Modelo Exceção de pré-executividade

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<p>EXMO</p> <p> EXMO. SR. DR. JUIZ DA VARA CVEL DA SUBSEO JUDICIRIA DE ITABUNA, SEO JUDICIRIA DO ESTADO FEDERADO DA BAHIA.PROCESSO xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx., pessoa jurdica de direito privado, inscrita no CNPJ sob n. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx, com endereo na xxxxxxxxxxxxxxxxxx), por seus procuradores abaixo firmados, constitudos nos moldes do instrumento de mandato incluso, com endereo profissional, para os fins a que alude o art. 39, I, do CPC, descrito no rodap da presente, vem, com o merecido respeito, perante Vossa Excelncia, promover a presente EXCEO DE PR-EXECUTIVIDADE COM PEDIDO LIMINAR, em face da FAZENDA NACIONAL, pelas razes que passam a expor:PRELIMINARMENTE,</p> <p>DO CABIMENTO DA PRESENTE EXCEO:</p> <p>Considerando o fato de que fora expedido novo mandado citatrio em desfavor do excipiente, aliado ao fato de serem constatados os mesmos vcios anteriormente detectados (excesso de execuo, como adiante se ver, bem como iliquidez e inexigibilidade das CDA`s acostadas aos autos), perfeitamente cabvel, ento, o oferecimento da presente medida processual.</p> <p>EXPOSIO FTICA:</p> <p>A excipiente, atravs de mandado cumprido por oficial de justia, foi citada, no dia 22 de outubro do corrente ano para, no prazo de 05 (cinco) dias, pagar a quantia de R$ 6.498,82 (seis mil quatrocentos e noventa e oito reais e oitenta e dois centavos), ou nomear bens penhora, nos autos da execuo por ttulo extrajudicial acima epigrafada.Outrossim, a fim de subsidiar a execuo, foram apontadas as CDAs:</p> <p>a) xxxxxxxxx (Proc. Administrativo xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx);</p> <p>b) xxxxxxxxx (Proc. Administrativo xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx);c) xxxxxxxxx (Proc. Administrativo xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx);d) xxxxxxxxx (Proc. Administrativo xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx);Ocorre, Nobre Magistrado, que, antes mesmo da propositura da presente demanda executiva, ingressara o Excipiente, junto Secretaria da Receita Federal de Itabuna, com um Pedido de Reviso de Dbitos Inscritos em Dvida Ativa da Unio (Processo Administrativo xxxxxxxxxxxxx doc. dos autos), o qual, diga-se, tinha justamente por objeto as CDAs que ora subsidiam esta demanda.</p> <p>Outrossim, atravs daquele procedimento administrativo, demonstrara o Excipiente a existncia de erro de fato, o qual, por sua vez, comprovaria que a inscrio do Excipiente na Dvida Ativa da Unio era absolutamente indevida, razo pela qual pugnara o excipiente pelo CANCELAMENTO das mencionadas inscries. No obstante, para corroborar suas afirmaes, juntara fotocpias do seu Livro Eletrnico de Registros de Sadas referentes aos meses de fevereiro, maro e dezembro de 2004, haja vista que os supostos dbitos fiscais decorreriam de tributos no recolhidos nestes perodos. Ademais, juntara o Excipiente, tambm, uma PLANILHA DEMONSTRATIVA DE LANAMENTO PARA DCTF/DIPJ EX/2004, na qual, resumidamente, foram expostos os faturamentos da Excipiente durante todo o exerccio fiscal de 2004, bem como os valores a serem apurados a ttulo de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS. Alm disso, foram apontadas, tambm, as retenes que a Excipiente sofrera na fonte, decorrentes de servios prestados a terceiros, os quais, constituindo inequvoco crdito tributrio, deveriam ser objeto de deduo do quantum debeatur a ser recolhido em favor do Tesouro. </p> <p>Ademais, para consolidar suas afirmaes, apresentara a Excipiente os respectivos DARFs, referentes aos perodos de fevereiro, maro e dezembro de 2004, nos quais podemos observar, Nobre Magistrado, que os tributos que supostamente deixaram de serem recolhidos foram TEMPESTIVAMENTE pagos. Por