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  • DESENVOLVIMENTO EM QUESTOEditora Uniju ano 12 n. 25 jan./mar. 2014 p. 312-338

    ARTIGO

    O Comportamento da Receita Pblica Municipal: Um Estudo de Caso no Municpio de Santa Maria (RS)

    Cristiano Sausen Soares1 Silvia Amlia Mendona Flores2

    Daniel Arruda Coronel3

    Resumo:

    O trabalho teve como objetivo analisar o comportamento das receitas municipais e as possveis aes de governo, de acordo com os gestores municipais, que podem explicar a variao das recei-tas prprias. Para compreender o comportamento da receita pblica do municpio realizou-se uma pesquisa de carter qualitativo, na qual foram analisados dados secundrios do perodo de 2004 a 2011. Alm disso, foram feitas entrevistas no estruturadas com especialistas, como superinten-dentes, gerentes e fiscais de arrecadao. Os resultados demonstraram uma elevao nas receitas do municpio, principalmente a partir do ano de 2008. Quanto s receitas prprias, verificou-se que a maior elevao ocorreu com o Imposto Sobre Servio de Qualquer Natureza (ISSQN), chegando a 90,5% durante o perodo. Quanto s receitas transferidas pela Unio e Estados, nota-se a maior participao do Imposto sobre Circulao de Mercadorias e Servios (ICMS), com uma elevao de 50,58%. Ressalta-se ainda a elevao significativa do Fundo de Manuteno e Desenvolvimento da Educao Bsica e de Valorizao dos Profissionais da Educao (Fundeb), com 118,47% no perodo. Segundo os entrevistados, a partir de 2008 ocorreu aumento das matrculas escolares no municpio, ocasionando a maior participao no Fundo. De modo geral, notou-se que, ao longo dos anos, a receita pblica do municpio vem crescendo, sendo este comportamento atribudo a aes de governo visando a sua elevao. Devido s limitaes desta pesquisa, sugere-se a realizao de outros estudos comparativos com outros municpios brasileiros.

    Palavras-chave: Receitas pblicas. Receitas prprias. Receitas de transferncia.

    1 Mestre em Administrao pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e professor no Centro Universitrio Franciscano (Unifra). cristianocontador@hotmail.com

    2 Mestre em Administrao pela UFSM e professora na Universidade Federal do Pampa (Unipampa). sisimflores@yahoo.com.br

    3 Doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viosa (UFV) e professor adjunto do Depar-tamento de Cincias Administrativas e do Programa de Ps-Graduao em Administrao da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). daniel.coronel@uol.com.br

  • BEHAVIOR OF MUNICIPAL PUBLIC REVENUE: A CASE STUDY IN THE CITY OF SANTA MARIA (RS)

    Abstract:

    The study aimed to identify the behavior of government revenue in the municipality of Santa Maria (RS), comparing revenue with own revenues and transfers relating the possible actions that the government can justify such behavior. To understand the behavior of the public revenue of the mu-nicipality, there was a qualitative study which analyzed secondary data from the period 2004-2011. Additionally, unstructured interviews were conducted with experts such as superintendents, managers and tax collection. The results showed an increase in revenues of the municipality, especially from the year 2008. As for the recipes themselves, it was found that the largest increase occurred with the ISS (Service Tax of any kind), reaching 90.5% during the period. On the revenue transferred by the union and states, there is a greater share of the ICMS (Tax on Goods and Services), with an increase of 50.58%. It is worth noting the significant increase of Fundeb (Fund for the Maintenance and Development of Basic Education and Enhancement of Professional Education) with 118.47% over the period. According to respondents, from 2008, there was an increase in school enrollment in the city, leading to greater participation in the Fund. In general, it was noted that, over the years, the public revenue of the municipality has increased, this behavior being attributed to government actions aimed at his elevation. Due to the limitations of this research, it is suggested to carry out further comparative studies with other municipalities.

    Keywords: Public revenue. Own revenues. Income transfer.

  • Cristiano Sausen Soares Silvia Amlia Mendona Flores Daniel Arruda Coronel

    314 Ano 12 n. 25 jan./mar. 2014

    Com as recentes crises financeiras internacionais, cada vez maior

    a ateno da sociedade brasileira sobre as responsabilidades dos entes

    pblicos, sobretudo nas aes desenvolvidas com a finalidade de inibir os

    efeitos dessas crises no mercado brasileiro. Em meio a este cenrio global,

    os governantes devem atender as suas atribuies bsicas e, principalmen-

    te, s reivindicaes e necessidades dos cidados, como sade, educao,

    transporte pblico, habitao, segurana, dentre outras, por intermdio de

    polticas pblicas que envolvam aqueles que as necessitam.

    Para Teixeira (2002), polticas pblicas so diretrizes, princpios

    norteadores de ao do poder pblico, regras e procedimentos para as rela-

    es entre poder pblico e sociedade, ou seja, mediaes entre os atores da

    sociedade e o Estado. As polticas pblicas visam a responder s demandas,

    principalmente dos setores marginalizados da sociedade, considerados como

    vulnerveis. Os polticos eleitos que ocupam cargos pblicos precisam inter-

    pretar os pedidos e necessidades da sociedade. Essa interpretao, contudo,

    pode ser influenciada por suas ideologias poltico-partidrias ou por meio

    da presso social oriunda da sociedade civil, mediante a mobilizao social.

    Em complemento s atribuies dos gestores de municpios, Estados

    e Unio, esto presentes a obrigao de administrar os escassos recursos

    pblicos, de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal LRF (Lei

    Complementar 101/2000). Para que um recurso pblico possa ser aplicado

    em uma despesa ou investimento, deve estar previsto no oramento, alm

    de identificar a fonte do recurso. Assim, para que ocorram aplicaes de

    recursos em polticas pblicas, o ente pblico (Unio, Estado ou municpio)

    precisa arrecad-lo em forma de receita.

    Por consequncia do processo de descentralizao dos recursos

    ocorrido no pas, a partir da Constituio Federal de 1988 verifica-se um

    aumento de receitas em favor dos estados e municpios. Segundo Frata e

    Peris (2004), esta redistribuio financeira ocorreu por meio da ampliao

  • O COMPORTAMENTO DA RECEITA PBLICA MUNICIPAL: UM ESTUDO DE CASO NO MUNICPIO DE SANTA MARIA (RS)

    315Desenvolvimento em Questo

    das competncias tributrias aos Estados e municpios, reduo do poder de

    interferncia da unio sobre estes tributos e pelo aumento das transferncias

    federais para essas esferas de governos.

    Silva (1996) distingue Receita Pblica de Ingresso. Segundo o autor,

    Receitas Pblicas so entradas financeiras que se incorporam sem reservas ao

    patrimnio estatal, enquanto Ingressos so simples movimentos de fundos

    restituveis no futuro. Neste contexto, as receitas municipais so formadas

    pela arrecadao de tributos (receita prpria) e repasses governamentais da

    Unio e do Estado (receitas de transferncia).

    A arrecadao e a aplicao da receita pblica se apresentam como

    constantes desafios gesto de finanas pblicas municipais, no intuito de

    atender ao desenvolvimento local, posto que so cada vez maiores as deman-

    das da sociedade. Este cenrio, no entanto, est sofrendo algumas alteraes

    devido s exigncias legais, como a descentralizao de atribuies e o maior

    controle das contas pblicas, de acordo com o que determina a LRF.

