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www.eventosmkg.com.br 1 Coquetelaria com Sabor de Brasil COQUETELARIA COM SABOR DE BRASIL Autor: Mauricio Campos 2014 2°Edição

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Livro sobre história, curiosidades e reflexões sobre a Coquetelaria Brasileira.

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COQUETELARIA COM SABOR DE BRASIL

Autor: Mauricio Campos

2014

2°Edição

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MAURICIO CAMPOS

Bartender desde os 18 anos, teve a oportunidade de morar em

todas as regiões do Brasil, passando pelos estados de São

Paulo (aonde nasceu), Santa Catarina, Paraná, Goiás,

Tocantins e Ceará. Durante 10 anos de viagens pelo País

esteve em 22 estados e mais de 560 cidades.

Hoje é sócio da MKG – Eventos e defensor assíduo da

coquetelaria e da profissão de Bar no País. Em 2012, assumiu o

compromisso de lutar pela Regularização da Profissão de

Bartender, em busca de melhorias nas condições de trabalho

de centenas de milhares de profissionais do setor.

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INTRODUÇÃO

O ano de 2014 foi escolhido pela FAO (Organização das nações unidas para a alimentação e agricultura) como o “Ano Internacional da Agricultura Familiar”. O que nos remete a reflexão sobre o uso de produtos regionais, orgânicos e sustentáveis. Hoje, o Brasil é o “maior consumidor de agrotóxicos do mundo”, algo impensável do ponto de vista da qualidade dos ingredientes que chegam a nossa mesa. E como um dos maiores produtores de alimentos do Planeta, temos a grande chance de dar o exemplo no uso sustentável através da nossa diversidade. Á partir da Independência do Brasil em 1822, D. Pedro I se viu obrigado a criar uma “identidade cultural” como força política, e ao fazer isso através de pesquisas, ele só expôs a verdade. O Brasil não tinha uma história a não ser pela visão dos viajantes alemães, franceses, ingleses, holandeses, etc. Recentemente, novas descobertas na Serra da Capivara no município de São Raimundo Nonato no Piauí, só comprova a falta de conhecimento sobre nossa história. Vestígios da presença humana naquela região datada de mais de 100.000 anos atrás, só comprova o quanto estamos longe de conhecer toda a cultura perdida, milhares de séculos antes da chegada dos Portugueses. Espero através desse livro, deixar minha gota de reflexão nesse oceano de conhecimento.

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Viajantes (relatos sobre o Brasil, séculos XVI a XIX)

Os viajantes foram, portanto, os grandes cronistas da vida brasileira dos

séculos XVI a XIX, descrevendo em suas obras aspectos da terra, da gente,

dos usos e costumes do Brasil. Todas as obras citadas no texto podem ser

consultadas na Biblioteca Central Blanche Knopf da Fundação Joaquim

Nabuco.

A presença de viajantes estrangeiros e seus relatos publicados sobre o Brasil, datam do século XVI. Existem mais de 260 obras, em várias línguas, onde os autores falam dos habitantes, vida social, usos e costumes, fauna, flora e outros aspectos da antiga colônia portuguesa, principalmente durante o século XIX, depois que Dom João VI decretou abertura dos portos brasileiros, em 1808. Com abertura dos portos houve um incremento da navegação e o consequente aumento da presença estrangeira no país.

O primeiro a narrar a história primitiva do país foi Pero Vaz de Caminha,

em carta que enviou a D. Manoel I, Rei de Portugal, quando encontrou a Terra

de Santa Cruz.

Ainda do século XVI são também os relatos de Hans Staden, Viagem ao

Brasil (1557) e o de Jean de Léry, Viagem à terra do Brasil, (1574).

Dessa grande quantidade de estrangeiros, viajantes e aventureiros

(ingleses, franceses, alemãs, portugueses), que escreveram suas impressões e

crônicas sobre o Brasil, pode-se destacar alguns que estiveram no Nordeste

Brasileiro e fizeram seus relatos sobre a região.

Uma das melhores narrativas sobre o Nordeste na primeira metade do

século XIX, é a do inglês Henry Koster, que escreveu o livro Travels in Brazil,

publicado em Londres, em 1816. Em 1898, foi traduzido por Antônio C. de A.

Pimenta e publicado na Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e

Geográfico Pernambucano. Porém, sua primeira edição em livro no Brasil é de

1942, com tradução de Luís da Câmara Cascudo sob o título Viagens ao

Nordeste do Brasil.

Como uma complementação ao relato de Koster, o francês Louis

François de Tollenare escreveu, entre 1816 e 1818, um diário onde aborda

aspectos importantes da vida social e política, usos e costumes, festas

populares, escravidão, movimentos políticos e economia da sociedade da

época. As partes referentes aos estados de Pernambuco e da Bahia foram

traduzidas por Alfredo de Carvalho e publicadas sob o título de Notas

dominicais, nas Revistas do Instituto Arqueológico e Geográfico

Pernambucano, em 1904 (v.61), e do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia,

em 1907 (v.14).

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Um outro relato importante é o James Henderson, viajante e diplomata

inglês que esteve no Brasil de 1819 a 1821 e escreveu o livro (ainda sem

tradução para o português), A history of Brazil: comprising its geography,

commerce, colonization, aboriginal inhabitants (Uma história do Brasil:

compreendendo sua geografia, comércio, colonização, habitantes aborígenes),

publicado em Londres, em 1821.

O alemão Johan Moritz Rugendas tem uma obra significativa para o

estudo das características físicas, hábitos e costumes da população negra e

índia, assim como dos mulatos e mestiços que formam hoje a chamada raça

brasileira. O livro foi traduzido para a língua portuguesa e publicado, em 1940,

sob o título Viagem pitoresca através do Brasil.

Outro relato importante sobre o Brasil e o Nordeste do século XIX é o da

inglesa Maria Graham, que esteve por três vezes no país e escreveu o Diário

de uma viagem ao Brasil e de uma estada nesse país durante parte dos anos

de 1821, 1822 e 1823 (título em português), publicado na Série Brasiliana, v. 8,

em 1956.

Dois cientistas alemães, Johan Baptist von Spix e Karl Friedrich Philip

von Martius, realizaram uma grande viagem pelo interior do Brasil, entre os

anos de 1817 e 1820, percorrendo várias províncias, seguindo através do rio

São Francisco, por Minas Gerais e Bahia, passando pelo sertão de

Pernambuco, Piauí e Maranhão, analisando e fazendo anotações sobre as

populações rurais. Suas anotações foram traduzidas para o português e

publicadas pela Imprensa Nacional, sob o título Viagem pelo Brasil, em 1938.

Richard Francis Burton foi um dos maiores viajantes ingleses do século

XIX. Em 1865, foi nomeado cônsul britânico em Santos e, em 1867, conseguiu

permissão para uma viagem pelo Brasil, que durou cinco meses. Visitou o Rio

de Janeiro, Minas Gerais, Paulo Afonso, na Bahia, indo até Penedo, em

Alagoas, seguindo pelo rio São Francisco, que denominou de “Mississipi

brasileiro”. Suas observações foram registradas no livro, Explorations of the

highlands of the Brazil, publicado em Londres, em 1869 e traduzido para o

português com o título Viagens aos planaltos do Brasil (1941).

As narrativas dos viajantes, reunidas em livros, impressos às vezes em

mais de uma edição e em diversas línguas, fizeram muito sucesso na época,

sendo disputados pelo público interessado em descrições de povos e costumes

exóticos.

A viagem que revelou a biodiversidade do Brasil ao Mundo.

Durante três anos, de 1817 a 1820, o naturalista alemão Carl von Martius percorreu 10 mil km no interior do Brasil, de São Paulo ao Amazonas, realizando um levantamento de plantas jamais superado no país. Após essa viagem, as descrições das espécies coletadas foram reunidas na Flora

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brasiliensis, maior obra sobre a flora de um país da história da botânica. Essa foi a primeira indicação de que o Brasil apresentava uma das maiores diversidades de plantas do mundo. Raimundo Paulo Barros Henriques Departamento de Ecologia, Universidade de Brasília O início da viagem que revelaria a incomparável diversidade da flora brasileira ao mundo não foi nada animador. Logo após sair do Rio de Janeiro, a 8 de dezembro de 1817, Carl Friedrich Phillipp von Martius (1794-1868) ficou desolado. Em Santa Cruz, no caminho para São Paulo, as mulas assustaram-se, deixando para trás pessoas, mantimentos e equipamentos. Reunidos os animais, o grupo seguiu viagem. Naquele momento, Martius não imaginava as enormes dificuldades que enfrentaria em sua viagem de três anos pelo interior do Brasil, nem que seu nome ficaria ligado em definitivo às pesquisas sobre plantas das regiões tropical e subtropical das Américas. Viajar pelo Brasil naquele tempo era uma empreitada de alto risco, que podia até levar à morte, em ataques de grupos indígenas ou de animais estranhos. Não era raro os viajantes contraírem graves doenças ainda desconhecidas, como malária ou febre amarela. Vários naturalistas da época sofreram com essas e outras doenças em suas expedições pela América do Sul. O francês Aimé Bonpland (1773-1858), que esteve na América Central e na Amazônia venezuelana com o barão alemão Alexander von Humboldt (1769-1859), contraiu malária em 1800. Os viajantes eram pessoas de ambos os sexos, de classes sociais variadas, profissão e formação intelectual diversificada, que descreveram aspectos do Brasil, através de crônicas, relatos de viagem, correspondência, memórias, diários, álbuns de desenhos. O conjunto de obras deixadas por eles integra a chamada literatura de viagem e se constitui numa literatura de testemunhos, cujos registros e observações ajudam a conhecer a realidade do Brasil da época.

Em alguns casos, o isolamento prolongado e o estresse decorrente das duras condições das viagens levavam a distúrbios mentais, transitórios ou permanentes, como aconteceu com o diplomata e naturalista russo Georg von Langsdorff (1774-1852) no final de sua viagem ao Amazonas, entre 1826 e 1828. A viagem de Martius custaria a morte de dois de seus auxiliares. Além disso, Martius e o zoólogo Johann Baptiste von Spix (1781-1826), que o acompanhava, tiveram malária e o segundo, debilitado, morreria apenas seis anos depois de retornar à Alemanha.

Efeito Humboldt É difícil imaginar hoje, na era do ecoturismo para as mais remotas regiões do planeta, quanta admiração e atração causaram, nos europeus do início do século 19, as palestras e livros do barão von Humboldt, que viajou pela América Central e pelo noroeste da América do Sul entre 1799 e 1804. Essa viagem, inicialmente planejada para ser no Brasil, não recebeu autorização da corte portuguesa. A crescente necessidade de conhecimento sobre a América colonial substituiu o explorador aventureiro pelo profissional de ciência da

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época: o naturalista. O assunto ganhou importância, virando questão de Estado. As cortes da Prússia (parte da atual Alemanha) e da Rússia enviaram naturalistas ao Brasil, após a viagem de Martius. Às vezes membros da nobreza europeia participavam pessoalmente das expedições, como o príncipe da Renânia (hoje também na Alemanha), Maximilian Wied-Neuwied (1782-1867), que viajou do Rio de Janeiro à Bahia de 1815 a 1817. O Brasil atraiu o interesse dos naturalistas europeus por razões políticas. Ao contrário de alguns países hispano-americanos, o Brasil obteve sua independência sem conflitos, em parte por ter servido de exílio para a família real portuguesa, o que tornava a viagem mais segura. Outro motivo de interesse era o pouco conhecimento da natureza brasileira. Isso pode ser constatado pela carta enviada, a 12 de fevereiro de 1765, pelo ‘pai’ da moderna classificação biológica, o sueco Carl von Linné (ou Lineu, 1707-1778), ao italiano Domenico Vandelli (c.1735-1816), então professor na Universidade de Coimbra, em Portugal: “Oxalá possas ir ao Brasil, terra onde nunca ninguém andou, exceto Marcgrave..., mas em um tempo em que não estava acesa nenhuma luz da história natural; agora tudo deve ser de novo descrito à luz. Tu estás apto para isso, és solidíssimo nas coisas da natureza, infatigável na inquirição, habilíssimo nos belos desenhos.” Carl Martius nasceu em Erlangen, no reino da Baviera (parte da Alemanha). Seu pai, Ernst Martius (1756-1849), era farmacêutico, professor da universidade local e sócio fundador da Sociedade Botânica de Ratisbona. O tio Heinrich Martius (1781-1831) foi o autor de Prodromus florae mosquensis, sobre a flora da região de Moscou. A casa de Ernst Martius era freqüentada pelo botânico e zoólogo Johann Schreber (1739-1810), ex-aluno de Linné, que talvez tenha influenciado o interesse do jovem Carl pelas plantas. Este começou a estudar medicina aos 16 anos, na Universidade de Erlangen, obtendo o grau de doutor em 1814, com uma dissertação sobre as plantas do Jardim Botânico da cidade. Nessa ocasião, o rei da Baviera, Maximiliano José I, enviou a Erlangen o botânico e entomologista Franz von Schrank (1747-1835) e o zoólogo Johann Baptiste von Spix para comprarem o herbário de Schreber. Spix (que viajaria com Martius pelo Brasil) e Schrank ficaram tão impressionados com o jovem Carl que o recomendaram para o Jardim Botânico da Academia de Ciências da Baviera, em Munique. Assim, ao final do curso, Martius foi para Munique, onde aperfeiçoou seus estudos botânicos. Como europeu, Martius certamente tinha grande curiosidade pela América, devido à leitura dos livros de Humboldt. Este é citado com frequência por Mar - tius no diário de sua viagem pelo Brasil – antes dessa viagem, as informações sobre as plantas do Brasil eram escassas. A oportunidade para a vinda à América do Sul surgiu após a invasão de Portugal pelo exército de Napoleão Bonaparte e a transferência da família real portuguesa, e de toda a corte, para o Rio de Janeiro, onde chegaram no início de 1808. Com a sede do império português no agora reino do Brasil, o regente D. João mudaria de posição

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quanto à entrada de estrangeiros. Assim, nas negociações para o casamento de D. Pedro de Alcântara (depois D. Pedro I) com a arquiduquesa da Áustria, D. Carolina Josefa Leopoldina, foi incluído o envio, pela Academia Real de Ciências da Áustria, de uma missão científica e artística ao Brasil. O rei da Baviera aproveitou a ocasião para integrar a essa missão tanto Martius, pela Academia de Ciências da Baviera, quanto Spix, pelo Museu Zoológico de Munique (ver ‘Missão austríaca alemã’). A comitiva de D. Leopoldina partiu de Trieste, hoje na Itália, em 10 de abril de 1817. Martius chegou ao Brasil em 15 de julho de 1817 e realizou suas primeiras observações na cidade do Rio de Janeiro e arredores, em excursões ao Corcovado, ao Pão de Açúcar e à lagoa Rodrigo de Freitas, com von Langsdorff, cônsul da Rússia. Fez também uma curta viagem à serra dos Órgãos, a cerca de 90 km do Rio de Janeiro, quando conheceu as duras condições que teria de enfrentar no país. Seu espanto com a diversidade tropical está claro no primeiro relatório da viagem ao rei da Baviera: “Diante de tanta riqueza de formas, não temos mãos e olhos suficientes para realizar nosso trabalho. Cada um de nós teria que ser pintor, empalhador, caçador e herborista para poder representar e reunir toda esta riqueza.”

O interior do Brasil Martius tinha 23 anos quando iniciou a viagem pelo Brasil, com Spix e o pintor austríaco Thomas Ender (1793-1875). Partiu com destino a São Paulo, a cavalo, com três guias e uma tropa de mulas. Após a travessia da mata atlântica na serra do Mar, eles surpreenderam se, ao chegar a Taubaté, no vale do rio Paraíba do Sul, na província paulista, com a mudança na aparência da vegetação. A floresta densa que observavam desde a partida, com árvores altas, de copa fechada e galhos cobertos de outras plantas, deu lugar a uma vegetação aberta de campo, com árvores baixas de casca espessa, chamada de tabuleiro ou cerrado pela população local. O grupo chegou à cidade de São Paulo no final de dezembro, e dali retornou ao Rio de Janeiro. Spix e Martius foram para o interior, a 9 de janeiro de 1818, passando por Sorocaba e cruzando as serras ao norte de Atibaia, em direção à província das Minas Gerais. Nessa altura, já tinham estabelecido a rotina de trabalho que seguiriam em toda a viagem. Eles cavalgavam das 6 h às 14 h, quando paravam em um abrigo de tropeiros ou em uma fazenda, descarregavam as mulas e faziam sua segunda refeição, com as aves ou mamíferos caçados durante a marcha do dia (na Amazônia, depois, canoas substituíram os cavalos e essa refeição era baseada em peixes). Durante a manhã realizavam as principais observações e coletas de plantas e animais. Após a parada das 14 h, faziam outras observações e coletas nos arredores do local de repouso, preparavam e embalavam os espécimes coletados e atualizavam os registros e as anotações no diário de viagem. Em Minas Gerais seguiram até Ouro Preto e dali para Diamantina. Cruzaram o rio São Francisco e alcançaram o nordeste de Goiás, chegando à lagoa Feia, em Formosa, a apenas 70 km de onde hoje é Brasília. Nesse percurso Martius encontrou de novo a vegetação de cerrado, só que em muito maior extensão. Depois voltaram ao São Francisco, mas em Januária, na Bahia. Ali Martius registrou um terceiro tipo de vegetação, a caatinga, com espécies mais adaptadas a períodos secos.

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Na caatinga, em duas ocasiões, a escassez de água traria grandes problemas para Martius e Spix. Na primeira, no sertão baiano, atravessando a serra de Sincorá, a forragem para os animais e a água praticamente se esgotaram, obrigando-os a beber água acumulada em cacimbas e bromélias. Ambos ficaram doentes, mas, socorridos por um tropeiro, chegaram a Salvador (BA) em novembro de 1818. Na segunda, após partirem (em fevereiro de 1819) rumo ao Piauí, ficaram sem água no centro-oeste da Bahia, entre Coité e Rio do Peixe. Bebiam o orvalho depositado sobre lajes de pedra e a água salobra de cacimbas, e adoeceram de novo, juntamente com alguns tropeiros. Apesar das dificuldades, Martius fez observações e registros em seu diário sobre a vegetação da caatinga. Reconheceu diferenças na vegetação dentro da própria caatinga e associou claramente a mudança na vegetação do litoral para o interior com a redução das chuvas nessa segunda região, em função da barreira natural que as chapadas, como as de Borborema, Araripe e Diamantina, representavam para os ventos oceânicos úmidos. Essa relação entre relevo, clima e vegetação só seria bem compreendida pelos meteorologistas mais de um século depois. Após atravessar mais uma vez o São Francisco, na altura de Juazeiro, seguiram pelo oeste de Pernambuco, em direção ao Piauí. Depois de passar por Oeiras, antiga capital da província do Piauí, em maio, alcançaram o rio Parnaíba, mas os dois amigos estavam tão doentes e debilitados que não conseguiam cavalgar, sendo transportados em redes. Já no Maranhão, a 56 km de Caxias, Spix entrou em coma. Temendo pela vida do amigo, Martius, mesmo com febre, seguiu na frente da tropa, a cavalo, para buscar ajuda na cidade. Ao chegar à cidade, entregou ao juiz as autorizações reais para o trabalho na província e desmaiou, devido ao cansaço e à doença. Depois de um período de descanso em Caxias, ambos se recuperaram e partiram para São Luís. Atingiram essa cidade no início de junho e, após algumas excursões por rios próximos, seguiram de navio para Belém a 20 de julho. “A meta almejada”. É com essa frase que Martius se refere, em seu diário, à terceira e última etapa da expedição. Ele desembarcou em Belém a 25 de julho de 1819 e começou a viagem pelo rio Amazonas quase um mês depois. O desejo de conhecer a Amazônia era tão grande que, antes de iniciar a subida do rio, ficou várias noites sem conseguir dormir de ansiedade. Os dois viajantes fizeram uma incursão pelo rio Tocantins e depois subiram o rio Amazonas, passando por Manaus em outubro e aportando em Tefé (Ega, na época), no final de novembro. Dali, Spix subiu o rio Solimões até Tabatinga, na fronteira com Peru e Colômbia, enquanto Martius subiu o rio Japurá até Araracoara, também na fronteira com a Colômbia. Eles se reencontrariam em Manaus, em março de 1820. Durante essa viagem Martius fez as primeiras descrições do uso de produtos vegetais locais, como a extração e o preparo do látex da seringueira (Hevea brasiliensis), do guaraná (Paullinia cupana) e do cumaru (Dipterix odorata). Relatou também como os índios usavam, para pescar, extratos de plantas que entorpecem, como o açaçu (Hura crepitans e

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Hura brasiliensis) e o timbó (Paullinia pinnata), além do cultivo e uso de epadu (Erythroxylum coca), de efeito alucinógeno, pelas tribos do alto Solimões. Tais descrições, com as informações etnográficas (sobre os hábitos e a cultura dos índios) coletadas por Martius, o colocam como um precursor da etnobotânica, disciplina que surgiria mais de um século depois de sua viagem pelo Brasil.

Depois da viagem Os amigos partiram de Belém, na volta à Europa, a 13 de junho de 1820. O relato da aventura, intitulado Reise in Brasilien (Viagem pelo Brasil), foi publicado em três volumes, entre 1823 e 1831, com mapas do Brasil (os melhores da época) indicando as regiões percorridas e 40 estampas baseadas em desenhos originais de ambos. Esse relato foi um grande sucesso editorial e deu notoriedade a Martius, nomeado em 1826 professor da Universidade de Munique e em 1832 diretor do Jardim Botânico de Munique (onde trabalhou até sua morte). O trabalho realizado por Martius foi extraordinário, mesmo para os padrões atuais. Quando a viagem terminou, Martius havia percorrido 10 mil km, de norte a sul e de leste a oeste do Brasil. Começando no Rio de Janeiro, ele atravessou São Paulo, Minas Gerais, parte de Goiás, Bahia, Pernambuco, Ceará, Piauí, Maranhão, Pará e Amazonas, chegando à fronteira colombiana. Coletou e registrou milhares de plantas, apontando muitas novas famílias, gêneros e espécies – dados divulgados em várias publicações, inclusive a monumental Flora brasiliensis. Martius ainda preparou o primeiro mapa fitogeográfico do Brasil, que não difere muito do último mapa de biomas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Biodiversidade Brasileira Ao retornar à Alemanha, Martius levou cerca de 10 mil plantas e, a partir de 1823, começou a publicar seus resultados botânicos sobre os espécimes coletados na viagem. Seu trabalho inicial foi dedicado especialmente à descrição de novas famílias, gêneros e espécies. Entre as espécies descobertas por Martius estão o açaí (Euterpe oleracea), o palmito (Euterpe edulis) e o babaçu (Orbygnia speciosa). Em seguida, encorajado pelo príncipe von Metternich, planeja a Flora brasiliensis. O primeiro fascículo dessa obra gigantesca, publicado em 1840, descreve as unidades fitogeográficas do Brasil, com ilustrações sobre os diferentes tipos de vegetação, baseadas em desenhos de Ender e do próprio Martius. A Flora teve apoio financeiro do imperador da Áustria (Ferdinando José I), do novo rei da Baviera (Ludovico I) e, a partir de 1850, do imperador brasileiro D. Pedro II. A subvenção brasileira não foi retirada com a proclamação da República, em 1889, mantendo- se até a publicação do último volume, em 1906. A Flora brasiliensis é o maior projeto de catalogação de uma flora da história da botânica. Foi organizada em 140 fascículos, com 40 partes distintas agrupadas em 15 volumes. Trabalharam na obra 60 dos maiores botânicos da época. Nela são descritas 22.767 espécies de plantas, das quais 5.689 eram novas para a ciência. A publicação completa demorou 67 anos, e só terminou 48 anos após a morte de Martius. A obra foi também a primeira estimativa da biodiversidade brasileira. O Brasil, hoje, é considerado o país mais rico em plantas do mundo, com cerca de 35 mil espécies conhecidas, mas

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estimativas apontam um número real entre 40 mil e 100 mil espécies vegetais. Na Flora brasiliensis as 22.767 espécies foram inventariadas em 67 anos, o que corresponde a 340 espécies por ano. Já as espécies acrescentadas ao inventário da flora brasileira desde o final da publicação da obra, em 1906, até a última compilação de espécies de plantas do Brasil (realizada em 2001 pelo botânico Rafaël Govaerts, do Jardim Botânico Real, em Kew, na Inglaterra) somam 12 mil, em 95 anos – a uma taxa, portanto, de 126 espécies por ano. Isso indica que o trabalho realizado na Flora brasiliensis – por Martius e outros autores – foi 2,8 vezes mais eficiente que o feito depois. Mesmo considerando que o acúmulo histórico de conhecimento sobre a flora torna cada vez mais difícil encontrar espécies novas, essa eficiência pode ser creditada em grande parte ao modelo de planejamento, coleta e registro do naturalista alemão, adequado para inventariar a fauna de regiões tropicais e subtropicais. Apesar de todos os recursos tecnológicos atuais, como computadores e fotografias digitais, os botânicos do Brasil e das regiões tropicais ainda têm muito o que aprender com Martius.

Frutas Brasileiras por Albert Eckhout

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AMAZÔNIA A Amazônia é a maior floresta tropical que ainda existe no mundo. A floresta tropical cobre apenas 7% da superfície do nosso planeta, no entanto, contém mais de 50% das espécies da terra. Contudo, a floresta amazônica está sendo derrubada cada vez mais rapidamente. Na Amazônia, as 15 espécies mais valorizadas pelas populações rurais e urbanas já estão sendo extraídas para a produção de madeira. Se a taxa de desmatamento e a incidência de fogo continuarem altas, a mata vai acabar tão rápido que os nossos netos e bisnetos não vão conhecê-la.

CURIOSIDADES SOBRE A FLORESTA AMAZÔNICA

Projeto Jari é o nome de uma fábrica existente às margens do Rio Jari,

para a produção de celulose e outros produtos, que teve início em 1967.

O projeto foi idealizado pelo bilionário norte-americano Daniel Keith Ludwig e seu sócio Joaquim Nunes Almeida.1 Ele mandou construir uma fábrica de

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celulose no Japão, na cidade de Kobe, usando tecnologia finlandesa da cidade de Tampere, foram construídas duas plataformas flutuantes com uma unidade para a produção de celulose e outra para a produção de energia. A unidade de energia produzia 55 megawatts e era alimentada por óleo BPF a base de petróleo com opção para consumo de cavacos de madeira.

Ludwig adquiriu em 1967, na fronteira entre os estados do Pará e Amapá (então Território Federal) uma área de terra de tamanho pouco menor que a do estado de Sergipe, ou equivalente ao estado norte-americano do Connecticut, para a instalação do seu projeto agropecuário. Ao longo do programa de instalação, enfrentou as desconfianças do governo e de algumas parcelas da sociedade que temiam pela soberania brasileira sobre a área inabitada de florestas onde o Jari seria instalado. A "ameaça" rendeu, em 1979, a criação de uma CPI para "apurar a devastação da floresta amazônica e suas implicações" Entretanto, o relatório da Comissão não faz qualquer alusão direta a este projeto.

A área adquirida por Ludwig fez com que fosse provavelmente o maior proprietário individual de terras no Ocidente. A grandiosidade do Jari acentuava-se por ser a região totalmente desprovida de qualquer infraestrutura; foi necessária a construção de portos, ferrovia e nove mil quilômetros de estradas. Ali Ludwig planejava instalar um projeto de reflorestamento com árvores de crescimento rápido, antevendo o aumento da necessidade mundial por celulose. Além disto, pretendia estender as atividades para a mineração, pecuária e agricultura, atraindo críticas de ambientalistas.

Uma usina termelétrica e a própria fábrica de celulose foram rebocadas do Japão, num percurso de 25 mil quilômetros, que durou 53 dias a ser concluído. Além das instalações, todo o projeto ocupava uma área de 16 mil km², a construção de uma cidade para a moradia dos trabalhadores, além de hospital e escolas na sede, chamada Monte Dourado. A fábrica e implementos custaram em torno de 200 milhões de dólares. Em 1982, ano de sua venda, a população do Jari alcançou a marca de trinta mil habitantes.

Neste ano, sem apresentar resultados, Ludwig abandonou o projeto. As negociações envolveram o homem forte do regime militar, general Golbery do Couto e Silva, e cogitou-se na venda para o Banco do Brasil, para um pool de empresas e para o empresário Augusto de Azevedo Antunes. Até o começo dos anos 1980 Ludwig declarava haver gasto no Jari 863 milhões de dólares, atualizados em 1981 para 1,15 bilhão.

No ano 2000 passou a ser controlado pelo Grupo Orsa, de modo que a Jari Celulose não somente tornou-se economicamente viável, como também mostrou-se sustentável, recebendo certificação em 2004 pelo Forest Stewardship Council.

Fordlândia foi o nome dado a uma vasta área de terra adquirida pelo

empresário norte-americano Henry Ford, através de sua empresa Companhia Ford Industrial do Brasil, por concessão do Estado do Pará, por iniciativa do governador Dionísio Bentes e aprovada pela Assembleia Legislativa, em 30 de setembro de 1927. A área de 14.568 km² fica localizada no município de Aveiro, no estado do Pará, às margens do Rio Tapajós.

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Ford tinha a intenção de usar Fordlândia para abastecer sua empresa de látex necessário a confecção de pneus para seus automóveis, então dependentes da borracha produzida na Malásia, na época colônia britânica. Os termos da concessão isentavam a Companhia Ford do pagamento de qualquer taxa de exportação de borracha, látex, pele, couro, petróleo, sementes, madeira ou qualquer outro bem produzido na gleba. As negociações foram conduzidas pelo brasileiro Jorge Dumont Villares, representante do governador Dionísio Bentes, que visitou Henry Ford nos EUA. Os representantes da Ford, para receber a área, foram O. Z. Ide e W. L. Reeves Blakeley.

A terra era infértil e pedregosa e nenhum dos gerentes de Ford tinha experiência em agricultura equatorial. As seringueiras, árvores de onde se extrai o látex, plantadas muito próximas entre si, o oposto das naturalmente muito espaçadas na selva, foram presa fácil para pragas agrícolas, principalmente micro-organismos do gênero Microcyclus que dizimaram as plantações.

Os trabalhadores das plantações recebiam uma alimentação típica norte-americana, como hambúrgueres, instalados em habitações também ao estilo norte-americano, obrigados a usar crachás e comandados num estilo a que não estavam habituados, o que causava conflitos e baixa produtividade. Em 1930, os trabalhadores locais se revoltaram contra gerentes truculentos, que tiveram que se esconder na selva até o exército brasileiro intervir e restabelecer a ordem.

O governo brasileiro suspeitava dos investimentos estrangeiros, especialmente na Amazônia, e oferecia pouca ajuda. Ford ainda tentou realocar as plantações em Belterra, mais para o norte, onde as condições para a seringueira eram melhores mas, a partir de 1945, novas tecnologias permitiam fabricar pneus a partir de derivados de petróleo, o que tornou o empreendimento um total desastre, causando prejuízos de mais de vinte milhões de dólares.

Com o falecimento de Henry Ford, seu neto Henry Ford II assumiu o comando da empresa nos Estados Unidos e decidiu encerrar o projeto de plantação de seringueiras no Brasil. Através do Decreto número 8.440 de 24 de dezembro de 1945, o Governo Federal brasileiro definiu as condições de compra do acervo da Companhia Ford Industrial do Brasil: a Ford foi indenizada em aproximadamente US$ 250.000, e o governo brasileiro assumiu as obrigações trabalhistas dos trabalhadores remanescentes, além de receber seis escolas (quatro em Belterra e duas em Fordlândia); dois hospitais; estações de captação, tratamento e distribuição de água nas duas cidades; usinas de força; mais de 70 quilômetros de estradas; dois portos fluviais; estação de rádio e telefonia; duas mil casas para trabalhadores; trinta galpões; centros de análise de doenças e autópsias; duas unidades de beneficiamento de látex; vilas de casas para a administração; departamento de pesquisa e análise de solo; plantação de 1.900.000 seringueiras em Fordlândia e 3.200.000 em Belterra.

