Motorista de Carga - Via Rápida

Download Motorista de Carga - Via Rápida

Post on 07-Jan-2017

215 views

Category:

Documents

1 download

TRANSCRIPT

  • g o v e r n o d o e s ta d o d e s o pa u l o

    2

    Motorista de Carga

  • 2

    Motorista de Carga

    T R A N S P O R T E

    emprego

  • GOVERNO DO ESTADO DE SO PAULO

    Geraldo Alckmin

    Governador

    SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO ECONMICO,

    CINCIA, TECNOLOGIA E INOVAO

    Mrcio Luiz Frana Gomes

    Secretrio

    Cludio Valverde

    Secretrio-Adjunto

    Maurcio Juvenal

    Chefe de Gabinete

    Marco Antonio da Silva

    Coordenador de Ensino Tcnico, Tecnolgico e Profissionalizante

  • GOVERNO DO ESTADO DE SO PAULO

    Geraldo Alckmin

    Governador

    SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO ECONMICO,

    CINCIA, TECNOLOGIA E INOVAO

    Mrcio Luiz Frana Gomes

    Secretrio

    Cludio Valverde

    Secretrio-Adjunto

    Maurcio Juvenal

    Chefe de Gabinete

    Marco Antonio da Silva

    Coordenador de Ensino Tcnico, Tecnolgico e Profissionalizante

  • Concepo do programa e elaborao de contedos

    Secretaria de Desenvolvimento Econmico, Cincia, Tecnologia e Inovao

    Coordenao do Projeto Equipe TcnicaMarco Antonio da Silva Cibele Rodrigues Silva, Joo Mota Jr.

    e Raphael Lebsa do Prado

    Fundao do Desenvolvimento Administrativo Fundap

    Gesto do processo de produo editorial

    Fundao Carlos Alberto Vanzolini

    Wanderley Messias da CostaDiretor Executivo

    Mrgara Raquel CunhaDiretora Tcnica de Formao Profissional

    Coordenao Executiva do ProjetoJos Lucas Cordeiro

    Equipe TcnicaEmily Hozokawa Dias e Odair Sthefano SantAna

    Textos de RefernciaBeatriz Garcia Sanchez, Cllia La Laina, Dilma Fabri Maro Pichoneri, Maria Jos Mas dos Santos, Selma Venco e Walkiria Rigolon

    Mauro de Mesquita SpnolaPresidente da Diretoria Executiva

    Jos Joaquim do Amaral FerreiraVice-presidente da Diretoria Executiva

    Gesto de Tecnologias em Educao

    Direo da reaGuilherme Ary Plonski

    Coordenao Executiva do ProjetoAngela Sprenger e Beatriz Scavazza

    Gesto do PortalLuis Marcio Barbosa, Luiz Carlos Gonalves, Sonia Akimoto e Wilder Rogrio de Oliveira

    Gesto de ComunicaoAne do Valle

    Gesto EditorialDenise Blanes

    Equipe de Produo

    Assessoria pedaggica: Egon de Oliveira Rangel

    Editorial: Airton Dantas de Arajo, Ana Paula Peicher Lisboa, Bruno Meng, Camila Grande, Celeste Baumann, Main Greeb Vicente, Olivia Frade Zambone, Priscila Risso, Rogrio Cantelli, Stella Mesquita e Tatiana F. Souza

    Direitos autorais e iconografia: Ana Beatriz Freire, Aparecido Francisco, Fernanda Catalo, Jos Carlos Augusto, Larissa Polix Barbosa, Maria Magalhes de Alencastro, Mayara Ribeiro de Souza, Priscila Garofalo, Rita De Luca, Roberto Polacov e Sandro Carrasco

    Apoio produo: Fernanda Rezende de Queirz, Luiz Roberto Vital Pinto, Maria Regina Xavier de Brito, Valria Aranha e Vanessa Leite Rios

    Diagramao e arte: Jairo Souza Design Grfico

    CTP, Impresso e Acabamento

    Imprensa Oficial do Estado de So Paulo

    Agradecemos aos seguintes profissionais e instituies que colaboraram na produo deste material:Autopista Rgis Bittencourt, Campinense Transporte, Detran/SP, DiCico, Marcelo Chiapetta, Pallets de Paula, Sest-Senat Santo Andr e Transligue Transp. e Serv. Ltda

    Caro(a) Trabalhador(a)

    Estamos bastante felizes com a sua participao em um dos nossos cursos do Programa Via Rpida Emprego. Sabemos o quanto a capacitao profissional importante para quem busca uma oportunidade de trabalho ou pretende abrir o seu prprio negcio.

    Hoje, a falta de qualificao uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo desempregado.

    At os que esto trabalhando precisam de capacitao para se manterem atualizados ou, quem sabe, exercerem novas profisses com salrios mais atraentes.

    Foi pensando em voc que o Governo do Estado criou o Via Rpida Emprego.

    O Programa coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Econmico, Cincia, Tecnologia e Inovao, em parceria com instituies conceituadas na rea da edu-cao profissional.

    Os nossos cursos contam com um material didtico especialmente criado para facilitar o aprendizado de maneira rpida e eficiente. Com a ajuda de educadores experientes, pretendemos formar bons profissionais para o mercado de trabalho e excelentes cidados para a sociedade.

    Temos certeza de que vamos lhe proporcionar muito mais que uma formao profissional de qualidade. O curso, sem dvida, ser o seu passaporte para a realizao de sonhos ainda maiores.

    Boa sorte e um timo curso!

    Secretaria de Desenvolvimento Econmico, Cincia, Tecnologia e Inovao

  • Concepo do programa e elaborao de contedos

    Secretaria de Desenvolvimento Econmico, Cincia, Tecnologia e Inovao

    Coordenao do Projeto Equipe TcnicaMarco Antonio da Silva Cibele Rodrigues Silva, Joo Mota Jr.

    e Raphael Lebsa do Prado

    Fundao do Desenvolvimento Administrativo Fundap

    Gesto do processo de produo editorial

    Fundao Carlos Alberto Vanzolini

    Wanderley Messias da CostaDiretor Executivo

    Mrgara Raquel CunhaDiretora Tcnica de Formao Profissional

    Coordenao Executiva do ProjetoJos Lucas Cordeiro

    Equipe TcnicaEmily Hozokawa Dias e Odair Sthefano SantAna

    Textos de RefernciaBeatriz Garcia Sanchez, Cllia La Laina, Dilma Fabri Maro Pichoneri, Maria Jos Mas dos Santos, Selma Venco e Walkiria Rigolon

    Mauro de Mesquita SpnolaPresidente da Diretoria Executiva

    Jos Joaquim do Amaral FerreiraVice-presidente da Diretoria Executiva

    Gesto de Tecnologias em Educao

    Direo da reaGuilherme Ary Plonski

    Coordenao Executiva do ProjetoAngela Sprenger e Beatriz Scavazza

    Gesto do PortalLuis Marcio Barbosa, Luiz Carlos Gonalves, Sonia Akimoto e Wilder Rogrio de Oliveira

    Gesto de ComunicaoAne do Valle

    Gesto EditorialDenise Blanes

    Equipe de Produo

    Assessoria pedaggica: Egon de Oliveira Rangel

    Editorial: Airton Dantas de Arajo, Ana Paula Peicher Lisboa, Bruno Meng, Camila Grande, Celeste Baumann, Main Greeb Vicente, Olivia Frade Zambone, Priscila Risso, Rogrio Cantelli, Stella Mesquita e Tatiana F. Souza

    Direitos autorais e iconografia: Ana Beatriz Freire, Aparecido Francisco, Fernanda Catalo, Jos Carlos Augusto, Larissa Polix Barbosa, Maria Magalhes de Alencastro, Mayara Ribeiro de Souza, Priscila Garofalo, Rita De Luca, Roberto Polacov e Sandro Carrasco

    Apoio produo: Fernanda Rezende de Queirz, Luiz Roberto Vital Pinto, Maria Regina Xavier de Brito, Valria Aranha e Vanessa Leite Rios

    Diagramao e arte: Jairo Souza Design Grfico

    CTP, Impresso e Acabamento

    Imprensa Oficial do Estado de So Paulo

    Caro(a) Trabalhador(a)

    Estamos bastante felizes com a sua participao em um dos nossos cursos do Programa Via Rpida Emprego. Sabemos o quanto a capacitao profissional importante para quem busca uma oportunidade de trabalho ou pretende abrir o seu prprio negcio.

    Hoje, a falta de qualificao uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo desempregado.

    At os que esto trabalhando precisam de capacitao para se manterem atualizados ou, quem sabe, exercerem novas profisses com salrios mais atraentes.

    Foi pensando em voc que o Governo do Estado criou o Via Rpida Emprego.

    O Programa coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Econmico, Cincia, Tecnologia e Inovao, em parceria com instituies conceituadas na rea da edu-cao profissional.

    Os nossos cursos contam com um material didtico especialmente criado para facilitar o aprendizado de maneira rpida e eficiente. Com a ajuda de educadores experientes, pretendemos formar bons profissionais para o mercado de trabalho e excelentes cidados para a sociedade.

    Temos certeza de que vamos lhe proporcionar muito mais que uma formao profissional de qualidade. O curso, sem dvida, ser o seu passaporte para a realizao de sonhos ainda maiores.

    Boa sorte e um timo curso!

    Secretaria de Desenvolvimento Econmico, Cincia, Tecnologia e Inovao

  • Caro(a) Trabalhador(a)

    Voc vai iniciar agora a segunda etapa de seu aprendizado. O objetivo do Programa Via Rpida Emprego ampliar seus conhecimentos sobre os contedos especficos da ocupao de motorista de carga.

    Partimos do princpio de que voc j tem muitos conhecimentos, experincias e vivncias e de que tudo isso ser valorizado e potencializado neste curso.

    Dando sequncia ao aprendizado, a Unidade 6 tratar dos diferentes tipos de carga e de veculo. Nela, voc ainda conhecer informaes importantes sobre as emba-lagens das cargas.

    Na Unidade 7, voc aprender sobre segurana no transporte e direo defensiva, dois assuntos necessrios na formao e no trabalho do motorista de carga.

    A Unidade 8 apresentar informaes essenciais sobre os procedimentos para ope-rao em terminais e armazns de mercadorias, etapa fundamental do processo do transporte rodovirio de cargas.

    Custos no transporte ser o assunto da Unidade 9. Nela, sero discutidas questes relativas aos tipos de custo envolvidos no transporte de cargas rodovirio.

    Finalmente, a Unidade 10, que encerra o Caderno, tratar da organizao de seu currculo, bem como da necessidade de preparar-se para uma entrevista de trabalho.

    Voc est pronto para comear? Ento, mos obra!

  • Sum ri oUnidade 6

    9Tipos de carga e veculo

    Unidade 741

    segurana no TransporTe

    Unidade 869

    procedimenTos para operao em Terminais e armazns de mercadorias

    Unidade 977

    cusTos de TransporTes

    Unidade 1087

    revendo seus conhecimenTos

  • FICHA CATALOGRFICATatiane Silva Massucato Arias - CRB-8/7262

    So Paulo (Estado). Secretaria de Desenvolvimento Econmico, Cincia, Tecnologia e Inovao. Via Rpida Emprego: transporte: motorista de carga, v.2. So Paulo: SDECTI, 2015.

    il. - - (Srie Arco Ocupacional Transporte)

    ISBN: 978-85-8312-192-3 (Impresso) 978-85-8312-193-0 (Digital)

    1. Ensino Profissionalizante 2. Transporte Qualificao Tcnica 3. Motorista de Carga Mercado de Trabalho I. Secretaria de Desenvolvimento Econmico, Cincia, Tecnologia e Inovao II. Ttulo III. Srie.

    CDD: 388.3248

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 9

    unida d e 6

    Tipos de carga e veculoNesta Unidade, que abre o Caderno 2 do nosso curso, vamos apresentar os diferentes tipos de carga, caminho e carroceria utilizados no transporte rodovirio, conhecendo tambm outras questes relativas s cargas, como peso e altura mxima, que cada caminho pode transportar. Aprenderemos ainda, ao final da Unidade, questes imprescindveis relativas aos tipos de em-balagem das cargas e s dimenses dos veculos.

    Essa parte especfica do transporte de cargas bastante importan-te. Por isso, voc deve conhecer todos os tipos de caminho, suas especificidades e todas as suas possibilidades de utilizao. Vale a pena lembrar que o transporte no modal rodovirio o mais utilizado em nosso pas, levando diariamente grande variedade e quantidade de produtos e mercadorias, e requer, portanto, cami-nhes adequados para realizao desse tipo de transporte.

    Pau de arara

    Muitos de ns temos parentes prximos avs, pais, irmos, primos etc. que viveram em outras regies do Brasil. Isso acontece porque muitas pessoas saem de regies nas quais h menos empregos e vm para o Estado de So Paulo, entre outros, para tentar encontrar melhores oportunidades de trabalho. Esse processo chamado de migrao.

    Essa situao foi bastante comum nas dcadas de 1960 e 1970, poca em que muitas indstrias estavam sendo abertas e a cidade de So Paulo crescia a todo o vapor. Depois dos anos 1980, diminuiu a vinda de pessoas do Nordes-te e do Norte para So Paulo, mas ainda so muitas as que chegam todos os anos a este Estado em busca de trabalho.

    Um tipo especfico de caminho foi muito utilizado nesse perodo para realizar o transporte dessa populao migrante, que saa do Nordeste em busca de novas oportunidades em outros Estados do Pas. Esse veculo o chamado caminho pau de arara.

    Por ter sido to caracterstico daquele momento histrico brasileiro fortemen-te marcado pelo fenmeno da migrao, o pau de arara serviu de inspirao para muitos poetas e compositores, que descreveram em forma de poesia e de msica essa realidade do povo nordestino. Leia na pgina a seguir a letra da msica popularizada por Luiz Gonzaga.

  • 10 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    Tipos de carga

    Vamos iniciar esta etapa do curso, mais voltada para a aprendizagem dos conheci-mentos especficos e tcnicos que o motorista de carga deve possuir, conhecendo um pouco mais sobre a figura central dessa ocupao: a carga.

    Faa um breve exerccio de reflexo e tente enumerar a variedade de produtos que fazem parte do seu dia a dia e aos quais voc tem acesso, seja para consumo, seja para o trabalho. A variedade imensa, no mesmo?

    ltimo pau de arara

    Jos Guimares, Corumba e Venncio

    A

    rqui

    vo/A

    E

    A vida aqui s ruim

    Quando no chove no cho

    Mas se chover d de tudo

    Fartura tem de monto

    Tomara que chova logo

    Tomara, meu Deus, tomara

    S deixo o meu Cariri

    No ltimo pau de arara

    S deixo o meu Cariri

    No ltimo pau de arara

    Enquanto a minha vaquinha

    Tiver o couro e o osso

    E puder com o chocalho

    Pendurado no pescoo

    Vou ficando por aqui

    Que Deus do cu me ajude

    Quem sai da terra natal

    Em outro canto no para

    S deixo o meu Cariri

    No ltimo pau de arara

    S deixo o meu Cariri

    No ltimo pau de arara

    Enquanto a minha vaquinha

    Tiver o couro e o osso

    E puder com o chocalho

    Pendurado no pescoo

    Vou ficando por aqui

    Universal Music Publishing MGB Brasil Ltda.

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 11

    Quando pensamos na maneira como essas mercadorias chegam at ns, consumi-dores finais, torna-se importante refletir sobre as formas utilizadas na organizao e no transporte de toda essa imensa gama de artigos que so produzidos, transpor-tados e consumidos diariamente em nosso pas.

    Para o motorista de carga, compreender esse processo fundamental, pois, a partir do momento em que carrega um caminho para realizar o servio de transporte, ele se torna responsvel pela carga que est transportando.

    Por isso, to importante que voc conhea os tipos de carga, suas propriedades e como so classificadas, a fim de tomar as decises mais adequadas para manter a qualidade do servio de transporte e, assim, diminuir a possibilidade de problemas.

    Em relao s suas propriedades, as cargas podem ser classificadas de acordo com as caractersticas a seguir.

    Fragilidade: so classificados como frgeis aqueles produtos que se quebram ou amassam com maior facilidade. Portanto, preciso estar atento ao realizar o transporte desse tipo de carga, tomando os cuidados necessrios. So exemplos de produtos frgeis: vidro, eletrnicos, produtos cermicos etc.

    J

    eff G

    reen

    berg

    2 o

    f 6/A

    lam

    y/L

    atin

    stoc

    k

    Muitos produtos frgeis esto embalados de forma que no podem ser vistos pelo motorista. Fique atento quando este smbolo estiver presente em uma embalagem: ele o indicador de produto frgil.

    Dan

    iel B

    enev

    enti

  • 12 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    Periculosidade: so classificados como perigosos aqueles produtos que podem causar danos ou prejuzos a outros objetos ou ao meio ambiente (incluindo os seres vivos), tais como explosivos, lquidos inflamveis e substncias corrosivas.

    Dimenses: so as medidas de comprimento, altura e largura do produto ou da carga, informaes importantes que devem ser sempre conhecidas pelo motorista.

    Pesos considerados especiais: observa-se essa propriedade para o transporte de alguns produtos que possuem peso muito significativo, ou seja, muito alm do peso daquelas cargas comumente transportadas.

