm Documentos Histricos, como

    processos de Inventrios e Partilhas (civis e criminais) relacionados principalmente no que diz

    respeito as Comarcas de Nioaque e Miranda, entre os anos de 1873 a 1899, e concentrados em

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    famlias pioneiras da regio recortada. preciso ressaltar que documentos cartorrios e

    particulares foram destrudos em 1865 durante a ocupao paraguaia, que arrasaram as vilas

    de Miranda e Nioaque, ficando uma grave lacuna na histria de Mato Grosso do Sul. Outro

    problema a ser enfrentado durante a pesquisa foi a identificao dos membros das famlias, j

    que com os inmeros casamentos os sobrenomes foram se diversificando sendo preciso

    recorrer a um estudo aprofundado da genealogia. Os documentos em foco esto em 19 caixas

    e 317 pastas e a referncia a eles se dar conforme a numerao da Coordenadoria do

    Memorial do Arquivo do Tribunal de Justia de Mato Grosso do Sul. Material denso, a

    maioria contendo mais de cem pginas, requer uma leitura paciente e uma anlise criteriosa,

    sendo considerado um fascinante convite a pesquisa histrica. Alguns deles informam, entre

    outros, os conflitos que se estenderam desde a instalao dos primeiros ncleos povoadores

    at que o elemento indgena fosse catequizado e parcialmente exterminado. Contudo, a

    atuao deles tentando esboar alguma reao restringiram-se a ataques espordicos as

    famlias brancas o que no impediu, limitou ou retardou o acesso a certas reas. Todavia,

    apesar das enormes dificuldades, as famlias freqentemente se entrelaavam com outros

    troncos e lentamente foram ocupando e se espalhando, apesar da imensido territorial dessa

    regio. Outra fonte valiosa e importante a descrio e avaliao dos bens de Antonio

    Gonalves Barbosa, representante do cl dos Barbosa e um dos pioneiros na ocupao do

    territrio.

    A poca da chegada de desbravadores no espao geogrfico pesquisado, habitavam

    diversos povos nativos de naes diferentes, e estiveram presentes em muitas situaes, ora

    como inimigos, atacando, matando as famlias brancas invasoras de seus domnios,

    queimando, destruindo casas e plantaes, havendo casos, inclusive, de seqestros de

    crianas. Uma dessas tribos, os caiaps, dominaram nos sculos XVII e XVIII toda a rea

    correspondente ao atual estado de Mato Grosso do Sul. Mas, no incio do sculo XIX os

    remanescentes da tribo, ainda causavam destruio, apesar da maioria deles estavam aldeados,

    dispersos ou aculturados. A histria da instalao das primeiras fazendas, fortes, presdios,

    vilas, etc., no planalto sul de Mato Grosso, tambm a histria da luta e resistncia indgena

    pela manuteno de seus sistemas de vida e sua sobrevivncia. Apesar de conviverem de

    modo conflituoso a conquista de grupos indgenas foi fundamental devido ao

    desconhecimento quase total do meio ambiente que asseguraria a sobrevivncia nos primeiros

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    tempos da chegada dos pioneiros. De fato, a maioria das fontes analisadas indicam que, como

    muitas vezes os caminhos eram desconhecidos, os entrantes se utilizavam com freqncia do

    conhecimento indgena que serviam como guias, transmitindo tambm prticas de cura, como

    amenizar a sede, a fome, o cansao, atuando em sua defesa contra grupos de ndios mais

    belicosos e executando pequenas tarefas aos pioneiros que ali se instalavam.

    No sculo XX inmeros escritos foram produzidos por membros de famlias de

    entrantes oitocentistas, com destaque para os descendentes dos Barbosa e dos Garcia Leal, em

    cujos relatos imprimiam lembranas, reminiscncias, genealogias e biografias. Um dos

    memorialistas aqui analisados, Emilio Garcia Barbosa relata algumas passagens, entre outras,

    que ilustram bem a relao brancos versus indgenas (BARBOSA, 1961:15).