    Na pesquisa realizada por Arajo e Oliveira (2000), destacado que

    a arrecadao prpria dos municpios brasileiros, no final da dcada de 90,

    chegou a 1,6% do PIB, apresentando uma elevao de 125% ao longo da-

    quela dcada. Mesmo com o aumento da arrecadao municipal verificada

    no estudo, os autores salientam a existncia de uma profunda disperso

    dos indicadores entre cidades de economia e porte semelhantes, revelando

    grandes espaos para aumento de carga tributria, especialmente nas loca-

    lidades menos desenvolvidas.

    De acordo com Pereira (2002), que investigou a relao de dependn-

    cia dos municpios gachos em relao s receitas de transferncia, os mu-

    nicpios gachos so categorizados pelo nmero de habitantes. Este estudo

    concluiu que, nos municpios classificados como pequenos, a dependncia

    financeira das transferncias intergovernamentais maior do que naqueles

  • Cristiano Sausen Soares Silvia Amlia Mendona Flores Daniel Arruda Coronel

    316 Ano 12 n. 25 jan./mar. 2014

    de grande porte. Esta situao explicada pelo autor devido ao fato de que

    os municpios maiores apresentam uma estrutura tributria mais complexa

    e, consequentemente, maior arrecadao de receitas prprias.

    As pesquisas citadas no identificam as situaes particulares dos

    municpios que formaram as amostras estudadas e tambm no houve uma

    investigao mais aprofundada sobre o comportamento das receitas prprias

    e receitas de transferncias em dado perodo de tempo. Neste contexto,

    segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional, a maioria dos municpios

    brasileiros apresenta maior representatividade de receitas de transferncias

    em relao a sua receita total e, em contrapartida, menor expressividade

    das receitas prprias. Com isto, importante analisar o comportamento das

    receitas municipais e as possveis aes de governo que podem explicar a

    variao das receitas prprias.

    Algumas pesquisas referem-se aplicao de recursos pblicos, ou

    seja, execuo da despesa dos gastos pblicos. Muitas vezes a receita

    pblica no assume uma posio de relevncia quando se estuda finanas

    pblicas. Esta , contudo, de extrema importncia para pequenos municpios,

    e saber quais as medidas que podem ser tomadas para melhorar a arrecadao

    municipal pode ser fundamental para muitos municpios.

    Neste contexto, justifica-se uma investigao acerca da situao do

    municpio de Santa Maria, por ser considerada uma das mais importantes

    cidades do Centro do Estado do Rio Grande do Sul, tanto pelo nmero de

    habitantes quanto pela importncia econmica. Alm disso, ressalta-se sua

    posio geogrfica e influncia financeira e poltica sobre as demais cidades

    da regio. Assim, o presente estudo teve como questo central de pesquisa a

    seguinte indagao: Quais as possveis aes de governo que podem explicar

    o comportamento da receita pblica no municpio de Santa Maria/RS, no

    perodo de 2004 a 2011?

  • O COMPORTAMENTO DA RECEITA PBLICA MUNICIPAL: UM ESTUDO DE CASO NO MUNICPIO DE SANTA MARIA (RS)

    317Desenvolvimento em Questo

    Para responder a esta questo de pesquisa tem-se o seguinte objetivo:

    analisar o comportamento das receitas municipais no municpio de Santa

    Maria e as possveis aes de governo, de acordo com os gestores municipais,

    que podem explicar a variao das receitas prprias.

    O presente artigo est estruturado em quatro sees, alm desta intro-

    duo. Na sequncia, apresentado o referencial bibliogrfico, seguindo com

    os procedimentos metodolgicos, depois os resultados obtidos so analisados

    e discutidos e, finalmente, so apresentadas as concluses do trabalho.

    A Receita Pblica

    A Constituio Federal de 1988, no artigo 1, estabelece que a es-

    trutura poltico-administrativa brasileira constituda por Unio, Estados,

    Distrito Federal e municpios (Brasil, 1988). Para Nascimento (2006), a

    autonomia dos entes pblicos brasileiros caracteriza-se pelo poder de organi-

    zao poltica, administrativa, tributria, oramentria e institucional de cada

    um desses entes. Segundo Kohama (2008, p. 12), ... pode-se afirmar que

    a Organizao Poltico-administrativa Brasileira a de um Estado Federal

    caracterizada pela unio indissolvel dos Estados-membros, dos Municpios

    e do Distrito Federal....

    De acordo com Rezende (2001), a Constituio de 1988 reconheceu

    os municpios como membros da federao, em igualdade aos Estados,

    principalmente em se tratando de direitos e deveres ditados pelo regime

    federativo. Em decorrncia da autonomia dos municpios, no artigo 18 da

    Constituio (Brasil, 1988), foi assegurada a administrao prpria no que se

    refere a assuntos de seu interesse, especialmente com relao aos tributos

    de sua competncia, bem como organizao dos seus servios pblicos.

    Os principais reflexos desses direitos e deveres reconhecidos aos

    municpios brasileiros, sob o aspecto do federalismo fiscal, so o vasto cam-

    po de competncias impositivas desses municpios bem como a instituio

  • Cristiano Sausen Soares Silvia Amlia Mendona Flores Daniel Arruda Coronel

    318 Ano 12 n. 25 jan./mar. 2014

    de transferncias compensatrias da unio, semelhantes s transferncias

    feitas aos Estados (Tristo, 2003). A relativa independncia administrativa

    dos municpios em relao ao poder do governo do Estado, assegurada pela

    posio em que ocupa no sistema tributrio, contudo, ressalta desequilbrios

    verticais e horizontais existentes na diviso da receita tributria nacional,

    dificultando ainda mais a negociao de reformas que tragam proposta de

    novo equilbrio federativo.

    A eficincia dos instrumentos tributrios depende das esferas de

    governo e de suas competncias tributrias. A teoria tradicional das Fi-

    nanas Pblicas estabelece que o governo federal deva ser o responsvel

    pela arrecadao de impostos que requerem certo grau de centralizao

    administrativa ou aqueles que afetam as polticas do pas, como o caso

    dos impostos sobre a renda e sobre o comrcio exterior. Esta uma questo

    relevante, pois o imposto pessoal, cobrado em mbito local, pode incentivar

    a migrao (Tristo, 2003).

    Em se tratando dos Estados, a tributao incide sobre o consumo e a

    circulao de bens. J para os municpios, cabe-lhes assumir a responsabili-

    dade pela tributao do patrimnio fsico, como os impostos incidentes sobre

    a propriedade imobiliria, cuja base tributria a propriedade de imveis,

    que no permite migrao.

