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  • UNIVERSIDADE COMUNITRIA DA REGIO DE CHAPEC - UNOCHAPEC VICE-REITORIA DE PESQUISA, EXTENSO E PS-GRADUAO

    REA DE CINCIAS DA SADE CURSO DE PS-GRADUAO ESPECIALIZAO LATO SENSU EM

    EDUCAO FSICA

    Deizi Domingues da Rocha

    CORPOS, TEMPOS E ESPAOS: DESCOBRINDO CAMINHOS

    PARA A COMPOSIO COREOGRFICA DO

    CORPO COM DEFICINCIA VISUAL

    Chapec - SC, Dez. 2010

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    DEIZI DOMINGUES DA ROCHA

    CORPOS, TEMPOS E ESPAOS: DESCOBRINDO CAMINHOS

    PARA A COMPOSIO COREOGRFICA DO

    CORPO COM DEFICINCIA VISUAL

    Chapec SC, Dez. 2010

    Projeto de Monografia apresentada a UNOCHAPEC como parte dos requisitos para obteno do grau de Especialista em Pedagogia da Educao Fsica.

    Orientador (a): Marlini Dorneles de Lima.

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    CORPOS, TEMPOS E ESPAOS: DESCOBRINDO CAMINHOS PARA A

    COMPOSIO COREOGRFICA DO CORPO COM DEFICINCIA VI SUAL

    Esta monografia foi julgada adequada obteno do grau de Especialista em

    Pedagogia da Educao Fsica e aprovada em sua forma final pelo Curso de Ps

    Graduao em Educao Fsica da Universidade Comunitria da Regio de Chapec -

    UNOCHAPEC.

    Chapec SC, 21 de Dezembro de 2010.

    ______________________________________________________

    Prof Mestra Marlini Dorneles de Lima - orientadora

    Coordenadora do Curso de Licenciatura em Dana UFG/GO

    ______________________________________________________

    Prof Mestra Neusa Kleinubing - avaliadora

    UNOCHAPEC

    ______________________________________________________

    Prof Especialista em Educao Especial Elci S. Lucachinski - avaliadora

    Coordenadora Pedaggica da ADEVOSC

  • 4

    Quem algum dia aprender a voar deve aprender

    antes a ficar de p, a caminhar, a correr, a subir, a

    danar, (FRIEDRICH NIETZCHE).

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    AGRADECIMENTOS

    Primeiramente e sem dvida nenhuma ao Grupo Universitrio de Dana

    Essncia, onde aprendi muito e quero continuar a apreender!

    A minha mestra e orientadora Marlini que me apresentou esse palco e que me

    fez desvendar espetculos que me movem nos dias de hoje. Agradeo pelos vrios

    momentos de dilogos e orientaes que perpassaram a relao de orientadora e

    orientanda; a disponibilidade de mesmo de longe e com tantas coisas na sua nova fase

    de vida ter continuado essa caminhada comigo. Marlini, esses so nossos frutos!

    Obrigada.

    Agradeo a minha amiga Vanessa pelos longos dilogos, pelas reflexes...

    Obrigada.

    A famlia Adevosquiana, pelos corpos, tempos e espaos que foram

    importantssimos nesta coreografia da minha vida. Os meus sinceros agradecimentos.

    Agradeo aos professores do curso que contriburam no meu processo de

    formao inicial ainda, quando me apresentaram uma Educao Fsica portadora de

    sentidos e significados, em especial a Professora Neusa pela fora, incentivo,

    credibilidade e oportunidades...

    Ao Fundo de Apoio Manuteno e ao desenvolvimento da Educao Superior

    (FUMDES).

    Obrigada!

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    RESUMO

    CORPOS, TEMPOS E ESPAOS: DESCOBRINDO CAMINHOS PARA A

    COMPOSIO COREOGRFICA DO CORPO COM DEFICINCIA VI SUAL

    Autora: Deizi Domingues da Rocha Orientadora: Marlini Dorneles de Lima

    Essa pesquisa teve como objetivo geral, registrar e analisar o processo de composio coreogrfica vivenciada e desenvolvida junto ao corpo-sujeito com deficincia visual. Esta pesquisa constituiu-se num estudo terico prtico, de cunho qualitativo caracterizando-se como uma pesquisa-ao. Numa perspectiva fenomenolgica. Foram utilizados quatro instrumentos para coleta de dados, sendo: dirio de campo, observao participante, grupo focal, histria de vida e vivncias prticas denominado como ateli de criao. Ao atingirmos os objetivos do trabalho, encontramos algumas etapas significativas no processo de composio coreogrfica, como: escolha da temtica; sensibilizao do corpo; instrumentalizao do corpo em movimento; sistematizao das clulas coreogrficas; coreografia. Conclumos ento que as etapas analisadas no processo de criao e composio coreogrfica esto diretamente ligadas aos pressupostos tericos de Lima (2006): movimento humano, tcnica e expressividade; ao tringulo da composio proposto por Lobo e Navas (2008): imaginrio criativo, corpo cnico e movimento estruturado, bem como os elementos elencados no TCC de Rocha (2008): conscincia corporal, vocabulrio de movimento e expressividade, assim como a importncia das vivencias de clulas coreogrficas para a concretizao da coreografia. Portanto, conclui-se que o processo de composio coreogrfica junto ao corpo-sujeito com deficincia visual um ato intencional, dialgico, reflexivo e educativo, ainda, um fenmeno que permite aos corpos-sujeitos se aventurarem no desvendar do desconhecido, na intencionalidade da execuo do movimento subjetivo, intuitivo, expressivo e significativo. Palavras-chave: Dana; Composio Coreogrfica; Corpo-sujeito; Deficincia Visual.