Forlândia não foi completamente esquecida. Músicos e escritores já destacaram a utopia de Ford em suas obras. A cantora e compositora Kate Campbell, por exemplo, imortalizou Fordlândia e sua decadência em seu álbum

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de 2008 "Save the Day". Ainda nesse ano, o compositor islandês Jóhann Jóhannsson lançou um álbum intitulado Fordlandia.

Na literatura, o historiador da Universidade de Nova Iorque Greg Grandin lançou o livro "Fordlandia – A ascensão e a queda da cidade perdida na selva de Henry Ford", considerado um dos cem melhores livros publicados em 2009 pelaAmazon. Além disso, um documentário sobre a cidade também foi desenvolvido pelos brasileiros Marinho Andrade e Daniel Augusto. O escritor argentino Eduardo Sguiglia lançou o livro "Fordlândia" (Editora Iluminuras, 1997), escolhido como um dos quatro melhores trabalhos de ficção pela The Washington Post (2000).

Soldados da Borracha

Foi o nome dados aos brasileiros que entre 1943/1945 foram alistados e transportados para a Amazônia pelo Semta, com o objetivo de extrair borracha para os Estados Unidos da América (Acordos de Washington) na II Guerra Mundial.

Estes foram os peões do Segundo Ciclo da Borracha e da expansão demográfica da Amazônia. O contingente de Soldados da Borracha é calculado em mais de 50 mil, sendo na grande maioria nordestinos e, por sua vez, cearenses.

Os Soldados da Borracha, depois de alistados, examinados e dados como habilitados nos alojamentos em Fortaleza (Prado e Alagadiço), recebiam um kit básico de trabalho na mata, que constitui-se de: uma calça de mescla azul, uma camisa branca de morim, um chapéu de palha, um par de alpercatas, uma mochila, um prato fundo, um talher (colher-garfo), uma caneca de folha de flandes, uma rede, e um maço de cigarros Colomy. O ponto de partida para muitos deles foi a Ponte Metálica (porto de Fortaleza na época).

Só na Amazônia estes receberam o treinamento para a extração da borracha.

Foi prometido aos Soldados da Borracha que, após a guerra, estes retornariam à terra de origem. Na prática, a maioria deles morreu de doenças como malária ou por influência de atrocidades da selva. Os sobreviventes ficaram na Amazônia por não ter dinheiro para pagar a viagem de volta, ou porque estavam endividados com os seringalistas (donos de seringais).

Ao contrário dos Pracinhas, estes só foram reconhecidos como combatentes da II Guerra Mundial em 1988, e apenas com este reconhecimento tiveram direito a uma pensão vitalícia. Tempos depois os soldados que sobreviveram receberam uma pensão pelo serviço prestado. Em 2004, o cineasta Wolney Oliveira realizou um documentário resgatando esta história esquecida.

BIOPIRATARIA

Biodiversidade é o termo que biólogos contemporâneos encontraram para definir com maior ênfase a enorme quantidade de espécies animais e vegetais existentes no planeta. A biodiversidade trouxe ao cotidiano político, nacional e internacional, questões até então pouco analisadas e consideradas muitas vezes como secundárias; passando a ter uma importância incontornável que só tende a crescer. A maior parte dos recursos genéticos e às milhares de

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espécies animais e vegetais existentes no planeta se encontram em países do hemisfério sul e as principais indústrias farmacêuticas, de engenharia genética e biotecnologia, nos países do hemisfério norte. Países como o Brasil, a Colômbia, Costa Rica e Madagascar possuem um patrimônio genético tão rico que os meios especializados falam em “megabiodiversidade”. Aproximadamente, 20% de toda a biodiversidade existente atualmente no mundo se encontram no Brasil. Muitos produtos extraídos de material contrabandeado, aprimorado pelas tecnologias, foram patenteados por laboratórios estrangeiros. Estatísticas do IBGE dizem que nosso país já perdeu centenas de milhões de dólares com registros no exterior de novas patentes baseadas em espécies vegetais da Amazônia por não dispormos de mecanismos eficientes de defesa do nosso patrimônio genético. De forma muito fácil qualquer pessoa entra em nosso território, exporta, mapeia e registra patentes com base nos recursos coletados livremente. A biopirataria atinge a vários países. Com um maior destaque para o Brasil por sua grande biodiversidade, mais especificadamente na Amazônia e no Pantanal. A Amazônia Legal Brasileira abrange uma área de 5.029.322 Km². Compreendendo os estados de Rondônia, Acre, Amapá, Amazonas, Roraima, Pará, Tocantins e grande parte do Maranhão e Mato Grosso. Esta imensa área, de grande importância geopolítica, engloba a maior parte da bacia amazônica e faz fronteira com sete países sul-americanos. Agregando, assim a maior floresta tropical úmida do mundo. Em sua biodiversidade, além de um incomensurável potencial potamográfico, lá se localizam os maiores banco genético e a mais vasta província mineralógica planetária. Por essas razões a Amazônia há muito tempo desperta a cobiça de muitos. A partir do fim do século XVI, franceses, holandeses e ingleses incursionaram pelo baixo Amazonas, com intuito de exploração, de comércio e de fixação na área. Já no século XX em 1902, o Presidente Theodore Roosevelt, desejoso de participar da vertiginosa industrialização da borracha, incentiva o desenvolvimento de um consórcio internacional, o “Bolivian Syndicate of New York”, para a ocupação do Acre, região em litígio entre Brasil e Bolívia, contrariando interesses dos dois países. A criação, em 1927, da “Fordlândia”, às margens do rio Tapajós e posteriormente em Belterra (próximo a Santarém – PA), bem revela o interesse norte-americano pela borracha do Brasil, tão importante para o esforço de guerra dos aliados, por ocasião da II Guerra Mundial, tornando-se memorável o trabalho dos “Soldados da Borracha”. Convém relembrar que, desde sempre, pairou sobre esse rico e imenso território brasileiro, a cobiça de estrangeiros, hoje potencializada pela globalização e fim da biopolaridade e, máxima, pela excepcional posição geográfica e conhecimento científico de que se dispõe sobre o seu incomensurável potencial hídrico, mineralógico e diversidade biológica. Podemos ver ao longo da história que muito material genético de nosso país foi retirado. Houveram diversas saídas. Em 1746 saiu o cacau levado do Estado da Bahia para o continente Africano, tornando-se este importante produtor de seus derivados. Em 1860 Richard Spruce, botânico inglês foi o encarregado de proceder à coleta de mudas de cinchona, de cujas cascas ocorre a extração do quinino, esta substância foi levada para o Sudeste asiático. A Indonésia tornou-se um dos maiores produtores de quinino. Henry Wickham em 1876 realizou a transferência de 70.000 sementes de seringueiras da região de Santarém. O Brasil só foi o grande produtor de látex durante o

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período de crescimento das mesmas na Ásia, após perdendo para estes que se tornaram os maiores produtores de borracha. Na atualidade as transferências de material genético são comuns. Já é comum a presença da ipecuanha, planta nativa em Rondônia, de cujas raízes se extraí o princípio ativo ementina, sendo cultivada no Himalaia; a castanha-do-Pará em Cingapura, Malásia, Sri Lanka e Trinidad e Tobago. Entre outros temos também já patenteados fora do país como o açaí (utilizado na indústria alimentícia) em que desde março de 2001, o próprio nome da planta “Açaí” se tornou marca registrada na União Européia. Outros casos são o do cupuaçu (utilizado na indústria alimentícia) e que é exportado para vários países. O da andiroba (utilizado na indústria farmacêutica) como exemplo positivo forma parte do elenco de plantas medicinais sendo estudados pela “Central de Medicamentos” (CEME) do Brasil.

FAO

Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura ; FAO, sigla de Food and Agriculture Organization) é uma organização das Nações Unidas cujo objetivo é aumentar a capacidade da comunidade internacional para de forma eficaz e coordenada, promover o suporte adequado e sustentável para a Segurança Alimentar e Nutrição global. Para isso, realiza programas de melhoria da eficiência na produção, elaboração, comercialização e distribuição de alimentose produtos agropecuários, além de projetos que contribuam para a redução da pobreza rural e o crescimento econômico global.

Também é missão deste organismo preparar as nações em desenvolvimento para fazer frente a situações de emergência alimentar. Em certos casos, também presta socorro a populações famélicas (em situção de fome).

A FAO promove investimentos, conhecimento e informação na agricultura e áreas relacionadas, além de contribuir para o aperfeiçoamento da produção agrícola e da criação de gado e a transferência de tecnologia aos países em desenvolvimento. Também fomenta a conservação dos recursos naturais, estimulando o desenvolvimento da pesca, piscicultura, a proteção dos ecosistemas florestais e as fontes de energia renováveis.

CODEX ALIMENTARIUS A Comissão do Codex Alimentarius executa o Programa Conjunto da FAO/OMS sobre Normas Alimentares, cujo objetivo é proteger a saúde dos consumidores e garantir práticas equitativas no comércio de alimentos. O Codex Alimentarius (do latim Lei ou Código dos Alimentos) é uma coletânea de normas alimentares adotadas internacionalmente e apresentadas de modo uniforme. Inclui ainda disposições de natureza consultiva na forma de códigos de práticas, diretrizes e outras medidas recomendadas, destinadas a alcançar os objetivos do Codex Alimentarius. A Comissão do Codex Alimentarius considera que tais códigos de práticas poderiam ser utilizados como listas de verificação (checklists) de requisitos por autoridades nacionais encarregadas do controle dos alimentos. A publicação do Codex Alimentarius tem por objetivo orientar e promover a elaboração de definições e o estabelecimento de

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requisitos aplicáveis aos alimentos, auxiliando a sua harmonização e, conseqüentemente, facilitando o comércio internacional.

SLOW FOOD

Slow Food é uma organização não governamental fundada por Carlo Petrini em 1986 com o objetivo de promover uma maior apreciação da comida, melhorar a qualidade das refeições e uma produção que valorize o produto, o produtor e o meio ambiente.

ALIMENTOS ORGÂNICOS

Alimentos Orgânicos são todos os produtos alimentícios produzidos através de

técnicas orgânicas e sob normas da agricultura orgânica, sendo processados,

manufaturados, embalados, estocados e transportados sob critérios

específicos, de modo a preservar o máximo de seus valores nutricionais e

biológicos, não sendo permitido o uso de agrotóxicos sintéticos, de fertilizantes

minerais solúveis, de organismos geneticamente modificados (transgênicos),

de drogas veterinárias convencionais, de irradiações ionizantes e de aditivos

artificiais.

NOTA: Para quem quer se aprofundar no assunto, veja os filmes: O “Veneno

Está na Mesa” I e II e “O Mundo Segundo a Monsanto”. É bom lembrar que na

internet existem diversos mapas de “Feiras Orgânicas” pelo País.

AGRICULTURA FAMILIAR

Entende-se por agricultura familiar o cultivo da terra realizado por pequenos proprietários rurais, tendo como mão-de-obra essencialmente o núcleo familiar, em contraste com a agricultura patronal - que utiliza trabalhadores contratados, fixos ou temporários, em propriedades médias ou grandes.

Segundo o economista Ricardo Abramovay, da FEA-USP, tal oposição é de natureza social - entre a agricultura que se apoia fundamentalmente na unidade entre gestão e trabalho de família e aquela em que se separam gestão e trabalho. De acordo com o economista, o modelo adotado pelo Brasil, o patronal, não foi o que prevaleceu em países como os Estados Unidos, onde, historicamente, a ocupação do território baseou-se na unidade entre gestão e trabalho, e a agricultura baseou-se inteiramente na estrutura familiar. Abramovay ressalta que os países que mais prosperaram na agricultura foram aqueles nos quais a atividade teve base familiar e não a patronal, enquanto que os países que dissociaram gestão e trabalho tiveram como resultado social uma imensa desigualdade.

A professora Maria Nazareth Braudel Wanderley da UFPE argumenta que a noção de “agricultura familiar” deve ser entendida de forma genérica: “como aquela em que a família, ao mesmo tempo em que é proprietária dos meios de produção, assume o trabalho no estabelecimento produtivo” (Wandeley, 1996,

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p.2). O caráter familiar desse modelo de agricultura não é um mero detalhe superficial e descritivo, mas “o fato de uma estrutura produtiva associar família-produção-trabalho tem conseqüências fundamentais para a forma como ela age econômica e socialmente.” (id.). Sobre este tema da estratégia familiar como central, Wanderley argumenta de forma complementar, que “mais do que a diferença quanto aos níveis de renda auferida, que apenas reconstrói o perfil momentâneo dos agricultores familiares, é a diferenciação das estratégias familiares que está na origem da heterogeneidade das formas sociais concretas da agricultura familiar” (Wanderley, 2009, p.15).

Ao contrário do que defende Abramovay, Wanderley argumenta que o agricultor familiar não é um personagem novo na sociedade contemporânea (produto da ação do Estado) desvinculado do seu passado camponês, mas, ao contrário, os agricultores familiares seriam portadores de elementos de ruptura com o seu passado camponês ao mesmo tempo em que mantêm algumas continuidades. Nas palavras de Wanderley: os agricultores familiares “são portadores de uma tradição (cujos fundamentos são dados pela centralidade da família, pelas formas de produzir e pelo modo de vida), mas devem adaptar-se às condições modernas de produzir e de viver em sociedade” (Wanderley, 2003, p.47-48) uma vez que estão inseridos no mercado moderno e são influenciados pela sociedade englobante e pelo Estado.

Ano internacional da Agricultura Familiar

Em dezembro de 2011, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou 2014 o Ano Internacional da Agricultura Familiar, reconhecendo o papel fundamental desse setor para asegurança alimentar no mundo. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura foi convidada a facilitar sua implementação, em colaboração com governos, instituições internacionais de desenvolvimento, organizações de agricultores e outras organizações relevantes do sistema das Nações Unidas, bem como organizações não governamentais relevantes.

O Ano Internacional da Agricultura Familiar (AIAF) 2014 visa a destacar o perfil da agricultura familiar e dos pequenos agricultores, focalizando a atenção mundial em seu importante papel na erradicação da fome e pobreza, provisão de segurança alimentar enutrição, melhora dos meios de subsistência, gestão dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e para odesenvolvimento sustentável, particularmente nas áreas rurais.

EMBRAPA

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) é uma instituição pública de pesquisa vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil. Criada em 26 de abril de 1973, tem como objetivo o desenvolvimento de tecnologias, conhecimentos e informações técnico-científicas voltadas para a agricultura e a pecuária brasileira.

Tem como missão "Viabilizar soluções de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a sustentabilidade da agricultura, em benefício da sociedade brasileira".

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A sua atuação junto à sociedade baseia-se numa estrutura organizacional composta de Unidades de Pesquisa, Unidades de Serviços e Unidades Centrais, contando com 9.248 empregados, dos quais 2.215 são pesquisadores. Suas unidades (centros de pesquisa) estão distribuídas em quase todos os Estados do Brasil e suas ações de pesquisa têm abrangência nacional.

A Embrapa compõe o Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária-SNPA, também constituído por instituições públicas federais, estaduais, universidades, empresas privadas e fundações que, de forma cooperada, executam pesquisas nas diferentes áreas geográficas e campos do conhecimento científico.

Em termos de cooperação internacional, a Embrapa mantém acordos bilaterais de cooperação técnica com mais inúmeros países e instituições, bem como acordos multilaterais com organizações internacionais, envolvendo principalmente a pesquisa em parceria. Mantém ainda laboratórios virtuais no exterior (Labex) para o desenvolvimento de pesquisas e prospeção de tendências em temas na fronteira do conhecimento nos Estados Unidos, França, Inglaterra, Países Baixos e Coreia do Sul. Também possui um escritório em Gana para compartilhar conhecimento científico e tecnológico junto aos países africanos e, mais recentemente, no Panamá e Venezuela visando a uma atuação na América Latina.

TRANGÊNICOS

Símbolo que identifica os Transgênicos nos alimentos

Transgênicos são organismos vivos modificados em laboratório. O código genético de uma espécie é alterado pela introdução de uma ou mais sequências de genes provenientes de outra espécie. O genoma dos organismos transgênicos contém fragmentos do genoma de bactérias ou vírus em seu DNA. Os genes introduzidos não pertenciam ao genoma original dessa espécie e vão conferir – lhe novas características, fazendo também com que essa espécie possa produzir novas substâncias de interesse.

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EDUCAÇÃO SENSORIAL

Dar um sentido, ter sentido, tomar um sentido... Essas expressões, comuns nas linguagens de inúmeros países, ajudam imediatamente a entender a importância dos sentidos para a nossa orientação. Uma orientação que contribui determinantemente para a definição das escolhas de consumo e estilos de vida de cada um de nós. Hoje sabemos que as percepções derivadas dos estímulos sensoriais, já presentes na vida intra-uterina (portanto em uma fase muito precoce do nosso desenvolvimento), representam o ponto de passagem obrigatória para o desenvolvimento do sistema nervoso, das emoções e da consciência. Dia após dia, as impressões que recebemos incessantemente através dos sentidos, do meio e da cultura na qual estamos imersos definem conexões no nosso cérebro e na nossa memória, modelando-os. A experiência tem portanto um efeito construtivo essencial: pode criar, reforçar ou enfraquecer sinapses e circuitos nervosos, incidindo profundamente na geração e regeneração das redes neuronais que, por sua vez, estruturam individualidade, escolhas e gostos. Os circuitos que se formam são únicos, pessoais e não se repetem. As percepções representam portanto antes de tudo um fenômeno subjetivo, para provar que a natureza favorece a diversidade. O meio no qual vivemos cria porém percursos comuns, que definem afinidade e possibilidade de compartilhar. Mais as experiências e os estímulos são ricos e diferenciados, maior parece ser a possibilidade de desenvolver uma personalidade harmoniosa, capaz de se orientar com equilíbrio no complexo mundo das relações sociais e de consumo. E ainda: diferenças e multiplicidades de estímulos ajudam a manter vivas as diferenças individuais, linfa vital para o crescimento e desenvolvimento, tanto do ponto de vista biológico quanto social e cultural. Globalização e hábitos de vida ocidentais, que apesar de terem ampliado alguns horizontes (basta pensar no desenvolvimento dos transportes e das redes de informática), correm o risco porém de limitar de forma alarmante diversas experiências, submetendo-nos a uma verdadeira privação sensorial, com efeitos imponderáveis sobre o desenvolvimento e equilíbrio. O que incidiu vigorosamente foi por certo o progressivo distanciamento dos ambientes naturais, com seus ritmos das mil facetas diferentes pelo clima, a vegetação, as cores e os perfumes que se contrastam com ambientes urbanos cada vez mais parecidos, anônimos e padronizados. Segundo alguns antropólogos, por exemplo, a poluição das metrópoles induz a um reflexo condicionado que provoca uma espécie de apnéia, responsável pela progressiva perda de sensibilidade do olfato. O mesmo vale para a alimentação. O gosto repetitivo e sempre igual de muitos produtos industrializados, ligado ao abundante uso de adoçantes, sais e especiarias artificiais, induz a uma diminuição progressiva da sensibilidade gustativa, que por vez faz aumentar o uso desses aditivos. O condicionamento que se cria é traduzido em uma sensibilidade limitada. Isso nos torna incapazes de reconhecer e apreciar o gosto variado e sempre diferente de muitos alimentos “ao natural”, como frutas e vegetais locais e sazonais, que muitas vezes trocamos por insípidos cultivados em estufa. A aposta é alta: corremos o risco de comprometer irremediavelmente as nossas potencialidades, que comportam a capacidade de escolhas diferenciadas e múltiplas, transformando-nos em consumidores “robô”, guiados por sentidos cada vez menos capazes de distinguir e selecionar. Redescobrir a natureza como origem de tudo o que nos cerca, inclusive o desenvolvimento tecnológico, é o primeiro

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passo para recuperar o espaço perdido, a diversidade e a multiplicidade dos estímulos necessários para regenerar os sentidos, e consequentemente emoções e pensamentos. A oficina de educação dos sentidos que vamos ilustrar a seguir oferece ao participante a possibilidade de viver experiências com o auxílio de um guia em um ambiente protegido, que ajuda a reconhecer e interpretar os estímulos sensoriais e a se tornar mais conscientes das escolhas de consumo. Os ingredientes do território são os protagonistas deste percurso cognitivo porque suas qualidades refletem a cultura que os produz e suas relações com o equilíbrio do ambiente. É o início de um trajeto projetado para o exterior, onde a responsabilidade de preservar a natureza e construir um ambiente rico em estímulos harmoniosos cabe a todos nós. Esperamos que os nossos interlocutores mais jovens consigam, ao longo do caminho, orientar-se com maior consciência e avaliar, graças à ajuda de sentidos bem treinados, as consequências de nossas escolhas em seus futuros, unindo-se a nós para enfrentar o desafio do bem-estar ambiental e social que caracteriza o nosso século.

ECONOMIA CRIATIVA

Economia Criativa segundo o autor ingês John Howkins no livro “The Creative Economy”, publicado em 2001, são atividades na quais resultam em indivíduos exercitando a sua imaginação e explorando seu valor econômico. Pode ser definida como processos que envolvam criação, produção e distribuição de produtos e serviços, usando o conhecimento, a criatividade e o capital intelectual como principais recursos produtivos.

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A “ILUSÃO” DA DIVERSIDADE DAS MARCAS

Ao longo do século passado, poderosas empresas de alimentos e bebidas desfrutaram de um sucesso comercial sem precedentes. Porém, ao mesmo tempo em que essas empresas se tornavam prósperas, milhões de pessoas que produziam as matérias primas necessárias para abastecê-las enfrentavam dificuldades cada vez maiores quanto ao acesso à terra, à água e às condições de trabalho. Hoje, um meio ambiente em rápida transformação, comunidades afetadas e consumidores cada vez mais exigentes estão obrigando o setor a repensar suas práticas habituais.

As “10 Grandes” – Associated British Foods (ABF), Coca-Cola, Danone, General Mills, Kellogg, Mars, Mondelez International (antes Kraft Foods), Nestlé, PepsiCo e Unilever – geram receitas de mais de US$1,1 bilhão por dia e empregam milhões de pessoas direta ou indiretamente no cultivo, processamento, distribuição e venda de seus produtos. Hoje, essas empresas são parte de uma indústria avaliada em US$ 7 trilhões, maior até do que o setor energético e representando cerca de 10% da economia global.

Em 2011, a ONU reconheceu os enormes impactos das empresas nos direitos humanos e endossou um conjunto detalhado de responsabilidades aplicáveis a todas elas. De acordo com os Princípios da ONU, as empresas são obrigadas a realizar “as devidas investigações” para assegurar que não violam direitos humanos e a tratar e mitigar quaisquer impactos adversos em quaisquer de suas “atividades ou relações”, abrangendo suas cadeias de fornecimento e parceiros comerciais e governamentais. Para cumprir essas exigências, as empresas devem estabelecer políticas e processos para identificar e lidar com riscos aos direitos humanos, envolver-se com fornecedores, partes interessadas e órgãos governamentais adequados e estabelecer mecanismos de reclamação para reparar qualquer abuso.

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Quais marcas pertencem à qual grande empresa de alimentos e bebidas.

NOTA: No Brasil não é diferente, empresas como Ambev (bebidas),

Cutrale (Laranja) e Cosan (açúcar) são alguns exemplos de oligopólios do setor.

“Até meados do ano passado, apenas cinco empresas controlavam 80% do comércio mundial de suco de laranja. Todas possuíam fábricas no Brasil e respondiam por 4,5% das exportações do agronegócio do país. Se o mercado já era concentrado, tornou-se ainda mais desde julho de 2004, quando a Cargill, quarta maior companhia do setor, anunciou a venda do seu negócio de suco de laranja no país para a Cutrale e a Citrosuco, as duas maiores do ranking. Essas duas indústrias passaram a produzir quase 70% do suco de laranja brasileiro e a deter 56% do mercado mundial. Em maio deste ano, a Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, e a Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), do Ministério da Fazenda, emitiram pareceres sugerindo a aprovação da venda. De acordo com os pareceres, essa operação não prejudicaria os agricultores envolvidos na cadeia de produção” (Cada vez mais concentrado, Revista Exame, 11 de agosto de 2005)

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Os EUA identificaram em cinco cargas de suco de laranja brasileiro teor acima

do permitido de um produto usado para combater doenças nas plantações. O

fungicida carbendazim é liberado no Brasil, mas não em solo americano.

De 80 navios de suco de laranja testados pela FDA — responsável por

monitorar alimentos e medicamentos no país –, 11 apontaram presença de

carbendazim acima do permitido pelos EUA, de 10 partes por bilhão. A

agência também divulgou que 29 cargas passaram no teste, sendo duas do

Brasil. Os demais resultados ainda devem ser divulgados.

Das 11, cinco cargas eram do Brasil e seis do Canadá, que também importa

suco brasileiro. Para as cargas recusadas pela FDA, o importador tem 90 dias

para exportar ou destruir o produto. Cada carga representa um navio, que pode

transportar entre 15 mil e 40 mil toneladas do produto.

O Brasil é o maior exportador de suco de laranja do mundo e cerca de 15% dos

embarques tem como destino os EUA.

TESTES - O governo dos EUA anunciou em 10 de janeiro que iria testar o suco

de laranja importado do Brasil para checar a presença do fungicida. A medida

foi formalizada em carta à indústria americana 13 dias após receber o alerta de

uma empresa local que detectara níveis baixos do pesticida carbendazim em

suco brasileiro.

Existe algum impacto do “carbendazim” para quem bebe o suco de laranja? Qual?

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Três empresas controlam 53% do mercado mundial de sementes, seis

empresas de agrotóxicos dominam 76% do setor, e dez corporações

controlam 41% do mercado de fertilizantes. Com nomes próprios e cifras de

lucros, um relatório internacional lança dados concretos sobre as

multinacionais do agronegócio.

"A concentração de poder corporativo das corporações e privatização da

pesquisa devem ser discutidas como temas principais na busca de soluções

para o problema de quem nos alimentará", afirmou Kathy Jo Wetter,

coordenador da pesquisa dos EUA, ao destacar uma das principais "falácias"

do agronegócio: "É uma grande mentira que este modelo agroindustrial pode

lutar contra a fome no mundo." E levantou a necessidade de acabar com os

oligopólios e fortalecer outro modelo.

O Grupo ETC é uma referência no estudo das corporações do agronegócio.

Com três décadas de trabalho e escritórios no Canadá, EUA e México, emite

periodicamente artigos sobre todos os cinco continentes com base em

cruzamentos de informações oficiais de governos e empresas. "Sementes,

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solos e camponeses. Quem controla os insumos agrícolas? ", resume o estado

de coisas das multinacionais do agronegócio.

Estudo

Ele detalha que três empresas controlam mais da metade (53%) do mercado

mundial de sementes. Trata-se da Monsanto (26%), DuPont Pioneer (18,2%) e

Syngenta (9,2%). As três empresas faturam 18 bilhões de dólares por ano.

Entre o quarto e décimo lugar aparecem a companhia Vilmorin (do grupo

francês Limagrain), Winfield, a alemã KWS, Bayer, Dow AgroSciences e as

japonesas Sakata e Takii.

O relatório observou que as grandes empresas já compraram a maior parte das

outras empresas que forneciam as sementes em seus países de origem. Ele

observa que a nova estratégia é adquirir e estabelecer parcerias com empresas

da Índia, África e América Latina. Citam, como exemplo, o caso da

estadunidense Arcadia Biosciences e a argentina Bioceres.

O Grupo ETC alerta que o cartel de sementeiro promove a privatização das

sementes pela "proteção mais rigorosa da propriedade intelectual", e o

desencorajamento da prática tão antiga quanto a agricultura: guardar sementes

da colheita para usar nas próximas plantações.

O quadro legal impulsionado pelo agronegócio e governos se chama UPOV 91

(União Internacional para a Proteção das Obtenções Vegetais), que proíbe a

troca de variedades entre agricultores.

Agrotóxicos

A indústria de agroquímicos também está em poucas mãos. Dez empresas

controlam 95% do setor. Syngenta (23% de participação no mercado e 10

bilhões de faturamento anual), a Bayer CropScience (17% e 7,5 bilhões), a

BASF (12% e 5,4 bilhões de dólares), a Dow AgroSciences (9,6% e 4,2 bilhões

de dólares) e Monsanto (7,4% e 3,2 bilhões de dólares por ano).

Entre o sexto e décimo lugar estão a DuPont, Makhteshim (adquirida pela

chinesa Agroquímicos Empresa), a australiana Nufarm e as japonesas

Sumitomo Chemical e Arysta LifeScience. As dez empresas faturam 41 bilhões

por ano.

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O relatório observa o crescimento exponencial de agrotóxicos nos países do

sul. Os autores questionam o aumento da exposição a produtos químicos e

impactos na saúde pública.

"O oligopólio invadiu todo o sistema alimentar", resumiu Kathy Jo Wetter, do

escritório do Grupo ETC nos EUA, e defendeu "implementar regulamentações

nacionais em matéria de concorrência e estabelecer medidas que defendam a

segurança alimentar global."

Criticou o discurso empresário que promete acabar com a fome baseado no

modelo agrícola atual: "é uma grande mentira argumentar que intensificando a

produção industrial com as tecnologias do Norte (sementes transgênicas,

agrotóxicos e genética animal promovidas pelas corporações) a população

mundial terá comida para sobreviver. "

Fertilizantes

Em relação aos fertilizantes, dez empresas controlam 41% do mercado e

faturam 65 bilhões de dólares. Trata-se das empresas Yara (6,4%), Agrium Inc

(6,3), a empresa Mosaic (6.2), PotashCorp (5.4), CF Industries (3.8), Sinofert

Holdings (três , 6), K + S Group (2,7), Israel Chemicals (2,4), Uralkali (2.2) e

Bunge Ltd (2%).

O Grupo ETC também analisou a indústria farmacêutica animal: sete empresas

têm 72% do mercado global. Quanto ao setor dedicado à indústria de genética

animal, quatro empresas dominam 97% das pesquisas e desenvolvimento em

aves (frangos de engorda, galinhas poedeiras e perus).

Silvia Ribeiro, diretora da América Latina do Grupo ETC, reforçou a

necessidade de outro modelo agrícola: "A rede camponesa de produção de

alimentos é largamente ignorado ou invisível para os formuladores de políticas

que tratam de questões em relação à alimentação, agricultura e crise climática.

Isto tem de mudar, os agricultores são os únicos que realmente têm a

capacidade e a vontade de alimentar os que sofrem com a fome."

Para reduzir a concentração

O Grupo ETC alerta que a concentração do mercado de alimentos gerou uma

alta vulnerabilidade no sistema alimentar global. "É hora de desempoleirar tirar

o pó das regulamentações nacionais em matéria de concorrência e começar a

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considerar medidas internacionais para garantir a segurança alimentar

mundial", exige o relatório.

Recomenda que, para a alimentação e agricultura, o nível de concentração de

quatro empresas não deve exceder uma cota de 25% do mercado e uma só

empresa não deve ter mais de 10%. Propõe proibir qualquer empresa a venda

de sementes cuja produtividade depende de agrotóxicos da mesma empresa.

Recomenda aos governos implementar políticas de concorrência que incluam

fortes disposições antitruste combinadas com ações concretas para proteger os

pequenos produtores e os consumidores. Solicita a Comissão de Segurança

Alimentar da ONU avalie seriamente a capacidade do modelo industrial

(agronegócio) e fortaleça com medidas concretas a rede de alimentos dos

camponeses, “a fim de garantir com êxito a segurança alimentar."

REFLEXÃO: Como dizer que um alimento é “fresco”, se usamos ingredientes com agrotóxicos em vez de “orgânicos” ?

Porque não comprar ou fabricar licor, xarope, geléia e infusões com produtos da “Agricultura Familiar” ?