    M

    ario

    Hen

    riqu

    e/L

    atin

    stoc

    k

    M

    ario

    Hen

    riqu

    e/L

    atin

    stoc

    k

    P

    aulo

    Fri

    dman

    /Pul

    sar

    Imag

    ens

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 13

    Agora que voc j conhece como as cargas so classificadas em funo de suas propriedades, vamos separ-las por categorias, ou seja, a forma como so organiza-das para o transporte.

    Categoria Descrio

    Carga geral Carga embarcada, com marca de identificao e contagem de unidades, que podem ser soltas ou unitizadas.

    Carga solta (no unitizada)

    Itens avulsos, embarcados separadamente em embrulhos, fardos, pacotes, sacas, caixas, tambores etc.

    Carga unitizada Carga em que h o agrupamento de vrios itens em unidades de transporte.

    Carga a granelCarga lquida ou seca (slida) embarcada e transportada sem acondicionamento, sem marca de identificao e sem contagem de unidades, tais como farelos, gros, cascalho, areia etc.

    Carga frigorificadaProdutos que necessitam de refrigerao ou congelamento durante o transporte para que suas qualidades e propriedades sejam mantidas; por exemplo, carnes, pescados, sorvetes etc.

    Neogranel

    Carregamento formado por conglomerados homogneos de mercadorias de carga geral sem acondicionamento especfico, cujo volume ou quantidade possibilita o transporte em lotes, em um nico embarque, como o transporte de carros.

    Carga perigosa Produtos que podem causar danos e prejuzos a outras cargas ou ao meio ambiente, incluindo os seres vivos.

    Fonte: SERVIO SOCIAL DO TRANSPORTE (SEST); SERVIO NACIONAL DE APRENDIZAGEM DO TRANSPORTE (SENAT). Curso de capacitao de motorista de carga: caderno do aluno. Braslia: Sest/Senat, 2008.

    Conferncia de carga

    Antes de iniciar o transporte, uma importante atividade do motorista de carga estar atento e realizar a conferncia minuciosa de toda a carga que ser transportada. Ao longo desta e das prximas Unidades, voc vai retomar importantes aspectos dessa conferncia. Mas ressaltamos, desde j, que essa uma das maiores responsabilidades do motorista e que dela dependem o bom desempenho do servio de transporte e a preservao da qualidade e da propriedade das cargas transportadas. A verificao da carga especialmente importante tambm para sua garantia e segurana como tra-balhador e como cidado.

    importante que voc conhea todas as suas responsabilidades em relao carga que est transportando. No entanto, fique atento, pois podem acontecer situaes eventuais, nas quais qualquer problema com a carga (perda, avaria ou demora na entrega) no implica responsabilizao do motorista, como:

  • 14 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    insuficincia ou imperfeio das marcas ou dos rtulos;

    transporte de animais vivos, desde que o transportador prove que cumpriu com todas as instrues especficas dadas pelo remetente;

    defeito ou insuficincia de embalagem que no esteja evidente;

    mercadorias que tenham sido entregues j com algum tipo de problema ou avaria;

    eventos e/ou acontecimentos imprevistos e fora do controle do motorista, tais como conflitos, guerras, greves e demais problemas que possam causar suspenso involuntria do trabalho;

    motivos de fora maior;

    perdas normais decorrentes do manuseio das mercadorias e que tenham sido motivo de acordo prvio entre os envolvidos no transporte da carga.

    Fora os casos mencionados, possvel que o transportador tenha de se responsabi-lizar por extravio, avarias e danos carga ou pelo descumprimento do acordo fir-mado com o cliente.

    Quando acontece perda total ou parcial da carga, voc deve tomar como referncia a prpria documentao da carga (nota fiscal e conhecimento de transporte) para definir o valor a ser ressarcido que, nunca pode superar o valor original da carga em questo.

    Fonte: SERVIO SOCIAL DO TRANSPORTE (SEST); SERVIO NACIONAL DE APRENDIZAGEM DO TRANSPORTE (SENAT). Curso de capacitao de motorista de carga:

    caderno do aluno. Braslia: Sest/Senat, 2008.

    Tipos de veculo usados no transporte rodovirio

    Agora, vamos apresentar os diferentes tipos de caminho, para posteriormente abordar com mais detalhes a relao deles com as cargas que transportam.

    Uma primeira classificao que pode ser feita para os tipos de caminho a sepa-rao entre os chamados veculos rgidos e os veculos articulados.

    So classificados como veculos rgidos aqueles caminhes que possuem uma nica estrutura (cabine e carroceria), com dois ou trs eixos, conhecidos como Veculo Urbano de Carga (VUC), toco (caminho semipesado) e truck (fala-se trk caminho pesado).

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 15

    Exemplo de truck. Exemplo de toco.

    J os caminhes articulados so aqueles que possuem duas ou trs estruturas. A imagem a seguir mostra um caminho com duas estruturas: cabine do tipo cavalo mecnico e carroceria do tipo semirreboque.

    Os treminhes tm trs tipos de estrutura (cavalo mecnico, semirreboque e dois reboques). Esses veculos, em funo de seu peso total com carga, sofrem limitaes em relao ao tipo de estrada em que podem trafegar.

    M

    ario

    Hen

    riqu

    e/L

    atin

    stoc

    k

    M

    ario

    Hen

    riqu

    e/L

    atin

    stoc

    k

    E

    rnes

    to R

    eghr

    an/P

    ulsa

    r Im

    agen

    s

    L

    ucia

    na W

    hita

    ker/

    Pul

    sar

    Imag

    ens

  • 16 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    Uma segunda possibilidade de classificao para esses caminhes a dada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o antigo De-partamento Nacional de Estradas de Rodagens (DNER), do qual j falamos no Caderno 1.

    Segundo o DNIT, a classificao dos veculos de carga dada da seguinte forma:

    Caminhes

    Semirreboque

    Caminho com reboque

    2C

    Classificao dos veculos de carga

    3C

    2S1

    2S2

    2S3

    2C2

    2C3

    4C

    4C

    3S1

    3S2

    3S3

    3C2

    3C3

    C = caminho. S = semirreboque. Nmero esquerda das letras = quantidade de eixos da unidade tratora. Nmero direita das letras = quantidade de eixos da unidade tracionada.Fonte: SERVIO SOCIAL DO TRANSPORTE (SEST); SERVIO NACIONAL DE APRENDIZAGEM DO TRANSPORTE (SENAT). Curso de capacitao de motorista de carga: caderno do aluno. Braslia: Sest/Senat, 2008.

    D

    anie

    l Ben

    even

    ti

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 17

    Tipos de carroceria

    Agora, vamos conhecer as carrocerias que os caminhes podem apresentar, em funo da necessidade de atender de forma adequada ao transporte de diversos tipos de carga. Ao observar as descries e as imagens a seguir, fique atento s diferenas e s especificidades de cada uma delas.

    Aberta: os caminhes as utilizam para as mercadorias que no estragam e no perdem suas caractersticas ao ser transportadas ao ar livre, sendo apenas cobertas por lonas enceradas para proteo contra chuva, vento e sol.

    Ba ou fechada: nela, as cargas transportadas so mais protegidas contra vento, chuva e sol. Um caminho-ba apresenta-se em formato de vago.

    M

    ario

    Hen

    riqu

    e/L

    atin

    stoc

    k

    G

    . Eva

    ngel

    ista

    /Op

    o B

    rasi

    l Im

    agen

    s

  • 18 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    Refrigerada: utilizada para o transporte de mercadorias que necessitam de refrigerao, tais como carnes, produtos derivados de leite, sorvetes etc. A prpria carroceria uma espcie de refrigerador.

    Tanque: os caminhes com esse tipo de carroceria so utilizados para o trans-porte de produtos lquidos, como combustveis, leite e suco de laranja. Como o nome diz, essas carrocerias possuem formato de tanque.

    Plataforma: por causa de seu formato de plataforma, essa carroceria comumen-te utilizada para servios de guincho.

    M

    ario

    Hen

    riqu

    e/L

    atin

    stoc

    k

    Mar

    io H

    enri

    que/

    Lat

    inst

    ock

    T

    aina

    Soh

    lman

    /123

    RF

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 19

    Cegonheiro: caminhes com este tipo de carroceria tm um uso bastante espe-cfico: o transporte de carros novos, que saem das fbricas para as concessionrias.

    Caamba: usada em caminhes basculantes, geralmente empregados na cons-truo civil para transportar areia, pedra, entulho, terra, cascalho etc.

    Carroceria para transporte de botijes ou cilindros de gs: como o prprio nome j define, esta carroceria transporta apenas botijes ou cilindros de gs.

    M

    ario

    Hen

    riqu

    e/L

    atin

    stoc

    k

    Mar

    io H

    enri

    que/

    Lat

    inst

    ock

    E

    dson

    Silv

    a/F

    olha

    pres

    s

  • 20 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    Carroceria para canavieiros: utilizada especificamente para realizar o transpor-te da cana-de-acar.

    Carroceria para transporte de animais vivos: utilizada para transportar bovi-nos, aves, sunos, equinos etc.

    Carroceria para transporte de bebidas: outro tipo de utilizao bastante especfica. Neste caso, a carroceria possibilita o transporte adequado de bebidas.

    E

    md

    io B

    asto

    s/O

    po

    Bra

    sil I

    mag

    ens

    J

    oo

    Pru

    dent

    e/P

    ulsa

    r Im

    agen

    s

    Imag

    e S

    ourc

    e/F

    olha

    pres

    s

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 21

    Bitrem: esta carroceria usada em caminhes que possuem cavalo 62 e dois semirreboques de dois eixos, totalizando sete eixos na composio.

    Rodotrem: esta carroceria usada em caminhes com cavalo 64 e dois semir-reboques de trs eixos cada, totalizando nove eixos na composio.

    Atividade 1Sobre a utilizao doS diferenteS

    tipoS de carroceria e cargaS

    Agora que voc deu esse importante passo e conheceu os diferentes tipos de carro-ceria que fazem o importante trabalho de transporte das mercadorias em nosso pas, vamos fazer uma atividade.

    Fonte: SERVIO SOCIAL DO TRANSPORTE (SEST); SERVIO NACIONAL DE APRENDIZAGEM DO TRANSPORTE (SENAT). Curso de capacitao de motorista de carga:

    caderno do aluno. Braslia: Sest/Senat, 2008.

    M

    ario

    Hen

    riqu

    e/L

    atin

    stoc

    k

    Mar

    io H

    enri

    que/

    Lat

    inst

    ock

  • 22 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    1. Em dupla, respondam s seguintes questes:

    a) Qual a diferena entre carrocerias abertas e carrocerias fechadas (ba)? Quais implicaes esses dois tipos de carroceria tm em relao carga que transportam?

    b) Para que serve a carroceria plataforma? E a tanque?

    c) Quais so as caractersticas da carroceria bitrem e as da carroceria rodotrem?

    d) Em relao s suas propriedades, como as cargas podem ser classificadas?

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 23

    e) E, em relao forma como so organizadas para o transporte, como elas podem ser classificadas?

    Peso por eixo e altura mxima dos veculos

    Vamos agora para outra importante etapa dos estudos em relao aos caminhes e s cargas que eles transportam. fundamental que voc, futuro motorista de carga, conhea bem todas as informaes relativas ao peso mximo que cada eixo pode carregar. Assim, voc pode acomodar da melhor forma possvel a carga que vai transportar, minimizando problemas e evitando maiores desgastes, tanto do vecu-lo quanto das vias pavimentadas que vai percorrer.

    Aqui, mais uma vez, a regulamentao realizada por agncias e instituies res-ponsveis por esses setores em nosso pas e regulamentada por meio de leis e normas.

    A definio de padres e medidas para o controle do peso das cargas transportadas no modal rodovirio responsabilidade do Conselho Nacional de Trnsito (Contran), vinculado ao Departamento Nacional de Trnsito (Denatran). a Resoluo Contran no 210, de 13 de novembro de 2006, que tem o objetivo de estabelecer os limites de peso e dimenses para veculos que transitam por vias terrestres.

    Vamos ver o que afirma essa resoluo em seu artigo 1o, que diz respeito s dimen-ses dos veculos para transporte de cargas:

    Art. 1 As dimenses autorizadas para veculos, com ou sem carga,

    so as seguintes:

    I largura mxima: 2,60 m;

    II altura mxima: 4,40 m;

  • 24 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    III comprimento total:

    a) veculos no articulados: mximo de 14,00metros;

    b) veculos no articulados de transporte coletivo urbano de passagei-

    ros que possuam 3 eixo de apoio direcional: mximo de 15metros;

    c) veculos articulados de transporte coletivo de passageiros: mximo

    18,60metros;

    d) veculos articulados com duas unidades, do tipo caminho-trator e

    semirreboque: mximo de 18,60metros;

    e) veculos articulados com duas unidades do tipo caminho ou nibus

    e reboque: mximo de 19,80 [metros];

    f) veculos articulados com mais de duas unidades: mximo de 19,80me-

    tros.

    1 Os limites para o comprimento do balano traseiro de veculos de

    transporte de passageiros e de cargas so os seguintes:

    I nos veculos noarticulados de transporte de carga, at 60% (ses-

    senta por cento) da distncia entre os dois eixos, no podendo exceder

    a 3,50m (trs metros e cinquenta centmetros).

    BRASIL. Conselho Nacional de Trnsito. Resoluo no 210, de 13 de novembro de 2006. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    Agora, vamos observar o artigo 2o dessa mesma resoluo, que trata especificamen-te dos pesos suportados por cada eixo no transporte de cargas:

    Art. 2 Os limites mximos de peso bruto total e peso bruto trans-

    mitido por eixo de veculo, nas superfcies das vias pblicas, so os

    seguintes:

    1 peso bruto total ou peso bruto total combinado, respeitando os

    limites da capacidade mxima de trao CMT da unidade tratora

    determinada pelo fabricante:

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 25

    a) peso bruto total para veculo no articulado: 29t;

    b) veculos com reboque ou semirreboque, exceto caminhes: 39,5t;

    c) peso bruto total combinado para combinaes de veculos articula-

    dos com duas unidades, do tipo caminho-trator e semirreboque, e

    comprimento total inferior a 16m: 45t;

    d) peso bruto total combinado para combinaes de veculos articula-

    dos com duas unidades, do tipo caminho-trator e semirreboque com

    eixos em tandem triplo e comprimento total superior a 16m: 48,5t;

    e) peso bruto total combinado para combinaes de veculos articula-

    dos com duas unidades, do tipo caminho-trator e semirreboque com

    eixos distanciados, e comprimento total igual ou superior a 16m: 53t;

    f) peso bruto total combinado para combinaes de veculos com duas

    unidades, do tipo caminho e reboque, e comprimento inferior a 17,50m:

    45t;

    g) peso bruto total combinado para combinaes de veculos articula-

    dos com duas unidades, do tipo caminho e reboque, e comprimento

    igual ou superior a 17,50m: 57t;

    h) peso bruto total combinado para combinaes de veculos articula-

    dos com mais de duas unidades e comprimento inferior a 17,50m: 45t;

    i) para a combinao de veculos de carga CVC, com mais de duas

    unidades, includa a unidade tratora, o peso bruto total poder ser de

    at 57toneladas, desde que cumpridos os seguintes requisitos:

    1 mximo de 7 (sete) eixos;

    2 comprimento mximo de 19,80metros e mnimo de 17,50metros;

    3 unidade tratora do tipo caminho-trator;

    4 estar equipadas com sistema de freios conjugados entre si e com

    a unidade tratora atendendo ao estabelecido pelo Contran;

  • 26 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    5 o acoplamento dos veculos rebocados dever ser do tipo autom-

    tico conforme NBR 11410/11411 e estarem reforados com correntes ou

    cabos de ao de segurana;

    6 o acoplamento dos veculos articulados com pino-rei e quinta roda

    devero obedecer ao disposto na NBR NM ISO337.

    2 peso bruto por eixo isolado de dois pneumticos: 6 t;

    3 peso bruto por eixo isolado de quatro pneumticos: 10 t;

    4 peso bruto por conjunto de dois eixos direcionais, com distncia

    entre eixos de no mnimo 1,20metros, dotados de dois pneumticos

    cada: 12t;

    5 peso bruto por conjunto de dois eixos em tandem, quando a

    distncia entre os dois planos verticais, que contenham os centros das

    rodas, for superior a 1,20m e inferior ou igual a 2,40m: 17t;

    6 peso bruto por conjunto de dois eixos no em tandem, quando

    a distncia entre os dois planos verticais, que contenham os centros

    das rodas, for superior a 1,20m e inferior ou igual a 2,40m: 15t;

    7 peso bruto por conjunto de trs eixos em tandem, aplicvel

    somente a semirreboque, quando a distncia entre os trs planos

    verticais, que contenham os centros das rodas, for superior a 1,20m e

    inferior ou igual a 2,40m: 25,5t;

    8 peso bruto por conjunto de dois eixos, sendo um dotado de

    quatro pneumticos e outro de dois pneumticos interligados por

    suspenso especial, quando a distncia entre os dois planos verticais

    que contenham os centros das rodas for:

    a) inferior ou igual a 1,20m: 9t;

    b) superior a 1,20m e inferior ou igual a 2,40m: 13,5t.

