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    1 INTRODUO

    Desde que era uma criana, sempre tive um lado artstico. Sempre gostei

    de pintura, dana, msica, fotografia, poesia,.. Era artesanato na escola, gosto pela

    fotografia incentivado pelo meu pai, grupo de dana com minha irm, poesia com

    minha me e a pintura aparecia de modo grandioso, por ser a maneira que eu

    demonstrava o que eu sentia, sem precisar falar. Lembro que na pintura tive vrios

    momentos, enquanto ainda estava na escola, meus traos eram suaves e minha

    paleta era formada por cores bem clarinhas. O tempo foi passando e o gosto pela

    pintura aumentando. Foi ento que decidi fazer aulas de pintura a leo. Se eu fechar

    meus olhos, lembro como se fosse hoje, uma tela pequena, com traos bem

    marcados e cores fortes. A partir disto percebi que uma nova fase comeava, que

    este gosto pela pintura eu levaria para sempre comigo. Nesta poca ainda no sabia

    que a Arte poderia virar profisso, pois eu queria ser uma grande jornalista at

    ento.

    O tempo foi passando e o gosto pelas tintas permanecia comigo. Fui

    cursar jornalismo em busca do que eu queria, porm com o passar das fases,

    percebi que no era aquilo que me fazia feliz; e a vontade de pintar, de criar, de

    fazer o diferente falou mais alto. Decidi fazer o que me satisfazia, comecei ento, a

    cursar Artes Visuais Bacharelado. Na primeira fase lembro que tudo me encantava

    e ao mesmo tempo me dava medo, pois as disciplinas no eram o conto de fadas

    como eu imaginava, mas mesmo assim, estas se tornavam a vontade de aprender.

    Com o passar dos anos, fui apresentada a disciplina de Estamparia, a

    sim, eu tive certeza do que eu queria. O encanto foi imediato, s de saber que a

    pintura estava ali presente de forma simples e que estampa no era s roupa, foi

    amor primeira aula. A partir do primeiro momento, minha vontade de criar e

    estampar aumentava. Desenhos simplesmente surgiam na cabea. Comecei a

    pesquisar mais e mais sobre a rea, interligando os desenhos, significados e

    materiais. Pronto, eu achava que estava definido o que eu queria, mas que engano.

    Com o passar das fases fui me apaixonando por outras reas, com o Design que

    trabalhava junto com a Estamparia, com o cinema que se interligou com a fotografia

    que sempre esteve presente na minha trajetria e tantas outras.

    Quando chegou a hora de fazer o trabalho de concluso do curso, foi um

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    dilema, comecei fazendo sobre Design no gostei e mudei para cinema, afinal tinha

    virado uma paixo e naquele momento gostaria de ser uma roteirista; mudei ento

    para exposies, pois achei que seria um bom tema, porm mais uma vez vi que

    no era bem aquilo que seria meu trabalho. Decidi, ento, quase no final da jornada,

    que falaria de Estamparia, me perguntando e tentando buscar respostas sobre:

    Estamparia: Arte ou Design? Afinal, estes eram trs pontos que estavam

    interligados e ao mesmo tempo eu no havia encontrado uma resposta durante os

    quatro anos do curso de Artes Visuais.

    Esta pesquisa tem como objetivo geral demonstrar que a Estamparia

    pode estar inserida na Arte e/ou no Design. Entre os especficos aparecem: abordar

    as caractersticas da Arte; verificar os conceitos do Design; e produzir uma Obra de

    Estamparia cujo tema ser a Fnix, pssaro da mitologia grega que renasce das

    prprias cinzas, externando o conceito de que todos ns podemos nos renovar

    constantemente, no importando em que situaes nos encontremos.

    As seguintes questes norteiam este trabalho: Quais os conceitos da

    Estamparia? Ela enquadra-se melhor na rea da Arte ou do Design? Como realizar

    uma obra de Estamparia, como o tema Fnix, que estabelea conexes com Arte e

    Design?

    Sendo assim, nesta pesquisa demonstro o papel do artista, do designer e

    onde a Estamparia est inclusa. Destaco a estampa e busco compreender as

    tcnicas que podem ser utilizadas na produo do trabalho, evidenciando conceitos

    de Semitica na arte de estampar, interligando pintura, tcnicas mistas, entre outros.

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    2 REFERENCIAL TERICO

    Estamparia, Arte e Design unem-se para formar minha pesquisa final de

    concluso de Curso. Sendo que, cada tema enfatiza seus conceitos e gera um novo

    conhecimento para mim nesta fase. Alm disso, este trabalho desperta ainda mais

    minha curiosidade sobre os temas abordados e acaba trazendo tona uma rea em

    que pretendo construir um futuro profissional em breve.

    2.1 ARTE

    As Artes Plsticas so manifestaes, com importantes registros, que

    aparecem em nosso cotidiano. O homo sapiens1, por exemplo, deixou desenhos

    (representaes simblicas) nas paredes das cavernas demonstrando como era a

    sua vida. E estas so encontradas ainda nos dias de hoje.

