monografia - relacao de emprego e contrato de trabalho

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Captulo I

51

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

CENTRO DE CINCIAS JURDICAS

DEPARTAMENTO DE DIREITO PBLICO E CINCIA POLTICA

RELAO DE EMPREGOE

CONTRATO DE TRABALHOOrientanda: Anna Claudia de Vasconcellos

Orientador: Prof. Estevo Riegel

Florianpolis, 2 de junho de 1.997.

A presente Monografia entitulada Relao de Emprego e Contrato de Trabalho, elaborada por Anna Claudia de vasconcellos e aprovada pela banca examinadora composta pelos Professores abaixo assinados, obteve a aprovao com nota 9,5 (nove e meio), sendo julgada adequada para o cumprimento do requisito legal previsto no art. 9. da Portaria n. 1.886/94/MEC, regulamentado na UFSC pela Resoluo n. 003/95/CEP.

Prof. Orientador Estevo Valmir Torelli Riegel

Prof. Alexandre Luiz Ramos

Prof. Hlio Henrique Garcia Romero

AGRADECIMENTOS

Ao caro Professor Estevo Riegel, pela ateno dispendida e pelas opinies sempre construtivas.

A meus pais, Aulo e Anna,sem os quais eu no teria chegado at aqui.

vov Alzair, a meus tios e tias queridos, em especial ao tio Toninho e tia Conceio, pela pacincia e prontido.

A todos os amigos, que de uma forma ou de outra me ajudaram na realizao deste trabalho.

Muitssimo obrigada.

Sumrio

INTRODUO

Captulo I

EVOLUCO HISTRICA

1 - ASPECTOS GERAIS

1.1 -Escravido

1.2 - Servido

1.3 - Salariato

2 - ASPECTOS BRASILEIROS

2.2 - O Direito do Trabalho e as Constituies Brasileiras

2.2.1 - Constituio de 1824

2.2.2 - Constituio de 1891

2.2.3 - Constituio de 1934

2.2.5 - Constituio de 1946

2.2.6 - Constituio de 1967 (carta outorgada)

2.2.7 - Constituio de 88

Captulo II

1 - A Constituio de 88 e os Direitos Sociais Trabalhistas

2 - Direitos Individuais do Trabalhador

3 - Contrato de Trabalho e Relao de Emprego

3.1 - Contrato de Trabalho

3.2 - Relao de Emprego

Captulo III

1. Desvirtuamentos da Relao Empregatcia

1.1 - Cooperativismo

1.2 - Terceirizao

1.3 - Economia Informal

CONCLUSO

REVISO BIBLIOGRFICA

INTRODUO

Atravs do estudo a partir de agora empreendido buscaremos traar um panorama da situao da relao de emprego no atual contexto histrico, econmico e jurdico.

A inteno primordial analisar o vnculo scio-econmico-jurdico estabelecido entre o titular do empreendimento empresarial e o trabalhador, com apontamento de seus aspectos positivos e negativos, sem esquecer do papel do judicirio.

A partir de seu nascimento, ocorrido em meio a muita luta, especialmente dos trabalhadores, at hoje, tentaremos esboar um perfil dessa relao dinmica, em constante mutao, sensvel a qualquer mudana estrutural do mercado e da poltica.

Dentre outros aspectos procurar-se- dar ateno situao de subordinao/sujeio do trabalhador frente a um mercado de trabalho saturado, uma economia desigual e o poder/dever empregatcio do empreendedor, sempre apto a impor normas ou tendncias que, via de regra, beneficiam a seus prprios mentores.

Procurar-se-, da mesma forma, pensar a validade das normas jurdicas de defesa e garantia do trabalho, bem como a eficincia da atuao do judicirio nas questes trabalhistas, demonstrando as perdas sofridas pelos trabalhadores decorrentes da Revoluo Tecnolgica, dos ideais neoliberalistas aplicados poltica (no-interveno estatal) e ao mercado (alta especializao dos trabalhadores, diminuio do quadro de pessoal das empresas, que passam a se preocupar e se responsabilizar - diretamente - to-somente por sua atividade-fim), do enfraquecimento dos movimentos trabalhistas e da crise conjuntural pela qual passa a questo do emprego.

A metodologia empregada para feitura da presente monografia foi desenvolvida a partir da leitura e fichamento de obras e de artigos de revistas jurdicas, com sua posterior conjugao, juntamente com as informaes colhidas nos diferentes canais de comunicao/informao disponveis acerca do assunto, utilizados em sua maioria de forma acessria.

Tudo isso procurando atingir uma meta que a consecuo de um trabalho de finalizao do Curso de Direito, que possa de alguma forma contribuir para o enriquecimento daqueles que a ele se reportem futuramente.Captulo I - EVOLUCO HISTRICA

1 - ASPECTOS GERAIS

Inicialmente o trabalho era realizado objetivando-se a subsistncia. Na medida em que as necessidades humanas foram aumentando o trabalho deixou de ser uma relao individual passando a constituir-se de uma relao social entre indivduos, e esta ltima, por sua vez, que determina a condio histrica do trabalho. Segundo Carlos Roberto de Oliveira o processo histrico do trabalho compreendido como sendo a forma como os homens produzem os meios materiais para a satisfao de suas necessidades. Desde o surgimento de uma relao social de trabalho trs sistemas fundamentais reflectivos de uma estrutura econmica, so identificados: a escravido, o servilismo e o salariato.

