normas tecnicas profilaxia raiva

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  • Braslia-DF2011

    MINISTRIO DA SADE

  • MINISTRIO DA SADESecretaria de Vigilncia em Sade

    Departamento de Vigilncia Epidemiolgica

    Normas Tcnicas de Profilaxia da Raiva Humana

    Srie A: Normas e Manuais Tcnicos

    Braslia-DF2011

  • 2011 Ministrio da Sade.Todos os direitos reservados. permitida a reproduo parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que no seja para venda ou qualquer fim comercial. A responsabilidade pelos direitos autorais de textos e imagens dessa obra da rea tcnica. A coleo institucional do Ministrio da Sade pode ser acessada, na ntegra, na Biblioteca Virtual em Sade do Ministrio da Sade: http://www.saude.gov.br/bvs

    Srie A. Normas e Manuais Tcnicos

    Tiragem: 1 edio 2011 40.000 exemplares

    Elaborao, distribuio e informaes:MINISTRIO DA SADE Secretaria de Vigilncia em SadeDepartamento de Vigilncia EpidemiolgicaCoordenao-Geral de Doenas TransmissveisSCS, Quadra 4, Bloco A, Edifcio Principal, 2 andarCEP: 70304-000, Braslia DFE-mail: svs@saude.gov.brHome page: www.saude.gov.br/svs

    Equipe tcnica

    Coordenao: Ana Nilce Silveira Maia Elkhoury

    Organizao: Marcelo Yoshito WadaGrupo Tcnico de Doena de Chagas e Raiva / Unidade Tcnica de Zoonoses Vetoriais e Raiva /CGDT/Devep/SVS/MS

    Elaborao do texto: Ana Beatriz Rosito Macedo, Francisco Anilton Alves Arajo, Gabriel Oselka, Ivone Perez de Castro, Joo Carlos Repka, Jos Tavares-Neto, Marcelo Yoshito Wada, Marcos Vincius Silva, Marisa de Azevedo Marques, Mauro da Rosa Elkhoury, Neide Yumie Takaoka, Nlio Batista de Moraes, Rosely Cerqueira de Oliveira, Wagner Augusto da Costa

    Reviso de contedo: Ana Beatriz Rosito Macedo, Marcelo Yoshito Wada

    Colaboradores: Ana Nilce Silveira Maia Elkhoury, Eduardo Pacheco Caldas, Ernesto Isaac Montenegro Renoiner, Ivanete Kotait, Regilma Alves de Oliveira, pelo apoio para elaborao destas normas tcnicas.

    Produo: Ncleo de Comunicao

    Produo editorial:Capa: NJOBS Comunicao (Eduardo Grisoni)Projeto grfico: NJOBS Comunicao (Eduardo Grisoni)Diagramao: NJOBS Comunicao (Marlia Assis)Reviso: NJOBS Comunicao (Ana Cristina Vilela e Fernanda Gomes)Normalizao: NJOBS Comunicao (Ana Cristina Vilela e Fernanda Gomes) e Editora MS (Mrcia Cristina Tomaz de Aquino)

    Impresso no Brasil / Printed in Brazil

    Ficha Catalogrfica_________________________________________________________________________________________________________________

    Brasil. Ministrio da Sade. Secretaria de Vigilncia em Sade. Departamento de Vigilncia Epidemiolgica.Normas tcnicas de profilaxia da raiva humana / Ministrio da Sade, Secretaria de Vigilncia em Sade, Departamento

    de Vigilncia Epidemiolgica. Braslia : Ministrio da Sade, 2011.60 p. : il. (Srie A. Normas e Manuais Tcnicos)

    ISBN 978-85-334-1785-4

    1. Raiva humana. 2. Raiva animal. 3. Profilaxia. I. Ttulo. II. Srie.

    CDU 616.988.21_________________________________________________________________________________________________________________

    Catalogao na fonte Coordenao-Geral de Documentao e Informao Editora MS OS 2011/0077

    Ttulos para indexao:Em ingls: Technical standards of human rabies prophylaxis.Em espanhol: Normas tcnicas de la profilaxis de la rabia humana.