    BRASIL. Conselho Nacional de Trnsito. Resoluo no 210, de 13 de novembro de 2006. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 27

    Em todas as estradas que percorrem o Brasil, existem postos especficos para pesagem dos caminhes. Quan-do assim sinalizado, as pesagens so obrigatrias. Isso importante para o devido cumprimento das normas que visam a garantir a segurana e a qualidade no apenas das cargas, mas de todos os trabalhadores e cidados que circulam nessas estradas.

    ainda importante citar que existe uma tolerncia de at 5% de peso acima do valor mximo determinado para o peso bruto total (PBT). A Lei ainda prev tole-rncia de 7,5% por eixo, dependendo do veculo e da carga, e de 10% de limite mximo por eixo para que se possa seguir viagem sem remanejamento de carga. De toda forma, essas tolerncias no podem ultrapassar os 5% sobre o PBT.

    Fonte: BRASIL. Lei n 13.103, de 2 de maro de 2015. Disponvel em: . Acesso em: 25 mar. 2015.

    Duas nomenclaturas so importantes para que voc entenda como so realizados esses procedimentos de pesagem e possa controlar o peso total carregado pelo veculo: tara e lotao.

    Tara ou peso do veculo em ordem de marcha: Pe-so prprio do veculo, acres-cido dos pesos da carroceria e/ou equipamento, do com-bustvel, das ferramentas e dos acessrios, da roda so-bressalente, do extintor de incndio e do fluido de arre-fecimento. expresso em quilogramas.Lotao: Carga til mxima, incluindo condutor e passa-geiros, que o veculo transpor-ta. Para os veculos de carga, expressa em quilogramas.

    Fonte: BRASIL. Lei n 9.503, de

    23 de setembro de 1997.

    Disponvel em: . Acesso em:

    19 mar. 2015.

    Posto de pesagem em rodovia paulista.

    M

    ario

    Hen

    riqu

    e/L

    atin

    stoc

    k

  • 28 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    Essas informaes devem constar obrigatoriamente na carroceria de todos os ve-culos de transporte de cargas. Observe na imagem a seguir como elas aparecem.

    +

    Tara Lotao PBT

    =

    A soma do peso calculado da tara mais a lotao o peso bruto total (PBT), que significa a carga mxima que o veculo transmite ao pavimento.

    J o peso bruto total combinado (PBTC) o peso mximo transmitido ao pavimen-to pela combinao de um caminho-trator mais seu semirreboque ou de um ca-minho mais seu(s) reboque(s).

    Por fim, temos a capacidade mxima de trao (CMT), ou seja, o peso que a unidade de trao capaz de tracionar. indicada pelo fabricante, com base em condies sobre suas limitaes de gerao e multiplicao de momento de fora e sobre a resistncia dos elementos que compem a transmisso.

    Fonte: BRASIL. Lei no 9.503, de 23 de setembro de 1997. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    igualmente importante conhecer a Resoluo Contran no 211, de 13 de novembro de 2006, pois ela que estabelece os requisitos necessrios circulao de Combi-naes de Veculos de Carga (CVC). Nessa resoluo, define-se a necessidade de

    M

    ario

    Hen

    riqu

    e/L

    atin

    stoc

    k

    D

    anie

    l Ben

    even

    ti

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 29

    Autorizao Especial de Trnsito (AET) para as CVC, includa a unidade tratora, com PBT acima de 57 t ou com comprimento total acima de 19,80m.

    Para finalizar esta etapa, vamos realizar a atividade a seguir, refletindo sobre a im-portncia da existncia de rgos de regulao e fiscalizao do transporte de cargas e, tambm, sobre a necessidade de voc, que trabalha ou pretende trabalhar nessa ocupao, conhecer esses rgos e leis e estar atento ao cumprimento dessas normas.

    Atividade 2carga peSada demaiS!

    1. Retome a legislao apresentada, que trata do peso da carga transportada nos diferentes tipos de caminho, e complete a tabela a seguir de forma a organizar o que aprendeu. Esse exerccio vai auxiliar voc a fixar essas informaes to importantes.

    Tipo de caminho Peso bruto total suportado

    Veculo no articulado

    Veculos com reboque ou semirreboque

    Veculos articulados com duas unidades, do tipo caminho-trator e semirreboque, e comprimento total inferior a 16 m

    Veculos articulados com duas unidades, do tipo caminho-trator e semirreboque com eixos em tandem triplo e comprimento total superior a 16 m

    Veculos articulados com duas unidades, do tipo caminho-trator e semirreboque com eixos distanciados, e comprimento total igual ou superior a 16 m

  • 30 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    2. Em grupo de trs ou quatro colegas, faam a leitura da reportagem a seguir.

    Excesso de peso dos caminhes provoca acidentes e desgaste

    nas rodovias

    Reprter: Juliana Regina Milo

    Setenta e sete por cento dos caminhes do Pas viajam com excesso

    de carga, segundo dados do Departamento Nacional de Infraestrutu-

    ra de Transportes (DNIT). Essa sobrecarga faz com que o pavimento

    que foi feito para ser utilizado durante dez anos, em mdia, dure bem

    menos tempo.

    Isso explica, em parte, as pssimas condies de conservao de gran-

    de parte da malha brasileira, o que aumenta o risco de acidentes. Da

    mesma forma, a capacidade de frenagem do veculo diminui quando

    sobrecarregado, o que pode fazer com que, em uma descida, o mo-

    torista no consiga manter o controle.

    O excesso de peso transportado um problema grave, que traz srias

    consequncias em diversos aspectos. Quem conta Vlademir

    Voc j deve ter percebido que os jornais trazem uma variedade muito grande de textos. Neles encontramos notcias, artigos de opinio, classificados de emprego, anncios, reportagens, tirinhas, charges, horscopos, entre muitos outros. Mas, em geral, so principalmente as notcias que mais nos chamam a ateno quan-do passamos diante das bancas de jornal ou lemos um jornal pela internet. Elas costumam vir acompa-nhadas de fotos, imagens, tabelas, grficos e outros recursos que visam a facilitar a leitura.

    Imagine que voc foi a uma consulta mdica e est esperando para ser atendido. Na mesa da sala de espera h um jornal e voc decide l-lo. Voc olharia a data do jornal? Se o jornal fosse de uma semana atrs, isso aumen-taria ou diminuiria seu interesse? Qual caderno desse jornal voc leria primeiro? Por qu?

    Nos jornais, as notcias so distribudas em diferentes cadernos. Existem cadernos de esporte, de polti-ca, de economia, do cotidiano (que traz notcias da cidade na qual o jornal circula) etc. Essa diviso pro-cura ajudar o leitor a encontrar mais facilmente as notcias que busca.

    Ao procurarmos nos classificados de um jornal uma vaga de emprego ou um anncio de compra e venda, vale a pena grifarmos algumas informaes. Afinal, no utilizamos os grifos s na escola.

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 31

    Barradel, gerente de trfego da concessionria [...] que administra parte

    da Washington Lus (SP 310), na regio de So Carlos e Rio Claro.

    A empresa atua com vrios pontos de pesagem nos Kms 155, 209,

    200 norte e na pista sul 214, 201, 155, que funcionam das 6 s 20 horas,

    de segunda sexta, em pontos alternados. Segundo Vlademir, a ba-

    lana somente pode operar se estiver presente um agente do DER

    (Departamento de Estradas de Rodagem). Sem ele a operao ape-

    nas informativa, sem pesagem e sem multas.

    J sabendo que existe a pesagem, muitos motoristas procuram des-

    vios, comenta. Est em construo um ponto fixo para balana com

    toda estrutura necessria para que funcione 24 horas, evitando alguns

    casos de motoristas que esperam a balana fechar para passar com

    excesso de peso.

    O Cdigo de Trnsito Brasileiro diz que existe tolerncia de at 5% no

    peso para compensar possveis discrepncias de calibrao dos equi-

    pamentos, calibrao esta que realizada uma vez por ano pelo Ipem

    (Instituto de Pesos e Medidas).

    Estudos feitos por Joo Fortini Albano, engenheiro civil, professor

    de Rodovias e Doutor em Transportes pela Universidade Federal do

    Rio Grande do Sul (UFRGS), revelam que um caminho com 20%

    de excesso de peso causa 10 vezes mais danos ao pavimento que

    um veculo trafegando com peso previsto em lei. As administradoras

    de rodovias e concessionrias tm diversos registros de acidentes

    causados pelo excesso de peso dos caminhes, desde apenas tom-

    bamentos at com vtimas fatais. Os dados da pesquisa esto dis-

    ponveis no site da ABCR (Associao Brasileira de Concessionrias

    de Rodovias).

    Ficou constatado que, quando no h pesagem, so realizadas 50%

    mais obras de recapeamento e se gasta mais 33% com manuteno

    num pavimento padro.

    Jos R. S., motorista de caminho h 15 anos, afirma que sempre viaja

    com excesso de peso pois economiza tempo e dinheiro. Tenho que

  • 32 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    cumprir as ordens do patro e ele diz para esperarmos a balana fechar

    e depois prosseguir viagem, contou Jos. Com a instalao da balana

    fixa funcionando 24 horas vai ser mais difcil driblar a fiscalizao.

    Prejuzos

    O excesso de cargas transportado pelos caminhes, segundo o Minis-

    trio dos Transportes, provoca um prejuzo anual de R$ 1,5 bilho ao

    Governo Federal.

    O DER o rgo do governo estadual responsvel pela fiscalizao

    nas rodovias do Estado. Dvidas, reclamaes, denncias podem ser

    feitas pelo telefone 0800-555510 ou no site www.der.sp.gov.br.

    MILO, Juliana Regina. Excesso de peso dos caminhes provoca acidentes e desgaste nas rodovias. Agncia de notcias da Uniara (Ageuniara), 21 ago. 2007.

    Disponvel em: .

    Acesso em: 16 abr. 2015.

    3. Agora, tendo como base a leitura da reportagem e tudo que aprenderam at aqui, respondam s seguintes questes.

    a) De acordo com a reportagem lida, qual um dos principais problemas do trans-porte de cargas que causa desgaste nas rodovias e pode causar acidentes?

    b) Qual a lei ou norma que regula o peso das cargas no Estado de So Paulo? Qual o rgo responsvel por essa fiscalizao?

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 33

    c) Na reportagem, dito que, por vezes, os motoristas desviam seus caminhos para evitar a passagem pelos postos de pesagem. Em sua opinio, a responsabilidade pela carga transportada apenas do motorista ou tambm de quem contrata o transporte? Caso realmente haja excesso de peso na carga transportada, a res-ponsabilidade por esse fato deve ser atribuda a quem?

    Embalagens das cargas

    Outro importante aspecto sobre o transporte de cargas, ao qual o motorista de caminho precisa estar atento, est relacionado s embalagens das mercadorias e produtos que transporta.

    As embalagens so classificadas em vrios tipos:

    primria: que est em contato direto com o produto;

    secundria: feita para proteger uma ou mais embalagens primrias;

    terciria: caixas maiores que agrupam as embalagens primrias e secundrias para o transporte.

    Primria Secundria Terciria

    D

    anie

    l Ben

    even

    ti

  • 34 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    O emprego de embalagens muito importante. Uma de suas funes evitar perdas e danos de mercadorias ou produtos e mesmo danos a pessoas nas operaes de car-ga e descarga, uma vez que embalagens inadequadas podem provocar inmeros tipos de acidente. A emba-lagem uma fonte de custo, mas, eventualmente, pode tornar-se tambm uma fonte de prejuzo.

    Durante o transporte da carga, a embalagem tem como funo manter inalteradas as propriedades fsicas, qumicas, bioqumicas e biolgicas da mercadoria, protegendo-a de impactos, vibrao, insetos, roedores, luz, sol, calor, umida-de, pequenos acidentes etc., especialmente (mas no apenas) no caso daquelas transportadas em caminhes abertos. Inmeros produtos podem ser manuseados somente depois de prontos e devidamente embalados, como lquidos, gases, gis e mesmo slidos. Mas esses tipos de produto e suas respectivas embalagens constituem assunto muito extenso e especfico, razo pela qual no so tratados aqui.

    Outra funo das embalagens, igualmente importante, do ponto de vista mais geral e mercadolgico, ser atraen-tes para estimular o consumo, a curiosidade, o impulso de compra, e tambm fornecer informaes diversas em funo do tipo de produto. Existem empresas especializa-das em pesquisar e criar embalagens que atraiam mais o consumidor. Os profissionais especializados nesse assunto so os desenhistas ou designers de embalagens. Por sua vez, rgos reguladores exigem que inmeras informaes se-jam apresentadas nas embalagens, como as tabelas de valor nutricional ou as informaes de servios de fiscali-zao governamental presentes em produtos alimentcios.

    Assim, no somente os produtos devem ser embalados para ser preservados e transportados, mas suas prprias embalagens devem ser preservadas, j que embalagens danificadas deses-timulam a aquisio do produto e, no caso de alimentos, esses danos favorecem ou permitem sua deteriorao.

    Leia uma importante informao veiculada pelo Procon do Rio de Janeiro:

    Os servios de proteo ao consumidor (Procon) so rgos que visam a informar e assessorar

    a populao sobre os direitos do consumidor.

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 35

    Ateno nas embalagens dos produtos. Leia com cuidado as informaes

    escritas sobre os produtos em letras legveis sobre data de fabricao,

    prazo de validade, composio, peso, modo de usar, advertncias sobre

    os riscos e outros dados essenciais ao consumidor. No leve para casa

    embalagens estufadas, enferrujadas, amassadas, furadas, rasgadas,

    violadas ou que estejam vazando. Latas assim podem indicar que o

    alimento est estragado. Se voc s notar o problema quando chegar

    em casa, tome as seguintes providncias:

    procure o estabelecimento onde foi feita a compra;

    apresente a nota fiscal ou ticket e exija a troca ou pea seu dinheiro

    de volta;

    denuncie o que aconteceu na Decon, que o rgo de fiscalizao

    de alimentos. O fornecedor ser punido se sabia do defeito do produ-

    to e o vendeu assim mesmo;

    se o fornecedor no quiser trocar o produto, envie uma reclamao

    por escrito ao estabelecimento em que comprou o produto;

    pea ajuda ao Procon-RJ;

    se voc se sentir mal, com intoxicao, aps consumir um alimento

    estragado, procure imediatamente um mdico;

    guarde as receitas que o mdico passar e os comprovantes de des-

    pesas e, assim que puder, entre em contato com a vigilncia sanitria.

    Informe com detalhes qual o alimento suspeito, onde voc o comprou

    e a hora que comeu ou bebeu;

    a declarao dada pela vigilncia sanitria servir como prova, caso

    voc recorra justia.

    RIO DE JANEIRO (Estado). Autarquia de Proteo e Defesa do Consumidor (Procon). Cuidados na compra de alimentos. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

  • 36 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    Como todos os processos de transporte e logstica, a rea de embalagens tambm tem sido objeto de estudos e pesquisas pelas empresas, apresentando grandes ino-vaes no decorrer do tempo. Entre elas, podemos citar o uso do isopor e de diver-sas outras espumas como calo, as embalagens longa vida, os filmes plsticos e, mais recentemente, os compostos de papel de alta resistncia.

    O procedimento de embalagem tambm tem em vista a unitizao, o que signi-fica reunir diversos produtos embalados dentro de uma nica embalagem maior, utilizando embalagens padronizadas que facilitam as operaes de carga, descarga, transbordo etc., evitando a movimentao individual de pequenos volumes. Outro objetivo a proteo da mercadoria, pois essas embalagens maiores so mais resis-tentes e adequadas ao manuseio por equipamentos e operadores.

    Assim, o ideal que as embalagens secundrias ou tercirias tenham dimenses e formatos que facilitem a unitizao e a paletizao. Este ltimo processo de organizao garante que a disposio dos volumes respeite as dimenses dos paletes em todas as laterais, que seu topo seja regular e esteja conforme a altu-ra das estruturas de armazenagem (voc conhecer mais sobre esses conceitos no prximo tpico).

    As cargas unitizadas so envoltas por cintas plsticas ou metlicas, ou mesmo por filmes plsticos, cantoneiras, chapas de papelo ou madeira. Isso facilita o transporte. Um volume que no se apresente nas dimenses e com a rigidez corretas trar problemas ao ser introduzido no porta-paletes ou removido dele pela empilhadeira.

    Volumes unitizados e paletizados de forma adequada, segundo as medidas pa-dronizadas, favorecem todas as operaes de carga e descarga, no apenas nas estruturas de armazenamento, mas tambm nos caminhes, contineres etc., aumentando a velocidade do trabalho, diminuindo riscos de acidentes e econo-mizando espaos, entre outras vantagens.

    Um continer representaria o esquema de unitizao elevado a sua mxima dimen-so: uma embalagem bastante resistente, dentro da qual so colocadas inmeras embalagens menores, menos resistentes, de modo a evitar acidentes e, ao mesmo tempo, reduzir drasticamente as operaes de movimentao de carga.

    Veja, a seguir, alguns dos principais tipos de embalagem utilizados no transporte rodovirio de cargas.

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 37

    Engradado: especialmente indicado para peas e equipamentos grandes ou de formas irregulares, difceis de arrumar, tais como vidros, cermicas, latarias de automveis, motos, peas de fibra, painis eltricos etc.

