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  • MMoonntteeiirroo LLoobbaattoo

    HHiissttrriiaa

    ddaass IInnvveenneess

    CRCULO DO LIVRO

  • CRCULO DO LIVRO S.A.

    Caixa postal 7413

    01051 So Paulo, Brasil

    Edio integral

    Copyright by herdeiros de Monteiro Lobato

    Layout da capa: Tide Hellmeister

    Ilustraes: Jorge Kato (coordenao), Izomar Camargo Guilherme (capas),

    Adilson Fernandes, Carlos Avalone Rocha,

    Eli Marcos Martins Leon, Luiz Padovin, Michio Yamashita,

    Miriam Regina da Costa Arajo, Paulo Edson,

    Roberto Massaru Higa, Roberto Souto Monteiro

    Licena editorial para o Crculo do Livro por cortesia dos herdeiros de

    Monteiro Lobato e da Editora Brasiliense S.A.

    Venda permitida apenas aos scios do Crculo

    Composto pela Linoart Ltda.

    Impresso e encadernado pelo Crculo do Livro S.A.

    2468 10 97531

    85 87 89 88 86

  • Como tem ocorrido com outros volumes da coleo

    MONTEIRO LOBATO, mantivemos nesta obra os dados originais

    em que se baseou Lobato para escrev-la.

    Por essa razo, o leitor poder encontrar referncias

    desatualizadas.

    Os editores

  • HHiissttrriiaa

    ddaass

    iinnvveenneess

  • Dona Benta costumava receber livros novos, de cincias, de arte,

    de literatura. Era o tipo da velhinha novidadeira. Bem dizia o compadre

    Teodorico: "Dona Benta parece velha mas no , tem o esprito mais

    moo que o de jovens de vinte anos".

    Assim foi que naquele bolorento ms de fevereiro, em que era

    impossvel botar o nariz fora de casa, de tanto que chovia, resolveu

    contar aos meninos um dos ltimos livros chegados.

    Tenho aqui um livro de Hendrik van Loon disse ela , um

    sbio americano, autor de coisas muito interessantes. Ele sai dos

    caminhos por onde todo mundo anda e fala das cincias dum modo que

    tudo vira romance, de to atrativo. J li para vocs a geografia que ele

    escreveu e agora vou ler este ltimo livro Histria das invenes do

    homem, o fazedor de milagres.

    Era um livro grosso, de capa preta, cheio de desenhos feitos pelo

    prprio autor. Desenhos no muito bons, mas que serviam para

    acentuar suas idias.

    E quando comea? quis saber Narizinho.

    Hoje mesmo, no sero. Podemos comear logo depois do

    rdio.

  • J havia l no stio um rdio de ondas curtas, que pegava as

    irradiaes de numerosas estaes estrangeiras, Estados Unidos,

    Inglaterra, Alemanha, Rssia, e "depois do rdio" queria dizer depois

    das sete horas, porque das seis s sete nunca deixavam de apanhar a

    irradiao de Pittsburgh, que uma das estaes estrangeiras de maior

    fora.

    Terminada naquele dia a hora de Pittsburgh, todos se reuniram

    em redor de Dona Benta, ainda com os ouvidos cheios das msicas e

    falaes americanas.

    Comece, vov! disse Pedrinho. E Dona Benta comeou.

    Este livro no para crianas disse ela; mas se eu ler

    do meu modo, vocs entendero tudo. No tenham receio de me

    interromperem com perguntas, sempre que houver qualquer coisa

    obscura. Aqui est o prefcio. . .

    Que prefcio? perguntou Emlia.

    So palavras explicativas que certos autores pem no comeo

    do livro para esclarecer os leitores sobre as suas intenes. O prefcio

    pode ser escrito pelo prprio autor ou por outra pessoa qualquer. Neste

    prefcio o Senhor van Loon diz que antigamente tudo era muito

    simples. . .

    Tudo o qu? interrompeu Pedrinho.

    A explicao das coisas do mundo. A Terra formava o centro

    do universo. O cu era uma abbada de cristal azul onde noite os

    anjos abriam buraquinhos para espiar. Esses buraquinhos formavam

    as estrelas. Tudo muito simples.

    Mas depois as coisas se complicaram. Um sbio da Polnia, de

    nome Nicolau Coprnico, publicou um livro no qual provava que a Terra

    no era fixa, pois girava em redor do Sol, e as estrelas no eram

    brinquedinhos dos anjos, sim sis imensos, em redor dos quais giravam

    milhes de terras como a nossa.

    Isso veio causar uma grande trapalhada nas idias assentes, isto

    , nas idias que estavam na cabea de todo mundo e por um triz

    no queimaram vivo a esse homem. Afinal a sua idia venceu e hoje

  • ningum pensa de outra maneira.

    A astronomia, que a cincia que estuda os astros, tomou um

    grande desenvolvimento. Os astrnomos foram descobrindo coisas e

    mais coisas, chegando perfeio de medir a distncia dum astro a

    outro, e pesar a massa desses astros. As distncias entre os astros

    eram to grandes que as nossas medidas comuns se tornaram

    insuficientes. Foi preciso criar medidas novas medidas astronmicas.