fim (mas no menos importante), temos ainda que, para demonstrar de forma inequvoca a legitimidade de sua pretenso, apresentara o Excipiente, tambm, fotocpia das Notas Fiscais de Prestao de Servios referentes aos perodos acima apontados, os quais, como pode concluir V.Exa., demonstrariam a receita auferida pelo Excipiente, a qual, por sua vez, constituiria a base de clculo para o lanamento dos crditos tributrios a serem por ela pagos. Saliente-se, por oportuno, que as prprias Notas Fiscais j discriminam a reteno de parte dos encargos fiscais que a Excipiente teria naqueles perodos, de modo que os DARFs apenas e to-somente complementariam o crdito tributrio a ser pago em favor do Fisco. Alm da documentao apresentada pelo Excipiente, eis foram solicitadas, tambm, dos tomadores dos servios por ela discriminados nas Notas Fiscais juntadas quele procedimento administrativo, a fim de manifestarem acerca da autenticidade das informaes prestadas pelo Excipiente. Outrossim, eis que as informaes solicitadas foram prestadas, de modo que, sucintamente, foram confirmadas as informaes prestadas naqueles documentos fiscais. Assim, diante da robustez da documentao apresentada, pleiteara o Excipiente o CANCELAMENTO das CDAs xxxxxxx, vez que, como exposto, no se vislumbrara o inadimplemento de quaisquer crditos tributrios, donde, ento, ser absolutamente ilegal a inscrio promovida pela DRF. Feitas as consideraes acima, cumpre frisarmos ento, Nobre Magistrado, que, conforme demonstra o Despacho Decisrio DRF/xxxxx, fora considerada procedente a impugnao feita pelo Excipiente, de modo que fora determinada a retificao do clculo do tributo a ser recolhido, o qual, diga-se, fora substancialmente reduzido, de modo que, ao invs da importncia de R$ R$ 6.498,82 (seis mil quatrocentos e noventa e oito reais e oitenta e dois centavos), eis que o dbito da Excipiente alcanaria, em verdade, o valor de R$ 1.647,28 (um mil seiscentos e quarenta e sete reais e vinte e oito centavos), conforme depreende-se do dispositivo da deciso administrativa exarada nos autos daquele procedimento (fls. xxxx - Tabela 4).No obstante, ainda que a deciso administrativa seja censurvel (na medida em que reconhecera a existncia de dbito da Excipiente, muito embora, como dito, a documentao por ela apresentada fosse suficiente a demonstrar a inexistncia de quaisquer dbitos da Excipiente para com o Fisco, haja vista que, conforme podemos apontar s fls. 67-86, eis que o Excipiente comprovara todas as operaes que o Fisco alega terem sido sonegadas), o fato que tal deciso fora, sob o ponto de vista jurdico, dotada de duplo efeito: declaratrio (na medida em que reconhecera a procedncia, ainda que parcial, da impugnao feita pela Excipiente) e, principalmente, desconstitutivo (haja vista que reconhecera que a inscrio em dvida ativa da Unio se dera de forma excessiva, de modo que o crdito tributrio a ser efetivamente recolhido pela Excipiente alcana um valor muito menor que o da presente execuo).</p> <p>Logo, Douto Julgador, h que se reputar, de posse das informaes ora prestadas, como excessiva a execuo ora promovida pelo Exceto, de modo que deve V. Exa., em respeito s disposies legais e constitucionais aplicveis ao caso concreto, determinar a extino da demanda executiva ora instaurada, mormente porque, como deveras salientado, as CDAs que supostamente subsidiariam esta execuo no traduzem a real situao jurdica entre o Fisco e o Excipiente, de modo que somente podemos supor que, configurada tal situao, no pode a presente demanda executiva encontrar outra soluo seno sua imediata extino. </p> <p>DO CABIMENTO DA PRESENTE EXCEO:</p> <p>Em decorrncia do debate em torno do assunto cifra-se que, na ao de execuo, o devedor somente pode defender-se por meio dos embargos execuo, mediante garantia do juzo, via penhora. Embora admita-se a discusso em sede de execuo, a jurisprudncia passou a acolher matrias, suscitadas pelo executado, sem debat-las no ventre de embargos e sem exigir segurana do juzo.