MORFOLOGIA DE FRUT OS, SEMENTES E PLÂNTULAS DE ?· Laboratório de Morfologia e Anatomia Vegetal –…

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<p>Rev. Bras. Frutic., Jaboticabal - SP, v. 30, n. 2, p. 517-522, Junho 2008</p> <p>517</p> <p>1(Trabalho 108-07). Recebido em: 23-04-2007. Aceito para publicao em: 22-11-2007.2Bacharelanda em Cincias Biolgicas Universidade de Franca (UNIFRAN). E-mail: silvia_ivani@hotmail.com.3CAPES Doutorando Agronomia [Produo e Tecnologia de Sementes] Depto. de Produo Vegetal (DPV) Faculdade de Cincias Agrrias e</p> <p>Veterinrias (FCAV) Universidade Estadual Paulista (UNESP Jaboticabal). Depto. de Biologia Aplicada Agropecuria (DBAA) FCAV UNESP</p> <p>Jaboticabal. Via de Acesso Prof. Paulo Donato Castellane s/n, Zona Rural, 14884-900, Jaboticabal SP Brasil. E-mail: silvabms@hotmail.com.4Bacharelanda em Cincias Biolgicas Universidade de Franca (UNIFRAN). E-mail: kamilaoliveira@hotmail.com.5CNPq Bolsista de Produtividade Profa. Dra. Depto. de Biologia Aplicada Agropecuria (DBAA) FCAV UNESP Jaboticabal. Via de Acesso Prof.</p> <p>Paulo Donato Castellane s/n, Zona Rural, 14884-900, Jaboticabal SP Brasil. E-mail: fabola@fcav.unesp.br.</p> <p>MORFOLOGIA DE FRUTOS, SEMENTES E PLNTULAS DE CASTANHEIRA</p> <p>(Terminalia catappa L. - COMBRETACEAE)1</p> <p>SILVIA DE AZEVEDO IVANI2, BRENO MARQUES DA SILVA E SILVA3,CAMILA DE OLIVEIRA4, FABOLA VITTI MRO5</p> <p>RESUMO O trabalho foi realizado com o objetivo de descrever morfologicamente os frutos, sementes e plntulas de castanheira. Foifeita a biometria dos frutos e das sementes e sua caracterizao quanto forma, por meio de mensuraes com paqumetro eobservaes realizadas em estereomicroscpio com cmara clara. Os frutos de castanheira so carnosos, indeiscentes, do tiponucide, glabros, de colorao verde a vincea, projeo das nervuras carpelares externamente evidentes, com epicarpo delgado,mesocarpo carnoso e esponjoso de colorao vincea, com feixes vasculares conspcuos em corte transversal. Geralmente, cada frutocontm apenas uma semente. As sementes so exalbuminosas, de formas alongadas e cilndricas, recobertas por endocarpo rgido decolorao marrom; possuem cerca de 2,5cm, 0,7cm e 0,7cm, de comprimento, largura e espessura, respectivamente. A germinao dassementes de castanheira epgea, e a plantula fanerocotiledonar.Termos para indexao: germinao, reflorestamento, arborizao, biometria, chapu-de-sol.</p> <p>MORPHOLOGY OF THE FRUIT, THE SEED AND THE SEEDLINGS OF CHESTNUT TREE</p> <p>(Terminalia catappa L. - COMBRETACEAE)</p> <p>ABSTRACT - The work was carried out with the objective of describing morphologically the fruits, seeds and seedlings of chestnuttree. It was made the biometry of the fruits and seeds with a digital pachymeter and its characterization in relation to the shape, instereomicroscope with clear chamber. It can be evidenced that the chestnut tree fruits are fleshly, indehiscent, nucoid, glabrous, fromgreen to purple coloration, with evident projection of the carpel ribbings, with a fleshly and spongy epicarp and mesocarp, of purplecolor, with conspicuous vascular bundle in transversal cut. Generally, it has a seed per fruit. The seeds are unalbuminous, ofprolongated and cylindrical shape and recovered with a rigid endocarp of brown coloration. The seeds possess about 2,5; 0,7 and 0,7cm, of length, width and thickness, respectively. The germination of the seeds of chestnut tree is epigeal and the seedling isfanerocotyledonary.Index terms: germination, reforestation, arborization, biometry, sun-hat.</p> <p>INTRODUO</p> <p>Terminalia catappa L., pertencente famliaCombretaceae, conhecida popularmente como castanheira,castanhola, castanholeira, chapu-de-sol e sete-copas, umarvore originria da ndia, com cerca de 25 a 45 m de altura e 50 a150 cm de dimetro, com tronco de retilneo a tortuoso,crescimento monopodial e ramos de disposio plagiotrpica.As suas folhas so oblanceoladas a obovadas, coriceas, alterno-espiraladas, medindo cerca de 30cm, (Gilman &amp; Watson, 1994;Ribeiro et al., 1999; Thomson &amp; Evans, 2006).