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Trabalho final de graduação apresentado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, oriantado pela professora Maria de Lourdes Zuquim

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  • MOOCAENTRE PASSADO E FUTUROAlex Sartori | Trabalho Final de Graduao

  • MOOCAENTRE PASSADO E FUTUROAlex Sartori | Trabalho Final de GraduaoMaria de Lourdes Zuquim | OrientadoraFaculdade de Arquitetura e UrbanismoUniversidade de So Paulo

    Dezembro 2012

  • A todos os autores deste projeto.

  • AgrAdecimentos

    A meus pais, minha irm e minha madrinha, Silvio, Cida, Renata

    e Salete.

    A Gabriela Schn, Srgio Lazarini e Evanice Lazarini.

    A Gabriele Rodrigues, Thas Maio, Ariel Macena, Mariana Mar-

    tins, Max Heringer, Bruna Bertuccelli, Thais Viyuela, Carmem Aires, Rena-

    to Buti, Fernando Laurentino, e Ligia Mininel

    A Denise Antonucci e Rosana Miranda

    A Maria de Lourdes Zuquim, minha orientadora, por toda a

    pacincia, pela companhia nos ltimos 4 anos, e por toda a liberdade que

    me deu para pensar.

    FAUUSP, 4 de dezembro de 2012

  • APresentAo

    Este trabalho pretende-se a sntese de um perodo de 6 anos de estudos e de experincia de cidade e arquitetura; a

    formalizao de uma srie de posturas e olhares sobre a cidade que nascem da crtica, embasada pela teoria e pela vivncia urbana.

    O projeto que se apresentar um estudo preliminar de uma alternativa de conduzir o processo de transformao de uma rea a

    um objetivo definido, sntese e aplicao prtica de todas as questes que sero discutidas a seguir; ilustrao de uma postura crtica

    e de afirmaes sobre a cidade.

    Para isso decidimos por realizar uma interveno sobre uma rea industrial na divisa dos distritos da Mooca, Ipiranga e Vila

    Prudente, a que chamaremos de Barroca para distingu-la dos bairros vizinhos. Este nome uma referncia histrica que encontra-

    mos no trabalho de Laurentino:

    A Barroca era uma rea muito grande de propriedade da Companhia de Terrenos Parques da Mooca. Essa rea pegava toda a

    parte direita de quem sobe a Avenida Paes de Barros e ia at os Armazns Gerais no bairro do Ipiranga. Os armazns ladeavam

    a Estrada de Ferro Santos a Jundia (...) A Barroca avanava tambm de um lado em direo Vila Prudente e terminava no lado

    oposto, exatamente na Vrzea do Glicrio, tambm conhecida por Ilha dos Sapos (depoimento de Alcides Barroso, in SESSO

    JUNIOR, 1995. P 79, apud LAURENTINO, 2002, p. 79).

    Esta rea tem acesso privilegiado, pois se conecta s marginais e ao Anel Virio, portanto ao ABC, a Santos, ao interior do

    estado e ao Rio de Janeiro, assim como a diversos bairros dentro da prpria RMSP Regio Metropolitana de So Paulo. Tambm

    favorecida pelo transporte metro-ferrovirio pela presena da linha 10 da CPTM que se conecta s linhas 2 e 3 do metr e 11 e

    12 da CPTM.

    Sua ocupao aconteceu na maior parte entre as dcadas de 1940 e 1970, quando as margens da Estrada de Ferro

    Santos-Jundia j estavam saturadas, portanto, para que se pudessem estender as indstrias para alm da faixa lindeira ferrovia foi

    necessrio criar um desvio que garantisse o acesso. Este sistema operou por algumas dcadas at quando os caminhes assumiram

    quase todo o transporte de carga, que resultou em mudanas fsicas nas fbricas inclusive no deslocamento de uma srie delas para

    outras reas.

    Os bairros vizinhos, que se industrializaram algumas dcadas antes, esto em claro processo de desindustrializao com

    substituio de usos e edifcios, semelhante a toda a orla ferroviria, do Ipiranga Lapa, assim como s margens do Rio Pinheiros, nos

    bairros Santo Amaro, Socorro, Vila Leopoldina e Jaguar que apresentam diversas semelhanas entre si, a comear pelo uso industrial

    e pela formao ligada ferrovia, mas principalmente porque a indstria vem sendo substituda por diversos empreendimentos do

    Acima: metrple, virio estrutural e hidroanel, com indicao da rea de estudo. Abaixo: delimitao do permetro da Barroca

    Fonte das imagens: Google Earth

  • mercado imobilirio, notadamente com o padro de condomnios verticais fechados, resultando em grandes prejuzos socioculturais,

    e nos alerta sobre cenrios futuros para a rea de estudo, apesar das diferenas nos processos como se ver adiante, desindustria-

    lizao no um termo que se possa utilizar para o nosso caso.

    Este caderno foi dividido em trs partes, a primeira de fundamentao terica que se constituir da anlise da formao da

    metrpole de So Paulo e sua industrializao, assim como de aspectos sociais e morfolgicos da cidade; na segunda Em seguida tra-

    taremos sobre os processos de ocupao e industrializao dos bairros Bras e Ipiranga enquanto exemplares sobre a transformao

    funcional; sobre o processo de desconcentrao industrial. Da ento faremos a anlise formal da Barroca; de projetos existentes e da

    Operao Urbana Mooca-Vila Carioca, e por fim a construo de cenrios possveis de transformao.