Porque não cobrar dos nossos distribuidores, compromisso com o “sustentável” ?

Porque não valorizar o “caseiro” ou “artesanal” em vez do produto industrializado ?

Precisamos valorizar uma “Coquetelaria Consciente”. Que tenha uma visão de 360° graus dos seus produtos, desde a produção no campo até o consumidor final.

Um exemplo dessa atitude é o projeto Favela Orgânica, que começou na comunidade da Babilônia, no Rio de Janeiro em 2011 pela Regina Tchelly. O projeto consiste em oficinas sobre como aproveitar os alimentos na sua totalidade, modificando as relações de compras, consumo e descarte da comida. Os participantes das aulas aprendem a usar casca, talos e sementes, partes normalmente descartadas, na preparação de receitas. Um exemplo disso é o uso de casca de banana , casca de melancia, casca de mamão e casca de abóbora para fazer doces, brigadeiros, sucos, etc.

Porque não adotar esse exemplo para a COQUETELARIA ?

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TECNOLOGIA E COQUETELARIA

Tecnologia (do grego τεχνη — "técnica, arte, ofício" e λογια — "estudo") é um termo que envolve o conhecimento técnico e científico e a aplicação deste conhecimento através de sua transformação no uso de ferramentas, processos e materiais criados e/ou utilizados a partir de tal conhecimento. Dependendo do contexto, a tecnologia pode ser:

As ferramentas e as máquinas que ajudam a resolver problemas;

As técnicas, conhecimentos, métodos, materiais, ferramentas e processos

usados para resolver problemas ou ao menos facilitar a solução dos

mesmos;

Um método ou processo de construção e trabalho (tal como

a tecnologia de manufatura, a tecnologia de infraestruturaou

a tecnologia espacial); A aplicação de recursos para a resolução de

problemas;

O termo tecnologia também pode ser usado para descrever o nível

de conhecimento científico, matemático e técnico de uma determinada

cultura;

Na economia, a tecnologia é o estado atual de nosso conhecimento de

como combinar recursos para produzir produtos desejados (e nosso

conhecimento do que pode ser produzido).

Os recursos e como utilizá-los para se atingir a um determinado objetivo,

para se fazer algo, que pode ser a solução ou minimização de um problema

ou a geração de uma oportunidade, por exemplo.

A tecnologia é, de uma forma geral, o encontro entre ciência e engenharia. Sendo um termo que inclui desde as ferramentas e processos simples, tais como uma colher demadeira e a fermentação da uva, até as ferramentas e processos mais complexos já criados pelo ser humano, tal como a Estação Espacial Internacional e a dessalinização da água do mar. Existe um equilíbrio grande entre as vantagens e as desvantagens que o avanço da tecnologia traz para a sociedade. A principal vantagem é refletida na produção, a tecnologia torna a produção mais rápida e maior e, sendo assim, o resultado final é um produto mais barato e com maior qualidade.

NOTA: Lembrando sempre que as evoluções são constantes e permanentes na História do Bar e das Bebidas. A destilação, por exemplo, foi um processo descoberto milênios depois da fermentação. A própria Mixologia Molecular é baseada na Gastronomia Molecular que por sua vez é baseada na Ciência Aplicada.

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Na Revista Chef, de Março de 2012, Ferran Adriá comenta sobre isso

Nosso interesse pelo mundo científico aplicado à cozinha vem de longe. Tudo nasceu a partir de uma estância em Biarritz, em 1995, onde participávamos de um curso na Fundación Escoffier. Ali nós descobrimos que o cientista francês Hervé This, um dos primeiros representantes da gastronomia molecular, foi ministrar umas conferências sobre Física e Química aplicada à gastronomia. E, apesar do nosso desconhecimento sobre o tema, decidimos assistir à palestra. Nos anos seguintes, paulatinamente, tivemos um certa iniciação à ciência, embora, até pouco tempo atrás, muito pouco ou nenhum dos nossos conceitos, técnicas e elaborações eram feitos contando com suporte científico. Quando se fala de investigação e ciência, geralmente aparece o termo “gastronomia molecular”, já que é um dos temas que tem acendido o fogo da investigação na cozinha. Nós cremos que a gastronomia molecular não é um tipo de cozinha, mas algo que define o diálogo entre cientistas e cozinheiros. Diálogo esse que não se produz unicamente na cozinha de vanguarda, mas também pode existir, por exemplo, na cozinha tradicional. É possível haver um estudo científico de quais são as reações químicas e físicas quando se cozinha um cochinillo (pequeno leitão espanhol) a baixa temperatura. O comensal que receber este prato não saberá que o “cochinillo perfeito” nasceu de um busca científica determinada. Este comensal tampouco poderá perceber um estilo, que é independente deste tipo de investigação, o que confirma, repito, que a gastronomia molecular não é um tipo de cozinha, mas que se refere tão somente ao diálogo entre ciência e cozinha. Acredito que nos encontramos em um momento da história da cozinha no qual não basta falar de criatividade, mas que este termo deve ser acompanhado pela investigação, e trata, obviamente, de uma escolha que não é obrigatória para todo mundo, e sem dúvida aparecerão cozinheiros que vão optar por dedicarem-se à criatividade aliada à investigação, e outros que não. Não devemos esquecer que a investigação exige um preço alto, que evidentemente não está ao alcance de todo mundo, embora a colaboração com empresas ou universidades possa alinhar o caminho.

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AQUÍFEROS BRASILEIROS

Aquífero Guarani foi o nome que, em 1996, o geólogo uruguaio Danilo

Anton propôs para denominar um imenso aquífero que abrange partes dos territórios do Uruguai, Argentina, Paraguai e principalmente Brasil, ocupando 1 200 000 km². Na ocasião, ele chegou a ser considerado o maior do mundo, capaz de abastecer a população brasileira durante 2500 anos. A maior reserva atualmente conhecida é o Aquífero Alter do Chão. O Aquífero Guarani é imenso, mas menor do que se supunha e, sobretudo, com volume e qualidade da água inferiores aos estimados inicialmente. Além disso, é descontínuo, como na região de Ponta Grossa (PR), e heterogêneo. Um dos mais importantes estudos feitos sobre ele foi desenvolvido pelo geólogo José Luiz Flores Machado, do Serviço Geológico do Brasil. A maior parte (70% ou 840 mil km²) da área ocupada pelo aquífero — cerca de 1 200 000 km² — está no subsolo do centro-sudoeste do Brasil. O restante se distribui entre o nordeste da Argentina (255 mil km²), noroeste do Uruguai (58500 km²) e sudeste do Paraguai (58500 km²), nas bacias do rio Paraná e do Chaco-Paraná. A população atual do domínio de ocorrência do aquífero é estimada em quinze milhões de habitantes.

Rio Grande do Sul (157 600 km²), São Paulo (155 800 km²), Paraná (131 300 km²), Goiás (55 000 km²), Minas Gerais (51 300 km²), Santa Catarina (49 200 km²) e Mato Grosso (26 400 km²).

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Nomeado em homenagem ao povo Guarani, possui um volume de aproximadamente 55 mil km³ e profundidade máxima por volta de 1 800 metros, com uma capacidade de recarregamento de aproximadamente 166 km³ ao ano por precipitação. É dito que esta vasta reserva subterrânea pode fornecer água potável ao mundo por duzentos anos. Devido a uma possível falta de água potável no planeta, que começaria em vinte anos, este recurso natural está rapidamente sendo politizado, tornando-se o controle do Aquífero Guarani cada vez mais controverso.

Geologia do aquífero

O Aquífero Guarani consiste primariamente de sedimentos arenosos que, depositados por processos eólicos durante o período Triássico (há aproximadamente 220 milhões de anos), foram retrabalhados pela ação química da água, pela temperatura e pela pressão e se transformaram em uma rocha sedimentar chamada arenito. Essa rocha é muito porosa e permeável e assim permite a acumulação de água no seu interior. Mais de 90% da área total do aquífero são recobertos por lavas de basalto, rocha ígnea e de baixa permeabilidade, depositada durante o período Cretáceo na fase dovulcanismo fissural. O basalto age sobre o Aquífero Guarani como um aquitardo, diminuindo sua a infiltração de água e dificultando seu subsequente recarregamento, mas também o isola da zona mais superficial e porosa do solo, evitando a evaporação e evapotranspiração da água nele contida.

Embora algumas áreas de ocorrência do Aquífero Guarani sejam exploradas há mais de um século, ainda falta muito para que ele seja bem conhecido na sua totalidade. A pesquisa e o monitoramento do aquífero para melhor gerenciá-lo como recurso são considerados importantes, uma vez que o crescimento da população em seu território é relativamente alta, aumentando riscos relacionados ao consumo e a poluição.

No Brasil, oito estados são abrangidos pelo aquífero Guarani. São Paulo é onde sua potencialidade mais se aproxima daquela inicialmente divulgada. A cidade de Ribeirão Preto é toda abastecida por água subterrânea extraída dele. Já em Santa Catarina e Paraná, em extensas áreas do aquífero a água não é potável, por excesso de sais. Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais são estados que requerem mais estudos, embora neles as águas tendam a ter boa qualidade.

Na Argentina o aquífero encontra-se em grandes profundidades e na Província de Entre Rios a salinidade chega a ser três vezes maior que a da água do mar. No Uruguai, a estrutura do aquífero é favorável ao fluxo das águas, mas a salinidade aumenta próximo ao rio Uruguai.No Paraguai, o aquífero mostra-se heterogêneo, com extensa área aflorante, águas de boa qualidade, mas com uma extensa faixa de águas salobras nas proximidades do rio Paraná. A vazão é muito variável: mais de 200 mil litros por hora na região do Alto Rio Uruguai, no Rio Grande do Sul, mas com raros poços acima de 5.000 litros por hora na região das Missões, no mesmo estado. Em outros estados, já foram registradas vazões da ordem de 800.000 litros por hora. Em muitas áreas a água não é potável, mas é ótima para estâncias turísticas de águas minerais e termais. A água de melhor qualidade do Aquífero Guarani em geral está nos bordos das áreas de afloramento do aquífero e seus arredores. As maiores áreas com

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água de boa qualidade ficam em São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Paraguai.

Aquífero Alter do Chão ( maior reservatório de água do planeta )

O aquífero Alter do Chão já era conhecido dos cientistas. Eles só não sabiam que

era tão grande. Em nenhum outro lugar ela é tão farta. Tirando as geleiras, um

quinto da água doce existente no mundo está na Amazônia. Parece muito, mas os

rios e lagos do lugar concentram só a parte visível desse tesouro. Debaixo da terra

existem lagos gigantes, de água potável, chamados aquíferos.

Até agora, o maior do planeta era o Guarani, que se espalha pelo Brasil, Paraguai,

Argentina e Uruguai. Mas, um grupo de pesquisadores acaba de revelar que o

aquífero Alter do Chão, que se estende pelo Amazonas, Pará e Amapá, é quase

duas vezes maior. "Isso representa um volume de água de 86 mil quilômetros

cúbicos. Se comparado com o Guarani, por exemplo, ele tem em torno de 45 mil

quilômetros cúbicos”, explicou Milton Mata, geólogo da UFPA. A maior parte do

aquífero Guarani, no sul do Brasil, está debaixo de rocha. Já no aquífero na

Amazônia tem terreno arenoso. Quando a chuva cai, penetra com facilidade no

solo. A areia faz uma espécie de filtro natural. A água do reservatório subterrâneo

chega limpa, boa para beber. Perfurar o chão de areia é fácil e barato. O poço nem

precisa de estação de tratamento químico. Na casa de Márcia a água sai direto

para torneira. “Pode beber. É bem limpinha”, contou. Dez mil poços particulares e

130 da rede pública já usam o aquífero para abastecer 40% da população de

Manaus. Mas a maior parte da cidade ainda depende da água dos rios. “Você pode

abastecer todas as cidades da Amazônia com Alter do Chão sem problema e

deixar de usar águas superficiais que estão todas contaminadas”, falou o geólogo.

Agora, os pesquisadores querem ajuda da Agência Nacional de Águas e do Banco

Mundial para concluir o estudo. Num planeta ameaçado pelo aquecimento, o

aquifero Alter do Chão é uma reserva estratégica.

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UM DOS MELHORES SISTEMAS DE FILTRAGEM DE ÁGUA

Nós, brasileiros, temos provavelmente o melhor sistema de filtragem de água

nas mãos, há muito tempo, e nem mesmo sabíamos disso. Pesquisas norte-

americanas apontaram que os filtros tradicionais de barro com câmara de

filtragem de cerâmica são muito eficientes na retenção de cloro, pesticidas,

ferro, alumínio, chumbo (95% de retenção) e ainda retém 99%

de Criptosporidiose, um parasita causador de doenças.

Essas conclusões são baseadas nas pesquisas demonstradas no livro The

Drinking Water Book, de Colin Ingram, ótima referência para pesquisas

sobre sistemas de filtragem de água.

Colin Ingram tem 40 anos de experiência como escritor científico, pesquisador,

consultor e publicação técnica. Ele conduziu programas extensos de pesquisa

sobre todos os aspectos da água potável e de purificação de água, fazendo

avaliação e testes de produtos.

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As pesquisas revelam que sistemas mais eficientes são baseados na filtragem

por gravidade, onde a água lentamente passa pelo filtro e goteja num

reservatório inferior, justamente como são os filtros de barro no Brasil. Esse

sistema mais ‘calmo’ de filtrar a água garante que micro-organismos e

sedimentos não passem pelo filtro devido a uma grande pressão exercida pelo

fluxo de água.

Essas conclusões levam a crer que quando um filtro de água sofre uma

pressão devido ao fluxo da água da torneira ou da tubulação, o processo fica

prejudicado, pois a pressão sobre o conjunto faz com que micro-organismos,

sedimentos ou mesmo elementos químicos como ferro e chumbo passem pelo

sistema chegando ao copo do consumidor.

O sistema lento de gotejamento colabora para que micro-organismos não

passem pelo filtro.

Por fim a pesquisa revela também que muitas das tecnologias que são

lançadas no mercado não têm muita utilidade, pois, em geral não impedem que

elementos perigosos como o flúor ou arsênio passem pelo processo de

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filtragem, assim sendo suficiente a compra de um filtro simples de gotejamento

e cerâmica. Assim é sempre bom ficarmos atentos na compra de produtos que

são importantes à saúde e sempre analisarmos bem o produto de acordo com

a sua real necessidade.

Como limpar a vela do filtro:

* Não use açúcar ou sal para limpar a vela. Esses alimentos podem entupir a

superfície porosa dela.

* O ideal é utilizar uma bucha nova e limpa, e debaixo de água corrente da

torneira, passá-la sobre toda a vela enxaguando.

Técnica da Pirâmide Mágica

Uma forma interessante de filtrar a água é através de uma experiência chamada de

pirâmide mágica que consiste em transformar a água que está suja em água

potável através da ação do sol. Para usar essa técnica é necessário colocar a água

que se deseja filtrar num galão. O galão então deverá ser deixado no sol para que

os seus raios incidam sobre uma cúpula de vidro de forma a aquecer a água que

acaba evaporando. Esse vapor sobe e se condensa no vidro escorrendo por

canaletas que devem ficar nas laterais. A água que sai pela pirâmide acaba se

tornando pura ficando livre de vírus ou bactérias. Trata – se de uma maneira

bastante eficiente e barata de deixar a água pura novamente.

NOTA: Atualmente cerca de 1 bilhão de pessoas não tem acesso a água potável.

A iniciativa Whole World Water foi criada para incentivar a indústria de

hospedagem e turismo a se envolver nessa questão e ajudar a vencer esse

desafio. A Água na Jarra é parceira da Whole World Water e foi criada pela ONG

Igtiba com o objetivo de valorizar o acesso do cidadão á água tratada, um direito

universal reconhecido pela ONU. Incentivando o consumo da água tratada e

filtrada em substituição á água engarrafada. Desta forma é possível o consumo

responsável da água em restaurantes, empresas, hotéis e nas residências,

eliminando os impactos ambientais negativos associados á produção, transporte e

disposição final das embalagens descartáveis.

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É bom lembrar que o atual Presidente e ex – CEO da Nestlé, o maior produtor de

alimentos do mundo, acredita que a resposta para as questões globais da água é a

privatização. Peter Brabeck, acredita que “o acesso á água não é um direito

público”. Um exemplo disso é o que ocorre em São Lourenço em Minas Gerais,

aonde a Nestlé vem explorando as águas da região para o engarrafamento.

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BEBIDAS INDÍGENAS

CAUIM

Bebida Alcoólica tradicional dos povos indígenas do Brasil desde tempos pré-

colombianos. Ainda é feito hoje em reservas indígenas da América do Sul. O

Cauim é feito através da fermentação da mandioca ou do milho, ás vezes

misturados com sucos de fruta. Uma característica interessante dessa bebida é

que a matéria – prima é cozinhada, mastigada e recozida para a fermentação,

de forma que enzimas presentes na saliva humana possam quebrar o amido

em açúcares fermentáveis (este princípio também era originalmente usado no

Japão para se fazer o Saquê). A descrição seguinte, em grande parte do relato

da viagem de Jean de Léry para o Brasil no século XVI, se refere

especificamente aos nativos tupinambás que viveram ao longo da costa do

Brasil central. Porém, é típico também de outras tribos em todo o Brasil. A

preparação de cauim (como outras tarefas de arte culinária) é um trabalho

estritamente feminino, sem envolvimento dos homens. Pedaços finos de

mandioca são fervidos até ficarem bem cozidos e se deixa esfriar. Então as

mulheres e meninas se reúnem ao redor da panela; levam uma porção até a

boca, mastigam bem, insalivam e botam a porção em um segundo

pote. Enzimas na saliva convertem essa pasta em açúcares fermentáveis (os

homens acreditam firmemente que se eles fossem mastigar a pasta, a bebida

resultante não seria boa). A pasta de raiz mastigada é reposta no fogo e é

mexida completamente com uma colher de pau até cozinhar. Por fim, a pasta é

colocada em grandes potes de barro, para fermentar.

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A bebida resultante é opaca e densa, com sedimentos, como o vinho e tem

gosto de leite azedo. Há variedades claras e escuras de cauim. A bebida pode

ser misturada com várias frutas.

O mesmo processo é usado para fazer uma bebida semelhante com milho.

Considerando que ambas as plantas crescem abundantemente ao longo do

ano, os nativo preparam a bebida em qualquer estação, às vezes em

quantidades grandes. De acordo com registros contemporâneos, mais de trinta

potes grandes de cauim podem ser consumidos em uma única festa; e "nem o

alemão, nem o flamengo, nem os soldados, nem o suíço; quer dizer, nenhum

desses povos da França, que se dedicam tanto ao beber, vencerá os

americanos nesta arte". O cauim pode ser consumido quietamente por uma ou

duas pessoas, mas é consumido comumente em festas com dezenas ou

centenas das pessoas, frequentemente de duas ou mais aldeias. O cauim

também era essencial em ocasiões solenes, como a matança cerimonial de um

prisioneiro de guerra e seu devoramento.

Servir o cauim em festas também é tarefa das mulheres. Cauim é consumido

preferencialmente morno e, assim, as mulheres colocam os potes em cima de

fogo lento na praça central da aldeia. Enquanto mantêm a bebida bem mexida,

elas servem a bebida em tigelas; os homens são servidos enquanto dançam.

Enquanto os homens devem esvaziar as tigelas em um gole (e, geralmente, se

consomem vinte porções em uma única festa), as mulheres devem bebericá-la,

saboreando-a. Uma festa dessas poderia durar dois ou três dias, com música,

dança, assobios e gritos o tempo todo. Às vezes, os homens vomitavam para

continuar bebendo. Deixar a festa seria considerado uma grande vergonha.

Curiosamente, os tupinambás não comem enquanto bebem, da mesma

maneira que eles não bebem enquanto comem; e eles acham o costume

europeu de misturar as duas coisas muito estranho. Jean de Léry relatou que

ele e os companheiros dele tentaram preparar "cauim limpo", moendo e

cozinhando a mandioca ou milho, sem o processo de mastigação; mas não

funcionou. Eventualmente eles se acostumaram à bebida dos nativos. Depois

disso, ele acrescentou no relato: "Para esses leitores que repudiam a ideia de

beber o que outra pessoa mastigou, deixe-me lembrá-los de como nosso vinho

é feito pelos camponeses, que amassam as uvas com os pés, às vezes usando

botas; algo que pode ser menos agradável que a mastigação de mulheres

americanas. Assim como dizem que a fermentação purifica o vinho, podemos

assumir que aquele cauim se limpa também".

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A carta de Pero Vaz de Caminhá já fazia relatos do CAUIM

NOTA: Existe uma bebida fermentada de milho produzida pelos povos

indígenas da Cordilheira dos Andes e da América Latina, o CHICHA,

produzido desde a época do Império Inca.

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Mocororó: O Mocororó é uma bebida tipica dos índios Kanindé.

Ele é produzido através do caju. Fabricado em terreiros, o Mocororó é feito da

seguinte maneira, “pega – se o caju, lava e coloca em uma garrafa, deixa por

um período de até 1 ano dentro de cabaças ou potes de barro, esse processo é

chamado de curtição, depois desse período, o líquido é coado e está pronto o

Mocororó.

Xibé: Alimento de raiz indígena, consumido na região amazônica; é uma

mistura de água com farinha de mandioca.

Caissuma: As tribos indígenas do alto dos rios Solimões e Negro, no

Amazonas, fazem uma festa durante a safra da pupunha. A festa é regada por

caissuma e por comidas feitas com os frutos cozidos e farinha. Caissuma é

uma bebida fermentada de pupunha e tem aroma de pêssego maduro.

Pupunha

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Caxiri: Bebida Fermentada á base de macaxeira (mandioca), utilizada em

comemorações nas tribos indígenas da Amazônia.

CAÁPI: Sumo amargo servido depois das amplas bebidas coletivas,

promovendo sonhos inebriantes e um semi delírio (extraída da casca do cipó); Ela é feita pelos índios do Alto Rio Negro mas é cultivada em toda a Amazônia.

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Cientistas Brasileiros testam ayahuasca para depressão e parkinson

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Jurema: É uma bebida feita com a raiz da árvore do mesmo nome. Os pajés,

sacerdotes tupis, faziam uma bebida da jurema – branca, que dava sonhos afrodisíacos. Era bebida sagrada, servida em reuniões especiais. Das raízes e raspas dos galhos, os feiticeiros, babalorixás pernambucos, os mestres do catimbó, os pais de terreiro do candomblé de caboclo na Bahia fazem uso abundante. Até o século XIX beber jurema era sinônimo de feitiçaria ou prática de magia, pelo que muitos índios e caboclos foram presos acusados de praticarem o “adjunto da jurema”

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Os Africanos tinham três bebidas principais; o fermentado da palma da palmeira do dendê; uma mistura de sementes, do sorgo e de milhetos amassados; e uma feita de milho.

Dendê

Sorgo

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A MULHER ÍNDIGENA

As mulheres representavam um elemento importante na preparação das Bebidas. A elas cabiam todas as tarefas ligadas á preparação do CAUIM, desde a plantação das raízes da mandioca ou do milho, á colheita dos frutos e fermentação da papa até ao fabrico dos recipientes, as cuías onde se servia a bebida. Eram ainda as mulheres que serviam a bebida nas cauinagens.

NOTA: Baseado nessas informações, podemos afirmar que:

* A 1° Bebida Brasileira “registrada” foi o CAUIM.

* O 1° Cocktail Brasileiro foi feito pelos indígenas, já que eles juntavam as

suas bebidas fermentadas com diversos ingredientes e frutas.

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A IMPORTÂNCIA DOS ÍNDIOS PARA A COQUETELARIA BRASILEIRA

O que representa a Coquetelaria Brasileira ? A cachaça ? A caipirinha ? Ou

será que o conhecimento dos povos que aqui estavam junto com a nossa

biodiversidade ?

Se para alguns, os “conceitos” da área de bar nasceram no século XIX, para os

FATOS, o conhecimento de “misturar” “bebidas” já era conhecido séculos antes

da chegada dos portugueses.

E para entender isso, vamos focar exclusivamente no conhecimento

existente.

1 – Na cidade de São Raimundo Nonato no Piauí, no meio do Sertão, fica a

Serra da Capivara. Local aonde em uma escavação feita entre 1978 e 1988,

pela arqueóloga brasileira Niéde Guidon, foram achadas centenas de provas

da presença humana naquela região, entre 6 e 48 mil anos de idade. (Fica

claro através desses estudos, que o homem já estava presente no Brasil,

milênios antes da chegada dos portugueses)

2 – Na carta escrita pelo escrivão Pero Vaz de Caminha, logo após o

descobrimento do Brasil, ele relata o contato com os índios brasileiros e sua

bebida, o CAUIM (bebida fermentada da mandioca).

3 – Durante mais de 3 séculos, os relatos de viajantes de diversos países,

(França, Alemanha, Inglaterra, Holanda, etc) deixam claro que os índios

produziam diversas bebidas fermentadas, com os mais variados ingredientes.

OBS: É importante que se entenda que o CAUIM é um nome genérico

utilizado para definir diversas bebidas indígenas.

4 – Estudos comprovam que os índios domesticaram cerca de 150 plantas,

aonde as mais conhecidas são a Mandioca e o Milho.

OBS: É importante diferenciar a Mandioca da Macaxeira (Nordeste) e

Aipim (Sul). A mandioca conhecida no Norte e Nordeste do País é a

venenosa (ácido cianídrico) e o seu uso é direcionado para a produção de

Farinha e do Tucupi. Existe o uso da Maniva (folha da mandioca) como

alimento, mas o mesmo precisa passar pelo mesmo processo de

cozimento da massa da mandioca. (para separar o sumo da mandioca, os

índios utilizavam o Tipiti)

5 – Entre os índios, o processo de plantio, colheita e fermentação para

produção de bebidas, era feito exclusivamente pelas mulheres.

Resumidamente, eles eram responsáveis por toda a produção, do plantio a

degustação em suas cuias. (Além das cuias, os índios também produziam os

potes aonde as bebidas fermentavam).

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NOTA: Qual Bartender você conhece, que consiga ter esse controle da

“terra ao cliente final” ? (incluindo a produção do seu próprio copo)

Hoje, a indústria se apropriou do processo de fabricação de bebidas, e

criou produtos tão atraentes que preparar a própria bebida, xarope ou

licor por exemplo se tornou quase um hobby.

6 – À frente de uma ciência relativamente nova - a arqueologia biomolecular

existe formalmente há apenas 25 anos -, McGovern atingiu o status de maior

autoridade mundial ao encontrar resquícios de uma bebida com mais de nove

mil anos de idade em um jarro achado na localidade de Jiahu, às margens do

rio Amarelo, na China. (a bebida era uma mistura de arroz, mel e uva

fermentados).

Paralelo a essa descoberta, no Brasil foi encontrado um vaso indígena do século 10 feito de cerâmica e pintado com óxido de ferro, um mineral comum na região (Margens do Rio Madeira). Os estudos dos arqueólogos apontam que ele era usado em rituais indígenas, como a preparação de bebidas fermentadas.

7- Se entrarmos no campo dos estudos das bebidas, sem dúvida nenhuma, o

índio era um MIXOLOGISTA de Mão Cheia, já que eles conheciam as plantas

em todos os seus aspectos. Desde a função da casca, seiva, folhas, frutos,

sementes, flores, etc (Eles conheciam a diferença entre plantas venenosas,

medicinais, alucinógenas e comestíveis). No aspecto tecnológico, o tipiti (usado

para extrair o sumo da mandioca brava), os vasos para fermentação e a própria

técnica da mastigação são exemplos disso (as índias usavam enzimas da

saliva para iniciar o processo de fermentação).

NOTA: Para quem acha “NOJENTO” esse processo, é bom lembrar que

“MEL” é vômito de abelha e que a COCHONILHA (corante natural usado

em diversos alimentos) é uma praga de lavoura.

8 – Os africanos também trouxeram sua cultura alimentar e etílica para o

Brasil, mas é impossível comparar a cultura de um povo estrangeiro em terras

desconhecidas, com povos milenares que já habitavam o País muitos séculos

antes.

9 – Hoje, se sabe que a “Cauinagem”, era um evento religioso e ao mesmo

tempo comemorativo de momentos importantes. Quase não há relatos de

confusão durante essas festas. Os eventos aconteciam em momentos

específicos e a ideia de “índios bêbados e solitários” é uma ilusão. Eles não

misturavam comida com bebida, e pesquisas recentes mostram que o processo

fermentativo era extremamente importante para a obtenção de nutrientes.

NOTA: Ao contrário da ideia de Selvagens, os índios tinham uma ETIQUETA

ETÍLICA muito mais evoluída do que os Bárbaros do século XXI.

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10 – Durante a produção desse artigo, a FUNAI fez o 1° Contato com índios

isolados no Acre. É impressionante que mesmo depois de séculos de

exploração, ainda se possa encontrar “novas tribos” no Brasil. Isso só mostra o

quanto temos que aprender com a cultura desse povo.

CONCLUSÃO

O Brasil tem a maior diversidade de plantas do Mundo e tanto os EUA como a Europa já destruíram mais de 90% das suas florestas. Além disso, temos as 2 maiores reservas de Água do Mundo, capaz de abastecer todo o planeta por mais de 300 anos. Só um hectare (10.000 M²) da Amazônia tem mais variedades de plantas que todo o Continente Europeu. Já foram catalogadas 1,7 milhão de espécies no planeta e no Brasil estão 22% destas. Na floresta amazônica foram identificadas apenas 1% das plantas para uso medicinal. Precisamos redescobrir nossos “VALORES NACIONAIS”, da mesma forma que o Movimento Modernista de 1922 e Intelectuais da genialidade de Darcy Ribeiro e Ariano Suassuna lutaram para difundir. É fundamental que a gente aprenda a diferenciar “Universalidade” de “Uniformidade”. Um exemplo é a nossa caipirinha que se tornou UNIVERSAL, 3° Cocktail mais consumido do Mundo. Mas pra isso precisamos confrontar nossa zona de conforto, colocar a mochila nas costas e desbrava esse país em busca de “CONHECIMENTO”. E se nós Bartenders, tivermos compromisso com história do Brasil, vamos descobrir o “gigantismo” do legado, que os índios deixaram sobre ingredientes e bebidas, muitos milênios antes dos “CONCEITOS” da área de Bar existirem.

Vera Cruz parece ter uma grande extensão, além de uma quantidade abundante de água, o que nos leva a crer que é uma terra fértil, onde tudo

que se planta, dá”.

Pero Vaz de Caminha

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ADOÇANTES ALTERNATIVOS

A humanidade evoluiu durante milhares de anos nutrindo-se dos alimentos que a natureza lhe oferecia. E quais foram os alimentos responsáveis por nossa evolução através dos tempos? Simplesmente aqueles que estavam ao alcance da mão: frutas, raízes, frutos do mar, aves, ovos, carnes em geral, gorduras e leite. O homem depois de descobrir que alimentos lavados na água do mar ganhavam um sabor especial, incorporou o sal à sua dieta. Em contrapartida, verificou que o mel conferia um sabor doce aos alimentos - e este passou a ser o seu adoçante. E assim, como temperos e condimentos, o homem foi selecionando gradualmente o que hoje se tornou requinte nas melhores cozinhas do mundo. Apesar de na Antigüidade a vida média das pessoas ser menor, devido às duras condições de existência, muitas das doenças que atualmente são quase epidêmicas, naquele tempo eram menos freqüentes, dentre elas as doenças cardiovasculares e o próprio câncer. Há menos de dez mil anos o homem dominou o cultivo das sementes, dando início à agricultura moderna. Há menos de mil anos conseguiu extrair o açúcar da natureza e há pouco mais de 400 anos praticamente universalizou seu consumo. Certamente este foi um dos principais fatores da disseminação da obesidade, do diabetes e outras doenças crônicas. Atualmente a bioquímica humana revela que o coração é dependente de gorduras, proteínas, vitaminas e sais minerais, mas de nem um miligrama sequer de açúcar. Por outro lado o cérebro necessita da glicose proveniente dos alimentos. Por que então não ingerir grandes quantidades de açúcar para nutrir nosso cérebro? A glicose, leia-se o açúcar dos alimentos, não faz mal à saúde. O problema está no açúcar refinado. Durante o refino , inúmeros produtos químicos são utilizados para que o veneno doce fique branco, bem solto e bonito. Nesta hora, as fibras, os sais minerais, as proteínas e demais nutrientes são eliminados e o que sobra é um produto químico que é apenas calorias vazias. Afora isso, o consumo de açúcar produz um estado de super acidez que desmineraliza o organismo. O corpo então passa a ter falta de cálcio, magnésio, zinco, cobre e selênio, dentre outros nutrientes.