    Assim, segundo Alves e Freitas (2008) no Cdigo Tributrio Nacional,

    aos municpios competem exclusivamente os seguintes impostos, como

    formadores da receita prpria:

    a) Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) re-

    presenta o gravame fiscal da propriedade imvel, com ou sem edificao,

    localizada na zona urbana ou com destinao urbana;

    b) Imposto sobre as Transmisses de Bens Intervivos (Itbi), a qualquer

    ttulo, por ato oneroso, de bens imveis, por natureza ou acesso fsica, e

    de direitos reais sobre imveis, exceto os de garantia, bem como cesso

    de direitos a sua aquisio;

  • O COMPORTAMENTO DA RECEITA PBLICA MUNICIPAL: UM ESTUDO DE CASO NO MUNICPIO DE SANTA MARIA (RS)

    319Desenvolvimento em Questo

    c) Imposto sobre Servios de Qualquer Natureza (ISSQN), cuja relao dos

    servios tributveis definida por lei complementar;

    d) Ainda aos municpios cabem os Tributos Comuns, que so as taxas e

    contribuies de melhorias que os municpios podem instituir e cobrar

    do mesmo modo que a Unio e os Estados.

    Para Silva (1996), muitos gestores municipais enfrentam dificuldades

    na arrecadao tributria, seja por motivos econmicos, administrativos ou

    polticos. Em decorrncia disto, existe a necessidade de financiamento para

    atender s necessidades bsicas da populao como educao e sade, uma

    vez que os governos municipais so os executores das polticas pblicas na-

    cionais. Tais aes geram desequilbrios nas finanas pblicas dos municpios.

    Mesmo, portanto, com uma estrutura de competncias tributrias definida,

    existe a necessidade de um sistema de transferncias intergovernamentais

    de recursos, com origem nos nveis superiores de governo (Unio e Estados),

    voltadas aos nveis inferiores (municpios).

    O governo federal induz os governos locais a acrescentarem recursos

    prprios s receitas de transferncias para alcanar os objetivos, devido s

    grandes disparidades existentes entre as fontes de arrecadao e despesas

    funcionais entre os diferentes entes pblicos (Fillelini, 1994). Com isto, tem-

    -se que alguns Estados e municpios conseguem desempenhar suas funes

    mais facilmente, a partir dos recursos prprios arrecadados.

    Nesse sentido, as transferncias intergovernamentais podem ser usa-

    das para promover o planejamento regional, cujos efeitos liberam benefcios

    consumidos em reas que abrangem diversos nveis de governo. Deve ser

    observado, entretanto, que os recursos transferidos entre os diferentes nveis

    de governo so suportados por todos os cidados, residentes e no residentes

    no local beneficiado e, portanto, usurios ou no usurios destes benefcios.

    Assim, conforme Pereira (2002), dentre os recursos transferidos da

    Unio tem-se:

  • Cristiano Sausen Soares Silvia Amlia Mendona Flores Daniel Arruda Coronel

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    1 Fundo de Participao dos Municpios (FPM): composto por 22,5% do Imposto de Renda (IR) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI),

    sendo formado por:

    a) capitais 10% dos recursos do FPM assim distribudos: inversamente

    proporcional renda per capita; diretamente proporcional populao;

    limites mximos e mnimos de distribuio;

    b) municpios no capitais 86,4% dos recursos do FPM que so distribudos

    segundo o tamanho da populao, com limites mximos e mnimos. O

    rateio regressivo e beneficia com maior proporo os municpios com

    menor populao;

    c) municpios no capitais, com populao superior a 156.216 habitantes

    3,6% dos recursos do FPM de acordo com os mesmos critrios aplicados

    aos municpios capitais.

    2 Participao no Imposto Territorial Rural (ITR): cabe aos municpios 50% do valor da arrecadao do ITR.

    3 Imposto sobre Operaes Financeiras (IOF): do total arrecadado com o IOF,

    70% destinam-se aos municpios de origem. A regulao do tratamento

    tributrio do ouro, como ativo financeiro, obedece Lei n 7.766 de 1989.

    4 Fundo de Participao nas Exportaes: composto por 10% da arrecadao do IPI.

    a) Estados (75%) distribudos em funo da participao relativa do Estado

    na exportao de bens manufaturados. Nenhum Estado pode receber

    mais de 20% do total;

    b) municpios (25%) os municpios recebem 1/3 do valor repassado ao

    Estado. A distribuio segue os mesmos critrios do ICMS.

    5 Salrio Educao: trata-se de uma contribuio Seguridade Social, co-brada sobre a receita das empresas industriais e comerciais alquota de

    2,5% ou sobre a receita das empresas rurais a alquota de 0,8%.

  • O COMPORTAMENTO DA RECEITA PBLICA MUNICIPAL: UM ESTUDO DE CASO NO MUNICPIO DE SANTA MARIA (RS)

    321Desenvolvimento em Questo

    a) 2/3 so destinados aos Estados para a cota estadual de Salrio Educao;

    b) 1/3 permanece com o governo federal e destina-se ao Fundo Nacional de

    Desenvolvimento Educacional. Os recursos so repassados aos Estados e

    municpios, na forma de convnios, para aplicao no Ensino Fundamental

    da educao de nvel bsico.

    Ainda, para o autor, dos recursos transferidos dos Estados aos muni-

    cpios tem-se:

    1 Cota-parte do Imposto sobre Circulao de Mercadorias e Servios (ICMS)

    a) da arrecadao do ICMS, 25% distribuda pelo Estado aos seus muni-

    cpios;

    b) um mnimo de 75% deve ser distribudo em funo do valor agregado;

    c) um mximo de 25% deve ser distribudo em funo de critrios estabe-

    lecidos pela legislao estadual.

    2 Imposto sobre a Propriedade de Veculo Automotor (IPVA): o produto da ar-

    recadao do IPVA repartido entre o Estado e o municpio onde houver

    sido licenciado o veculo, cabendo a cada um 50% do valor cobrado.

    Existem as transferncias voluntrias aos municpios, como Financia-

    mento do SUS Fundo Nacional da Sade, e as transferncias do Fundo da

    Manuteno e Desenvolvimento da Educao Bsica e Valorizao dos Pro-

    fissionais da Educao Fundeb. Tais recursos transferidos so destinados

    s demandas das polticas pblicas de mbito nacional, com a contrapartida

    dos locais que oferecem acolhimento aos usurios dos servios.

    Elaborar uma poltica pblica, conforme Teixeira (2002), significa de-

    finir quem decide o qu, quando, com que consequncias e para quem estas

    sero desenvolvidas. Estas definies esto relacionadas com a natureza do

    regime poltico vigente, com o grau de organizao da sociedade civil e com

    a cultura poltica local e nacional. Isto posto, o autor destaca a necessidade de

    distinguir Polticas Pblicas de Polticas Governamentais. Segundo ele,

  • Cristiano Sausen Soares Silvia Amlia Mendona Flores Daniel Arruda Coronel

    322 Ano 12 n. 25 jan./mar. 2014

    nem sempre polticas governamentais so pblicas, embora sejam estatais.

    Para que uma poltica seja pblica preciso considerar a quem se destinam

    os resultados ou benefcios, e se o seu processo de elaborao submetido

    ao debate pblico. Neste caso, so polticas transparentes e sistematizadas

    por meio de leis, programas e demais documentos pblicos que orientam

    aes que normalmente se referem aplicao de recursos.

