NR-13 Vasos de pressão

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13.6. Vasos de Presso Disposies Gerais13.6.1. Vasos de presso so equipamentos que contm fluidos sob presso interna ou externa.

Vasos de presso esto sempre submetidos simultaneamente presso interna e presso externa. Mesmo vasos que operam com vcuo esto submetidos a essas presses, pois no existe vcuo absoluto. O que usualmente denomina-se vcuo qualquer presso inferior atmosfrica. O vaso dimensionado, considerando-se a presso diferencial resultante que atua sobre as paredes, que poder ser maior interna ou externamente. H casos em que o vaso de presso deve ser dimensionado pela condio de presso mais severa, a exemplo de quando no exista atuao simultnea das presses interna e externa. Vasos de presso podem ser construdos de materiais e formatos geomtricos variados em funo do tipo de utilizao a que se destinam. Dessa forma existem vasos de presso esfricos, cilndricos, cnicos, etc., construdos em ao carbono, alumnio, ao inoxidvel, fibra de vidro e outros materiais.

NR-13 Os vasos de presso podem conter lquidos, gases ou misturas destes. Algumas aplicaes so: armazenamento final ou intermedirio, amortecimento de pulsao, troca de calor, conteno de reaes, filtrao, destilao, separao de fluidos, criogenia, etc. A NR-13 aplica-se a vasos de presso instalados em unidades industriais, e outros estabelecimentos pblicos ou privados, tais como: hotis, hospitais, restaurantes, etc. Sendo regulamentadora da Lei n 6.514, 23 de dezembro de 1977, da CLT, esta norma tambm aplicvel a equipamentos instalados em navios, plataformas de explorao e produo de petrleo, desde que no exista legislao em contrrio.

13.6.1.1. O campo de aplicao desta NR, no que se refere a vasos de presso, est definido no Anexo III.Ver comentrios no Anexo III.

13.6.1.2. Os vasos de presso abrangidos por esta NR esto classificados em categorias de acordo com o Anexo IV.Ver comentrios no Anexo IV.

13.6.2.

Constitui risco grave e iminente a falta de qualquer um dos seguintes itens:a) Vlvula ou outro dispositivo de segurana com presso de abertura ajustada em valor igual ou inferior a PMTA, instalada dire-

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tamente no vaso ou no sistema que o inclui. b) Dispositivo de segurana contra bloqueio inadvertido da vlvula quando esta no estiver instalada diretamente no vaso. c) Instrumento que indique a presso de operao. Entende-se por outro dispositivo de segurana dispositivos que tm por objetivo impedir que a presso interna do vaso atinja valores que comprometam sua integridade estrutural. So exemplos de outros dispositivos: discos de ruptura, vlvulas quebra-vcuo, plugues fusveis, etc. Vlvulas de segurana-piloto operadas podem ser consideradas como outro dispositivo, desde que mantenha a capacidade de funcionamento em qualquer condio de anormalidade operacional. As vlvulas de segurana devem abrir em presso estabelecida pelo cdigo de projeto. No caso do Cdigo ASME VIII, este valor igual ou inferior PMTA. Aps a abertura, a presso da caldeira poder elevar-se pouco acima da PMTA, at a atuao plena da vlvula. Essa sobrepresso definida pelo cdigo de projeto, e no deve ser ultrapassada. O dispositivo de segurana um componente que visa aliviar automaticamente e sem o concurso do operador presso do vaso, independentemente das causas que provocaram a sobrepresso. Dessa forma, pressostatos, reguladores de presso, malhas de controle de instrumentao, etc., no devem ser considerados como dispositivos de segurana.

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NR-13 O dispositivo de segurana contra bloqueio inadvertido aplicvel : 1. 2. Vasos de presso com dois ou mais dispositivos de segurana. Conjunto de vasos interligados e protegidos por nica vlvula de segurana.

Vasos com duas ou mais vlvulas de segurana, com bloqueios independentes, so utilizados quando se deseja facilidade de manuteno: pode-se remover uma das vlvulas de segurana para reparo ou inspeo, mantendose as demais em operao. Nesse caso, as vlvulas de segurana remanescentes em conjunto, ou isoladamente, devero ser projetadas com suficiente capacidade para aliviar a presso do vaso. No deve ser esquecido que bloqueios inadvertidos podem estar instalados a montante ou a jusante das vlvulas de segurana. O dispositivo que evite o bloqueio inadvertido do dispositivo de segurana aplicvel a vasos de presso com dois ou mais dispositivos de segurana. So exemplos desses dispositivos vlvulas de duas ou mais vias, vlvulas-gaveta sem volante ou com volante travado por cadeado, etc. Quando o vaso de presso possuir apenas uma vlvula de segurana, no recomendvel a existncia de bloqueio entre a vlvula de segurana e o vaso de presso. Os instrumentos para indicao de presso, por exemplo manmetros, podero ter mostrador analgico ou digital, e a instalao dos mesmos poder ser feita no prprio vaso ou em sala de controle apropriada.

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13.6.3.