Sérgio Puppin, cardiologista e nutrólogo, é professor do Curso de Geriatria e Gerontologia da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, membro da Academia de Ciências de Nova York e autor dos livros Doenças cardiovasculares, verdades e mitos e Ovo, o mito do colesterol.

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MEL O conhecimento sobre as abelhas sem ferrão e a meliponicultura nas Américas é muito antigo quando comparado com as atividades envolvendo, nesse continente, as abelhas Apismellifera (popularmente conhecidas como européias, italianas ou africanas). Há muito tempo, povos indígenas de diversos territórios se relacionam com os meliponíneos de muitas formas, seja estudando-os, criando-os deforma rústica ou explorando-os de forma predatória. Antes da chegada da abelha Apismelliferano continente americano, ou da exploração da cana para fabricação de açúcar, o mel das abelhas nativas caracterizava-se como principal adoçante natural, fonte de energia indispensável em longas caçadas e caminhadas que esses povos realizavam na busca por alimento. Muito do conhecimento tradicional acumulado pela população nativa foi gradativamente assimilado pelas diferentes sociedades pós-colonização, tornando a domesticação das abelhas sem ferrão uma tradição popular que se difundiu principalmente nas regiões norte e nordeste do Brasil. A herança indígena presente na atual lida com as abelhas é evidenciada pelos nomes populares de muitas espécies, como Jataí, Uruçu, Tiúba, Mombuca, Irapuá, Tataíra, Jandaíra, Guarupu, Manduri e tantas outras. O mel vem aumentando drasticamente de preço no Mundo, e o motivo é o sumiço repentino das “abelhas”. Cientistas dizem que o uso excessivo de agrotóxicos pode estar vinculado a essa catástrofe.

PARTICIPE DESSA CAMPANHA

(Semabelhasemalimento.com.br)

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NOTA:

Mel catarinense é eleito o melhor do mundo em congresso internacional

O mel processado por uma indústria de Araranguá, no Sul de Santa Catarina, foi

considerado o melhor do mundo em um congresso internacional de apicultura

realizado na Ucrânia. Quatro variedades do produto catarinense ficaram no topo da

disputa que envolveu 86 países. Na avaliação individual, o mel escuro e a cera de

abelha receberam medalha de ouro, já o mel claro conquistou o bronze. "´É um

reconhecimento internacional do mel brasileiro. Nós trabalhamos com produtos de

todo o Brasil. Isso é um reconhecimento da empresa, da qualidade. Todos

ganham, desde o produtor, até o país", explicou o gerente de exportação da

empresa, Tarciano Santos da Silva. Antes de participar da disputa, o mel produzido

em Araranguá passou por uma análise técnica, em um laboratório na Alemanha.

"Fazemos um trabalho de capacitação com os agricultores, para manter esse tipo

de qualidade no produto. Temos também um laboratório interno e todo o mel que

entra na empresa é colhido amostra e vai para a análise. Ao mesmo tempo, os

nossos colaboradores são treinados para degustar o mel, para saber se é

diferenciado, se vai para indústria", complementou Tarciano. A empresa localizada

no Sul de Santa Catarina produz cerca de três mil toneladas de mel por ano, sendo

que 95% vai para exportação. "Em 2014, o objetivo da empresa é investir no

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mercado interno para dar possibilidade de mais brasileiros experimentarem o mel

que tem medalha internacional", disse o gerente.

Stévia

A stévia é um pequeno arbusto perene que pertence á familia dos crisântemos

e é nativa do Brasil e do Paraguai. Está planta tem uma extraordinária

capacidade adoçante. Em sua forma natural é aproximadamente 10/15 vezes

mais doce do que o normal açúcar doméstico. Na sua forma mais comum de

pó branco, extraído das folhas da planta, chega a ser de 70 a 400 vezes mais

doce que o adoçante natural. Estas são as principais características desta

planta.

- não causa diabetes

- não contém calorias

- não altera o nível de açúcar no sangue

- não é tóxica

- inibe a formação de placa e da cárie dental

NOTA: Enquanto escrevia o “Coquetelaria com Sabor de Brasil”, foi aprovado

pelo FDA (orgão americano similar a Anvisa) um novo adoçante, o

Advantame. Grama pro grama, ele é 20 mil vezes mais doce que o açúcar

comum (aspartame, sucralose e sacarina estão entre 200 e 700 vezes).

Açúcar de Buriti

Em certas regiões do Pará, as pessoas furam o tronco das palmeiras

masculinas e recolhem de 8 a 10 litros de seiva para produzir um açúcar

amarelo-claro. Dom Antonio de Almeida Lustrosa, Arcebispo do Pará, escreveu

na década de 1930 “o caboclo derruba a palmeira masculina e escava seu

tronco para afluir a seiva” Essa seiva é engrossada pela evaporação,

transformando- se em mel.

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Nutrição

O buriti possui uma das maiores quantidades de caroteno ou vitamina A entre

todas as plantas do mundo. São 30 miligramas por 100 gramas de polpa – 20

vezes mais que a cenoura. A deficiência de vitamina A é um problema

frequente na população brasileira. Por isso, as pessoas desenvolvem certas

doenças como infecção na boca, dor de dentes, infecção nos olhos e cegueira

noturna. No nordeste, o doce de buriti está sendo usado para suprir essa

deficiência. Um grupo de crianças comeu doce de buriti durante 20 dias. Pois

não é que depois disso, os sintomas causados pela falta de vitamina A

desapareceram. Além disso, o buriti pode fornecer uma boa quantidade de

proteína na dieta humana. A polpa possui 11% de proteínas, quase igual ao

milho. A fruta também é usada na prevenção e recuperação de crianças

desnutridas. Além disso, o óleo de buriti tem ação purificante e desintoxicante.

O buriti é um componente importante na dieta dos índios Apinayé. É comum

ver os indígenas caminhando em paneiros cheios de buritis. Eles tiram a casca

da fruta e chupam a polpa.

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Rapadura: Rapadura é um doce de origem açoriana ou canária em forma de pequenos tijolos, com sabor e composição semelhantes ao açúcar mascavo. Fabricada em pequenos engenhos de açúcar, surgiu no século XVI como solução para transporte de açúcar em pequenas quantidades para uso individual. Como o açúcar granulado umedecia e melava facilmente acomodados em sacolas de viajantes, resistindo durante meses a mudanças atmosféricas. A rapadura é feita a partir da cana de açúcar após a moagem, fervura do caldo, moldagem e secagem.

NOTA: No ano de 1996 um açúcar novo foi desenvolvido nos laboratórios da

Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp Universidade de Campinas, São Paulo, pelos pesquisadores Gláucia Pastore e Yong Park. O projeto conta com o financiamento de uma empresa privada, a Usina da Barra, de Barra Bonita, São Paulo, a maior usina de açúcar do mundo. O novo açúcar resulta de biotecnologia aplicada à produção de alimentos alternativos. O New Sugar, como foi batizado, é obtido por meio da ação de um fungo, o aspergillus niger, que secreta a enzima b-frutofuranosidase. Esta enzima ao mesmo tempo em que corta a molécula de sacarose em suas duas componentes, glicose e frutose, liga as moléculas livres de frutose a outras de sacarose, criando com isso um novo açúcar. As moléculas livres de glicose, liberadas no processo, são escoimadas por uma nova purificação. O novo açúcar produzido em laboratório pode ser o resultado de uma molécula de sacarose enriquecida de uma a quatro moléculas de frutose chamadas respectivamente de: GF2, GF3, ou GF4. O GF2 é mais doce que os outros. O novo produto cientificamente é classificado como um frutooligossacarídeo (FOS). E tem as seguintes características: é 40% menos doce que o açúcar uma aparente desvantagem, mas quem gosta de açúcar vai poder comer mais. Agora o mais importante: o New Sugar apresenta-se como não calórico, não cariogênico, funcional e sem gosto residual. O que significa que não provoca cárie, não engorda, pode ser usado pelos diabéticos, ajuda a flora intestinal e não tem o gostinho residual desagradável de alguns adoçantes. Maravilha da natureza!, ou melhor, da ciência. Só que o açúcar novo que usa como matéria-prima o velho açúcar do açucareiro estava prometido para 1997 e até hoje não apareceu.

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A INJUSTIÇA COM O “LEITE CONDENSADO”

Para finalizar esse tema, gostaria de fazer justiça ao LEITE CONDENSADO. Na Coquetelaria Clássica, ele é visto como a “Besta” do “Apocalipse”. Concordo que seu uso, em geral é destinado para “encobrir” bebidas de origem duvidosas e aumentar o “volume” de vários cocktails. Aumentando assim os lucros e disfarçando a péssima qualidade dos produtos envolvidos. Mas que a verdade seja dita, o que a combinação de leite e açúcar tem de tal PERIGOSO? Como mamíferos, todos nós sabemos o que representa o leite para a alimentação humana, e com o advento do leite de vaca, esse produto tão nutritivo passou a fazer parte de nossa vida diária. Porém, o açúcar, essa substância tão atraente para os paladares em geral, mudou completamente o nosso conceito de SABOR. O açúcar extraído da cana já era produzido desde a Antiguidade por indianos e persas. Os árabes é que o apresentaram aos europeus por volta do século X como uma especiaria exótica e caríssima. No século XIV um quilo de açúcar equivalia a dez cabeças de gado. Poucos séculos depois os europeus já estavam fabricando açúcar na bacia do Mediterrâneo. Quando o Brasil foi descoberto os portugueses já eram os principais produtores de açúcar da época, faziam-no na Ilha da Madeira. Com a entrada em cena do açúcar produzido, em larga escala, no Novo Mundo, especialmente no Brasil e nas Antilhas, teve início o processo de açucaramento da mesa do europeu. E como se não bastasse o açúcar de cana para encharcar a mesa da humanidade, por ocasião do Bloqueio Continental imposto aos ingleses, Napoleão Bonaparte incentivou o desenvolvimento da tecnologia de extração do açúcar de beterraba: em decorrência disso, já em 1850 14% da produção mundial eram de açúcar de beterraba, e na virada do século esta percentagem já tinha saltado para 62%. Ao longo do século XX esse quadro se inverteu, passando o açúcar de cana a ser hegemônico. Qualquer um que já tenha provado açaí ou chocolate “in natura” vai descobrir que nem de longe, eles são as maravilhas que nos apresentam. O Paraense por exemplo, consome o açaí com pratos salgados como: peixe, farinha de tapioca, camarão, etc. Então, o que torna esses alimentos tão doce ? O AÇÚCAR. Para título de comparação, o “achocolatado” que consumimos, possui mais de 60% da sua composição em açúcar, o chocolate em barra mais de 70% e o suco de caixinha, quase um terço da sua composição é açúcar. Em um livro de culinária de 1570: “açúcar com canela, amêndoa , uva, açafrão e água de rosa é usado em torta, bolos, pastelões, etc., como também em pratos de carne, aves, peixe, manjar branco, etc., sempre segundo o princípio: antes mais que menos” . ( Lippmann, Edmund von. História do açúcar. Rio de Janeiro: IAA, 1942, tomo II, p. 40.) Hoje, o açúcar está presente nos vinhos, cervejas e como “conservante” em produtos enlatados como: ervilha, milho, salsicha, etc. Por isso, o grande vilão do SABOR, não é o “leite condensado” e sim o Açúcar, em geral refinado, que transforma os alimentos em depósitos de SACAROSE.

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Bebidas Regionais

Aluá: O Aluá é uma bebida refrigerante de origem indígena, feita com a

fermentação de grãos de milho moídos. No Acre e no resto da Amazônia é

comum usar o milho triturado ou a farinha de milho. Em outras regiões, como

por exemplo em Belém, se usam cascas de frutas como o abacaxi, raiz de

gengibre (esmagada ou ralada), açúcar ou caldo de cana e sumo de limão.

Também chamada de Aruá. No estado do Ceará existe uma versão da bebida

feita de pão branco, cravo da índia e adoçado com rapadura preta.

Quentão: Quentão é uma bebida quente tradicionalmente servida durante as

quermesses e festas juninas do Brasil. É relacionado ás noites frias do período

em que ocorrem estas festas. Consistem em uma mistura aquecida de vinho,

gengibre, açúcar e especiarias como cravo e canela. Segundo o folclorista

Amadeu Amaral, em O dialeto caipira, é uma palavra de origem caipira. Nas

regiões sudeste e Nordeste do Brasil o quentão é feito com cachaça ao invés

de vinho, devido ás grandes produções canavieiras dessas regiões e maior

dificuldade de acesso ao vinho, largamente produzido no sul brasileiro, onde se

evaporava o álcool da bebida para ser consumido também por crianças, para

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uma bebida de consumo adulto durante a comemoração das festas juninas. Na

região Norte do Brasil é cada vez mais frequente no Natal.

Pega Pinto: refresco feito com raiz medicinal. Coloca a plantinha de molho

em água, fermenta, coa, e acrescenta gengibre e rapadura.

Tumbança: sumo do caju, castanha assada e pilada e açúcar.

Cambica: muriti (tipo de palmeira) espremido em uma peneira com água e

adoçado com rapadura.

Guaraná da Amazônia: Uma bebida encontrada em toda a região Norte

do País e em alguns Estados da Região Nordeste é o Guaraná da Amazônia

que é feito com guaraná em pó, Xarope de guaraná, castanha do pará,

amendoim e catuaba (existe também a variação que inclui o açaí).

Meloska: No município de Aracati no Estado do Ceará, existe uma praia

famosa mundialmente, Canoa Quebrada. É feito atualmente na região uma

variação da caipirinha, a meloska, que vai cachaça, limão e o mel de caju.

Café de Tucumã: A família Torres do Tauarí, no Pará, faz café gostoso de

tucumã. Eles quebram os tucumãs e tiram as suas amêndoas. Torram as

amêndoas em uma chapa e, em seguida, colocam no pilão para pisar. Pronto,

o tucumã virá café! É só coar e desfrutar.

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Umbuzada: O Umbu ou Imbu é uma fruta, que vai do doce ao azedo. Fruta

típica do semiárido nordestino que durante a safra de novembro a março os

umbuzeiros ficam carregados. E uma das receitas mais conhecidas do

nordestino é a umbuzada que vai o umbu, leite e açúcar á gosto.

Mastruz com Leite: Uma outra bebida muito conhecida no nordeste

brasileiro, é o “Mastruz com Leite”, considerado um tratamento medicinal para

diversos males. No Amapá e no Pará encontramos também a variação do

Mastruz com “Leite do Amapá” (seiva do amapazeiro).

Mastruz

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INGREDIENTES AMAZÔNICOS

Priprioca: Priprioca, o cheiro do Pará que encantou o Brasil. Matéria-prima

para perfumes artesanais, fabricados por artesãos paraenses e, mais

recentemente, explorada pela indústria de cosméticos nacional. A priprioca

representa uma importante fonte de renda para famílias de produtores rurais e

feirantes do estado do Pará, como os que trabalham no mercado do Ver-O-

Peso, em Belém. Desde 2000, esse vegetal é alvo de estudos realizados pelo

Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG), em parceria com outras instituições

como a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Universidade

Federal do Pará (UFPA), Embrapa Amazônia Oriental e Universidade do

Estado do Pará (Uepa), essas pesquisas permitem que se conheça melhor a

priprioca, principalmente suas estruturas; aspectos botânicos, químicos e

farmacológicos; e locais de ocorrência. Os estudos traçam também um

panorama das cadeias produtiva e comercial desse vegetal que apresenta

aroma que a muitos seduz.

Raiz de Priprioca

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Baunilha Amazônica

Existe na Ilha da Onças, a cerca de 20 minutos de barco de Belém uma espécie de “Baunilha Amazônica”. A ilha das Onças está localizada na baía do Guajará, no município de Barcarena, no Pará. Ocupa um espaço de 75 mil hectares e reúne uma comunidade de, aproximadamente, 500 famílias.

Baunilha encontrada em Tomé – Açu no Pará

NOTA: Existe uma outra espécie de “Baunilha Selvagem”, encontrada no cerrado brasileiro, que vem ganhando cada vez mais notoriedade. Alguns consideram que ela é a melhor “Baunilha do Mundo”.

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JAMBU

Entre as hortaliças mais cultivadas na periferia e nos municípios próximos a Belém está o jambu, que se caracteriza por ser uma planta nativa da região, aonde o consumo, hoje, não se restringe apenas ao preparo de pratos típicos, acompanhando o cardápio cotidiano regional. O sabor picante tão apreciado é devido á amida, o espilantol, substancia que provoca grande salivação quando mastigadas as folhas e o caule, dando uma sensação anestésica na boca. Esta substancia é também muito abundante em outras espécies do género spilanthes. É uma planta de baixa caloria (32,0 cal), rica em cálcio (203,0 mg) e com teor de vitamina c (20,Omg para 100g de folhas).

Jambu na feira do Ver o Peso em Belém – Pará

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Plantação de Jambu

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Sementes de Jambu

Tacacá, sopa (bebida) tradicional Paraense com Jambu

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Tucupi O tucupi é o sumo amarelo extraído da raiz da mandioca brava quando descascada, ralada e espremida (tradicionalmente usando- se um tipiti). Depois de extraído, o caldo “descansa” para que o amido (goma) se separe do líquido (tucupi). Inicialmente venenoso devido a presença do ácido cianídrico, o líquido é cozido (processo que elimina o veneno) e fermentado de 3 a 5 dias para, então, ser usado como molho na culinária.

Tucupi na feira do Ver o Peso em Belém – Pará

Tipiti

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Tipiti é uma espécie de prensa ou espremedor de palha trançada usado para escorrer e secar raízes, normalmente a mandioca. O objeto é utilizado por índios brasileiros e ribeirinhos da região amazônica. Usado para prover o extrato básico para produção de farinha de mandioca e extrai seu sumo: Tucupi.

Leite do Amapá

O Amapazeiro é a árvore que inspirou o nome do estado do Amapá, do seu tronco é retirado o Leite do Amapá. As árvores apresentam grande porte, atingindo até 35 m de altura. Segundo os extrativistas, a árvore ocorre em terra firme, mas passa parte do período de chuva no alagado, e ocasionalmente em mata ciliar. O fruto é uma baga e pode chegar ao tamanho de uma laranja e sua cor é violáceo-escura quando madura. A polpa é doce e comestível. A espécie Parahancorniafasciculata é conhecida por combater problemas das vias respiratórias. Na literatura, alguns autores há décadas relatam alguns usos com base no conhecimento empírico. Na planta, a origem do látex é celular. Para a extração desse látex é necessário efetuar cortes no tronco. Os extrativistas fazem cortes com diferentes ferramentas, como terçado, machado e faca de seringueiro. Alguns extrativistas realizam os cortes de forma sistemática enquanto outros aleatoriamente. Botanicamente, o látex é uma suspensão que se difere da seiva elaborada, pela sua origem e função, podendo variar em sua composição de acordo com a espécie. No látex são encontrados ceras, resinas, proteínas, óleos essenciais, mucilagens, amidos, sais, ácidos orgânicos, alcaloides, açúcares e taninos.

Leite do Amapá

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Cacau da Ilha do Combu – Pará – Amazônia Na Ilha do Combu, a vinte minutos, de barco, de Belém do Pará. Houve, a décadas atrás, em Combu, uma tentativa de cultivar o cacau que não prosperou, mas a espécie introduzida foi bem sucedida e desde então tornou – se nativa. Uma Senhora que trabalhava em Belém do Pará viu uma possibilidade nesse cacau e hoje, sozinha, produz cerca de 30kg de cacau por mês. Pode Parecer pouco, mas se considerarmos que ela colhe, retira as sementes, fermenta, tosta, mói e embala sozinha seu produto, essa quantidade ganha novo significado.

Para compreender melhor o “valor agregado” dos chocolates regionais, vale a pena assistir o Documentário: “O Lado Negro do Chocolate”.

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Ilha do Combu – Pará

Cacaueiro do Combu (atrás)

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Um em cada três chocolates comuns vendidos no Brasil, produzidos pelas

grandes indústrias, não pode ter esse nome de chocolate porque não é feito

com o percentual mínimo de cacau exigido pela legislação.

Segundo as regras, para ser considerado chocolate, é preciso que o produto

tenha pelo menos 25% de cacau, mas muitos não chegariam nem a 5%.

A denúncia é de Marco Lessa, 43, produtor de cacau, presidente da

Associação de Turismo de Ilhéus (BA) e organizador de feira de chocolate,

que reúne agricultores e pequenas indústrias.

"O que o brasileiro encontra nas prateleiras de supermercados, vendido como

chocolate, é apenas doce, não chocolate", afirma. "Estimo que um terço dos

chocolates estejam nessa situação. Esses não devem ter nem 5% de cacau."

Lessa também diz que muitos chocolates amargos, com suposto alto teor de

cacau (de 50% a 70%), produzidos pelas grandes indústrias e vendidos no

mercado nacional por preço maior não têm esse percentual declarado.

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"Dizem que têm 70%, mas não têm. Não existe fiscalização para confirmar

esse percentual", declara. Ele não apresentou nenhuma pesquisa ou teste que

comprovem essa avaliação, mas diz que o problema se manifesta no próprio

sabor dos produtos. "Basta comer algumas vezes um bom chocolate para

saber que muitos dos vendidos por aí não têm o teor de cacau prometido."

Além do sabor considerado melhor e menos doce pelos especialistas, os

chocolates com maior teor de cacau também são tidos como benéficos à

saúde. Por terem porcentagem reduzida de gordura, açúcar e leite, fazem bem

bem para o coração.

A Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Amendoim,

Balas e Derivados) emitiu uma nota, dizendo que os produtos feitos com

menos de 25% de cacau são considerados doces com "sabor de chocolate".

"A Abicab reforça que, de acordo com portaria da Anvisa [Agência Nacional de

Vigilância Sanitária], somente é chocolate o produto que possua pelo menos

25% de cacau. Abaixo disso, o produto é considerado com sabor de chocolate",

registra o documento.

A entidade, que representa as grandes indústrias, como Nestlé e Garoto, não

comentou a suposta irregularidade no percentual de chocolates amargos

informado nos produtos nacionais.

Falta informação nos rótulos, conclui pesquisa do Idec

Pesquisa do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) conclui que

falta informação nos rótulos dos chocolates brasileiros. Entre 11 marcas de

chocolate ao leite pesquisadas, apenas uma informou o percentual de cacau na

embalagem. As outras dez não fizeram nenhuma menção à quantidade.

De acordo com o Idec, ainda não existe nenhuma lei que obrigue as empresas

a colocarem esse dado na embalagem, mas, para o instituto, seria "razoável

que essa iniciativa partisse dos próprios fabricantes". "Seria muito importante

que o teor de cacau viesse impresso no rótulo. Fica a sensação de que essa

informação é uma estratégia de marketing, usada apenas quando isso é

conveniente aos fabricantes", afirma Ana Paula Bortoletto Martins, nutricionista

do Idec, em documento divulgado na época da pesquisa.

O teor de cacau também não é estampado nas embalagens de muitos

chocolates meio amargo e amargo. Segundo o Idec, dos oito chocolates meio

amargo pesquisados, apenas três têm a informação indicada no rótulo.

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Definição oficial de chocolate não limita gordura estranha ao cacau

A definição oficial de chocolate da Anvisa é a seguinte: "Chocolate: é o produto

obtido a partir da mistura de derivados de cacau (Theobroma cacao L.), massa

(ou pasta ou liquor) de cacau, cacau em pó e ou manteiga de cacau, com

outros ingredientes, contendo, no mínimo, 25 % (g/100 g) de sólidos totais de

cacau. O produto pode apresentar recheio, cobertura, formato e consistência

variados".

Uma regra anterior, de 1978, exigia um percentual maior de cacau (32%), mas

isso foi mudado em 2005 para os 25% atuais.

Para o Idec, a regra atual tem uma outra falha, que é não limitar a adição de

"gorduras equivalentes" (gorduras com propriedades físicas e químicas muito

parecidas com as da manteiga de cacau, mas que não são de cacau).

A norma anterior proibia qualquer adição de "gordura e óleos estranhos" ao

chocolate.

NOTA: Em 1520 Montezuma, imperador asteca, mandou servir ao invasor espanhol, Hernan Cortez, uma estranha bebida. Essa bebida, desconhecida no Velho Mundo, era o chocolate, chamada pelos astecas de Kaj-kab ou Kakahuatl (água de cacau). A bebida obtinha-se a partir da torrefação e trituração das sementes de cacau entre duas pedras. Havia duas versões do chocolate, uma doce, com mel de abelhas, e outra aromatizada, com pimenta vermelha. Os astecas conheciam também a baunilha, usada para melhorar o paladar do chocolate. Os espanhóis levaram a novidade alimentícia do Novo Mundo para a Europa e lá o chocolate foi adulterado: acrescentaram o açúcar e tiraram o mel. Isso ainda no século XVI . Essa operação desastrosa para a humanidade foi um momento importante do avanço da ditadura do açúcar devido à enorme popularidade alcançada pelo chocolate. Depois da Espanha, onde surgiu a primeira fábrica em 1580 e a fórmula da bebida era segredo de Estado, o chocolate chegou à Itália em 1606. Maria Tereza, esposa de Luiz XIV da França, servia a bebida na Corte. Na Inglaterra a primeira casa de chocolate surgiu em 1657: por essa época o chocolate já era uma bebida popular na Holanda. Em 1828 o holandês Joannes Van Houten inventou um método de extrair a manteiga de cacau e na segunda metade do mesmo século nascia o chocolate ao leite , resultado da mistura de leite condensado e chocolate. O chocolate originalmente, como vimos, era sem açúcar, temperado com mel, baunilha ou pimenta.

Cupulate O cupulate é um alimento com gosto e textura semelhante aos do chocolate. A diferença em relação ao chocolate é que a fabricação do cupulate não é utilizado o cacau mas o cupuaçu, fruta típica da Amazônia. O cupulate foi o nome dado no Brasil pela Embrapa em 1990 ao chocolate feito de cupuaçu.

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Nos últimos anos, empresa AsahiFoods, do Japão, foi acusada de biopirataria e de utilizar indevidamente o termo “cupulate” por meio de processos em diversos países do mundo. Com esses processos, a empresa foi obrigada a desistir do uso ilegal do nome “cupuaçu” e do termo “cupulate”.

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Mercado Municipal de Curitiba

NOTA: Pesquisas recentes têm demonstrado a possibilidade de obtenção de novos produtos, ampliando o leque dos já existentes e contribuindo para o aproveitamento mais eficiente do fruto do cupuaçu. Das sementes processadas pode-se produzir uma bebida com teor de proteína semelhante ao de um achocolatado formulado com leite de vaca. Esta bebida apresenta a vantagem de possuir um custo de produção inferior ao do achocolatado convencional e poder ser comercializada em forma de pó. Os benefícios dessas pesquisas vão além do lançamento no mercado de novos produtos e se estendem por toda a cadeia produtiva: o produtor terá mais uma fonte de renda com a comercialização das sementes que, atualmente, são descartadas; o consumidor contará com uma fonte de proteína de alta qualidade a preços acessíveis; os programas oficiais de combate à fome e à miséria e da merenda escolar poderão ofertar uma dieta saudável e diversificada; e os vegetarianos, que normalmente possuem poucas opções de fontes de proteínas de origem vegetal, contarão com alternativas para uma alimentação equilibrada.

A casca de cupuaçu, que normalmente é descartada e usada como adubo, pode ser aplicada na geração de energia. Um projeto que utiliza a casca como fonte de biomassa para produzir energia está em fase de teste em uma comunidade do Amazonas. Ao ser submetida a um processo de queima incompleta, produz um gás, ao invés de fumaça. Este gás, ao ser misturado a motores movido a diesel, pode reduzir o consumo de diesel em até 80%. A energia gerada é utilizada para alimentar uma agroindústria de processamento do fruto que, antes, era vendido in natura. Os custos ainda são superiores aos

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geradores que usam apenas o diesel como combustível, mas compensa por utilizar matéria prima em abundância, proveniente da atividade econômica da região, e pelos benefícios sociais e ambientais gerados.

Benefícios da Manteiga de Cupuaçu Na Pele e Cabelos A manteiga de Cupuaçu é cremosa e suave. Ajuda a melhorar a elasticidade, retarda o envelhecimento e melhora a capacidade de hidratação (absorver água), proporcionando efeitos de longa duração à pele e cabelos secos e danificados. A manteiga de Cupuaçu é adicionada a várias fórmulas naturais de benefício para a pele e cabelos, protegendo-os contra os efeitos nocivos dos raios UVA e UVB. Esta proteção de amplo espectro permite que a pele danificada recupere melhor, restaurando sua elasticidade e suavidade. A manteiga de Cupuaçu também apresenta efeito calmante e anti-inflamatório para irritações e inflamações da pele como eczema, psoríase e dermatite.

Alto poder de proteção dos raios UVB e UVC Alta capacidade de absorção da água (240% em peso) Hidratante, emoliente e condicionadora de pele e cabelos Reforça a barreira lipídica da pele Estimula o processo de cicatrização da pele

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Tucumã O tucumã-do-pará possui muitas utilidades. Pessoas, peixes e outros animais apreciam os seus frutos; pescadores usam os bichos dos caroços de tucumã para isca; jovens fazem anéis dos caroços; e as crianças usam as sementes no jogo de peteca. Essa palmeira é considerada uma planta pioneira e invasora de pastos, mas também é encontrada em capoeiras e florestas. Desenvolve-se bem em solos pobres de terra firme. O tucumazeiro é resistente ao fogo, pois tem a capacidade de rebrotar após as queimadas. Regenera-se facilmente por perfilhar e alcança, em média, de 10 a 15 metros de altura, possuindo espinhos ao longo do tronco. O tucumã do pará provavelmente é nativo do Estado do Pará e ocorre em todo o leste da Amazônia brasileira, na Guiana Francesa e no Suriname. Essa espécie é reconhecida por ter vários estipes (troncos) e frutos alaranjados. É difícil saber a densidade do tucumazeiro, pois ele ocorre “em manchas”. Pode-se andar vários hectares e não encontrar nenhum pé, ou pode-se encontrar concentrações de mais de 50 palmeiras em um único hectare. Uma palmeira típica produz cerca de 50 quilos de frutos por ano, mesmo em solos pobres. Em geral, os tucumazeiros produzem de 2 a 3 cachos anualmente, mas podem chegar a mais de 5. Cada cacho pesa entre 10 a 30 quilos e contém de 200 a 400 ou mais frutos. A frutificação tem início entre 4 e 8 anos, quando as árvores medem de 1,5 metro até 5 metros de altura. O tucumã é uma fonte excepcional de vitamina A; sua polpa tem 3 vezes mais vitamina A que a cenoura. A dose de vitamina A é tão alta que apenas 1 fruto satisfaz as necessidades diárias de adultos ou crianças; tem médico que recomenda tucumã para ajudar no tratamento de vista. O tucumã também possui boas quantidades de vitamina B1, vitamina C, proteínas e uma grande quantidade de óleo, por isso é uma excelente fonte de calorias (247 calorias por 100 gramas de fruto fresco).

Em Manaus, no Amazonas, existe um lanche muito conhecido por lá, o “X - caboclinho”. (pão, queijo e lascas de tucumã).

