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  • O Cientista e seu Trabalho - uma atividade para aproximar a cultura cientfica com alunos do Ensino Mdio

    NOVO, Juliane; Biloga Educadora em Museu; Instituto Butantan

    ISZLAJI, Cynthia; Mestre em Ensino de Cincias; Universidade de So Paulo

    Modalidade: Relato de experincia

    Resumo

    Concepes sobre Cincias e Cientista podem ser trabalhadas pela divulgao cientfica em aes educativas. O artigo apresenta a aplicabilidade da atividade O Cientista e seu Trabalho, do projeto Formando Divulgadores da Cincia desenvolvido com estudantes do Ensino Mdio. Visou-se problematizar a imagem do cientista com debates e releituras, desmistificando mitos sobre a figura dos cientistas. A metodologia consistiu, em levantar as concepes iniciais dos alunos sobre a imagem do cientista e do seu trabalho, propor leitura de textos para atribuir novas caractersticas figura do pesquisador e realizar uma releitura, que exps a viso reconfigurada do cotidiano laboratorial, por meio de msica, teatro, colagens e desenhos. Segundo Kosminsky e Giordan (2002) estudantes possuem vises, por vezes distorcidas, sobre a vida do cientista. Para Barca (2005) a mdia contribui na construo de uma imagem irreal da cincia; assim, o laboratrio visto como um lugar misterioso de descobertas incrveis realizadas por um cientista. No debate constatou-se que os alunos tinham vises estereotipadas e, com a atividade, uma nova viso sobre o cientista e seu trabalho foi construda. Palavras Chaves: Cientista, Concepo de Cincias e Ensino de Cincias.

    1. INTRODUO

    A valorizao da cincia e o foco das mdias criaram uma viso popular de que a cincia produzida de forma isolada do contexto poltico, histrico e social. A imagem distorcida se aplica tambm aos seus praticantes. Parte da populao entende o cientista como uma figura do sexo masculino, solitrio, inquestionvel e louco.

    O estilo de vida e os meios de comunicao aproximam as pessoas dos termos cientficos como biodiversidade, protenas, toxinas, sustentabilidade, memria, pr-histria, foram incorporados no cotidiano devido sua extroverso do mundo cientfico pelo constante uso da divulgao.

    A popularizao da cincia fez crescer canais de comunicao entre pblico e especialistas, como revistas, jornais, rdio, internet, eventos pblicos em bares e outros locais no acadmicos, teatro, novelas, histrias em quadrinho, poesias, jogos, contao de histrias, cordis e, at, desfiles populares (MASSARANI, 2004).

    Essas facetas de divulgao se multiplicaram no ltimo sculo, facilitando a conversa entre pesquisadores e no pesquisadores. Valrio e Bazzo (2006) afirmam que existem formas de divulgao cientficas e tecnolgicas, fora do

  • mbito da educao formal, mas que a maioria problemtica, pouco reflexiva e descontextualizada com a realidade. Segundo Barca (2005), os filmes podem influenciar na opinio pblica sobre cincia, devido diversidade de papis que o cientista representou no cinema em diferentes pocas. Sua figura nos filmes ora aparece como uma pessoa que busca poder e riqueza, ora como algum atrapalhado e divertido que resolve problemas com experincias que do certo por acaso. Os dois exemplos so imagens de profissionais que possuem conhecimentos nicos, no idealizados pela maioria das pessoas.

    A influncia miditica e a incompreenso de conceitos cientficos por parte da sociedade geraram uma interpretao ingnua figura do cientista criando um mito com estas caractersticas irreais desse profissional: homem louco, inquestionvel, de inteligncia extraordinria, entre outros atributos ilusrios. Assim, v-se a necessidade de atividades que trabalhem com desmistificao desse mito, ou seja, promovendo e demonstrando a verdadeira figura do cientista: um homem comum.

    Observa-se que algumas prticas do ensino formal de cincias trabalham pouco para desmistificar essa figura do cientista, tratam a cincia de forma desconexa da realidade, alm de no prepararem de forma satisfatria o cidado tanto para envolver em seu cotidiano os termos cientficos, quanto para entender como um cientista trabalha, e refletir sobre seu envolvimento com a sociedade (DURANT, 2005; VALRIO e BAZZO, 2006). Um levantamento realizado por Kosminsky e Giordan (2002, p. 14) apresenta desenhos e descries feitos por alunos do Ensino Mdio que demonstram um cientista do sexo masculino, solitrio, que vive entre seus experimentos e faz descobertas incrveis. Segundo Barca (2005), os meios de comunicao contriburam para que a populao tivesse essa imagem dos cientistas.

    A incompreenso de termos e conceitos cientficos aliada a essa imagem do pesquisador, pode gerar o desinteresse e a fuga das aulas de cincias, o que seria evitado com a explorao da opinio estudantil sobre a cultura cientfica e sua aplicabilidade.

    Faz-se importante promover aes que aproximem cincia e sociedade, possibilitando momentos para desmistificar as vises alegricas da cincia, dos cientistas e at de conceitos e assim subsidiar discusses sobre as funes sociais da cincia, colaborando com a cultura e com o desenvolvimento do pas (ROCHA, 2003).

