modelo estatÍstico para estimativa da safra de cafÉ .cia científica para preparar uma amostra

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    O modelo de completa tutela governamental dos neg-cios que envolvessem o caf se esgotou com a extino do Instituto Brasileiro do Caf (IBC), ocorrida em meados de 1990. Instantaneamente, o agronegcio caf aban-donou um regime de administrao pblica para o de livre mercado. Tal mudana, at hoje, carrega seqelas e talvez aquela que mais apreenso cause, seja a dificul-dade em se gerar nmeros, com base cientfica, para a safra brasileira do produto.

    Os primeiros esforos para a gerao de nmeros sobre a oferta brasileira de caf surgiram aps o transcurso de dez anos da extino do IBC. Foi o Consrcio de Pesquisa e Desenvolvimento do Caf gerido EMBRAPA-Caf que realizou o primeiro trabalho sistemtico para a produo de estatstica sobre a safra brasileira. Por duas tempora-das essa iniciativa foi conduzida colhendo tanto xitos como fracassos. Seu mrito reside em reunir a intelign-cia cientfica para preparar uma amostra probabilstica e operar dentro das estruturas do governo responsveis pela gerao de estatsticas agrcolas: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE) e Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). Porm, dada a natureza eminentemente poltica que uma previso de safra de caf assume no Brasil, o esforo foi bastante questio-nado, levando-o a interrupo.

    Com a sada da EMBRAPA-Caf da tentativa de estimar a safra brasileira o trabalho passou imediatamente para a responsabilidade da CONAB que, desde ento, ao lado das Secretarias de Agricultura dos principais estados produtores, procura aprimorar a metodologia de levan-tamento estatstico para a previso de safra de caf. Com a realizao do Censo Agropecurio 2006 e por

    MODELO ESTATSTICO PARA ESTIMATIVA DA SAFRA DE CAF

    Unidades da Federao e Brasil rea plantada Ps totais Quantidade produzidaha (%) 1.000 ps (%) 1.000 sc (%)

    Rondnia 159.147 7,9 223.726 4,7 1.296 3,3 Bahia 131.256 6,5 293.414 6,2 2.429 6,2 Minas Gerais 964.824 47,7 2.682.904 56,6 21.196 53,9Esprito Santo 405.180 20,0 723.276 15,3 6.555 16,7So Paulo 205.927 10,2 456.842 9,6 4.607 11,7Paran 114.127 5,6 270.321 5,7 2.726 6,9Subtotal 4.004.634 97,9 4.650.483 98,1 38.809 98,7Demais Unidades Federativas 43.453 2,1 89.811 1,9 32.194 1,4BRASIL 2.024.173 100,0 4.740.295 100,0 39.346 100,0

    TABELA 1- Estabelecimentos agropecurios com mais de 50 ps de caf, por Unidades da Federao e Total 2006

    Fonte: IBGE, Censo Agropecurio, 2006

    meio de profcua parceria com o IBGE, pode-se finalmente construir uma metodologia para a estimativa de safra de caf.

    O escopo da amostragem abrange o territrio nacional, enquanto os sistemas referenciais (cadastros atualiza-dos) utilizados para o processo de amostragem foram: a) o censo agropecurio realizado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento em 2007-08, tambm conhecido por Projeto LUPA e b) o Censo Agropecurio realizado pelo IBGE em 2006.

    O mtodo estatstico utilizado foi o de amostragem probabilstica duplamente estratificada, em que, primeiramente, dividiu-se o estado em regies produto-ras (cluster geogrfico) para, em seguida, separarem-se os estratos de rea plantada. A varivel de interesse, ou varivel bsica calculada para a amostra, foi a rea plantada com caf devido, pois esse indicador relativa-mente mais permanente do que as demais opes disponveis.

    No territrio nacional, o total de rea para produo de lavouras permanentes, em 2006, foi de 19.012,2 mil ha em 558.587 estabelecimentos agropecurios. A cultura do caf representou 10,7% dessa rea, ocorrendo em 51,3% destes estabelecimentos. A espcie Coffea arbica a mais representativa com 76,4% da rea cafeeira nacional. Embora o caf ocorra na maioria dos estados da federao, sua concentrao estende-se majoritari-amente por seis deles, perfazendo cerca de 97,9% de toda a rea plantada no Pas; 98,1% em efetivo de ps e 98,7% da quantidade produzida (Tabela 1).

    Celso Vegro

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  • 23A construo da lista de unidades de amostragem, chamada Sistema de Referncia, , em geral, um dos principais problemas prticos enfrentados. Diante disso, os sistemas de referncia foram refinados para a elimi-nao de elementos passveis de gerarem erros no amostrais, principalmente, na questo de resposta nula em variveis necessrias ao objetivo, de forma a obter o melhor cadastro de cafeicultores no territrio nacional. Portanto, a populao alvo foi formada por 253.213 estabelecimentos agropecurios, provenientes do Censo Agropecurio 2006, compreendendo os Estados produ-tores: Bahia, Esprito Santo, Minas Gerais, Paran e Rondnia, e 21.742 unidades de produo agropecuria, do Levantamento Censitrio de Unidades de Produo Agropecurio do Estado de So Paulo.