A escravido foi a relao de trabalho predominante da Idade Antiga, nela o trabalhador era visto como coisa, parte integrante do patrimnio. J na Idade Mdia identifica-se o servilismo como principal forma de relao de trabalho. Menos objeto que o escravo, neste perodo o trabalhador era considerado um servo da terra. Na idade moderna o trabalhador comea a se tornar sujeito de direitos e obrigaes, sendo aqui o palco da transio das formas servis de relao de trabalho para a capitalista. Caracteriza-se essa transio pelo surgimento e desenvolvimento do mercantilismo e das manufaturas (surgidas em contraposio s corporaes de ofcio). E por fim com o advento do capitalismo inaugura-se a Idade Contempornea, marcada pelo regime de trabalho conhecido como salariato, no qual o trabalhador vende sua fora de trabalho ao tomador de servios, e pelas conquistas trabalhistas nos planos econmico e social.

Veremos agora, de forma suscinta, as particularidades de cada sistema produtivo, tomando por base o tipo de relao de trabalho existente e suas respectivas pocas de emergncia.

1.1 -Escravido

Sua origem remonta aos primrdios da histria humana. A caracterstica fundamental desse sistema produtivo o estado de perptua e absoluta subordinao do trabalhador ao seu dono/senhor, exercente da plena in re potesta. O escravo rene em si duas funes: a de produtor direto, por ser aquele que produz, e de meio de produo, j que, rebaixado ao nvel de mero instrumento para explorao, coisa e como tal pode ser objeto de comrcio. Nas formaes escravistas a relao econmica marcada pela dominao absoluta do capital sobre o trabalho, sendo, a relao de trabalho, identificada pela subordinao total de um indivduo por outro. Antes porm de se analisar as sociedades escravistas propriamente ditas, vamos fazer uma rpida incurso as formaes sociais anteriores quelas, conhecidas por formaes primitivas e asiticas, estas ltimas estudadas por Marx.

As sociedades sem classe existentes nas formaes primitivas eram predominantemente comunitrias em suas relaes de produo (produto do trabalho como propriedade coletiva). Estas deram origem as formaes asiticas, marcadas pelo aparecimento do Estado e das formas de explorao de classe. Essa mudana originou-se em decorrncia do desenvolvimento da agricultura, que permitiu a produo de excedentes regulares, gerando diferenas em sua distribuio e permitindo, por sua, vez, o domnio de uma unidade produtora (comunidade alde) por outra.

As formaes asiticas funcionavam atravs das comunidades aldes que tinham funo produtiva nas terras do Estado, controladas pela comunidade superior atravs de mecanismos jurdicos, polticos e ideolgicos que buscam a legitimao de sua funo exploradora. nesse contexto que surge a figura do rei (dspota oriental), representante hereditrio da funo dominante; determinante da funo da comunidade superior; marco da prevalncia do smbolo de imposio da cooperao entre as comunidades inferiores para a realizao do trabalho e da produo. Representa, tambm, a converso do poder como funo em poder de explorao.

Nas formaes asiticas a explorao do trabalho denominada por Marx de escravismo generalizado. Diferencia-o do escravismo greco-romano pois ao contrrio deste, aquele mantm a idia de liberdade pessoal do indivduo. O lao de dependncia no mantido de indivduo para indivduo, mas mediante a explorao das comunidades locais pela comunidade superior.

Na produo rural prevalece a cooperao, sendo que diretamente dependente desta produo encontram-se as poucas cidades existentes na poca, que nada mais eram que ncleos administrativos, mantidos pelo excedente da produo rural, visando, sobretudo, a manuteno do poder e do prestgio da corte. O trabalho urbano, predominantemente artesanal, era desenvolvido em consonncia com estes interesses. O comrcio era praticado monopolisticamente pelo rei e dominado pelo intercmbio de produtos in natura (sistema de troca).

Das formaes asiticas sobrevieram as formaes antigas. Surgiram com o aparecimento e desenvolvimento da propriedade privada da terra como privilgio de uma determinada classe, sendo o Estado agente legitimador dessa apropriao.

As formaes antigas so, segundo MARX,

formaes de pequena economia agrria e prtica de ofcios independentes (que) formam, por sua vez, a base econmica da comunidade clssica em seus melhores tempos, depois de desmoronar-se o coletivismo primitivo e antes de que o escravismo se aproprie da produo.

Resultado da dissoluo das relaes antigas de produo, as formaes escravistas so estruturadas a partir da mercantilizao da economia (o mvel do escravismo) e dos conflitos sociais que liberam o cidado do domnio da aristocracia tradicional, marcando a transio das formaes antigas para as escravistas. E estas formaes representaram a in