    Vrias so as tipologias, modalidades e critrios de classificao de

    polticas pblicas. Teixeira (2002) ressalta algumas, tais como:

    a) Quanto natureza ou grau da interveno: Estrutural (interfere em re-

    laes estruturais como renda, emprego, propriedade, etc.); Conjuntural

    ou emergencial (objetivam amenizar uma situao temporria, imediata);

    b) Quanto abrangncia dos possveis benefcios: Universais (para todos os

    cidados); Segmentais (para um segmento da populao, caracterizado por

    um fator determinado); Fragmentadas (destinadas a grupos sociais dentro

    de cada segmento);

    c) Quanto aos impactos que podem causar aos beneficirios: Distributivas (vi-

    sam a distribuir benefcios individuais; costumam ser instrumentalizadas

    pelo clientelismo); Redistributivas (visam a redistribuir recursos entre os

    grupos sociais); Regulatria (visam a definir regras e procedimentos que

    regulem comportamentos para atender interesses gerais da sociedade).

    Uma poltica pblica requer, portanto, a interveno do Estado, que

    pode ocorrer de vrias formas e em reas de atuao (Teixeira, 2002). Para

    o cenrio econmico atual, a busca pelo equilbrio social contrape o livre-

    -funcionamento do mercado, exigindo aes do Estado para alcanar os

    objetivos de bem-estar social. Neste sentido, mesmo sendo normalmente

    as Polticas Pblicas voltadas aplicao de recursos, podem existir aes

    pblicas orientadas elevao da arrecadao das receitas e, com isto, investir

    em benefcios aos cidados.

  • O COMPORTAMENTO DA RECEITA PBLICA MUNICIPAL: UM ESTUDO DE CASO NO MUNICPIO DE SANTA MARIA (RS)

    323Desenvolvimento em Questo

    Tendo em vista os referenciais apresentados e os objetivos propostos

    pelo trabalho, estruturou-se a metodologia, ou seja, os procedimentos que

    foram adotados para o alcance dos objetivos e resoluo da problemtica.

    Os procedimentos metodolgicos so detalhados a seguir.

    Metodologia

    Para a realizao desta investigao utilizou-se uma abordagem

    qualitativa, aliada ao uso da pesquisa bibliogrfica, com carter descritivo.

    Segundo Cervo e Bervian (1976), em qualquer pesquisa, independente da

    rea do conhecimento, supe-se a exigncia de uma pesquisa bibliogrfica

    prvia, seja para o levantamento da situao em questo, seja para a funda-

    mentao terica.

    Caracterizado como um estudo de caso, de acordo com os objetivos

    da pesquisa, este estudo visa a aprofundar-se nas razes que podem elucidar

    o comportamento das receitas pblicas no municpio estudado. De acordo

    com Yin (2005), a preferncia pelo uso do estudo de caso deve ser dada em

    situaes em que os comportamentos relevantes no podem ser manipulados,

    mas quando possvel se fazer observaes diretas e entrevistas sistemticas.

    Nestes termos, fez-se o levantamento de dados secundrios, por meio da

    anlise documental e de relatrios emitidos sobre as receitas municipais.

    Tais relatrios serviram de base para alimentar as publicaes oficiais na

    Secretaria do Tesouro Nacional, emitidos pelo setor de Contabilidade da

    Secretaria Municipal de Finanas de Santa Maria/RS.

    Primeiramente, a coleta dos dados referentes aos valores arrecadados

    no municpio compreendeu o perodo entre os anos de 2004 a 2011, relativos

    ao ltimo ano do mandato 2001-2004, integralmente o mandato 2005-2008

    e os trs primeiros anos do mandato 2009-2012. Este perodo foi definido

    em razo da disponibilidade de dados na Prefeitura do municpio. Assim,

    no perodo de 2004 a 2008 e de 2009 a 2011, a gesto municipal foi exercida

    por polticos de partidos opositores, porm ressalta-se que esta pesquisa no

  • Cristiano Sausen Soares Silvia Amlia Mendona Flores Daniel Arruda Coronel

    324 Ano 12 n. 25 jan./mar. 2014

    pretende expor diferenas partidrias ou de polticos. Ideologias polticas

    distintas, contudo, refletem aes governamentais com impactos diferentes

    na sociedade, principalmente no que se refere a aplicaes de recursos (des-

    pesa pblica), enquanto o tratamento das receitas obedece a um padro legal.

    Como este estudo apresenta dados relativos s receitas, deve-se

    considerar o desgaste da moeda ao longo do tempo. Assim, para solucionar

    o problema da atualizao monetria, os dados coletados foram tratados de

    acordo com o valor da Unidade Fiscal Monetria (UFM) utilizada na cidade,

    estimado e fixado por decreto municipal, com fora de lei.

    Para tanto, os valores relacionados na Tabela 1 foram coletados no site

    da Prefeitura municipal de Santa Maria, no espao destinado Secretaria

    de Finanas, tendo o ndice de reajuste calculado com base na inflao do

    perodo.

    Tabela 1 UFM anual 2004 a 2011 Santa Maria (RS)

    Ano UFM ndice de Reajuste

    2004 1,5070

    2005 1,6162 7,24%

    2006 1,7078 5,67%

    2007 1,7636 3,27%

    2008 1,8363 4,12%

    2009 1,9524 6,32%

    2010 2,0338 4,17%

    2011 2,1396 5,20%

    Fonte: Secretaria de Finanas Prefeitura municipal de Santa Maria (RS), 2012.

    Aps a coleta de dados, foi verificado o comportamento das receitas

    no municpio por meio de uma anlise descritiva das receitas arrecadadas,

    realizando a comparao dos porcentuais de cada tipo de receita durante o

    perodo. Posteriormente verificao do comportamento da receita, cabe

  • O COMPORTAMENTO DA RECEITA PBLICA MUNICIPAL: UM ESTUDO DE CASO NO MUNICPIO DE SANTA MARIA (RS)

    325Desenvolvimento em Questo

    relacionar as possveis polticas e aes de governo que possam justificar

    tal comportamento na opinio dos servidores pblicos envolvidos nesse

    processo.

    Assim, foram realizadas entrevistas no padronizadas, com perguntas

    abertas, formuladas aos gestores em exerccio da Secretaria de Finanas

    no municpio de Santa Maria/RS, ressaltando-se que foram entrevistados

    os principais representantes no cargo a partir de 2009. Sendo assim, foram

    consultados o superintendente da Receita, gerente do ISSQN, gerente do

    IPTU, gerente do ICMS, auditores e fiscais, e todos os servidores concur-

    sados em exerccio nestas atividades h quatro anos ou mais, ou seja, que

    tenham participado de pelo menos dois mandatos e que conheam as aes

    municipais desenvolvidas para o fomento da arrecadao.

    Nestes termos, conforme Hair et al. (2006), a entrevista no estrutu-

    rada conduzida sem uma sequncia de perguntas, tendo como principal

    oportunidade explorar em profundidade as questes, principalmente quando

    os entrevistados so considerados especialistas no tema.

    Aps a aplicao da entrevista e das demais etapas elencadas pela

    metodologia, o estudo busca realizar a anlise dos resultados. Na sequncia

    deste trabalho so apresentados os resultados da pesquisa e a discusso

    dos mesmos, demonstrando o comportamento da receita pblica durante o

    perodo de anlise.

