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  • ntrole biolgico de pragas, doenas e plantas invasoras 73

    Controle biolgico de fungos fitopatognicosMarcelo Augusto Boechat Morandi'

    Trazilbo Jos de Paula [nior?Wagner Bettiol3

    Hudson Teixeira'

    Resumo - No modelo predominante da agricultura convencional, o controle das do-enas feito quase exclusivamente pela aplicao continuada e em larga escala deagrotxicos, o que tem promovido diversos problemas de ordem ambiental. O dese-quilbrio biolgico resultante altera a ciclagem de nutrientes e da matria orgnica,elimina organismos benficos e reduz a biodiversidade. A evoluo das vendas defungicidas no Brasil tem apresentado crescimento constante, o que mostra a importn-cia do controle de fungos fitopatognicos na agricultura e a necessidade de desenvol-vimento e introduo de alternativas de manejo. Nesse contexto, o controle biolgicotorna-se importante e tecnicamente justificvel.

    Palavras-chave: Controle alternativo. Manejo integrado. Fitopatgeno.

    INTRODUO

    Os fungos so o maior e o mais diversogrupode organismos fitopatognicos. To-dasasplantas so atacadas por patgenosfngicose alguns deles podem causaraoenasem diversas plantas. Associado aisso,omodelo predominante da agriculturaconvencional,que tem como base o retomoeconmicoimediato, preconiza o controleaosproblemas fitossanitrios quase ex-clusivamente pela aplicao continuadaeemlarga escala de agrotxicos. Assim,lmsurgido diversos problemas de ordemambiental,como contaminao de alimen-105, solo, gua e animais, intoxicao deagricultores, resistncia de patgenos acertosprincpios ativos dos agrotxicos,surgimentode doenas iatrognicas (as queocorremdevido ao uso de agrotxicos),desequilbrio biolgico com alteraesdaciclagem de nutrientes e da matria

    orgnica (MO), eliminao de organismosbenficos e reduo da biodiversidade.

    A proteo de plantas com agrotxicosapresenta caractersticas atraentes, como asimplicidade, a previsibilidade e a necessi-dade de pouco entendimento dos processosbsicos do agroecossistema. Para obtersucesso com a aplicao de um fungicidade amplo espectro, importante sabercomo aplicar o produto, mas geralmenteso necessrias poucas informaes sobreecologia e fisiologia de espcies, interaesbiolgicas, ecologia de sistemas e ciclagemde nutrientes. Essa simplificao interessabasicamente comercializao de insumosque interferem em muitas espcies e, con-sequentemente, desequilibram o sistema.Com o tempo, verifica-se que esse modelo insustentvel.

    A comercializao de fungicidas temapresentado crescimento expressivo no

    Brasil nos ltimos anos, o que mostra aimportncia do controle de fitopatgenose a necessidade de desenvolvimento e in-troduo de alternativas de manejo. Entreessas alternativas, destaca-se o controlebiolgico.

    A preocupao da sociedade com oimpacto da agricultura no ambiente e acontaminao da cadeia alimentar comresduos de agrotxicos tm alterado ocenrio agrcola, resultando no surgimentode segmentos de mercado para produtosdiferenciados, tanto os produzidos sem ouso de agrotxicos, como os portadoresde selos que garantem que os agrotxicosforam utilizados adequadamente. Almdisso, o incremento dos custos com ocontrole qumico, a perda de eficincia dealguns agrotxicos, por causa da resistn-cia dos organismos-alvo e os problemasambientais advindos dessas prticas

    lEnlf Agt", D.Sc., Pesq. Embrapa Meio Ambiente, Caixa Postal 69, CEP 13820-000 Jaguarina-Sl? Correio eletrnico: mmorandi@cnpma.embrapa.bt

    2EngAgr', Ph.D., Pesq. U.R. EPAMJG ZM, Caixa Postal 216, CEP 36570-000 Viosa-MG. Correio eletrnico: trazilbo@epamig.br

    3EngAgrL, DSc., Pesq. Embrapa Meio Ambiente, Caixa Postal 69, CEP 13820-000 Jaguarina-Sh Correio eletrnico: be/liol@Cnpma.embrapa.bl

    4Eng Agr, D.Sc., Pesq. U.R. EPA MiG ZM, Caixa Postal 216, CEP 36570-000 Viosa-MG. Correio eletrnico: hudsont@epamig.br

  • 74 L;OnIrOle DIOIOglCO o e pragas, o o e na: e I-"""L"" "'V""Uld'

    CONTROLE BIOLGICODE FUNGOS VEICULADOSPELO SOLO

    indicam a necessidade da busca de pro-dutos biocompatveis para o controle defitopatgenos, entre os quais os agentesde biocontrole.

    O controle biolgico, no conceitoabrangente apresentado por Cook e Baker(1983) :

    a reduo da soma de inculo ou dasatividades determinantes da doena,

    provocada por um patgeno, realizadapor um ou mais organismos que noo homem.

    O termo antagonista empregado paradesignar agentes biolgicos com potencialpara interferir nos processos vitais dos pa-tgenos, estando esses agentes adaptadosecologicamente ao mesmo nicho que osocupados pelos patgenos. Nessa viso,o controle biolgico pode ser acompa-nhado por prticas culturais, para criarum ambiente favorvel aos antagonistase resistncia da planta hospedeira, bemcomo pelo melhoramento da planta, paraaumentar a resistncia ao patgeno ouadequar o hospedeiro para as atividadesdos antagonistas. De forma mais pragm-tica, o controle biolgico de doenas deplantas pode ser conceituado como sendoo controle de um microrganismo por meiode outro microrganismo.

