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REA TEMTICA: Profisses e regulao profissional [ST]

NAS MALHAS DOS PODERES E CONTRAPODERES DOS TCNICOS DE RADIOLOGIA NOS

HOSPITAIS PBLICOS PORTUGUESES

ABRANTES, Antnio Fernando Caldeira Lagem

Doutor em Sociologia

Escola Superior de Sade da Universidade do Algarve

aabrantes@ualg.pt

SILVA, Carlos Alberto da

Doutor em Sociologia

Universidade de vora

casilva@uevora.pt

AZEVEDO, Kevin Barros

Licenciado em Radiologia, Doutorando em Cincias da Sade na Cranfield University, Tcnico de

Radiologia

Escola Superior de Sade da Universidade do Algarve/Centro Hospitalar do Algarve-Unidade de

Faro

kbazevedo@ualg.pt

RIBEIRO, Lus Pedro Vieira

Doutor em Cincias do Desporto, Especialidade de Atividade Fsica e Sade

Escola Superior de Sade da Universidade do Algarve

lpribeiro@ualg.pt

mailto:aabrantes@ualg.ptmailto:casilva@uevora.pthttp://www.cranfield.ac.uk/mailto:kbazevedo@ualg.ptmailto:lpribeiro@ualg.pt

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Palavras-chave: managerialismo, autonomia profissional, pratica baseada na evidncia, tcnicos de radiologia,

Organizao do trabalho

Keywords: managerialism, professional authonomy, evidence-based practice, radiographers, work organization

COM0961

Resumo

As administraes dedicam-se a um "novo managerialismo" que procura maximizar a eficincia,

economia e eficcia e, como subproduto, suplantar a autoridade intermdia introduzindo mudanas de

cima para baixo. Os discursos do managerialismo/Nova Gesto Pblica (NGP) tm invadido de forma

seletiva as linhas de orientao das prticas dos profissionais de sade.

Segundo Carvalho (2006), em Portugal, tais aes managerialistas nos hospitais do sector pblico,

apoiadas numa lgica de gesto racional dos valores e normas do sector privado para promover

alteraes e/ou reformas estruturais na organizao do trabalho, tm procurado efetivar em primeira e

em ltima instncia, institucionalizar certas mudanas, ajustamentos, adaptaes, regulaes e

mecanismos de controlo capazes de dinamizar novas orientaes culturalistas e comportamentais dos

profissionais de sade.

Tambm a limitao intrnseca da diviso do trabalho condicionada pelo ato mdico, concorre com a

reduo do campo de interveno dos tcnicos de radiologia.

Seguindo a perspetiva de Foucault sobre a ideia de governao, enquanto necessidade de associar

formas de conhecimento cada vez mais especficas e exigentes, gerando aquilo que se define como a

institucionalizao da expertise (Johnson, 1995:7), os conquistam a desejada autonomia profissional

atravs de uma metodologia, Pratica Baseada na Evidncia, que apela padronizao dos

procedimentos, relegando para segundo plano a interveno direta de outros profissionais.

Abstract

Administrations are engaged in a "new managerialism" which aims to maximize the efficiency,

economy and effectiveness and, as a byproduct, supplant the intermediate authority making change

from the top down. The discourses of managerialism/New Public Management (NPM) have invaded

selectively the guidelines of the practices in healthcare professionals.

According to Carvalho (2006), in Portugal, such managerialists actions in public sector hospitals,

supported in a logic of rational management of values and norms of the private sector to promote

change and/or structural reforms in the organization of work, have sought to accomplish in the first

and ultimately instance certain changes, adjustments, adaptations, regulations and control mechanisms

capable of stimulating new culturalist and behavioral guidelines for healthcare professionals.

Also, the intrinsic limitation of the division of labor conditioned by the medical act, competes with

reduced field of intervention of the radiographers.

Following Foucault's perspective on the idea of governance, while the need to involve forms of

increasingly specific and demanding knowledge, generating what is defined as "the institutionalization

of expertise" (Johnson, 1995:7), won their desired professional autonomy through a methodology of

evidence-based practice, which aims for standardization of procedures, relegating to the background

the direct intervention of other professionals.

