Mozart no futuro

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Wolfgang Amadeus Mozart, O gnio. Um dos maiores compositores de todos os tempos. Voc conseguiria imagin-lo, ainda criana, descendo de tren na neve, assistindo desenho animado na televiso ou comendo um hambrguer? Em "Mozart no futuro", tudo isso possvel. Para acompanhar e se divertir com as aventuras e confuses dos pequenos Max e Mozart, basta deixar guiar pelo Esprito da Msica, que est sempre espreita, pronta para nos encantar. "Mozart no futuro" um livro feito para sonhar e se emocionar.

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  • Mozart no futuroTnia Maria Rodrigues-Peters

    Com ilustraes de Pedro Caraa

  • "As pessoas sem imaginao podem ter vivido as mais imprevistas aventuras, podem ter visitado o pases mais distantes; nada lhes ficou, nada lhes sobrou. Uma vida no basta apenas ser vivida, tambm precisa ser sonhada."

    Mrio Quintana. Poeta e jornalista brasileiro.

  • Illustraes Pedro Caraawww.rodrigues-peters.com/pedro

    Layout Carsten Peterswww.rodrigues-peters.com/carsten

    Reviso ortogrfica Ranulfo Medeiroswww.rodrigues-peters.com/ranulfo

  • Dedicatria

    Dedico este livro aos meus filhos, Luana, Teo e Toni, minhas inspiraes, ao meu companheiro de vida, de viagens e sonhos, senhor Peters; a todas as crianas deste planeta; a Deus e tambm ao meu querido Anjo da Guarda; alm de todos os meus leitores e amigos que confiam em mim.E com um especial carinho a Mozart, sempre, eterno Mozart.Amo todos vocs.

    Tnia

  • Escrevi este livro ao som da msica de Mozart, seguindo somente o que sentia, a minha intuio, o meu corao, por isso no tente analisar meu estilo, tenho um estilo prprio, mas se quiser analisar algo, olhe bem no fundo dos meus olhos, eles te diro tudo.

    Bem, coloque uma msica suave ao fundo - sugiro Mozart -, e divirta-se com a leitura.

    Tnia, ustria, 2008

  • Mozart no futuro

    Max est tentando outra vez interpretar uma obra de Mozart, quando sua me entra no quarto e lhe pergunta:

    Voc ainda no conseguiu? Tem que estudar mais, quero que saia perfeito e talvez seja melhor que voc estude uma hora a mais por dia diz a me.

    Ah, no, no aguento mais estudar tanto! s vezes penso que deveria desistir de estudar piano, nunca serei o msico que voc quer que eu seja, acho at que nem tenho talento diz Max, j desesperado por no conseguir alcanar a perfeio que a me quer e espera dele.

    Max um garoto que adora msica e h anos estuda piano, que sempre foi seu instrumento preferido. Mas o problema sua me, que exige demais dele, no deixando espao de tempo para que se divirta como outros garotos de sua idade. Isso algo que o sufoca, mas sua paixo pela msica no diminui. Max s se sente um pouco desanimado.

    Astrid uma me autoritria, que exige perfeio em tudo, quer que Max d o mximo de si mesmo. O seu desejo que ele se torne um msico reconhecido internacionalmente.

    Mas o que Max quer tocar, sentir a msica, sem se importar com fama ou projeo internacional.

    Eles moram em um pequeno povoado em Vorarlberg, um lugar belssimo, cercado de montanhas, onde a natureza se esmerou em beleza.

    A casa de Max uma das ltimas do povoado, uma casa de madeira antiga, de estilo austraco, com um bonito terrao, um fogo de lenha, e um jardim maravilhoso, que, dependendo da poca, fica repleto de flores, verduras e legumes que seus pais plantam. um jardim feito com harmonia, tanto os pais como os filhos ajudam, no somente na manuteno, como tambm no plantio do jardim e da horta.

    A famlia sempre tem mesa alimentos frescos da horta e a casa

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  • est sempre decorada com flores do jardim.H tambm muitas rvores frutferas, como cerejeiras, pereiras e

    macieiras. E, quando poca, os pais de Max preparam aguardente com as frutas.

    De todas as tortas deliciosas que sua me prepara, a preferida de Max a de ma, que sua me prepara com as mas do jardim.

    Marc, o pai de Max, professor na escola do povoado. uma pessoa muito alegre e sempre disposta a ajudar quando se precisa. A me de Max, apesar de ser muito autoritria e exigente na educao dos filhos, uma boa pessoa, que, tambm como o pai, ajuda os outros, s vezes visita casas de pessoas velhinhas, que j no podem trabalhar sozinhas, e as ajuda voluntariamente, limpando um pouco aqui, um pouco l, organizando a casa e lendo livros para aqueles que j no enxergam bem. So pessoas dedicadas comunidade onde moram e todos do povoado gostam muito deles.

    Anna, a pequena irm de Max, super travessa, fala pelos cotovelos e sempre se intromete onde no chamada, mas uma graa de menininha. Tem quatro anos de idade e vai todos os dias ao jardim de infncia. Anna adora seu irmo, mas no por isso que no deixa de atorment-lo, e ela sempre tenta incomodar Max quando ele est estudando piano. Anna diz que tambm quer ser pianista como seu irmo, sua me diz que ela ainda muito pequena, mas, quando completar seis anos, poder tambm estudar piano, se quiser. Seria uma maravilha se os dois fossem msicos.