    Os ndios os tocaiavam, no podiam se distanciar, viviam em alerta, mas

    sobreviveram at a chegada de outra caravana, a dos irmos, em 1842. ..criando

    com dificuldades um gadinho, donde tirava o boi de sela e o leite ou a carne e

    sujeito sociedade que os silvcolas impunham. Com a chegada dos irmos que

    trouxeram cavalos, foi possvel a expanso, e tomada de posse definitiva de toda a

    regio e tornaram-se senhores, arredando o ndio, ou com ele se cruzando e

    domesticando-o.

    O memorialista acima citado relata tambm o massacre da famlia de Joo Gonalves

    Brunzuik Barbosa, da fazenda Monjolinho, pelos caduvos que cercaram a casa, atacaram e

    mataram seus moradores, poupando apenas uma criana de trs anos, o Miguel, que se tornou

    uma espcie de talism na tribo para onde foi levado prisioneiro, devido talvez a seus olhos

    azuis e cabelos loiros. Foi encontrado j com 9 anos, em Nioaque, por uma prima, Balduina

    Barbosa, que o reconheceu pelos traos e cor, o resgatou e o criou (BARBOSA, 1961:17).

    Um dos problemas mais srios enfrentados pelos entrantes durante a viagem foi o

    abastecimento de alimentos e gua, pois, a expedio partia com provises suficientes apenas

    para chegar a prxima vila ou ponto de parada e encontro j que no tinham condies de

    levar todo o necessrio para o trajeto que muitas vezes duravam meses e anos. Em sua grande

    maioria os alimentos eram perecveis, sendo o grosso das provises era obtidas durante a

    jornada e constitua-se basicamente de caa, pesca, coleta de frutos e mel. O Rio Tiet,

    conhecido como estrada mvel era o mais utilizado pela penetrao bandeirante nos sculos

    anteriores, o mais conhecido e nico acessvel para os que quisessem penetrar nos sertes.

    Seguiam por ele at encontrar o caudaloso Rio Paran, continuavam at atingir o Porto de

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    Guara e seguiam at alcanar os Rios Igaray (conhecido hoje como Ivinhema), Brilhante e

    Vacaria. O itinerrio percorrido, to longo e penoso, por caminhos de terras e de rios,

    prevalecia a marcha a p, seguindo muitas vezes as trilhas que j eram utilizadas pelos ndios,

    carroes puxados por bois e carregados de mantimentos, gado de criar, animais domsticos,

    eqinos, canoas e bateles (embarcao indgena feita com um nico tronco).

    As providncias imediatas ao se fixarem era escolher uma rea que servisse para a

    instalao da casa de morada, na maioria das vezes com materiais disponveis na prpria

    regio, eram simples ranchos de taipa cobertos de palha que serviam de abrigo at que as

    madeiras fossem derrubadas, serradas e depois virassem esteios e paredes de uma casa,

    localizada sempre perto de regatos de gua, fundamental para hortas, pomares, lavouras de

    subsistncias, para os bebedouros dos currais e para assentar o moinho e o monjolo (engenho

    tosco, movido a gua, usado para pilar milho e, primitivamente para descascar caf).

    Cultivavam produtos como abbora, cana para a produo de aguardente e rapadura, feijo,

    mandioca (para fazer farinha), milho, e tambm criavam galinhas e porcos. Estes produtos

    eram usados para consumo prprio nas unidades produtivas e para venda aos viajantes.

    O estudo intensivo do material documental atravs de leituras meticulosas dos

    processos permite ao historiador descobrir pequenas indicaes e detalhes que contribuem

    para lanar luz sobre o modo de vida dos primeiros tempos. No que se refere ao universo

    material dos proprietrios pastoris do sul do antigo Mato Grosso, percebe-se a miserabilidade

    das moradias, com situaes de penria e obrigados a uma vida de dureza e rusticidade

    enfrentando srias dificuldades, na segunda metade do sculo XIX. Embora se referindo a

    regio de Santana do Parnaba, Nelson Werneck Sodr fez consideraes apreciveis

    ponderando que depois de assenhorearem-se de terras santanenses, os novos ocupantes

    buscavam providncias de cultivo e construo de moradas. Mas, eram homens que, apesar de

    serem identificados como "donos de latifndios extensos, viviam num padro de existncia

    pauprrimo, ligado indefectivelmente ao regime pastoril (SODR, 2009:87). Para sustentar

    suas afirmaes, Sodr cita o exemplo de Incio Gonalves Barbosa que, ao se deslocar de

