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<p>1</p> <p>CENTRO UNIVERSITRIO DE JOO PESSOA UNIP DEPARTAMENTO DE CINCIAS JURDICAS CURSO DE DIREITO</p> <p>LLIAN MACHADO RAIMUNDO DE LIMA</p> <p>MINISTRIO PBLICO E A EFETIVIDADE DA SUA AUTONOMIA FRENTE S INTERVENES DO PODER EXECUTIVO</p> <p>JOO PESSOA/PB 2009.2</p> <p>2</p> <p>LLIAN MACHADO RAIMUNDO DE LIMA</p> <p>MINISTRIO PBLICO E A EFETIVIDADE DA SUA AUTONOMIA FRENTE S INTERVENES DO PODER EXECUTIVO</p> <p>Monografia apresentada Banca Examinadora do Departamento de Cincias Jurdicas do Centro Universitrio de Joo Pessoa UNIP, como exigncia parcial para obteno do grau de Bacharel em Direito. Orientador: Prof. Ms. Eduardo Varandas Araruna. rea: Direito Constitucional.</p> <p>JOO PESSOA/PB 2009.2</p> <p>3</p> <p>L213m</p> <p>LIMA, Llian Machado Raimundo de Ministrio Pblico e a efetividade da sua autonomia frente s intervenes do Poder Executivo / Llian Machado Raimundo de Lima Joo Pessoa, 2009. 70f. Monografia do Curso de Bacharelado em Cincias Jurdicas Centro Universitrio de Joo Pessoa UNIP. 1. Ministrio Pblico. 2. Histria. 3. Organizao. I. Titulo.</p> <p>BC/UNIP</p> <p>LLIAN MACHADO RAIMUNDO DE LIMA</p> <p>CDU 351</p> <p>4</p> <p>MINISTRIO PBLICO E EFETIVIDADE DA SUA AUTONOMIA FRENTE S INTERVENES DO PODER EXECUTIVO</p> <p>BANCA EXAMINADORA</p> <p>______________________________ Prof. Ms. Eduardo Varandas Araruna Orientador</p> <p>______________________________ Membro da Banca Examinadora</p> <p>______________________________ Membro da Banca Examinadora</p> <p>JOO PESSOA/PB 2009.2</p> <p>5</p> <p>Dedico este trabalho ao meu pai, o representante ministerial mais ldimo que a Paraba j conheceu. E minha me, alicerce inexpugnvel, sobrevivente das mais rigorosas intempries da vida.</p> <p>AGRADECIMENTOS</p> <p>6</p> <p>Em primeiro plano, rendo graas fora suprema regente deste universo, Deus, pelas bnos derramadas em minha vida, nomeadamente no restabelecimento da minha sade, sem a qual seria impossvel elaborar uma nica pgina desta obra; Aos meus pais, Jos Raimundo de Lima e Maria Margarete Machado de Lima, paradigmas irretocveis de probidade, determinao e coragem, em uma sociedade onde os valores morais foram, h muito tempo, distorcidos em prol das facilidades, por vezes escusas, da era contempornea; Aos meus irmos, Fabiana Machado Raimundo de Lima, Hiplito Machado Raimundo de Lima, Jos Raimundo de Lima Filho e Vvian Rayssa Machado Raimundo de Lima, pelo incentivo a todos os projetos em que estive envolvida, no mbito da minha formao jurdica; Ao meu querido amigo, por coincidncia tambm meu orientador, Dr. Eduardo Varandas Araruna, pelas valorosas consideraes, no tocante ao direcionamento deste trabalho e, mais do que isto, pela paixo e excelncia com que desempenha suas atividades, tanto as ministeriais quanto o magistrio, constituindo-se num verdadeiro exemplo de prodigiosidade acadmica e vanguardismo funcional, inspirando, deste modo, s futuras geraes de pretensos membros do Parquet a buscarem, efetivamente, dias melhores para a sociedade; minha valorosa e indispensvel amiga, Isabelle Pereira Lopes, to presente em todos os momentos decisivos da minha existncia, a quem dispenso as maiores estimas e agradecimentos, no s pelo empenho em conduzir-me na produo deste trabalho, mas pelos firmes laos fraternais, edificados em mais de dez anos de convivncia, testemunhos reais da no extino, no globo terrestre, da amizade verdadeira; A todos os meus professores do Colgio Nossa Senhora de Lourdes, minha segunda casa por quatorze anos, especialmente equipe de Lngua Portuguesa, verdadeiros incentivadores das minhas paixes adolescentes, hoje transformadas no ofcio, por mim escolhido, para a maturidade; minha colega de classe, Edna de Lourdes Leite Brasilino, pela abdicao em ajudar quem a ela recorresse, sem se importar