    Neste artigo, so abordados exemplosde controle biolgico de fungos fitopatog-nicos, abrangendo o conceito mais amplode alterao do sistema produtivo e o usode produtos base de agentes de controlebiolgico como insumo dentro do sistemaprodutivo.

    PRODUTOS BIOLGICOSPARA O CONTROLE DEFUNGOS

    O controle biolgico est em cresci-mento no Brasil, mas em progresso lenta,por falta de produtos biolgicos dispon-veis no mercado e pelo perfil conservadordo agricultor brasileiro. A maior parte dacomercializao de produtos microbianos voltada para a agricultura convencional,principalmente para cultivos perenes esemiperenes e cultivos protegidos.

    Informe Agropecurio, Belo Horizonte, v.30, n:251, p.73-82, jul./ago. 2009

    Em levantamento recente, Bettiol et al.(2009) verificaram que, de 109 produtosbiolgicos para o controle de doenas deplantas comercializados no mundo, 87(80%) so recomendados para o controlede fungos. Destes, 45 (52%) so recomen-dados para patgenos veiculados pelo solo,24 (28%) para patgenos da parte area oups-colheita e 18 (21%) para patgenos daparte area e de solo.

    Entre os produtos disponveis no Brasil,destacam-se aqueles base de Trichodermaspp., recomendados, principalmente, parao controle de fungos habitantes do solo.Levantamento feito por Bettiol e Morandi(2009) indica que, em 2008, 13 empresas deseis Estados da regio Centro-Sul do Brasilproduziam e comercializavam preparados base de Trichoderma. Geralmente, essasempresas utilizam a tcnica de fermentaoslida em gros de arroz, milheto ou outroscereais, com volume de produo em tomode 550 tlano. As formulaes disponveisno mercado incluem ps-molhveis, grnu-los dispersveis, suspenses concentradas,leos emulsionveis, gros colonizados eesporos secos. Trichoderma asperellum, Tharzianum, T stromaticum e T viride so asprincipais espcies comercializadas. Em al-guns produtos comercializados, entretanto,no h identificao de espcies. Entre ospatgenos-alvo esto, principalmente, es-pcies de Fusarium, Pythium, Rhizoctonia,Macrophomina, Sclerotinia, Sclerotium,Botrytis e Crinipellis, para as culturas defeijo, soja, algodo, fumo, morango, to-mate, cebola, alho, plantas ornamentais ecacau. Alguns produtos so recomendadospara o tratamento de substratos e de semen-tes. Apesar de no existir padronizaonas metodologias, as empresas geralmenteavaliam a qualidade de seus produtos porcontagem de esporos (mnimo de 1 x 108

    condios/g), germinao (mnimo de 85%)e viabilidade (mnimo de 8,5 x 107 ufc/g).A vida de prateleira dos produtos varia de30 a 180 dias em temperatura ambiente(aproximadamente 25C) e 180 a 360 diasem geladeira ou cmara fria (4-6C).

    A ocorrncia de doenas de plantascausadas por patgenos habitantes dosolo indica a existncia de desequilbriobiolgico. A alta taxa de mortalidade depatgenos e a baixa incidncia de doenasem condies naturais devem-se a diversosmecanismos naturais, como parasitismo,competio e predao, estmulo germi-nao seguida de exausto e Iise, diminui-o das reservas do patgeno e antibiose(BETTIOL; GHINI 2005).

    Os patgenos habitantes do solo socontrolados por medidas que destroem asunidades propagativas, prevenindo a formao do inculo no solo ou destruindooinculo presente em resduos infectados,com consequente reduo do vigor e davirulncia do patgeno e promoo dodesenvolvimento das plantas. O controlebiolgico de patgenos habitantes do solopode ser obtido pela manipulao do am-biente e pela introduo de antagonistas nosolo e em rgos de propagao das plantas(COOK; BAKER 1983).

    A manipulao do ambiente do solocontribui para inibir o aumento e a for-mao de inculo do patgeno, desalojaros patgenos dos resduos das culturas,destruir os propgulos dos patgenos eestimular a populao de microrganismosbenficos e/ou antagnicos. As interaesmicrobianas em alguns solos podemprevenir naturalmente o estabelecimentode patgenos ou inibir suas atividades.Entretanto, pouca ateno dada a essefenmeno, denominado solo supressivo,que no significa, necessariamente, aeliminao do patgeno, mas indica asupresso da doena. A supressividadede solos a patgenos pode ser por causade suas propriedades fsicas, qumicasebiolgicas. Diversos organismos podemestar envolvidos nesse processo, incluindofungos, bactrias, protozorios, caros,insetos, minhocas, nematoides, vrus eoomicetos. H relatos de solos supressivospara diversas espcies de Fusarium (F

  • ontrole biolgico de praJjas, doenas e plantas invasoras

    xysporumf. sp. cubensis, F oxysporumf. sp.pisi, F oxysporum f. sp. dianthii, Fxysporumf. sp. lycopersici. F roseum f.sp.cerealis, F culmorum), Verticilliuma/bo-atrum,Sclerotium rolfsii, Sclerotiniasclerotiorum,Rhizoctonia solani, Pythiumaphanidermatum,Phytophthora cinnamomi,Gaeumannomycesgraminis, entre outras(BETTIOL;GHINI 2005).

    Comoo uso de antagonistas raramenteerradicaos patgenos, o controle das doen-asdepende da manipulao do equilbriobiolgicoexistente no solo. As chances desucessodo co