    Franca, em So Paulo, para as terras do sul de Mato Grosso, a convite de seu irmo Antonio,

    trouxe consigo vrias posses e, ao chegar no referido espao adquiriu do prprio irmo a

    posse dos campos rurais da fazenda Passatempo, onde se estabeleceu por muitos anos, at

    deslocar-se para a do Urumbeva, pela mdica quantia de cem mil ris mais um cavalo

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    arriado. Nessa mesma esteira Nelson Werneck Sodr pondera serem os objetos e utenslios,

    mais caros que casa e terra. Tudo que se movia, valia mais que a terra pois esta era fcil obt-

    la (SODR, 2009:91). Em muitos inventrios analisados as afirmaes de Sodr so

    confirmadas, como, por exemplo, na relao de bens do inventrio de Jos Francisco Lopes

    movido por sua esposa Senhorinha Maria da Conceio Barbosa (presa duas vezes pelos

    paraguaios), percebemos a extrema pobreza em que viviam "um carro velho...um cavalo

    pintado velho" (MTJ/MS 156/04). Alm da pobreza, h outros aspectos tratados por Sodr,

    que merece alguns esclarecimentos, que o nomadismo. Segundo ele os afazendados tinham

    essa caracterstica, como mostra a citao acima, mas permitido concluir atravs da leitura

    dos inventrios que o nomadismo no era generalizado, o interesse maior era a criao de

    gado e plantaes, o que dificultava crer que essas pessoas no poderiam passar muito tempo

    longe de seus pomares e roas.

    O historiador Giovanni Levi, contribui de modo original para outras formas de fazer

    histria e atravs de seus ensinamentos percebemos as estratgias para tecer a micro histria

    (LEVI, 2000: 89-90). Continuando Levi coloca que importante ressaltar que focar o estudo

    numa determinada regio no significa que seus resultados sejam restritos a rea pesquisada.

    Esta uma das vantagens da micro histria (LEVI, 2000: 141).

    Os fenmenos previamente considerados como bastante descritos e compreendidos

    assumem significados completamente novos quando se altera escala de observao.

    ento possvel utilizar esses resultados para extrair uma generalizao mais

    ampla, embora as observaes iniciais tenham sido feitas, dentro de dimenses

    relativamente estreitas e mais como experimentos que como exemplos.

    A localidade deve ser enfocada, mas as articulaes com espacialidades histricas em

    escala nacional ou at internacional no podem ser esquecidas. Uma das vantagens da histria

    local segundo Goubert, permitir contestar algumas idias gerais que, na falta de investigao

    mais precisas foram se perpetuando (GOUBERT, 1992:49).

    A ausncia de artigos de luxo nos inventrios demonstram uma vida simples, sem

    conforto, grande parte dos documentos no traziam arrolados objetos preciosos, poucos como

    o de Eullia de Arruda Pinto, inventariada por seu esposo Bento de Arruda Pinto, do ano de

    1878, descrevia jias como relicrio, anis, alfinetes, cruz, etc. (MATJ/MS). Tambm na

    relao de bens deixados por Emiliano Gil, tenente do exrcito, falecido em Miranda no ano

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    de1898, constavam dois bas com um nmero significativo de roupas, algumas de luxo e que

    demonstravam um certo refinamento e cultura "chambre, bomba pra mate de prata, 13 livros

    diversos..." entre outros, (MATJ/MS). Observa-se tambm que na ausncia de prdios

    pblicos, grande parte dos processos se davam nas casas das autoridades, como no caso de

    alguns juzes que eram os prprios membros da elite local. No inventrio de Jose Francisco

    Lopes, na vila de Corumb, provncia de Mato Grosso, no ano de 1872, "...na casa de

    residncia do Meritssimo Juiz de Orphos e Ausentes Baro de Villa Maria..." (MATJ/MS).

    Apesar das dificuldades enfrentadas nos primeiros tempos uma parcela significativa das

    famlias possuam escravos (muitos trazidos das vilas de origens), agregados como camaradas

    e trabalhadores livres. Mas dos estratos menos favorecidos da populao restaram poucas

    informaes, muitos aparecem apenas com um apelido, no sendo possvel penetrar no mundo

    dos sem nome e annimos, apesar de sabermos que eles participaram no processo de

    formao do Estado Brasileiro em Mato Grosso. Nesse sentido, torna-se obrigatria a consulta

    da obra do Sertanejo, apelido de Joaquim Francisco Lopez, que fazia parte de um reduzido

    grupo de homens itinerantes que vagaram pelas terras do planalto sul de Mato Grosso,

    abrindo e fundando posses para si, para os seus e a servio de outros, rasgando estradas

    carreteiras pelos cerrados e campos e inaugurando vrias rotas terrestre e de navegao. Sua

    obra conhecida como Derrotas foi registrada em relatrios, uma espcie de dirio de viagem

    com riquezas de detalhes, duma linguagem carregada de conotaes regionalistas com muitas

    expresses de origem indgena, negra e espanhola. Mas essas anotaes so relevantes para a

    pesquisa, pois atravs das referncias das pessoas que compunham esse universo agrrio foi

    possvel garimpar e mapear fontes para montar a estrutura econmica e social sendo possvel

    perceber uma forte inter-relao entre eles. Por exemplo, as primeiras informaes sobre

    roas plantadas na regio datam de 1831 ano em que, segundo consta, os Lopes, Garcias e

    Barbosas: "No ano de 31, eu, meu mano Gabriel e meu escravo Loureno...Fiz roas s

    margens do rio Paran, retirado trs quartos de lguas e plantamos..." (LOPES, 1943).

    Analisando essa citao possvel afirmar que plantar roas de apoio s entradas era condio

    fundamental para a ocupao do interior do oeste brasileiro e onde no h referncias ao

    sistema agrrio ali em uso. Nos relatos de Joaquim Francisco Lopes do ano de 1848, h

    inmeras referncias sobre o confronto e mortes pelos ndios (LOPES, 1943):

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    No dia 20 subimos pelo Vacaria, e estando a almoar, percebemos esquerda uns

    corvos que esvoaavam. Curioso de ver o que era, para ali me dirigi, e um

    espetculo de tremenda angstia se me antolhou; os cadveres de meus

    companheiros Francisco Gonalves Barbosa, Paulo Rodrigues Soares e Jos Maria

    de Miranda a estavam mutilados e j em estado de putrefao. ...tudo o mais tinha

    sido roubado pelos trs ndios autores desse cruel assassinato.

    Escrever sobre o cotidiano das pessoas que percorreram os sertes de Mato Grosso, por

    longos dias e se fixaram na regio do vale dos Rios Vacaria e Ivinhema permite compreender

    a relao entre indivduo e sociedade e entre pessoas de diferentes classes sociais; o que, alis,

    se constituiu em uma das questes centrais deste estudo, pois, como mostra Michel de Certeau

    em sua obra A inveno do cotidiano: artes de fazer, no interior do cotidiano e da vida

    privada que inventa-se o cotidiano graas s artes de fazer. Ou seja, no momento em que o

    indivduo se apropria do espao, criando e invertendo objetos e cdigos, adaptando-os ao seu

    jeito, e fazendo uso deles sua maneira, que ele cria um lugar prprio, um cotidiano

    especfico (CERTEAU,1994:10). Conforme Maria Odila Leite da Silva Dias, em

    Hermenutica do quotidiano na historiografia contempornea, o conceito do cotidiano

    implica contradio com a idia, que para muitos, significa uma idia de rotina, de lazer, de

    fatos encadeados num plano de continuidade, campo de necessidade e repetio. Para a autora

    o conceito sugere, antes, mudana, rupturas, dissoluo de culturas, possibilidades de novos

    modos de ser (DIAS, 1998:58).