    E a me j sonha com o dia em que poder ver seus dois filhos apresentando-se em um conhecido teatro ou pera, com o pblico aplaudindo e seus filhos recebendo o reconhecimento que merecem pelo esforo que ela tambm teve, incentivando-os para a msica.

    O pai, neste caso, muito mais relaxado. Marc sempre diz: Astrid, deixe Max um pouco livre! Ele tem talento para a m

    sica, adora tocar, disciplinado, mas tambm um garoto, e precisa se divertir um pouco, brincar com seus amigos Ele no pode s ficar em casa estudando, deixe-o um pouco livre, esta idade no volta.

    No, tenho que ajud-lo, orient-lo, para que um dia seja um grande msico, e sem disciplina ele no conseguir. Eu o guiarei para a fama diz a me, com certeza de estar fazendo o certo.

    Eu te vejo muito tensa em relao a este tema, no exija de

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  • mais do menino diz o pai. Se Leopold pensasse assim, Mozart no teria sido o que foi.

    Era um pai exemplar que estava sempre ao lado do filho. Com a idade de Max, Mozart j era conhecido internacionalmente.

    Sim, concordo em parte, mas Mozart, na idade de Max no jogava futebol com os amigos, no praticava snowboard, no ia ao cinema, no tinha computador, etc. diz o pai com um meio sorriso.

    No seja bobo, Marc, naquela poca no havia nada disso que voc acabou de falar diz a me, contrariada.

    HAHAHAHA!! brincadeira diz o pai, soltando vrias gargalhadas. brincadeira, voc est mesmo muito tensa! O que voc acha se passssemos um fim de semana em uma cabana no alto das montanhas? As crianas adorariam! sugere Marc.

    Nem pensar! No prximo ms Max se apresentar no teatro da cidade e tem que estar bem preparado diz a me, com toda sua autoridade.

    Voc acabar estressando o Max assim Est bem. Mas depois desse concerto iremos para algum lugar descansar, e com uma condio diz o pai, com ar exigente.

    Qual? pergunta a me, intrigada. Levaremos s as crianas. O piano fica, no temos assento

    para ele no carro diz o pai, rindo em tom de deboche . Voc s vezes to bobo diz a me, com desdm.

    Enquanto isso, no mesmo pas, mas em uma poca muito distante, mais precisamente no sculo XVIII, na cidade de Salzburgo, um garoto olha melanclico atravs da janela.

    Seu olhar est perdido, quando ouve uma voz de trs chamando-o realidade. Ele se vira e seus olhos encontram os do seu pai.

    Bom dia, senhor papai! diz o garoto. Bom dia. O que voc faz parado perdendo tempo, que algo

    valioso? pergunta o pai, com ar srio. Nada, estou apenas observando aqueles garotos. Esto brin

    cando faz tempo l em baixo, parece to divertido, acho que todos devem ter mais ou menos a minha idade.

    Esto perdendo tempo! Alm disso, eles no tm um pai como eu, que se preocupa com a educao do filho. V praticar um pou

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  • co. Mas, senhor papai, acabamos de chegar de viagem e toquei

    tanto! No posso descer um pouco e brincar com os garotos da rua? Como?! pergunta o pai, indignado. Se voc tem o nvel

    que tem, graas ao esforo que eu dedico a voc. Mas, papai, eu j toquei e estudei tanto, queria tanto ser um

    pouco normal como esses meninos Mas voc no , e jamais ser como um desses garotos. Olhe

    novamente pela janela ento o pai lhe agarra levemente pelo brao e o leva at a janela. Diga-me, qual desses garotos j tocou para reis e rainhas, qual desses garotos conhecido em quase toda a Europa e aplaudido em p por milhares de pessoas emocionadas aps ouvirem um concerto proporcionado para eles? Diga-me, qual? pergunta o pai, energicamente.

    Sim, papai o garoto sai cabisbaixo da sala e vai em direo sala de msica.

    Espere! ordena o pai. Sim, papai? E qual desses garotos se chama Wolfgang Amadeus Mozart?

    Voc nico! Jamais existiu e jamais existir neste mundo algum com tanto talento como voc diz o pai, orgulhoso.

    Ento o pequeno Mozart volta realidade da sua vida e com mpeto comea a tocar. Sua msica envolvente, bela e profunda, msica que entra no corao de qualquer pessoa que a ouve.

    Mozart, com apenas quatro anos, aprendeu a tocar cravo, um instrumento derivado do piano. Tambm tocava violino, e, com cinco anos, j era capaz de compor.

    Antes de completar seis anos, seu pai o levou para tocar para a corte da realeza da Baviera. Nesse concerto, sua irm, Nannerl, o acompanhou. Depois tambm tocaram em Viena, impressionando tanto a todos que fizeram uma turn de trs anos e meio por toda a Europa, obtendo muitssimo sucesso.

    O pai do pequeno Mozart era compositor e violinista a servio do prncipe arcebispo de Salzburgo. Vinha de uma famlia pobre e, ao mesmo tempo em que o talento de Mozart era para seu pai algo como uma bno de Deus e sua misso era torn-lo conhecido pelo mundo -, tambm era uma vantagem econmica.

    O pequeno Mozart no tinha uma vida normal como outra crian

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  • a qualquer, vivia de um lado a outro em carruagens, viajando, em hospedarias.

    Para muitos, o pequeno era um brinquedo divertido, era uma criana encantadora e divertida, alm de talentosa. Mas tudo isso no o impedia de querer sair pelas ruas