Todo vaso de presso deve ter afixado em seu corpo, em local de fcil acesso e bem visvel, placa de identificao indelvel com, no mnimo, as seguintes informaes:a) b) c) d) e) f) Fabricante. Nmero de identificao. Ano de fabricao. Presso mxima de trabalho admissvel. Presso de teste hidrosttico. Cdigo de projeto e ano de edio.

A adeso pelo Brasil ao Sistema Internacional de Unidades foi formalizada por meio do Decreto Legislativo n 57, de 27 de julho de 1953, e ratificada a partir de ento. A tabela da pg. 16 apresenta os fatores de converso a serem utilizados para converso das unidades de presso. Nmero de identificao a identificao alfanumrica, conhecida como tag, item, nmero de ordem, etc., atribudo pelo projetista ou estabelecimento ao vaso de presso. Para efeito do atendimento ao item f, caso no seja conhecido o ano de edio do cdigo, o PH dever verificar se o equipamento sob anlise se enquadra nos requisitos da ltima edio publicada que precedeu o ano de fabricao do vaso. No sendo conhecido o cdigo de projeto original ou o ano de fabricao, o vaso dever ser verificado de acordo com um dos cdigos existentes para vasos de presso, que seja aceito internacionalmente, tais como: American

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Society of Mechanical Engineers (ASME), Deutsches Institut Fr Normung (DIN), Japonese Industrial Standard (JIS), etc.As placas de identificao j instaladas devero ser adequadas aos requisitos dessa NR.

13.6.3.1. Alm da placa de identificao, devero constar, em local visvel, a categoria do vaso, conforme Anexo IV, e seu nmero ou cdigo de identificao.As informaes referentes identificao do vaso e sua respectiva categoria devero ser pintadas em local onde possam ser facilmente identificadas. Opcionalmente pintura, as informaes podero ser inseridas numa placa com visualizao equivalente. A pintura deve permitir a rpida identificao do equipamento na unidade em situao de emergncia. Ocorrendo vazamentos, incndio e outros eventos que produzam fumaa, vapores ou nvoa, a viso dos operadores ser prejudicada. Nesses casos, equipes externas que entrem na unidade para auxiliar em emergncias tambm so auxiliadas pela boa pintura de identificao.

13.6.4.

Todo vaso de presso deve possuir, no estabelecimento onde estiver instalado, a seguinte documentao devidamente atualizada:a) Pronturio do Vaso de Presso, a ser fornecido pelo fabricante, que contenha as seguintes informaes:

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b) c) d) e)

cdigo de projeto e ano de edio; especificao dos materiais; procedimentos utilizados na fabricao, montagem e inspeo final e determinao da PMTA; conjunto de desenhos e demais dados necessrios para o monitoramento da sua vida til; caractersticas funcionais; dados dos dispositivos de segurana; ano de fabricao; categoria do vaso. Registro de Segurana, em conformidade com o subitem 13.6.5. Projeto de Instalao, em conformidade com o item 13.7. Projetos de Alterao ou Reparo, em conformidade com os subitens 13.9.2 e 13.9.3. Relatrios de Inspeo, em conformidade com o subitem 13.10.8.

Se o estabelecimento onde estiverem instalados os vasos de presso possuir diversas unidades, os documentos devero estar disponveis na unidade em que estiverem instalados para que possam ser prontamente consultados. Se os operadores e responsveis pelos equipamentos no permanecerem no local de instalao do vaso de presso, os documentos devem ficar prximos ao operador responsvel.

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NR-13 Esta exigncia tambm se aplica aos navios e s plataformas de explorao e produo de petrleo. No necessrio que toda a documentao esteja arquivada num nico local da unidade. recomendvel, porm, que todos os documentos do pronturio estejam agrupados. O procedimento para determinao da PMTA dever explicar o roteiro para seu estabelecimento, passo a passo, incluindo tabelas, bacos, etc. que por ventura sejam consultados. Caso haja interesse por parte do estabelecimento, poder ser adotada como PMTA a presso de projeto do vaso. Entende-se por vida til do vaso o perodo de tempo entre a data de fabricao e a data na qual o vaso tenha sido considerado inadequado para uso. A documentao deve ser mantida durante toda a vida til do vaso de presso.

13.6.4.1. Quando inexistente ou extraviado, o Pronturio do Vaso de Presso deve ser reconstitudo pelo proprietrio, com responsabilidade tcnica do fabricante ou de PH, citado no subitem 13.1.2, sendo imprescindvel a reconstituio das caractersticas funcionais, dos dados dos dispositivos de segurana e dos procedimentos para determinao da PMTA.

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A maior parte da documentao exigida, particularmente aquela englobada no pronturio do vaso, deve ser fornecida de maneira detalhada pelo fabricante do vaso de presso. Se o estabelecimento no possuir essa documentao, parte da mesma dever ser reconstituda conforme determinado neste subitem. A reconstituio dos documentos sempre de responsabilidade do proprietrio do vaso de presso. Para tanto, ele poder se utilizar dos servios do fabricante do vaso. Caso este seja indeterminado ou j no exista PH, precisar de um PH ou empresa especializada. Normas tcnicas internacionalmente reconhecidas indicam que o clculo da PMTA deve considerar, alm da presso, outros esforos solicitantes, devendo englobar todas as partes do equipamento, tais como: conexes, flanges, pescoos de conexes, suportes, selas, etc.

13.6.4.2. O proprietrio de vaso de presso dever apresentar, quando exigido pela autoridade competente do rgo Regional do Ministrio do Trabalho e Emprego, a documentao mencionada no subitem 13.6.4.A autoridade competente do rgo Regional do Ministrio do Trabalho (Delegacia Regional do Trabalho DRT) o Delegado Regional do Trabalho na sua jurisdio.

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13.6.5.

O Registro de Segurana deve ser constitudo por livro de pginas numeradas, pastas ou sistema informatizado ou no, com confiabilidade equivalente, onde sero registradas:a) Todas as ocorrncias importantes capazes de influir nas condies de segurana dos vasos. b) As ocorrncias de inspeo de segurana.

O Registro de Segurana pode ser constitudo por um livro de pginas numeradas para cada vaso de presso ou de um livro de pginas numeradas para diversos vasos de presso. possvel que a empresa utilize outro sistema (por exemplo: informatizado) desde que, de fato, apresente a mesma segurana contra burla e permita assinatura eletrnica. importante que sejam registradas neste livro somente as ocorrncias que possam afetar a integridade fsica do ser humano. So exemplos tpicos dessas ocorrncias: exploses, incndios, vazamentos, ruptura de componentes, operao fora dos valores previstos, funcionamento irregular das vlvulas de segurana, servios de manuteno efetuados, etc. prtica nas unidades industriais, o preenchimento do Livro de Turno ou Livro de Passagem de Servio ou similar que podero ser aceitos como Registro de Segurana, desde que atenda o disposto no item 13.6.5.

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O Registro de Segurana pode ser preenchido por qualquer profissional que disponha de informao relevante sobre a segurana do equipamento.

13.6.6.

A documentao referida no subitem 13.6.4 deve estar sempre disposio para consulta dos operadores, do pessoal de manuteno, de inspeo e das representaes dos trabalhadores e do empregador na Comisso Interna de Preveno de Acidentes (CIPA), devendo o proprietrio assegurar pleno acesso a essa documentao, inclusive representao sindical da categoria profissional predominante no estabelecimento, quando formalmente solicitado.

A documentao referida neste item dever estar sempre disponvel para consulta e fiscalizao dentro do estabelecimento. Quando for necessrio retirar a documentao do estabelecimento, dever ser providenciada a sua duplicao.

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13.7. Instalao de Vasos de Presso13.7.1. Todo vaso de presso deve ser instalado de modo que todos os drenos, respiros, bocas de visita e indicadores de nvel, presso e temperatura, quando existentes, sejam facilmente acessveis.

Os acessrios descritos nesse subitem, que possam exigir a presena do trabalhador para operao, manuteno ou inspeo, devem permitir acesso fcil e seguro por meio de escadas, plataformas e outros em conformidade com as NRs.

13.7.2.

Quando os vasos de presso forem instalados em ambientes confinados, a instalao deve satisfazer os seguintes requisitos:a) Dispor de pelo menos duas sadas amplas, permanentemente desobstrudas e dispostas em direes distintas. b) Dispor de fcil acesso e seguro para as atividades de manuteno, operao e inspeo, sendo que, para guarda-corpos vazados, os vos devem ter dimenses que impeam a queda de pessoas.

NR-13 c) Dispor de ventilao permanente com entradas de ar que no possam ser bloqueadas. d) Dispor de iluminao conforme normas oficiais vigentes. e) Possuir sistema de iluminao de emergncia. Os itens deste subitem referem-se ao local onde est instalado o vaso de presso. Dessa maneira, o item a prescreve que a rea de processo ou ambiente onde esteja instalado o vaso de presso deva possuir duas sadas em direes distintas. Objetiva-se, dessa forma, evitar que, ocorrendo um vazamento, incndio ou qualquer outra possibilidade de risco aos operadores, estes no fiquem cercados pelo fogo ou vazamento, dispondo sempre de uma rota de fuga alternativa. Dever ser entendido como sistema de iluminao de emergncia, todo sistema que, em caso de falha no fornecimento de energia eltrica, consiga manter adequadamente iluminado os pontos estratgicos operao do vaso de presso. So exemplos desses sistemas: lmpadas ligadas a baterias que se autocarregam nos perodos de fornecimento normal, geradores movidos a vapor ou motores a combusto, etc.

13.7.3.

Quando o vaso de presso for instalado em ambiente aberto, a instalao deve satisfazer s alneas a, b, d e e do subitem 13.7.2.

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13.7.4.

Constitui risco grave e iminente o no-atendimento s seguintes alneas do subitem 13.7.2:a) a, c e e para vasos instalados em ambientes confinados; b) a para vasos instalados em ambientes...

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