o carro de controle remoto: motivando os ?· o carro de controle remoto: motivando os estudantes...

Download O CARRO DE CONTROLE REMOTO: MOTIVANDO OS ?· O CARRO DE CONTROLE REMOTO: MOTIVANDO OS ESTUDANTES DO…

Post on 28-Nov-2018

214 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • O CARRO DE CONTROLE REMOTO: MOTIVANDO OS

    ESTUDANTES DO ENSINO MDIO PARA CURSOS DE ENGENHARIA

    Cassiano Scott Puhl c.s.puhl@hotmail.com

    Isolda Gianni de Lima iglima@ucs.br

    Universidade de Caxias do Sul UCS Centro de Cincias Exatas e Tecnologia

    Rua Francisco Getlio Vargas, 1130 Bairro Petrpolis

    95070-560 Caxias do Sul RS

    Resumo: Este artigo apresenta o relato da aplicao de uma oficina interdisciplinar,

    Engenheiro por um dia, onde os estudantes construram um carrinho de controle remoto.

    A oficina foi realizada com alunos do ensino mdio de uma escola pblica e foi oferecida

    pela Universidade de Caxias do Sul, campus Bento Gonalves. Um dos objetivos da oficina

    consistia em motivar os estudantes a continuarem os estudos na rea das cincias exatas,

    mostrando que este projeto integra diferentes profissionais, e, alm disso, buscou-se, tambm,

    aproximar universidade das escolas de ensino mdio, provendo-as, inclusive, de recursos que

    no possuem. A oficina uma prtica de aprendizagem ativa, em que a teoria da

    aprendizagem significativa, de David Ausubel, e conceitos de interdisciplinaridade, segundo

    Ivani Fazenda, fundamentam a proposta das atividades, as reflexes e discusses promovidas

    no decorrer da sua realizao. Como metodologia, considerou-se a subjetivista reflexiva, na

    qual o sujeito age e interage para construir conhecimento, em atividades em que se

    procurava relacionar os contedos formais estudados com as situaes prticas realizadas

    na oficina. Deste modo, avaliamos que a oficina foi positiva, pois os estudantes

    demonstraram que sabiam do conhecimento o formal, subsunores, e atravs das interaes

    feitas nos laboratrios, os novos conhecimentos foram ancorados nesses subsunores, ou

    algumas reconstrues de saberes foram desenvolvidas.

    Palavras-chave: Aprendizagem significativa, Aprendizagem ativa, Interdisciplinaridade,

    Ensino mdio.

    1. INTRODUO

    O Ensino Mdio brasileiro est passando por reformaes, causadas principalmente pelo

    programa do Ensino Mdio Inovador que visa a disseminao da cultura de um currculo

    dinmico, flexvel e que atenda s demandas da sociedade contempornea (BRASIL, 2013,

    p. 10). O Rio Grande do Sul j sofre por essas modificaes impostas pelo governo, em que o

    principal objetivo desta mudana melhorar a qualidade da aprendizagem dos alunos, e

    tambm, possibilitar condies de desenvolvimento de habilidades e conhecimentos

    necessrios para que possam enfrentar a realidade atual em que esto inseridos (RS/SE, 2011;

    BRASIL, 2013).

  • Alm da prtica do professor, os currculos escolares sofrero modificaes, pois as

    disciplinas tero que dialogar para construir projetos interdisciplinares. Trabalhando desta

    forma, os estudantes tero uma compreenso geral do contedo estudado neste projeto. Com

    isto, os currculos, se no sofreram, iro sofrer algumas modificaes para permitir a criao

    de projetos interdisciplinares. A Engenharia um campo amplo, que permite a integrao de

    diversas reas de conhecimento, como possvel no projeto Engenheiro por um dia

    oferecido pela Universidade de Caxias do Sul, campus Bento Gonalves (PARMEGIANI &

    RITTER, 2013). Este projeto visa aproximar o Ensino Mdio do Ensino Superior, e tambm

    motivar os estudantes para continuarem os estudos na rea das Cincias Exatas.

    Geralmente, os alunos de escolas pblicas apresentam uma defasagem na rea das

    cincias da natureza, principalmente pela falta de profissionais especializados em cada

    disciplina (Qumica, Fsica e Biologia) e tambm pela infraestrutura necessria para a

    realizao de experimentos e atividades diversificadas. Ambos os aspectos, esto presente nas

    universidades. Assim, realizando uma oficina, os estudantes do Ensino Mdio podem

    conhecer e manipular estes materiais presentes nos laboratrios universitrios, aproximando o

    Ensino Mdio do Ensino Superior, como tambm motivando os estudantes para o estudo da

    rea das cincias exatas.

    A rea das exatas, como a Matemtica, a Fsica e a Qumica, capaz de desencadear

    diversos sentimentos em cada estudante, apenas por se mencionar, por exemplo, em uma

    turma de Ensino Mdio, que alguns contedos so trabalhados de forma precria, pela falta de

    infraestrutura necessria para a realizao, principalmente, de experimentos. Sem estes

    experimentos, o contedo fica sem sentido. Com a utilizao de experimentos prticos, o

    estudante poder relacionar o conhecimento terico ao prtico. Desta forma, ele poder

    utilizar seu conhecimento, no apenas como ncora para novas construes cognitivas, como,

    tendo sentido os seus conceitos requeridos, suficientemente para serem reconhecidos com

    recursos de apoio, o pilar de novas aprendizagens significativas.