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AÇAÍ Na região amazônica, o açaí exerce um importante papel socioeconômico e cultural, pois a bebida obtida a partir de seus frutos tem consumo regional elevado e sua exportação tem aumentado muito nestes últimos anos. No estado do Maranhão, é conhecido como Jussara. No Brasil, existem cerca de nove espécies dessa palmeira, que também é encontrada em outros países circunvizinhos. A palmeira de estirpe delgado pode atingir até 25 m de altura, possui folhas grandes, finamente recortadas em tiras, de coloração verde-escura e atinge frequentemente 2m de comprimento. Flores pequenas, agrupadas em grandes cachos pendentes, de coloração amarelada, surgem predominantemente de setembro a janeiro, podendo aparecer quase o ano todo. O cultivo pode ser propagado por meio de sementes ou pela retirada de brotos da base. Desenvolvesse bem em vários tipos de solo e clima, preferencialmente em regiões quentes. Cada palmeira produz de 3 a 4 cachos por ano; cada cacho com 3 a 6 kg de fruto. O açaizeiro se desenvolve bem tanto em terras firmes como em várzeas sujeitas a inundações periódicas, desde que haja renovação constante das águas. De cultura perene e ribeirinha, o açaizeiro torna-se importante, também, na proteção do solo em condições tropicais de grande pluviosidade. Os frutos que aparecem em cachos são de coloração violácea, quase negra quando maduros. De forma arredondada, apresentam rica polpa comestível e um caniço duro. São produzidos durante boa parte do ano, porém com maior intensidade nos meses de julho a dezembro. Do açaizeiro tudo se aproveita: frutos, folhas, raízes, palmito, tronco e cachos frutíferos. As populações ribeirinhas do baixo Amazonas, desde Santarém até a Ilha de Marajó, utilizam essa palmeira como fonte de renda e para a alimentação de suas famílias praticamente ao longo de todo o ano. Porém, devido à extração do seu palmito de forma indiscriminada, percebe-se a diminuição da palmeira nativa na região amazônica. Dessa forma, é importante estimular o cultivo do açaí (chamado pelo cultivadores da região Norte de “açaí de planta”) e a extração do fruto de maneira racional. A polpa pode ser utilizada na preparação de sobremesas, sucos, vinhos, licores ou sorvetes. Os nativos extraem sua polpa, que é consumida pura ou acompanhada de farinha de mandioca ou tapioca (daí pode-se fazer o mingau) e também com peixe assado ou camarão seco.

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Despolpadora de Açaí

Açaí Branco

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Cachaça de Jambu com Açaí – Belém – Pará

Feira do Açaí em Belém – Pará

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Açaizeiro

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Açaí em Pó

Açaí com Pirarucu na Feira do Ver – o – Peso em Belém

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Cerveja de açaí da Amazon Beer - Belém - Pará

Amazon Beer – Belém – Pará

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Preço do Litro de Açaí em Ananindeua – Pará

Preço do açaí no Mercado Municipal de Curitiba

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Açaizeiro dentro do Jardim Botânico em Curitiba - PR

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Sementes de açaí no Ver o Peso em Belém – Pará

Personagem dos Quadrinhos

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Museu Sacaca – Macapá – Amapá

O Relatório do Projeto de Pesquisa apresentado à Comissão Avaliadora do Prêmio Jovem Cientista 2013, por EDIVAN NASCIMENTO PEREIRA, de 19 anos mostrou que o carvão ativado produzido com resíduo restante do processo de beneficiamento do açaí é eficiente no tratamento de água. Observou-se que o carvão ativado apresentou eficiência igual e em algumas análises superior ao carvão ativado industrial, salientado que o carvão produzido apresenta vantagens no que diz respeito ao baixo custo em sua preparação. Além disso, a pesquisa é relevante por duas razões. Primeiro, ela agrega importância ambiental, por que dá uma destinação ao caroço de açaí que se descartado de maneira inadequada pode poluir o solo e a água. Segundo, por que o carvão ativado produzido a partir do aproveitamento desse resíduo pode ser eficientemente utilizado no processo de tratamento da água para consumo humano.

1° lugar na categoria Ensino Médio

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Bacaba O “vinho” de bacaba é bastante nutritivo e muito consumido na Amazônia. Ele é mais oleoso que o de açaí e é um dos sabores preferidos em Belém e cidades do interior do Pará. Toda a produção de bacaba em volta da cidade é comercializada, não sobra nada. Tem gente que faz uma mistura de bacaba e açaí e chama essa bebida de “viúva alegre”. Esse nome vem do contraste das cores do açaí escuro e da bacaba mais clara. Em Belém, justamente na época de maior escassez de açaí no mercado, a bacaba entra com toda a força, em um sistema de revezamento. No Brasil, a bacaba era usada pelos indígenas desde antes do descobrimento, mas ainda não foi domesticada. É importante saber que existem muitas espécies de bacabeiras. A mais famosa é muito conhecida no Pará, seu nome científico é Oenocarpus bacaba. Ela só tem um estipe (tronco), é nativa da Amazônia e ocorre com mais freqüencia no Pará e Amazonas, em áreas de solos pobres e argilosos e não-alagados. Essa espécie pode crescer na sombra, contudo prefere áreas mais abertas e é resistente ao fogo, sendo encontrada em capoeiras e pastos. No Pará, também existe a bacaba-de-leque (O. distichus). No Acre e no Alto Amazonas, a bacaba mais conhecida é a bacabinha (O. mapora), que possui vários estipes. No Acre também existe o bacabi (O. minor) e o bacabão que é considerado um cruzamento da bacabinha com o patauá.

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AJIRU

Nome científico: Chrysobalanus ícaro Nomes populares: Guajuru, guajiru, ariu, abajiru, Ajuru Fruto arredondado, de cor diversificada entre o branco-creme, o rosa e o púrpura e, algumas vezes quase preto. A polpa é branca, um tanto esponjosa, às vezes adocicada. Está presente em todas as Américas e ainda na África Ocidental, do Senegal a Angola. Na região Norte, o período de colheita do fruto dá-se por volta de agosto a setembro. É consumido in natura, mas pode ser utilizado na produção de conservas e doces em calda.

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(Atrás) Arbusto do Ajiru encontrado em toda a Ilha.

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Fila na saída da Ilha, 3 horas esperando a maré subir, no calor do ½ dia.

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Frutas da Amazônia

Ver o Peso – Belém – Pará

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Sapucaia

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CASTANHA DO PARÁ

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Nome científico: Bertholletia excelsa Nomes populares: Castanha do Pará e amêndoa-da-América. Origem: Amazônia O fruto da castanheira, chamada de ouriço, tem peso médio de 750 g e constitui- se em uma resistente cápsula que não se abre espontaneamente, abrigando, em seu interior, um número variado de sementes, entre 10 a 25. As sementes, denominadas castanhas, por sua vez, cujo tamanho varia entre 4 a 7 centímetros de comprimento, representam cerca de 25% do fruto e têm uma casca bastante dura e rugosa e encerram a amêndoa, que é rica em gordura e proteína. O ouriço cai quando maduro e aí são coletados no chão para a extração da castanha. É um dos produtos da nossa economia extrativista, com significativo valor no mercado de exportação. Devido à devastação indiscriminada das matas amazônicas, a castanheira nativa tem sido vista como uma das espécies ameaçadas de extinção. Porém. tem-se verificado que esta espécie é uma excelente alternativa para reflorestamento. A castanha do Brasil é consumida fresca ou assada, e também é ingrediente da composição de inúmeras receitas de doces e de salgados.

Licor de Castanha do Pará

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Museu Sacaca – Macapá – Amapá

Museu Sacaca – Macapá – Amapá

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Museu Sacaca – Macapá - Amapá

A Castanha do Pará é Rico no Mineral Selênio

O selênio é um mineral com um alto poder antioxidante. Ele um mineral

facilmente absorvido pelo organismo , encontrado especialmente na noz e

alguns vegetais cultivados em solos ricos em selênio, e na carne de

animais que pastaram em solos ricos em selênio. O selênio ingerido na

alimentação é absorvido no trato intestino delgado e armazenado nos

músculos, ossos, fígado, rins e testículos.

Pra que serve o Selênio

O selênio serve para:

Melhorar a resistência do sistema imunológico;

Diminuição do risco de doenças cardiovasculares;

Redução do risco de desenvolvimentos de câncer;

Desintoxicação de metais pesados.

Participa do metabolismo da tireóide.

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Benefícios do selênio

Para obter os benefícios do selênio basta ingerir diariamente um castanha do

Pará, também conhecida como castanha do Brasil. O selênio participa também

do sistema de defesa antioxidante do organismo, mas altas concentrações

pode ser tóxico.

Sintomas da falta de selênio

Os sintomas da falta do selênio no organismo quando a ingestão de selemio é

menor do que 11 microgramas por dia e pode provocar:

Fraqueza e dor muscular

cansaço;

falta de concentração;

cabelos e unhas fracas e quebradiças.

Sintomas de intoxicação de selênio

Alguns sintomas de intoxicação de selênio podem ser:

Distúrbios gastrointestinais;

gosto metálico na boca;

Distúrbios neurológicas;

falência renal;

estresse respiratório;

O selênio é altamente biodisponível e absorvido pelo organismo. A

sua ingestão em excesso provoca toxicidade, selenose.

Suplementação de selênio

A ingestão de uma castanha do Pará por dia é uma excelente forma de fazer

suplementação de Selênio.

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A concentração de selênio dos alimentos depende da quantidade de selênio

que havia na terra onde os alimentos foram cultivados. No caso de alimentos

de fonte animal, que é a principal fonte de selênio, a concentração de selênio

também é maior quando esses animais pastaram em solos ricos neste mineral.

Os alimento de origem vegetal não são boas fontes de selênio, com

exceção da castanha do Pará, em que uma noz pode conter até 500

microgramas de Selênio.

A cocção dos alimentos, a mais de 100ºC, destrói o Selênio. A forma

mais biodisponível de selênio é selêniometionina.

Recomendação diária aconselhada (RDA)

Crianças de 1 a 3 anos - 20 microgramas (mcg)

Crianças de 4 a 8 anos - 30 microgramas (mcg)

Crianças de 9 a 13 anos - 40 microgramas (mcg)

Mulheres - 55 microgramas (mcg)

Homens - 70 microgramas (mcg)

Durante gestação - 60 microgramas (mcg)

Durante a lactação - 70 microgramas (mcg)

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Camu – Camu

Nome científico: Myrciaria dubia Nomes populares: Caçari, araçá d’água Origem: Amazônia Fruto arredondado, de coloração avermelhada quando jovem e roxa-escura quando maduro. Possui polpa aquosa que envolve a semente de coloração esverdeada. O camu-camu frutifica de novembro a março. Presente em arbusto que pode atingir até 3 m de altura, e caule de casca lisa. As folhas avermelhadas quando jovens tornam se verdes posteriormente, sendo lisas e brilhantes. Possui flores brancas, aromáticas, aglomeradas em grupos de 3 a 4. É uma espécie silvestre, que ocorre predominantemente ao longo das margens de rios e lagos, com a parte inferior do caule frequentemente submersa. O camu-camu, de acordo com resultados obtidos em experimentos realizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), apresenta alta concentração de vitamina C (2.606 mg por 100 g de fruto), valor superior ao encontrado na maioria das plantas comestíveis. Técnicos do INPA estão fazendo experimentos que procuram viabilizar comercialmente seu cultivo, tornando a planta mais produtiva. Os frutos do camu-camu são pequenas esferas do tamanho de cerejas, de casca mais resistente do que a acerola, lembrando a jabuticaba: sua casca, ao se romper, deixa escapar o caldo da polpa, que fica envolto em uma semente única. Atualmente, é na Amazônia peruana que se buscam várias maneiras para a utilização desta fruta. Ali, o camu-camu é pouco consumido in natura. Por ser bastante ácida, apesar de doce, é fruta utilizada para o preparo de refrescos, sorvetes, picolés, geleias,

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doces ou licores, além de acrescentar sabor e cor a diferentes tipos de tortas e sobremesas confeccionadas à base de outras frutas. O camu-camu é uma espécie tipicamente silvestre, mas com grande potencial econômico capaz de colocá-la no mesmo nível de importância de outras frutíferas tradicionais da região amazônica, como o açaí e o cupuaçu.

Sementes da Amazônia

Ver o peso – Belém – Pará – Amazônia

O Ver-o-Peso é a maior feira livre da América Latina. Está localizada na Cidade Velha, às margens da baía do Guarajá. Inaugurada em 1625, era entreposto fiscal, onde se media o peso exato das mercadorias para se cobrar os impostos para a coroa portuguesa. Ao longo do tempo, o Ver-o-peso sofreu várias modificações visando se adaptar às necessidades e gostos da Belle Époque. Foi nessa época que houve aterramento da Baía do Guajará, ampliação do Mercado de Carne, construção do porto e o Mercado de Ferro. O mercado faz parte de um complexo arquitetônico e paisagístico que compreende uma área de 35 mil metros quadrados, com uma série de construções históricas, dentre elas o Mercado de Ferro, o Mercado da Carne, a Praça do Relógio, a Doca, a Feira do Açaí, a Ladeira do Castelo e o Solar da Beira e a Praça do Pescador. O conjunto foi tombado pelo IPHAN, em 1997.

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Mercado do Ver o Peso em Belém – Pará – Amazônia

CERRADO

O Cerrado brasileiro, considerado atualmente a mais rica savana do mundo em biodiversidade, reúne uma grande variedade de paisagens e uma enorme quantidade de espécies de plantas e animais. Entre chapadas e vales, com uma vegetação que vai do campo seco às matas de galeria, o Cerrado se estende por uma vastidão de 2 milhões de km², área equivalente a um quarto do território nacional. O Cerrado é um bioma rico e globalmente significativo por sua extensão, diversidade ecológica, estoques de carbono e função hidrológica no continente sul-americano, além de possuir uma imensa diversidade sociocultural pela presença de comunidades indígenas, quilombolas e de pequenos produtores agroextrativistas. Apesar disso, trata-se de um bioma profundamente ameaçado pela mudança no uso da terra gerada pelo avanço desenfreado da pecuária e das monoculturas, e ainda relegado a segundo plano pelo poder público e organismos internacionais.

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MURICI

O murici (Byrsonima crassifolia), também conhecido como muruci, murici-da-

praia ou murici-do-brejo, é uma árvore, nativa do norte e nordeste do Brasil.

Características gerais: Sua altura média é de 6 a 16 m, suas folhas são

simples, lisas, e atingem em torno de 13 cm. Suas flores são em forma de

cachos amarelos, seu fruto é pequeno, em torno de 0,8 cm e em cacho.

Quando maduro fica mais macio, porém continua de cor verde.

Suas sementes geralmente atingem o tamanho de 0,5 cm de comprimento, e

são de um marrom-claro.

Esta árvore é freqüente nas regiões de terrenos úmidos, próximos a rios e

lagoas. Não é conhecida a utilização em paisagismo, apesar de sua beleza,

especialmente quando em floração. Existem outras espécies de murici,

inclusive arbustos, e a característica de todas elas é o fruto pequeno e

comestível, de sabor ácido.

Fruta nativa do Nordeste brasileiro, é encontrada em regiões serranas e

próximas ao litoral. Já conhecida desde 1570 pelos indígenas como mureci.

Hoje conhecida como murici, murixi, muruci e fruta de jacu. A cor amarela,

quando madura, chama a atenção. Apesar do tamanho pequeno possui sabor

e cheiro intensos e característicos, não se comparando a outro fruto. Pode ser

usada na fabricação de sucos, doces, licores, geléias e sorvetes.

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PEQUI

O pequizeiro (Caryocar brasilienseCamb.) é uma planta típica do Cerrado, um bioma de grande variedade de sistemas ecológicos, tipos de solo, clima, relevo e altitude, e com uma vegetação caracterizada por coberturas rasteiras, arbustos, árvores esparsas e tortuosas, de casca grossa, folhas largas e raízes profundas, formando desde paisagens campestres a florestas. No Brasil, o Cerrado cobre aproximadamente 2 milhões de km2, o que representa 23% do território nacional, ocorrendo nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Distrito Federal e áreas disjuntas de São Paulo. Com ciclo de vida estimado de aproximadamente 50 anos, o pequizeiro atinge até 10m de altura. Sua fase reprodutiva inicia-se a partir do oitavo ano, com floração ocorrendo normalmente entre os meses de setembro e novembro. A frutificação acontece de outubro a fevereiro, produzindo frutos por 20 a 40 dias em média, com produção variável podendo chegar a 1000 frutos por pé. O fruto do pequizeiro apresenta gosto inconfundível, tendo seu nome ligado às suas características botânicas, e etimologicamente ligado à língua tupi: py = casca e qui = espinho. Contém normalmente entre 1 e 4 caroços por fruto, cientificamente chamados de putâmens. No Norte de Minas Gerais, já foram encontrados frutos contendo até 7 caroços. O caroço é composto por um endocarpo lenhoso com inúmeros espinhos, contendo internamente a semente, ou castanha, e envolto por uma polpa de coloração amarela intensa, carnosa e com alto teor de óleo. Assim como numerosos e exuberantes estames em sua flor, múltiplas são as formas de uso e significados do pequi para esses povos. Base da cultura alimentar de várias regiões brasileiras, o fruto do pequi compõe receitas tradicionais como o arroz com pequi, galinhada, doces, licores, sorvetes, caracterizando fortemente, junto a outras especiarias, o bouquet de sabores

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das culinárias regionais onde ele se encontra. Popularmente, o uso fitoterápico do óleo, flores e folhas do pequi é indicado em diversos tratamentos. Uma das maiores virtudes do Cerrado brasileiro é a diversidade biológica deste bioma, no qual é encontrada uma série de espécies vegetais que produzem frutos utilizados na alimentação humana, dentre as quais o pequi. Espécies medicinais e outras plantas com potenciais de uso diversos vêm sendo largamente utilizadas no cotidiano da população local, constituindo uma reserva farmacológica, nutricional e utilitária de riqueza inigualável para os povos das regiões ocupadas pelo Cerrado

CAGAITA

A cagaita é uma fruta típica da Região Centro-Oeste e é coletada no período de setembro a novembro. Os frutos da cagaiteira possuem coloração amarela quando maduros, são bastante consumidos in natura e, se em grande quantidade ou quando fermentados ao sol, possuem efeito laxante. Os frutos semi-maduros possuem uma coloração verde-amarelada e são apropriados para fazer doces em compotas. Para obtenção do suco, que pode ser utilizado em sorvetes, geléias, pudins e pavês, a polpa deve ser macerada e espremida na peneira, podendo ser congelada e mantida até por um ano sem perder o sabor. Quando submetida à fermentação a cagaita produz vinagre e álcool. O transpor te dos frutos maduros requer cuidado, pois eles possuem mais de 90% de suco envolvidos em uma película muito delicada.

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BARU O baruzeiro é uma árvore típica da Região Centro-Oeste e possui um fruto de casca fina onde se esconde uma castanha dura e comestível. A castanha tem um alto valor nutricional, é rica em cálcio, fósforo e manganês, contendo 45% de óleos e cerca de 26% de proteínas. Seus frutos maduros apresentam uma coloração marrom, são coletados no chão ou semi-maduros na árvore, no período de setembro a outubro. O gosto da castanha do baru se assemelha ao do amendoim ou castanha de caju quando torrada, ser vindo de ingredientes em receitas de pé-de-moleque, paçoca, pães, bolos, sorvetes e para acompanhar aperitivos. O baru pode ser conservado facilmente em temperatura ambiente, porque se a fruta for estocada adequadamente, as propriedades físico-químicas da castanha permanecerão as mesmas por cerca de três anos.

JABUTICABA A jabuticaba é uma fruta silvestre de cor roxa escura ou negra, típica da Mata Atlântica. Há três tipos diferentes: a jabuticaba gaúcha (grande, de casca fina e cor roxa escura), a jabuticaba de cabinho (reconhecida pelos seus cabinhos compridos) e a jabuticaba sabará (pequena e de casca grossa). Os frutos são produzidos no tronco da árvore jabuticabeira e a sua polpa tem coloração branca e suculenta. Esta fruta pode ser consumida in natura, e também é usada na fabricação de doces, geléias, licores e vinhos. Possui um alto poder de fermentação, por isso, deve ser rapidamente consumida se estiver com consistência firme, brilhante e sem rachaduras.

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CAATINGA

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NARRATIVAS DE VIAGENS

Uma das melhores narrativas sobre o Nordeste na primeira metade do

século XIX, é a do inglês Henry Koster, que escreveu o livro Travels in Brazil,

publicado em Londres, em 1816. Em 1898, foi traduzido por Antônio C. de A.

Pimenta e publicado na Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e

Geográfico Pernambucano. Porém, sua primeira edição em livro no Brasil é de

1942, com tradução de Luís da Câmara Cascudo sob o título Viagens ao

Nordeste do Brasil.

Como uma complementação ao relato de Koster, o francês Louis

François de Tollenare escreveu, entre 1816 e 1818, um diário onde aborda

aspectos importantes da vida social e política, usos e costumes, festas

populares, escravidão, movimentos políticos e economia da sociedade da

época. As partes referentes aos estados de Pernambuco e da Bahia foram

traduzidas por Alfredo de Carvalho e publicadas sob o título de Notas

dominicais, nas Revistas do Instituto Arqueológico e Geográfico

Pernambucano, em 1904 (v.61), e do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia,

em 1907 (v.14).

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CAATINGA A Caatinga é considerada a quarta maior formação vegetacional e a única exclusivamente brasileira; abrange uma área que vai desde o Piauí até o norte de Minas Gerais. Possui várias espécies endêmicas, tanto de plantas quanto de animais. Apresenta diferentes tipos, ou seja, alguns lugares apresentam mais árvores; outros, mais arbustos que árvores; ou, ainda, há áreas que apresentam muitas ervas, representando um ambiente muito rico em biodiversidade. A palavra caatinga é de origem tupi e significa mata branca, referindo-se ao aspecto da vegetação durante a estação seca, quando a maioria das árvores perde as folhas, e os troncos esbranquiçados dominam a paisagem. O juazeiro e o umbuzeiro são exemplos de plantas que permanecem com as folhas durante a estação seca. Entre as espécies mais comuns e características desse ambiente, destacam-se os cactos, como o facheiro, o mandacaru e o xiquexique; e as bromélias, como a macambira e o caroá. Na Caatinga, ocorre o fenômeno da sazonalidade climática, em que a maior parte dos meses (de sete a nove) são quentes e secos, restando poucos meses (de três a cinco) com chuvas intensas. Logo, podemos diferenciar a Caatinga de acordo com a disponibilidade de chuvas: algumas áreas são mais úmidas, como, por exemplo, os municípios de Altinho e Caruaru, na região Agreste; e outras, mais secas, como os municípios de Petrolina e Serra Talhada, na região do Sertão, todas localizadas no Estado de Pernambuco. NOTA: Atualmente, a Caatinga sofre com a degradação ambiental, que hoje já atinge mais de 80% de sua área. Embora o número de pesquisas tenha aumentado nos últimos anos, ainda é pouco o conhecimento. O número de Unidades de Conservação no domínio da Caatinga é bastante reduzido. Isso reflete a carência de políticas voltadas para a conservação da diversidade biológica da Caatinga e de seus demais recursos naturais.

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PLANTAS MEDICINAIS

O uso de plantas medicinais é uma das práticas mais antigas da população humana. É tão antiga quanto a própria existência dos seres humanos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estimou, na década de 1990, que cerca de 70% das pessoas que vivem em países em desenvolvimento dependiam de plantas medicinais como sendo a única maneira de cuidar da saúde. Em nosso país, a medicina popular é fruto da mistura de saberes de diversos grupos indígenas, juntamente com os europeus e africanos vindos para o Brasil. Esses povos, quando vieram, trouxeram consigo uma grande quantidade de plantas. Então, podemos dizer que a maioria das formas de uso das plantas medicinais, hoje, é o resultado da interação de pessoas de diferentes culturas. No Nordeste, nós temos uma grande diversidade cultural, representada por diferentes grupos, como os quilombolas e os grupos indígenas.

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Aroeira A aroeira é uma árvore que pode chegar a 10 metros de altura e é dioica, ou seja, apresenta sexo separado, existindo o pé de aroeira fêmea e o pé de aroeira-macho. No período seco, suas folhas podem cair, o que faz com que a denominemos planta decídua. No Brasil, ela está presente por toda a Caatinga, em áreas de Mata, Agreste e Sertão. Essa planta é uma das mais conhecidas e utilizadas pelo povo nordestino e, em especial, por aqueles que moram na Caatinga. Devido a suas propriedades terapêuticas anti-inflamatórias e cicatrizantes, as pessoas utilizam essa planta para diversos tipos de inflamação, como inflamações na garganta, no útero e no ovário, e também para curar ferimentos na pele, podendo estar infeccionados ou não. Além disso, é usada para tratar úlcera gástrica e hemorroidas, ferimentos e cortes. Alguns estudos científicos vêm demonstrando a eficiência dessa espécie para tratar doenças como inflamações, dores em geral, problemas gástricos e na pele. Foram encontrados, nesses estudos, substâncias capazes de curar ou tratar alguns desses problemas, mas isso não quer dizer que podemos usar essas plantas livremente. Suas cascas são, preferencialmente, a parte coletada para o preparo dos medicamentos. Elas contêm elevadas concentrações de tanino, substância que auxilia na formação de uma camada protetora sobre a pele, ajudando, assim, na cicatrização de feridas. Além de seu uso medicinal, a aroeira é uma das espécies mais úteis na Caatinga. Devido à dureza de sua madeira, é intensamente utilizada para a construção de casas, cercas, postes, entre outros. Graças à intensidade dos seus usos, ela é considerada uma das espécies com alto risco de extinção, de acordo com uma lista publicada pelo Ibama.

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Angico O angico é uma árvore de 12 a 15 metros de altura, também conhecida como angico-preto ou angico-de-caroço. Essa árvore é monoica, ou seja, apresenta o sexo feminino e o masculino em uma mesma planta, e seu tronco é coberto por acúleos, que podem estar densos ou até mesmo dispersos, daí ser chamada de angico-de-caroço. Suas flores são brancas, e os seus frutos são longos e achatados. Ocorre em todas as regiões da Caatinga e em algumas áreas do Cerrado, mas também pode ser encontrada desde o Maranhão até o Paraná. É uma planta intensamente utilizada para várias finalidades, que vão desde a construção de casas, cercas e artesanato até o curtimento artesanal de couros e peles de animais para a fabricação de calçados, entre outras peças. Na medicina popular, o angico ajuda na eliminação de produtos do metabolismo. Também é utilizado para estancar pequenas hemorragias e no tratamento de leucorreia e gonorreia. Assim como a aroeira, devido à alta concentração de tanino em suas cascas, é utilizado para o tratamento tópico de ferimentos e cortes. Essa planta também é empregada no tratamento de doenças respiratórias, como: bronquite, coqueluche, tosse e inflamações no pulmão. É também utilizada como expectorante

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Cumaru Essa árvore é também conhecida como imburanade-cheiro, amburana ou cumaru e apresenta de 4 a 10 metros na vegetação mais seca, alcançando até 20 metros em áreas mais úmidas. Assim como a aroeira, a imburana-de-cheiro é dioica e perde as folhas durante o período seco. As flores são brancas, e seus frutos são pequenos, do tipo vagem. Seu tronco possui descamação semelhante à encontrada em troncos de goiabeira, e essa camada que foi descamada recebe o nome de ritidoma. A imburana-de-cheiro ocorre na Caatinga e também nos estados do Espírito Santo e de Minas Gerais. Sua distribuição não é frequente, sendo, inclusive, apontada como uma planta que sofre riscos de extinção devido à sua baixa ocorrência nas matas e à sua intensa exploração. Sua madeira é utilizada no fabrico de móveis, devido à sua boa qualidade, e em esculturas, além de outros usos nobres. Tradicionalmente, suas sementes são usadas como odorizante de roupas em armários e guarda-roupas por causa do seu aroma agradável. Como medicamento, é usada popularmente no tratamento de problemas respiratórios, a exemplo de bronquite, asma, sinusite, gripe, resfriado; e como expectorante, o que pode ser devido à sua ação broncodilatadora. Suas sementes são utilizadas no tratamento de inflamações nos dentes e de dores reumáticas. Estudos científicos demonstram que essa planta parece ser promissora no tratamento da doença de Alzheimer, mas devemos ter cuidado, pois essa função ainda não foi totalmente comprovada.

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Juá Conhecida popularmente como juazeiro, é uma árvore monoica de 15 a 20 metros, nativa da Caatinga. Possui flores amarelo-esverdeadas, pequenas e pouco vistosas; o fruto é pequeno, porém doce e de sabor agradável, e costuma cair bastante no período chuvoso. Durante a estação de seca, não perde suas folhas, daí ser considerada uma planta perenifólia. É uma das poucas plantas que resistem às frequentes secas da região, graças às suas grandes raízes, que retiram água das regiões mais profundas do solo. Seus frutos, suas folhas e seus ramos são utilizados para a alimentação de bovinos, caprinos e suínos. O juá ocorre em todo o Nordeste brasileiro, desde o Piauí até a Bahia, e também no norte de Minas Gerais. Na medicina popular, são utilizadas a casca e a folha do juazeiro para aliviar alguns problemas relacionados aos aparelhos digestório e respiratório, como, por exemplo, gripe e tosse. Mas apenas a casca é usada como anti-inflamatório, tonificante para os cabelos e anticaspa. Apesar de serem poucos os estudos científicos sobre essa planta, ela vem demonstrando ter uma boa atividade antibacteriana, agindo sobre algumas bactérias.

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Mororó Conhecida também popularmente por pata-de-vaca ou unha-de-vaca, devido às suas folhas serem semelhantes a uma pata de vaca. É um arbusto monóico nativo da Caatinga que mede de 5 a 7 metros de altura e tem como traço mais evidente suas folhas, apesar de haver outras espécies desse mesmo gênero com essa característica. Sua madeira é usada para fazer estaca, cabo de ferramentas, lenha e carvão. Popularmente, essa planta é usada para o tratamento de diabetes, problemas respiratórios (tosse, inflamações na garganta, gripe, asma), distúrbios nervosos, enxaqueca e como expectorante e calmante. Atualmente, não existem trabalhos com avaliação farmacológica dessa planta. Os estudos que existem são de plantas aparentadas, ou seja, da mesma família. Essas plantas de parentesco próximo do mororó vêm demonstrando serem interessantes no tratamento de diabetes por diminuírem as concentrações de açúcares no sangue; além disso, parecem ser importantes para diminuir as taxas de colesterol e triglicérides, que são duas gorduras fortemente associadas a doenças cardíacas. Mas isso não quer dizer que o mororó da nossa região também tenha essas mesmas características.

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Jatobá Conhecida popularmente como jatobá, é uma árvore de 8 a 18 metros de altura, com uma copa vistosa devido a seus amplos ramos; folhas perenes, inclusive na estação seca; tronco curto; e casca bem grossa. A flor é de cor creme, seu fruto é uma vagem (figura 14) de casca rígida e polpa constituída de uma massa amarelada e sabor fortemente adocicado muito apreciado. Medicinalmente, seus frutos são utilizados no fabrico de remédios para tosse, gripe, bronquite, entre outros problemas respiratórios; além de anemia, dor de cabeça e gastrite. A resina pode ser usada em lambedores para a cura de gripe ou como chá para tosse e catarro. Da casca, é feito o chá para dores em geral e problemas no sistema respiratório, funcionando também como calmante. Devido à qualidade de sua madeira, é empregada na construção de vigas e confecção de caibros. Seus frutos são comestíveis para as pessoas e os animais.