    A partir da anlise de aspectos da vida familiar, no s da famlia nuclear (marido,

    mulher e filhos), mas tambm da famlia extensa envolvendo sogros, cunhadas, irms, primos

    e amigos possvel entender e resgatar as prticas sociais de uma regio, tais como relaes

    de um emaranhado de pessoas, casamentos entre parentes, mortes, nascimentos, doenas,

    festas, religio, amizade, atividades polticas, militares e econmicas (lavradores livres e

    pobres, camaradas e escravos). A vida econmica dos Campos de Vacaria nos primeiros

    tempos, com um sistema de comunicaes extremamente precrio, onde havia poucos braos

    para produzir, impossibilitando uma agricultura intensiva e no existindo, por conseguinte,

    matria exportvel, se reduzia na produo para a subsistncia e pecuria bovina. Ela foi a

    atividade econmica propulsora da ocupao do planalto e em pouco tempo foi capaz de

    proporcionar transformaes por todo o sul da provncia e foi fruto da expanso da pecuria

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    mineira e paulista pelo interior do Brasil. A maioria das propriedades rurais, dispunham

    segundo se l nos inventrios, terras bastante extensas, mas no se conhecia a grande lavoura.

    Preferencialmente enfocados pela historiografia, e que deixaram registros ao se

    fixarem, dando origem a futuros povoados e, mais tarde, a sedes municipais, esto alguns

    grupos familiares que formaram os primeiros grandes cls atravs de laos de parentesco,

    compadrio e troca de favores, como os Barbosa, Souza, Garcia Leal, Lopez e Pereira, entre

    muitos outros. Muitos permanecem na tradio oral e na documentao escassa, mas

    possvel dar voz a dois grupos que sero melhores analisados: o primeiro deles, o dos

    Gonalves Barbosa, encontrados em cima e debaixo da serra representados pelos irmos

    Antonio e Igncio, procedentes de Franca, estado de So Paulo, embora oriundos de Sabar,

    Minas Gerais. Os Barbosa de cima da serra eram os que se haviam afazendados nas terras

    altas do Amamba, regio de chapades e recortada por algumas serras, os Barbosa de baixo

    da serra eram os que haviam atravessado a linha de alturas da serra do Amambai e se tinham

    fixado na regio baixa dos tributrios do Paraguai. Antonio o Inspetor do Distrito da Vacaria

    em 1850, junto com toda a famlia, escravos, criaes e bens mveis, chegou a regio do rio

    Pardo em1835, dando o nome de Sucuri a sua primeira posse. Dali seguiu, a convite de seu

    genro Gabriel Francisco Lopez, e se estabeleceu nos Campos da Vacaria, onde fundou a partir

    de 1836, as posses Boa Vista, Santa Rita e Caada Grande. Com a chegada dos outros irmos

    e suas famlias, em 1842, se intensifica o processo de desbravamento da zona da Vacaria e de

    vrios pontos da Serra de Maracaj e Planalto de Amamba. Com prole numerosa, os

    Barbosas povoaram o sul de toda provncia, unindo-se com outros pioneiros, como os Lopes,

    atravs do casamento de Gabriel Francisco Lopes e Senhorinha Maria da Conceio Barbosa,

    entre outros. Ao consultar o inventrio de Antonio Gonalves Barbosa, verifica-se o

    desenvolvimento da agricultura de subsistncia e tudo indica que a medida que as famlias

    iam se demorando numa dada regio a tendncia era aumentar suas plantaes (BARBOSA,

    1854):

    Um sitio no logar denominado fazenda da Boa Vista com casa de morada coberta de capim, curral, engenho em bom estado, casa de alambique, monjolo com rego d'agua, quintal grande com plantaes, setenta e seis ps de laranjeiras, vinte de

    limeiras, oitenta de caf, cincoenta de jaboticaba e um canavial de meia quarta de

    planta.

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    Na relao dos bens de raiz e dos bens mveis ali arrolados pode-se apontar: os

    instrumentos de trabalho em uso da poca na lavoura eram foice, machado, enxada, cavadeira,

    etc. Parte dos produtos cultivados, caf, cana, laranja, jabuticaba, etc. os meios de transporte

    carros e carretes de boi, paiol de armazenamento, engenho, alambique, monjolos e moinhos.