    Caixa de papelo: muito utilizada para acondicionamento e transporte de pro-dutos leves ou sensveis, como brinquedos, remdios, alimentos, confeces, livros, eletrnicos, mquinas e uma srie de outros produtos que exijam embalagem fechada. Existe um modelo de caixa de papelo ondulado que pode ser conside-rado rgido, pois entre as camadas de papelo ela possui uma camada ondulada que absorve e repele impactos.

    s

    canr

    ail/1

    23R

    F

    M

    ario

    Hen

    riqu

    e/L

    atin

    stoc

    k

  • 38 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    Fardo: utilizado em mercadorias que no necessitam de embalagem especial, tais como tecidos, algodo etc.

    Feixe ou amarrado: usado para produtos resistentes, mas difceis de embalar, que, em geral, no necessitam de muitos cuidados no momento do transporte, tais como vassouras, ferragens, tubos plsticos etc.

    Saco: comumente utilizado para embalar e armazenar alimentos secos, sobretu-do gros, como arroz, feijo, soja, milho etc. Tambm bastante utilizado para produtos empregados na construo (cal e cimento) e para alguns tipos de pro-duto qumico (adubos e inseticidas).

    Fonte: SERVIO SOCIAL DO TRANSPORTE (SEST); SERVIO NACIONAL DE APRENDIZAGEM DO TRANSPORTE (SENAT). Curso de capacitao de motorista de carga:

    caderno do aluno. Braslia: Sest/Senat, 2008.

    Transporte de fardos. Feixes.

    Sacos.

    G

    . Eva

    ngel

    ista

    /Op

    o B

    rasi

    l Im

    agen

    s

    M

    ario

    Hen

    riqu

    e/L

    atin

    stoc

    k

    R

    icar

    do E

    lkin

    d/O

    po

    Bra

    sil I

    mag

    ens

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 39

    Palete de dois lados.

    Palete de quatro lados.

    Uso dos paletes

    Os paletes so estrados quadrados, de madeira ou plstico, que podem ser acessados por dois lados (duas entradas) ou pelos quatro lados (quatro entradas). Podem ser de uso contnuo ou descartveis (one way fala-se uan uei); ter uma ou duas faces (s a parte de cima lisa ou tanto a de cima quanto a de baixo so lisas), mais ou menos reforados de forma a suportar maior ou menor peso.

    Palete descartvel.

    Palete de uma face.

    Fot

    os:

    Ren

    ato

    Vio

    tti/

    Lat

    inst

    ock

  • 40 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    Sobre os paletes so acomodados e empilhados embala-gens, caixas, fardos etc. Assim, eles permitem padronizar os volumes que sero colocados nas prateleiras junto com o prprio palete, possibilitando que a estocagem seja feita com facilidade, tanto no sentido horizontal do de-psito quanto no vertical. Para isso, so utilizadas estru-turas porta-paletes, estantes prprias para acomodar os paletes. Essas estruturas so projetadas levando-se em considerao as dimenses dos paletes e a altura dos vo-lumes que ficaro apoiados sobre eles.

    Para conhecer mais sobre as demais ocupaes ligadas a esse

    ramo (assistente de logstica, vistoriador de continer e operador

    de empilhadeira), acesse o material relativo ao Arco Ocupacional Transporte.

    Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    Porta-paletes.

    Atividade 3a importncia daS embalagenS no

    tranSporte de cargaS

    Escreva, em seu caderno, com suas prprias palavras, um pequeno texto que informe as principais funes da emba-lagem para o transporte de cargas. Para tanto, releia o t-pico Embalagens das cargas, com o intuito de grifar as principais informaes que serviro de base para voc or-ganizar seu texto.

    M

    ario

    Hen

    riqu

    e/L

    atin

    stoc

    k

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 41

    unida d e 7

    Segurana no transporteA questo da segurana no trabalho um assunto importante, sobre o qual devemos discutir e refletir nesta trajetria de apren-dizado. Sempre que refletirmos sobre qualquer atividade coti-diana realizada por ns, a segurana deve ser um item a ser levado em considerao. No caso da ocupao sobre a qual estamos aprendendo, motorista de carga, veremos nesta Unida-de como a segurana importante tanto para voc, trabalhador, quanto para as cargas transportadas.

    Mas, antes de falar sobre as especificidades da questo da segu-rana no transporte, vamos discuti-la de forma mais ampla, refletindo sobre aspectos ligados ao trabalho e sade.

    Discutindo questes sobre trabalho e sade

    Ao refletirmos sobre o tema sade e trabalho, importante pensar de antemo sobre as condies de trabalho. Elas en-volvem fatores presentes na estrutura fsica onde a atividade exercida, como iluminao, ventilao, rudos produzidos pelo processo de produo das mquinas e pelas vozes, mobilirio; enfim, tudo deve estar adequado ao trabalhador. Mas as con-dies de trabalho no podem ser compreendidas apenas com base nesses aspectos.

    Imagine um local de trabalho com amplas janelas, que permi-tem a entrada de luz e ar naturais; moblia ou maquinrio adap-tados ao trabalhador; nveis de rudo de acordo com os padres internacionais, no causando danos audio; equipamentos de proteo individual que obedecem s normas para determi-nado tipo de trabalho etc.

    Entretanto, se nesse ambiente houver um ritmo de trabalho acelerado, prazos reduzidos para grande produo, chefias

  • 42 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    desrespeitosas ou que fazem presso contnua, com uso exagerado de autoridade, haver boas condies de tra-balho? Em empresas que atrasam o pagamento do sa-lrio, desrespeitam a jornada legal de trabalho, burlam os direitos do trabalhador, entre outras prticas, haver boas condies de trabalho?

    Portanto, ao pensarmos em condies de trabalho, pre-ciso considerar um conjunto de situaes e, para isso, importante conhecer algumas delas de forma detalhada.

    Acidentes de trabalho

    So considerados acidentes de trabalho no apenas aque-les ocorridos no ato do trabalho, mas tambm em situaes nas quais o empregado est a servio de quem o contrata. Uma empregada domstica que foi ao supermercado a pedido de seus empregadores e torceu o p na escadaria sofreu acidente de trabalho. Se no trajeto de casa para o trabalho, ou vice-versa, o trabalhador se machucar, isso tambm se configura como acidente de trabalho.

    Qualquer tipo de acidente precisa ser registrado. Para isso h um procedimento-padro: o registro da Comunicao de Acidente do Trabalho (CAT). Esse procedimento est previsto em lei e obriga toda empresa a comunicar o acidente.

    Se a empresa no se responsabilizar pelo preenchimento da CAT, negando-se a fazer isso, o trabalhador pode solicitar essa providncia ao atendimento mdico em que foi tratado, ao sindicato de sua categoria profissional ou, at mesmo, a uma autoridade pblica: delegados de polcia, promotores ou juzes. Esse procedimento importante, pois s com a CAT o trabalhador poder reivindicar seus direitos aps se acidentar.

    Fonte: SO PAULO (ESTADO). Secretaria de Desenvolvimento Econmico, Cincia e Tecnologia (Sdect). Educao de Jovens e Adultos (EJA) Mundo do Trabalho. Geografia, Histria e Trabalho: 8 ano/3 termo do Ensino

    Fundamental. So Paulo: Sdect, 2013.

    Voc sabia?A justia tem divergn-cias ao julgar casos de acidente de trabalho com trabalhadores sem cartei-ra assinada. Alguns juzes compreendem que, se no h contrato, no h trabalho e, portanto, no existe acidente. No en-tanto, conhecido o caso de uma diarista que teve ganho de causa, pois o advogado recorreu ao Cdigo Civil.

    Para trabalhadores autnomos no se abre CAT. Se esses profissionais sofrerem algum acidente, devero

    recorrer justia comum.

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 43

    O Ministrio da Previdncia Social (MPS) classifica os acidentes da seguinte forma:

    Acidentes tpicos: so os acidentes decorrentes da caracterstica da

    atividade profissional desempenhada pelo acidentado.

    Acidentes de trajeto: so os acidentes ocorridos no trajeto entre a

    residncia e o local de trabalho do segurado e vice-versa.

    Acidentes devidos doena do trabalho: so os acidentes oca-

    sionados por qualquer tipo de doena profissional peculiar a determi-

    nado ramo de atividade constante na tabela da Previdncia Social.

    BRASIL. Ministrio da Previdncia Social. Anurio estatstico da Previdncia Social. 2010. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    Os acidentes de trabalho podem resultar nas seguintes consequncias:

    Incapacidade temporria: compreende os segurados que ficaram

    temporariamente incapacitados para o exerccio de sua atividade

    laborativa [...].

    Incapacidade permanente: refere-se aos segurados que ficaram

    permanentemente incapacitados para o exerccio laboral. A inca-

    pacidade permanente pode ser de dois tipos: parcial e total. Enten-

    de-se por incapacidade permanente parcial o fato do acidentado

    em exerccio laboral, aps o devido tratamento psicofsico-social,

    apresentar sequela definitiva que implique em reduo da capaci-

    dade. Esta informao captada a partir da concesso do benef-

    cio auxlio-acidente por acidente do trabalho, espcie 94. O outro

    tipo ocorre quando o acidentado em exerccio laboral apresentar

    incapacidade permanente e total para o exerccio de qualquer ati-

    vidade laborativa. Esta informao captada a partir da concesso

    do benefcio aposentadoria por invalidez por acidente do trabalho,

    espcie 92.

    BRASIL. Ministrio da Previdncia Social. Anurio estatstico da Previdncia Social. 2010. Disponvel em:

    . Acesso em: 19 mar. 2015.

  • 44 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    Atividade 1entendendo o uSo doS epi

    1. Leia o texto a seguir.

    Equipamentos de Proteo Individual (EPI)

    O Ministrio do Trabalho e Emprego elabora normas de proteo para

    diversas ocupaes.

    Provavelmente, voc j deve ter passado diante de um grande prdio

    em construo. Faa um esforo para se lembrar: Os trabalhadores

    estavam usando EPI? Voc os viu com capacetes, luvas e culos de

    proteo? E, quando se trata de uma obra pequena, os pedreiros

    tambm esto com os equipamentos?

    O uso de EPI uma questo muito importante para a segurana e

    para a preveno de acidentes. Muitas empresas declaram que dif-

    cil conscientizar os trabalhadores sobre seu uso.

    Lembre-se sempre de que sua sade e sua vida esto em primeiro lugar.

    Se no so usados EPI no local de trabalho, o momento de conversar

    com a Comisso Interna de Preveno de Acidentes (Cipa). Nos casos

    de empresas menores, vocs podem procurar o sindicato ou reunir os

    colegas para estabelecerem uma regra para a produo. Alm dos equi-

    pamentos, as empresas so obrigadas a realizar exames mdicos e la-

    boratoriais semestral ou anualmente (de acordo com os riscos que cada

    ocupao apresenta) e os trabalhadores no devem pagar por isso.

    SO PAULO (Estado). Secretaria de Desenvolvimento Econmico, Cincia e Tecnologia (Sdect). Educao de Jovens e Adultos (EJA) Mundo do Trabalho.

    Geografia, Histria e Trabalho: 8 ano/3 termo do Ensino Fundamental. So Paulo: Sdect, 2013.

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 45

    2. Agora, com base no texto lido, reflita sobre suas experincias de trabalho e sobre suas condies de trabalho (caso no esteja trabalhando, discuta com um colega da classe que esteja empregado) e responda s seguintes questes:

    a) H a devida oferta de EPI por parte da empresa e orientaes sobre o uso desses equipamentos?

    b) Existe uma Cipa na empresa?

    c) H presso para o aumento do ritmo de trabalho?

    d) Os EPI dificultam o aumento da produtividade?

    3. Ao final, compartilhe com a classe o que voc refletiu sobre o uso dos EPI nas suas situaes de trabalho.

    Fonte: SO PAULO (Estado). Secretaria de Desenvolvimento Econmico, Cincia e Tecnologia (Sdect). Educao de Jovens e Adultos (EJA) Mundo do Trabalho. Geografia, Histria e

    Trabalho: 8 ano/3 termo do Ensino Fundamental. So Paulo: Sdect, 2013.

    O que diz a lei

    A Lei no 6.514, de 22 de dezembro de 1977, sobre doena ocupacional e acidentes de trabalho, trata no s de problemas da atividade profissional, mas tambm do uso de EPI e das situaes inadequadas presentes no ambiente de trabalho.

    A preveno de acidentes importante tanto para empregadores quanto para em-pregados. Os empregadores, por obrigao prevista em lei, devem fornecer todos os equipamentos indispensveis proteo individual do trabalhador. E os empregados precisam us-los.

    Segurana no transporte de cargas

    Agora que j conhecemos um pouco mais sobre segurana no trabalho, vamos buscar compreender importantes aspectos do trabalho do motorista de carga. Ini-ciaremos destacando aspectos relacionados sade do trabalhador motorista.

    O trabalho cotidiano na direo de um veculo exige que o motorista permanea em determinada postura fsica durante um nmero elevado de horas. Essa situao pode chegar a causar problemas de sade, especialmente aqueles ligados postura e coluna vertebral.

    Leia, na pgina a seguir, uma reportagem que traz importantes informaes sobre essa questo.

  • 46 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    A dor do carreteiro

    A lombalgia, popularmente conhecida como dor nas costas, uma

    das principais consequncias da rotina vivenciada pelos carreteiros de

    passar muito tempo ao volante do caminho e se exercitar pouco

    Uma das queixas mais comuns entre os motoristas de caminho a dor

    nas costas. O motivo simples, se deve rotina de trabalho que inclui

    falta de tempo para cuidar da sade e at mesmo se exercitar e que, por

    consequncia, facilitam o surgimento de doenas como a lombalgia. Os

    principais fatores da causa, conforme explica o fisioterapeuta Joo Augus-

    to Figueir [], so erro de postura, bancos no ergonmicos, falta de

    apoio para o pescoo e brao, longas horas de trabalho contnuo sem

    pausa para descanso, sedentarismo, obesidade, falta de alongamentos,

    poucas horas de sono, uso de medicamentos estimulantes e estresse.

    Para reduzir as chances de desenvolver a lombalgia necessrio mu-

    danas nos hbitos, como regular os nveis de estresse, fazer ativida-

    des fsicas regularmente, controlar a alimentao e peso, e melhorar

    a orientao postural. Figueir acrescenta tambm a importncia de

    evitar longos perodos de trabalho contnuo, poucas horas de sono e

    prevenir e tratar precocemente doenas crnicas como o diabetes. Se

    a dor aguda no for tratada, pode ocorrer a cronificao da dor, negli-

    gncia com doenas que podem se manifestar como dor nas costas

    (como uma metstase de um cncer), prejuzo na capacidade ocupa-

    cional, incapacidades crnicas para o trabalho etc., explica.

    O fisioterapeuta destaca tambm que fazer os exerccios de alonga-

    mento antes e depois do incio das atividades, utilizar as tcnicas de

    reduo de estresse e melhorar a alimentao so importantes. Porm,

    o carreteiro deve valorizar a ergonomia na cabine, com bancos adequa-

    dos a sua altura e peso, com apoio adequado para os braos e pescoo

    e uma inclinao do apoio das costas em um ngulo de 100 graus

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 47

    aproximadamente, com sistema de amortecimento das vibraes e

    impactos. Adequar a altura e distncia da direo tambm fazem

    parte do processo, complementa. importante tambm, conforme

    alerta o fisioterapeuta, procurar um especialista nos primeiros sinais da

    dor para que o diagnstico e o tratamento sejam feitos precocemente.

    A DOR do carreteiro. O carreteiro, ed. 447, jan. 2012. Disponvel em: .

    Acesso em: 19 mar. 2015.

    muito importante que voc conhea e esteja atento aos assuntos que dizem res-peito sua sade, para que possa exercer a ocupao reduzindo os possveis riscos.Para tanto, algumas recomendaes so importantes:

    apoiar a coluna no encosto do banco;

    posicionar os braos no volante de maneira a no criar tenso nos ombros;

    ficar atento para evitar paradas bruscas;

    regular os espelhos do veculo de maneira que no precise virar o pescoo ou a coluna para dar marcha a r;

    parar o veculo por cinco minutos a cada trs horas de direo, para caminhar e se alongar;

    ter cuidado ao sair do veculo para no causar problemas na coluna.Fonte: SERVIO SOCIAL DO TRANSPORTE (SEST); SERVIO NACIONAL DE

    APRENDIZAGEM DO TRANSPORTE (SENAT). Curso de capacitao de motorista de carga: caderno do aluno. Braslia: Sest/Senat, 2008.

    Ao dirigir, observe o posicionamento de braos e coluna.

    M

    ario

    Hen

    riqu

    e/L

    atin

    stoc

    k

  • 48 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    Outra importante questo que deve ser observada diz respeito ao tipo de alimentao mantida pelo motorista, especialmente durante o tempo de trabalho e nas viagens de mdia e longa distncias.

    Manter uma alimentao saudvel importante para todos, pois faz parte dos cuidados necessrios com nossa sade. Mas todo profissional que exerce seu trabalho no volante deve estar especialmente atento aos alimentos que ingere. O ideal optar por comidas mais leves, evitando alimentos gordurosos e pesados que possam causar sono e aumentar as chances de doenas como presso alta, diabetes etc.

    importante ainda estar sempre muito bem hidratado: o recomendado ingerir no mnimo dois litros de gua por dia.

    Atividade 2mal Sbito

    Para aprofundar ainda mais seus conhecimentos em relao a

    importantes questes relacionadas sade e segurana no trabalho, reveja,

    no Caderno do Trabalhador 6 Contedos Gerais, a Unidade que trata dessa questo. Aproveite e

    retome tambm o estudo da Unidade 2 desse mesmo Caderno,

    a qual discute o tema da cidadania ambiental.

    Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    1. Leia a reportagem a seguir, que discute algumas ques-tes sobre sade do motorista.

    Mal sbito

    A rotina do motorista de caminho, que inclui noites

    maldormidas, excesso de trabalho e hbitos pouco

    saudveis nas refeies, aumenta a possibilidade do

    desenvolvimento de problemas de presso arterial,

    obesidade e diabetes e tambm as chances dele

    apagar ao volante e provocar graves acidentes.

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 49

    fato comum motoristas que se envolveram em acidentes graves no

    se lembrarem de como tudo aquilo aconteceu. E, ao retomarem a cons-

    cincia, se mostram surpresos com a dimenso e consequncias da

    ocorrncia. Especialistas dizem que diversos fatores podem ser respon-

    sveis por acontecimentos deste tipo e destacam excesso de consumo

    de bebida e drogas, sono ou at mesmo doenas preexistentes, tais

    como presso alta, diabetes e obesidade, males que podem levar o

    condutor a sofrer um mal sbito, manifestao do prprio organismo

    que ocorre de maneira inesperada e repentina. como se o motorista

    apagasse por alguns instantes, deixando o veculo fora de controle.

    Dentro desse conceito, conforme explica o cardiologista Igino Barp, se

    enquadram desde desmaios (motivados por exposio a calor exces-

    sivo, desidratao, falta de alimentao adequada, quedas de presso

    arterial), at situaes extremamente mais graves e potencialmente

    fatais (acidentes vasculares cerebrais, infarto agudo do miocrdio, ar-

    ritmias cardacas). Infelizmente, muitas vezes a manifestao inicial

    se d de forma abrupta, o que para quem se encontra no volante de

    um veculo j prenuncia um desastre iminente, explica Barp.

    Fazer exames preventivos contribui para melhorar a sade do motorista e garantir a segurana ao volante.

    Texto Daniela Giopato [dezembro de 2013]

    J

    etta

    Pro

    duct

    ions

    /Get

    ty Im

    ages

    K

    ittip

    hat I

    ntho

    npra

    sit/

    123R

    F

  • 50 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    De acordo com estudos concludos recentemente pelo Instituto de

    Pesquisa Econmica Aplicada Ipea, estatsticas internacionais apon-

    tam correlao de alteraes da sade em condutores (fatores de

    risco) com aproximadamente 23% dos acidentes. J dados do Incor

    Instituto Nacional do Corao, mostram que o mal atinge cerca de

    21 000 pessoas por ano, s na regio metropolitana de So Paulo.

    Este nmero duas vezes superior s mortes por causas externas

    (acidentes, suicdios etc.) e superior ao total de bitos por tumores.

    No caso especfico dos motoristas de caminho, preciso ateno

    especial, pois alm de estarem ao volante de um veculo pesa-

    do so profissionais expostos a situaes de risco. Alm disso,

    alegam no terem tempo para se dedicarem sade, tornando

    comum a prtica da automedicao.

    Desde 2002, o Departamento de Polcia Rodoviria Federal, em par-

    ceria com o Sest Senat firmada a partir de 2006 , tem realizado o

    Comando de Sade nas Rodovias, cujo pblico-alvo so os motoristas

    profissionais. O trabalho tem carter educativo com recomendaes

    simples. Durante as aes so avaliadas doenas preexistentes, utili-

    zao de medicamentos imprprios, envolvimento em acidentes, ta-

    bagismo, presso arterial, peso, altura, glicemia, colesterol, triglicrides,

    gordura corporal, sonolncia e circunferncia abdominal, entre outros.

    Em 2009, o Comando avaliou 8 200 motoristas profissionais (cami-

    nhes e nibus) em todo o territrio nacional e, do total avaliado,

    23,59% apresentaram carga horria excessiva; 15,13% sonolncia e

    6,09% o uso de medicamentos imprprios. Os nmeros foram obtidos

    atravs do preenchimento de ficha de sade, baseados, portanto, no

    relato direto do prprio motorista.

    Como meio de acrescentar dados recentes operao, conforme

    explica Bianca Novaes, da diviso de sade e assistncia social, o

    Departamento de Polcia Rodoviria Federal, em parceria com

    o Departamento de Medicina Legal, tica Mdica e Medicina Social

    e do Trabalho, [da] Faculdade de Medicina da Universidade de So

    Paulo, pesquisou o uso de substncias psicoativas para avaliar a situa-

    o preocupante, na qual o motorista profissional tem colocado em

    risco quem trafega pelas rodovias.

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 51

    Dados divulgados pela concessionria [...] responsvel pelo sistema

    Anchieta-Imigrantes mostram que a mdia dos 600 motoristas de ca-

    minho entrevistados em maio e outubro de 2011, mais de 51% dormem

    menos de 12 horas, 44% fazem menos de trs refeies dirias e 30%

    repousam menos de 6 horas por dia. Especificamente em maio de 2011,

    dos 300 carreteiros entrevistados, 58% afirmaram ter jornadas de tra-

    balho que superam 12 horas dirias. Dentre estes, um em cada 10

    admitiram ter usado drogas ilcitas. Quanto s horas de sono e de ali-

    mentao, 31% dos carreteiros dormem menos de 6 horas por dia,

    enquanto apenas 33% realizam trs refeies dirias. Realizamos essa

    pesquisa (Biovia) duas vezes por ano e constatamos esses dados preo-

    cupantes sobre a rotina dos motoristas h alguns anos, informou Jos

    Carlos Cassaniga, diretor superintendente da [concessionria].

    O cardiologista Igino Barp destaca que importante o carreteiro estar

    sempre atento ao surgimento de sensao crescente e incontrolvel de

    fadiga e cansao, tonturas, vertigens, dor de cabea de incio sbito e

    de intensidade crescente. Outros sinais de alerta so dor no peito asso-

    ciada nusea ou vmitos, suor frio abundante, palpitaes, falta de ar,

    formigamento nas mos e/ou ps e dificuldade para realizar movimen-

    tos. As principais formas de preveno contra o mal sbito so cuidar

    da sade, no cometer excessos na alimentao, no utilizar drogas e

    lcool e respeitar os limites no s do caminho e da estrada, mas

    tambm, e especialmente, do prprio corpo, aconselha o mdico.

    Dicas de sade

    1. Durante a viagem, mantenha-se alimentado e hidratado.

    2. D preferncia a alimentos leves e de fcil digesto, como frutas,

    legumes e verduras.

    3. Evite doces, frituras e gorduras.

    4. Durma bem antes de qualquer viagem de automvel. O sono e o

    cansao so grandes inimigos da viagem segura.

    5. Antes de dirigir, no faa refeies pesadas. A digesto demorada

    aumenta a sonolncia.

  • 52 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    6. Na estrada, no descuide nem por um instante. Muita ateno

    ao realizar ultrapassagens. S ultrapasse quando tiver certeza de que

    seguro.

    7. No use estimulantes como rebite e outros produtos. Voc pode

    at ficar alerta, mas o corpo continua cansado e, quando o efeito

    passar, voc ser pego de surpresa.

    8. Quando o cansao comear a bater, no insista. Pare em lugar

    seguro e descanse um pouco.

    9. O condutor deve programar paradas a cada trs horas; caso ele

    dirija por mais de quatro horas seguidas, corre o risco de comprome-

    ter sua circulao e, consequentemente, os seus movimentos, por

    permanecer muito tempo na mesma posio.

    10. Se dirigir, no beba. lcool provoca sonolncia, desateno, refle-

    xos lentos, entre outras consequncias.

    Fonte: Diviso de Sade da Polcia Rodoviria Federal.

    GIOPATO, Daniela. Mal sbito. O carreteiro, ed. 459, jan. 2013. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    2. Agora, em grupo de trs ou quatro colegas, respondam s seguintes questes.

    a) Qual o assunto principal discutido na reportagem?

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 53

    b) Qual a principal concluso a que chegou a pesquisa do Ipea, feita com dados internacionais, em relao aos condutores?

    c) Quais so, segundo o especialista entrevistado na reportagem, alguns dos prin-cipais sintomas para os quais os motoristas devem estar alertas, de forma a evitar o mal sbito?

    3. Com o auxlio do monitor e utilizando o laboratrio de informtica, faam uma pesquisa procurando levantar os dados estatsticos relativos a acidentes nas es-tradas causados por questes relacionadas sade e ao estado fsico dos motoris-tas. Escrevam um pequeno texto relacionando as informaes que encontraram com as informaes que aprenderam nesta Unidade; ressaltem o que possvel fazer para evitar tais problemas.

  • 54 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    A parada para descanso o momento adequado para fazer exerccios de alongamento.

    Fot

    os:

    Luc

    iana

    Cas

    sia/

    Lat

    inst

    ock

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 55

    Enfrentando situaes de emergncia

    O motorista de carga que trafega diariamente pelas ruas e estradas seja dentro das cidades, seja nas rodovias que fazem sua interligao est sujeito a imprevistos ou acidentes, que podem acontecer independentemente de suas atitudes ou da forma como est conduzindo seu veculo.

    Portanto, neste seu percurso formativo, preciso que voc tenha conhecimento de alguns desses acontecimentos emergenciais para que, de alguma forma, esteja pre-parado para enfrent-los, caso necessrio.

    So basicamente trs as situaes de emergncia para as quais voc precisa estar minimamente preparado para enfrentar: a) pane do veculo na estrada; b) sequestros e assaltos; e c) emergncias causadas por desastres naturais.

    Em primeiro lugar, com o intuito de minimizar as chances de acontecer algum tipo de pane mecnica em seu caminho, importante sempre estar em dia com as re-vises que devem ser feitas periodicamente no veculo. Alm disso, antes de sair para realizar um servio de transporte, importante conferir as condies do veculo, atentando para a validade, a qualidade e a presena dos seguintes equipamentos:

    freios;

    pneus;

    mangueira de combustvel;

    extintores de incndio;

    equipamentos de sinalizao;

    paletas do para-brisa;

    EPI (no caso do transporte de produtos perigosos, verificar se esto de acordo com as exigncias para o tipo de carga transportada).

    Mesmo tendo realizado todos os servios de manuteno do caminho e tendo feito uma criteriosa conferncia dos equipamentos antes de iniciar o transporte, possvel que algumas panes aconteam. Nesses casos, sempre importante manter a calma e seguir algumas orientaes de segurana.

    A primeira delas sinalizar de forma adequada o local em que o caminho est parado, evitando assim que novos acidentes aconteam e que voc coloque sua prpria segurana em risco. Veja na tabela a seguir como essa sinalizao deve ser feita em termos de distncias.

  • 56 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    Distncia do acidente para incio da sinalizao

    Tipo da via Velocidade mxima permitida

    Distncia para incio da sinalizao (pista seca)

    Distncia para incio da sinalizao (chuva, neblina, fumaa, noite)

    Vias locais 40 km/h 40 passos longos 80 passos longos

    Avenidas 60 km/h 60 passos longos 120 passos longos

    Vias de fluxo rpido 80 km/h 80 passos longos 160 passos longos

    Rodovias 100 km/h 100 passos longos 200 passos longos

    Fonte: ASSOCIAO BRASILEIRA DE MEDICINA DE TRFEGO (ABRAMET). Noes de primeiros socorros. So Paulo: Abramet, 2005. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    Lembre-se de redobrar a ateno em circunstncias es-peciais: de noite e caso haja chuva, neblina, cerrao ou fumaa. Em todos esses casos, deve-se dobrar a distncia para efeito de sinalizao.

    O segundo tipo de emergncia diz respeito a um pro-blema grave que vem atingindo as ruas das cidades e as estradas do nosso pas: assaltos. Essa uma das situaes mais difceis de ser enfrentadas pelos moto-ristas, mas que, infelizmente, vem aumentando nos ltimos anos.

    Para enfrentar esse tipo de situao, a regra mais impor-tante sempre manter a calma e no tentar nenhum tipo de reao. Entregue tudo o que lhe for pedido e, assim que possvel, procure a ajuda da polcia para que possa ter todo o apoio necessrio e ainda registrar o Boletim de Ocorrncia (BO).

    Hoje em dia, em funo desse aumento no nmero de assaltos e do avano das tecnologias, cada vez mais comum o uso de dispositivos de rastreamento de cargas. No entanto, mesmo com essa tecnologia disposio, ainda so minoria os motoristas e as transportadoras que tm acesso a esse tipo de auxlio.

    A maioria dos assaltos acontece enquanto o caminho est parado, por ser muito mais difcil abordar

    veculos em movimento. Por isso, muito importante estar atento aos

    locais e postos de parada e de combustvel, procurando sempre

    pelos mais movimentados.

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 57

    Outro agravante nesse tipo de situao a questo do seguro do veculo. Em geral, as empresas transportadoras possuem seguro para 100% de sua frota de caminhes. Mas, infelizmente, no so todos os motoristas autnomos que possuem esses seguros. Por isso, quando o veculo ou a carga so roubados, esses trabalhadores acabam perdendo tudo.

    Existe ainda a possibilidade, mesmo que menos frequente, de o motorista encontrar, em seu percurso, algum tipo de catstrofe natural, como enchente, desmoronamen-to, deslizamento de terra e incndio florestal. Para enfrentar esses tipos de problema, importante conhecer os procedimentos descritos na tabela a seguir.

    Tipo de catstrofe natural Procedimentos

    Enchente

    Avisar o Corpo de Bombeiros ou a Defesa Civil.

    Ter como prioridade a defesa de sua prpria vida e a das demais pessoas sua volta, e no a carga que est sendo transportada; caso seja possvel, proteger objetos de valor e documentos dentro de sacos plsticos.

    Nunca arriscar atravessar terrenos inundados com o veculo; sempre aguardar a ajuda dos Bombeiros ou da Defesa Civil.

    Desmoronamento/Deslizamento

    Avisar o Corpo de Bombeiros ou a Defesa Civil.

    Ter como prioridade a defesa de sua prpria vida e a das demais pessoas sua volta, e no a carga que est sendo transportada.

    Caso esteja parado, procurar descobrir se existe algum plano de evacuao com sistema de alarme no local.

    Ficar atento ao aparecimento de fendas e rachaduras em paredes de casas, depresses no terreno, inclinao de troncos de rvores e de postes e surgimento de minas dgua. Caso alguma dessas coisas acontea, avisar imediatamente a Defesa Civil.

    Caso aviste algum sinal de desmoronamento na rodovia, avisar imediatamente a Polcia Rodoviria, alm dos colegas de trabalho com os quais possa se comunicar, para que evitem a rea.

    Incndio florestal

    Ao avistar foco de incndio atingindo a rodovia, avisar imediatamente a Polcia Rodoviria.

    Em caso de fumaa na pista, utilizar os procedimentos de trfego sob neblina e evitar ultrapassagens.

    No estacionar nem parar para observar o local do incndio.

    Fonte: SERVIO SOCIAL DO TRANSPORTE (SEST); SERVIO NACIONAL DE APRENDIZAGEM DO TRANSPORTE (SENAT). Curso de capacitao de motorista de carga: caderno do aluno. Braslia: Sest/Senat, 2008.

  • 58 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e Mo t o r i s t a d e Ca r g a 2

    Preveno de acidentes e conduo defensiva

    Todo condutor, que atue no transporte de cargas ou no, precisa estar sempre aten-to forma como dirige, para que no coloque sua vida e nem a das outras pessoas em risco. Segundo o DNIT, define-se acidente como:

    [...] ocorrncia que afeta diretamente o cidado, porquanto a esse so

    impingidos aspectos relacionados com a morte, com a incapacitao

    fsica, perdas materiais, podendo provocar srios comprometimentos

    de cunho psicolgico, muitas vezes de difcil superao.

    DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA E TRANSPORTES (DNIT). Estatsticas de acidentes. Disponvel em: . Acesso em: 19 maio 2015.

    Mas, infelizmente, os dados sobre acidentes de trnsito no Brasil so alarmantes. Entre 2002 e 2012, o nmero de mortos nesses acidentes subiu 38,3%, um cresci-mento preocupante. S no Estado de So Paulo, esse nmero aumentou 14,1%: 6 404 mortes em 2002 e 7 306 em 2012.

    Fonte: WAISELFISZ, Julio Jacobo. Prvia do Mapa da violncia 2014. Os jovens do Brasil. Disponvel em: .

    Acesso em: 19 mar. 2015.

    G

    erso

    n G

    erlo

    ff/P

    ulsa

    r Im

    agen

    s

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 59

    Para os motoristas que trabalham no transporte de cargas perigosas, especialmen-te importante estar atento a questes ligadas a acidentes. Leia o texto a seguir.

    Os acidentes no modal rodovirio envolvendo veculos que transportam

    cargas/produtos perigosos adquirem uma importncia especial. Nes-

    tes eventos, a intensidade de risco est associada periculosidade do

    material transportado com potencial para causar simultaneamente

    mltiplos danos ao meio ambiente e sade dos seres humanos ex-

    postos a eles.

    A malha rodoviria concentra cerca de 60% do volume de cargas

    transportadas no Brasil, percentual que tende a crescer tendo em

    vista a expanso do comrcio entre os pases da Amrica Latina. No

    entanto, a infraestrutura das nossas rodovias, a precariedade da

    frota de veculos transportadores de cargas e diversos outros proble-

    mas favorecem substancialmente o aumento do nmero de aciden-

    tes, constituindo-se em um srio problema para a sade pblica

    (Ipea, 2006).