    Anlise e discusso dos resultados

    A Receita Pblica Municipal formada por Receitas Prprias e Re-

    ceitas Transferidas por outros Entes, como a Unio e Estados. No municpio

    de Santa Maria, de 2004 a 2011, verifica-se uma elevao na arrecadao

    destas receitas, sendo identificada uma elevao da receita total em 2011

    de 60,71%, em relao a 2004.

  • Cristiano Sausen Soares Silvia Amlia Mendona Flores Daniel Arruda Coronel

    326 Ano 12 n. 25 jan./mar. 2014

    Como ocorrido com as receitas prprias, as receitas transferidas tam-

    bm tiveram uma elevao considervel no perodo estudado. As receitas

    prprias, contudo, aumentaram 55,17%, enquanto as receitas transferidas

    aumentaram 63,06%. Nestes termos, ao verificar a mdia da Receita Prpria

    no perodo (27,79%) e a mdia das receitas transferidas (72,21%), percebe-

    -se um comportamento contnuo de elevao na arrecadao municipal e a

    participao de ambas na formao da receita total deste Ente. Ao comparar

    o ano de 2011 com 2004, verifica-se que a receita transferida apresenta

    uma variao positiva em 1,02 pontos percentuais, enquanto a variao das

    receitas prprias foi negativa em 1,02 pontos percentuais, como verificado

    na Tabela 2.

    Tabela 2 Receita Total 2004 a 2011 em UFM Santa Maria (RS)

    Receita Prpria %RTReceita

    Transferida %RT Receita Total

    2004 24.297.339,07 29,72 57.445.641,55 70,28 81.742.980,62

    2005 23.573.829,39 28,44 59.319.313,59 71,56 82.893.142,98

    2006 24.389.886,06 28,67 60.682.313,84 71,33 85.072.199,90

    2007 24.817.986,32 27,01 67.065.631,49 72,99 91.883.617,81

    2008 30.370.385,15 26,88 82.599.346,08 73,12 112.969.731,23

    2009 28.434.393,35 25,39 83.567.335,13 74,61 112.001.728,48

    2010 33.487.829,33 27,54 88.087.641,15 72,46 121.575.470,48

    2011 37.701.507,22 28,70 93.669.059,01 71,30 131.370.566,23

    Fonte: Elaborada pelos autores da pesquisa.

    Ressalta-se o aumento a partir do ano de 2008, tanto nas receitas pr-

    prias quanto nas receitas transferidas. Este crescimento pode ser atribudo

    s aes pblicas adotadas tendo em vista o cenrio poltico e econmico

    brasileiro, quando o governo adotou medidas de fomento ao consumo na

    tentativa de evitar os efeitos da crise financeira dos mercados americano e

    europeu. Dentre as medidas verificadas, cita-se a ampliao de investimentos

    nas cidades mediante planos governamentais, como o Plano de Acelerao do

  • O COMPORTAMENTO DA RECEITA PBLICA MUNICIPAL: UM ESTUDO DE CASO NO MUNICPIO DE SANTA MARIA (RS)

    327Desenvolvimento em Questo

    Crescimento (PAC). Estes planos incentivaram o consumo e movimentaram

    a economia como um todo por meio da reduo de impostos, como o IPI de

    veculos e alguns eletrodomsticos da linha branca da indstria.

    O aumento das receitas transferidas no mbito municipal atribui-se

    crescente arrecadao tributria da Unio no perodo. Conforme o Tribunal

    de Contas da Unio (TCU), em 2011 a arrecadao tributria representou

    35,88% do PIB, sendo superior receita arrecadada em 2010, 12,83%. Para

    ilustrar esta evoluo, o TCU elaborou um grfico, corrigindo os valores

    reais pelo IPCA, que pode ser visualizado na Figura 1.

    Figura 1 Evoluo das Receitas Tributrias da Unio

    Fonte: TCU Anlise da Receita (Brasil, 2011).

    O aumento da arrecadao tributria real da unio reflete o bom mo-

    mento da economia brasileira no perodo, bem como as aes governamentais

    desenvolvidas para o fortalecimento da economia. As aes desenvolvidas

    relacionadas s polticas industriais e o incentivo s exportaes acarreta-

    ram o aumento da arrecadao do Imposto de Renda e do IPI. Por outro

    lado, a alta carga tributria passou a ser o grande vilo do pas em perodos

    de estabilidade econmica, responsvel por grande parte das queixas dos

    empresrios brasileiros. Esta a principal causa apontada por empresrios

    pelo engessamento do crescimento econmico, associada s altas taxas de

    juros e encargos sobre a folha de salrios.

  • Cristiano Sausen Soares Silvia Amlia Mendona Flores Daniel Arruda Coronel

    328 Ano 12 n. 25 jan./mar. 2014

    Maior arrecadao das receitas correntes da Unio representam maio-res repasses aos municpios por meio do Fundo de Participao Municipal (FPM), formado pela arrecadao do IR e do IPI. Com isto, no municpio de Santa Maria as transferncias de recursos do Estado e da Unio so quase trs vezes maiores do que as receitas prprias. Cabe analisar, entretanto, cada tipo de fonte de receita prpria, no intuito de identificar o seu comportamento, que pode ser observado na Figura 2.

    Ao se observar os tipos de fonte de recurso que formam a Receita Prpria no municpio de Santa Maria (RS), o estudo constatou que o ISSQN a fonte que tem a maior participao e um dos melhores desempenhos no perodo. Esta fonte de receita apresenta um comportamento contnuo de elevao, chegando a atingir 90,5% de aumento na comparao de 2011 com 2004. Em entrevista com o representante dos fiscais do municpio, atribui--se este comportamento ao fato de o municpio ter intensificado as aes de combate sonegao, com uma atuao mais presente da fiscalizao junto aos prestadores de servios contribuintes deste tributo. Outro fator mencionado pelo entrevistado refere-se terceirizao de alguns servios relacionados ao ISSQN, como o fornecimento de Notas Fiscais (manuais e eletrnicas), emisso de guias de arrecadao e controle dos servios por meio de um sistema on line. Esta ao, adotada a partir de 2004, ocorre por meio de processo licitatrio, tendo como licitantes empresas especializadas nesse tipo de atividade.

    Figura 2 Receitas Prprias

    7.09

    1.47

    1,51

    7.37

    4.10

    2,72

    7.28

    4.92

    9,41

    6.51

    7.29

    2,40

    8.48

    9.03

    3,47

    7.02

    6.78

    9,46

    8.36

    6.79

    5,45

    8.81

    2.15

    4,30

    8.29

    0.06

    6,93

    8.94

    8.38

    3,06

    9.35

    2.40

    3,30

    10.0

    62.1

    88,2

    6

    11.6

    21.6

    47,9

    8

    12.0

    95.9

    87,9

    1

    14.2

    18.9

    29,5

    6

    15.7

    96.1

    56,5

    6

    1.75

    9.92

    6,74

    1.97

    5.13

    2,37

    2.25

    1.68

    3,27

    2.62

    8.82

    7,96

    3.27

    8.54

    7,60

    3.51

    4.15

    7,27

    4.12

    4.54

    7,35

    4.83

    4.83

    9,16

    5.68

    7.82

    4,01

    3.35

    6.78

    1,18

    3.45

    2.93

    0,27

    3.41

    6.68

    2,67

    3.76

    5.54

    8,09

    2.76

    4.09

    6,03

    3.20

    7.91

    4,28

    4.19

    6.26

    4,32

    1.46

    8.04

    9,88

    1.91

    9.43

    0,06

    2.06

    8.03

    9,81

    2.19

    2.99

    5,03

    3.21

    5.60

    8,01

    3.03

    3.36

    2,68

    3.56

    9.64

    2,69

    4.06

    2.09

    2,88

    IPTU ISSQN ITVBI TAXAS IR - FONTE

    RECEITA PRPRIA - 2004 a 2011 - em UFM - SANTA MARIA (RS)

    20042005200620072008200920102011

    Fonte: Secretaria de Finanas Prefeitura municipal de Santa Maria (RS), 2012.