    As culturas eram plantadas em reas distintas e como componentes da fora de trabalho foram

    arroladas sete escravos adultos e oito crianas que indicavam a presena de famlias

    constitudas. Pelos inventrios, observamos que em Mato Grosso de meados do sculo XIX

    ainda era pouco comum os registros de extenses territoriais, no entanto, a maioria dos

    inventrios post-mortem envolvendo os Campos de Vacaria possui a quantificao do gado.

    Entre os bens arrolados, o gado vacum e cavalar predomina em quase todos os inventrios.

    Os aportes tericos de Giovanni Levi (2000) na obra Herana Imaterial, apontado por

    Manoela Pedroza que recupera conceitos importantes como redes de parentela, onde as

    estratgias familiares como solidariedade e cooperao eram frequentes e fundamentais para a

    sobrevivncia de um determinado grupo, criando vnculos entre as famlias atravs de tutoria,

    batismo, casamento, trocas comerciais, entre outros (PEDROZA, 2011:65). Exemplo disso

    pode ser encontrado num processo de inventrio e partilha que contm 61 pginas, no

    Arquivo do Tribunal de Justia onde Barnab Gonalves Barbosa Marques, fazendeiro e

    morador na regio da Vacaria, 2 Distrito do Municpio de Miranda, na provncia de Mato

    Grosso recorre a justia alegando que, seu irmo, Jos Gonalves Barbosa Marques, faleceu

    em 24 de maio de 1886, na sua residncia, na Fazenda do Passa-tempo e que sua mulher

    Magdalena Candida de Oliveira Marques, tambm faleceu, um ano mais ou menos depois,

    deixando bens e prole numerosa. Diz, Barnab, que ficando de posse dos bens do casal se

    apresentou como inventariante ao Juiz Municipal de Orphos, em 13 de junho de 1887,

    querendo que se proceda o inventrio para dar em partilha a cada um dos rfos: Osrio (12

    anos, filho de Magdalena), Olvio (8 anos), Eullia (6 anos), Honobre (4 anos), Collecta (2

    anos), Olimpio (1 ano e meio). Como curador foi nomeado Joaquim Jos Barbosa e como

    tutor outro parente do falecido Marcos Gonalves Barbosa Marques. Tudo leva a crer que,

    rapidamente concludo em 01 de dezembro de 1887 indicando que devido a presena de 6

    menores foi necessrio agilizar o processo (MATJ/MS).

    O segundo grupo analisado, os Lopes, procedia, segundo Mario Monteiro de Almeida,

    de Piunhi, em Minas Gerais. Por volta de 1820, o chefe do cl, Antonio Francisco Lopes,

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    transferiu-se para a vila paulista de Franca, onde alguns de seus filhos, constituram suas

    prprias famlias. As informaes sobre os Lopes so escassas, sendo registradas pela

    historiografia apenas Joaquim Francisco Lopes, o Sertanejo, Gabriel Francisco Lopes,

    desbravador dos sertes, que constitua posses para negcios e Jose Francisco Lopes, o Guia

    Lopes vaqueano das tropas brasileiras na Retirada da Laguna, episdio da Guerra do

    Paraguai. Entre os pioneiros dos Campos de Vacaria, nas cercanias do municpio de Rio

    Brilhante (mais ao sul do estado de Mato Grosso do Sul) destacou-se o sertanista e capito

    Joaquim Francisco Lopes que se instalou na regio ente o final de 1833 e incio de 1834,

    abaixo do Rio Quitria, abrindo a fazenda Monte Alegre. Nas suas Derrotas encontramos

    profusas informaes sobre as formas de tratamento de sade e de alimentao daquela poca,

    como por exemplo, "... crescia a criana quatro meses a mingau de raspa de mandioca, farinha

    de milho e mel " "...em fins do dito outubro fiz um bangu para a doente..." (LOPES, 1943).

