noÇÕes de orÇamento pÚblico para analista do trt

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NOÇÕES DE ORÇAMENTO PÚBLICO PARA ANALISTA DO TRT

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  • NOES DE ORAMENTO PBLICO PARA ANALISTA DO TRT-SC

    PROF. GRACIANO ROCHA

    Prof. Graciano Rocha www.pontodosconcursos.com.br Pgina 1 de 47

    AULA ZERO

    Saudaes, caro aluno!

    Esta a aula inicial de nossa participao no pacote de cursos para Analista Administrativo do TRT-SC, no tocante rea de Oramento Pblico, dedicada exposio terica e resoluo de questes recentes de provas.

    Uma grande vantagem desse curso online est na agregao da matria em uma s publicao. Se voc tentar reunir, por conta prpria, todas as referncias necessrias para cobrir o contedo de Oramento, vai amontoar mais de uma dezena de normativos que no vai utilizar completamente , alm de livros e materiais esparsos.

    Devo alertar que, muitas vezes, as questes no formato mltipla escolha (A-B-C-D-E) sero adaptadas para o formato certo ou errado. Isso permite um estudo mais progressivo do contedo, sem precisar entrar em outros assuntos que s vezes aparecem nas demais alternativas de uma questo.

    Para quem quiser se exercitar antes da resoluo, as questes comentadas durante as aulas estaro reproduzidas ao final dos arquivos, sem gabarito visvel, para quem quiser enfrent-las em estado puro, juntamente com algumas questes adicionais. O gabarito de todas ficar na ltima pgina.

    Antes de avanarmos mais, conheam-me um pouco. Eu me chamo Graciano Rocha Mendes, tenho 32 anos, sou servidor pblico federal, ocupante do cargo de Auditor Federal de Controle Externo do Tribunal de Contas da Unio; estudioso de Oramento Pblico; especialista em Oramento Pblico pelo Instituto Serzedello Correa/TCU; professor da matria em cursos preparatrios de Braslia e na Internet.

    Segue nosso contedo, reproduzido do edital e dividido em quatro aulas, alm desta demonstrativa:

  • NOES DE ORAMENTO PBLICO PARA ANALISTA DO TRT-SC

    PROF. GRACIANO ROCHA

    Prof. Graciano Rocha www.pontodosconcursos.com.br Pgina 2 de 47

    Aula zero Conceitos. Princpios oramentrios.

    Aula 01

    Oramento-Programa: conceitos e objetivos. Proposta

    oramentria: Elaborao, discusso, votao e

    aprovao.

    Aula 02

    Oramento na Constituio Federal. Plano Plurianual

    PPA, Lei de Diretrizes Oramentrias LDO e Lei

    Oramentria Anual LOA.

    Aula 03

    Lei n 4.320/64: Da Lei de Oramento; Da receita; Da

    Despesa; Dos Crditos Adicionais; Da execuo do

    Oramento.

    Aula 04

    Lei Complementar n 101/2000 (Lei de Responsabilidade

    Fiscal): Do Planejamento; Da Despesa Pblica; Da

    Transparncia, Controle e Fiscalizao.

    Muito bem, vamos ento a nosso primeiro encontro. Boa aula!

    GRACIANO ROCHA

  • NOES DE ORAMENTO PBLICO PARA ANALISTA DO TRT-SC

    PROF. GRACIANO ROCHA

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    PRINCPIOS ORAMENTRIOS

    Os princpios oramentrios consistem ora em normas, ora em simples

    orientaes aplicveis elaborao e execuo do oramento pblico.

    Em vrios casos, a legislao e a prpria Constituio refletem a adoo desses

    princpios em seus dispositivos. Apesar disso, no possvel entender esses

    princpios como determinaes rgidas; eles so cercados de excees e

    flexibilizaes, como ficar claro no decorrer de nossa aula.

    Legalidade

    O oramento deve ser aprovado e publicado como lei.

    Uma das discusses mais antigas sobre o oramento pblico diz respeito ao

    conflito entre sua forma e seu contedo.

    Quanto forma, desde que os primeiros documentos contbeis foram

    apresentados pelo Poder Executivo ao Poder Legislativo, em pases europeus e

    nos Estados Unidos, a ttulo de pedido de autorizao de gastos, o

    oramento ganhou estatura de lei. Assim, a expresso lei do oramento

    mais que secular os Parlamentos aprovam os oramentos na forma de leis

    desde o sculo XIX.

    Atualmente, o princpio da legalidade oramentria encontra-se, entre outros,

    no seguinte trecho da Constituio:

    Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecero:

    (...)

    III - os oramentos anuais.

    Por outro lado, quanto ao contedo, no h dvidas de que o oramento

    pblico tem natureza de ato administrativo. A organizao das finanas em

    programas, a atribuio de recursos a certas despesas, a indicao de

    competncias de rgos e entidades relativamente a certos setores de

    atividade governamental, tudo isso tem a ver com a organizao e o

  • NOES DE ORAMENTO PBLICO PARA ANALISTA DO TRT-SC

    PROF. GRACIANO ROCHA

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    planejamento da Administrao Pblica atividades tipicamente

    administrativas.