com as manifestaes mesquinhas das quais, por vezes, foi vtima. Uma mulher forte e destemida, carssima companheira do convvio universitrio, a voc minhas mais verdadeiras reverncias; s minhas chefes, Dra. Dris Ayalla Anacleto Duarte, Dra. Ivete Lenia Soares de Oliveira Arruda e Dra. Judith Maria de Almeida Lemos Evangelista, pela compreenso com os meus encargos universitrios e pelo desprendimento de me liberarem dos afazeres profissionais, nos momentos em que ficou impossvel conciliar as atribuies de aluna e de Oficial de Promotoria; minha companheira de cartrio, hoje grande amiga, Gilmara Lacerda Dantas de Souza, por suportar, sozinha, as sobrecargas da Infncia Infracional, durante os meus afastamentos, sejam por motivo de sade, sejam em virtude de outras causas, igualmente escusveis;</p> <p>7</p> <p>Ao meu namorado, Pedro Srgio Dias de Oliveira Jnior, pela abnegao da nossa convivncia, durante todo o tempo dedicado confeco desta monografia, sem jamais reclamar das minhas ausncias, das minhas indisposies ou das minhas oscilaes de humor. Obrigado, meu querido, por tudo; Enfim, a todos os participantes, diretos ou indiretos, da minha trajetria acadmica, que devem ter a certeza de no jazer no esquecimento qualquer colaborao a mim concedida: Allan Carlos Silva Quintes, Ana Carolina de Arajo Carneiro de Almeida, Anderson Roberto Oliveira de Souza, Bernadete do Valle, Eduardo Ricarte, Ignez Andrade e tantos outros que, infelizmente, no foram aqui nominados.</p> <p>8</p> <p>Com o povo asfixiado e espoliado, no h democracia; com as distncias e abismos sociais, no existe unidade; com dependncia econmica, no h soberania; com a explorao do homem pelo homem, no h Justia, nem Paz. Roberto Lyra</p> <p>RESUMO</p> <p>9</p> <p>Este trabalho monogrfico tem por desiderato precpuo o exame crtico da autonomia do Ministrio Pblico, buscando precisar at onde as ingerncias externas so nocivas ao bom desempenho de sua atividade finalstica. A inspirao, motivadora do desenvolvimento da monografia em descortino, adveio das indagaes formuladas sobre como foras polticas, fulcradas no mago subjetivo das autoridades que as detm, tm o condo de desestabilizar a iseno de nimo necessria aos membros do Parquet, nomeadamente da sua chefia. Atravs de uma pesquisa preponderantemente bibliogrfica, asseverou-se a necessidade de mudar alguns dispositivos normativos, reguladores das questes ministeriais, por ferirem a imparcialidade e, num segundo plano, os direitos de auto-gesto do rgo, to imprescindveis s funes confiadas, pela Constituio Federal, Instituio. No intento de solucionar a problemtica ora desposada, o desfecho desta produo textual se d no sentido de construir alternativas com energia suficiente para reverter o panorama aqui delineado, libertando o Ministrio Pblico por intermdio dos princpios do Estado Democrtico de Direitos, cumulados com aqueles que norteiam a Administrao Pblica, quais sejam: a Democracia, a Impessoalidade e a Moralidade Administrativa. Palavras-chave: Ministrio Pblico. Histria. Organizao. Autonomia.</p> <p>SUMRIOINTRODUO................................................................................................... 11</p> <p>10</p> <p>CAPTULO I EVOLUO HISTRICA DO MINISTRIO PBLICO............................................................................................................. 141.1 Egito Antigo.................................................................................................... 1.2 Grcia Antiga.................................................................................................. 1.3 Roma Antiga................................................................................................... 1.4 Idade Mdia..................................................................................................... 1.5 A Sedimentao Institucional do Ministrio Pblico.................................. 