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  • NO LIMIAR DO ABISMO Carlos A. Baccelli Incio Ferreira Livraria Esprita Edies Pedro e Paulo Ano de 2007

  • ISBN 978-85-60628-00-1 Segunda Edio

  • No Limiar do Abismo Em pelo menos duas passagens do Novo Testamento, Jesus se refere, de acordo com as anotaes de Mateus, em A Parbola das Bodas e A Parbola dos Talentos, ao que denomina trevas exteriores, revelando que, em determinadas regies do Espao, os espritos culpados se aglomeram, por determinao da Divina Justia, a fim de expiarem os seus erros. Vejamo-las: - Entrou, em seguida, o rei para ver os que estavam mesa e, dando com um homem que no vestia a tnica nupcial, disse-lhe: Meu amigo, como entraste aqui sem a tnica nupcial? O homem guardou silncio. Ento, disse o rei sua gente: Atai-lhe as mos e os ps e lanai-o nas trevas exteriores: a que haver prantos e ranger de dentes; - porquanto, muitos h chamados, mas poucos escolhidos(Mateus, cap. XXII, vv. 11 a 14). - ...porquanto, dar-se- a todos os que j tm e esses ficaro cumulados de bens; quanto quele que nada tem, tirar-se-lhe- mesmo o que parece ter; e seja esse servidor intil lanado nas trevas exteriores, onde haver prantos e ranger de dentes (Mateus, cap. XXV, vv. 29 e 30). Neste livro que ora lhe entregamos, tentamos descrever a situao da conscincia culpada para alm da morte do corpo, bizarramente transfigurada no mal que, imputando aos outros, terminou por imputar a si mesma. A denominao trevas exteriores (os grifos so nossos), leva-nos a raciocinar sob a ptica de que, em verdade, toda sombra em derredor significa ausncia de luz no mago do ser. Esperando que, de algum modo, estas pginas possam contribuir para nossa mais ampla compreenso da Vida, na conquista de maior lucidez no esprito, rogo ao Senhor que a todos nos ilumine e guarde.

  • Incio Ferreira Uberaba, 2 de janeiro de 2007.

  • NDICE NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................. 1 7 NO LIMIAR DO ABISMO .................................................................. 2 12 NO LIMIAR DO ABISMO .................................................................. 3 17 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................. 4 21 NO LIMIAR DO ABISMO .................................................................. 5 26 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................. 6 31 NO LIMIAR DO ABISMO .................................................................. 7 36 NO LIMIAR DO ABISMO .................................................................. 8 41 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................. 9 46 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 10 51 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 11 56 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 12 61 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 13 66 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 14 71 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 15 76 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 16 80 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 17 84 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 18 89 NO LIMIAR DO ABISMO ............................................................... 19 94 NO LIMIAR DO ABISMO ............................................................... 20 99 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 21 104 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 22 109 NO LIMIAR DO ABISMO ............................................................... 23 114 NO LIMIAR DO ABISMO ............................................................... 24 119 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 25 123 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 26 128 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 27 133 NO LIMIAR DO ABISMO ............................................................... 28 138 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 29 143 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 30 148 NO LIMIAR DO ABISMO ............................................................... 31 153 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 32 158 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 33 163 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 34 168 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 35 173 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 36 178 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 37 183 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 38 188

  • NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 39 193 NO LIMIAR DO ABISMO ................................................................ 40 198