  • Sumrio 3Apresentao 5Definio 6Raiva humana 9Situao Epidemiolgica 9da Raiva no Brasil 9Pessoas expostas 10Raiva animal 11Profilaxia Pr-Exposio 12Esquema pr-exposio 13Titulao de Anticorpos Antirrbicos Humanos 16Conduta em Caso de Possvel Exposio ao Vrus da Raiva 18Caractersticas do ferimento 18Caractersticas do animal envolvido no acidente 20Conduta em Caso de Possvel Reexposio ao Vrus da Raiva 25Conduta em Caso de Adentramento de Morcegos 27Imunobiolgicos Utilizados no Brasil 28Vacina humana 28Vacina de cultivo celular 28Soros para uso humano 31Soro heterlogo 31Imunoglobulina humana hiperimune antirrbica soro homlogo 38Conduta em Caso de Abandono do Esquema Profiltico 40Bases Gerais da Profilaxia da Raiva Humana 41Sobre o ferimento 42Sobre o animal 43Diagnstico laboratorial em humano 45Coleta de Amostras de Tecidos de Origem Humana e Animal para Exames Virolgicos, Sorolgicos e Anatomopatolgicos 45Acondicionamento, conservao e transporte 48Avaliao sorolgica para raiva 49Referncias 50 59Anexo (FICHA DE ATENDIMENTO ANTIRRBICO HUMANO Sinan) 59

    Sumrio

    APRESENTAO | 5

    DEFINIO | 6

    SITUAO EPIDEMIOLGICA DA RAIVA NO BRASIL | 9

    Raiva humana | 9

    Pessoas expostas | 10

    Raiva animal | 11

    PROFILAXIA PR-EXPOSIO | 12

    Esquema pr-exposio | 13

    TITULAO DE ANTICORPOS ANTIRRBICOS HUMANOS | 16

    CONDUTA EM CASO DE POSSVEL EXPOSIO AO VRUS DA RAIVA EM PACIENTES QUE RECEBERAM ESQUEMA DE PR-EXPOSIO | 17

    CONDUTA EM CASO DE POSSVEL EXPOSIO AO VRUS DA RAIVA | 18

    Caractersticas do ferimento | 18

    Caractersticas do animal envolvido no acidente | 20

    CONDUTA EM CASO DE POSSVEL REEXPOSIO AO VRUS DA RAIVA | 25

    CONDUTA EM CASO DE ADENTRAMENTO DE MORCEGOS | 27

  • IMUNOBIOLGICOS UTILIZADOS NO BRASIL | 28

    Vacina humana | 28

    Vacina de cultivo celular | 28

    Soros para uso humano | 31

    Soro heterlogo | 31

    Imunoglobulina humana hiperimune antirrbica soro

    homlogo | 38

    CONDUTA EM CASO DE ABANDONO DO ESQUEMA PROFILTICO | 40

    BASES GERAIS DA PROFILAXIA DA RAIVA HUMANA | 41

    Sobre o ferimento | 42

    Sobre o animal | 43

    COLETA DE AMOSTRAS DE TECIDOS DE ORIGEM HUMANA E ANIMAL PARA EXAMES VIROLGICOS, SOROLGICOS E ANATOMOPATOLGICOS | 45

    Diagnstico laboratorial em humano | 45

    Diagnstico laboratorial em animal | 46

    Acondicionamento, conservao e transporte | 48

    Avaliao sorolgica para raiva | 49

    REFERNCIAS | 50

    Anexo | 59

    (FICHA DE ATENDIMENTO ANTIRRBICO HUMANO Sinan) | 59

  • 5Secretaria de Vigilncia em Sade/MS

    Apresentao

    A Secretaria de Vigilncia em Sade SVS, do Ministrio da Sade MS, apresenta as normas tcnicas de profilaxia da raiva humana.