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1. Introduo

As organizaes do sector da sade, nomeadamente os hospitais do sector pblico empresarial, assumiram

uma racionalizao e uma conteno da despesa pblica, salvaguardando no entanto, os critrios de incluso

e de acessibilidade aos cuidados de sade consagrados na constituio portuguesa. Estas questes

emergentes dos desafios societais e at da prpria globalizao, tornam o sector da sade uma rea sensvel e

plena de incertezas em todo o mundo. Na certeza de que os recursos no so ilimitados, vo surgindo novas

formas de gesto no sector da sade. Por sua vez, a economia tambm surge muito ligada ao conceito de

escassez, pressupondo a anlise econmica que os recursos so limitados e escassos, mas que possvel

combin-los de diferentes formas, escolher e decidir, para conseguir satisfazer vrias necessidades.

Sabemos tambm que dos diversos tipos de organizao existentes, o hospital representa aquela que faz uma

utilizao mais intensiva dos seus recursos - humanos, capital, tecnologia e conhecimento - necessitando, por

isso, de um enquadramento da administrao com os rgos de governo e uma equipa profissional de

gestores. Ao mesmo tempo, desempenha um papel fundamental no contexto em que est inserido,

relacionado com o tipo especfico de bem que produz - prestao de cuidados de sade - e,

consequentemente, com a responsabilidade que tem perante a tutela na prestao direta de cuidados de sade,

mas tambm na promoo, preveno e proteo da sade (Observatrio Portugus dos Sistemas de Sade,

2008).

Em Portugal o estado em reas em que deficitrio na prestao, estabelece convenes com entidades

privadas, sendo elas uma extenso natural dos seus servios. De acordo com dados disponibilizados pela

Administrao Central do Sistema de Sade, o sector convencionado da sade (SCS) assume uma parcela

com impacto significativo no total das despesas em sade, representando, em 2010, um encargo para o SNS

superior a 700M.

Atualmente existem mais de 4 mil prestadores com convenes com o Ministrio da Sade, sendo a sua

maioria convencionados nas reas de anlises clnicas, radiologia, medicina fsica e reabilitao e

cardiologia. Saliente-se que, o SCS integra um modelo de aquisio de servios de sade pelo SNS e, desde a

sua implementao, na dcada de 80 no sofreu alteraes significativas, quer em termos de organizao e

funcionamento, quer nas modalidades de pagamento.

A rea de radiologia garantida por mais de 1.100 operadores sendo responsvel por cerca de 140M (cerca

de 1/5 da despesa total do sector). Ao longo dos ltimos anos tem-se verificado uma elevada tendncia para a

prestao de exames de elevada complexidade (e.g. TC) em detrimento da rea de radiologia convencional

(vulgo, Raios X). Desta forma, facilmente se compreende que a Tomografia Computorizada ser objeto de

interveno dos gestores.

Pelas razes apontadas, numa procura de reduo de custos e de sustentabilidade do sistema as

administraes dedicam-se a um "novo managerialismo" que procura maximizar a eficincia, economia e

eficcia e, como subproduto, suplantar a autoridade intermdia introduzindo mudanas de cima para baixo.

Os discursos do managerialismo/Nova Gesto Pblica (NGP), tm invadido de forma seletiva as linhas de

orientao das prticas dos profissionais de sade. Segundo Carvalho (2006), em Portugal, tais aes

managerialistas nos hospitais do sector pblico, apoiadas numa lgica de gesto racional dos valores e

normas do sector privado para promover alteraes e/ou reformas estruturais na organizao do trabalho, tm

procurado efetivar em primeira e em ltima instncia, a institucionalizao de certas mudanas,

ajustamentos, adaptaes, regulaes e mecanismos de controlo capazes de dinamizar novas orientaes

culturalistas e comportamentais dos profissionais de sade, em prol da qualidade, da eficincia e da eficcia

dos servios prestados ao cliente/consumidor/utente. Este conceito de reforma administrativa pressupe

aquilo que Lane (1995) definiu como a substituio de um Estado Administrativo por um Estado Managerial.

De acordo com o autor, o managerialismo afirma-se essencialmente como opo gestionria inpcia e s

ineficincias tradicionalmente conotadas com as organizaes burocrticas.

Substituindo a gesto pblica tradicional por processos e tcnicas de gesto privada, a escola managerial foi

conquistando espao, mesmo que de forma indireta, ao reequacionar aspetos da Administrao Pblica to

fundamentais como os modelos de organizao do trabalho (com a crescente descentralizao

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administrativa) e como a gesto de recursos humanos. Foi dentro desta perspetiva que se passou a encarar o

conceito de reforma administrativa, influenciado desde a dcada de 80 pelo trabalho de Peters e Waterman

(1982) cit in Cunha (2002) que lanavam a ideia de que se poderia adotar um novo modelo de gesto nas

organizaes de trabalho em geral, independentemente de estas serem pblicas ou privadas. Esta nova

conce

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