1.6 A Etimologia das Expresses: Ministrio Pblico e Parquet............. 1.7 O Desenvolvimento da Instituio em Portugal..........................................</p> <p>14 15 16 17 19 22 24</p> <p>1.8 A Evoluo do Parquet em Terras Brasileiras............................................. 27 1.9 A Reinveno da Democracia Brasileira...................................................... 31</p> <p>CAPTULO II O MINISTRIO PBLICO NO ORDENAMENTO JURDICO BRASILEIRO CONTEMPORNEO........................................ 342.1 A Nova Ordem Ministerial.............................................................................. 34 2.2 Conceito Formal e Natureza Jurdica do Ministrio Pblico...................... 35 2.3 Disposio Organizacional........................................................................... 2.4 Garantias e Prerrogativas Indispensveis ao Mnus Ministerial.............. 2.5 Deveres e Vedaes Inerentes aos Membros Integrantes do Parquet.....</p> <p>38 43 51</p> <p>CAPTULO III O MINISTRIO PBLICO E A NECESSIDADE DE EFETIVA AUTONOMIA ANTE S INTERVENES DO PODER EXECUTIVO........................................................................................ 553.1 A Autonomia e os Princpios Expressos no Art. 127, 1, da CF/1988....</p> <p>55</p> <p>3.2 Autonomia Funcional..................................................................................... 57 3.3 Autonomia Administrativa............................................................................. 57</p> <p>11</p> <p>3.4 Autonomia Financeira.................................................................................... 61</p> <p>CONSIDERAES FINAIS............................................................................ 65 REFERNCIAS................................................................................................. 67</p> <p>INTRODUOO presente trabalho tem como desiderato precpuo cumprir os requisitos exigidos para a concluso do curso de Bacharelado em Direito no Centro</p> <p>12</p> <p>Universitrio de Joo Pessoa. Para perfaz-lo com xito, no entanto, necessria seria a escolha de uma temtica revestida de significao no ambiente jurdico, e, por tais motivos, optamos por nos debruar sobre a anlise das potenciais ingerncias do Poder Executivo na esfera ministerial e as razes motivadoras desse tipo de postura. No correr da evoluo histrica da humanidade, existiram algumas figuras que guardavam similitude com os representantes hodiernos do Parquet . No raro, essas funes tinham sua razo de ser na proteo dos interesses dos monarcas, suscitando, na Idade Medieval, o surgimento do rgo objeto de nossas consideraes. Essas influncias permaneceram arraigadas ao paradigma inicial de Ministrio Pblico, perdurando at o declnio do absolutismo desptico, quando a Instituio passou, gradativamente, a se voltar para as pretenses do povo, que clamava avidamente por mudanas na sistemtica vigente poca. Transcorrido algum tempo, o rgo em apreo adquiriu contornos independentes, mas resqucios das antigas intervenes dos chefes de governo continuaram a existir at os dias atuais. Diante disto, nossa problemtica se consolida quando perquirimos as conseqncias dessa vinculao entre o Parquet, hoje ostentador de inmeras funes de fiscalizao dos poderes federativos, e os lderes do Poder Executivo, tanto o Presidente da Repblica quanto os Governadores de Estado, indagando se essa ligao, de ndole subjetiva, no afetaria a iseno de nimo necessria direo do Ministrio Pblico. Doutra banda, ainda vislumbraremos as outras vertentes da autonomia revelada pelo rgo sub exame, vislumbrando se, apesar dos mecanismos de proteo estabelecidos pela Carta-Cidad e por outras leis, nomeadamente aquelas relativas Responsabilidade Fiscal, so hbeis o