O ASSÉDIO MORAL SOB A PERSPECTIVA DA GLOBALIZAÇÃO ?· sabrina zein o assÉdio moral sob a perspectiva…

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<ul><li><p>SABRINA ZEIN </p><p>O ASSDIO MORAL SOB A PERSPECTIVA DA GLOBALIZAO E SUAS CONSEQUNCIAS SADE PSQUICA DOS EMPREGADOS GESTORES </p><p>CURITIBA 2015</p></li><li><p>CENTRO UNIVERSITRIO CURITIBA FACULDADE DE DIREITO DE CURITIBA </p><p> SABRINA ZEIN </p><p>O ASSDIO MORAL SOB A PERSPECTIVA DA GLOBALIZAO E SUAS CONSEQUNCIAS SADE PSQUICA DOS EMPREGADOS GESTORES </p><p>Dissertao apresentada ao Programa de Mestrado de Direito Empresarial e Cidadania do Centro Universitrio Curitiba, como requisito parcial para a obteno do Ttulo de Mestre em Direito. Orientador: Professor Doutor Eduardo Milleo Baracat </p><p> CURITIBA </p><p>2015</p></li><li><p>O ASSDIO MORAL SOB A PERSPECTIVA DA GLOBALIZAO E SUAS CONSEQUNCIAS SADE PSQUICA DOS EMPREGADOS GESTORES </p><p> Dissertao aprovada como requisito parcial para obteno do ttulo de Mestre em </p><p>Direito no Programa de Mestrado de Direito Empresarial e Cidadania do Centro </p><p>Universitrio Curitiba, pela Banca Examinadora formada pelos professores: </p><p> _________________________________________________________ Professor Orientador Dr. Eduardo Millo Baracat - 1 Membro da Banca </p><p>_________________________________________________________ Professor Dr. Paulo Ricardo Opuszka - 2 Membro da Banca </p><p>_________________________________________________________ Professor Dr. Marco Antnio Csar Villatore - 3 Membro - externo da Banca </p><p>_________________________________________________________ Professor Dr. Jos Affonso Dallegrave Neto - 4 Membro - convidado </p><p>Curitiba, 27 de junho de 2015. </p></li><li><p>Aos meus pais, SAMIRA e JOS, porque nosso amor eterno, transcende. </p></li><li><p>AGRADECIMENTOS </p><p>Sob as minhas lentes o bem mais precioso que possumos so as relaes que </p><p>construmos com as pessoas a nossa volta e com o meio ambiente no qual vivemos. </p><p>Nenhum avano possvel sem o suporte daqueles que participam de nosso </p><p>desenvolvimento dirio, razo pela qual meus primeiros agradecimentos so </p><p>inominados e destinados famlia e aos amigos ntimos como um todo. </p><p>No que se refere ao trabalho propriamente dito agradeo aos ensinamentos do </p><p>meu professor orientador Doutor Eduardo Millo Baracat, que sempre se mostrou </p><p>motivado a instigar meu pensamento, auxiliando na construo do conhecimento. </p><p>Manifesto aqui minha sincera admirao pelo seu trabalho no meio acadmico, em </p><p>especial s obras sobre os temas da boa-f objetiva e da prescrio, as quais utilizo </p><p>rotineiramente no exerccio da advocacia. </p><p>Agradeo tambm aos Professores Doutor Marco Antnio Csar Villatore e </p><p>Doutor Paulo Ricardo Opuszka com os quais tenho o privilgio de conviver nos </p><p>meios acadmicos desde os tempos da graduao e que em muito contriburam </p><p>para que eu pudesse prosseguir na pesquisa a ser realizada. </p><p>Agradeo aos meus amigos e colegas de escritrio que me apoiaram nessa </p><p>caminhada em busca da realizao de um objetivo de crescimento pessoal, com </p><p>especial meno Aline Hartmann Dahle e Lucia Kelesk, que compartilham das </p><p>minhas aflies, destinando-me apoio e muita dedicao. </p><p>Manifesto, ainda, minha mais profunda gratido ao amigo, scio e professor, Dr. </p><p>Jos Affonso Dallegrave Neto por todo incentivo para a realizao do mestrado e do </p><p>presente estudo. Registro aqui minha homenagem sincera forma simples e </p><p>solidria de dividir seus profundos conhecimentos com aqueles que com ele </p><p>convivem. </p><p>Por ltimo, com todo meu amor, agradeo ao companheirismo, carinho e </p><p>cuidado do meu porto seguro, melhor amigo e namorado Carlos Henrique Vieira </p><p>Tom. </p></li><li><p> O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porm, desviamo-nos dele. A cobia envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do dio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a