    Conhecendo esta oficina Engenheiro por um dia, levamos os alunos do 3 ano de uma

    escola pblica para a realizao da oficina. Numa conversa informal, todos os alunos

    mostravam interesse em realizar um curso universitrio. Entre esses, sete alunos

    demonstravam interesse em estudar a rea das exatas: engenharia eltrica (dois meninos),

    engenharia civil (duas meninas), engenharia mecnica (uma menina e um menino) e Sistema

    de Informao (um menino). A princpio, a oficina j seria aproveitada por grande parte da

    turma, mas no decorrer das atividades, observou-se que todos os estudantes aprovaram a

    oficina. Nenhum aluno omitiu-se das atividades, eles participaram, questionaram e

    demonstraram interesse nas atividades e na fala dos oficineiros e das oficineiras. No foi feita

    nenhuma avaliao quantitativa, somente uma qualitativa, avaliando o registro do

    desenvolvimento da oficina, em que eles apostaram algumas aprendizagens e tambm crticas

    sobre a oficina.

    2. FUNDAMENTAO TERICA

    A escola no tem mais o objetivo de passar o conhecimento aos estudantes. Para

    armazenar e acessar o conhecimento existem os computadores, tal recurso que no havia anos

    atrs (MORETTO, 2007). Estas escolas que apenas reproduzem conhecimento so

    denominadas tradicionais, formando alunos alienados e repetidores, com um perfil medocre

    de cidado (BECKER, 2001). Os professores tm dificuldades em romper com o paradigma

    da transmisso de conhecimento. Hoje, a sociedade clama por cidados crticos, criativos,

  • capazes de melhorar a situao social (LCK, 2002). Fica evidente que no queremos mais

    formar este tipo de estudante, que necessrio mudar este paradigma educacional. Muitas

    ideias, projetos e providncias so tomados na tentativa de rever o processo educacional, no

    qual a qualidade da educao brasileira considerada baixa.

    Procurando mudar este panorama, foram lanadas as orientaes do Programa do Ensino

    Mdio Inovador proposto pelo Ministrio da Educao (BRASIL, 2013). Assim , por

    exemplo, a iniciativa do governo ao criar o Programa do Ensino Mdio Inovador que visa a

    disseminao da cultura de um currculo dinmico, flexvel e que atenda s demandas da

    sociedade contempornea (BRASIL, 2013, p. 10). Aps algumas queixas dos professores da

    rede estadual, foi lanado, em 2014, o Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Mdio.

    Uma formao continuada que tem o objetivo de desenvolver prticas interdisciplinares, em

    que o contedo tenha significado para os alunos, melhorando as prticas desenvolvidas

    durante a aula. Durante a formao, diversos professores podero discutir os contedos e

    desenvolver projetos interdisciplinares, assim, o projeto no fica somente no papel, mas toma

    vida.

    O papel da escola deve ser novo. Ela no deve mais preparar reprodutores de

    conhecimentos, em geral, sem significado e, sim, buscar preparar atores transformadores de

    sociedade. Nessa linha de pensamento, formulamos o princpio: uma funo social da escola

    ajudar a formar gerentes de informaes e no meros acumuladores de dados (MORETTO,

    2007, p. 67). Assim, a escola deve se preparar para desenvolver os contedos de uma forma

    diferente, em que o aluno se torna o sujeito neste processo de aprendizagem e que

    compreenda o significado do contedo escolar. Dependendo do contedo, a escola precisa ter

    uma boa estrutura, laboratrio de qumica e eltrica para desenvolver prticas potencialmente

    significativas (AUSUBEL et al., 1980). Os contedos de Fsica e de Qumica acabam sendo

    prejudicados, sendo necessrio pedir ajuda para as instituies de Ensino Superior. Essa

    interao Ensino Mdio e Ensino Superior, deveria acontecer com uma frequncia maior,

    desta forma, os professores poderiam desenvolver seus contedos com um sentido maior.

    Seguindo esta perspectiva, vamos fundamentar a nossa opo pedaggica segundo a

    aprendizagem significativa de David Ausubel.

    Segundo Ausubel (1980), a essncia da aprendizagem significativa que as ideias

    expressas simbolicamente so relacionadas s informaes previamente adquiridas atravs de

    uma relao no arbitrria e substantiva. O contedo a ser aprendido deve se relacionar com

    conhecimentos j existentes, chamados de subsunores. O novo conceito ancorado

    estrutura cognitiva, indicando que h uma relao no arbitrria da aprendizagem. Assim, o

    conhecimento no somente palavras, regras ou algoritmo (MOREIRA & MASINI, 2007).

    Ao compreender um contedo, o estudante vai alm de repetir, usa mais que processos de

    memria, ele passa a compreender conceitos e relaes entre conceitos, fatos que os envolvem

    e a refletir sobre os contedos.

    Alm da relao no arbitrria