    O processo de estratificao tem sido utilizado em planos amostrais agrcolas para obter estatsticas tanto regionalizadas como segundo critrios agropecurios. Deste modo, o esquema amostral escolhido, para cada unidade federativa, foi a amostragem estratificada segundo dois critrios de segmentao:a) Regies produtoras de acordo com a proximidade geogrfica e importncia relativa dentro do Estado e b) Dimenso do cafezal segundo rea cultivada ou plantada, expressa em hectares, na unidade produtiva (UPA) ou no estabelecimento agropecurio.

    Para a estratificao regional, os municpios em cada Estado foram organizados em segmentos que congre-gam rea geogrfica com similaridades econmicas.

    Os estratos de tamanho da explorao so artificiais, com limites arbitrrios. A arbitrariedade desse tipo de estrato inevitvel, mas pode ser consideravelmente amenizada dado o fato de que uma variao de uma unidade em um pequeno cafezal representa, percen-tualmente, muito mais do que a mesma variao de uma unidade num grande cafezal.

    Devido a limitaes nos recursos materiais, humanos e financeiros a dimenso das amostras deveria permanecer ao redor de 600 elementos. Para alcanar esse tamanho, os estratos referentes ao tamanho do cafezal superior a 200 hectares foram reunidos em um s, normalmente denominado estrato certo ou estrato censitrio, em que todos os elementos so amostrados.

    Utilizando-se da teoria de amostragem foram realiza-das simulaes visando obter tamanho de amostra com diferentes erros de amostragem. Para atender aos objetivos previso de safra de caf a um custo razovel, optou-se por um erro de 1%.

    Estabelecidas as amostras para cada Estado com objetivo de estimar a produo nacional de caf considerando a populao de cafeicultores brasileiros sumarizou-se a dimenso de 3.477 cafeicultores a serem visitados no territrio nacional sendo que 2.772 provem do estrato aleatrio e 705 do estrato censi-trio (Tabela 2). Todas as amostras foram calculadas para o nvel de preciso da rea plantada com caf a 1%, assim sendo espera-se que a preciso da estima-tiva nacional final, totalizando-se os valores encontrados para cada um dos seis estados esteja no intervalo entre a menor e a maior preciso encontrada individualmente.

    O fato de Minas Gerais possuir a maior quantidade de estabelecimentos, mas a dimenso do tamanho de sua amostra ser prxima s das demais unidades federativas decorre da seguinte inferncia: o tamanho da amostra no funo linear do tamanho da popu-lao. Se dobrarmos o tamanho da populao o da amostra no dobrar, visto que a razo entre o tamanho da amostra e o da populao uma funo do tamanho da populao que decresce de forma exponencial.

    Vera Lcia Ferraz dos Santos FranciscoValria Maria Rodrigues Vechin

    Maria Beatriz Araujo de Almeida

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    Com base nos procedimentos metodolgicos adotados neste artigo, props-se sorteio de 3.477 pontos amostrais, sendo que 2.772 provem do estrato aleatrio e 705 do estrato censitrio. As amostras independentes para cada Estado foram desenhadas com erro amostral de 1 ponto percentual para rea plantada com caf.

    O procedimento usual de utilizar censo no estrato mais heterogneo contribuiu para diminuir o tamanho da amostra ou, equivalentemente, aumentar a preciso das estimativas, uma vez que estes so em pequeno nmero e com participao relativa muito grande sobre a produo total.

    A implantao de um sistema de pesquisas para a cafei-cultura brasileira que garanta maior exatido, confiabili-dade e controle de preciso estatstica, uma forte demanda e um anseio acalentado por muitos rgos estaduais das unidades federativas do Pas e rgos federais. Em 2012, os Estados de So Paulo, Paran e Esprito Santo j estaro alinhados com essa metodologia de levantamento de safra de caf que operacionalmente composta por trs levantamentos objetivos ao ano civil (abril, setembro e dezembro). Espera-se que Minas Gerais, Bahia e Rondnia efetuem seu primeiro teste dessa amostragem tambm em 2012 e passem a adotar formalmente a metodologia no ano seguinte, unificando assim sob uma mesma metodologia estatstica e proba-bilstica a previso de safra de caf brasileira.

    Unidade Federativa Universo Estratos Aleatrios Estratos Censitrios Total amostral Bahia 23.893 520 149 669 Esprito Santo (Arbica) 24.376 211 65 276 Esprito Santo (Canephora) 34.988 248 82 330 Minas Gerais 112.548 409 227 636Paran 23.161 413 46 459Rondnia 34.248 460 37 497 So Paulo 21.742 511 99 610

    TABELA 2 - Nmero de elementos na populao e na amostra segundo unidade federativa, 2010

    Fonte: Dados da pesquisa.

    1 Resumo de estudo integrante do Projeto BRA/03/034 CONAB/PNUD. O estudo na ntegra pode ser obtido em http://www.iea.sp.gov.br/out/LerTexto.php?codTexto=12031

    Celso Luis Rodrigues VegroEng. Agr., MS, Pesquisador Cientfico do Instituto de Economia Agrcola. Email: celvegro@iea.sp.gov.br

    Vera Lcia Ferraz dos Santos FranciscoEstatstico, Pesquisadora Cientfica do IEA. Email: veralfrancisco@iea.sp.gov.br

    Valria Maria

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