    Para enfrentar pestes e doenas eram utilizados elementos da flora e da fauna, alguns produtos

    qumicos, benzedeiras e muita superstio. Muito usada eram as crabas, planta medicinal

    utilizada para diversas finalidades, conhecida como paratudo e ip amarelo. Usa-se o infuso

    ou xarope da entrecasca do caule no tratamento das gripes, resfriados, bronquite, tosse e no

    tratamento das inflamaes gerais. De fato, a medicina praticada pelos brancos, ndios e negros

    da regio estudada era uma mistura de crendices, oraes catlicas e hbitos de cura. As

    doenas eram muitas como "...maleita, ferida braba e amarelo, usando um velho chernovz,"

    como relata o memorialista Emilio G. Barbosa (BARBOSA, 1963:87).

    Lendo os relatos de Joaquim Francisco Lopes sobre suas entradas pelo serto que

    abrangia o sul de Mato Grosso, entre 1829 e 1839, no se identifica nenhum divertimento na

    spera relao com a natureza, pelo contrrio, as descries so de um cotidiano difcil, com

    perigos, lutas dirias e doenas, e quando conseguiam alimentos atravs da caa e da pesca

    era uma alegria digna de relatos, mas muito afastado de qualquer ideal recreativo. Mas, a

    medida que as famlias foram se fixando e se formando com casamentos entre os diversos

    troncos pioneiros, as festas foram se organizando e acontecendo em uma determinada fazenda

    com um grande nmero de convidados e que duravam dias e dias. O historiador e cientista

    poltico Boris Fausto coloca que: FAUSTO (1984: 47)

    a grande cidade tenderia a favorecer o contato entre estranhos em vrias situaes,

    como os encontros solitrios ou as festas pblicas, onde, segundo a descrio dos

  • 12

    contemporneos, a ordem moral entrava em colapso. Em contraste, a pequena

    comunidade podia controlar com maior rigor os passos de seus membros mais

    jovens, seja como lazer coletivo, seja atravs de namoros oficiais previamente

    arranjados pelas famlias"

    Mas, em alguns processos analisados encontro informaes contrrias as descritas pelo

    historiador, assim, por meio dos processos de inventrios numa pequena comunidade,

    percebemos que o concubinato, to condenado pela Igreja, aparece como corriqueiro, e era

    praticado tanto por pessoas da elites quanto pela populao pobre. No sculo XIX a imagem

    das mulheres no era de submisso, docilidade e incapacidade como a maior parte da

    historiografia oficial relata, em muitos casos contrariava as convenes sociais e morais. Elas

    questionavam valores tradicionais que determinavam suas posies sociais dentro da famlia,

    no casamento, nas unies informais e nas relaes sexuais. importante destacar o processo

    164/15 do ano de 1904, data muito prxima ao recorte pretendido, mas mesmo assim bastante

    valioso, em que Leonora Pedrosa Lopez entra com um pedido de divorcio litigioso, no sendo

    possvel porm uma anlise criteriosa desse processo devido a falta de algumas pginas.

    Outro processo muito interessante foi um testamento onde o autor declara

    veementemente sua f na religio catlica e apesar disso viveu em concubinato durante

    muitos anos (MATJ/MS):

    Em nome de Deus Amem. Eu Joaquim Jose Barboza de Macedo, como cristo

    catlico apostlico romano em cuja religio nasci, fui criado e educado na qual

    tenho me conservado e espero morrer, tendo deliberado, a fazer meu testamento,

    disposio de ltima vontade, o fao de maneira e forma seguinte...Declaro que

    tenho um filho de nome Joaquim Jose Barboza Filho, que tive em tempo de solteiro,

    com a viva Bernardina Pires Barboza, com quem hoje me acho casado, porm com

    ela vivi junto antes de me casar muitos anos...

    Em outro documento, uma escritura de legitimao, com testemunhas, do ano de 1878,

    Benedito Dias da Cruz Cordeiro afirma ter direito a herana de seu pai, Francisco Dias da

    Cruz Cordeiro, j que foi reconhecido por ele como filho e tendo por me a ndia quiniquinao

    Maximiana, naquela poca solteira e portanto uma situao amorosa que contrariava as regras

    de comportamento da poca (MATJ/MS).