misria e os morticnios. Criamos a poca da produo veloz, mas nos sentimos encurralados dentro dela. A mquina, que produz em grande escala, tem provocado a escassez. Nossos conhecimentos fizeram-nos cticos; nossa inteligncia, empedernidos e cruis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que mquinas, precisamos de humanidade; mais do que inteligncia, precisamos de afeio e doura! Sem essas virtudes, a vida ser de violncia e tudo estar perdido. </p><p>(Charles Chaplin) </p></li><li><p>RESUMO </p><p>O presente estudo tem por objetivo a verificao da possibilidade ou no de adoecimento do empregado gestor em razo da incidncia de prticas de assdio moral. Para realizao do trabalho buscou-se analisar o conceito e as caractersticas da globalizao, bem como seus efeitos, qualificando-os como positivos ou negativos. Na sequncia, elaborou-se um resgaste histrico da evoluo dos processos de produo, a partir do traspasse do fordismo para o toyotismo e enfrentando, na sequncia, as consequncias da globalizao para as relaes laborais. Buscou-se, ainda, inserir esses empregados diferenciados na estrutura de organizao do trabalho, compreendendo o papel e a importncia de sua atuao. Procedeu-se, ainda, conceituao e caracterizao do assdio moral para poder avaliar a possvel vulnerabilidade dos empregados gestores s praticas assediadores. Por ltimo, procedeu-se anlise acerca das doenas mentais e sua possvel incidncia em relao aos empregados gestores. Palavras-chave: globalizao; empregados gestores; assdio moral; fordismo e toyotismo </p></li><li><p>ABSTRACT </p><p> This study aimed at verifying whether or not illness manager employee because of the incidence of bullying practices. To carry out the work we sought to analyze the concept and characteristics of globalization and its effects, describing them as positive or negative. As a result, it elaborated a historical ransom of changes in production processes, from fordism to run through toyotism and experiencing, following the consequences of globalization for industrial relations. It sought to also enter these different employees in work organization structure, including the role and the importance of their work. The procedure was also the conceptualization and characterization of bullying to assess the potential vulnerability of managers to employees stalkers practices. Finally, we proceeded to the analysis about mental illness and its possible implications in relation to management employees. Keywords: globalization; managers employees; bullying; fordism and toyotism </p></li><li><p>SUMRIO </p><p> RESUMO..................................................................................................................... 6 ABSTRACT ................................................................................................................. 7 1 INTRODUO ......................................................................................................... 9 2 OS EFEITOS DA GLOBALIZAO NO MBITO DA ORGANIZAO DO TRABALHO .............................................................................................................. 12 2.1 CONCEITOS, CARACTERSTICAS E EVOLUO DA GLOBALIZAO ......... 12 2.1.1 Conceituao e Caracterizao da Globalizao: As Diversas Lentes ............ 12 2.1.2 Globalizao: Evoluo ou Involuo? ............................................................. 26 2.2 AS FORMAS DA ORGANIZAO DO TRABALHO NA ERA DA GLOBALIZAO ....................................................................................................... 37 2.2.1 Traspasse do Taylorismo e do Fordismo para a Produo Flexvel Toyotista . 37 2.2.2 A Continuidade Aps o Traspasse: Efeitos (Positivos e Negativos) das Alteraes Advindas da Globalizao na Estrutura da Organizao do Trabalho .... 53 3 O ASSDIO MORAL NO AMBIENTE DE TRABALHO DOS EMPREGADOS GESTORES .............................................................................................................. 