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Mulungu Conhecida popularmente como mulungu, é uma planta de 8 a 12 metros de altura e com tronco espinhento. Suas flores são alaranjadas e bem vistosas devido ao seu tamanho e também por ocorrerem durante o período em que a planta perde suas folhas. Seus frutos, quando secos, abrem-se e liberam, no ambiente, suas sementes, que são de cor avermelhada. Ocorre em toda a Região Nordeste até Minas Gerais e é bem adaptada a ambientes com forte incidência luminosa, apesar de estar frequentemente associada a ambientes úmidos, como leito de rios ou várzeas. Sua madeira é bem leve e úmida e, por isso, possui pouco interesse econômico, já que é atacada por decompositores rapidamente. Mas, mesmo assim, é usada para fazer estacas e gamelas e no fabrico de caixotes ou brinquedos. Popularmente, sua casca é utilizada no fabrico de chás para o tratamento de insônia, cólicas e prisão de ventre e como calmante e anti-inflamatório. A literatura reporta usos para tratar de inflamações dos dentes, dores de cabeça, febre e até mesmo como estimulante da produção de leite materno. Já existem estudos que mostram que, futuramente, poderemos ter bons remédios com efeito tranquilizante à base de mulungu.

PLANTAS COMESTÍVEIS

Uma das necessidades básicas para nós, seres humanos, é a alimentação. Desde os primórdios da humanidade, as pessoas utilizam os recursos naturais, tanto os de origem animal quanto os de origem vegetal, para satisfazer essa necessidade. Em se tratando destes últimos, a contribuição das plantas para a alimentação humana é bastante considerável, basta lembrar das nossas refeições diárias para constatarmos que a maior parte da nossa dieta vem das plantas, como, por exemplo, o feijão, o arroz, o milho, a ervilha, a soja, o trigo, a aveia, a cevada, as hortaliças em geral etc. Todas essas plantas, e muitas outras, foram domesticadas há milhares de anos. Apesar do grande número de espécies com potencial alimentício, a alimentação humana é baseada principalmente em apenas cem plantas. Esse número reduzido de plantas na nossa dieta tem como principal consequência o mau aproveitamento de outras espécies com potencial nutricional, principalmente a flora alimentícia nativa de uma região. O grande problema é que o interesse econômico mundial destinasse a um conjunto reduzido de aproximadamente vinte espécies vegetais, como soja, milho, sorgo, trigo, cevada, arroz. Toda a forte influência da mídia e os interesses econômicos culminaram no aumento da procura e do uso desse grupo reduzido de vegetais, em detrimento do consumo de plantas nativas de uma região. A incorporação destas últimas na dieta, além de fazer com que ela seja mais variada, proporcionaria às populações humanas uma fonte alternativa de alimentação, podendo, inclusive, melhorar a renda familiar através de sua comercialização. No entanto, ainda que muito variadas as influências na culinária brasileira, a maior parte das plantas que chegam à nossa mesa é de origem europeia,

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ocupando o lugar das plantas locais; com isso, não só a tradição do que é nosso se perde, mas também o conhecimento dos vegetais nativos que podem ser empregados como alimento. Outra consequência disso é a perda das próprias plantas, já que, muitas vezes, estas são cortadas para abrir espaço para o plantio das principais monoculturas (milho e feijão, por exemplo). Por que, então, não transmitir o conhecimento das plantas silvestres para a coquetelaria e promover o uso controlado destas? NOTA: Não se tem um número exato das plantas alimentícias em todo o mundo, porém um pesquisador alemão, Günther Kunkel, em seu livro Plantas para o Consumo Humano, publicado em 1984, forneceu uma das listas mais completas sobre plantas alimentícias, na qual se contabilizaram cerca de 12.500 espécies com potencial uso alimentício. No entanto, a incerteza desses números levou outros pesquisadores a estimarem, posteriormente, algo entre 27 mil e 75 mil espécies potencialmente alimentícias. Muitas foram as influências que o Brasil recebeu ao longo de sua história. Povos de todas as partes do mundo aqui chegaram, e, com eles, também vieram seus costumes e suas crenças, somando-se à cultura dos povos indígenas que aqui estavam. Assim se originou a complexa mistura cultural que caracteriza o povo brasileiro. Um dos aspectos que simbolizam bem isso é a culinária, a qual sofreu fortes influências, principalmente indígenas, europeias — com destaque para a portuguesa — e africanas. A principal influência indígena na dieta brasileira é a mandioca, mais especificamente a farinha da mandioca, sendo a tapioca um dos seus principais produtos. Além dessa planta, outras foram incorporadas, por etnias indígenas, na alimentação do povo brasileiro, como batata-doce, cará, cacau, amendoim, buriti, cupuaçu e caju, só para citar alguns exemplos. Os europeus, principalmente os portugueses, também deram a sua contribuição. Dos navios lusitanos, desembarcaram cereais, trigo, couves, alfaces, pepinos, abóboras, lentilhas, etc.; além de temperos, como alho, cebola, cominho, coentro e gengibre, os quais são heranças das primeiras hortas portuguesas em terras brasileiras. Dentre as plantas alimentícias introduzidas pelos africanos, encontra-se a banana. Essa planta é considerada a maior contribuição africana para a alimentação do Brasil, em termos de quantidade, distribuição e consumo. Dentre outras plantas trazidas pelos africanos, destacam-se a manga, a jaca, o quiabo, o jiló, a cana-de-açúcar, etc. O coqueiro e o leite de coco, à primeira vista tão tupiniquins, na verdade também vieram do continente africano, bem como o dendê e o azeite dele extraído, tão característico da culinária baiana. Para termos uma ideia de como são poucas as plantas que consumimos diariamente, convidamos você para fazer uma rápida lista dos vegetais que comeu no dia anterior. Procure colocar tudo: frutas, verduras, legumes, temperos, cereais, bebidas, etc. Depois que você terminar sua listagem, tente compará-la com a de outros colegas e você verá que, na maioria das vezes, o número não é superior a vinte plantas. Mas nem sempre isso foi assim. Os nossos antepassados tinham hábitos alimentares diferentes dos nossos e

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incluíam, na sua alimentação, um grande número de espécies vegetais, coletadas ao se deslocarem de um lugar para outro. Uma história bastante interessante que exemplifica essa afirmação é a das duas múmias encontradas na Europa, conhecidas como homem de Tollund e homem de Grauballe. Essas múmias são datadas da Idade do Ferro, período compreendido entre os anos 1200 a.C. a 1000 d.C. A análise do conteúdo de seus estômagos revelou que, antes da morte, essas pessoas tinham consumido cerca de 66 espécies de plantas. Sugiro agora que você compare o número de plantas consumidas por essas pessoas com o número de plantas consumidas por você e seus colegas. Será que, hoje em dia, alguém se alimenta de forma tão diversificada? Em relação às plantas com potencial alimentício, a quantidade desses recursos na Caatinga é muito maior do que, à primeira vista, se poderia imaginar. Apenas para citar alguns exemplos de plantas usadas na alimentação, temos o trapiá (Crataeva tapia L.), o coco-catulé (Syagrus cearensis Noblick), o icó (Capparis jacobinae Moric. ex Eichl), a ubaia (Eugenia uvalha Cambess), o facheiro (Pilosocereus pachycladus), o umbu (Spondias tuberosa Arruda), dentre outras. O fato de essas plantas poderem servir de alimento para nós, seres humanos, faz com que sejam vistas com especial destaque, pois o seu uso controlado e sustentável pode melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas que vivem nas regiões semiáridas do Nordeste brasileiro. O uso sustentável das plantas alimentícias se dá pela utilização e/ou coleta em quantidades que satisfaçam as necessidades humanas, sem prejudicar a preservação da flora. Dependendo da parte, a sua retirada não produz grandes prejuízos às plantas, como ao se usarem frutos e folhas. No entanto, se a estrutura usada for o caule ou a raiz, a coleta excessiva deve ser evitada, para que se possa garantir a sobrevivência das plantas e a manutenção da oferta de alimentos para todos. Como nós vimos, existe um grande número de plantas usadas na alimentação das pessoas que vivem em regiões semiáridas do Nordeste brasileiro.

Umbu Dentre as plantas mais conhecidas pelas populações do semiárido, está o umbuzeiro, ou imbuzeiro (Spondias tuberosa Arruda), uma fruteira nativa do Brasil. A principal parte comestível do umbu é o fruto, podendo ser consumido in natura, em refrescos, sorvetes e na tradicional umbuzada (polpa dos frutos inchados de umbu cozida com leite e açúcar). Só que esta não é a única forma de se consumir a umbuzada, ela pode ser preparada com os frutos maduros do umbu espremidos e misturados com farinha — esse preparado também é conhecido por pirão de umbu. Segundo estudos desenvolvidos na Caatinga, os frutos do umbu são ricos em vitamina C e sais minerais, como cálcio, potássio e magnésio.

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NOTA: Pesquisadores da Embrapa Semiárido, em Petrolina, estão às voltas com um enigma genético desde que colheram, no Sertão baiano, um umbu com peso cinco vezes maior que a média. O fruto do umbuzeiro pesa, em média, 20 gramas, incluindo a polpa, o caroço e a casca. O gigante tem 107 gramas. “É cinco vezes e meia maior que a média”, diz Carlos Antônio, pesquisador da Embrapa. O material foi depositado na Embrapa Semiárido, mais especificamente numa plantação de umbuzeiros silvestres que ocupa três hectares da unidade. São 78 tipos diferentes da fruteira, que atinge 6 metros e é exclusiva da Caatinga, não sendo encontrada em nenhum outro lugar do planeta. Há umbuzeiros gigantes, os que frutificam em cachos e os geminados. O umbu-de-cacho, coletado também no Sertão baiano (município de São Gabriel), apresenta 25 frutos num mesmo cacho. Adaptado da reportagem Umbu Gigante Intriga Cientistas, publicada no Jornal do Comércio, Recife, 26/03/2006.

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Umbu no Mercado Municipal de Curitiba

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Quixabeira A quixabeira é uma árvore natural da região da Caatinga muito encontrada em regiões úmidas próximas a rios. Ela é muito conhecida porque sua casca, utilizada para tratar ferimentos. Ela também é chamada de quixaba. A parte comestível é o fruto, de coloração roxa-escura e produzido entre os meses de janeiro e fevereiro. São frutinhos ingeridos in natura pela população e possuem sabor bastante adocicado graças à grande quantidade de açúcares em sua polpa. Por essa razão, são bastante apreciados pelas crianças, que, ao consumi-los em excesso, costumam ficar com a boca roxa e “grudada” por causa do látex que é produzido em diferentes partes da planta, inclusive nos frutos.

Mandacaru O mandacaru é um cacto que está entre as plantas mais lembradas quando se fala em vegetação da Caatinga. Sua forma é bem característica, tornando-se quase impossível não o diferenciar no meio das outras plantas que formam a vegetação. O caule é coberto por grandes espinhos, com ramificações próximas ao topo e de coloração verde. Essa planta é cercada por muitos “causos” sertanejos. O mais comum deles e que já virou até assunto de música é que a abertura de suas flores brancas é um indicativo de chuva próxima. Além disso, é muito comum ouvir que o caule do mandacaru tem muita água, que é utilizada para matar a sede de quem anda pelo mato. A principal parte comestível da planta são os seus frutos, que nascem grudados ao caule. A casca do fruto é bastante avermelhada e carnosa, e seu conteúdo, comestível, é de cor branca, com grande número de sementes pretas e muita mucilagem. A polpa tem sabor bastante adocicado, o que faz com que as crianças sejam suas maiores admiradoras. Também é um alimento bastante apreciado pelas aves, que descartam as sementes derrubando-as no chão e favorecendo o nascimento de novas plantas. NOTA: Em outros países, os frutos e até mesmo o “miolo” dos cactos são muito utilizados na alimentação diária das pessoas. Um desses países é o México, nosso vizinho aqui da América Latina. Lá existe uma planta muito parecida com o nosso mandacaru, conhecida como pitaia (Hylocereus undatus (Haw.) Britton & Rose). Seus frutos são utilizados para fabricar bebidas, sucos, geleias e até sorvetes. A pitaia é tão popular que já foi motivo de estudos científicos, que comprovaram que ela possui minerais e vitaminas, incluindo a vitamina C. Agora, pense conosco: se o mandacaru é tão parecido com a pitaia, será que ele também não pode ser usado pela coquetelaria?

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Facheiro O facheiro pertence à mesma família que o mandacaru e, assim como este, é um cacto nativo do Brasil e uma das plantas mais frequentes e comuns na Caatinga. Devido à facilidade de germinação de suas sementes, o facheiro pode crescer quase que em qualquer lugar, sendo comum encontrá-lo tanto em terrenos úmidos quanto crescendo em cima de rochas. Geralmente, essa planta apresenta um crescimento ramificado e se encontra totalmente coberta de espinhos amarelos; tem flores azuladas e frutos que, quando maduros, tomam uma coloração avermelhada e adquirem uma concentração de açúcar que os faz muito apetitosos, não só para os animais, mas também para os seres humanos. Além disso, os miolos são tradicionalmente utilizados na elaboração do tão conhecido doce de facheiro.

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LICURI O licuri ou ouricuri é o fruto de uma palmeira nativa do Brasil, típica nas Regiões Nordeste e Sudeste, que pode chegar a ter dez metros de altura. A palmeira é uma impor tante fonte de alimento para as pessoas e os animais, pois sua amêndoa é usada como substituta do milho na alimentação de aves e o fruto é altamente calórico. A frutificação é o ano todo, mas são os meses de março, junho e julho que podem ser caracterizados como período de safra. Quando maduros, os frutos apresentam uma coloração que varia do amarelo-claro ao laranja, dependendo do seu estado de maturação. A polpa e a amêndoa do licuri são consumidas in natura e na fabricação de cocadas, além de ser extraído o leite e o óleo de licuri que são usados na culinária

A macambira está presente nas caatingas do Nordeste do Brasil, da Bahia ao Piauí. A planta herbácea, da família das Bromeliáceas, que cresce debaixo das árvores ou em clareiras, possui raízes finas e superficiais, folhas que podem atingir mais de um metro de comprimento por vinte centímetros de largura, espinhos duros, e um rizoma que fornece uma forragem de ótima qualidade. Em se tratando de cor, a macambira pode ser verde-claro, verde mais escuro, verde cinza, violácea ou amarela, dependendo, entre outros fatores, da umidade do ar e do solo. Em locais mais abertos e expostos ao sol, a face ventral das folhas pode-se apresentar violácea ou roxo-escuro. O vegetal simples, de raízes superficiais, desenvolve-se nas terras mais áridas dos trópicos, se alimenta de ar atmosférico e possui umidade suficiente para resistir às duras secas. Os frutos, amarelos quando maduros, exalam um odor ativo e característico, assemelhando-se a um cacho de bananas pequenas. E suas bagas medem de três a cinco centímetros de comprimento, e têm um diâmetro que varia de dez a vinte milímetros.

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Do limbo das folhas da macambira, os sertanejos retiram as fibras aproveitáveis. Com golpes precisos de facão, os espinhos são retirados e, depois, juntam-se as folhas em grandes feixes, que ficam macerando durante vários dias. Quando amolecem as partes fermentáveis, as folhas são retiradas da maceração, batidas, espremidas, lavadas e colocadas em jiraus para secar ao sol. Todo esse processo exala um forte mau cheiro, tendo que ser feito bem longe das casas. Caso seja realizado às margens de rios, os pequenos peixes morrem embebedados. Existe, ainda, outro processo para se extrair as fibras da macambira. Trata-se de um método árduo, através do qual a folha é arrastada sobre o arame de um aparelho conhecido por tiralinho; depois é esmagada e passada entre os dentes de um pente metálico, para se retirar toda a parte mole. A partir daí, as fibras descobertas são lavadas, penteadas, e colocadas para secar. Utilizam-se as folhas da macambira, inclusive, para cobrir casas, sendo essas amarradas em molhos e, durante uma semana, colocadas para murchar. Em fase posterior, os molhos são colocados uns juntos ao outros, fortemente atados com cipós (ou batidos com pregos). Em seguida, da biqueira da casa até a cumieira, os molhos são dispostos em camadas superpostas, o que deixa os telhados com ótima aparência.

Uma outra operação, bastante ingrata, é a extração da massa da base

dilatada das folhas (capas). O sertanejo corta algumas folhas, no ponto em que começam a se alargar, para alcançar a cabeça da macambira. Várias cabeçassão amarradas umas às outras, formando-se atilhos que os burros transportam em suas cangalhas; ou os próprios caboclos carregam nos ombros, quando não dispõem dos animais. O trabalho de apara é bem árduo: há que retirar os espinhos, recortar as bordas, e fazer a despela, ato que consiste em levantar a epiderme, guarnecida de forte cutícula, com a ponta de uma faca. E as capassão piladas visando separar a fécula das fibras.

A massa bruta é batida, espremida e lavada em água, várias vezes, para

retirar o máximo possível do fortume. Isto tudo deixa as pessoas com os dedos muito feridos, devido à ação corrosiva daquela substância. Após a decantação, a massa, de cor branca, é envolvida em um pano, passada em uma prensa rudimentar para escorrer o restante de água, e colocada ao sol para secar.

Com a massa, em uma cuscuzeira, os sertanejos fazem um pão

semelhante ao de milho. Costuma-se adicionar um pouco de farinha de mandioca à massa, para aumentar a liga e diminuir o travo no gosto. A massa também é comida em forma de pirão, com leite, ou carnes, que advêm da caça

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de animais presentes nas caatingas: cotia, gambá, tatu, teju, veado-catingueiro, preá e aves (pomba, asa-branca, quenquém e juriti). A massa pode ser estocada de um ano para outro. Em tempos de penúria extrema, a macambira auxilia a sobrevivência do sertanejo e dos rebanhos.

Dizem que, em períodos de secas prolongadas, se ingerida somente

com água e sal, a massa faz inchar. Por essa razão, ouve-se com freqüência a expressão: “inchado de tanto comer macambira”.

A farinha da macambira é composta, em sua maior proporção (63,1%),

de amido, uma substância química parecida à da farinha de mandioca, porém com um teor protéico bem mais elevado, próximo das farinhas de milho e arroz. Ainda é rica em cálcio, quinze vezes mais alto que o leite, e três vezes mais elevado que o queijo, sendo uma das farinhas mais nutritivas do mundo. Em se tratando dos rebanhos, é importante registrar que, comendo um quilo desse alimento, os animais podem acumular, até, 248 gramas de gordura. Os vaqueiros ressaltam, além disso, uma outra vantagem: o gado que come as FLORES e os frutos da macambira não sente necessidade de ir ao bebedouro atrás de água.

Por sua vez, com o farelo do caule da macambira - uma parte bastante

nutritiva da planta - os sertanejos alimentam seus animais domésticos, tais como galináceos e suínos.

As caatingas têm sofrido muitas agressões ambientais ao longo dos

séculos - desmatamentos, queimadas, substituição de espécies vegetais nativas - o que causa sérios problemas à fauna, à presença e qualidade da água, ao equilíbrio do solo e do clima, e acarreta em estiagens cada vez mais prolongadas, desertificação e degradação ambiental.

Nos sertões nordestinos, aquela bromélia possibilita que seres

humanos e rebanhos deixem de sucumbir diante da escassez crônica de água. É uma das poucas plantas que pode ser aproveitada, praticamente, em sua totalidade. A macambira representa uma tábua de salvação para as áreas de sequeiro e, portanto, precisa ser pesquisada e preservada.

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Gogoia A gogoia é um erva que ocorre desde a América Central até o norte da Argentina. Na Caatinga, cresce em cercas, quintais, áreas de pasto e cultivo. No seu caule, crescem numerosos espinhos, característica que deu origem ao seu nome científico. A planta tem flores brancas ou amarelas e estames amarelos, além de frutinhos esféricos — que são consumidos in natura — de cor vermelha, quando maduros, e de várias tonalidades de verde, quando imaturos. Devido aos numerosos espinhos que tem essa planta, muitas pessoas não costumam coletar e comer os frutinhos, deixando, assim, de aproveitar uma valiosa fonte de vitaminas e minerais.

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Coco-catolé O coco-catolé é uma das plantas alimentícias mais amplamente conhecidas na Caatinga. É uma palmeira parecida com o coqueiro, que apresenta pequenos coquinhos com os quais se podem fazer inúmeras receitas. Podem ser consumidos in natura, verdes ou maduros (secos), com açúcar ou pulverizados para preparar uma farinha que pode ser adicionada aos alimentos. Algumas pessoas preparam deliciosas cocadas com esses frutos, que, ainda que pequenos, são muito abundantes; outras, usam-nos para elaborar molhos.

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BABAÇU A cadeia produtiva do babaçu é uma das mais representativas do extrativismo vegetal no Brasil, em razão da área de abrangência da palmeira babaçu (13 a 18 milhões de hectares em 279 municípios, situados em 11 Estados), bem como das inúmeras potencialidades e atividades econômicas que podem ser desenvolvidas a partir dela, de sua importância para famílias que sobrevivem da agricultura de subsistência associada à sua exploração, e da forte mobilização social e política em favor do acesso livre aos babaçuais. Tais características contribuíram para a estruturação de uma estratégia nacional visando o fortalecimento da cadeia produtiva do coco babaçu, no âmbito do Plano Nacional de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade (PNPSB), focada na solução dos gargalos da cadeia produtiva, para seu fortalecimento e consolidação. Entre os gargalos identificados, destaca-se a baixa eficiência dos modos de produção, principalmente no que se refere a tecnologias de aproveitamento integral do babaçu em agroindústrias de base familiar.

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A Lei do Babaçu Livre A Lei do Babaçu Livre assegura o livre acesso das quebradeiras de coco às palmeiras, inclusive aquelas localizadas em propriedades privadas. Além disso, a lei proíbe a derrubada de palmeiras, o uso de pesticidas e a prática de cultivos que prejudiquem o babaçu. Em 2012, havia 16 leis do Babaçu Livre de abrangência municipal, sendo 11 no estado do Maranhão, 04 no estado do Tocantins e 01 no estado do Pará, onde o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) tem importante atuação. Apesar de representar um grande avanço para a conservação dos babaçuais e dos modos de vida das quebradeiras de coco, essa legislação não é suficiente para proteger as palmeiras. Mesmo em municípios onde a lei foi aprovada, muitos latifundiários se aproveitam da falta de fiscalização para promover o desmatamento e impedir o acesso das quebradeiras. O Projeto de Lei 231/2007, de autoria do deputado Domingos Dutra, que está tramitando no Congresso Nacional, busca tornar nacional a abrangência da Lei do Babaçu Livre. O babaçu é um tipo de palmeira da família botânica Arecaceae, presente em diversos países da América Latina. No Brasil, seu uso é bastante difundido na Amazônia, na Mata Atlântica, no Cerrado e na Caatinga, onde ocorre espontaneamente em vários estados. O babaçu é muito conhecido entre populações tradicionais brasileiras, e dependendo da região, pode ser chamado também de coco-palmeira, coco-de-macaco, coco-pindoba, baguaçu, uauaçu, catolé, andaiá, andajá, indaia, pindoba, pindobassu ou ainda vários outros nomes. Existem muitas espécies de babaçu, mas as mais conhecidas e que tem o uso mais difundido são Attalea phalerata e Attalea speciosa. Nessas regiões, o babaçu é encontrado principalmente em formações conhecidas como babaçuais que cobrem cerca de 196 mil km² no território brasileiro, com ocorrência concentrada nos estados do Maranhão, Tocantins e Piauí, na região conhecida como Mata dos Cocais (transição entre Caatinga, Cerrado e Amazônia). Todas as variedades de babaçu são importantes, por seus aspectos ecológicos, sociais, econômicos, ambientais, etc.

Aspectos botânicos O babaçu possui grande poder de invasão de áreas perturbadas (LORENZI, 2010), pode medir entre 10-30 metros de altura, e entre 20-50 cm de diâmetro (caule). Frutifica a partir do oitavo ano e alcança a produção plena após 15 anos. Seus frutos (cocos) são muito apreciados, tanto pelo homem como pela fauna silvestre. Cada safra pode ter entre 3 e 5 cachos, e cada cacho pode produzir de 300 a 500 cocos. A produção de cocos pode variar muito. O pico de florescimento acontece entre janeiro e abril e os frutos amadurecem entre agosto e dezembro. A “força” da safra se concentra do período seco ao início do período chuvoso, e pode variar conforme a região e as condições naturais (solo, umidade, competição, etc.).

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NOTA: Na Caatinga, além das plantas nativas que são consumidas normalmente, há outro grupo de plantas que também servem como alimento, mas que só são consumidas quando as outras fontes de alimento já se acabaram. Isso acontece porque essas plantas são difíceis de encontrar ou de preparar; então, as pessoas só se dão ao trabalho de procurá-las quando os outros alimentos mais fáceis não estão mais disponíveis, ou seja, em uma situação de emergência, como em tempos de seca, por exemplo. Por essa razão, essas plantas receberam dos cientistas o nome de alimentos emergenciais. Diante disso, você pode nos perguntar: como é que essas plantas conseguem sobreviver ao período da seca? Pois bem, muitas delas possuem alguma característica especial que faz com que suportem, por longos períodos, a falta de água, como, por exemplo, a existência de caules ou raízes que armazenam água. Você já deve estar bastante curioso para conhecer algum exemplo de alimento emergencial. Por que você não aproveita essa curiosidade para perguntar às pessoas mais velhas da sua família se já ouviram falar de algum desses alimentos? Vamos matar sua curiosidade citando alguns exemplos. O primeiro é o xique-xique (Pilosocereus gounellei (A. Weber ex K. Schum.) Bly. Ex Rowl.), um cacto muito usado na alimentação

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do rebanho. Para servir de alimento para as pessoas, é necessário retirar cuidadosamente todos os espinhos, cortar o miolo em rodelas, lavar, deixar secar ao sol e, por fim, assá-lo. Ficou cansado só de pensar no trabalhão que dá? Então vamos falar agora de outra planta, conhecida como mucunã (Dioclea grandiflora), uma trepadeira cujas sementes resistentes são armazenadas durante o inverno, para serem usadas em caso de necessidade, ou coletadas do chão na época seca. Para consumir essas sementes, é necessário quebrá-las, ralar até que virem farinha e lavar muitas vezes, pois elas contêm substâncias tóxicas que, se ingeridas, podem matar uma pessoa. Após todas essas lavagens, utiliza-se essa farinha para fazer um cuscuz que, segundo as pessoas que já o saborearam, não é muito gostoso. Outros exemplos bem conhecidos de alimentos emergenciais são a macambira (Bromelia laciniosa Mart. ex Schult. f.), que pode ser utilizada na preparação de cuscuz, e a maniçoba (Manihot dichotoma Ule), que é lavada e torrada para fabricar uma farinha que substitui a farinha de mandioca. Hoje em dia, o uso desses alimentos é muito raro, mas já foi muito recorrente em épocas passadas, quando longos períodos de seca atingiam a Região Nordeste e, assim, não era possível cultivar ou coletar alguma outra planta da vegetação para comer. Foi a melhoria nas condições financeiras da população que permitiu que as pessoas do Sertão trocassem o uso dos alimentos emergenciais pelos produtos adquiridos no comércio durante os períodos de longa estiagem. Mas este é um tipo de informação que nunca deve ser esquecido, pois nunca se sabe quando será preciso utilizá-lo novamente.

CAJU

O caju é um fruto de especial interesse nutricional e econômico. É bastante conhecido pela qualidade de sua castanha (verdadeiro fruto) e pela riqueza em

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vitamina C de seu pedúnculo avolumado, o qual corresponde à polpa comestível (pseudofruto). O pedúnculo do caju apresenta inúmeras opções tecnológicas de industrialização, no entanto, somando-se a produção de suco integral para o mercado interno e externo, à comercialização de caju in natura e à produção regional de doces e cajuína, acredita-se que apenas cerca de 10% desse total é aproveitado. Grande parte do pseudofruto é perdida no campo, no momento do descastanhamento feito para a indústria de beneficiamento da castanha. Atualmente, o setor agroindustrial do caju passa por um redimensionamento, principalmente no que se refere ao aproveitamento mais racional do pseudofruto. Dentro desse contexto, e tendo em vista a crescente demanda, na Europa, por bebidas elaboradas a partir da fermentação de frutas outras que não a uva, uma bebida fermentada de caju, assemelhada ao vinho branco, apresenta um potencial a ser considerado. Por ser rico em açúcares e sais minerais, o pedúnculo do caju é uma matéria-prima bastante favorável à fermentação alcoólica. A história das bebidas fermentadas de caju está ligada aos hábitos indígenas e começa com o cauim. Cascudo (1983) menciona que para fabricar o cauim de caju bastava espremer os cajus maduros com as mãos e deixá-los em repouso. O suco fermentado era então filtrado, resultando em um líquido branco e depois opaco, que era diretamente consumido. Essa bebida conquistou também o paladar dos colonizadores que trataram de adicionar-lhe açúcar para obter um licor mais durável e saboroso (Alvim Júnior & Andrade, 1985). O nome é oriundo da palavra indígena “acaiu”, que em tupi quer dizer "noz que se produz". A castanha (fruto), por sua vez, tornou-se especiaria de luxo, indispensável na culinária nordestina e muito difundida em todo o mundo. O seu tamanho varia de 3 a 5 cm e apresenta coloração escura. O cajueiro é uma árvore de porte médio, podendo alcançar até 20 m de altura. Ramificada, tronco inclinado e tortuoso, com copa arredondada que pode alcançar o solo. Folhas onduladas, flores pequenas, esbranquiçadas e perfumadas. A colheita do caju é de julho a dezembro, e em alguns casos estendesse até maio. São conhecidas cerca de 20 variedades. Quando maduro, apresenta cor amarela, vermelha ou roxo-amarelada. Ainda verde, o caju é chamado de “maturi” e é usado na cozinha do Nordeste no preparo de refogados, ou quando maduro, depois de extraído o suco e o bagaço, que é rico em fibras, pode ser usado na cozinha como nas famosas frigideiras nordestinas. Para seu melhor consumo in natura, o caju deve ser consumido no mesmo dia da compra e a casca deve ter cor firme, sem manchas ou machucados. Pode ficar na geladeira por, no máximo, dois dias.

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O Museu do Caju, em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza, lembra todos os dias, a cultura do caju. O pseudofruto do cajueiro pode ser utilizado em mais de 200 tipos de pratos e produtos. O Museu do Caju, tem 5 mil metros quadrados e foi fundado em 2007.

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Maior “Cajueiro do Mundo” em Natal no Rio Grande do Norte

Maior “Cajueiro do Mundo” em Natal no Rio Grande do Norte

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Todos os anos acontece em, Ocara, no Ceará, a Feira da Agricultura Familiar do Caju e do Mel.

Fermentado de Caju

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Cajuína

Refrigerante de Caju (Juazeiro do Norte/CE)

SERIGUELA Nome científico: Spondias purpúrea Este fruto é bastante apreciado pelos brasileiros, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do País. Com tamanho pequeno, semelhante ao da azeitona, casca lisa e fina. Apresenta coloração amarela ou vermelha quando madura e a polpa, bastante suculenta, possui coloração amarela. Contém um único caroço de aparência esponjosa. O sabor do fruto é bastante agradável ao paladar, por ser suave e doce.

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ACEROLA Nome científico:Malpighia glabra Nome popular: Cereja das antilhas Origem: América A acerola alcançou destaque atualmente a partir da constatação dos altos teores de vitamina C: 100 vezes maiores que a laranja e o limão, 20 vezes mais que a goiaba e 10 vezes mais que o caju e a amora. É largamente cultivada em diversas regiões brasileiras, destacando-se o Norte e o Nordeste. Este fruto provém de um arbusto de 2,5 m de altura com copa densa, formada por folhas pequenas (2 a 8 cm), de coloração verde-escura e brilhante. Suas flores vão da coloração rósea à violeta. O tamanho do fruto varia de 3 a 6 cm de diâmetro e a coloração externa, do laranja ao vermelho intenso, quando maduro. A polpa é carnosa, suculenta, com sabor ácido e de cor alaranjada. A polpa pode ser utilizada na preparação de sucos, sorvetes, vinhos, licores, doces e pastilhas de vitamina C.