  • O COMPORTAMENTO DA RECEITA PBLICA MUNICIPAL: UM ESTUDO DE CASO NO MUNICPIO DE SANTA MARIA (RS)

    329Desenvolvimento em Questo

    Ao se observar os tipos de fonte de recurso que formam a Receita

    Prpria no municpio de Santa Maria (RS), conforme a Figura 2, o estudo

    constatou que o ISSQN a fonte que tem a maior participao e um dos

    melhores desempenhos no perodo. Esta fonte de receita apresenta um

    comportamento contnuo de elevao, chegando a atingir 90,5% de aumento

    na comparao de 2011 com 2004. Em entrevista com o representante dos

    fiscais do municpio, atribui-se este comportamento ao fato de o municpio

    ter intensificado as aes de combate sonegao, com uma atuao mais

    presente da fiscalizao junto aos prestadores de servios contribuintes deste

    tributo. Outro fator mencionado pelo entrevistado refere-se terceirizao

    de alguns servios relacionados ao ISSQN, como o fornecimento de Notas

    Fiscais (manuais e eletrnicas), emisso de guias de arrecadao e controle

    dos servios por meio de um sistema on line. Esta ao, adotada a partir de

    2004, ocorre por meio de processo licitatrio, tendo como licitantes empresas

    especializadas nesse tipo de atividade.

    Seguindo o exemplo de outros municpios brasileiros, os servios

    relacionados gesto do ISSQN enfrentavam dificuldades, como o baixo

    investimento em recursos de informtica at a falta de pessoal para fisca-

    lizao. Tal situao refletia-se na baixa arrecadao deste tributo, sendo

    identificada a terceirizao de alguns servios como soluo questo.

    Tomando 2004 como base (ano em que iniciaram os servios terceiri-

    zados), percebe-se o crescente aumento da arrecadao do ISSQN ao longo

    do perodo analisado. Este comportamento atribudo pelo representante

    dos Fiscais de Arrecadao s aes efetivas da empresa em parceria com

    os fiscais do municpio, tais como cadastro do prestador de servio no siste-

    ma realizado pelo fiscal, concedendo nome de usurio e senha ao sistema;

    fornecimento de notas fiscais digitais; limitao de notas fiscais manuais;

    fixao de prazo at o dia 10 do ms seguinte data da emisso das notas

    para declarao da movimentao de servio do prestador e entrega da 2 via

    da nota fiscal (caso o prazo no seja cumprido, o prestador pode ter o nmero

    de notas reduzidas no prximo perodo); emisso da guia de recolhimento

  • Cristiano Sausen Soares Silvia Amlia Mendona Flores Daniel Arruda Coronel

    330 Ano 12 n. 25 jan./mar. 2014

    do ISSQN diretamente no sistema (o no recolhimento pode suspender/

    bloquear o cadastro do prestador, forando seu comparecimento no setor de

    fiscalizao a fim de regularizar a situao); impresso dos Livros de Registro

    do ISSQN pelo sistema, devendo este ser homologado pela fiscalizao.

    Outra fonte de recurso que merece destaque o Itbi, por apresentar

    a segunda maior variao dentre as receitas prprias, referente elevao

    de 174% na comparao de 2011 com 2004, mesmo sendo este tributo res-

    ponsvel por apenas 2,89% em mdia da receita total e 10,46% em mdia

    das receitas prprias. Segundo o responsvel pelo setor de arrecadao do

    municpio de Santa Maria (RS), este aumento est relacionado ao aumento

    das transaes imobilirias na cidade e de um convnio firmado entre o

    municpio e o Cartrio de Registro de Imveis, vinculando a emisso do

    cadastro no Registro de Imveis apresentao da guia de recolhimento

    deste tributo.

    O Imposto de Renda Retido na Fonte outro recurso prprio que

    apresenta comportamento de elevao. Esta fonte de recurso formada pelo

    valor retido sobre os ordenados pagos aos servidores municipais e servios

    prestados ao municpio. Na comparao entre os anos de 2011 e 2004, o IR

    aumentou em 176,7%. Esta fonte de receita, entretanto, representa 9,27%

    em mdia das receitas prprias e 2,56% em mdia da receita total. Este

    comportamento, segundo o responsvel do setor de Recursos Humanos,

    deve-se elevao dos salrios dos servidores municipais, alm do cum-

    primento do que determina a LRF quanto obrigatoriedade de reteno

    deste tributo, sob pena de omisso de receita, responsabilizando o gestor

    pblico por esta falta.

    O Imposto sobre a Propriedade Territorial Urbana (IPTU) o segundo

    tributo que mais representou fonte de recurso prprio no municpio de Santa

    Maria (RS), 27,2% em mdia. Esse tributo representa 7,57% em mdia das

    receitas totais no perodo. Mesmo com um comportamento de elevao, o

    IPTU, em 2007 e 2009, apresentou as menores arrecadaes, entretanto,

  • O COMPORTAMENTO DA RECEITA PBLICA MUNICIPAL: UM ESTUDO DE CASO NO MUNICPIO DE SANTA MARIA (RS)

    331Desenvolvimento em Questo

    na comparao do ano de 2011 com 2004, esta fonte de recurso mostra uma

    elevao de 24,26%. Para o gerente do IPTU, este comportamento deve-se

    ao fato de que os valores cobrados deste tributo sofreram reajustes abaixo do

    ndice UFM no perodo em estudo, alm dos descontos e benefcios fiscais

    concedidos aos proprietrios de imveis urbanos, contribuintes deste tributo,

    visando a sua arrecadao antecipada. Verifica-se, contudo, crescimento na

    sua arrecadao, atribudo pelo aumento da atividade imobiliria na cidade

    e aos descontos concedidos aos contribuintes que recolhem este tributo em

    prazos menores.

    Dentre as fontes de recurso prprias, a nica que no apresentou

    comportamento de elevao ao longo do tempo estudado foi a Taxa Muni-

    cipal. Este tributo formado pelas taxas de vistoria de alvar de localizao,

    protocolo, certides e demais servios prestados pelo municpio. Na com-

    parao entre os anos de 2011 e 2004, percebe-se uma reduo de 27,3% na

    arrecadao deste tributo, porm sua representatividade perante as receitas

    totais mostram 3,80% em mdia. Para o responsvel pelo Cadastro Imobilirio

    da prefeitura do municpio, este comportamento pode ser atribudo ao fato

    de haver aumento na inadimplncia por parte das empresas e consequente

    elevao na inscrio de dvida ativa no municpio.

