monografia milênio

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  • 1. O PROBLEMA DO MILNIO LITERAL (verso reduzida)Juarez Torres de AlmeidaRESUMOOs cristos discutem e divergem sobre escatologia h muitos sculos.Discutem sobre como se dar a volta de Jesus; sobre o arrebatamento daIgreja; o aparecimento do anticristo; o fim do mundo; o juzo final; a existnciado inferno e inmeras outras questes relacionadas ao final dos tempos, masnenhuma dessas questes tem tantas e to grandes divergncias quanto oreino milenial de Cristo. Pr-milenistas, ps-milelistas e amilenistasesquadrinham as Escrituras Sagradas para encontrar respaldo para suas linhasescatolgicas. Infelizmente, alguns desses estudiosos, para fazer valer aquiloque defendem, tentam forar a Bblia a dizer aquilo que querem, interpretandopassagens sem preocupao com o contexto e, vez por outra, at criandoteorias e doutrinas descabidas. O milnio tratado em apenas uma passagemda Bblia, em seu livro mais simblico e de difcil interpretao: o Apocalipse.No obstante, algumas correntes interpretam-no como um espao de tempo demil anos literais, enquanto outras o entendem de maneira simblica. A presentepesquisa traz luz sobre a questo da no-literalidade do reino milenial,identificando, assim, a corrente escatolgica que mais se aproxima da verdadeapresentada pelos escritos bblicos: O amilenismo.I

2. SUMRIO1. INTRODUO 32. RESUMO DO PENSAMENTO DAS PRINCIPAIS CORRENTESDE INTERPRETAO ESCATOLGICA53. REINO DE DEUS: FSICO OU ESPIRITUAL? 94. QUESTES NO RESPONDIDAS 125. OUTRAS QUESTES PERTINENTES 246. CONCLUSO 287. REFERNCIAS E OBRAS CONSULTADAS 29II 3. INTRODUOO estudo da escatologia bblica algo fascinante para a grande maioriados telogos. No s por causa do desejo inato do homem de conhecer ascoisas que ho de acontecer, mas especialmente pelo desafio de investigar umassunto extremamente controverso e rico em textos, teorias e conclusesdiversas.No mago das divergncias escatolgicas, encontra-se o Reino de Deus:Alguns dos mais renomados escritores dispensacionalistas defendem a ideia deum reino poltico literal de Jesus Cristo, em Jerusalm, com durao exata demil anos, que se iniciar imediatamente aps a Grande Tribulao; outros, nomenos dignos de respeito no meio teolgico, afirmam que esse reino j estimplantado desde a primeira vinda de Cristo, e que os mil anos no so literais,mas uma expresso simblica que corresponde a todo o perodo de tempoentre a primeira vinda e a volta do Messias.A despeito de ambas as opinies apresentarem certas dificuldadeshermenuticas, a primeira parece conter mais fragilidades, quando confrontadacom certos textos considerados essencialmente escatolgicos, principalmentepelo fato de as concluses no se harmonizarem com outros textos no-escatolgicos, mas no menos importantes para uma clara compreenso doReino de Deus. Segundo os dispensacionalistas, Jesus veio para implantar seureino milenial e poltico durante o domnio romano na Palestina, mas no o fezpor ter sido rejeitado pelos judeus. Resolveu ento adi-lo para a ocasio dasua segunda vinda, milhares de anos mais tarde. O dispensacionalismodefende que Cristo arrebatar sua Igreja, dando incio ao perodo conhecidocomo "Grande Tribulao", que ter durao de sete anos. Logo depois, terincio um perodo de mil anos, nos quais Jesus Cristo reinar, Satans ficar 4. 4preso e todos tero ainda chances de converso e salvao. Ao final dos milanos, Satans ser solto e convencer uma multido incontvel a lutar contraDeus.Vrios textos so invocados para defender essa corrente, todavia, outrostantos so utilizados para recha-la. Essa pesquisa visa interpretar o milniode modo coerente e o mais harmonioso possvel com o texto bblico. 5. CAP. 1RESUMO DO PENSAMENTO DAS PRINCIPAIS CORRENTESDE INTERPRETAO ESCATOLGICAA busca por respostas com relao ao que acontecer no fim dos temposno uma exclusividade dos dias atuais. Desde o tempo do Antigo Testamento,o homem tenta interpretar corretamente o que encontra nas profecias. Os livrosdos profetas Daniel e Zacarias, por exemplo, instigam a humanidade hmilhares de anos, com seus sonhos e vises sobre acontecimentos vindouros.No Novo Testamento, o livro de Apocalipse e alguns trechos dos evangelhos edas epstolas so fontes inesgotveis de teorias sobre os ltimos momentos dahistria humana sobre a Terra.Existem trs grandes correntes de interpretao escatolgica quepresumem deter a verdade quanto volta de Jesus e o estabelecimento doReino Milenial. So elas:Ps-milenista: Acredita que a volta de Jesus se dar aps o Milnio, queser um reino de paz e justia implantado pelo sucesso da evangelizaodesencadeada pela Igreja. Essa teoria perdeu fora nas ltimas dcadas,principalmente por causa das duas Grandes Guerras e da degradao dospadres morais da sociedade, mas ainda encontra alguns defensores.Amilenista: Defende que o Milnio o perodo de tempo entre a vinda deJesus, j ocorrida, e a sua volta. O reino milenial espiritual. Cristo j estreinando, soberano, no cu e nos coraes convertidos a Ele, e seu reinojamais ter fim. Na sua volta, aps a Grande Tribulao, a Igreja serarrebatada, o anticristo ser vencido, os mortos ressuscitaro, ocorrer o JuzoFinal e o incio do Perfeito Estado Eterno. De acordo com Hernandes DiasLopes: "O amilenismo tornou-se a interpretao dominante no Conclio defeso[...]