</p> <p>Por ser uma espcie rstica e de rpido crescimento, amplamente utilizada para fins ornamentais (Francis, 1989) emedicinais (Ficarra, 1997; Thomson &amp; Evans, 2006), de produode madeira, em reflorestamento, recuperao de reasdegradadas, arborizao urbana e rural (Meneses et al., 2003;</p> <p>Angel et al., 2003).De acordo com Cavalcante et al. (1986), Gilman &amp; Watson</p> <p>(1994) e Thomson &amp; Evans (2006), os frutos e as sementes decastanhola so nutritivas e utilizadas na alimentao humana,assim como de pssaros, morcegos e roedores. Por se alimentaremdos frutos e, s vezes, das sementes, esses animais facilitam adiperso natural (Penna, 1946; Flores, 2003; Thomson &amp; Evans,2006).</p> <p>As caractersticas externas e internas das sementes sopouco modificadas pelo ambiente, constituindo-se um critriobastante seguro para a identificao de famlias, gneros e, svezes, espcie (Oliveira &amp; Pereira,1984; Groth &amp; Liberal, 1988).No entanto, poucas publicaes so especficas para aidentificao e, na maioria delas, a morfologia de sementes ignorada ou recebe tratamento secundrio, sendo, portanto,inadequadas (Gunn, 1981; Oliveira, 1993).</p> <p>A morfologia interna e a externa da semente, aliada s</p> <p>Rev. Bras. Frutic., Jaboticabal - SP, v. 30, n. 2, p. 517-522 Junho 2008</p> <p>518</p> <p>observaes das plntulas permitem fazer a identificao de suasestruturas, oferecendo em laboratrio subsdios interpretaocorreta dos testes de germinao, identificao e certificao daqualidade fisiolgica. Assim, pode auxiliar os estudos dearmazenamento e, no viveiro, contribuir para o reconhecimentoda espcie e para adequar os mtodos de produo de mudas(Arajo &amp; Matos, 1991; Oliveira, 1993; Amorin et al., 1997).</p> <p>Um dos meios utilizados para determinar o nvel dequalidade fisiolgica das sementes o teste-padro degerminao, o qual realizado sob condies controladas detemperatura e umidade e em substratos ideais para cada espcie(Gomes &amp; Bruno, 1992; Zanon et al., 1997). Entretanto, at omomento, no h informaes para a avaliao da qualidadefisiolgica de sementes de castanheira (Brasil, 1992), assim comopara a produo de mudas.</p> <p>Dessa forma, o presente trabalho teve por objetivo avaliara germinao e caracterizar morfologicamente o fruto, a sementee a plntula de castanheira.</p> <p>MATERIAL E MTODOS</p> <p>Os frutos foram coletados de matrizes de Terminaliacatappa L., localizadas no Cmpus da Faculdade de CinciasAgrrias e Veterinrias (FCAV) da Universidade Estadual Paulista(UNESP), localizado em Jaboticabal-SP, Brasil. As descriesmorfobiomtricas dos frutos e sementes foram realizadas noLaboratrio de Morfologia e Anatomia Vegetal Departamentode Biologia Aplicada Agropecuria, e a avaliao da germinao,no Laboratporio de Sementes - Departamento de ProduoVegetal da FCAV UNESP Jaboticabal.</p> <p>1. Biometria de frutos, sementes e plntulasPara a mensurao dos frutos e sementes, foram utilizadas,</p> <p>respectivamente, 104 e 65 unidades de material fresco,determinando-se o comprimento, largura e espessura, com o auxliode um paqumetro digital e rgua milimetrada. A massa de matriaseca dos frutos e sementes foi obtida por meio da secagem emestufa a 70C, durante 72 horas (Benincasa, 2003). Posteriormente,determinou-se o nmero de sementes/kg, de acordo com Brasil(1992). Das plntulas, foram obtidas medidas da altura e espessurado colo, bem como determinada a massa de matria seca, pormeio da secagem em estufa a 70C, durante 72 horas (Benincasa,2003).</p> <p>2. Morfologia dos frutos e sementesConsideraram-se, na caracterizao externa, os seguintes</p> <p>aspectos, conforme recomendao de Damio-Filho (1993),Barroso et al. (1999) e Damio-Filho &amp; Mro (1993): tipo,consistncia, superfcie, indumentos, forma, deiscncia,colorao, pice, margens e base.