    Um dos grandes obstculos encontrados ao nvel das realidades locais

    a ausncia de informaes bsicas que permitam avaliar os impactos

    desses eventos sobre a sade humana (expostos, lesionados e bitos)

    e o meio ambiente (contaminao de solos, guas superficiais e sub-

    terrneas, ar e cadeia alimentar). As consequncias da ausncia de

    dados se refletem diretamente na possibilidade de estimar os custos

    humanos, ambientais e financeiros desses acidentes e, por conseguin-

    te, na capacidade de formulao de polticas pblicas de controle e

    preveno amplas, adequadas e efetivas no que diz respeito sade

    e meio ambiente (Freitas e Amorim, 2001).

  • 60 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes

    (DNIT), o transporte de cargas/produtos perigosos mais relevante em

    sete Estados das regies Sul e Sudeste: Rio Grande do Sul, Santa Cata-

    rina, Paran, So Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e o Esprito Santo.

    Estes Estados concentram a maior parte do trfego de veculos com

    cargas e/ou produtos que oferecem risco populao e ao meio ambien-

    te. No entanto, apenas o transporte de cargas excedentes, ou seja, aque-

    las que ultrapassam tamanho, altura, carga mxima ou comprimento,

    determinados em legislao especfica, , de fato, fiscalizado nas rodovias.

    QUEIROZ, Marluce Teixeira Andrade et al. Acidentes no transporte de cargas/produtos perigosos no colar metropolitano do Vale do Ao, Minas Gerais. In:

    SIMPSIO DE EXCELNCIA EM GESTO E TECNOLOGIA (SEGET). Disponvel em: .

    Acesso em: 19 mar. 2015.Referncias: INSTITUTO DE PESQUISA ECONMICA APLICADA (IPEA). Impactos sociais e econmicos dos acidentes de trnsito nas aglomeraes

    urbanas. Braslia: Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada, 2006; FREITAS, Carlos Machado; AMORIM, Andra Estevam. Vigilncia ambiental em sade de

    acidentes qumicos ampliados no transporte rodovirio de cargas perigosas. Informe Epidemiolgico do SUS, v. 10, n. 1, p. 31-42, mar. 2001. Disponvel em:

    . Acesso em: 19 mar. 2015.

    Compreender o conceito de conduo defensiva essencial para todo motorista, em especial para voc que pretende ser motorista de carga.

    Vamos agora abordar alguns aspectos da conduo defensiva que voc deve sempre seguir para que possa se proteger e evitar riscos no cotidiano de seu trabalho. So cinco os elementos da conduo defensiva.

    Conhecimento: crucial conhecer e compreender o significado das leis e regu-lamentos de trnsito; voc s poder ter uma prtica correta se tiver um conjun-to de conhecimentos tericos para orientar sua conduta no trnsito.

    Ateno: com o objetivo de prevenir acidentes, o motorista deve estar sempre atento no apenas sua prpria conduta, mas tambm a todos os elementos que fazem parte

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 61

    do trnsito, tais como pedestres, demais carros, sinalizao, informaes do painel do seu prprio carro etc.

    Previso: por meio do olhar atento para o que aconte-ce dentro de seu veculo e em seu entorno, o motorista capaz de prever algumas situaes. A previso, que lhe d a possibilidade de atuar na preveno de algum pro-blema ou acidente, comea no incio de seu percurso, com a verificao das condies de seu veculo e demais informaes relevantes essa a previso mediata. Durante a realizao de seu trajeto, o motorista com prtica de conduo defensiva est sempre alerta aos acontecimentos essa a previso imediata.

    Deciso: o conhecimento, a ateno e a previso so as bases necessrias para que o motorista possa tomar a melhor deciso em casos de situaes de risco, mi-nimizando assim possveis acidentes e problemas.

    Habilidade: podemos definir habilidade como a pr-pria prtica da conduo do veculo, ou seja, a capaci-dade de manusear todas as funes e instrumentos a seu dispor para a execuo satisfatria e de qualidade das manobras no trnsito. Nesse aspecto, motorista, a prtica conta a seu favor. Por isso, quanto mais conhe-cer seu caminho e as ruas e estradas pelas quais vai transportar sua carga, mais conhecimentos vai acu-mular, o que certamente ter reflexos na forma de conduzir seu veculo.

    No se esquea: expressamente proibido dirigir falando ao celular ou

    teclando nele!

    R

    enat

    o A

    ndra

    de

  • 62 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    Atividade 3importncia da conduo defenSiva e da

    preveno de acidenteS

    Responda s questes a seguir, tendo em vista o que estudou at aqui.

    1. noite, com pista molhada e neblina, qual a distncia ideal para iniciar uma sinalizao em uma via cuja velocidade mxima seja de 80 km/h?

    a) 160 passos longos.

    b) 100 passos longos.

    c) 20 passos longos.

    d) 80 passos longos.

    e) 300 passos longos.

    2. A fim de evitar uma coliso com o veculo frente, voc deve:

    a) trafegar sempre com o farol aceso.

    b) manter uma distncia segura do veculo frente.

    c) ultrapassar pela esquerda.

    d) dirigir abaixo da metade da velocidade permitida pela via.

    e) conhecer a legislao.

    3. Descreva com suas prprias palavras os acessrios de segurana que voc deve ter em seu veculo e usar para uma conduo mais defensiva.

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 63

    4. Em sua opinio, quais so as principais condies adversas das vias? Como voc pode evit-las?

    Atividade 4a frota de caminheS doS motoriStaS autnomoS

    1. Leia os textos a seguir, extrados de pesquisas acadmicas que trazem dados e informaes sobre a frota de caminhes utilizados pelos motoristas autnomos.

    Texto 1

    Segundo relatrio do Guia do TRC [Transporte Rodovirio de Cargas]

    (2003), a maioria dos caminhoneiros autnomos so os que possuem

    frota com idade avanada; ou seja, frota com idade acima de 10 anos

    de uso. Estima-se que, do total de caminhoneiros autnomos em

    atividade, esses possuem 68,5% de caminhes com idade avanada.

    Esse fato devido pela grande maioria dos caminhoneiros enfrentar

    vrias restries para obter acesso ao crdito, inviabilizando a compra

    de um veculo novo; assim, procuram veculos desativados pelas em-

    presas de transporte do mercado e transportadora de carga prpria.

  • 64 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    Idade da frota de caminhes de propriedade autnoma (%) [2002]

    Idade do caminho %

    At 1 ano 3,8

    De 2 a 5 anos 11,7

    De 6 a 10 anos 16,0

    De 11 a 20 anos 34,4

    De 21 a 30 anos 31,4

    Mais de 30 anos 2,7

    Total 100,0

    Fonte: CONFEDERAO NACIONAL DO TRANSPORTE (CNT). Pesquisa empresas de cargas CNT: relatrio analtico, 2002.

    OLIVEIRA, Thiago. Perfil das empresas de transporte rodovirio de cargas de Presidente Prudente-SP e a influncia do Plano Real e da evoluo do conceito

    de logstica no segmento de transporte rodovirio de cargas no Brasil no perodo 1994-2002: uma abordagem sob a tica da teoria schumpeteriana.

    Presidente Prudente: Faculdades Integradas Antnio Eufrsio de Toledo, 2004. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    Referncia: GUIA do TRC [Transporte Rodovirio de Cargas]. Empresas transportadoras de cargas. 2003.

    Texto 2

    De acordo com os dados do Registro Nacional dos Transportadores

    Rodovirios de Carga (RNTRC, 2010) da Agncia Nacional de Trans-

    portes Terrestres, o transportador autnomo detm 46,21% dos ve-

    culos da frota brasileira de transporte de cargas, enquanto as empresas

    respondem por 53,04%, e as cooperativas somente por 0,7%. A frota

    autnoma a mais antiga entre os trs segmentos. A mdia de idade

    de veculos se distribui da seguinte forma: (a) autnomos: 19,2 anos,

    (b) empresas: 8,4 anos e (c) cooperativas: 13,6 anos. A mdia ponde-

    rada da frota nacional de 13,4 anos.

    MOURA, Graziele Araujo. A viabilidade de cooperativas para a renovao da frota autnoma de caminhes. Dissertao (Mestrado em transportes). Braslia:

    Universidade de Braslia, 2012. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 65

    2. Com base nos dados expostos nos dois textos, forme uma dupla com um colega da classe para discutir e responder s seguintes questes.

    a) De acordo com a tabela, que informa dados de 2002, 65,8% da frota de veculos de posse dos caminhoneiros autnomos tm entre 11 e 30 anos, podendo assim ser definida como uma frota antiga. Observando os dados do ano de 2010, no texto 2, possvel notar alguma mudana? Justifiquem sua resposta.

    b) Quais so, segundo os textos lidos, as principais razes que explicam o fato de os motoristas autnomos terem a frota mais antiga?

    c) O que vocs consideram como as principais desvantagens que o motorista aut-nomo pode enfrentar em funo da utilizao de uma frota antiga de veculos?

  • 66 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    d) Na opinio da dupla, qual relao pode ser feita entre a questo da frota do motorista autnomo, apresentada pelos dois textos, e a questo dos acidentes de trnsito, discutida nesta Unidade?

    e) Com a ajuda do monitor, no laboratrio de informtica, acessem o site da Agncia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para conhecer os dados atualizados da frota de caminhes autnomos e de empresas (disponvel em: , acesso em: 26 mar. 2015). Anotem os dados e comparem-nos com os apresentados nesta atividade. Reflitam sobre possveis mudanas ou permanncias das situaes dos motoristas autnomos e dos que trabalham para empresas de transporte. Registrem suas reflexes nas linhas a seguir.

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 67

    3. O trabalho do motorista tem sido frequentemente descrito por poetas, msicos e escritores ao longo de nossa histria.

    Para finalizar esta etapa de estudo, propomos que voc leia a seguir a letra de uma msica sobre a histria de dois amigos caminhoneiros, que foi interpretada pela dupla sertaneja Milionrio e Jos Rico. Se possvel, escute a msica (ela est disponvel na internet).

    Sonho de um caminhoneiroChico Valente e Neil Bernardes

    Eram dois amigos inseparveis lutando pela vida e o po

    Levando um sonho de cidade em cidade

    De serem donos de seu caminho

    Com muita luta e sacrifcio para pagar em dia a prestao

    Se realizava o sonho finalmente, o empregado passa a ser patro.

    Suas viagens eram interminveis de cansao, de poeira e cho

    E um dos amigos, um recm-casado ia ser pai do primeiro varo

    Com alegria vinham pela estrada no vendo a hora de chegar

    E o caminhoneiro disse ao amigo: vou lhe dar meu filho para batizar.

    Mas o destino cruel e traioeiro marcou a hora e o lugar

    A chuva fina e a pista molhada com uma carreta foram se chocar

    Mas como todos tm a sua sina, um a morte no levou

    E o caminhoneiro nos braos do amigo diz:

    V conhecer meu filho porque eu no vou.

    Naquela curva beira da estrada, uma cruz ao lado do pinheiro

    Marca pra sempre onde foi ceifada a vida e o sonho de um caminhoneiro

    Com a morte do companheiro a saudade vai chegar

    Aqueles bons e velhos tempos nunca mais iro voltar.

  • 68 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    Mas o destino cruel e traioeiro marcou a hora e o lugar

    A chuva fina e a pista molhada com uma carreta foram se chocar

    Mas como todos tm a sua sina, um a morte no levou

    E o caminhoneiro nos braos do amigo diz:

    V conhecer meu filho porque eu no vou. Warner Chappell Edies Musicais Ltda.

    Todos os direitos reservados.

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 69

    unida d e 8

    Procedimentos para operao em terminais e armazns de mercadoriasNesta Unidade, nosso objetivo ser aprender sobre mais uma etapa do processo de transporte de mercadorias: a retirada e a entrega dos produtos nos terminais de cargas e armazns. Para tanto, vamos estudar os principais procedimentos realizados nessas situaes.

    Os armazns ou terminais de mercadorias so os espaos plane-jados especialmente para movimentao e estocagem de cargas. nesses espaos que acontece o recebimento das mercadorias que chegam das indstrias, do campo etc. e que sero novamen-te despachadas e transportadas. Esse processo configura-se da seguinte forma: recebimento de mercadorias do fornecedor e entrega de mercadorias para os clientes.

    Nessas duas etapas, a atuao do motorista que faz o transpor-te da carga precisa ser bastante cuidadosa, pois ele o elo entre fornecedor e cliente. So vrios os procedimentos e cuidados que o motorista precisa ter com a carga transportada para que o processo ocorra da melhor forma.

    Fonte: SERVIO SOCIAL DO TRANSPORTE (SEST); SERVIO NACIONAL DE APRENDIZAGEM DO TRANSPORTE (SENAT). Curso de capacitao de motorista de carga: caderno do aluno. Braslia: Sest/Senat, 2008.

    Fbrica Recebimentode mercadorias

    Conferncia earmazenamento

    Distribuio aos clientes

    D

    anie

    l Ben

    even

    ti

  • 70 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    Entrega e verificao de mercadorias

    Nos processos tradicionais, nos quais a mercadoria chega e armazenada para utilizao posterior, a descarga a etapa em que se procede verificao e ao con-trole da mercadoria, com destaque para a conferncia de:

    qualidade, quantidade e inexistncia de danos ou avarias;

    nota fiscal em relao aos impostos e preos, bem como a conferncia dos dados referentes quantidade e ao tipo de produtos adquiridos, conforme o pedido de compra e a mercadoria entregue;

    outras caractersticas dos produtos que necessitam ser checadas, como, no caso de perecveis, os prazos de validade, a temperatura de conservao e de transporte etc.

    Etapas da verificao

    Inicialmente, costuma-se proceder verificao simples, chamada cega, em que primeiro se contam as quantidades das caixas ou embalagens entregues e depois se conferem essas quantidades com as constantes na nota fiscal de entrega e no Ma-nifesto de Transporte. Verifica-se, assim, se os documentos esto de acordo com o pedido de compra de materiais.

    Para a conferncia das embalagens recebidas, importante que o motorista que transportou a carga (e responsvel por ela), aps descarregar o caminho, faa a con-ferncia quantitativa da carga transportada. Para tanto, pode-se preencher um formu-lrio, como o modelo na pgina a seguir, para registrar as informaes.

    Posteriormente, as embalagens ou caixas so abertas para uma verificao mais deta-lhada da mercadoria entregue. Dependendo da prtica adotada na empresa ou dos volumes recebidos, isso pode ser feito por amostragem, ou seja, apenas parte das embalagens aberta para conferncia.

    Fot

    os:

    Luc

    iana

    Cas

    sia/

    Lat

    inst

    ock

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 71

    CONFERNCIA DE QUANTIDADE

    Fornecedor No da Nota Fiscal Data da Nota Fiscal

    Cdigo Material Quantidade Contada

    Observaes

    Nome do Conferente Assinatura Data

    Existem produtos que demandam anlises mais detalhadas de sua qualidade ou caractersticas. Nesses casos, amostras so separadas para ser analisadas por tc-nicos ou por laboratrios de controle de qualidade. Dependendo do produto, da empresa ou do fornecedor, essa inspeo pode ocorrer antes mesmo da descarga, para evitar um trabalho de recarga caso o produto no seja aprovado. Um exemplo dessas anlises o teste de impureza, em que checada a proporo de partculas estranhas em algumas amostras do produto escolhidas aleatoriamente (ao acaso) em pontos diferentes da carga.

    Ao se constatar que a carga transportada e entregue est de acordo com o estabele-cido comercialmente, ou seja, que a carga respeita os padres de qualidade, higiene e quantidade solicitados, realiza-se o procedimento conhecido como regularizao da carga. Esse passo final da maior importncia, pois dele depende a liberao do pagamento pelo trabalho realizado pelo motorista de carga.

    Coleta de mercadorias

    Outro tipo de procedimento realizado pelo motorista de carga, em um armazm ou terminal de carga, o de coleta de mercadorias. Esse processo refere-se reti-rada das mercadorias do armazm e, tambm, ao respectivo carregamento dos caminhes que as transportaro. , portanto, o processo inverso do que voc acabou de estudar.

    Esse procedimento comea dentro do armazm ou depsito no qual as mercadorias sero coletadas. Em muitas empresas, existem esteiras rolantes que auxiliam o trnsito dos produtos nessa etapa e colaboram para minimizar danos durante o manuseio. Ao mesmo tempo, elas facilitam o trabalho dos operadores, conduzindo

  • 72 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    os volumes s respectivas docas para a operao de car-ga, ou controlando automaticamente os produtos enca-minhados para separao.

    A etapa da separao pode ser feita de duas maneiras: a partir de um pedido ou a partir de um produto. No primeiro caso, toma-se um pedido em mos e procede-se separao de todos os seus itens; no segundo, toma-se um produto, separando-o para todos os pedidos.

    Feita a separao, os produtos so embalados e encami-nhados expedio. Contudo, nem sempre um produto embalado enviado para fora da empresa: h produtos que devem estar perfeitamente embalados mesmo para pequenas movimentaes dentro da prpria empresa.

    A etapa seguinte a conferncia e o carregamento da carga, para que ela possa, ento, ser transportada ao cliente que a solicitou.