    A partir disso que estamos vendo, ao se confrontar a lei oramentria

    com o significado jurdico-histrico da palavra lei, verifica-se certa

    desarmonia. Lei representa um ato normativo abstrato, que pode,

    entre outras coisas, disciplinar direitos e deveres, normatizar condutas,

    impor punies etc. Para aplicar-se a lei, nesse sentido estrito, faz-se

    necessrio verificar os dados da realidade e compar-los com a descrio

    abstrata trazida pela norma.

    O que ocorre com o oramento pblico que ele no cria nem

    regulamenta direitos e deveres, no disciplina condutas, no prev

    punies etc. NO TEM CARTER ABSTRATO; pelo contrrio, um

    oramento deve se revestir de concretude, para aplicao mais

    apropriada e racional dos recursos pblicos.

    dessa discusso que nasce a definio do oramento como lei em sentido

    formal. A estatura do oramento de uma lei, aprovada pelo Parlamento,

    sancionada pelo Chefe do Executivo, mas sua essncia de um ato

    administrativo.

    Essa legalidade flexvel do oramento fica evidente tambm ao se constatar

    que ele tem natureza apenas autorizativa, e no, impositiva. O governo

    no obrigado a executar o oramento tal qual ele veiculado pela lei

    oramentria (com exceo das despesas obrigatrias em virtude de outros

    normativos). Isso contrasta bastante com as leis normais, que se

    caracterizam pela obrigatoriedade de aplicao.

    A ttulo de exemplo, quanto ao poder normativo da lei oramentria,

    podemos indicar uma disposio constitucional (art. 167, inc. I). Para que

    programas e projetos sejam iniciados no mbito da Administrao,

    necessria a prvia incluso desses programas e projetos na Lei

    Oramentria Anual (ou em leis que a retifiquem).

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    Pelo contrrio, a modificao, a retificao, a inverso de aspectos e itens no

    oramento durante sua execuo, em comparao com o texto aprovado, so

    fatos bastante comuns, distanciando o oramento de sua aparncia inicial.

    A ttulo de exemplo, quanto ao poder normativo da lei oramentria, podemos

    indicar uma disposio constitucional (art. 167, inc. I). Para que programas e

    projetos sejam iniciados no mbito da Administrao, necessria a prvia

    incluso desses programas e projetos na Lei Oramentria Anual (ou em leis

    que a retifiquem).Nesse sentido, tm surgido diversas crticas, no mbito

    parlamentar e na opinio pblica em geral, tendo como alvo o

    descompromisso do governo quanto execuo do oramento em

    observncia ao texto original aprovado pelo Congresso.

    No obstante a essncia de ato administrativo, o fato de o oramento ser uma

    lei lhe proporciona a normatizao de certos requisitos e obrigaes de

    natureza oramentria, na esfera concreta.

    Como isso cai na prova?

    1. (CESPE/ANALISTA/TRE-MS/2013) Os princpios oramentrios esto

    sujeitos a transformaes de conceito e significao, pois no tm carter

    absoluto ou dogmtico e suas formulaes originais no atendem,

    necessariamente, ao universo econmico-financeiro do Estado moderno.

    2. (FCC/INSPETOR/TCM-CE/2010) Ao dispor sobre finanas pblicas, a

    Constituio da Repblica autoriza o incio de programas ou projetos no

    includos na lei oramentria anual, mediante prvia autorizao do

    Presidente da Repblica.

    3. (CESPE/ANALISTA/STM/2011) Para ser considerada um princpio

    oramentrio, a norma precisa obrigatoriamente estar includa na

    Constituio Federal ou na legislao infraconstitucional.

    Os princpios oramentrios, como dito, no so regras rgidas, absolutas.

    Alm disso, o fato de alguns j serem mais que centenrios os obriga a

    encarar flexibilizaes e excees. A questo 1 est CERTA.

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    A questo 2 refere-se ao trecho constitucional que destacamos, sobre uma

    vedao da CF/88 (art. 167, inc. I), segundo o qual vedado o incio de

    programas ou projetos no includos na lei oramentria anual. A autorizao

    prvia do Presidente no corrige o problema. Questo ERRADA.

    A questo 3 est ERRADA. Como em todos os ramos do direito, os princpios

    oramentrios so independentes de sua positivao no arcabouo legal.

    Atualmente, diversos desses princpios encontram-se recepcionados na CF/88

    ou em leis (principalmente a Lei 4.320/64), mas essa no uma condio para

    sua existncia e validade.

    Unidade/totalidade

    O oramento deve ser uno.

    A unidade um dos ancestrais dos princpios oramentrios. Encontra-se

    normatizado na Lei 4.320/64, que estabelece normas gerais de direito

    financeiro, obrigatrias para todos os entes federados.

    A Lei 4.320/64 representou um avano na poca de sua edio. Ela traz

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