. As confisses reformadas, sem exceo, abraaram tambm o 6. 6Amilenismo. Essa corrente parece-nos a que mais consistentemente interpretao livro de Apocalipse[...]".(1)Pr-milenista: Cristo voltar antes do Milnio. A Igreja ser arrebatadaantes da Grande Tribulao (para os pr-tribulacionistas) e, logo aps o Milnio,vir o Juzo Final. Esse modelo escatolgico procura interpretar os textosbblicos literalmente, sempre que isso parecer possvel. O pr-milenismo divide-se em Clssico (ou Histrico) e Dispensacionalista.O dispensacionalismo entende o Milnio da seguinte forma:Ao arrebatamento da Igreja seguir-se- a Grande Tribulao, um perodode sete anos dominado pelo anticristo. Terminados esses sete anos, Jesusvoltar para estabelecer o Milnio: um governo terreno, poltico e literal, comsede um Jerusalm. Durante esses mil anos de governo de Cristo, o Temploser novamente construdo, conforme a descrio encontrada nos captulos 40a 44 do livro do profeta Ezequiel. Alguns sacrifcios e ofertas do AntigoTestamento sero restaurados e observados por Israel, com participao dosgentios. Os crentes glorificados convivero com os mortais: "Os povos naturais,em estado fsico normal, vivendo na Terra, a saber: os judeus salvos sados daGrande Tribulao, os gentios poupados no julgamento das naes, e o povonascido durante o prprio Milnio."(2)Israel ser uma bno para todos ospovos, pois de Jerusalm sairo as diretrizes religiosas e as leis civis para omundo. O conhecimento de Deus ser universal e a piedade, a paz e a justiaprevalecero entre todas as naes. Haver tambm um pleno derramamentodo Esprito Santo como jamais imaginou-se haver e acontecer umarestaurao em toda a face da Terra, tornando o solo maravilhosamente frtil.___________________________________ Hernandes Dias Lopes, Apocalipse - O Futuro Chegou, pg. 29.2Antonio Gilberto, O Calendrio da Profecia, pg. 80. 7. 7Algumas festas judaicas sero tambm restauradas.Ao trmino desse perodo extraordinrio de bnos e prosperidade,Satans, que estivera preso por todo o Milnio, ser solto para seduzir asnaes e conseguir reunir um nmero incontvel de pessoas, segundoApocalipse 20:8, para uma batalha fsica contra o prprio Deus. Este lanarfogo do cu, que os consumir.Resumidamente, esse o pensamento mais aceito pelos pr-milenistasdispensacionalistas. Apesar de grande parte deles apresentar certainflexibilidade na maioria dos pontos de sua teologia, o escritor e missionriopr-milenista Kepler Nigh, que dedicou quinze anos concluso de seu livro,demonstra equilbrio ao escrever no prefcio do mesmo:Estudar o tema proftico, muitas vezes, torna-separadoxal. Por um lado, devemos confessar queno temos todas as respostas, e por outro, no possvel estudar este assunto sem seguir umametodologia que nos obrigue a sermos objetivos. Eisso devido ao fato de que a matria se presta subjetividade individual. Alm do mais, nossoentendimento do tema vai crescendo medida quese aproxima de ns a vinda do Senhor. Tudo issosignifica que no devemos nos surpreender diantedo fato de existirem opinies diferentes. Naverdade, so poucos os estudiosos que sustentaroos mesmos pontos de vista com relao a cadadetalhe dos livros de Daniel e Apocalipse, ainda queesses estudiosos pertenam a uma mesma escolade interpretao. Portanto, seria um grande erropretender que nossas concluses possam serqualificadas como definitivas.(3)Sero vistos, nos captulos seguintes, alguns problemas hermenuticos___________________________________3Kepler Nigh, Manual de Estudos Profticos, pg. 9. 8. 8gerados pela interpretao literal do Milnio, acompanhados de textos bblicos ecomentrios de estudiosos que os defendem ou os refutam. 9. CAP. 2REINO DE DEUS: FSICO OU ESPIRITUAL?So evidentes as dificuldades de interpretao apresentadas poralgumas passagens e expresses bblicas. H muitos sculos a humanidade sedebrua sobre essa coleo de livros para extrair dela as suas preciosasverdades. Contudo, nem sempre a tarefa fcil: suas pginas cheias de amor eesperana tambm so tema de discusses ferrenhas sobre predestinao oulivre-arbtrio; separao ou unidade entre alma e esprito; trindade;acontecimentos futuros e tantos outros assuntos que dificilmente chegaro aalguma concluso unnime. Todavia, outras passagens e expresses so defcil interpretao, mas alguns telogos teimam em torn-las obscuras. ocaso das expresses "reino de Deus" e "reino dos cus".Ambas as expresses designam um mesmo reino. Isso inquestionvel,pela simples observao dos evangelhos: O evangelista Mateus utilizou aexpresso "reino dos cus" nas mesmas passagens em que Marcos e Lucaspreferiram "reino de Deus". Mateus escreveu: "Em verdade vos digo que entreos que de mulher tm nascido, no apareceu algum maior do que JooBatista, mas aquele que menor no reino dos cus maior do que ele"(Mateus 11:11). Na pass