    Durante os procedimentos de carga e descarga em armazns

    fique atento para: organizar, sempre que possvel, as

    unidades de carga paletizadas; reduzir a movimentao manual

    das cargas; no empilhar mercadorias

    e produtos diretamente no piso do armazm;

    observar o peso mximo de 20 kg para o transporte manual de cargas; observar sempre as condies dos

    equipamentos de movimentao utilizados nesses armazns,

    atentando para que tais equipamentos sejam sempre utilizados segundo as normas

    tcnicas estabelecidas, para que no haja nenhum tipo de acidente

    ou prejuzo; enquanto operar dentro de um armazm, estar sempre atento s suas aes e s de outras pessoas

    que esto trabalhando ao seu redor, para evitar riscos de acidentes.

    Por dentro do armazm

    Para finalizar a Unidade, vamos conhecer um pouco mais sobre movimentao de cargas em um armazm. Primeiro, vamos enumerar as principais atividades de-senvolvidas nesse estabelecimento:

    L

    ucia

    na C

    assi

    a/L

    atin

    stoc

    k

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 73

    recepo;

    armazenamento;

    despacho;

    combinao de cargas;

    transferncias;

    estocagem em trnsito.

    Em relao s possibilidades de movimentao das cargas, possvel dizer que so trs formas: manual; com equipamentos no motorizados; e com equipamentos motorizados ou eltricos. Vejamos, a seguir, alguns exemplos.

    Carrinho de mo: so vrios os tipos de carrinho de mo. Eles podem ter uma, duas, trs ou at quatro rodas; um ou dois eixos. Ao utiliz-lo, a visibilidade do percurso muito importante, por isso a acomodao da carga precisa ser unifor-me, mantendo a maior estabilidade possvel para que o carrinho no tombe e para que a carga no caia.

    [MoC_C2_U08_006] [MoC_C2_U08_006a] [MoC_C2_U08_006b]

    Fot

    os:

    Mar

    io H

    enri

    que/

    Lat

    inst

    ock

  • 74 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    Paleteiras: so pequenos veculos que tm dois braos ou garfos, que se encaixam nos vos dos paletes para suspend-los ligeiramente e locomov-los. Podem ser manuais ou eltricas e movimentam os paletes apenas na altura do solo.

    Empilhadeiras: as empilhadeiras, por sua vez, alm de movimentarem os paletes, podem elev-los para empilh-los. Movidas a gs ou eltricas, elas podem ser de diferentes modelos (patolada, contrabalanada, retrtil e trilateral).

    Munck (fala-se munc) ouguindauto: tipo de equipamento utilizado para elevao de cargas mais pesadas.

    Paleteira manual.

    Paleteira eltrica.

    M

    ario

    Hen

    riqu

    e/L

    atin

    stoc

    k

    Mar

    cin

    Bal

    cerz

    ak/1

    23R

    F

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 75

    Empilhadeira contrabalanada.Empilhadeira retrtil.

    Caminho com munck/guindauto.

    M

    ario

    Hen

    riqu

    e/L

    atin

    stoc

    k

    M

    ario

    Hen

    riqu

    e/L

    atin

    stoc

    k

    Wes

    tend

    61/

    Get

    ty Im

    ages

  • 76 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    Atividade 1o fluxo logStico e a organizao do armazm

    1. Em grupo, simulem uma soluo para uma empresa que vivencia a seguinte situao:

    A empresa XYZ possui um grande armazm de mercadorias, que vo desde pequenas caixas, como as de barbeadores, at geladeiras e mquinas de lavar roupas. Diariamente, o trabalho intenso no local, pois h longas filas de cami-nho para carregamento. As oito horas dirias de trabalho dos funcionrios no so suficientes para a quantidade de trabalho. Houve aumento das reclamaes por falta de entrega no prazo e reduo das vendas por problemas de distribuio.

    a) Quais problemas podem ter provocado essa situao e quais so os desdobramen-tos enfrentados pela empresa?

    b) Quais seriam as medidas para solucionar esses problemas? Justifiquem.

    c) Criem um desenho de depsito, indicando o uso e o tamanho de paletes e os equipamentos necessrios.

    d) Apresentem classe as medidas que o grupo props e o desenho, a fim de tro-carem ideias sobre as melhores solues.

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 77

    unida d e 9

    Custos de transportesAgora que voc j est em uma etapa mais avanada de seus estudos sobre os procedimentos que o motorista de carga pre-cisa conhecer, vamos aprender nesta Unidade sobre outro as-pecto da ocupao: custos no transporte.

    Esse um conhecimento essencial que todo motorista deve ter para que possa desenvolver seu trabalho com maior qualidade e menor custo possvel. No caso do servio de transporte de cargas, essa questo especialmente importante para aqueles que pretendem atuar como motoristas autnomos. Para aqueles que trabalham como empregados em empresas de transporte, essa questo , em geral, responsabilidade da gesto da empresa.

    Em primeiro lugar, vamos compreender o significado da palavra custo, que um conceito fundamental para a organizao, o pla-nejamento e a execuo de todo o trabalho. Conhecer o custo significa conhecer os fatores e os componentes que implicam gas-tos financeiros em qualquer trabalho.

    Pense, por exemplo, no trabalho de uma costureira autnoma, que trabalha por conta prpria em sua pequena oficina alu-gada. Ao receber a encomenda para confeccionar um vestido, ela precisa saber exatamente quais sero os custos da produo desse vestido, para poder dizer a sua freguesa quanto vai co-brar por seu trabalho. Para fazer esse clculo, a costureira precisa pensar em tudo que vai utilizar para a produo do vestido, como:

    tecido e demais materiais utilizados para sua confeco (bor-dados, brilhos, estampas etc.);

    linhas;

    agulhas e alfinetes;

    botes e fechos;

  • 78 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    tesoura;

    papel e giz especficos para fazer o desenho ou o molde do vestido;

    agulha para mquina de costura;

    energia eltrica;

    aluguel.

    Alguns desses custos podem ser classificados como custos fixos, ou seja, so aqueles que a costureira tem para produzir qualquer pea que lhe seja encomendada. Nesse caso, os custos fixos so:

    papel e giz especficos para fazer o desenho ou o molde do vestido;

    agulha para mquina de costura;

    agulhas e alfinetes;

    tesoura;

    energia eltrica;

    aluguel.

    Os demais podem ser classificados como custos variveis, ou seja, so aqueles que a costureira ter para confeccionar exatamente esse pedido o vestido. So eles:

    tecido e demais materiais utilizados para a confeco dele (bordados, brilhos, estampas etc.);

    linhas;

    botes e fechos.

    Somando esses dois tipos de custo, fixo e varivel, tem-se o custo total de produo de determinada mercadoria ou produto.

    A mesma lgica se aplica ao transporte de cargas. Ao se realizar um transporte ou frete, necessrio conhecer todos os custos (fixos e variveis) envolvidos no trabalho.

    Dois fatores so primordiais para se pensar nesses custos: distncia e tempo. Para o transporte rodovirio de cargas, essas so as primeiras informaes que o motorista ou transportador necessita conhecer para poder realizar o clculo de seus custos. claro que, quanto maiores forem a distncia e o tempo gasto para transportar a

    CUSTO FIXO + CUSTO VARIVEL = CUSTO TOTAL

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 79

    carga, maior ser o custo desse transporte. Mas, entre tempo e distncia, esta o fator preponderante na defi-nio dos custos.

    As despesas no transporte podem ser divididas tambm em fixas e variveis. Observe algumas delas:

    Despesas fixas Despesas variveis

    Seguro do veculo

    Licenciamento e Imposto sobre a Propriedade de Veculos Automotores (IPVA)

    Pagamento da prestao de financiamento ou emprstimo do veculo

    Salrios, encargos e benefcios de motoristas e ajudantes

    Combustvel

    Pagamento de pedgios

    Pneus e leo

    Demais despesas com manuteno do veculo

    possvel observar que os custos variveis so aqueles relacionados distncia percorrida para a realizao do transporte, o frete. J os custos fixos so determinados independentemente da distncia percorrida, ou seja, no variam se a distncia for maior ou menor.

    Custos do frete

    Vamos agora conhecer os principais conceitos envolvidos na negociao do frete. Primeiro, vejamos as definies de cada um dos agentes envolvidos nesse tipo de servio.

    Embarcador: refere-se empresa que necessita con-tratar algum tipo de transporte para realizar a entrega das mercadorias e produtos comercializados com seus clientes. Ele o responsvel pelo pagamento do frete.

    Transportador: refere-se ao responsvel por realizar o transporte contratado pelo embarcador, podendo ser um trabalhador autnomo ou uma empresa de trans-porte, que receber o frete como remunerao pelo trabalho realizado.

    O CT-e o documento mais importante para comprovar a

    contratao do transportador pelo embarcador. Voc conheceu

    esse documento na Unidade 4 do Caderno 1, intitulada Legislao

    e documentao do transporte de cargas.

  • 80 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    A composio da tarifa a ser cobrada pelo servio de transporte depende de cinco fatores: frete-peso, frete-valor, generalidades, Gerenciamento de Risco (Gris) e pe-dgio. Veja a que se refere cada um deles na tabela a seguir.

    Fatores Descrio

    Frete-peso

    Parcela da tarifa que tem por finalidade remunerar o transporte do bem entre os pontos de origem e de destino. Inclui tanto custos diretos quanto custos indiretos: custos operacionais do veculo, despesas administrativas e de terminais, custos de capital e taxa de lucro operacional. A soma destes constitui o total do custo, que especfico para cada transportadora e para cada tipo de servio realizado.

    Frete-valor (ou ad valorem)

    Componente tarifrio fundamental para o equilbrio entre custos e receitas. Proporcional ao valor da mercadoria transportada, tem como finalidade resguardar o transportador dos riscos de acidentes e avarias envolvidos em sua atividade. Tais riscos so proporcionais ao tempo que o bem fica em poder da empresa durante a operao de transporte [...].

    Generalidades

    Destinam-se a remunerar os servios adicionais necessrios prestao dos servios. So cobradas apenas no momento em que os servios correspondentes so efetivamente prestados. Sua cobrana pode variar com o peso transportado, o valor da nota fiscal do produto ou o frete cobrado.

    Gris

    Representado por um percentual (%) sobre o valor da nota fiscal. Independentemente da distncia a ser percorrida, tem finalidade de cobrir os custos especficos decorrentes das medidas de combate ao roubo de cargas [...].

    PedgioA Lei [federal] no 10.209 [de 23 de maro de 2001] tornou obrigatrio o fornecimento de vale-pedgio ao carreteiro e o repasse da despesa ao embarcador.

    ASSOCIAO NACIONAL DO TRANSPORTE DE CARGA E LOGSTICA (NTC & LOGSTICA). Manual de clculo de custos e formao de preos do transporte rodovirio de cargas. 2014. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    Direo econmica

    Complementando sua aprendizagem sobre a questo de custos no transporte de cargas, vamos aprender algumas noes sobre direo econmica que podero au-xili-lo na melhor conduo e aproveitamento de seu veculo. Ela pode, assim, ser um importante fator para a diminuio dos custos envolvidos no transporte.

    A prtica da direo econmica est associada forma como o veculo conduzido por seu motorista nas aes de operao e controle dos mecanismos do veculo, tais como acelerador, freios, direo, cmbio etc. Ao utilizar as prticas corretas na conduo do veculo, possvel diminuir os custos com manuteno, aumentando sua durabilidade e diminuindo a possibilidade de panes e problemas durante a viagem.

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 81

    Veja algumas possveis consequncias da prtica da direo econmica:

    reduo do consumo de combustvel;

    reduo do desgaste fsico do motorista;

    reduo de desgastes dos componentes mecnicos do veculo;

    aumento da segurana no trnsito;

    reduo de possveis danos ao meio ambiente.

    Certamente voc aprendeu noes sobre direo econmica no curso que fez para obter sua Carteira Nacional de Habilitao (CNH). Vamos relembrar alguns dos principais pontos para os quais o motorista deve estar atento?

    Dirigircompreviso.

    Operarnafaixaidealderotaodomotor.

    Semprequepossvelpularmarchas.

    Noacelerarduranteatrocademarchas.

    Aproveitarainrciadoveculo.

    Utilizarcorretamenteosfreios.

    Trafegarsomentecomoveculoengrenado.

    Manterospneuscalibrados.

    Estaratentoaodesempenhodoveculo.

    Fonte: SERVIO SOCIAL DO TRANSPORTE (SEST); SERVIO NACIONAL DE APRENDIZAGEM DO TRANSPORTE

    (SENAT). Curso de capacitao de motorista de carga: caderno do aluno. Braslia: Sest/Senat, 2008.

    Atividade 1organizando oS cuStoS

    Vamos realizar uma atividade para refletir um pouco mais sobre a questo dos custos no transporte. Para tanto, leia a reportagem a seguir, que destaca o depoi-mento de alguns motoristas em relao a esse tema.

  • 82 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    Na ponta do lpis

    Embora seja um item de grande importncia, nem todos os motoris-

    tas de caminho tm o hbito de controlar na ponta do lpis os gastos

    de cada viagem. Esta prtica uma preocupao maior por parte dos

    autnomos, cuja sobrevivncia na profisso pode depender do moni-

    toramento das despesas.

    Texto Evilazio de Oliveira [julho de 2014]

    A tarefa de controlar as despesas de viagem, manter uma vigilncia

    severa sobre o consumo de combustvel, pedgios e outros itens re-

    ferentes manuteno, sem falar em gastos mais pesados na compra

    de pneus ou com reparos do caminho, devem, teoricamente, fazer

    parte do dia a dia do estradeiro, mas que quase sempre fica restrita a

    empresas mais bem organizadas. Vale lembrar que numa atividade

    extremamente competitiva, como o transporte rodovirio de cargas,

    tudo precisa ser muito bem observado e controlado.

    Eder Frederico Rempel, o Baixinho, natural de Chapec/SC, 34 anos

    e 16 de profisso, trabalha com um ba frigorfico rodando na rota Rio

    Grande do Sul-Mato Grosso. Por ser motorista empregado, as despe-

    sas bsicas so pagas pelo patro, por isso no precisa se preocupar

    em guardar comprovantes para a prestao de contas. Explica que o

    abastecimento do caminho feito em postos credenciados, nos quais

    apenas assina a nota fiscal, enquanto os pedgios so pagos com

    V

    aler

    iy L

    ebed

    ev/1

    23R

    F

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 83

    carto e a manuteno feita sempre no retorno de cada viagem. E

    se precisar de um dinheiro extra, o patro deposita na conta bancria.

    Porm, garante que o controle de despesas feito, porque escuta

    sempre comentrios sobre o custo do combustvel e por isso afirma

    dirigir de forma econmica. O caminho faz uma boa mdia, mas o

    combustvel custa muito caro. No Mato Grosso chega a ser um exa-

    gero, comenta.

    J o gacho Milton Carboni, natural de Sarandi, 54 anos de idade e

    h 26 no trecho, confessa que nunca fez um acompanhamento das

    despesas de viagem, para no ficar aborrecido e acabar largando

    tudo. Mas reconhece que tem de comear a fazer um controle melhor

    das despesas. Em sua rotina de trabalho no costuma viajar para

    longe ou ficar muito tempo fora de casa. Diz que gasta apenas o

    necessrio, porm, admite no ser organizado em suas finanas. Em

    relao aos custos, acredita que pelo menos 50% do valor do frete

    consumido s pelo combustvel. Enfim, no sabe ao certo quanto

    ganha ou quanto gasta, mas promete que vai ter um controle melhor

    daqui para frente.

    Todas as despesas do carreteiro Jonas Ramos da Veiga, 27 anos de

    idade e sete de profisso, ficam anotadas numa planilha especial,

    junto com as notas fiscais que comprovam os gastos, para uma pos-

    terior prestao de contas na empresa. Natural de Soledade/RS, ele

    faz viagens curtas dentro do Estado do Rio Grande do Sul e leva tudo

    na ponta do lpis, conforme afirma. Em sua planilha registra a quilo-

    metragem percorrida, hora e tempo das paradas e, mesmo assinando

    as notas do combustvel nos postos conveniados, anota os valores e

    anexa os comprovantes. Tudo muito certo. Dependendo da viagem

    e do tempo previsto, ele recebe um valor em dinheiro para as despesas.

    A empresa providencia a carga, trabalha sem presso e passa os finais

    de semana em casa, tudo numa boa.

    Catarinense de Blumenau, Reimar Timm, conhecido pelos colegas

    como Garrafo, tem 56 anos de idade e 36 de profisso, trabalha com

    ba frigorfico viajando para onde houver carga. Utiliza um dirio de

    bordo para anotar todas as despesas e informaes da viagem, como

    quilometragem, hora e tempo das paradas. Recebe um valor fixo para

    as despesas com alimentao ou extras e costuma abastecer em

  • 84 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    postos conveniados, assinando a nota. Nos pedgios utiliza o carto

    [de vale-pedgio]. Afirma que em alguns trechos d para fazer a viagem

    de ida e volta com o mesmo combustvel com que abasteceu na em-

    presa. Apesar de todo esse controle, Reimar diz que no costuma ligar

    muito para os horrios impostos pela Lei do Descanso, dirigindo de

    acordo com uma programao prpria de paradas para descanso, refei-

    es ou para dormir. Destaca que, por trabalhar com cargas agendadas,

    muitas vezes preciso tocar sem parada para chegar no horrio, embo-

    ra depois fique muito tempo espera para carregar ou descarregar.