</p> <p>Para o estudo das estruturas internas, foram efetuadoscortes longitudinais e transversais nos frutos e sementes,verificando-se: presena ou ausncia do endosperma, forma, tipoe posio do embrio.</p> <p>As observaes e as ilustraes das estruturas foramfeitas em estereomicroscpio, provido de cmara clara,acompanhada de escala milimtrica. A terminologia adotada para</p> <p>a descrio dos frutos e sementes foi baseada no proposto porCorner (1976), Damio-Filho (1993), Barroso et al. (1999) e Damio-Filho &amp; Mro (1993).</p> <p>3. Morfologia da plntulaPara a caracterizao da germinao e da plntula, 100</p> <p>sementes foram semeadas em bandejas de plstico, contendocomo substrato areia esterilizada e umedecida com 75% de suacapacidade de reteno de umidade. Foi adicionada uma soluode Nistatina a 0,2%, visando a conter a proliferao de fungos. Aquantidade de gua adicionada ao substrato foi calculada com ametodologia descrita pelas Regras de Anlise de Sementes (Brasil,1992). As bandejas foram mantidas em casa de vegetao, sob25% de incidncia de luz e sem o controle da temperatura eumidade.</p> <p>Aps o incio da germinao, o que ocorreu aos 15 diasaps a semeadura, foram retiradas, em intervalos regulares emat 30 dias, plntulas representativas de cada fase da germinaoe desenhadas com o auxlio de cmara clara, acoplada a umestereomicroscpio. A descrio da plntula foi efetuadasegundo Duke (1969) e Ribeiro et al. (1999), e da semente,segundo Corner (1976), Damio-Filho (1993) e Damio-Filho &amp;Mro (1993).</p> <p>4. Determinao do teor de umidadeFoi adotado o mtodo da estufa a 105C 3, durante 24</p> <p>horas (Brasil, 1992), com 4 repeties de 10 sementes cada.</p> <p>5. Avaliao da germinaoUtilizaram-se quatro tratamentos:</p> <p>a) frutos inteiros (intactos);b) frutos sem o epicarpo e o mesocarpo;c) frutos escarificados (danificados) por morcegos;d) sementes.</p> <p>Foram utilizadas cinco repeties com 11 unidades cada,semeadas em bandejas de plstico entre areia lavada e esterilizada,mantidas em casa de vegetao com 25% de incidncia luminosa,em condies ambiente de temperatura mdia (22,25,06oC). Osresultados foram obtidos aos 30 dias aps a semeadura eexpressos em porcentagem de plntulas normais (Brasil, 1992).</p> <p>6. ndice de velocidade de germinaoConcomitantemente ao teste de germinao, foram</p> <p>realizadas contagens a cada 7 dias, durante 60 dias, do nmerode plntulas emersas, ou seja, com a parte area acima dosubstrato. O clculo do ndice de velocidade de germinao foirealizado conforme a equao proposta por Maguire (1962).</p> <p>O delineamento experimental adotado foi o inteiramentecasualizado, e para avaliao da varincia e comparao dasmdias, os dados em porcentagem foram transformados em arc-sen x/100 (Pimentel-Gomes, 1987).</p> <p>MORFOLOGIA DE FRUTOS, SEMENTES E PLNTULAS DE CASTANHEIRA ...</p> <p>Rev. Bras. Frutic., Jaboticabal - SP, v. 30, n. 2, p. 517-522, Junho 2008</p> <p>519</p> <p>RESULTADOS E DISCUSSO</p> <p>1.Morfologia dos frutos e sementes</p> <p>Morfologia dos frutosOs frutos de castanheira so carnosos, indeiscente,</p> <p>drupceos (nucides), como citado por Barroso et al. (1999),glabros, de colorao verde a vincea, com a projeo dasnervuras carpelares evidentes, portando, em geral, uma sementee, raramente, duas, medindo cerca de 5,51 0,48cm, 3,99 0,44cme 3,12 0,46cm, de comprimento, largura e espessura,respectivamente (Figura 1). Para o volume, massa seca e nmerode frutos por quilograma, foram observadas mdias de 70 21,28cm3, 7,76 1,25g e 304,84 9,10frutos/kg, respectivamente.No entanto, os frutos apresentaram comprimento, largura,espessura, massa de matria seca e volume mximos e mnimosentre 3,35 e 6,57cm, 2,81 e 5,24cm, 2,32 e 4,31cm, 5,24 e 10,69g,35,06 e 127,16cm3, respectivamente (Figura 2). De acordo comSilva &amp; Valente (2005), as combretceas so exalbuminosas ecom cotildones convolutos ou plicados.