63 3.1 O ASSDIO MORAL NO AMBIENTE DE TRABALHO ....................................... 63 3.1.1 Conceito, Caractersticas do Assdio Moral na Relao de Emprego ............. 63 3.1.2 Efeitos da Globalizao no Conceito de Assdio Moral: Aspectos Interpessoais e Ambientais .............................................................................................................. 75 3.2 EMPREGADOS GESTORES: ASSEDIANTE E/OU ASSEDIADO? .................... 82 3.2.1 Delimitao e Caractersticas Legais e Doutrinrias do Empregado Gestor .... 82 3.2.2 As Prticas de Assdio Moral e os Empregados Gestores .............................. 95 4 AS CONSEQUNCIAS DO ASSDIO MORAL EM RELAO SADE PSQUICA DOS EMPREGADOS GESTORES ....................................................... 107 4.1 DOENAS PSQUICAS DECORRENTES DO ASSDIO MORAL VIVENCIADO PELO EMPREGADO GESTOR .............................................................................. 107 4.1.1 Doenas do Trabalho: Conceito, Caractersticas e Doenas Psquicas ......... 107 4.1.2 Assdio Moral e o Adoecimento Psquico do Empregado Gestor .................. 115 4.2 ANLISE DE CASOS PRTICOS .................................................................... 121 5 CONSIDERAES FINAIS ................................................................................. 125 REFERNCIAS ....................................................................................................... 127 SITES CONSULTADOS ......................................................................................... 138 ANEXO I.................................................................................................................. 139 ANEXO II................................................................................................................. 141 </p></li><li><p>9 </p><p>1 INTRODUO </p><p>A maior parte dos estudos voltados anlise de causas, meios e </p><p>consequncias de assdio moral est centrada na relao de subordinao </p><p>existente entre o agente agressor e a vtima ou, ainda, nas prticas voltadas a um </p><p>grupo de empregados, quando se trata do chamado assdio moral coletivo (gnero). </p><p>O presente trabalho, diversamente dessa linha de abordagem predominante, </p><p>investigar em que medida os empregados que exercem funes estratgicas de </p><p>gesto, diretamente atreladas organizao e aos resultados da empresa, podem </p><p>estar sujeitos s prticas de assdio moral, seja como sujeitos ativos, seja como </p><p>vtimas, especificamente sob a influncia da globalizao. E, ainda, quais as </p><p>possveis consequncias para sua sade psquica desses trabalhadores. </p><p>Partindo do elemento mais amplo, o primeiro objetivo ser a compreenso da </p><p>globalizao, especialmente porque esta no retrata conceitos, tampouco opinies, </p><p>unnimes entre os diversos ramos da cincia, de modo que se buscar traar uma </p><p>dialtica entre os vrios estudiosos do tema, como socilogos, filsofos, </p><p>economistas, dentre outros, confrontando suas opinies e concluses sobre o </p><p>referido processo de ordem mundial, especialmente para tentar concluir se </p><p>representa uma evoluo ou um retrocesso para a ordem econmica e social. O </p><p>nico aspecto que parece ser unssono entre todos os estudiosos a inegvel </p><p>existncia desse fenmeno (que alguns qualificam como ps-moderno) e sua </p><p>ingerncia nos mais diversos campos da vida humana, especialmente no </p><p>econmico. </p><p>Ainda, considerando a vasta gama de opinies sobre o tema, faz-se </p><p>pertinente uma avaliao acerca dos efeitos positivos e negativos da globalizao </p><p>seja de modo geral, seja especificamente no campo das relaes laborais. </p><p>Para o alcance dos objetivos propostos, far-se- pertinente a avaliao do </p><p>impacto da globalizao nas estruturas laborais, buscando identificar se a ligao </p><p>entre aquela e as significativas alteraes ocorridas nos processos produtivos pode </p><p>ter fomentado o desenvolvimento do assdio moral nos ambientes laborais. Para </p><p>tanto, importante observar a evoluo da organizao do trabalho ao longo dos </p><p>ltimos cem anos, tendo como referencial de partida as teorias propostas por Taylor </p><p>e Ford. </p></li><li><p>10 </p><p>No que se refere organizao do trabalho, delimitou-se o campo de anlise </p><p>a partir do traspasse dos modelos taylorista e fordista para o sistema flexvel de </p><p>produo, baseado no toyotismo, para na sequncia avaliar essa transio luz dos </p><p>processos de globalizao, bem como suas consequncias para o mundo do </p><p>trabalho. Mais uma vez, mostra-se pertinente traar uma dialtica entre as diversas </p><p>opinies acerca dos efeitos da globalizao nas formas de organizao do trabalho. </p><p>Na sequncia, assumem importncia a compreenso e a caracterizao do </p><p>assdio moral, inclusive no que se refere s vrias terminologias existentes, e </p><p>identificao de seus meios de manifestao. O assdio moral em seu conceito </p><p>clssico pressupe uma ascendncia hierrquica do assediador em relao ao </p><p>assediado, sendo esse inclusive o liame que permite quele agir de forma perversa </p><p>em relao a esse, ou seja, est intimamente relacionado sujeio que orienta as </p><p>relaes de emprego. </p><p>Todavia, os empregados ocupantes de cargos de gesto, via de regra, seriam </p><p>aqueles detentores de uma possvel autonomia, especialmente para que consigam </p><p>atender as demandas que lhe so propostas em relao equipe de subordinados </p><p>ou, ainda, para que posam maximizar a utilizao de seus conhecimentos tcnicos </p><p>nas reengenharias necessrias melhoria da produtividade. </p><p>Surge, portanto, uma aparente zona gris no que tange questo da relao </p><p>vertical de hierarquia e subordinao a qual se pretende tentar elucidar no </p><p>desenvolvimento deste trabalho. Relevante esclarecer que a anlise jurdica do </p><p>empregado gestor estar embasada no direito brasileiro, com destaque para </p><p>elementos do direito comparado teis assimilao do tema. </p><p>Para se tentar esquadrinhar a relao entre as prticas de assdio e os </p><p>empregados gestores so necessrias abordagens da psicologia do trabalho, </p><p>especialmente no que se refere compreenso da presso exercida por este em </p><p>relao identidade (liberdade) dos empregados. </p><p>Buscar-se-, portanto, identificar se aqueles que na maior parte dos estudos </p><p>so taxados de assediadores, a exemplo de gerentes, diretores, dentre outros, </p><p>podem tambm ser vtimas de assdio, quando inseridos em uma organizao </p><p>produtiva com mtodos e valores institucionalizados no sentido de se utilizar de </p><p>todos os meios, independentemente da tica, para o alcance da produtividade </p><p>almejada e consequente obteno do lucro. </p></li><li><p>11 </p><p>Por ltimo, aps a identificao da problematizao envolvendo a exposio </p><p>dos empregados ocupantes de cargo de gesto e o assdio moral sob a perspectiva </p><p>do mundo globalizado, buscar-se- analisar seus efeitos em relao sade mental </p><p>dos trabalhadores, especificamente no que tange ao aparecimento de doenas </p><p>psquicas. </p><p>Nesta esteira possvel estabelecer como problema central do estudo o </p><p>questionamento acerca de que em que medida o assdio moral sob a perspectiva da </p><p>globalizao afeta a sade mental dos empregados gestores? </p></li><li><p>12 </p><p>2 OS EFEITOS DA GLOBALIZAO NO MBITO DA ORGANIZAO DO </p><p>TRABALHO </p><p>A globalizao teve sucesso. Ela suscita mais dio e hostilidade que o mito do bom e velho imperialismo americano. Apesar de onipresente, ela intangvel: nenhum sinal externo de fora, nem smbolos de poder, nem arepago militar. Tutelar, ela invisvel: no h manifestaes de seu imprio, nem decises a serem aplicadas, nem interpretaes para contestar. Ela uma realidade, a mais slida das realidades, e no passa de uma ideia. Contradio sem precedentes porque, at o presente momento, as sociedades se rebelavam contra um poder, um embargo, uma classe dominante ou um regime, e nunca contra um