nuvem - nascimento, cesar

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  • Nuvem

    Cesar Nascimento

    Copyright 2012 by Cesar NascimentoTodos os direitos reservados

  • CONTEDO O AMOR INDIVISVELPEQUENO LAMENTOEX OFFICIOCANTIGANUVEMAUTO-CRTICASOBRE O MEDOPROMESSANUDEZLIMIARPOEMA NUTICOINSTANTNEOSER FELIZBRASLIAFAZER POLTICAVINHETAA VIDA OUTRA VEZRACHADURASE PERDE A ALMA?O NOME DA ROSAO AMOR COMO DESEJOOITO VERSOS SOBRE O AMOR

  • NOVAMENTE MENINOGASTRONOMIAINSNIA

  • O AMOR INDIVISVEL Dizem que o amor faz de dois um.Sim, mas no completamente!Dois so um quando um, ausente,Ressurge no sonho do outro,Que acorda com olhos dormentesE sonha de dia, acordado. Dois so um, sim, e se amam,E, no entanto, amor incompleto,Pois, amantes, seus corpos reclamamO direito de se ter mais perto,De dormir tambm um, apertados,Com a boca mida, quentes, suados.

  • PEQUENO LAMENTO Perdoa-me, amor, meu pranto,Que me custa portar-se assim.Perdoa-me e foge de mim.Perdoa-me por tudo, por nada.Perdoa-me pelo que no fiz.Mas perdoa-me, amor, calada,Que j hoje no sou feliz.Sim, meu amor, perdoa-mePor tudo o que ainda te peo.(Eu sei que caro o perdo.)Perdoa esse amor confesso.Perdoa esse amor em vo.

  • EX OFFICIO A bailarina,Com suas meias longasE seus passos finos,Tropea O palhao,Cansado de risoE sem sonho, ri,E desconversa

  • CANTIGA TemoNo ser algum,Um dia. Medo bobo,Mame diria. Mas as mes soFelizesCom os filhosQue tm. Como pode dar erradoMeu nenm?

  • NUVEM O corpo porosoIncorpora ao vcuoO vapor que calcina.Do poro, o suorAo cu se insinua,nfima neblinaQue a pele nuaExpele, expia.

  • AUTO-CRTICA Dois pesos, duas medidas.Sou ora um, sempre que escrevo;Ora outro sou, quando critico. Severo e cruel eu sou,Num caso;Singelo e fiel, se o caso o outro. Sou poeta medocreE crtico raso.

  • SOBRE O MEDO Tenho a noo exataDo meu medo. Temo o amor pacatoE seu sossego; Temo o acordar tardioPara a sorte; Temo vir algum diaA temer a morte.

  • PROMESSA So duasAs coisas que me enfadam.Uma a falta de idias,A outra nada. O homemQue se repete chato.Se me encontrar de novo,Me mato.

  • NUDEZ Transborda de mimUm segredoSe tento cal-loMe calaA nudez meunico medoEu no banhoE a visita na sala

  • LIMIAR O corpo sonhaEstar vivoE est,Um momento,Seguro.Mas o prximoInstante,Ainda imaturo,O defrauda.Rompe-seO filamentoE a lmpadaSe apaga.

  • POEMA NUTICO Como querer te comparar ao marSe o mar parte do que cabe em ti,E se o resumo disso que senti o s desejo de te navegar? Por ti me ponho a enfrentar o mar,E navegar-te meu maior prazer.E alm de tudo que eu puder dizer,Conservo o sonho e o querer te amar. Mas eis que surge na procela um vo,E o vento, a onda, escurido sem fimE o mais que habita tua imensidoTranstornam nauta e nau em no e sim, Como se o vento os quisesse virar,E o navegante no d mais de siE o rivaliza e joga a vela ao mar,Eis que disposto a naufragar em ti.

  • INSTANTNEO Trs senhoras no sofE a mesa postaE o jantar A primeira salivaE se inquieta A segunda bocejaSem sono A outraNo tira os olhosDo mordomo

  • SER FELIZ Ser feliz no basta preciso ser bom ou ruim preciso ter sonhos e planosVer correrem os anosSer feliz assim

  • BRASLIA Um tremorUm temporalUma nuvemPequenaNormalUma calniaContra o solUm dia de chuvaAfinalQualquer coisaUm contratempoQue d notciasDo ventoE quem sabe umaExplosoComo o estrondoDe um trovo

  • FAZER POLTICA Fazer poltica tarefa comum.Conquista-se um voto,Eleva-se um ponto:Metade mais um. Fazer poltica no complicado. saber costurarQuando a linha faltarAo j mal remendado. Fazer poltica fazer-se calado,Esquecer o que ouvirE no mais discutirO que for acordado. Fazer poltica fazer a notcia; ser bem comentado,Para no ser cassadoE encarar a polcia. Fazer poltica s tem um mistrio:O segredo fugirQuando se houver de rir O poltico srio!