    Figura 3 Evoluo da Receita Prpria

    RECEITA PRPRIA ARRECADADA em UFM 2004 - 2011

    2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011

    IPTU

    ISSQN

    ITBI

    TAXAS

    IR-FONTE

    Fonte: Secretaria de Finanas Prefeitura municipal de Santa Maria (RS).

  • Cristiano Sausen Soares Silvia Amlia Mendona Flores Daniel Arruda Coronel

    332 Ano 12 n. 25 jan./mar. 2014

    Na Figura 3 pode ser observada a ordem de arrecadao dentre as

    fontes de receitas prprias no municpio de Santa Maria no perodo estu-

    dado, bem como o comportamento de cada uma delas. Constatou-se que o

    ISSQN foi a fonte de recurso prprio que apresentou comportamento de

    maior elevao no perodo e grau de importncia perante a arrecadao total,

    enquanto o pior desempenho foi percebido pela fonte de receita das taxas

    arrecadadas pelo municpio.

    Sabendo-se que, dentre as receitas totais no municpio de Santa

    Maria (RS), as receitas de transferncia apresentam maior representativi-

    dade (72,21%, em mdia), necessita-se a observao do comportamento das

    fontes de recurso que formam esse tipo de receita. A Figura 4 apresenta o

    comportamento das receitas de transferncia no perodo estudado.

    Figura 4 Receitas Transferidas

    12.02

    1.689

    ,5014

    .014.0

    63,55

    14.54

    4.910

    ,8816

    .950.7

    84,33 20

    .824.9

    18,95

    18.51

    1.681

    ,8619

    .024.7

    34,05 22.13

    7.007

    ,13

    71.91

    7,53

    61.67

    3,82

    59.36

    6,99

    66.09

    5,52

    73.12

    2,14

    95.97

    4,78

    138.1

    38,28

    317.9

    98,77 2.5

    33.07

    8,75

    1.942

    .911,2

    22.2

    54.27

    4,75

    1.884

    .336,6

    52.3

    15.72

    2,00

    2.032

    .064,7

    5

    3.083

    .983,7

    72.7

    79.60

    2,63

    17.07

    8.965

    ,1018

    .878.9

    26,62

    18.19

    3.783

    ,45

    18.30

    8.597

    ,1623

    .329.4

    31,99

    22.20

    5.831

    ,5024

    .199.8

    71,91

    25.71

    8.209

    ,46

    5.504

    .762,3

    05.4

    53.38

    1,28

    5.952

    .319,1

    86.2

    04.28

    6,63

    7.891

    .826,5

    110

    .172.2

    05,54

    10.01

    0.327

    ,7810

    .427.9

    18,41

    10.89

    1.581

    ,7712

    .340.7

    84,47

    12.28

    8.334

    ,0714

    .117.7

    86,30

    18.74

    4.743

    ,22

    19.56

    5.291

    ,0221

    .909.0

    02,22

    23.79

    4.992

    ,49

    9.343

    .646,6

    06.6

    27.57

    2,63

    7.389

    .324,5

    29.4

    73.74

    4,90

    9.419

    .581,2

    710

    .984.2

    85,68

    9.721

    .583,1

    48.4

    93.33

    0,13

    FPM ITR FUNDEF ICMS IPVA FUNDEB OUTRAS

    RECEITAS TRANSFERIDAS - 2004 A 2011 - em UFM - SANTA MARIA (RS)

    2004

    2005

    2006

    2007

    2008

    2009

    2010

    2011

    Fonte: Secretaria de Finanas Prefeitura municipal de Santa Maria (RS)

    Dentre as receitas transferidas, a cota-parte do ICMS aquela que

    apresentou maior representatividade, 28,57% em mdia, e tem maior parti-

    cipao dentre as receitas totais, 20,62% em mdia. O ICMS mostrou uma

    elevao de 50,58% na comparao entre os anos de 2011 e 2004. Apesar de

    no apresentar uma evoluo contnua e regular, este recurso figura como

    a principal fonte de arrecadao da receita municipal em Santa Maria (RS),

    em todos os anos analisados.

  • O COMPORTAMENTO DA RECEITA PBLICA MUNICIPAL: UM ESTUDO DE CASO NO MUNICPIO DE SANTA MARIA (RS)

    333Desenvolvimento em Questo

    Nesse sentido, verifica-se que o Programa de Educao Fiscal

    apontado pelos responsveis da arrecadao como um fator de elevao

    desta receita. Este programa, realizado pela Prefeitura em parceria com a

    Escola Superior Fazendria (Esaf), por intermdio de cursos a distncia,

    forma disseminadores da educao fiscal direcionados a professores da rede

    pblica, estudantes e demais interessados, incentivando e conscientizando

    da importncia de o cidado exigir a nota fiscal como forma de combate

    sonegao.

    Alm disso, o responsvel pelo setor de ICMS atribui o aumento desta

    receita s aes desenvolvidas de fiscalizao junto a produtores rurais e

    empresas da cidade, baseadas em duas fases: 1) anlise e correo das Guias

    Informativas modelo B (GMB), prestadas Secretaria da Fazenda do Estado

    do RS (Sefaz-RS); este processo justifica-se, pois parte do ICMS recolhido

    ao Estado retorna ao municpio de origem na forma de valor adicionado;

    substituio das GMB com dados divergentes; cobrana via telefone e e-

    -mail, da apresentao daqueles contribuintes omissos desta declarao; 2)

    aps o processamento das declaraes enviadas Sefaz-RS e consequente

    divulgao do ndice provisrio da cota-parte do ICMS, verificam-se poss-

    veis divergncias, e, em caso positivo, elaboram-se recursos para recuperar

    os eventuais valores divergentes.

    Outra fonte de recurso que se destaca entre as receitas transferidas

    o Fundeb, que figura como a segunda principal fonte da receita municipal,

    representando 22,19% em mdia das receitas transferidas e 16,04% em mdia

    das receitas totais. Com um comportamento de elevao contnua, essa fonte

    de receita apresenta um aumento de 118,47% entre 2004 e 2011. A maior

    variao, porm, ocorreu entre 2008 e 2009 (32,21 pontos porcentuais). Esse

    comportamento, segundo a Secretaria de Educao, deve-se ao aumento das

    matrculas nas escolas municipais, podendo ser atribudo evaso de alunos

    da rede privada, abertura de novas vagas pblicas, campanhas de incentivo

    educao de jovens e adultos, entre outros.

  • Cristiano Sausen Soares Silvia Amlia Mendona Flores Daniel Arruda Coronel

    334 Ano 12 n. 25 jan./mar. 2014

    O Fundo de Participao Municipal (FPM), segundo dados da Secre-

    taria do Tesouro Nacional (STN), uma das principais fontes de arrecadao

    de receitas na maioria dos municpios brasileiros. J em Santa Maria (RS)

    esta fonte de recurso figura como a segunda principal receita pblica, pela

    mdia 23,3% das receitas transferidas e 16,83% das receitas totais. Mesmo

    apresentando um aumento de 84,14% de 2004 a 2011, percebe-se uma

    reduo em 2009 de 3,06 pontos porcentuais da representatividade das

    receitas transferidas.

    Figura 5 Evoluo das Receitas Transferidas

    Fonte: Secretaria de Finanas Prefeitura Municipal de Santa Maria (RS).