suficiente para impedir intromisses desnecessrias nas questes financeiras da Instituio. Diante disso, a presente monografia objetiva apontar as implicaes desse tipo de postura luz dos mandamentos constitucionais vigentes e dos demais diplomas normativos aplicveis matria. Deste modo, poderemos sopesar os benefcios e os prejuzos auferidos pela sociedade, caso tal modelo venha a se</p> <p>13</p> <p>perpetuar no ordenamento jurdico brasileiro, por defendermos a necessidade de extirparmos prticas atentatrias dos primados do Estado Democrtico de Direitos. A justificativa para nossa pesquisa reside na contradio existente no prprio texto constitucional que, se por um lado assegura autonomia institucional ao Ministrio Pblico, de outro estabeleceu uma variedade considervel de medidas de controle externo, comprometendo, desta feita, o regular desenvolvimento das funes ministeriais. Tendo em vista a relevncia da discusso aqui encampada, recorremos a grandes estudiosos do assunto ora desposado, quais sejam: Carlos Roberto de Castro Jatahy, Emerson Garcia, Hugo Nigro Mazzilli, Marcelo Dawalibi, Victor Roberto Corra de Souza, entre outros. A vertente metodolgica escolhida foi a qualitativa, efetivada atravs de pesquisa bibliogrfica, uma vez que foi procedida uma minuciosa anlise de natureza subjetiva nas informaes constantes neste trabalho, por se verificar a impossibilidade de tratar diversamente o material usado como subsdio desta monografia. No tangente aos meios utilizados para subsidiar as nossas investigaes, quando da elaborao desta obra, empregamos o mtodo histrico, ao resgatarmos a prognie do Ministrio Pblico, traando uma apertada sntese sobre a evoluo deste rgo, arraigado prpria marcha da humanidade no perpassar das eras, bem como o procedimento monogrfico, ao nos depararmos com a importncia do tema exposto, dissecando-o sob todos os possveis ngulos de sua extenso, procurando precisar o alcance dos seus desdobramentos. No concernente abordagem, optamos pelo prisma hipottico-dedutivo, por almejarmos responder s proposies sugeridas em nossa problematizao, a partir das teses preconizadas nas nossas hipteses, decorrentes das lacunas existentes no mundo ftico relacionado ao Parquet. A tcnica de estudo empregada foi a indireta, conceituao capaz de definir o uso de livros, artigos cientficos, princpios gerais do Direito, documentos normativos, doutrina, decises jurisprudenciais e outros artefatos de ndole terica. Nosso trabalho est redigido em trs captulos. O primeiro deles versa sobre o discorrer histrico dos agentes que, possivelmente, constituram a origem da Instituio em descortino. Regressamos</p> <p>14</p> <p>aos domnios do Antigo Egito, perpassando pela Roma, Grcia, at atingirmos a Frana no sculo XIV, onde efetivamente nasceu o Ministrio Pblico. J em seu bero, constatamos as suas vinculaes com o Poder executivo, circunstncia recorrente durante toda sua maturao estrutural, chegando a se estabelecer em terras brasileiras nesses mesmos moldes. O Captulo II esmia a estrutura organizacional do rgo no Brasil ps Constituio de 1988, pormenorizando seu conceito, discutindo sua natureza jurdica, informando sua composio, que se d atravs de quatro ramos distintos, alm de comunicar as garantias e prerrogativas inerentes aos membros da Instituio, bem como esclarecendo seus deveres e vedaes. No ltimo captulo, abordamos o cerne das nossas proposies, esclarecendo o que vem a ser autonomia, elucidando seus vrios aspectos, diferenciando-os de outros conceitos semelhantes. Aqui, trouxemos baila a discusso sobre as vinculaes subjetivas entre as autoridades mxima do Executivo e os Procuradores-Gerais da Repblica e os Procuradores-Gerais dos Estados, alertando para os efeitos dessa ligao no mbito social.</p> <p>CAPTULO I EVOLUO HISTRICA DO MINISTRIO PBLICO1.1 Egito Antig...</p>