    Apesar da reduo na sua ocorrncia observada nos ltimos anos, a raiva humana continua sendo um problema de sade pblica pela altssima gravidade do seu acometimento, alm do alto custo na assistncia, profilaxia e controle da doena.

    Este manual Normas Tcnicas de Profilaxia da Raiva Humana, substitui o anterior, de 2002, atualizando os conhecimentos na profilaxia humana, que substitui o uso da vacina Fuenzalida & Palacios, modificada pela vacina de cultivo celular, atualmente utilizada no Brasil.

    O termo tratamento profiltico antirrbico humano foi substitudo por profilaxia da raiva humana, devido ao conceito original da palavra profilaxia: aplicao de meios tendentes a evitar as doenas ou a sua propagao.

    Constituindo um marco para o Pas, este manual trata dos esquemas atualmente recomendados para vacinas de cultivo celular, que apresentam menos eventos adversos neurolgicos, maior antigenicidade e maior facilidade operacional quando comparadas com a vacina Fuenzalida & Palacios utilizada anteriormente.

    Esperamos que este Manual seja uma obra de referncia para os profissionais que exercem atividades nos servios de profilaxia da raiva humana, como um instrumento bsico, porm fundamental, tanto de orientao de prtica individual quanto de sustentao dos processos de capacitao.

    Secretaria de Vigilncia em Sade

    Ministrio da Sade

  • 6 Secretaria de Vigilncia em Sade/MS

    Definio

    A raiva uma antropozoonose transmitida ao homem pela inoculao do vrus presente na saliva e secrees do animal infectado, principalmente pela mordedura. Apresenta letalidade de aproximadamente 100% e alto custo na assistncia preventiva s pessoas expostas ao risco de adoecer e morrer. Apesar de ser conhecida desde a antiguidade, continua sendo um problema de sade pblica.

    O vrus da raiva neurotrpico e sua ao no sistema nervoso central SNC causa quadro clnico caracterstico de encefalomielite aguda, decorrente da sua replicao viral nos neurnios. Pertence ao gnero Lyssavirus, da famlia Rhabdoviridae, possui a forma de projtil e seu genoma constitudo por cido ribonuclico RNA envolvido por duas capas de natureza lipdica. Apresenta dois antgenos principais, um de superfcie, composto por uma glicoprotena responsvel pela formao de anticorpos neutralizantes, e outro interno, que formado por uma nucleoprotena.

    Apenas os mamferos transmitem e adoecem pelo vrus da raiva. No Brasil, o morcego o principal responsvel pela manuteno da cadeia silvestre, enquanto o co, em alguns municpios, continua sendo fonte de infeco importante. Outros reservatrios silvestres so: macaco, cachorro-do-mato, raposa, gato-do-mato, mo-pelada, guaxinim, entre outros.

  • 7Secretaria de Vigilncia em Sade/MS

    Normas Tcnicas de Profilaxia da Raiva Humana

    Figura 1 - Ciclos epidemiolgicos de transmisso da raiva no Brasil

    Ciclo Areo

    Ciclo Silvestre

    Ciclo Rural

    Ciclo Urbano

    Fonte: (INSTITUTO PASTEUR SES/SP)

    A transmisso ocorre quando o vrus contido na saliva e secrees do animal infectado penetra no tecido, principalmente atravs de mordedura e, mais raramente, pela arranhadura e lambedura de mucosas e/ou pele lesionada. Em seguida, multiplica-se no ponto de inoculao, atinge o sistema nervoso perifrico e migra para o SNC protegido pela camada de mielina. No h viremia. A partir do SNC, dissemina-se para vrios rgos e glndulas salivares, onde tambm se replica e eliminado na saliva das pessoas ou animais infectados.

    Quanto suscetibilidade, a infeco geral para todos os mamferos. No se tm relatos de caso de imunidade natural nos seres humanos. A imunidade adquirida pelo uso da vacina e a imunidade passiva, pelo uso do soro.

    Na literatura, existe o relato de oito casos comprovados de transmisso inter-humana que ocorreram por meio de transplante de crnea. Em 2004 e

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