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EXPEDIENTEESCOLA SUPERIOR DO MINISTRIO PBLICO DE SO PAULO(Rua Minas Gerais, 316 - Higienpolis - So Paulo/SP)

Diretor:Rodrigo Csar Rebello Pinho

Assessores:Dalva Teresa da Silva, Francisco Antonio Gnipper Cirillo, Ricardo Barbosa Alves Walria Garcelan Loma Garcia

Coordenador Editorial:Ricardo Barbosa Alves

Capa, diagramao e reviso:Rosana Sanches (MTb 17.993)

Impresso por:Imprensa Oficial do Estado (Rua da Mooca, 1.921)

Caderno Jurdico da ESMP trimestral, com tiragem de 3 mil exemplares.

TEORIA DA IMPUTAO OBJETIVA

TEORIA DO DOMNIO DO FATO

Caderno Jurdico - Abril/01 - Ano 1 - n. 1 - ESMP

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NDICEExpediente........................................................................................................................4 Participantes da obra........................................................................................................9 Apresentao..................................................................................................................11 Introduo.......................................................................................................................15

Teoria da Imputao Objetiva:

Breve Enfoque - Estrutura da Imputao Objetiva.........................................................21 A Imputao Objetiva (quase) sem seus mistrios - Jos Carlos Gobbis Pagliuca.......35 O Comportamento da Vtima e a Teoria da Imputao Objetiva - Jairo Jos Gnova...41 A Importncia da Teoria da Imputao Objetiva na Evoluo da Dogmtica do Direito Penal - Luiz Otavio de Oliveira Rocha............................................................................53 Causalidade e Imputao Objetiva no Direito Penal - Andr Lus Callegari...................73 O Declnio do Dogma Causal - Fernando Capez.........................................................97 Teorias da Causalidade e Imputao Objetiva no Direito Penal - Carlos Ernani Constantino ..................................................................................................................115 La Teora de la Imputacin Objetiva y la Normativizacin del Tipo Objetivo - Manuel Cancio Meli...............................................................................................................................123

Teoria do Domnio do Fato:

Concurso de Pessoas - Os Conceitos de Autoria e participao e a Teoria do Domnio do Fato - Jos Francisco Cagliari........................................................................................157 A Autoria no Cdigo Penal e a Teoria do Domnio do Fato - Oswaldo Henrique Duek Marques .........................................................................................................................171

Caderno Jurdico - Abril/01 - Ano 1 - n. 1 - ESMP

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PARTICIPANTES DA OBRAAndr Lus Callegari, Advogado, Doutorando em Direito Penal pela Universidad Autnoma de Madrid, Membro da Comisso Redatora do Cdigo Penal Tipo Iberoamericano, professor de Direito Penal na Universidade do Vale do Rio dos Sinos, na Escola Superior Ministrio Pblico do RS e na Escola Superior da Magistratura do RS. Carlos Ernani Constantino, Promotor de Justia no Estado de So Paulo; Professor de Direito Penal no curso de graduao da Faculdade de Direito de Franca/SP; Professor de Direito Penal no Curso de Especializao de Direito Penal da ESMP; Mestre em Direito Pblico pela Unifran-SP. Fernando Capez, Promotor de Justia do Ministrio Pblico de So Paulo, Professor de Direito Penal e Processo Penal do Complexo Jurdico Damsio de Jesus. Jairo Jos Gnova, Promotor de Justia em Marlia, Professor de Direito Penal na Faculdade de Direito de Marlia e Mestrando em Direito Penal pela PUC-SP. Jos Carlos Gobbis Pagliuca, 1 Promotor de Justia da Capital, Mestrando em Direito Processual Penal, PUC/SP, e Doutorando em Direito Penal, UNED/Madrid. Jos Francisco Cagliari, 19. Promotor de Justia da Capital, Assessor da Corregedoria Geral do Ministrio Pblico, Mestrando em Direito Penal pela PUC/SP. Luiz Otavio de Oliveira Rocha, 73. Promotor de Justia Criminal da Capital e Doutorando pela Universidade Complutense de Madri. Manuel Cancio Meli, Professor no Curso de Doutorado e Professor Doutor (titular da rea de Direito Penal) da Universidad Autnoma de Madrid, autor de vrios artigos sobre imputao objetiva. Oswaldo Henrique Duek Marques, Procurador de Justia em So Paulo, LivreDocente em Direito Penal e Professor Associado da Faculdade de Direito da Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo.