  • NO LIMIAR DO ABISMO 1

    Como sempre, naquela tarde, fitando o pr-do-sol pela janela, eu me encontrava, ss, meditando. O dia no hospital fora, como os demais, extremamente laborioso; os doentes requisitavam mais ateno que remdio, queriam conversar, expor as suas angstias, compreender os seus dramas, justificar as suas atitudes... Eu no parara um minuto sequer e, no entanto, aquela sensao de inutilidade que, por vezes, me assaltava o esprito, estava novamente comigo; no se tratava propriamente de depresso, mas de um estado de abatimento que, desde quando encarnado, costumava me acometer, sem que, no entanto, lograsse me prostrar, fsica ou moralmente. O problema que eu desejava ser mais til e no conseguia vencer as minhas limitaes... O que eu poderia fazer, meu Deus perguntava vagueza de mim mesmo, observando os clares vespertinos no horizonte -, para melhor cooperar com a f dos irmos encarnados na Imortalidade? Eu, que jamais me sentira mdium de faculdade alguma, agora, na condio de desencarnado, registrava os apelos que tantos amigos me endereavam da Terra apelos de companheiros militantes na Doutrina que se sentiam vacilar na luta; irmos que solicitavam de ns outras maiores evidncias no que se refere Vida alm da morte... Todavia, no era fcil e eles no podiam compreender que ns, os mortos, ainda nos defrontvamos com inmeras limitaes e obstculos nada mais ramos, ipsis litteris, do que espritos humanos fora do corpo de carne: a morte no nos santificara ou alterara a nossa condio ntima. Eu continuava a ser o mesmo Incio, um tanto mais rejuvenescido, mas nada alm disso; o meu interior pouco se modificara, em relao s transformaes em meu corpo espiritual. Ah, quanto se enganam os homens na Terra, mesmo os espritas, quando nos supem dotados de poderes quase sobrenaturais!... Esta era a questo: prosseguamos humanos e, como tal, restritos em nossa capacidade de agir, mormente de uma dimenso a outra. Quanto eu mesmo, outrora, havia sido injusto com os Espritos, cumulando-os de exigncias, na esperana de que tudo pudessem equacionar para ns, entregando-lhes a soluo dos problemas mais comezinhos pertinentes ao nosso esforo e boa vontade. Mergulhado em tais reflexos, eu insistia: - Meu Deus, o que ns, os mortos, poderamos fazer, em benefcio dos nossos irmos exilados nos domnios da matria densa, no sentido de que despertem mais

  • profundamente para as realidades da Vida Imperecvel? De que forma utilizarmos com maior proveito os recursos da mediunidade nossa disposio?... Para mim, a crena dos homens na sobrevivncia sempre foi de fundamental importncia, no confronto contra o materialismo avassalador; eu estava convicto de que a possibilidade de uma Outra Vida e somente ela que ainda salvaguardava os valores da civilizao; se o Materialismo triunfasse de vez, o homem se arrastaria completamente merc dos prprios sentidos; seria, sem dvida alguma, um retrocesso moral, estabelecendo a mais escura e a mais longa das noites sobre a face da Terra! Raciocinando nestes termos, eu no podia deixar de me comover ante o empenho dos mdiuns, principalmente daqueles que, quase em completo anonimato, continuavam se superando, em todos os sentidos, para conservar desfraldada a bandeira da F Raciocinada, que o Espiritismo corajosamente hasteara em meados do sculo XIX, na Frana. Eu convivera, diariamente, com dezenas de sensitivos e digo-lhes: s mesmo uma fora de ordem superior, provinda do Inconcebvel, para dar-lhes sustentao, em meio a tantos obstculos que se interpunham entre eles e o Ideal. Os mdiuns eram e continuam como seres humanos, com necessidades idnticas s de qualquer um! Como que conseguiam, e conseguem, conciliar interesses to opostos, quanto os do esprito imortal e os da vida material, pela qual se sentiam subjugados? A muitos, inclusive, eu tivera oportunidade de socorrer com dinheiro para que no passassem privaes com a famlia; alguns, pela sua simples condio de esprita, eram rotulados por desajustados e tinham a sua sanidade mental questionada, o que, no raro, fazia com que perdessem o emprego ou no tivessem os seus servios profissionais contratados. Eu no sei, mas alguma coisa que no posso definir existe nos mdiuns que perseveram, alm de somente mediunidade; alguma coisa com a qual, evidente