    O carreteiro Mrcio da Silva, de Ararangu/SC, 43 anos de idade e 28

    de profisso, tambm recebe um valor fixo para as suas despesas

    dirias, sem a necessidade de prestao de contas. A no ser que

    precise de um extra e tenha de recorrer ao patro. Ele viaja com um

    bitrem pelos trs Estados do Sul, So Paulo e Mato Grosso e abaste-

    ce em postos conveniados e apenas as notas fiscais e os pedgios so

    pagos com sistema eletrnico. No sabe o custo e nem o lucro de

    cada viagem, embora avalie que o combustvel seja o grande vilo no

    total das despesas, principalmente pela grande defasagem existente

    entre os valores pagos pelos fretes. Costuma fazer o prprio horrio

    de direo, parando conforme as necessidades ou quando se sente

    cansado. E, como trabalha com um caminho grande, quase sempre

    tem dificuldades para encontrar um lugar adequado para estacionar.

    Conhecido como Periquito, o carreteiro Marcelo Walendorff Antunes

    tem 31 anos de idade e est h apenas quatro no trecho. Natural de

    Soledade/RS, suas viagens so somente dentro do Estado e as cargas

    so providenciadas pela empresa, a qual s o avisa aonde deve carre-

    gar. Normalmente recebe adiantamento para os gastos pessoais e

    abastece nos locais autorizados assinando a nota fiscal. Afirma que

    at hoje nunca aconteceu de ficar sem dinheiro durante uma viagem

    ou teve problemas com prestao de contas. Tudo muito simples

    e sem a necessidade de apresentao de notas, a no ser com gastos

    extras, o que no acontece, afirma.

    Adilson Carlos de Almeida, o Pelanquinha, 55 anos de idade e 35 de

    profisso, natural de Lages/SC, viaja por todo o Brasil com uma car-

    reta e diz que no tem um controle muito rgido para as despesas de

    viagem. Recebe um adiantamento, abastece o caminho pagando

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 85

    com o carto ou em dinheiro. Conforme explica, para economizar ele

    mesmo prepara as refeies na caixa-cozinha ou chega em casa sem

    dinheiro. Guarda as notas fiscais do combustvel, comprovantes de

    pedgios ou qualquer outro gasto, e ao final de cada viagem faz a

    prestao de contas, sem nenhum problema.

    Aos 26 anos de idade e trs de estrada, Gabriel Perosa Spineli, natu-

    ral de Arvorezinha/RS, trabalha com uma caamba transportando

    gros, adubos ou minrios. Garante que viaja sem a preocupao de

    elaborar uma planilha de custos ou um dirio de bordo. Isso porque a

    empresa lhe d um adiantamento para as refeies ou despesas extras,

    e ele s precisa ficar dentro desse valor. Se gastar mais, por conta

    dele. Quando abastece precisa apenas assinar a nota fiscal e as pas-

    sagens nos postos de pedgio so pagas pelo sistema eletrnico.

    tudo muito fcil, afirma.

    OLIVEIRA, Evilazio de. Na ponta do lpis. O carreteiro, ed. 477, 2014. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    Agora, responda s seguintes questes.

    1. O texto traz o depoimento de motoristas autnomos e de motoristas que traba-lham como empregados em transportadoras. Em relao forma como lidam com a organizao das despesas, possvel observar diferenas nas aes desses dois trabalhadores? Quais?

  • 86 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    2. Tendo em vista o que estudou nesta Unidade e os depoimentos da reportagem, quais so os principais gastos que os motoristas precisam conhecer e organizar para realizar o transporte das cargas?

    3. Vamos agora colocar em prtica o que voc aprendeu fazendo uma simulao de frete. Voc conseguiu seu primeiro trabalho e ter de realizar o transporte de uma carga que acabou de chegar ao porto de Santos, levando-a at o embarca-dor, que fica na cidade de So Paulo, na regio da Rua 25 de Maro. Com a ajuda do monitor, organize uma planilha eletrnica com todos os custos que voc ter para realizar esse transporte. Pesquise inicialmente a distncia a ser percorrida e o tempo que levar para tanto. Depois, liste e pesquise sobre os preos relativos aos custos variveis que ter na realizao desse frete. Leve-os tambm em considerao para poder chegar ao clculo do custo total. No se esquea de adicionar sua margem de lucro. Por fim, organize os resultados de sua simulao para apresent-los aos colegas. Uma maneira de fazer isso dispor os registros em forma de cartaz.

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 87

    unida d e 10

    Revendo seus conhecimentosEstamos chegando ao fim deste curso.

    hora de rever tudo aquilo que voc aprendeu nesse tempo em que se dedicou formao bsica na ocupao de motorista de carga.

    importante que consiga identificar o que sabe em relao a essa ocupao e que se sinta preparado para buscar uma vaga no mercado de trabalho em uma empresa de transporte, uma cooperativa ou como autnomo.

    Vamos comear retomando o que aprendeu.

    Atividade 1reviSite SeuS conhecimentoS

    Na Unidade 2 do Caderno 1, voc refletiu sobre o que sabia inicialmente sobre as atividades que o motorista de carga reali-za, indicando o que sabia ou no fazer.

    Agora, vai pensar novamente sobre esse assunto e listar o que aprendeu no curso.

    Essa ser a base tanto para voc fazer seu currculo e entrar no mercado de trabalho como para identificar lacunas e buscar novas formas de aprimoramento na ocupao.

    Voc pode consultar o site da Classificao Brasileira de Ocupa-es (CBO; disponvel em: , acesso em: 19 mar. 2015) para verificar, mais uma vez, o que se espera de um trabalhador nessa ocupao.

  • 88 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    O que j sabia fazer O que aprendi no curso O que ainda preciso aprimorar/aprender

    O importante no ficar parado

    Analisando a ltima coluna da tabela, h conhecimentos que voc considera neces-srio aprimorar ou adquirir? Sim? Isso normal e no deve desanim-lo. Parte dos conhecimentos sobre a ocupao voc aprender na prtica, com a experincia. Outra parte voc vai adquirir de outras maneiras.

    Assim, planeje o que far para dar sequncia a seu aprendizado e ampliar seus conhecimentos:

    continuando a estudar;

    procurando um novo curso nessa rea;

    lendo revistas ou livros especializados;

    pesquisando mais informaes sobre a ocupao de motorista de carga na internet.

    S voc poder escolher o que fazer. No h regras sobre o que certo ou errado nessa hora. O importante no deixar o tempo passar, para no perder o nimo, e programar-se para realizar as atividades escolhidas de forma organizada.

    O planejamento um instrumento que deve ser revisto de tempos em tempos para no se tornar ultrapassado. Aes e prazos podem, e devem, ser sempre atualizados.

    No adianta prever muitas aes difceis de executar, pois a chance de voc desani-mar se torna muito grande.

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 89

    Atividade 2planeje SeuS prximoS aprendizadoS

    Para fazer seu planejamento, utilize a tabela a seguir.

    O que fazer Por qu Como Quando

    A preparao para o mercado de trabalho

    Alm de aprimorar seus aprendizados, necessrio pre-parar-se para obter um lugar no mercado de trabalho.

    Para ajudar na procura do emprego, importante deixar seus documentos em ordem.

    Para isso, o primeiro passo organizar os comprovantes de tudo que voc sabe fazer ou j fez que esteja ligado ao trabalho de motorista de carga.

    Depois, coloque-os de forma organizada, como se fossem cpias de seus documentos pessoais, em uma pasta. Ela servir para sua apresentao nos locais em que voc for procurar emprego.

    A indicao (o famoso boca a boca) uma das formas pelas quais as pessoas mais conseguem

    emprego ou se tornam conhecidas por seu trabalho.

  • 90 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    Conhecida como portflio, essa pasta deve conter:

    comprovao de sua escolaridade formal diplomas;

    certificados de cursos que voc fez incluindo este;

    comprovao de suas experincias de trabalho, como registros informais, declaraes ou fotos incluindo as dos trabalhos que voc produziu neste curso;

    cartas de recomendao;

    documentos pessoais.

    Alm do portflio, voc tem de fazer um currculo. Nele, voc vai elaborar um resumo de tudo o que j fez, o que sabe e o que pretende fazer.

    Antigamente, os currculos eram extensos e continham informaes muito detalhadas. Algumas pessoas at in-ventavam dados para tornar seu currculo mais interes-sante. Hoje, os currculos so curtos e objetivos: vo direto ao assunto e, de preferncia, ressaltam os saberes e as prticas relacionados ocupao ou ao cargo que a pessoa pretende exercer.

    Para tornar sua apresentao mais adequada, os dados que sempre devem constar do currculo so:

    nome;

    dados pessoais (inclua apenas seu endereo completo e idade; no precisa colocar estado civil, filhos etc. essas informaes s devem aparecer se forem impor-tantes para o cargo ou funo que voc tem inteno de ocupar);

    objetivo, ou seja, a vaga em que voc est interessado;

    seus conhecimentos e prticas mais adequados ao tra-balho pretendido;

    histrico profissional, isto , os trabalhos que j teve. Se voc no teve emprego formal, escreva: Principais experincias. Siga a ordem cronolgica inversa: do mais atual at o mais antigo;

    No se esquea de incluir tambm sua CNH. Esteja sempre atento para a data de vencimento dela e procure

    fazer a renovao com a antecedncia necessria para que nunca tenha

    problemas.

    Voc sabia?A palavra currculo vem do latim, lngua que deu origem ao portugus e a outros idiomas, como o espanhol, o francs e o italiano. A expresso cur-riculum vitae, traduzida do latim, quer dizer car-reira de vida. Mas me-lhor usar o termo em portugus: currculo.

    Fonte: SO PAULO (ESTADO). Secretaria de Desenvolvimento Econmico, Cincia e Tecnologia (Sdect). Educao de Jovens e Adul-tos (EJA) Mundo do Trabalho. Geografia, Histria e Trabalho: 6 ano/1 termo do Ensino Fundamen-tal. So Paulo: Sdect, 2011.

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 91

    escolaridade e cursos, lembrando que, nesse item, vale qualquer curso que voc tenha frequentado de idio-mas, computao, oficinas de qualificao profissional relacionadas a suas reas de interesse etc.;

    data (dia da elaborao do currculo);

    assinatura.

    Atividade 3como fazer um currculo

    1. Com base nas informaes anteriores, elabore uma primeira verso de seu currculo.

    2. Troque ideias com os colegas e o monitor do curso, verificando se h alguma mudana a ser feita.

    3. Agora, no laboratrio de informtica, digite e forma-te seu currculo no computador, deixando-o com uma boa apresentao para enviar a possveis empregadores.

    Se quiser saber mais sobre como se apresentar para um trabalho e como

    fazer seu currculo, consulte o Caderno do Trabalhador 1

    Contedos Gerais. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

  • 92 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    ltima etapa

    A ltima etapa a enfrentar a entrevista ou seleo para o emprego que voc pretende.

    Se procurar uma empresa transportadora, provvel que voc tenha de fazer uma entrevista, na qual vai relatar sua vida e sua experincia profissional.

    Dependendo do tamanho e das caractersticas da em-presa, a entrevista vai ser mais ou menos formal e ter uma ou mais etapas. Em empresas maiores, o clima cos-tuma ser mais formal e o processo de seleo, mais demorado. De qualquer forma, no se intimide na en-trevista. Procure mostrar com tranquilidade o que sabe.

    Veja algumas dicas que podero ajud-lo:

    informe-se antes sobre a empresa: onde , como se organiza, quantas pessoas trabalham nela etc.;

    chegue sempre um pouco antes da hora marcada, apro-ximadamente 15 minutos;

    leve seu currculo e seu portflio;

    desligue seu celular e no masque chicletes ou balas;

    mantenha-se calmo;

    exponha com clareza o que sabe fazer na rea de trans-porte de cargas e fale tambm um pouco sobre suas atitudes e seu jeito de ser;

    mostre-se confiante com relao ao que sabe, mas no queira parecer mais do que . Seja honesto em dizer que no sabe algo que lhe seja perguntado;

    seja simptico, mas no fale mais do que o necessrio;

    evite intimidades: cumprimente o entrevistador apenas com um aperto de mos.

    Boa sorte!

    H ocasies nas quais as coisas no do certo de primeira. Nesse caso,

    no desanime. Mantenha a confiana e procure outras oportunidades.

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 93

    Referncias bibliogrficas

    AGNCIA NACIONAL DE TRANSPORTES AQUAVIRIOS (ANTAQ). Panorama da navegao martima e de apoio. 2011. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    AGNCIA NACIONAL DE TRANSPORTES TERRESTRES (ANTT). Cartilha sobre o transporte de produtos perigosos no Mercosul. 2012. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    ______ . Resoluo no 420, de 12 de fevereiro de 2004. Disponvel em: . Acesso em: 20 mar. 2015.

    ______ . Registro Nacional do Transportador Rodovirio de Cargas (RNTRC). RNTRC em nmeros. Disponvel em: . Acesso em: 13 abr. 2015.

    ______ . Resoluo no 3.000, de 28 de janeiro de 2009. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    ASSOCIAO NACIONAL DO TRANSPORTE DE CARGA E LOGSTICA (NTC & LOGSTICA). Manual de clculo de custos e formao de preos do transporte rodovirio de cargas. 2014. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    BRASIL. Lei no 6.514, de 22 de dezembro de 1977. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    ______ . Lei no 9.503, de 23 de setembro de 1997. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    ______ . Lei no 11.442, de 5 de janeiro de 2007. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    ______ . Lei no 13.103, de 2 de maro de 2015. Disponvel em: . Acesso em: 25 mar. 2015.

    ______ . Conselho Nacional de Trnsito. Resoluo no 210, de 13 de novembro de 2006. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

  • 94 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e mo T o r i s T a d e ca r g a 2

    ______ . Ministrio da Previdncia Social. Anurio estatstico da Previdncia Social. 2010. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    ______ . Ministrio do Trabalho e Emprego. Classificao Brasileira de Ocupaes (CBO). Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    CONFEDERAO NACIONAL DO TRANSPORTE (CNT). Boletim estatstico. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    FREITAS, Eduardo de. Transporte areo. Brasil Escola. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    MOURA, Graziele Araujo. A viabilidade de cooperativas para a renovao da frota autnoma de caminhes. Dissertao (Mestrado em Transportes). Braslia: Universidade de Braslia, 2012. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    NAES UNIDAS NO BRASIL (ONU BR). A ONU, o direito martimo e os oceanos. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    OLIVEIRA, Thiago. Perfil das empresas de transporte rodovirio de cargas de Presidente Prudente-SP e a influncia do Plano Real e da evoluo do conceito de logstica no segmento de transporte rodovirio de cargas no Brasil no perodo 1994-2002: uma abordagem sob a tica da teoria schumpeteriana. Presidente Prudente: Faculdades Integradas Antnio Eufrsio de Toledo, 2004. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    PORTAL do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    PORTAL do Empreendedor. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    QUEIROZ, Marluce Teixeira Andrade et al. Acidentes no transporte de cargas/produtos perigosos no colar metropolitano do Vale do Ao, Minas Gerais. In: SIMPSIO DE EXCELNCIA EM GESTO E TECNOLOGIA (SEGET). Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

  • mo T o r i s T a d e ca r g a 2 Arco Ocupacional Tr a n s p o rT e 95

    REVISTA O carreteiro. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    RIO DE JANEIRO (Estado). Autarquia de Proteo e Defesa do Consumidor (Procon). Cuidados na compra de alimentos. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    SO PAULO (Estado). Indstria automobilstica. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    ______ . Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Classificao e codificao: rodovias estaduais de So Paulo. So Paulo: DER, 2005. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    ______ . Secretaria de Desenvolvimento Econmico, Cincia e Tecnologia (Sdect). Educao de Jovens e Adultos (EJA) Mundo do Trabalho. Geografia, Histria e Trabalho: 6o ano/1o termo do Ensino Fundamental. So Paulo: Sdect, 2011.

    ______ . ______ . Educao de Jovens e Adultos (EJA) Mundo do Trabalho. Geografia, Histria e Trabalho: 8o ano/3o termo do Ensino Fundamental. So Paulo: Sdect, 2013.

    ______ . ______ . Via Rpida Emprego turismo e hospitalidade: camareira. So Paulo: Sdect, 2013. v. 1.

    SERVIO SOCIAL DO TRANSPORTE (SEST); SERVIO NACIONAL DE APRENDIZAGEM DO TRANSPORTE (SENAT). Curso de capacitao de motorista de carga: caderno do aluno. Braslia: Sest/Senat, 2008.

    SOUZA, Jos Carlos Messias. Transporte de cargas sob uma abordagem logstica. Monografia (Ps-graduao em Logstica Empresarial). Rio de Janeiro: Universidade Candido Mendes, 2006. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

    WAISELFISZ, Julio Jacobo. Prvia do Mapa da violncia 2014. Os jovens do Brasil. Disponvel em: . Acesso em: 19 mar. 2015.

  • v i a r p i d a e m p r e g o

    Tipos de carga e veculo

    Segurana no transporte

    Procedimentos para operao em terminais e armazns de mercadorias

    Custos de transportes

    Revendo seus conhecimentos

    www.viarapida.sp.gov.br

Recommended

View more >