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CAJÁ Nome científico: Spondias mombim Nomes populares: Taperebá, acajá, cajá-mirim, cajá-pequeno Pequeno fruto de cor amarelada e casca lisa. É comestível fresco e muito saboroso, prestando-se a sucos, sorvetes, batidas e, após fermentado, licor. Sua polpa já é encontrada congelada. O cajá, como muitas frutas do Nordeste, é extremamente perecível. Existem várias espécies, dentre eles os mais conhecidos são o cajá-mirim e o cajá açaí.

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COCO Nome científico: cocos nucifera O coco apresenta uma camada externa grossa e fibrosa, e possui, no meio arredondado, uma noz que constitui o coco propriamente dito. Do coco, tudo é economicamente aproveitável: as partes que se destinam à alimentação são sua polpa e o líquido, que podem ser consumidos quando o fruto está verde ou maduro. Da polpa madura extrai- se óleo, que por ser mais rico em gordura saturada, aproxima-se das características da gordura animal, e o leite de coco, que apresenta alto teor de gorduras, sais minerais (como potássio e fósforo) e proteínas. A polpa pode ser utilizada em diversos pratos da culinária, tanto em doces como em salgados. A água de coco apresenta um sabor adocicado e refrescante, sendo excelente líquido hidratante oral. Contém glicose e sais minerais, como sódio, potássio e cloro. O coco verde é facilmente encontrado no Nordeste, sendo de grande comercialização em suas praias, mas pode ser visto por todo o Brasil. Já maduro, pode ser encontrado em feiras e supermercados. O coco fresco fechado pode ser guardado em temperatura ambiente por até dois meses. O coco seco também permanece muito tempo sem se alterar. Depois de aberto, se não consumido rapidamente, fica rançoso com facilidade, devido à alta concentração de gorduras.

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Coco Anão (espécie)

Água-de-coco é o sumo natural contido no interior do coco, o fruto

do coqueiro. É rico em potássio, com poucas calorias, muitos nutrientes, livre de gordura e com alto poder reidratante. Ajuda no bom funcionamento do intestino e no metabolismo alimentar e, é uma bebida diurética. Há relatos não confirmados que foi bastante utilizada na Segunda Guerra Mundial na frente asiática como substituto de sangue para transfusão.

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É abundante em áreas tropicais e quentes, principalmente em balneários e cidades litorâneas, onde é consumida como bebida refrescante.

Composição nutricional

Tabela Nutricional – composição para 200 ml

Valor calórico: 40 kcal

Fósforo: 10 mg (0,7% R.D.A.)

Cálcio: 40 mg (5% R.D.A.)

Sódio: 40 mg (3,2% R.D.A.)

Magnésio: 10 mg (3,2% R.D.A.)

Potássio : 160 mg

R.D.A.= Dose diária recomendada.

FRUTA PÃO Nome científico: Artocarpus altilis Apresenta um tamanho semelhante ao coco, com casca áspera de coloração verde mesmo quando maduro. A polpa branca da fruta-pão pode ser consumida in natura como também no preparo de pratos doces e salgados.

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GRAVIOLA

Nome Científico: Anona muricata Nomes populares: Araticum-de-comer, araticum manso Origem: América Central A graviola é uma fruta tropical e seu cultivo é comum em pomares domésticos de cidades e sítios das regiões Norte e Nordeste. Apresenta casca de cor verde mesmo madura e polpa branca com caroços no seu interior. Pesa de 1,2 a 4 kg. A árvore mede de 4 a 8 m de altura de tronco reto, com copa pequena, estreita e pouco ramificada. Suas folhas são largas, verde-brilhosas. As flores são isoladas, grandes, amareladas e nascem no tronco ou nos ramos. Frutifica de janeiro a março ou ainda durante o ano todo. Apresenta falsos espinhos carnosos, curtos e moles, A polpa é branca, macia, fibrosa, aromática, agradável ao paladar, doce mas ligeiramente ácida. Pode ser consumida in natura, mas é bastante apreciada em sucos, cremes e sorvetes.

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Mercado Municipal de Curitiba PITOMBA Nome científico: Talisia ssp A pitomba é fruto visto do Nordeste ao Centro-Oeste do País. Proveniente de árvore de copa alta, tem formato arredondado, com uma casca grossa que reveste o seu caroço. Na realidade, a pitomba é um fruto que se come in natura. Aprecia-se uma fina película de sabor agridoce que reveste o seu único caroço. Os cachos do fruto são vistos à venda no litoral e em estradas das regiões citadas.

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TAMARINDO

Nome científico: Tamarindus indica Provindo de árvore de copa alta, o tamarindo é um fruto que apresenta uma forma de vagem, com sua polpa macia e escura quando madura. Possui um sabor doce, porém bastante ácido. É consumido in natura. Também é utilizado na produção de sucos, balas e doces. Muito apreciado principalmente na região Nordeste, mas o fruto e seus derivados também são encontrados por quase todo o Brasil.

MACAÚBA Nome científico: Acrocomia salerocarpa Nomes populares: Bocaiúva, bacaiuveira, bacaúva, bocaiuva, coco-babão, coco-baboso, coco-decatarro, coco-de-espinha, coco-xodó, imbocaia, macaiba, macaibeira, macaiá, macajá, macajuba, macaúba, macaúva, macauveira, macujá, macujazeiro, marcová e mucajá Os frutos maduros da macaúba, de cor amarelo-esverdeada, podem ser coletados no chão, de maio a janeiro. Nessa fase, exalam aroma característico e a casca se solta facilmente. Quando verde, a casca encontra-se muito aderida à polpa. A polpa varia de cor amarelo-alaranjada a amarelo esverdeada. A extração manual da polpa é difícil, uma vez que apresenta aspecto ceroso e muito aderente. A polpa fresca é consumida ao natural ou usada em batidas, doces, sorvetes, cremes, bolos e geléias. Apresenta uma amêndoa que também é consumida, semelhante à do coco seco. A polpa tem sabor adocicado e é mucilaginoso; pode ser consumida ao natural ou cozida, em refrescos e sorvetes. Dela também é extraído um óleo com característica semelhante ao azeite de dendê, além da amêndoa também produzir um fino óleo. A polpa da macaúba também é utilizada na produção de farinha utilizada em bolos, mingaus, vitaminas e sorvetes.

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AMENDOIM

Originário da América do Sul, o amendoim fincou raízes nos quatro continentes emprestando seu sabor acentuado a centenas de receitas.

O amendoim está tão integrado às tradições culinárias da Ásia e da África que é difícil acreditar que tenha surgido longe desses dois continentes, na América do Sul. Essa, porém é apenas uma das particularidades de um alimento ancestral, cujos primeiros vestígios de cultivo datam de 3.000 a.C., no Peru. Sua importância na cultura pré-inca era tamanha que os mortos costumavam ser enterrados com grãos de amendoim, para garantir o sustento na vida futura, segundo registra a enciclopédia The Oxford Companion to Food (Alan Davidson, Osford University Press,). Por ser chamado em inglês de groundnut (noz subterrânea) é freqüentemente confundido com as nozes, embora na verdade seja uma leguminosa aparentada do feijão e da ervilha. Espécie de clima tropical, tem um curioso sistema de reprodução: a planta floresce como tantas outras, no solo, porém logo empurra o próprio talo com a flor para baixo da terra, onde cresce o fruto, ou seja, a vagem contendo suas duas ou três sementes. Depois de maduro é tostado. A vagem se torna dura e adquire cor de palha. As sementes, amareladas e extremamente oleosas, são recobertas por uma finíssima película marrom-avermelhada. Existe uma hipótese remota de que o amendoim seja brasileiro. Há quem defenda, inclusive, seu nascimento na região atualmente compreendida por Mato Grosso, onde ocorre particularmente variado. O mais provável, porém, é que essa leguminosa cientificamente classificada como Arachis hypogaea tenha se originado entre o sul da Bolívia e o norte da Argentina. Dali se espalhou espontaneamente até alcançar o México e o Caribe, onde foi encontrada pelos espanhóis nas primeiras expedições européias ao Novo Mundo, no século XV. Então, começou sua saga rumo à cozinha asiática. Inicialmente, os espanhóis a

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levaram para o leste da Ásia, conforme a publicação Vegetables (Roger Phillips e Martyn Rix, Random House, Nova York, 1994). Mais tarde, eles e os portugueses espalharam o amendoim por outras regiões asiáticas, disseminando-o de forma irreversível. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, em 1522, o amendoim era um dos poucos alimentos cultivados pelos índios, junto com a mandioca, o milho, a batata, o cará e o inhame. Saboreado cru, assado ou cozido, servia igualmente para a extração do óleo e, por isso, era cobiçadíssimo. Entretanto, não há registro de sua aplicação culinária, como ingrediente, nos tempos do Descobrimento, conforme ressalta Luís Câmara Cascudo em História da Alimentação no Brasil (Editora Global, 1967). O grande mestre da cultura nacional ainda registra uma interessante particularidade do ritual de cultivo do amendoim: só podia ser feito por mulheres e, além disso, a planta tinha de ser semeada e colhida pela mesma mulher, índia ou mestiça. Vigorava a crença de que, se o homem tocasse na planta, arruinaria a colheita, como descreve, em seus registros da época, Gabriel Soares de Sousa, um dos primeiros observadores da cultura brasileira. Os portugueses levaram o amendoim do Brasil para a África nos porões dos navios negreiros. Ao mesmo tempo, exportaram a tradição do cultivo feminino. Até o fim do século XIX, a ativa indústria de óleo de amendoim no Congo continuava proibindo formalmente a presença masculina em seu ambiente. O mesmo ocorreu

no Senegal. A propagação foi tão rápida que em apenas 100 anos o amendoim já estava nos fundamentos da cozinha africana, condição que persiste até os dias de hoje. Da África, as variedades brasileiras foram levadas para a América do Norte, hoje um dos maiores produtores mundiais de amendoim, onde surgiram diversas variações. Além de muito apreciado como aperitivo (tostado e salgado, servido com ou sem pele), o amendoim é a estrela de uma das receitas mais populares dos Estados Unidos: a manteiga de amendoim, que na verdade consiste numa pasta feita com seus grãos prensados. Os americanos adoram usá-la em sanduíches, combinada com geléias. No Estado da Louisiana, onde a presença negra na culinária é determinante, o amendoim proliferou nas fazendas a partir de sementes trazidas pelos escravos. Por toda a região, surgiram pratos feitos com ele, entre os quais a guloseima natalina preferida das crianças, peanut brittle, um parente do brasileiro pé-de-moleque, que os americanos embrulham em saquinhos para dar de presente à garotada no dia de Natal.

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SAPUTI Nome científico: Achras zapota Origem: América Central O saputizeiro varia de 6 a 15 m de altura, com ramos numerosos que compõem uma copa frondosa, ovalada; o tronco é curto, pardo-acinzentado, folhas alternas verde-escuras, flores isoladas. É mais adaptado ao clima quente e muito apreciado no Nordeste. O fruto é ovóide, com 6 a 10 cm de comprimento, 3 a 6 cm de diâmetro, peso de 100 a 500 g. Tem casca fina, frágil, áspera ao tato e cor pardo-amarelada; a polpa do fruto maduro é carnuda, suculenta, amarelada, de sabor adocicado, sem acidez, que envolve as sementes. Estas são de cor pardo-escura a preta brilhante, de forma achatada, em número de 4 a 12. Sua polpa é utilizada na confecção de doces, refrescos, conservas, geléias, xaropes ou consumida fresca.

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JENIPAPO

Nome científico: Genipa americana Nomes populares: Jenipapo-manso, jenipaba, jenipá Fruto de sabor doce, que é utilizado no preparo de suco, jenipapada, passas, álcool, vinagre, doce e licor. Pode-se congelar. Os frutos são coletados semi-maduros ou maduros, de setembro a dezembro. Possuem coloração marrom e quando maduros a pele fina torna-se enrugada. Podem ser coletados no chão, mas devem ser selecionados os inteiros e sadios. A parte sólida é a polpa, utilizada em doces, e a líquida, em refrescos, vinhos e licores. Se o jenipapo for para compota ou doce cristalizado, não se deve macerar a polpa.

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JAMBO

Syzygium malaccense, árvore da família Myrtaceae, popularmente conhecida como jambo-vermelho, tem origem asiática, mais especificamente da Índia e da Malásia. No Brasil, é encontrado nos estados da região Norte, Nordeste e nas regiões quentes do Sudeste. A planta pode atingir de 12 a 15m de altura, com tronco reto e copa densa, com forma piramidal e ramificação abundante que se inicia a 1,5 - 2m do solo (Cavalcante, 1996). De agosto a fevereiro, época da florada, ela se recobre de flores vermelhas, dando-lhe um aspecto bastante ornamental. Os frutos desenvolvem-se desta data até a época de colheita, que se dá de janeiro a maio. Sua propagação comumente é realizada por sementes (Donadio et al., 1998). O fruto pode ser consumido in natura ou em forma de compotas. Segundo Kurosawa (2004), contém vitaminas A, B1, B12, além de cálcio, ferro e fósforo. De acordo com Donadio et al.(1998), a polpa, que constitui 84% do fruto, apresenta Brix de 6,8% e acidez de 0,4%, no final da maturação. A bebida obtida da decocção da casca do tronco pode ser utilizada como paliativo para dores de estômago. (Ahmad & Ismail, 2003).

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CABAÇA

Cabaça ou porongo, porungo é a designação comum dos frutos de plantas da família das cucurbitáceas (entre as quais a Lagenaria siceraria, tema deste verbete) e a uma da família das bignoniáceas. As plantas são chamadas de cabaceira, porongueiro, cabaceiro e, na Amazônia, de jamaru.

O fruto seco é amplamente utilizado em diversos países do mundo, de várias formas:

vasilha para uso em refeições, como cuias ou copos;

moringa para transporte de líquidos, normalmente, água para se beber

durante uma viagem;

cisterna para armazenamento de líquidos em regiões secas ou que não

dispõem de outros meios;

amplificador acústico em instrumentos musicais, como

o chocalho, afochê, maraca, sequerê ou xequerê, abê e kalimba;

No que diz respeito ao berimbau brasileiro, a menção ao uso de cabaças da família das cucurbitáceas, como a Lagenaria siceraria, é incorreta. A cabaça utilizada no berimbau é o fruto de uma espécie não aparentada, a árvore Crescentia cujete (bignoniáceas), também conhecida como calabaça, cuia e cueira.

artesanato;

porta-objetos;

brinquedos, bonecas.

Cuia de Chimarrão;

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Taxonomia

A Lagenaria siceraria é uma trepadeira herbácea.

Não se sabe exatamente o origem desta espécie. Trabalhos arqueológicos identificaram artefatos da planta em diversas regiões do mundo, sem no entanto, conseguir identificar a origem. Provavelmente por ser uma fruta flutuante como o coco, cujo formato lacrado permitiu seu transporte através de rios e correntes oceânicas desde épocas remotas, permitindo que suas sementes intactas se difundissem por todo o globo.

Uso, prática e custo

Além da predominância da tradição na maior parte dos casos, é interessante observar que todos os usos relativos estão associados a culturas com baixa tecnologia, já que os objetos adaptados a partir da casca da planta já foram aperfeiçoados há muito tempo, em quase todos os locais de uso atual, ou estes já tiveram acesso a eles.

Por outro lado, pode-se associar seu uso também a culturas economicamente distantes dos centros, já que mesmo tendo acesso, muitos locais adotam o uso por questões financeiras.

Em termos musicais, a substituição não se resume apenas a uma questão cultural ou econômica, já que os instrumentos musicais têm uma personalidade ou um timbre característico, e basicamente devido ao material de que são compostos. Portanto, mudar a base de um instrumento feito a partir da cabaça não seria necessariamente uma boa opção, já que os instrumentos artificiais têm quase sempre uma sonoridade inferior aos instrumentos feitos com materiais naturais.

Purungas

Os frutos verdes de sabor muito amargo (utiliza-se a casca), são utilizados na culinária do interior do Brasil (Minas Gerais). Depois de picada, ela fica de molho na água por pelo menos 24 horas, com várias trocas (para diminuir o amargor), e é consumida depois de cozida.

Em algumas zonas de Portugal (especialmente no Minho) utiliza-se a palavra cabaça para designar a abóbora. No sul do Brasil, é conhecida como porongo, a partir da qual se fabrica a cuia de chimarrão, bebida típica dos gaúchos.

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Carnaúba

A carnaúba (Copernicia prunifera), também chamada carnaubeira e carnaíba, é uma árvore da família Arecaceae endêmica nosemiárido da Região Nordeste do Brasil. É a árvore-símbolo do Estado do Ceará, conhecida como "árvore da vida", pois oferece uma infinidade de usos ao homem: as raízes têm uso medicinal como eficiente diurético; os frutos são um rico nutriente para a ração animal; o tronco é madeira de qualidade para construções; as palhas servem para a produção artesanal, adubação do solo e extração de cera(cera de carnaúba), um insumo valioso que entra na composição de diversos produtos industriais como cosméticos, cápsulas deremédios, componentes eletrônicos, produtos alimentícios, ceras polidoras e revestimentos.

Etimologia

"Carnaúba" e "carnaíba" provêm do tupi karana'iwa, "árvore do caraná" . "Carandá" provém do tupi karã'dá.

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Descrição

Por tratar-se de uma planta adaptada ao clima semiárido, a carnaúba oferece possibilidades de atividades econômicas mesmo durante o período de estiagem, tratando-se portanto de importante alternativa na composição da renda familiar das comunidades rurais.

Os carnaubais formam florestas que têm predominância nas planícies aluviais dos principais rios doCeará, Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte e Bahia, cumprindo importantes funções para amanutenção do equilíbrio ecológico da região, como a conservação dos solos, fauna, cursos d'água emananciais hídricos. Na últimas décadas, em virtude da desvalorização dos preços da cera vegetal, a carnaúba voltou a ser alvo de desmatamentos para a introdução de outras atividades produtivas como a agricultura irrigada e a criação de camarão.

A cera da carnaúba

A cera de carnaúba é um produto usado em um grande número de indústrias. Algumas vezes chamado de "Rainha das Ceras", a cera de carnaúba tem um ponto de derretimento muito maior que outras ceras (78 graus Celsius), além de ser extremamente dura. Isso faz com que seja ideal para criar coberturas extremamente fortes para pisos, automóveis, entre outros. Adicionalmente, a cera de carnaúba aparece em doces, polimentos, vernizes, produtos cosméticos e em muitos outros lugares

Ela também não é facilmente solúvel. A água não pode romper uma camada de cera de carnaúba, apenas outros solventes o podem, geralmente em combinação com calor. Isso significa que o material possui alta durabilidade, tornando inclusive uma superfície um tanto quanto resistente à água. Muitos surfistas, por exemplo, usam cera para suas pranchas que contém carnaúba. Também é usada como cobertura de pratos de papel, fio dental e uma alternativa para gelatina vegetariana. Na indústria farmacêutica, aparece como cobertura de tabletes e aparece em um grande número deembalagens de alimentos. Ao contrário de muitas outras ceras, o acabamento com cera de carnaúba não se desfaz com o tempo, apenas fica opaco. Apesar de a cera de carnaúba ter sido substituída em grande parte por sintéticos, ainda é um produto muito usado em muitaspartes do mundo. Também muito usada em cera de carros. A cera de carnaúba é utilizada também na conservação de frutas, ela é dissolvida com água e outros ingredientes e aplicada sobre as frutas, formando uma película protetora que impede a ação oxidante do oxigênio e evita a perda de líquido com a evaporação. Estudos demonstram que a aplicação dessa proteção em tomates, mangas, e tantas outras frutas podem prolongar o seu viço quase o dobro dotempo de uma fruta que não recebeu essa aplicação.

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Artesanato

A palha da carnaúba também é muito utilizada para desenvolver peças artesanais como cestas, trançados, bolsas, chapéus e caixas de beleza inigualável e muito apreciada por turistas que visitam a região, tornando-a também em fonte de renda da população local. A palha da carnaúba também é usada como alimentação animal, estes, em tempo de escassez come as folhas (palhas) das carnaubeirinhas pequenas, chamadas pindoba.

Símbolo do Ceará

Através do Decreto Lei N° 27.413 de 30 de março de 2004, o então governador Lúcio Alcântara, instituiu a carnaúba como árvore símbolo do Ceará. A decisão foi tomada considerando a importância de promover a conservação da biodiversidade, do desenvolvimento sustentável e do reconhecimento do valor histórico, cultural e paisagístico da árvore. Além disso, em seu Art.2º, o dispositivo legal condiciona o corte da carnaúba à autorização dos órgãos e entidades estaduais competentes. Sobre a Cultura da Carnaúba.

Bagana é a palha resultante da extração da cera da folha da carnaúba. A cera tem diversas aplicações industriais, e é também exportada. A palha pode ser aproveitada para fins agrícolas em compostagem ou como cobertura morta, para ajudar a conservar a umidade do solo.

Carnaubeiras nos jardins do Palácio Karnak, sede do governo do estado o Piauí.

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DECORAÇÃO Capim Dourado: O capim dourado (Syngonanthusnitens) chama atenção no campo e nas peças tecidas pelas artesãs de comunidades remanescentes de quilombos do Jalapão, em Tocantins. Nas mãos experientes dessas mulheres, a haste do capim dourado, tecida com a “seda” das fibras de buriti (Mauritia flexuosa), transforma-se em objetos que primam pelas formas arredondadas e pelo brilho farto. As peças artesanais representam uma tradição transmitida de mães para filhas há quatro gerações e constituem a principal fonte de sustento para comunidades que vivem nas proximidades do Parque Estadual do Jalapão, em Tocantins. O extrativismo, desde que realizado de acordo com práticas de manejo sustentável, constitui alternativa de conservação dos campos úmidos, próximos às veredas, onde o capim cresce em abundância.

Feira da 304 Sul em Palmas – Tocantins

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Artesanato Marajoara – Belém – Pará – Amazônia

Artesanato Marajoara em ICOARACI – Pará – Amazônia

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PRODUTOS ARTESANAIS

Tiquira Tiquira é uma bebida destilada artesanal, oriunda da mandioca, típica de cidades do interior do Maranhão, de forte teor alcoólico e, geralmente, de cor azulada. Não é produzido industrialmente, sendo encontrada, comumente, nos mercados de produtos regionais. A palavra vem da língua tupi e significa “gota”, numa referência ao gotejar de tiquira durante o processo da destilação.

Algas Marinhas Em Icapuí, no litoral leste do Ceará, existe um projeto chamado: “ Mulheres de Corpo e Algas”. Como o próprio nome já diz são mulheres que cultivam algas marinhas em fazendas aquáticas. Á partir das algas marinhas é retirado um agente estabilizante chamado: ÁGAR – ÁGAR, muito utilizado na gastronomia.

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NOTA:

Copo comestível de alga pode substituir descartáveis

Copo descartável, que gera lixo e demora centenas de anos para se decompor, ou copo de vidro, que constantemente precisa ser lavado com água e detergente? Em meio às discussões sobre a forma mais sustentável de consumir líquidos, o escritório de design norte-americano The Way We See The World desenvolveu um copo que pode, finalmente, encerrar esse debate: o Jelloware. Feito de ágar-ágar, um tipo especial de gelatina de algas, o copo é comestível e, por isso, resolve todos os problemas relacionados à produção de lixo, desperdício de água e poluição, debatidos no consumo dos demais tipos de copo.

Coloridos e maleáveis, os Jellowares são fabricados em três versões – limão e manjericão, gengibre e hortelã e alecrim e beterraba –, dando ao consumidor a chance de escolher o sabor que melhor combina com a sua bebida. O produto só requer dois cuidados: se não for consumido imediatamente, ele deve ser guardado na geladeira, ao invés do bom e velho armário de louças, e a sua ingestão deve ser controlada. Isso porque, segundo os fabricantes, comer mais do que três Jellowares por dia pode trazer prejuízos à saúde, já que o ágar-ágar possui propriedades laxativas. Quem não quiser correr o risco de passar o resto do dia no banheiro ou estiver de regime, não precisa comer o copo: o Jelloware é biodegradável e, por isso, segundo os fabricantes, pode ser enterrado em qualquer área verde, que se transformará em adubo para as plantas. Boa ideia ou não?

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Cajuína Cajuína é uma bebida típica do nordeste brasileiro, sem álcool, clarificada e esterilizada, preparada á partir do suco de caju, apresentando uma cor amarelo-âmbar resultante da caramelização dos açúcares naturais do suco. Preparada de maneira artesanal, é muito comum nos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí. Foi inventada em 1900 pelo farmacêutico cearense por adoção, Rodolfo Teófilo.

SUCO DE PALMA

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Durante um Workshop em Quixadá, no Ceará, encontrei um produtor Artesanal

de Suco de Palma (usado tradicionalmente no semiárido como alimento para o

gado).

NOTA: Já existem estudos no nordeste para a produção de fermentado do

fruto de mandacaru (Cereus jamacaru). Uma forma de minimizar perdas durante a safra e tem como finalidade principal reduzir o desperdício do fruto. O estudo é uma alternativa capaz de valorizar a espécie, através da geração de lucro por parte de pequenos produtores.

LICOR DE CAUIM

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Licores da Amazônia

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Licor de Leite do Amapá

Licor de Cambuí

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Caldo de cana ou garapa é o nome que se dá ao líquido extraído da cana-

de-açúcar no processo de moagem

É rico em sacarose, sendo usado como matéria-prima na fabricação

de açúcar, etanol (álcool etílico) e cachaça. O resíduo industrial na destilação,

para fabricação de álcool e cachaça, é o melaço, ou mel-de-furo.

(Ver Engenho) O caldo de cana é consumido também in natura, como alimento

muito energético. É ainda apreciado após iniciado seu processo de

fermentação, embora haja controvérsia quanto aos efeitos de tal ingestão no

organismo, se benéficos ou não. Neste estado, em fermentação, adquire sabor

semelhante ao do aluá, bebida fermentada típica das festas juninas brasileiras,

similar ao quentão, como é chamada no Sudeste do país. Também é utilizado

como base para a produção de melado e rapadura, alimentos muito populares

naregião nordeste do Brasil.

O valor nutricional da cana está diretamente ligado ao seu alto teor de açúcar

(40% a 50% de açúcares na matéria seca), uma vez que o seu conteúdo

protéico é extremamente baixo, o que lhe confere a característica de ser um

alimento muito desbalanceado em relação a seus nutrientes.

A cana é uma planta composta, em média, de 65% a 75% de água, mas seu

principal componente é a sacarose, que corresponde de 70% a 91% de

substâncias sólidas solúveis. O caldo conserva todos os nutrientes da cana-de-

açúcar, entre eles minerais (de 3 a 5%)

como ferro, cálcio, potássio, sódio, fósforo, magnésio e cloro, além

de vitaminas do complexo B e C. A planta contém ainda glicose (de 2% a

4%), frutose (de 2% a 4%), proteínas (0,5% a 0,6%), amido (0,001% a

0,05%) ceras e graxos (0,05% a 0,015%) e corantes, entre 3% a 5%.

Além desses o caldo de cana é composto por antioxidantes: ácidos fenólicos

(cafêico, sináptico e isômeros do ácido clorogênico), flavonóides (apigenina,

luteolina e derivados de tricina) e outros compostos fenólicos. O consumo de

apenas 250ml poderia resultar na ingestão de 40 mg de fenólicos

representando, dessa forma, uma importante fonte desses compostos

antioxidantes na dieta.

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Caldo de Cana

Suco Industrial

NOTA: Todo mundo deve ter provado, pelo menos uma vez na vida, um bom

Caldo de Cana nas Feiras pelo Brasil. Já provei o Caldo de Cana com Limão,

Abacaxi, Maracujá e recentemente com Hortelã. Mas a criatividade é infinita, e

porque não usar na Coquetelaria ?

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MANTEIGA DE GARRAFA, O “UMAMI” BRASILEIRO

A manteiga de garrafa é um tipo de manteiga que se mantém líquida em temperatura ambiente. É comercializado em garrafas e é um produto típico e muito consumido no Nordeste do Brasil.

O produto é obtido pelo cozimento do creme de leite bovino até que se evapore toda a água e restem apenas a gordura e as partículas sólidas da nata. Após feita, pode ser consumida em até 2 meses.

Apresenta aroma delicado e sabor característico (levemente rançoso), sendo utilizada como ingrediente de diversos pratos regionais. Ela é também usada na produção do queijo – manteiga.

Sua fabricação é em grande parte artesanal, sendo a comercialização predominantemente informal, como em feiras, pequenos pontos de comércio e propriedades rurais.

A Manteiga de Garrafa tem UMAMI, mas o que é isso?

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UMAMI - O 5º Gosto básico

Por Abykeyla Mellisse Tosatti Especialista em Adolescência pelo CAAA- UNIFESP Supervisora de ambulatórios de Nutrição Setor Medicina do Adolescente UNIFESP Quando comemos um alimento utilizamos todos os sentidos: olfato, paladar, tato, visão e audição. Em relação ao paladar, distinguimos quatro gostos básicos: doce, amargo, salgado e azedo. Mas o que poucos sabem é que existe um quinto sabor, o UMAMI. “Mas que gosto tem? O que é UMAMI? Em quais alimentos está presente?”, perguntas que vem logo à cabeça quando se fala em UMAMI. Entre os japoneses, o UMAMI seria aquele “toque especial” que dá vida ao sabor. É associado a uma sensação saborosa que pode tanto ser encontrado no mais simples prato como na mais sofisticada iguaria. Para esclarecer as duvidas do UMAMI, o International Life Sciences Institute do Brasil (ILSI), através da força tarefa Estilos de Vida Saudáveis promoveu na segunda semana de agosto de 2011, um debate sobre o assunto, um café da manhã coordenado pelo Prof. Dr. Mauro Fisberg. A Dra. Ana San Gabriel (Pesquisadora na área de Fisiologia de Receptores pela Universidade de Tóquio, Mestre em Nutrição - Representante da Área Científica do Umami Information Center e membro do Departamento de Relações Públicas da Ajinomoto Co.- Japão) explicou que “em 2000, o UMAMI foi reconhecido como o quinto gosto básico, se agregando ao doce, salgado, amargo e azedo, já perceptíveis pelo nosso paladar”. Mas foi em 1908, que o químico e pesquisador japonês Kikunae Ikeda analisando um caldo de alga marinha, o chamado Kombu Dashi, descobriu que o componente que proporcionava o sabor característico do alimento era o glutamato, o qual nomeou de UMAMI. As Principais substâncias do UMAMI são: Glutamato (aminoácido), inosinato e o guanilato, conhecidos como realçadores de sabores. A língua possui três tipos de papilas gustativas, formadas por células gustativas cujos receptores localizam-se na sua superfície; esses receptores identificam as substâncias dos gostos básicos, sendo que existe um receptor especifico que identifica o UMAMI, por isso é considerado como um gosto básico. De acordo com Dra. Ana San Gabriel, “é atrás da língua que sentimos os mais variados gostos, muito mais que na ponta da língua”. Ela ainda completa “devemos mastigar bem os alimentos para sentir os gostos”.