</p> <p>Exceo de pr-executividade matria inovadora, visto que possibilita ao executado manifestar-se, no bojo do processo de execuo, refutando matria de direito alegada pelo exeqente, sem se valer, de imediato, dos embargos da execuo, que pressupem prvia garantia e penhora de bens.No obstante o tema s tenha alcanado importncia nos ltimos anos, PONTES DE MIRANDA, sob a gide do CPC/39, sustentara que o executado poderia apresentar defesa, demonstrada a insubsistncia da execuo, antes de opor embargos execuo e sem prvio comprometimento de patrimnio.</p> <p>Em real verdade a exceo de pr-executividade consiste na argio da ausncia dos requisitos da execuo (art. 618, I do CPC), independentemente de oposio de embargos.Desse entendimento, sucede, em voz minoritria, o posicionamento contrrio de MENDONA LIMA, sob o fundamento de que no direito processual civil brasileiro inexiste previso legal para a exceo de pr-executividade. Sustenta, tambm, que O litgio, dentro do processo de execuo, somente surge se houver embargos do devedor; se assim no o fosse, o exeqente sofreria prejuzos, talvez irreparveis. Completa, ainda, MENDONA LIMA: Na ao de execuo propriamente dita - que, doutrinariamente, pode ser denominada de ao executiva - , nada se pode discutir quanto validade do ttulo; legitimidade do credor que o porta; fatos que geram ineficcia como prescrio, etc, mas apenas as questes de ordem processual que no afetem a parte substancial - gradao de penhoras; avaliao de bens, por quantia certa ou matria correlata, na execuo de entrega de coisa ou na execuo de fazer ou no fazer. O meio prprio para ser suscitada a controvrsia substancial e seu respectivo julgamento por via dos embargos do devedor. (...) O litgio dentro do processo de execuo somente surge se houver embargos do devedor. </p> <p>Atualmente, majoritrio, na melhor doutrina e jurisprudncia, o posicionamento de que, no havendo previso legal explcita, pode o executado, se for o caso, requerer, nos termos do art. 652 do CPC, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, a extino da ao executiva, por falta de qualquer pressuposto bsico. O juiz conhece, igualmente, a matria argida de ofcio, independente de penhora e, exigida pelo art. 737, I, do CPC.Desse modo, ao devedor compete manejar outros instrumentos para impugnao da execuo, principalmente, no que se refere s questes de ordem pblica, via exceo de pr-executividade. A exceo de pr-executividade no se subordina ao arbtrio do intrprete, uma vez que baseada no sistema processual vigente. H matrias que o juiz pode conhecer de ex offcio e aquelas que as partes podem aduzir, por todo o instante, por no serem passveis de precluso.</p> <p>Em suma, a exceo de pr-executividade um instrumento de provocao do rgo jurisdicional, por meio do qual se requer manifestao acerca dos requisitos da execuo. Enseja o contraditrio e, constatada a ausncia dos requisitos enfocados, a execuo dever ser declarada extinta, via sentena terminativa. Se rejeitada, confirmada a presena dos requisitos indispensveis, a execuo tem seguimento normal.</p> <p>OBJETO DA EXCEO DE PR-EXECUTIVIDADE</p> <p>No processo executivo, seja com base em ttulo judicial ou extrajudicial, de incio, ao despachar a petio, compete ao juiz examinar se foram preenchidos os requisitos da validade do ttulo (trata-se de numerus clausus), das condies da ao e dos pressupostos de desenvolvimento do processo, temas de ordem pblica, como matrias cognitivas obrigatrias e apreciveis de ofcio.</p> <p>Alis a inicial deve ser indeferida ex officio pelo juiz, verificados vcios processuais geradores de nulidade, que tornam o ttulo inexeqvel e ineficaz.