Caderno Jurdico - Abril/01 - Ano 1 - n. 1 - ESMP

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APRESENTAO

A Escola Superior do Ministrio Pblico de So Paulo, inaugurando recente parceria com a Imprensa Oficial do Estado, apresenta com grande satisfao o seu Caderno Jurdico, publicao indita que ter periodicidade trimestral. Objetiva-se, com este novo espao editorial, fomentar a reflexo e o debate em torno de temas jurdicos momentosos. Este primeiro caderno dedicado a duas propostas doutrinrias que tm provocado acalorados debates entre os estudiosos do Direito Penal: as teorias da imputao objetiva e do domnio do fato. Digna dos mais efusivos agradecimentos a contribuio dos profissionais que assinaram os artigos - todos eles destacados operadores do Direito em suas respectivas reas de atuao, bem como na atividade acadmica. Merece destaque a iniciativa de alargar nossas fronteiras, a fim de receber a honrosa contribuio da doutrina espanhola, especialmente avanada na temtica sob enfoque. Reafirma a Escola Superior o propsito inafastvel de acrescentar algo ao patrimnio de conhecimentos dos membros da instituio, contribuindo para o seu aprimoramento intelectual, que, decerto, reverter em benefcio da coletividade, cada vez mais confiante no efetivo cumprimento das funes institucionais do Ministrio Pblico.

So Paulo, abril de 2001.

Rodrigo Csar Rebello Pinho

Procurador de Justia, Diretor do CEAF-ESMP

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INTRODUOA teoria geral do crime sempre esteve sujeita a construes doutrinrias dos mais variados matizes. O causalismo, o finalismo e a teoria social da ao tentaram, cada um a seu tempo, fornecer subsdios para a soluo dos mais intrincados problemas que desafiam a interveno do Direito Penal. Naturalmente, a relao de causalidade no poderia permanecer refratria a esse dinamismo doutrinrio. No sculo XIX, as cincias naturais inspiraram a teoria da condio ou equivalncia, que atribua relevncia a todos os antecedentes do resultado naturalstico. Mais tarde, von Kries, von Bar e Rmelin defenderam a teoria da causalidade adequada: dentre os inmeros condicionantes do resultado, causa o fator que, segundo a experincia humana, mais apto a produzi-lo. Binding, Oetermann e Stoppato formularam a teoria da eficincia, segundo a qual considera-se causa a condio mais eficaz na produo do evento. Mezger e Beling eram sequazes da teoria da relevncia jurdica, que extrapola o terreno da pura causalidade para ingressar no campo normativo. Antolisei e Grispigni apresentaram variantes da causalidade adequada: a causa humana e a condio perigosa. No Brasil, como sabido, a reforma penal de 1984 prestigiou a teoria da equivalncia dos antecedentes causais. Este iderio, que von Buri transportou para o terreno jurdico (costuma-se atribuir a paternidade filosfica desta teoria a Stuart Mill; alguns, porm, creditam-na a Julius Glaser), causou forte impacto entre os cultores do Direito Penal, principalmente em virtude das comodidades prticas que proporciona: a ao causal pode ser facilmente identificada por meio de um mecanismo batizado de processo de eliminao hipottica. Os partidrios mais obstinados da teoria da "conditio sine qua non" nunca vergaram ao peso das crticas dos que nela apontam o risco do "regressus ad infinitum": a teoria da equivalncia se limita causalidade material, que no prescinde da considerao da causalidade subjetiva; em outras palavras, a causalidade no determina, "de per si", as conseqncias jurdico-penais do comportamento humano: preciso que haja culpa ("lato sensu"). Mas o tempo se encarregou de mostrar a insuficincia das mais variadas propostas tericas para resolver toda a gama de problemas ligados aferio do nexo causal. Surge, ento, a teoria da imputao objetiva, prometendo suprir as mltiplas deficincias que a causalidade material encerra. No uma proposta nova. originria das obras de Karl Larenz e Richard Honig. Tem mais de setenta anos, mas permaneceu no esquecimento por dcadas. Foi resgatada por Claus Roxin e Enrique Gimbernat Ordeig, l pelos anos sessenta. Espalhou-se pela Europa e, agora, alcana a Amrica do Sul. Seus profitentes

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festejam-na como teoria verdadeiramente revolucionria, vocacionada a promover, no futuro, uma autntica reengenharia da teoria do delito. Trabalha com princpios ainda pouco explorados pela doutrina ptria: risco permitido, risco proibido, incremento do risco permitido e finalidade protetiva da norma, conceitos com os quais procura estabelecer critrios seguros para atribuir objetivamente a leso de um determinado interesse jurdico conduta de um indivduo. Alvoroados, certos operadores do Direito permanecem encastelados em suas fortalezas dogmticas. Opinies afoitas e superficiais, presas de uma disparatada impreciso semntica, desautorizam a recm-chegada teoria tentando lhe irrogar uma suposta violao do princpio "nulla poena sine culpa", pea fundamental para a consolidao dos pilotis de um Direito Penal consentneo com o Estado Democrtico de Direito. Um pouco mais lcidos - conquanto vitimados por uma espcie de parania -, outros crticos vociferam que esta idia no passa de mais um arroubo liberalizante forjado no rastro das tendncias abolicionistas e minimalistas que campeiam na atualidade, e granjeiam cada vez mais proslitos. Trata-se - aditam vozes ainda mais resistent