    Segundo Cocchiarale (2007, p. 44) A origem da Arte mistura-se com a

    origem da vida simblica e da vida mgica ou religiosa.

    Figura 1 O Homo Sapiens.

    Fonte: Bondaczuk, 2012.

    O termo Arte vem do latim e significa tcnica ou habilidade, estando

    ligado com a percepo, ideias, conscincia e emoes. Dentro deste conceito

    1 Homo sapiens, do latim "homem sbio", a nica espcie animal de primata bpede do

    gnero Homo ainda viva.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Latimhttp://pt.wikipedia.org/wiki/Animalhttp://pt.wikipedia.org/wiki/Primatahttp://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%ADpedehttp://pt.wikipedia.org/wiki/Homo

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    encontramos diversas linguagens, como: a arquitetura, a escultura, a pintura,

    a escrita, a msica, a dana, a fotografia, o teatro e o cinema.

    Atualmente a Arte dividida por perodos que so: a Arte Pr-histrica (c.

    25000-3000 a.C.) conhecida como Arte Rupestre; a Arte Antiga (c. 3000-300 a.C.)

    Arte Egpcia, Arte Mesopotmica e Arte Ibrica; Arte Clssica (1000 a.C.-300

    d.C.) Arte da Grcia Antiga, Arte da Roma Antiga e Arte Etrusca; Arte Medieval (c.

    300-1350) Arte Paleocrist, Arte Bizantina, Arte Gtica e Arte Romnica; Arte na

    Idade Moderna (c. 1350-1850) e Arte Contempornea (c. 1850-atualidade).

    Figura 2: xtase de Santa Tereza.

    Fonte: Andrade, 1999.

    A Arte pode ser vista como uma maneira de o ser humano expressar suas

    emoes, sua histria e sua cultura atravs de valores estticos, como beleza,

    harmonia e equilbrio. Ao longo dos tempos, ela veio evoluindo e ocupando um

    importantssimo espao na sociedade. (COCCHIARALE, 2007)

    Aps muitos estudos e discusses, possvel vem ar Arte como um

    resultado de processos de criao, sendo estes muitas vezes nicos e inovadores.

    Arte no apenas a tcnica ou o conceito. Ela vai muito alm da obra final. A ideia

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Arquiteturahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Esculturahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Pinturahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Escritahttp://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%BAsicahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Dan%C3%A7ahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Fotografiahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Teatrohttp://pt.wikipedia.org/wiki/Cinemahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_eg%C3%ADpciahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_mesopot%C3%A2micahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_ib%C3%A9ricahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_da_Gr%C3%A9cia_Antigahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_da_Roma_Antigahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_etruscahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_paleocrist%C3%A3http://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_bizantinahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_g%C3%B3ticahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_rom%C3%A2nicahttp://julirossi.blogspot.com.br/

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    do que fazer to ou quase to importante como sua realizao.

    2.1.2 Arte Contempornea

    Para Cocchiarale (2007), a Arte Contempornea surgiu em meados do

    sculo XX, logo depois das vanguardas e do modernismo e est presente at os

    dias de hoje. Foi um perodo de mudanas, de diferentes concepes, de novos

    hbitos sociais. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o mundo tendeu a crescer e

    esta parte histrica acabou influenciando tambm as Artes Plsticas.

    Esta nova forma de se fazer Arte inovou, utilizando diferentes tcnicas e

    misturando estilos. a fase de liberdade aos artistas, que misturam materiais e

    criam novas intenes de como mostrar uma Arte renovadora e revolucionria.

    Figura 3 - Ultramar com 11 Cabeas.

    Fonte: Lurixs, 2013.

    Refletir sobre a Arte muito mais importante que a prpria Arte em si, que agora j no o objetivo final, mas sim um instrumento para que se possa meditar sobre os novos contedos impressos no cotidiano pelas velozes transformaes vivenciadas no mundo atual. (INFOESCOLA, 2013)

    Apesar de muitos perceberem esta Arte como algo comum a vrios

    artistas, ela, geralmente, compreende ideias nunca pensadas por outros artistas do

    passado. No entanto, interessante destacar que fazer Arte significa conceber

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    elementos novos e provocativos, que geram, muitas vezes, espanto em uma

    sociedade no cultural. Isto demonstra que o que interfere na Arte atualmente o

    fato de a Arte nem sempre ser entendida.

    Cocchiarale, (2006, p. 14), afirma que

    O problema que as pessoas usam um nico verbo: entender. Entender significa reduzir uma obra esfera inteligvel. Eu nunca ouvi ningum dizer: eu no consegui sentir essa obra. Como as pessoas tem medo de sentir, elas entendem, reduzem sua relao ao ato inteligvel e, por isso, esperam pelo socorro do suposto farol da opinio daqueles que sabem.

    A Arte Contempornea deixa de trabalhar com objetos concretos e traz

    consigo conceitos e atitudes. Por estes