</p> <p>Nos frutos, o pericarpo de castanheira constitudo porum epicarpo, delgado, levemente esponjoso e de coloraovincea, um mesocarpo, carnoso, esponjoso e fibroso, vinceo,com presena ntida de seis feixes vasculares distribudos aolongo do maior eixo dos frutos, e um endocarpo, espesso,lenhoso, de colorao creme a marron, com visvel linha de fissuralongitudinal (Figura 1B).</p> <p>Morfologia externa das sementesAs sementes de castanheira so exalbuminosas, cnicas,</p> <p>alongadas e levemente achatadas, de colorao amarela a ocre,levemente rugosa, com funculo persistente, medindo cerca de2,49 0,21cm e 0,75 0,08cm, de comprimento e largura,respectivamente (Figura 3A). O tegumento delgado, glabro,com hilo circular, homcromo, localizado na base da semente,sendo que a calaza marcada por uma mancha de coloraomarrom, no pice da semente, a rafe de cor marrom e estendidaentre o hilo e a calaza. A micrpila inconspcua (Figura 3). Deforma semelhante, Ferreira et al. (1998) descreveram para assementes de Terminalia argentea Mart. &amp; Zucc.</p> <p>Para o volume, massa seca, teor de gua e nmero desementes por quilograma de castanheira, foram observadasmdias de 1,42 0,33cm3, 0,1657 0,09g, 31.27 8,35% e 1934,24 364,95sementes/kg, respectivamente. As sementes deTerminalia catappa L. apresentaram comprimento e largura,volume e matria seca mximos e mnimos entre 1,96 e 3,01cm,0,59 e 0,95cm, 0,82 e 2,30cm3 e 0.0590 e 0.2705g, respectivamente(Figura 4).</p> <p>Morfologia interna das sementesO embrio das sementes de castanheira axial, com</p> <p>cotildones convolutos e foliceos, brancos, e eixo radicularproeminente. Enquanto o eixo embrionrio curto, reto, cilndrico,com plmula rudimentar e quase totalmente envolvido peloscotildones (Figura 3).</p> <p>2. Morfologia da plntula aos 30 dias aps a semeadura</p> <p>O desenvolvimento ps-seminal de castanheira marcado pelo rompimento do tegumento da semente pelaprotruso da raiz primria, cilndrica, glabra e de colorao brancaa amarelada e, em seguida, a formao de razes secundriasfiliformes. Posteriormente, ocorre o crescimento pronunciado dohipoctilo cilndrico de colorao verde, elevando os cotildonescom a plmula (Figura 5).</p> <p>Os cotildones so opostos, foliceos, reniformes, combase reniforme, bordo inteiro, longo-peciolados e com venaoeucampddroma (Francis, 1989). Na base do limbo, o pecolo canaliculado, enquanto na outra extremidade cilndrico, comtricomas simples, esparsos e esbranquiados.Concomitantemente, visvel o desenvolvimento de razestercirias, de colorao branca, com tricomas simples e hialinos(Figura 5).</p> <p>A regio do coleto evidente pela diferena de coloraoe espessura entre o hipoctilo e a raiz. Com o crescimento daplntula, essa regio adquire forma caracterstica, descrita paracapito-de-sol por Ferreira et al. (1998) como em forma de joelho(Figura 5).</p> <p>Em seguida, ocorre o crescimento do epictilo, cilndrico,verde, com tricomas simples, longos e esbranquiados, e comefilos, simples, alternos, com margem inteira e de coloraoverde a ferrugnea, com tricomas na face adaxial e abaxial. Anervao peninrvea, levemente proeminente na face adaxial e,marcadamente, na face abaxial (Figura 5). De forma semelhante,foram ilustradas as folhas de Terminalia catappa L. por Flores(2003).</p> <p>3. Avaliao da germinao</p> <p>Os maiores valores tanto para a porcentagem quantopara o ndice de velocidade de germinao foram obtidos para otratamento em que se usaram apenas sementes de castanheira(Tabela 1). Desta forma, observou-se que o pericarpo do fruto,apesar de servir como atrativo para os dispersores (Penna, 1946;Flores, 2003; Thomson &amp; Evans, 2006), torna-se uma barreiramecnica para a germinao das sementes de castanhei...</p>

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