    Por qu? perguntou Narizinho. Com o quilmetro a

    gente pode medir qualquer distncia. s ir botando zeros e mais

    zeros.

    Parece, minha filha. As distncias entre os astros so

    tamanhas que para medi-las com quilmetros seria necessrio usar

    carroadas de zeros, de maneira que no haveria papel que chegasse. E

    ento os astrnomos inventaram o "metro astronmico", ou a "unidade

    astronmica", que como eles dizem. Essa unidade, esse metro, tinha

    92 900 000 milhas.

    Que colosso, vov! Eu acho que fizeram um metro grande

    demais. . .

    Pois est muito enganada, minha filha. As distncias entre a

    Terra e as novas estrelas, que com os modernos telescpios foram sendo

    descobertas, acabaram deixando essa medida pequena. E ento o

    astrnomo Michelson props outra medida: o ano-luz.

    Que histria essa?

    Michelson verificou que a luz caminha com a velocidade de

    299 820 quilmetros por segundo. Multiplicou esse nmero por 60 para

    obter a velocidade da luz num minuto, ou um minuto-luz. Depois

    multiplicou isso por 60 para obter a velocidade da luz numa hora, ou

    uma hora-luz. Depois multiplicou isso por 24 para obter um dia-luz, e

    finalmente multiplicou o dia-luz por 365 para obter o tal ano-luz.

    E que obteve?

    Obteve 9 455123 520 000 quilmetros. Quer dizer que num

    ano um raio de luz caminha a distncia de 9 trilhes, 455 bilhes, 123

    milhes, 520 mil quilmetros.

  • Puxa! exclamou Pedrinho. At d tontura na gente.. .

    Pois isso. Os astrnomos tiveram de criar esse monstruoso

    metro para medir a distncia entre os astros; e, por imenso que seja tal

    metro, mesmo assim eles tm que recorrer aos zeros para a medio de

    certas distncias. J se conhecem astros distncia de 30 000 anos-luz

    de nossa Terra, imaginem!

    - Cspite!

    Pois bem, isto que os astrnomos fizeram para os astros,

    outros homens de cincia fizeram para o contrrio dos astros, isto ,

    para as molculas e tomos, que so coisinhas infinitamente pequenas.

    Chegaram a medir tomos que tm o tamanhinho de uma trilionsima

    parte de milmetro.

    Ser possvel? Um milmetro j uma isca que a gente mal

    percebe. . .

    Imagine agora o que um milmetro dividido em um trilho

    de partes iguais! Isto serve para mostrar at onde vai o homem com a

    sua cincia. Mede a distncia entre a Terra e um astro que est a 30

    000 anos-luz daqui; e mede uma partcula de matria que tem l/l 000

    000 000 000 de milmetro. Ora, neste livro o Senhor van Loon trata de

    mostrar como esse bichinho homem, que j foi peludo e andava de

    quatro, chegou a desenvolver seu crebro a ponto de medir a distncia

    entre os astros e a calcular o tamanho dos tomos.

    Como foi isso?

    Inventando coisas. O homem um grande inventor de coisas,

    e a histria do homem na Terra no passa da histria das suas

    invenes com todas as conseqncias que elas trouxeram para a vida

    humana. mais ou menos isto o que Van Loon diz neste prefcio.

    Vamos agora ver o captulo nmero 1.

    Depois da pipoca, vov! gritou Narizinho farejando o ar.

    De fato: da cozinha vinha para a sala o cheiro das pipocas que

    Tia Nastcia estava rebentando. Pipocas noite foi coisa que nunca

    faltou no stio de Dona Benta.

  • I

    OO bbiicchhoo iinnvveennttoorr

    Depois que na peneira de pipocas s ficaram os pirus, isto , os

    gros de milho que no rebentam, Dona Benta continuou:

    Van Loon comea este captulo assim: "Um belo dia um

    grozinho de p pesando apenas 6 000 000 000 000 000 000 000 000

    000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 de toneladas

    destacou-se do Sol para comear sua vida prpria pelo espao".

    Nossa Senhora! exclamou a menina. Nem Quindim

    capaz de ler esse nmero.

    E esse fato continuou Dona Benta no causou

    nenhuma perturbao no cu. Era to pequenininho o tal gro de p

    destacado do Sol, que nenhuma das outras estrelas deu pela coisa.

    nesse microscpico gro de poeira que vivemos, meus filhos. Somos

    uma poeirinha viva sobre esse grozinho de poeira astronmica. . . E os

    outros astros so tambm gros de poeira, com certeza habitados por

    seres absolutamente incompreensveis para ns. Pois bem, no nosso

  • grozinho de poeira formou-se a vida, surgiram os animais, que so

    seres com vida, e pelo espao de milhes e milhes de anos os animais

    se foram revezando no domnio da Terra, ora vencendo uma espcie, ora

    vencendo outra, at que apareceu o homem, o atual vencedor.

    Atualmente s, vov? No poder ficar o vencedor sempre?

    Impossvel responder, minha filha. Assim como no animal

    homem surgiu essa inteligncia que lhe deu