    Nos processos analisados, inventrios e partilhas, bem como nos relatos memorialistas

    h elementos suficientes que permitem compreender como a Guerra contra o Paraguai (1864-

  • 13

    1870) influenciou desarticulando totalmente o cotidiano dos habitantes do sul de Mato

    Grosso. No havia elementos de defesa para enfrentar um contingente to grande de invasores

    preparados e armados, que efetuaram um ataque surpresa, avanando em diversas frentes com

    pequenos pelotes, deixaram um rastro arrasador de destruio e sangue por onde passaram.

    Sem nenhuma autoridade militar que os defendessem, morando em um serto desguarnecido,

    s restaram aos moradores dessa regio a fuga precipitada para o norte, ainda no alcanada

    pelo conflito, deixando para trs todos pertences incluindo gado e lavoura que foram

    sistematicamente saqueadas e destrudas pelos paraguaios. As fazendas foram assaltadas, as

    casas queimadas, aprisionadas as famlias e remarcado o gado que era levado para suprir as

    tropas invasoras. Essa ofensiva planejada contava com o elemento surpresa e permitiram aos

    paraguaios tomar todos os pontos importantes daquela regio fronteiria. Como conseqncia

    o sul ficou devastado, com um grande vazio populacional, com os destacamentos militares de

    Miranda e Nioaque queimados e arrasados, sua frgil economia desarticulada, essencialmente

    apoiada em uma agricultura rudimentar, pequeno extrativismo e com uma pecuria em estado

    inicial. A desestruturao da regio, em vrios aspectos, continuou em muitos anos mesmo

    depois de concluda a luta, mas dois novos grupos influram de modo fundamental para a

    fixao na regio devastada: a dos brasileiros desmobilizados e a dos paraguaios guaranis

    tambm desmobilizados. Tudo leva a crer que os nomes de militares que aparecem

    frequentemente na documentao analisada so de ex combatentes que se fixaram na regio,

    como, por exemplo, entre outros, o Capito Feliciano Ramos Nazareth (MATJ/MS).

    Em 28 de junho de 1898, na vila de Miranda, Francisco Ferreira Ribeiro, filho de Joo

    Ferreira Ribeiro e Anna Zeferina de Souza e combatente na Guerra do Paraguai entrou com

    um pedido na justia requerendo como herdeiro na herana de seus pais j falecidos, uma

    parte da Fazenda Santa Gertrudes. Em geral, impossvel pelos processos mapear o tamanho

    das propriedades, sempre constando termos genricos como uma parte da fazenda. No

    inventrio feito em 1874, constou que "ausente desde 1866, poca da invaso paraguaia,

    desapareceu sem nunca mais do mesmo haver notcia e sem se saber que morto" sendo

    considerado desaparecido devido a sua prolongada ausncia. Os tramites na justia

    perduraram at 1914, ou seja, atravessaram o sculo constando a documentao em duas vilas

    Miranda e Nioaque. No foi possvel conhecer a concluso desse processo devido a ausncia

    das folhas finais. (MATJ/MS).

  • 14

    Terminada a Guerra do Paraguai, as famlias lentamente puderam retornar para suas

    posses e retomar o rduo trabalho, mas sem nenhuma ajuda governamental, somente as

    famlias se apoiando, novamente se fixaram e plantaram, a alimentao se tornou farta e as

    fontes so prodigiosas nos relatos: "feijo com couve e torresmo, ang com carne de vaca e

    arroz, churrasco com mandioca, ovos estralados..."(BARBOSA, 1963:119). "Logo depois da

    paz com o Paraguai saram os Barbosas do esconderijo e voltaram a seus lares que

    encontraram queimados, ocupados pelos Caius, ou invadidos pelas formigas e pelo mato

    (BARBOSA,1963:07). A anlise desse material permitiu descobrir atravs de um novo olhar,

    aprofundar questes como a histria social agrria retomado estudos realizados pela

    historiografia regional e entrever agentes annimos, ou no, prticas costumeiras. Oferece,

    enfim, visibilidade aos indivduos no privilegiados no discurso historiogrfico tradicional,

    como nativos, mulheres e crianas escravizadas ou no, pobres livres, especialmente

    camaradas, guias e roceiros.

    BIBLIOGRAFIA

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