  • VINHETA ...E num calor deserto de orvalho,Em que se deve suar bastante,Calafrios de j mais que antesEm mim, sedento de outro cenrio. Sofrendo esse incansvel instante,Em que penar era apenas pouco,Carpida voz de um desejo roucoBalbuciava: refrigerante!

  • A VIDA OUTRA VEZ A velhice fardo odiosoPara quem rejeita o pouco que viveuMas eu quero ver tudo de novoCada marca que a vida me deuVem, amante, deita-te a meu ladoVem, mulher, e me d um filho teu

  • RACHADURA H no mundo o espaoCorreto e exatoPara o salto comedidoQue fende o osso sem gemidoComo um pequeno percalo E no mundo h o espaoLargo e abstratoPara o risco descabidoSem o que no se h vividoO vo que ora alo

  • SE PERDE A ALMA? A medida do meu sucesso estar sozinhoOnde no sei quem sou,Bebendo o whisky disponvelOu a cerveja que h,Incauto de quando conhecereiAlgum, ou quando algumSaber de mim. No tenho para onde voltar.Nem mesmo lembro de onde vim.

  • O NOME DA ROSA A rosa to doceQue, no fosse rosa,Ainda rosa seria.O nome de rosa,Em verso ou em prosa, tudo o queA rosa no tem.A rosa tem somenteAquilo que ela :Rosa apenasE rosa tambmQuando ainda em seu botoOu, j quase uma no-rosa, s ptalas no cho.

  • O AMOR COMO DESEJO O amor o resumo dos desejosDesejo de corpo, seguro,Desejo de idias,De ter uma alma-gmea,Do ensejo de serHomem junto a fmeaDesejo de amar,Por certo,O doce de teu beijo

  • OITO VERSOS SOBRE O AMOR Pernas se entrelaamNum abraoBraos nus defendemCada avanoMembros se despedemDo cansaoO corpo mais firmeDo que o ao

  • NOVAMENTE MENINO Num reino que imaginei quando infante,Minha rainha tinha os olhos teus.E naquele reino, agora distante,Eu enfrentava a inveja de Deus. Mas eis-me velho, sabido, cansado,Desenganado e entre os filisteus.Foi-se a rainha e o reino dissipado.Morto o menino, seu sonho morreu. Mas a despeito do passado inglrio,Vi que o destino jamais me esqueceu,Pois s com o brilho que sai de teus olhos,Tu me tornaste o maior dos plebeus.

  • GASTRONOMIA Como muito.Como como!Como como muito,Como como comemAqueles comedoresQue comem compulsivos. Como comoComo como, comoComo comeriam quatro! O que como,Como com quem comaO que quer que eu coma. Coma! coma!Coma o que comer.Mas coma at cair em coma,Coma at morrer!

  • INSNIA Insone, em sonho, j no sei quem sou.Se a insnia some, sonho ento que estouNa espera insana de surgir o diaEm que se afaste essa eterna viglia. Insone, sinto que me escapa o sono,Que, como a sombra de um furtivo ser,Se esquiva sob um semelhante assomo:Seja um suspiro, seja um s ranger! Insone, certo que, se Deus quiser,Ser um dia esse suplcio findo,E s a esperana desse dia lindoMe surta o sono e me deixa de p! Insone, em suma, j no sonho maisEsses sonhos que se fazem sozinhos,E espero a noite, que no vem jamais,Em que acabe de contar carneirinhos!

  • Sobre o autor: Cesar Nascimento nasceu no Rio de Janeiro eviveu em vrios pases, como diplomata decarreira. Sua paixo pela literatura vemdesde a infncia e sua me diz que veio dela.Quem saber a verdade? Publicou seuprimeiro volume de poemas, The RemainingDifficulty, em 2012. Internet:http://cesarnascimento.com/en/ Facebook:https://www.facebook.com/CesarNascimento.author Contato:cesar@cesarnascimento.com Mais livros do autor (originais em ingls): The Remaining DifficultyISBN: 1479175285 Lessness and More

  • ISBN: 1479369675 Capa e foto de capa: Cesar Nascimento

    CopyrightO AMOR INDIVISVELPEQUENO LAMENTOEX OFFICIOCANTIGANUVEMAUTO-CRTICASOBRE O MEDOPROMESSANUDEZLIMIARPOEMA NUTICOINSTANTNEOSER FELIZBRASLIAFAZER POLTICAVINHETAA VIDA OUTRA VEZRACHADURASE PERDE A ALMA?O NOME DA ROSAO AMOR COMO DESEJOOITO VERSOS SOBRE O AMORNOVAMENTE MENINOGASTRONOMIAINSNIASobre o autor: