novos olhares - jornal do cariri - março 2012

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Novos Olhares

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  • 1Imagem e Poesia

  • 2Mrcio Dornelles

    Poesia e fotografia se entranam, n a n, no instante em que tentam imor-talizar sentimentos com arte. H po-emas que se assemelham a imagens, emprestando ao leitor uma descrio precisa e convidando a altos voos pela imaginao. A foto tambm tem sua rima e exaltao, quando mistura elementos e se sobrepe realidade, embora seja um corte do tempo.

    Experincias assim transformaram ho-

    mens comuns em artistas, como o francs Henri Cartier-Bresson, pai do fotojornalismo. Dono de um clique mgico, Cartier buscou uma traduo para o seu tiro mgico. Um dia disse que fotografar colocar na mes-ma linha de mira, a cabea, o olho e o cora-o, como se pudesse projetar em imagens a vida, os sonhos e os sentimentos. E pode.

    Outra frase procurou o mesmo sentido.

    A fotografia a poesia da imobilidade: atravs da fotografia que os instantes dei-xam-se ver tal como so. A traduo de autoria de Peter Urmenyi e descreve com crueza e sensibilidade a atividade que, mui-tas vezes, se confunde com pintura. uma arte e de artistas transborda o Cariri.

    O concurso Novos Olhares sobre Jua-

    zeiro do Norte foi uma grata surpresa ao Jornal do Cariri. A comisso julgadora se

    deparou com centenas de imagens ricas em composio, cores e personagens. Tudo resgatado do imenso ateli que a cidade de Juazeiro do Norte. Alm de artistas pls-ticos, os fotgrafos tambm poderiam ser explicados como pescadores. Aguardam, pacientemente, pelo instante preciso, pelo segundo nico em que o peixe se entrega isca. Assim, a fotografia. Assim, a vida.

    Quando cabea, olho e corao se encon-

    tram na mira da cmera, o retrato se trans-muta de um simples registro para uma cpia fiel da realidade. Essa experincia pode ser vista, sentida e experimentada ao longo das 32 fotos selecionadas, acompanhadas de sonetos, poemas e poesias de grandes pen-sadores da regio, sobre Juazeiro e seu pa-drinho e guardio, Padre Ccero, numa fuso perfeita entre o ontem e o hoje, a vida e a arte, o sorriso e o sofrimento.

    O Jornal do Cariri agradece a todos os

    participantes, mesmo os que no figuram nesta breve exposio, pela contribuio histria do Cariri. A promoo do grupo Cear Sat de Comunicao contou o apoio do Banco do Nordeste e da Prefeitura Mu-nicipal de Juazeiro do Norte e a parceria do Instituto de Estudos Pesquisas e Projetos da Uece (Iepro).

    Entre e viaje pelas obras de arte dos fot-

    grafos e pensadores do Cariri.

    Cabea, olho e corao miram o Juazeiro Centenrio

    Diretor-presidente: Luzenor de Oliveira - Diretor de Contedo: Donizete ArrudaDiretora de Jornalismo: Jaqueline Freitas - Editor Caderno Especial: Wilton Bezerra JrEditor - chefe e Fotografias: Mrcio DornellesProjeto Grfico e diagramao: Flvio Marques - Colaborao editorial: escritorRaimundo Arajo, organizador do do livro Juazeiro Potico - Antologia

    Redao: cidades@jornaldocariri.com.br | policia@jornaldocariri.com.brredacao@jornaldocariri.com.brDepartamento Comercial: comercial@jornaldocariri.com.br Geral: jornaldocariri@jornaldocariri.com.br

    Contatos:

    Administrao e Redao: Rua Pio X, 448 - Salesianos Cep: 63050-020 - Fone: (88) 3511.2457

    Apresentao

  • 3Sidlia Maria Martins Silva - Juazeiro do Norte

    PADRE CCERO E O JUAZEIROIvan F. Magalhes

    Primeiro, deram-te a profana alcunhaDe homiziador de jagunos... depois,

    Embusteiro! Era algum que se propunhaAbalar da alma a F que tinhas, pois,

    Quem tirara da falsidade, a cunha,Estava convicto de que os lenisDa dvida (feito de v vicunha)

    Fatalmente se romperiam em dois...

    E a dois bandos serviria de bandeira!Felizmente a tua, que era verdadeira,Venceu, p'ra gudio teu e nossa glria...

    - E o fruto irreversvel dessa luta,A est: Minha JUazeiro impoluta

    Desafiando os sculos e a Histria!...

  • 4Francisco Ferreira de Freitas Filho - Juazeiro do Norte

    MARIA DE ARAJOIvan F. Magalhes

    Sonhei que estava numa pobre oradaPedindo a Deus por toda prole minha,Quando vislumbrei mirrada velhinha,Numa tosca urna, de chita forrada...

    Por uma estranha fora, inusitada,Fui olhar o que seu bojo continha

    E vi que na boca a Beata inda tinhaBranca hstia, de sangue manchada

    Enquanto suas faces cavas contemploAtravs dos raios de luz to parca,

    Chora um rgo, na sacada do templo,

    Uma ode do humanstico Petrarca,Lembrando que da F ela foi exemplo,

    Eleita por Deus e pelo Patriarca!...

  • 5ROMARIAGeraldo Amncio

    Na tela espessa da poesia ardenteAtravessando tabuleiro e monte,

    L vo as aves procurando a fonteQue jorra a graa do milagre. O crente,

    Com o peito opresso, pede a Deus que aponte

    A via-crucis onde a cruz clementeEspera o Mrtir que no verga a fronte.Assim caminha a multido fremente,

    Em marcha lenta, qual se fosse lesma...E todo ano se repete a mesmaBendita marcha-procisso a p.

    Tropel de crena marulhando arroio,Estrelas d'alma procurando apoio,Nos horizontes onde habita a f.

    Pachelly Jamacaru

  • 6CIDADE - ORATRIORaimundo Arajo

    Juazeiro, cidade-oratrio,

    Sede de faina, de devoes...Riqussimo reservatrio

    De splicas... de oraes...

    Seu progresso se agiganta...Percebe-se a cada instante.Voa clere, e se alevanta,Qual Prometeu, o gigante.

    Os que habitam nesta cidade,Se ufanam e tm vaidade!

    Pois, viver neste torro,

    Onde "dorme" nosso Padrinho,- chantar o corao -

    Num Juazeiro sem "espinho".

    Cicero Tiago Pereira Leite - Juazeiro do Norte

  • 7Adriano Almeida - Juazeiro do Norte

    NEM SEIDr. Manuel P. Diniz

    Glaura me estima com ardor sublimeE eu amo-a tanto a parecer loucura;Hilda, porm, meu corao oprimeSOb o palor de sua formosura.

    Amo a primeira, como no se exprimeA segunda com a alma em tal ternura.

    Desprezar uma fora desventura,Amar a ambas, hediondo crime...

    Neste dilema, s vezes abismado,Digo, julgando o peito estilhaado

    E a alma e o peito, uns grandes estilhaos...

    Quase nem sei (o mal to profundo!)Como que a gente vive, neste mundo,

    Com o corao partido em dois pedaos...!?

  • 8AO JUAZEIROProfa. Maria Eunce Arraes

    Inda te lembras, Juazeiro amigo,

    Quando eras somente o "Tabuleiro Grande",E ningum sabia que trazias contigo

    Foras de um gigante?!...

    Em tua Capela, as noites de novenas,Benditos pedindo chuva e muita orao...E assim humilde, da vida eras apenas

    Um simples embrio.

    Da pousada beira do caminho,Veio o aglomerado, pequenina aldeia...Servias de abrigo, servias de ninho,

    P'ras gentes em colmia.

    QUe das tuas casinhas? Que dos trs Juazeiros,

    As rvores sagradas que te deram nome?Ficaram para trs que neste teu luzeiro

    Tudo isso some.

    E ainda menino, rasgado e descalo,J no tinhas medo, pois estavas seguro

    Pelas mos do Padre... E o mal no te veioAo encalo

    Nem o destino obscuro.

    Viste muita coisa de que muito se tem falado

    E a tua gente conta e a todos encanta.Esto bem presentes as coisas do teu pas-

    sadoFeito sementes de uma boa planta.

    Viste a hstia... o sangue... o rosto aflito

    Da beata...

    Jocean Xavier Gomes - Novo Juazeiro

  • 9...Viste o semblante pensativo do Bom PadrePelo grande mistrio que no desata...

    Qual seria a verdade?!...

    Viste as pedras rolarem do HortoEm po transformadas pela caminhoDo teu trabalho que o teu conforto.

    ( a voz do Padrinho!)

    De trabalho e luta, f e orao a tua Histria!Porque s ativo, cedo tu despertas,

    Tudo em ti fora, tudo em ti glria

    s estrada aberta.

    J no s descalo, tens nos ps asfalto.E te vestes de compridas ruas e lindas igrejas.

    A tua afirmao j subiu to altoQue em tudo poreja.

    J no s um burgo. J no s inculto.

    s um grande centro, Juazeiro do Norte!Teu labor imenso fez de ti adulto,

    s imenso e forte.

    Mas, no esqueceste tudo o que aprendeste...E ainda hoje rezas em teu rosrio.E esta paragem onde tu nasceste

    Virou santurio.

    E ainda ouves a voz do Padre falando,A voz antiga dizendo:

    "Quem matou no mate mais"!E assim ficaste, para sempre orando

    Sem esquecer jamais.

    Jocean Xavier Gomes - Novo Juazeiro

  • 10

    PADRE CCEROTim Maia

    No serto do Crato,Nasce um homem pobre

    Porm muito jovem,porm muito jovem

    Todo mundo vai saber,Quem ele

    Este homem estuda,Mesmo sem ajuda

    Se formou primeiroE no Juazeiro

    Todo mundo respeitou,O padre Cicero, Padre Cicero,Padre Cicero, padre Cicero

    Da ento tudo mudou,De reverendo a lutadorDesperta dio e amor,

    passaram anos pra saberSe era bom ou mal,

    Mas ningum

    At hoje afirmou

    Era um triste dia,Pois algum jazia

    Cego, surdo e pobre,Cego, surdo e pobre

    Desse jeito faleceu, o padre CiceroPadre Cicero, padre Cicero

    Padim Cio

    Sidlia Maria Martins Silva - Piraj

  • 11

    Wilo Araujo

    JUAZEIROLuz Gonzaga

    Juazeiro, juazeiroMe arresponda, por favor,

    Juazeiro, velho amigo,Onde anda o meu amor

    Ai, juazeiroEla nunca mais voltou,

    Diz, juazeiroOnde anda meu amor

    Juazeiro, no te alembra

    Quando o nosso amor nasceuToda tarde tua sombra

    Conversava ele e euAi, juazeiro

    Como di a minha dor,Diz, juazeiro

    Onde anda o meu amorJuazeiro, seje franco,

    Ela tem um novo amor,Se no tem, porque tu choras,

    Solidrio minha dorAi, juazeiro

    No me deixa assim roer,Ai, juazeiro

    T cansado de sofrerJuazeiro, meu destinoT ligado junto ao teu,

    No teu tronco tem dois nomes,Ele mesmo que ecreveu

    Ai, juazeiroEu num gento mais roer,

    Ai, juazeiroEu prefiro int morrer.

    Ai, juazeiro...

  • 12

    Wilo Araujo

    A PALMEIRA DO CALDASDr. Possidnio Bem