    Constituem a segunda parte os fundamentos do projeto: apresentam-se os objetivos e diretrizes do projeto, dados sobre

    os aspectos demogrficos envolvidos, para da ento adentrarmos em consideraes sobre projetos de mobilidade e o impacto direto

    ou indireto na Barroca e no programa, como tambm faremos com uma breve discusso sobre patrimnio histrico.

    Por fim, numa terceira parte, viro as imagens de apresentao do projeto e o memorial descritivo em si, acompanhado

    de uma sntese.

    A fim de compreender a insero histrica e espacial da Barroca na metrpole de So Paulo vamos discorrer sobre a

    formao da cidade, o processo de ocupao da Barroca - em paralelo com os bairros Brs e Ipiranga - e, em especial, sobre a indus-

    trializao. Este ponto nos permitir entender que a Barroca guarda semelhanas e diferenas em relao a seus vizinhos, assim como

    suas particularidades que devem ser levadas em conta quando pensarmos em intervir. Escritrios de arquitetura, poder pblico e

    imprensa consideraram todo o eixo entre a Mooca e a Vila Prudente como homogneo, portanto em desindustrializao, vazio, e

    veremos que isso no verdadeiro. H processos correntes de transformao da indstria, em escala local e macrometropolitana que

    devem ser contemplados pra que construamos cenrios mais precisos.

    J a partir do estudo sobre a formao do territrio da metrpole vamos fundamentar uma crtica cidade em termos

    morfolgicos e sociais, baseando-nos no padro de edificao recente do mercado imobilirio (uma vez que este o modelo em-

    pregado nas transformaes da Mooca e Ipiranga) e tomando-o como a permanncia de uma postura secular e reproduo de uma

    cidade socialmente fragmentada e com problemas na organizao das diversas atividades. Esta crtica nos permite ver como e como

    poderia ser a cidade, quais foram as oportunidades no aproveitadas, os elementos desconsiderados, assim como os acertos e as

    caractersticas em que devemos nos basear.

    J caminhando para a organizao das propostas do projeto vamos construir cenrios a partir da anlise de dois projetos

    existentes, do escritrio Una Arquitetos e Foster+partners e tambm da Operao Urbana Mooca-Vila Carioca, bem como dos

    estudos sobre a desconcentrao industrial e dos planos de transporte. Sero trs cenrios: um primeiro de nenhuma transforma-

    o, que tudo continuar como est; um segundo de transformao completa, com manuteno de poucos edifcios e caractersticas

    existentes; e um terceiro de preservao de parte dos edifcios e das atividades acrescidos de habitao, comrcio, servios, equipa-

    mentos pblicos, etc. que fundamentou o projeto que desenvolvemos. Este cenrio ser aprofundado na segunda parte do estudo,

    quando descreveremos quais os objetivos, diretrizes e o programa que nortearam o projeto.

  • Tambm vamos discutir quais as condies que devem ser construdas para que o cenrio imaginado seja possvel e se

    justifique, com enfoque sobre a mobilidade, no s de pessoas, mas tambm de cargas a partir de projetos e planos existentes e de

    propostas nossas, alm de consideraes sobre a reduo do uso do automvel.

    Outro ponto de extrema importncia o debate sobre a preservao de edifcios histricos e qual a postura que teremos

    sobre, uma vez que h centenas de galpes construdos nos ltimos 80 anos que acumularam grande testemunho das relaes sociais

    e de trabalho, da evoluo da indstria e do lugar e das tcnicas construtivas e produtivas.

    Ao longo de todo o estudo sero apresentados textos, fotografias, croquis, msicas, pessoais ou de pessoas que acom-

    panharam de alguma fora este trabalho ou a formao acadmica. Isto nasce da vontade de fazer com que este trabalho no fosse

    expresso de desejos e observaes individuais sobre a cidade seno coletivos, que se no se manifestaram diretamente com a

    produo coletiva do projeto tal como se planejava, se manifestar em adendos oportunamente. Estes adendos completam o texto,

    e so, sobretudo, referncias de projeto.

  • contedo

    ASPECTOS DA FORMAO DO TERRITRIO 19INDSTRIA 20

    SUBURBANIZAO 22

    PADRO PERIFRICO DE URBANIZAO: 26

    ASPECTOS SOCIAIS E MORFOLGICOS O RELEVO 29

    LOGRADOURO E CONDOMNIOS VERTICAIS FECHADOS 30

    ESPAOS LIVRES PBLICOS 34

    EDIFCIOS, FORMA URBANA E CLIMA 38

    DISTRIBUIO DE ATIVIDADES 39

    OCUPAO E INDUSTRIALIZAO 46BRS 46

    IPIRANGA 47

    BARROCA 48

    DESCONCENTRAO INDUSTRIAL 52

    A BARROCA 58

    PROJETOS E OPERAO URBANA 66

    CENRIOS 69

    OBJETIVOS E DIRETRIZES 75

    ASPECTOS DEMOGRFICOS 76

    MOBILIDADE 78PDDT 78

    RODOANEL, FERROANEL E CLI 80

    HIDROANEL 81

    SEGREGAO DE VIAS 82

    A CIRCULAO DE SERVIOS 82

    TREM DE ALTA VELOCIDADE 85

    METR 86

    REDUO DO USO DO AUTOMVEL 87

    PATRIMNIO HISTRICO 88EDIFICIOS PRESERVADOS: 92

    PLANTAS E CORTES 101

    MEMORIAL DESCRITIVO. 124