    2. OBJETIVOS

    O artigo apresenta a aplicabilidade da atividade educativa nomeada O Cientista e seu Trabalho, que visou desmistificar mitos sobre a figura do cientista e do seu trabalho, por meio de discusses e releitura do texto Vida de Laboratrio: a produo dos fatos cientficos do autor Bruno Latour e Steve Woolgar (1997). O mbito do projeto Formando Divulgadores da Cincia desenvolvido foi desenvolvido ao longo de dois anos pelo Instituto Nacional de Cincia e Tecnologia em Toxinas/INCTTOX/CNPq, Faculdade de Educao da USP e Instituto Butantan, com o objetivo de aproximar alunos da cultura cientfica. A atividade foi aplicada em trs turmas do projeto compostas por alunos de Ensino Mdio de escolas pblicas da cidade de So Paulo.

  • 3. METODOLOGIA

    A atividade foi dividida em trs momentos: introduo, desenvolvimento e fechamento. A introduo aconteceu por meio da leitura acompanhada de uma discusso dirigida sobre o cotidiano de cientistas. O texto descreve as atividades rotineiras de um laboratrio, aspectos paralelos pesquisa como limpeza do ambiente, trmites burocrticos, vida pessoal e relaes interpessoais entre os trabalhadores do laboratrio. A descrio parte do dirio de campo de um pesquisador da rea de humanas, que estuda o cotidiano de um laboratrio.

    Para nortear a discusso levantada pelo texto, os educadores elaboraram e seguiram os seguintes tpicos:

    Vida social do cientista (famlia, amigos, lazer); Trabalho em equipe (troca de informaes e colaborao com outros

    cientistas, interao entre funcionrios do laboratrio); Locais de pesquisa (laboratrio e campo); Financiamento das pesquisas; Diferenas nas pesquisas de Cincias Humanas e Biolgicas; Figura profissional do cientista como pesquisador e no descobridor. O desenvolvimento foi realizado pela releitura, momento em que os alunos

    representaram o assunto trabalhado por meio de msica, pea de teatro, desenhos e maquetes.

    A atividade foi finalizada com a apresentao dos materiais produzidos a partir das releituras, abordando as diferentes vises do cotidiano laboratorial e da imagem do cientista construda pelos estudantes. Esses materiais representam uma forma de divulgar multiplicar essa reflexo.

    4. DESCRIO DA ATIVIDADE

    Os alunos receberam uma cpia do texto e aps a leitura discutiram sobre o cotidiano dos cientistas com base nos tpicos descritos na metodologia.

    Em seguida apresentaram-se formas de releitura, usando como exemplo a msica Como grande o meu amor por voc interpretada por Roberto Carlos. A cano foi o foco de releituras de fs que representaram suas ideias influenciadas pela melodia com imagens, animaes, e outras expresses. Depois, o grupo iniciou sua prpria releitura.

    Nas trs turmas do projeto, os alunos (Figuras 1 e 3) optaram por fazer uma releitura do texto que representasse as ideias do grupo. Ao final apresentaram o material e promoveram em conjunto uma reflexo sobre a figura e o trabalho do cientista. Embora a organizao das turmas tenha sido a mesma, os produtos finais foram diferentes.

    A primeira turma fez um trabalho de recorte e colagem junto com desenhos e pinturas (Figura 2), enquanto realizavam a atividade, citaram as relaes sociais dos cientistas, como famlia e amigos para escolha das imagens e como organiz-las e fix-las. As figuras representaram que a pesquisa no individual (imagem de pessoas em reunio pensando). Tambm colaram figuras que representavam sua viso antes e depois de conhecer o cotidiano de um ambiente de pesquisa (imagem de cientistas presos em seus laboratrios, cientistas trabalhando em grupo e em campo). A vida social foi representada pelo desenho de uma famlia.

  • O Instituto Butantan e o INCTTOX foram representados pela imagem de extrao de veneno de serpentes e uma molcula.

    A segunda turma optou pela confeco de desenhos em quadrinhos (Figura 4) em cartolina e lpis grafite. Representaram o cotidiano de um pesquisador em seis diferentes situaes: trabalhando sozinho e em equipe, comendo no laboratrio, jogando lixo no cho e lendo jornal com os ps na mesa. Os alunos alegaram que um cientista no tem como fazer seus experimentos sozinhos, precisa de ajuda de tcnicos, secretrias e de faxineiros. Os alunos compararam os cientistas com eles mesmos, quando s vezes, colocam os ps sobre a mesa e jogam o lixo fora da lixeira.

    A terceira turma fez a releitura a partir de maquetes confeccionadas com massa de modelar, material reciclvel e sucata, e reproduziram materiais de laboratrio, como microscpios e placas de petri. Uma aluna representou uma ao comum nos laboratrios, que o ato de manter as mos limpas antes de manipular experimentos, confeccionando uma mo de massa de modelar cheia de germes com a legenda Lave as mos.

    As figuras abaixo representam alguns momentos das ati