conceito. (Alain Minc1) </p><p>2.1 CONCEITOS, CARACTERSTICAS E EVOLUO DA GLOBALIZAO </p><p>2.1.1 Conceituao e Caracterizao da Globalizao: As Diversas Lentes </p><p>Para a elucidao da influncia da globalizao na disseminao das prticas </p><p>de assdio moral envolvendo os empregados gestores, ponto central do presente </p><p>estudo, faz-se necessria a compreenso do conceito e das caractersticas deste </p><p>processo2 mundial. </p><p>Inicialmente, importante consignar que apesar de se tratar de expresso </p><p>comum, no representa conceito unssono, tampouco de caracterizao pacfica </p><p>entre os doutrinadores, especialmente porque estudado sob as mais diversas lentes </p><p>do direito, da sociologia, da geografia poltica, da economia, da filosofia, dentre </p><p>outros ramos do conhecimento. </p><p> 1 MINC, 1999, p. 36. 2 A adoo da expresso processo para fazer referncia globalizao decorre da ideia de uma dinmica sucesso de atos, Estados e mudanas no contexto mundial. </p></li><li><p>13 </p><p>Contudo, considerando sua imbricao e a variao de terminologias </p><p>existentes para um mesmo processo torna-se relevante agregar ao presente estudo </p><p>alguns esclarecimentos sobre a chamada ps-modernidade, antes de se adentrar ao </p><p>tema especfico da globalizao, uma vez que para alguns estudiosos tais </p><p>expresses se confundem (MORRISON, 2012, p. 616-617). </p><p>Um dos autores que consagrou a expresso ps-modernismo, bastante </p><p>difundida (e confundida) na linguagem comum contempornea, foi o filsofo francs </p><p>Jean-Franois Lyotard3, que em sua obra A condio ps-moderna delimita o incio </p><p>de tal contexto no final dos anos cinquenta, tratando-o como um perodo ps-</p><p>industrial de significativas transformaes econmicas e sociais (LYOTARD, 1986, p. </p><p>3-5). </p><p>Alguns estudiosos, entretanto, no admitem a ps-modernidade como fase </p><p>isolada do processo de desenvolvimento histrico, econmico ou social, tratando as </p><p>mudanas daquela maneira denominadas por Lyotard, to somente como uma fase </p><p>de implicaes da prpria modernidade (PITA, 1988, p. 89-90). </p><p>David Harvey, gegrafo britnico, que tambm escreveu uma obra sobre o </p><p>mesmo tpico, admite a passagem da modernidade ps-modernidade na cultura </p><p>contempornea, mas a trata de forma bastante crtica e em oposio s ideias de </p><p>Lyotard acima citadas (HARVEY, 2008, p. 105-107). </p><p>Em sua obra Harvey convida o leitor a responder ao seguinte </p><p>questionamento: que esse ps-modernismo de que muitos falam agora? </p><p>(HARVEY, 2008, p. 18). Para encontrar a soluo do referido questionamento </p><p>Harvey dedica-se anlise dos aspectos culturais (artes, arquitetura, literatura) e </p><p>das caractersticas do chamado ps-modernismo, concluindo que h mais </p><p>continuidade do que diferena entre a ampla histria do modernismo e o movimento </p><p>denominado ps-modernismo. Parece-me mais sensvel ver este ltimo como um </p><p>tipo particular de crise do primeiro (HARVEY, 2008, p. 111). Acrescenta que essa </p><p>crise enfatiza o carter fragmentrio, efmero e catico e exprime um ceticismo </p><p>intenso diante da inteno moderna de conceber, representar ou exprimir o eterno e </p><p>imutvel (HARVEY, 2008, p. 111)4. </p><p> 3 A primeira edio de sua obra A condio ps-moderna, na lngua francesa, foi editada em 1979. Inicialmente, quando traduzida para o portugus recebeu o ttulo de O ps-moderno. 4 Uma das condies principais da ps-modernidade o fato de ningum poder ou dever discuti-la como condio histrico-geogrfica. Com efeito, nunca fcil elaborar uma avaliao crtica de uma situao avassaladoramente presente. Os termos do debate, da descrio e da representao so </p></li><li><p>14 </p><p>Por fim, o autor passa a avaliar as efetivas mudanas havidas nos processos </p><p>produtivos e na circulao do capital a partir de 1970, identificando duas dimenses </p><p>opostas no modernismo e no ps-modernismo, especialmente no que se refere </p><p>passagem do modelo fordista