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    SUMRIO

    I APRESENTAO .......................................................................................... ...08

    1.1 O comeo................................................................................................08

    II MARCO TERICO....................................................................................... ...19

    2.1 Simplesmente Corpo...............................................................................19

    2.2 Corpo: simplesmente corpo que dana........... ........................................34

    2.3 Corpo com Deficincia Visual: Simplesmente corpo que dana........... 38

    2.4 Corpos, tempos e espaos: composio coreogrfica.............................43

    III DESCRIO E ANLISE DOS DADOS.................................................. ...53

    3.1 O Caminho Percorrido.............................................................................53

    3.2 Elementos estruturantes do processo de criao e composio

    coreogrfica........... .....................................................................................................56

    3.2.1 Sensibilizao... onde tudo comea...........................................56

    3.2.2 Intrumentalizao... o processo..................................................68

    3.2.3 Colcha de Retalhos Ateli de criao......................................75

    3.2.4 Entrando em Cena...cinco, seis, sete, oito..................................78

    IV CHEGADA A HORA................................................................................. ...80

    V REFERENCIAS ............................................................................................. ...87

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    I APRESENTAO

    1.1 O comeo...

    A histria da dana na minha vida algo indescritvel. Comeando pelas

    experincias de duas dcadas de vida pensando que sabia o que realmente a dana

    significava na minha vida e at mesmo na vida dos outros. Um entendimento construdo

    atravs das vivncias em dana, ou seja, desde os meus primeiros embalos danados,

    ainda criana, sem equilbrio, para o orgulho dos meus pais, a marcante passagem da

    exploso do ritmo da lambada na dcada de 90 e, sem dvida, os grandiosos bailes

    tradicionalistas do Rio Grande do Sul.

    Depois, o momento muito importante se refere experincia acadmica no curso

    de Educao Fsica na UNOCHAPECO1, atravs das experincias significativas em

    dana nas disciplinas do curso, em especfico em Movimento e Ritmo e Metodologia,

    teoria e prtica do Ensino da Dana. A partir da meu contato mais efetivo com a dana,

    e, o mago desse contato intimista com a dana vm nos seis anos de danarina

    integrante do Grupo Universitrio de Dana Essncia e nas atuaes durante quatro

    anos junto a alguns Programas e Projetos de extenso da UNOCHAPEC.

    Nesses seis anos de Grupo Essncia e nos quatro anos participando nos

    Programas e Projetos de extenso da Universidade, a minha histria com a dana tomou

    outro rumo, alm das minhas primeiras experincias. O contato com a dana

    proporcionou perceber e me sentir enquanto corpo-sujeito2 pela minha corporeidade e

    pela (re) construo desta nas relaes com os outros corpos-sujeitos danantes

    desmistificou o padro de corpo apto para dana, me lanando vrias vezes aos palcos

    1 Universidade Comunitria da Regio de Chapec Chapec/SC. 2 Corpo-sujeito: expresso que compreende os sujeitos no entrelaamento da complexidade do sentir, do pensar, do expressar-se, do agir, construindo assim uma unidade corprea que singulariza a presena do homem no mundo, conforme Schwengber (2005).

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    da vida, e, sem dvida, tendo como apresentao mais marcante o espetculo de realizar

    um trabalho de dana junto a Pessoas3 com deficincia.

    A primeira oportunidade foi atravs do Programa de Extenso Esporte e

    Emancipao na Escola Recanto da Esperana APAE de Chapec/SC nos anos de 2005

    a 2007. Depois atravs do Projeto de Extenso Mundo das Percepes: uma proposta

    de dana para deficincias visuais, este aprovado via FAPEX (Fundo de Apoio a

    Pesquisa e Extenso) e desenvolvido no ano de 2007 e 2008 na ADEVOSC (Associao

    de Deficientes Visuais do Oeste de Santa Catarina). E atualmente como professora de

    dana nos dois contextos, APAE e ADEVOSC.

    Diante disso, tornou-se perceptvel de que o corpo-sujeito desfruta de sua

    totalidade atravs de momentos que lhe possib