    As receitas transferidas apresentaram comportamento ascendente no

    perodo analisado. O maior crescimento percebido, entretanto, refere-se ao

    Fundeb que, a partir de 2009, assumiu a segunda maior representatividade

    perante as receitas dessa natureza. Enquanto o FPM e o ICMS apresen-

    taram leve reduo de 2008 para 2009, talvez verificada pela reduo da

    arrecadao nacional em virtude da crise financeira global, as demais receitas

    apresentam leve crescimento no perodo. A partir de 2009, contudo, houve

    crescimento na receita transferida de outros Entes pblicos, com exceo

    do grupo de outras receitas que se referiu a demais repasses de natureza

    no oramentria.

  • O COMPORTAMENTO DA RECEITA PBLICA MUNICIPAL: UM ESTUDO DE CASO NO MUNICPIO DE SANTA MARIA (RS)

    335Desenvolvimento em Questo

    Concluses

    Sabe-se que a Receita Pblica Municipal uma questo importante

    para o desenvolvimento dos municpios. As recentes crises financeiras e o

    crescimento das demandas da sociedade configuram um cenrio repleto de

    desafios para a gesto de finanas pblicas municipais, cabendo aos gestores

    aplicar de maneira eficiente os recursos que so arrecadados e geridos pelo

    municpio.

    Neste sentido, o presente estudo buscou analisar o comportamento

    das receitas pblicas no municpio de Santa Maria (RS), investigando as

    principais fontes de receitas prprias e receitas de transferncia. Alm disso,

    buscaram-se identificar aes que pudessem elucidar tal comportamento

    durante o perodo analisado (2004 a 2011).

    Adotou-se como metodologia uma pesquisa qualitativa, tendo por

    fonte dados primrios coletados por meio de entrevistas com especialistas

    da gesto pblica no municpio e dados secundrios, mediante relatrios

    internos e externos relacionados gesto municipal. Para essa anlise,

    utilizou-se o mtodo do estudo de caso, ou seja, avaliando especificamente

    a cidade de Santa Maria (RS). Destaca-se a escolha do caso devido a sua

    representatividade econmica em relao Regio Central do Estado do

    RS. O Produto Interno Bruto (PIB) da cidade formado principalmente

    pelos servios, seguido da indstria e da agropecuria. Os servios que mais

    se destacam relacionam-se rea da educao, na qual a cidade destaca-se

    pelo seu potencial, considerando as diversas instituies de ensino situadas

    no local.

    Os resultados da pesquisa demonstram uma evoluo de 60,71% das

    receitas totais durante o perodo. Essas receitas totais so representadas

    pelas receitas prprias (27,79%, em mdia, da receita total) e pelas receitas

    de transferncia recebidas no municpio da Unio e do Estado (72,21%,

    em mdia, da receita total). Ao analisar as receitas prprias, nota-se tam-

    bm uma elevao acentuada a partir do ano de 2008. Este fato pode estar

  • Cristiano Sausen Soares Silvia Amlia Mendona Flores Daniel Arruda Coronel

    336 Ano 12 n. 25 jan./mar. 2014

    relacionado com questes econmicas relativas aos planos de estmulo e

    fortalecimento da economia para enfrentamento da crise financeira mundial

    daquele perodo.

    Assim, conclui-se que a principal fonte de receitas prprias, de 2004

    a 2011, foi o ISSQN, que obteve um crescimento de 90,5%, atribudo

    principalmente terceirizao de servios de gesto do ISSQN, alm da

    intensificao da fiscalizao. A segunda fonte de recursos prpria em re-

    presentatividade foi o IPTU, com uma participao de 27,2% (em mdia),

    apresentando uma elevao de 24,26% durante o perodo analisado. Este

    comportamento pode ser atribudo ao aumento no nmero de imveis na

    cidade e pelas campanhas anuais de concesso de desconto para recolhimento

    antecipado deste tributo. J o Itbi apresentou um dos comportamentos de

    maior elevao dentre as fontes de recursos prprios e pode ser explicado

    pelo crescimento da atividade imobiliria e pela adoo de uma norma legal

    que exige a guia de recolhimento deste tributo para cadastro da certido

    no Registro de Imveis. Os outros tributos de arrecadao prpria (IRRF

    e Taxas), apesar de apresentarem crescimento no perodo estudado, no

    apresentam expressiva representatividade ante as receitas totais.

    Ao avaliar as receitas de transferncia, constatou-se que a principal

    fonte (no perodo de 2004 a 2011) deste tipo de receita corresponde ao

    ICMS. Os recursos gerados por este imposto alcanaram um crescimento

    de 50,58%. Este resultado na cidade de Santa Maria diverge da maioria das

    cidades brasileiras. Pela importncia do comrcio local na regio, entretanto,

    o ICMS apresenta-se como a principal fonte de recursos de transferncias

    devido ao programa de educao fiscal, incentivando a exigncia da Nota

    Fiscal em todas as operaes comerciais, alm do aumento da fiscalizao

    como forma de intensificar o combate sonegao.

    A segunda maior fonte de renda de transferncias em 2011 o Fun-

    deb, com mdia de 16,04% de representatividade ante as receitas totais

    devido ao aumento de vagas escolares disponveis e preenchidas na cidade,

    conforme a metodologia de rateio desta receita entre as cidades brasileiras.

  • O COMPORTAMENTO DA RECEITA PBLICA MUNICIPAL: UM ESTUDO DE CASO NO MUNICPIO DE SANTA MARIA (RS)

    337Desenvolvimento em Questo

    Assim, aes voltadas educao resultam em aumento nas receitas recebidas da Unio. Ressalta-se tambm que esta fonte de receitas obteve crescimento ao longo do perodo de anlise. A terceira fonte de transferncias com maior representatividade em 2011 o Fundo de Participao Municipal (FPM), com 16,83% das receitas totais. Segundo dados da STN, esta fonte de recurso, para muitos municpios brasileiros, a principal fonte de receita, demonstrando a dependncia econmica existente de recursos da Unio e dos Estados.

    Assim, a realizao desta pesquisa apresentou algumas limitaes. Percebe-se que, por se tratar de aspectos financeiros, torna-se difcil acessar profundamente os dados, limitando as questes a serem analisadas pela sua representatividade. Alm da natureza financeira das informaes, ressalta-se o perodo restrito da anlise, que variou do ano de 2004 a 2011. Ao analisar a metodologia aplicada, nota-se que a principal limitao refere-se no generalizao dos resultados, por se tratar de um estudo de caso.

    Desta forma, verificou-se que as receitas pblicas so um tema rele-vante, pois representam um desafio para os gestores pblicos, que devem adequar o seu oramento s necessidades da sociedade. Sendo assim, importante conhecer como se estrutura a receita total pblica, formada por receitas prprias e receitas de transferncia. Com isso, tem-se como principal sugesto para trabalhos futuros a ampliao da amostra, investigando a reali-dade de outros municpios. Alm disso, sugere-se realizar testes estatsticos que possam aprofundar a anlise dos dados financeiros.

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  • Cristiano Sausen Soares Silvia Amlia Mendona Flores Daniel Arruda Coronel

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    Recebido em: 5/5/2013

    Aceite final em: 1/10/2013