</p> <p>FEU ROSA assevera, ancorado no magistrio de Araken de Assis, Galeno Lacerda, Humberto Theodoro Jnior, Nelson Nery, que o objeto da exceo tem incidncia no campo da matria de ordem pblica, se provada nulidade, como vcio fundamental, por ausncia dos requisitos da execuo - falta de liquidez, certeza e exigibilidade do ttulo -, todos conhecveis de ofcio ou alegveis a requerimento da parte.</p> <p>ARAKEN DE ASSIS, em seu Manual de Processo de Execuo, com fundamento em julgados do STJ, evidencia que o campo de incidncia da exceo, ora enfocada, se alarga para abranger excees substanciais, que ao juiz vedado conhecer de ofcio, desde que o executado, pela falta de bens penhorveis, no possa embargar. Refere-se, ainda, invocando MOREIRA Camia, alegao de excesso de execuo e hiptese de pagamento do crdito ajuizado, mediante prova documental.</p> <p>Com comentrios lcidos de Robson Carlos de Oliveira, o TASP (Revista de Processo, vol. 103, pgs. 241/259) julgou que a falta de apresentao de memorativo atualizado, na execuo forada, matria de ordem pblica, enquadrvel no juzo de admissibilidade da execuo. D ensejo emenda da inicial, recalcitrncia e ao seu indeferimento.</p> <p>EXCEO DE PR-EXECUTIVIDADE - NATUREZA JURDICA</p> <p>Oportuno frisar que a exceo de pr-executividade tem natureza jurdica de incidente processual defensivo do devedor. um momento novo no processo, por meio do qual o devedor requer sua extino, por ausncia dos requisitos da execuo (art. 618, I do CPC).No matria privativa do devedor, e, portanto, pode ser alegada pelo terceiro interessado. Alm do mais, as matrias argveis por meio da exceo de pr-executividade so de ordem pblica e devem ser conhecidas de oficio pelo juiz.O objetivo no a nulidade do ttulo, mas o impedimento da pretenso executiva e dos atos do processo de execuo, como penhora ou arrematao futuras. Seu objeto no , somente, o que suscetvel de conhecimento de ofcio pelo juiz. A prescrio pode ser objeto de defesa, independentemente de embargos.</p> <p>Com efeito, a nulidade do ttulo de execuo gera imediata carncia da ao, enquanto que na exceo em foco, ainda que o vcio esteja evidente, o processo de execuo deve ser objeto dos trmites da cognio judicial. Exceo de pr-executividade enseja o contraditrio. Est implcita, no processo de execuo, vivel alegao de nulidade fora dos embargos. Deve o juiz posicionar-se de plano, acolhendo-a ou rejeitando-a. A acolhida ao recurso de apelao, visto que o processo se extingue.</p> <p>A QUESTO TERMINOLGICA: OBJEO OU EXCEO DE PR-EXECUTIVIDADE</p> <p>A controvrsia entre a rotulao de objeo e exceo de pr-executividade encontra propugnculo nas melhores doutrinas de renomados processualistas.</p> <p>Atribui-se a expresso pr-executividade a PONTES DE MIRANDA, empregada e desenvolvida em Parecer no caso Mannesmann. Sustentou ele o cabimento da exceo de pr-executividade e o fez, na vigncia do CPC/39. A exceo era identificada como qualquer tipo de defesa que no versasse, diretamente, sobre o mrito. Cmpar nesse entendimento, registra CAMIA MOREIRA, e alerta que a expresso est amplamente difundida, seja na doutrina, seja na jurisprudncia. Em segundo lugar, exceo sempre teve sentido de defesa.</p> <p>Nessa trajetria, ARAKEN DE ASSIS anota: a forma excepcional de oposio do devedor ao processo de execuo fundada nos pressupostos processuais merece o rtulo genrico de exceo de pr-executividade, porque fulmina no nascedouro o praeceptum e o ato executivo de constrio (depsito ou penhora). </p> <p>Dessa rotulao dissentem NERY JNIOR &amp; NERY. Defendem a tese de que o rtulo objeo, apesar de mais conhecido por exceo de pr-executividade, tem natureza jurdica de objeo. O instituto mais conhecido como exceo de pr-executividade, mais no sentido de que exceo significa defesa do que pela preciso terminolgica, porque tecnicamente defesas de ordem pblica so designadas objees. </p> <p>NERY critica, ainda, o emprego do termo exceo, que ence...</p>