Quando ingerimos UMAMI, “sentimos gosto salgado, uma sensação de saburra

lingual, uma sensação tátil, a salivação fica intensa, ou seja, uma sensação de

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água na boca. O gosto do UMAMI é intenso permanecendo um longo tempo”, diz a pesquisadora. Os brasileiros não conhecem bem o gosto diferente e independente do UMAMI, segundo o Dr. Mauro Fisberg nutrologo e pediatra, “nós seres humanos somos neofóbicos, consumimos só o habitual, o que nos dá segurança”, ele completa que “a popularização dos sabores diferentes vem desde criança, quando formamos os hábitos alimentares”. Podemos encontrar UMAMI nos seguintes alimentos: queijos curados, tomate, aspargos, brócolis, carnes, peixes e cogumelos. Também pode ser encontrado no shoyu (molho de soja) e no leite materno, que é rico nessa substância. O UMAMI possui função fisiológica: aumenta a secreção salivar e a secreção gástrica. Atualmente, o UMAMI tem sido objeto de inúmeros estudos na área de Nutrição, por se mostrar benéfico na redução de sódio (como um possível substituto) e na qualidade de vida dos idosos (melhorando o sabor e o gosto, aumentando a escolha alimentar). De acordo com a pesquisadora, “pacientes especiais, hipertensos e idosos que tem uma alimentação a base de sopas ou outros alimentos menos preparados, não desfrutam do gosto, devido a considerável diminuição de sal. Se acrescentarmos alimentos ricos em glutamato como os vegetais, carnes, peixes entre outros na sopa, aumentaríamos consideravelmente o sabor, e isto tem demonstrado resultados satisfatórios em idosos debilitados”

NOTA: O processo de produção da manteiga de garrafa gera um subproduto que se precipita após o processo de decantação que ocorre posteriormente a fusão da manteiga. Esse precipitado, conhecido popularmente como “borra”, é alvo de estudos da IFRN para reaproveitamento na alimentação.

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Mercado Municipal de Fortaleza

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Licores Regionais

Mercado Municipal de Fortaleza

Licor de Pinhão

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PINHÃO

Nome científico: Araucaria angustifolia Nome popular: Pinheiro-do-paraná O pinhão é obtido da araucária. Segundo o engenheiro florestal Paulo Carvalho, da Embrapa de Colombo, Paraná, já ocupou área equivalente a 200 mil quilômetros quadrados no Brasil, predominando nos territórios do Paraná (80.000km2), Santa Catarina (62.000 km2) e Rio Grande do Sul (50.000km2), com ocupações esparsas em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, que, juntas, não ultrapassam 4% da área originalmente ocupada pela Araucaria angustifolia no país. É uma espécie resistente, tolerando incêndios rasos, devido à casca grossa que faz papel de isolante térmico. A capacidade de germinação é alta e chega a 90% em pinhões recém-colhidos. Espécie pioneira, disseminasse facilmente em campo aberto. Árvore de longa vida e muitos nomes, a Araucaria angustifolia fornece madeira de excelente qualidade, e também tornou-se famosa pelo pinhão, semente produzida com fartura a cada dois anos. Esse pinhão, que garante a alimentação de muitas espécies animais, principalmente roedores e pássaros, tornou-se item obrigatório no cardápio de outono e inverno em milhares de residências do Sul. O consumo desse fruto pode, inclusive, funcionar como o principal aval para a perpetuação da araucária, que, derrubada sem piedade para a extração de madeira, já esteve ameaçada de extinção. Para o serrano, o pinheiro hoje está valendo mais de pé, produzindo pinhas, do que cortado, vendido como madeira. Muitas famílias tiram o sustento da venda do pinhão e até grandes proprietários conseguem bom capital de giro com seu comércio. As duas maneiras mais conhecidas de se cozinhar as sementes da araucária são na brasa e na água. Mas existem muitas outras formas de saborear este alimento, dos aperitivos às sobremesas, passando por carnes de panela e farofas.

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Casa dos Licores – Viçosa do Ceará – Ceará

Licor Musashi – Juazeiro do Norte – Ceará

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PRODUÇÃO DE LICOR CASEIRO

Licor é uma bebida alcoólica adocicada, caracterizada pela elevada proporção de açúcar misturado a álcool, e aromatizada por essências, frutas, raízes, sementes, ervas, flores e até cascas de vegetais, in natura ou desidratadas, que servem também para definir o sabor. Um licor é, portanto, constituído basicamente de três ingredientes – álcool, xarope de açúcar e aromatizante –, podendo, em alguns casos, lhe ser adicionado um corante. Licores são bebidas muito saborosas, com propriedades digestivas, estimulantes e reconstituintes. Podem ser servidos como bebida cordial, ou seja, para agradar os visitantes, ou como digestivo, após as refeições. A origem mais provável do licor é atribuída a poções caseiras e a xaropes de ervas e de frutas preparados por velhas senhoras do povo, seguindo antigas receitas familiares, que passavam de geração a geração, com o objetivo de curar pequenos males. Essas preparações resultavam em bebidas adocicadas, muito saborosas e, por vezes, coloridas que, se não curavam os doentes, pelo menos os reconfortavam e os deixavam felizes por uns momentos. Existem muitas maneiras de preparar um licor. As técnicas foram, durante muitos anos, formuladas artesanalmente, como faziam nossos avós, até serem produzidas em escala industrial, por processos tecnologicamente sofisticados. Muitas formulações de licores, alguns mundialmente famosos, são mantidas em segredo, sob o domínio exclusivo de seu fabricante. Embora não existam regras rígidas para o preparo de licores de frutas, em geral, o processo está baseado na maceração ou na infusão de frutas em álcool potável, ou na destilação de macerados aromáticos com base de frutas. Há de se considerar que, na elaboração de licores, a qualidade do produto final depende não só das matérias-primas empregadas, mas também do processo de preparação. Considerando que os principais atrativos das frutas são cor, aroma, sabor, vitaminas e minerais, deve-se, ao preparar um licor à base de frutas, ter o cuidado de preservar esses atributos e substâncias, de modo que o consumidor possa imediatamente associá-lo à fruta com a qual foi preparado. Definição de Licor A legislação brasileira (Decreto n° 2.314, de 4 de setembro de 1997, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa) define o licor como uma “bebida com graduação alcoólica de 15% a 54% (v/v), a 20oC, e um percentual de açúcar superior a 30 g/L, elaborado com álcool etílico potável de origem agrícola, ou destilado alcoólico simples de origem agrícola, ou bebidas alcoólicas adicionadas de extrato ou substâncias de origem vegetal ou animal, substâncias aromatizantes, saborizantes, corantes e outros aditivos permitidos por lei”. Licor de frutas é uma bebida alcoólica preparada sem processo fermentativo, cujos principais componentes naturais são frutas. Possui graduação alcoólica em torno de 24oGL e 29oGL e elevado teor de açúcar, cerca de 150 g/L.

Seleção, lavagem e enxágue Antes de iniciar o beneficiamento, as frutas devem passar por um processo de seleção, quando as estragadas, com lesões físicas, como rompimento da casca e amassamento, ou fora do estágio de maturação desejado devem ser

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descartadas Para obter um produto de qualidade, o processo de seleção deve ser rigoroso. As frutas devem ser lavadas com água potável corrente, para a eliminação de sujeira grosseira, como a maior parte da terra aderida à casca. Logo após a pré-lavagem, deve-se proceder à imersão das frutas por 20 a 30 minutos, contendo água clorada (de 50 a 100 ppm de cloro livre – cerca de 1 a 2 colheres de sopa de água sanitária para cada 2 L de água). Em seguida, enxaguar, por imersão das frutas em água potável, para eliminar o excesso de cloro. O mesmo tanque pode ser utilizado para as duas etapas, bastando drenar a água clorada e enchê-lo novamente com água potável.

Descascamento, corte e esmagamento Dependendo da espécie, as frutas lavadas devem ser descascadas, cortadas em pedaços menores e esmagadas. O descascamento e o corte podem ser feitos de forma manual, devendo-se usar facas de aço inoxidável. É aconselhável que a manipulação das frutas seja feita em mesas limpas. A seguir, procede-se ao esmagamento ou à trituração das frutas. O equipamento a ser usado poderá ser um macerador ou um liquidificador. Deve-se tomar cuidado para não triturar as sementes, que devem ser separadas e descartadas, a fim de evitar a extração de substâncias indesejáveis, como óleos e taninos, responsáveis por alterações na aparência (separação de fases) e no sabor da polpa (adstringência ou travo na garganta), respectivamente.

Maceração alcoólica (infusão) Nesta etapa, também conhecida como infusão, a fruta triturada deve ser conduzida para um pote de mistura , onde será adicionado o álcool, na proporção de 1 L de álcool para cada quilo de fruta triturada. O álcool deve ser de qualidade superior. A vodka, a cachaça desodorizada ou álcool de cereais constituem excelentes opções ao álcool. Misturar bem e deixar em repouso (1ª maceração) por, pelo menos, 15 dias, à temperatura ambiente. Deve-se misturar suavemente o conteúdo, a cada 24 horas nos primeiros 7 dias, deixando-o, depois, em pleno repouso, até o final do tempo de maceração. Dica: Licores produzidos com base no miolo (atenção: miolo e, não, casca) de frutos, como maçãs e pêssegos, devem ficar em infusão por duas semanas, enquanto licores feitos de cascas, como os de limão, durante um mês.

Primeira trasfega: Após o período de infusão, deve-se transferir o líquido

sobrenadante (licor primário) para outro pote, etapa conhecida como primeira trasfega (separação do líquido mais límpido da borra depositada no fundo). Cuidado para não revolver os sólidos depositados na parte inferior do recipiente, que constituem a borra. Essa primeira borra residual deverá ser transferida para potes de menor volume (protegidos da luz e com tampa) e deve ser mantida em repouso, para nova decantação e separação do líquido mais límpido (sobrenadante), a fim de reduzir as perdas resultantes do processo.

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Formulação: Um xarope de açúcar deve ser preparado previamente, a partir

da adição de duas partes de açúcar para uma de água. A completa olubilização do açúcar é obtida por sua adição gradativa à água aquecida (60ºC a 70ºC) e sob agitação constante. A cada litro do licor primário, devem-se adicionar cerca de 250 g do xarope de açúcar, de forma a obter uma concentração de aproximadamente 150 g de açúcar por litro de licor . A seguir, deve-se misturar bem e deixar em repouso.

Repouso e segunda trasfega Nesta etapa, o licor primário açucarado deve ser mantido em repouso por mais 15 dias, para que ocorra a incorporação do açúcar ao licor e a sedimentação de partículas. Essa etapa é também conhecida como 2ª maceração. Após o repouso, deve-se transferir cuidadosamente o líquido sobrenadante (denominado agora licor secundário) para outro pote (2ª trasfega). Recomenda-se novamente usar um sifão ou bomba, tomando-se cuidado para não revolver as partículas finas depositadas na parte inferior do pote, que constituem a segunda borra. Essa segunda borra, por sua vez, deverá ser mantida em repouso, para posterior decantação, e ter sua fase sobrenadante (fase superior ou líquido mais límpido) misturada ao decantado do resíduo da primeira trasfega (sobrenadante da primeira borra), para juntos sofrerem filtração e serem misturados ao licor final.

Filtração: Nesta etapa, deve-se proceder à filtração do licor secundário e dos

decantados das borras. A filtração é importante para remover quaisquer partículas em suspensão que possam conferir ao produto uma turvação indesejada e até mesmo a formação de depósito no fundo do frasco de acondicionamento do produto acabado. Existem filtros com diferentes características, princípios de funcionamento e elementos filtrantes (de tecido, de material cerâmico ou polimérico), que permitem a retenção de partículas de tamanhos também diferentes. Um filtro-prensa, por exemplo, pode ser recomendado para essa operação. Esse processo determina a qualidade da aparência final do licor.

Envelhecimento e engarrafamento Nesta etapa, é promovida a estabilização da mistura das borras filtradas com o licor secundário filtrado, bastando que se deixe a mistura em repouso por alguns dias. Dessa forma, é produzido um licor mais harmonioso, cujos aroma e sabor da fruta se sobrepõem aos do álcool. Obtém-se, assim, o licor final pronto para ser engarrafado em frascos de vidro, limpos e bem vedados . Recomenda-se utilizar garrafas de vidro novas. As garrafas devem ser imersas em solução clorada a 100 ppm por 30 minutos e, após o enxágue, devem ser colocadas em banho com água limpa fervente, por 15 minutos, para eliminar o cloro residual. Um licor de boa qualidade é límpido, não deixa sobressair o gosto do álcool e não deposita borra no gargalo.

Armazenamento A garrafa deve ser guardada bem tampada e em pé, para evitar que o álcool evapore. Se o teor alcoólico cair para abaixo de 12°C, a bebida começa a

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fermentar e há risco de o frasco estourar. É melhor guardar a garrafa em local escuro, pois a incidência de luz modifica a cor e o sabor da bebida.

NOTA: Para agregar valor ao seu licor, use frutas orgânicas; e adoçantes alternativos como mel, stevia, rapadura, etc. E nunca se esqueça que a água é um elemento fundamental para um bom licor, então use só água de boa qualidade.

CHÁ

O CHÁ É UMA BEBIDA PREPARADA ATRAVÉS DA INFUSÃO DE FOLHAS, FLORES, RAÍZES, GERALMENTE PREPARADA COM ÁGUA QUENTE. CADA VARIEDADE ADQUIRE UM SABOR DEFINIDO DE ACORDO COM O PROCESSAMENTO UTILIZADO, QUE PODE INCLUIR OXIDAÇÃO, FERMENTAÇÃO, E O CONTATO COM OUTRAS ERVAS, ESPECIARIAS E FRUTOS. A palavra “chá” é usada popularmente em Portugal e no Brasil como sinônimo de infusão de frutos, folhas, raízes e ervas contendo ou não folhas de chá.

Infusão

Infusão é a bebida feita, em geral, pela imersão de uma substância aromática em água quente ou a ferver. Algumas das bebidas mais comuns e de mais vasta distribuição no planeta são infusões: café, chá, tisana, chimarrão, etc.

Por vezes, fazem-se infusões com outros líquidos, como o álcool ou o vinagre.

Como fazer chá

Uma xícara de chá quente bem feita pode aquecer qualquer amante do chá, mas pode ficar muito amarga ou sem gosto se a infusão não for feita corretamente. Uma abordagem consciente na preparação do chá pode maximizar o sabor e os efeitos saudáveis. 1 – Ferva uma quantidade de água acima do suficiente em um recipiente não reativo. 2 – Pré-aqueça o bule. Isto vai impedir a temperatura da água de cair assim que for colocada. Coloque um pouco de água fervente em um vaso de cerâmica ou porcelana ou nas xícaras onde quer que a infusão seja feita ( cerâmica e porcelana retêm o calor). Cubra o bule com a tampa, se tiver. Deixe descansar até aquecer e remova a água 3 – Coloque a erva para a infusão no infusor, peneira ou diretamente no fundo. Fazer a infusão sem peneira ou infusor dá á erva de chá mais espaço para se espalhar e liberar mais sabor. Comece com uma colher de chá por xícara, a não ser que tenha uma receita que diga o contrário. A quantidade depende da força do chá desejada, assim como seu gosto. Experimente.

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Se estiver usando sachês de chá, a quantidade já foi medida para você – geralmente, utiliza-se um sachê por xícara. Tente comprar os sachês mais frescos possíveis, pois a maioria dos sachês produzidos comercialmente têm pequenos pedaços de folhas que perdem as propriedades mais rapidamente que as folhas soltas. 4 – Coloque a água quente Derrame sobre a erva. Use uma quantidade proporcional á quantidade de material usado. A temperatura ideal varia com a variedade de chá que está sendo feita. Quanto mais oxidado (fermentado) o chá for (por exemplo, chá preto), mais quente deve ser a água, e vice – versa. Por exemplo: ao preparar chá verde, use água menos quente. 5 – Deixe a infusão descansar Cubra para manter o calor. Novamente, cada tipo de chá tem seu tempo de infusão. Leia a embalagem do chá para mais informações. Se não houver instruções, deixe por um minuto ou dois e prove frequentemente para ver se está saboroso, e não amargo. 6 – Remova as folhas (se estiver usando peneira ou infusor) ou passe o chá para outro recipiente. Deixe o chá coberto para servir novamente, se alguém quiser repetir. Isto ajuda a manter o calor. NOTA: Muito cuidado com o Tanino das ervas, o Tanino (do francês tanin) são polifenóis de origem vegetal, com pesos moleculares geralmente entre 500 e 3000. Eles inibem o ataque às plantas por herbívoros vertebrados ou invertebrados (diminuição da palatabilidade, dificuldades na digestão, produção de compostos tóxicos a partir da hidrólise dos taninos) e também por microorganismos patogênicos.

Usos farmacológicos

Devido às suas características têm as seguintes aplicações farmacológicas :

antídotos em intoxicações por metais pesados e alcalóides;

adstringentes:

via externa: cicatrizantes, hemostáticos, protetores e reepitelizantes;

via interna: antidiarreicos;

anti-sépticos;

antioxidantes;

antinutritivos (devido ao seu efeito complexante, diminuem a capacidade de

absorção de ferro).

Sirva seu chá com leite, açúcar (não se esqueça da stevia),

limão, e/ou mel.

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Alguns exemplos de plantas usadas para fazer chá

Boldo do Chile

Hortelã

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Pata de Vaca

Jamelão

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CAPETEIROS

Provavelmente, todos nós já vimos alguma vez na vida um “ capeteiro”. É só lembrar daquelas barraquinhas de praia, que se espalham por todo o litoral brasileiro, vendendo “batidas”. Eu já tentei buscar uma linha histórica sobre esse segmento, mas infelizmente as fontes são dispersas e pouco confiáveis. Em 2002 eu estive na capital de Sergipe, Aracaju, para fazer um evento, e como todo bom turista resolvi passear pela cidade e me deparei com dezenas deles espalhados pela BEIRA – MAR. E nunca esqueci de um coquetel em especial, o “Príncipe Encantado”, que tinha 14 ingredientes. Mas sem sombra de dúvida, os Capeteiros de Porto Seguro na Bahia, são os maiores responsáveis pela divulgação desse segmento. Qual o jovem do ensino médio ou universitário, que não tem um amigo que passou as festas de final de ano em Porto Seguro ? E é claro que não podemos esquecer do “CAPETA”, o coquetel que mais representa esse grupo.

Ilha de Algodoal no Pará

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Imperatriz – Maranhão

Canoa Quebrada – Ceará

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Jericoacoara – Ceará

CACHAÇA, HISTÓRIA E CURIOSIDADES

É o nome dado à aguardente de cana, uma bebida alcoólica

tipicamente brasileira. Seu nome pode ter sido originado da velha língua

ibérica – cachaza – significando vinho de borra, um vinho inferior bebido

em Portugal e Espanha, ou ainda, de "cachaço", o porco, e seu feminino

"cachaça", a porca. Isso porque a carne dos porcos selvagens, encontrados

nas matas do Nordeste – os chamados caititus – era muito dura e a cachaça

era usada para amolecê-la.

Na produção colonial de açúcar, cachaça era o nome dado à primeira espuma

que subia à superfície do caldo de cana que estava sendo fervido. Ela era

fornecida aos animais ou descartada. A segunda espuma era consumida pelos

escravos, principalmente depois que fermentasse e também passou a ser

chamada cachaça. Posteriormente, com a destilação da espuma e do melaço

fermentados e a produção de aguardente de baixa qualidade, esta passou a

ser também denominada de cachaça e era fornecida a escravos ou adquirida

por pessoas de baixa renda.

É usada como coquetel, na mundialmente conhecida "caipirinha".

É obtida com a destilação do caldo de cana de cana-de-açúcar fermentado. A

fermentação do melaço, também utilizada, também dá origem ao rum.

A cana-de-açúcar, elemento básico para a obtenção, através da fermentação,

de vários tipos de álcool, entre eles o etílico. É uma planta pertencente à

família das gramíneas (Saccharumofficinarum) originária da Ásia, onde teve

registrado seu cultivo desde os tempos mais remotos da história.

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CERTIFICAÇÃO NOS EUA

As negociações com o governo dos Estados Unidos iniciaram em 2000, desde que

o país passou a exigir que a bebida brasileira trouxesse em seu rótulo a expressão

"run brasileiro".

O processo de reconhecimento foi iniciado oficialmente em abril de 2012, a partir

da visita da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos. Pelo acordo, o Brasil

também decidiu reconhecer como "legitimamente americanos" os uísques do tipo

Bourbon e Tenessee.

LEI – EUA - 11 DE ABRIL DE 2013

Agora é oficial. Para ser chamada de cachaça nos Estados Unidos, a bebida

precisa ser obrigatoriamente produzida no Brasil e estar de acordo com os padrões

brasileiros de identidade e qualidade. A lei reconhece a cachaça como produto de

origem exclusiva do Brasil.

O Zé Carioca, criado no começo da década de 1940 pelos estúdios Walt Disney em uma

turnê pela América Latina, que fazia parte dos esforços dos EUA para reunir aliados

durante a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945).

1° FACULDADE DE CACHAÇA DO MUNDO

Na cidade de Salinas (MG), já existe a primeira faculdade da cachaça do

mundo. O curso superior de três anos formará cachaçólogos, mestres da

pinga, símbolo nacional e hoje produto com presença marcante em nossa

pauta de exportações.

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Os conhecimentos sobre o processo produtivo costumam ser transmitidos de

pai para filho, mas o mercado industrial começou a exigir profissionais mais

capacitados. Daí os maiores entendedores não serem mais os que apenas

saboreiam a branquinha, mas os que fazem o curso de tecnologia em produção

de cachaça, da Escola Agrotécnica de Salinas (MG).

Em Salinas (a 680 km de Belo Horizonte), na região norte de Minas, a idéia do

curso relacionado à cachaça surgiu, em 2002, da necessidade dos cerca de 40

produtores do município. O aluno sai capacitado a trabalhar em toda a cadeia

produtiva da cachaça. No preparo do solo, em embalagem, na análise físico-

química e até na certificação, afirma o coordenador do curso, Oscar William

Barbosa Fernandes.

CAIPIRINHA

A caipirinha é uma bebida alcóolica de origem paulista. É uma

das bebidas brasileiras mais conhecidas nacionalmente e internacionalmente.

É feita com cachaça, limão não descascado, açúcar e gelo. No Brasil, é servida

na maioria dos bares e restaurantes.

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Como a caipirinha nasceu, foi batizada e cresceu em Santos. Marco Antonio Batan é doutor em Ciências da Comunicação (USP), pesquisador e caipirólogo há mais de 40 anos.

É conhecida a história de que a pintora Tarsila do Amaral, biografada por sua sobrinha, organizava famosas feijoadas em Paris na década de 20. E segundo sua sobrinha, “o feijão era fácil de arrumar nos mercadinhos mas a pinga vinha do Brasil e passava pela alfândega francesa rotulada como produto de beleza”. Esta afirmação que circula na internet faz crer que o nome “caipirinha” já existia nesse tempo no Brasil. O que não é verdade. Possivelmente a sobrinha da Tarsila referia-se à batida de limão ou “brasileira”, mas como escreveu essa biografia muitos anos mais tarde, utilizou o nome caipirinha hoje consagrado. Muita gente também confunde, por conveniência, a caipirinha e a batida de limão apesar de serem bebidas com sabores diferentes. Mas essa é uma boa oportunidade para refletir sobre a origem da caipirinha e seu nome. Batida de limão é uma bebida feita com suco de limão, aguardente de cana de açúcar e açúcar e como é feita em quantidade para muitos copos, é acondicionada em litro e guardada na geladeira. Por sua vez, a caipirinha é individual, feita com o próprio limão cortado em pedaços e macerado no copo em que vai ser servida, com açúcar, acrescentando-se após a aguardente de cana e gelo. É, então, aerada com ajuda de outro copo invertido sobre o primeiro e a mistura está pronta para ser bebida na hora. Não dá para guardar. Vamos por partes. O gelo à vontade só surge no Brasil a partir de 1954 com os refrigeradores elétricos, sendo que ainda nos anos 50 predominavam as geladeiras com gelo em pedra grande, que era muito precioso para ser quebrado em pedrinhas para colocar em bebida. Era nessa “geladeira de gelo” que se resfriava o litro de batida de limão, um armário de madeira com uma portinha onde se colocava ¼ de gelo e tinha prateleiras onde ficava a comida para refrescar. Outra coisa que vai delimitar o tempo é o limão e o fato de que antes do final dos anos 60, não tinha sentido se falar de caipirinha com casca ou sem casca, porque a caipirinha era feita com o limão galego que é esférico, tem muito sumo e uma casca muita fina para ser descascada. Só a partir da praga que dizimou a plantação do limão galego no Brasil na década de 70 é que se desenvolve a produção e utilização do limão Taiti, que é elíptico e de casca rugosa. Ambos são bastante ácidos, mas o galego é mais suave de paladar e aroma. Foi com o limão galego que surgiu a caipirinha em Santos. Portanto, a acidez de sua casca fina era um dos componentes da caipirinha original. O limão em geral só ficou popularizado no Brasil depois que foi utilizado como remédio no combate à Gripe Espanhola em 1928. Era um fruto raro. Essas características dos ingredientes gelo e limão abundantes delimitam o aparecimento da caipirinha entre o final dos anos 30 e 60. Provavelmente, a caipirinha nasceu no final dos anos 50 pelo surgimento dos refrigeradores elétricos e pelo consequente aumento da oferta de gelo. No final da década de 50 era preferência entre os jovens uma bebida feita também com gelo, Coca-Cola, rum e uma rodela de limão, a famosa Cuba Libre, e a sua versão com cachaça chamada de “Samba”. Na região Sudeste estas bebidas embalavam as “festinhas americanas” e as baladas da época. Os mais velhos bebiam a

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“purinha” dando preferência para a pinga artesanal, licorosa, envelhecida e aromatizada. Curiosamente, tanto o rum como a cachaça são aguardentes de cana de açúcar. Nem mesmo se diferenciam do modo inicial de produção. Ambas utilizam o melaço do açúcar e aditivos químicos para acelerar a fermentação, pois são industrializadas e exigem grande produção, mas são muito diferentes da pinga citada pela sobrinha da Tarsila, que é destilada do caldo da cana, é artesanal e produzida em pequenas quantidades. Dessa forma, cachaça e pinga são coisas diferentes, apesar de popularmente e, agora, a partir de 2001, legalmente serem consideradas a mesma bebida. Qualquer apreciador de caipirinha sabe que a pinga artesanal não dá boa caipirinha porque o aroma e o paladar do carvalho ou bálsamo onde foi envelhecida, assim como o seu sabor acentuado, interferem no resultado final da mistura. O recomendável é fazer a caipirinha com a cachaça mais forte, porque vai ser diluída com gelo. E deve ser branca, sem sabor de madeira, para não interferir com o limão, de preferência o galego. Isto quer dizer que a cachaça industrializada é melhor para fazer a caipirinha do que a pinga artesanal. É exatamente por causa disto, que a história da origem da caipirinha origina-se em Santos, no litoral de São Paulo. O primeiro engenho de cana de açúcar do Brasil, o Engenho dos Erasmos, construído em 1530, fica no sopé do Morro da Nova Cintra, local onde moram até hoje descendentes de portugueses açorianos e da Ilha da Madeira. No local havia na metade do século XX diversos alambiques e considerável plantação de cana de açúcar. O “Morrão” produzido no Morro da Nova Cintra, famoso na década de 50, era uma pinga artesanal comparável às melhores de Parati. Entretanto, a cachaça industrializada também vendida em garrafas na região – Três Fazendas, Tatuzinho, Pirassununga, Velho Barreiro, Pitu - era originária da região de Piracicaba e adjacências e, portanto, vinha do interior e era chamada pelos caiçaras da região de cachaça caipira, para diferenciar da pinga artesanal ou morrão que era nobre demais para ser misturada com gelo e limão. Caipirinha foi o nome dado à mistura feita com cachaça do interior, diferenciando-se desde o nome do “Morrão”, que era para ser degustado puro. A caipirinha era conhecida desde o final dos anos 50, em qualquer lugar de Santos e do litoral paulista. Desde o internacional Parque Balneário Hotel, meca da elite e turistas paulistas, Cassino Atlântico, restaurantes A Balneária, Boa Vista, Olympia, Gáudio, até às barracas de praia e qualquer botequim, as pessoas sabiam fazer uma boa caipirinha. Quanto a isso, é intrigante o fato de que até locais sofisticados de Santos aceitaram difundir uma bebida desprovida de status, feita com a popular e malvista cachaça. Para que se possa entender, é necessário esboçar o cenário de Santos no final da década de 50 e início da década de 60 e a forte questão cultural existente. A cidade era o local perfeito para o surgimento de qualquer produto que representasse o novo, diferente e traduzisse o nacionalismo que aflorava entre os jovens numa cidade que era revolucionária e conhecida como “Cidade Vermelha”. No meio cultural, Gilberto Mendes, Patrícia Galvão, Plínio Marcos, Geraldo Ferraz, Sergio e Cláudio Mamberti davam o tom do inconformismo da vanguarda da época. No esporte é a era do fantástico time do Santos de Pelé. Na política, Mario Covas e

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Esmeraldo Tarquínio são alguns dos exemplos da atividade de Santos. As “Bocas” tinham a maior concentração de boates por metro quadrado do Brasil sendo um importante polo turístico e de difusão cultural e interação com o mundo inteiro, graças ao maior porto da América Latina. Neste ambiente é fácil compreender o sucesso de uma bebida que representava a brasilidade, o popular e que, graças ao limão macerado e ao gelo, adquirira um paladar mais suave e menos agressivo que a cachaça “in natura”, mas ao mesmo tempo conservava o jeito de bebida de gente forte e poderosa bem ao gosto dos estivadores que predominavam no cenário sindical, político e econômico local. E por que uma nova bebida e não a batida de limão que já era chamada de “brasileira”? Porque a batida de limão tinha uma aparência ruim de água suja, o líquido oxidava e dava um amargor após algum tempo na geladeira, ao contrário da caipirinha, que tem o aspecto agradável de coquetel. Para contrastar com esse fato, ainda universitário em 1969, fui um dos voluntários do Projeto Rondon que pela primeira vez utilizou o transporte marítimo para conduzir os jovens da região Sudeste até o Pará, no Norte do Brasil. O Transporte de Tropas Barroso Pereira, navio do tempo da 2ª Guerra Mundial, a partir do Rio de Janeiro precisava parar em todos os portos por onde passava para se abastecer de água potável. Como jovem, fiz uma pesquisa de campo involuntária sobre a caipirinha desde São Paulo capital, de onde saiam os participantes de São Paulo para o embarque no porto do Rio de Janeiro. Fortaleza, Recife, Natal, São Luiz e Belém, ninguém contatado nesses locais, dos bares das zonas do cais aos clubes sociais, jamais ouviu falar em “caipirinha”. Todos só conheciam a batida de limão ou brasileira. Em outra história de 1975, um amigo universitário foi convidado para uma “pingada” em Piracicaba que não passava de um churrasco universitário com clima local. Na viagem de Santos até Piracicaba, já no interior de são Paulo, os ocupantes do carro pararam em um bar de beira de estrada e pediram ao balconista uma caipirinha. A reação do homem foi violenta diante do que achou que era uma ofensa às mocinhas locais! O homem só se acalmou quando explicaram que caipirinha era uma bebida com sumo de limão, cachaça e açúcar. Então o homem, sem pestanejar, tirou a garrafa do refrigerador com a batida de limão e ofereceu. Quando o meu amigo disse que não era aquilo, teria que ser feita na hora, novamente o homem ficou danado de raiva e os expulsou do botequim. Esses ocorridos servem para reafirmar que o nome caipirinha não nasceu no interior de São Paulo, onde era ofensivo aos locais. Diferentemente do morador do litoral, que chama o do interior de “caipira” pelas costas. E o do interior, por sua vez, chamava o nativo do litoral de “caiçara”... Nesse contexto, por evidência, o nome da bebida não poderia surgir no interior de São Paulo e sim no litoral de São Paulo. Desde o desenvolvimento do turismo e do jogo em Santos, na década de 40, destinado principalmente para os endinheirados paulistanos e interioranos de São Paulo, existe uma troca de experiências e sintonia muito grande entre os hospedeiros e os visitantes. É óbvio que no caso da caipirinha, os turistas frequentadores da Baixada Santista tiveram contato e

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conheceram a bebida típica de Santos que acompanhava um bom prato de camarão “paulistinha”. Não é de estranhar aparecer citação à caipirinha no livro Código da Vida, de Saulo Ramos, que morava aqui e trabalhava no jornal A Tribuna de Santos nos anos 60. Apesar de amplamente difundida no litoral de São Paulo, da Praia Grande até São Sebastião, em 1975 a caipirinha ainda não tinha status para frequentar os restaurantes e hotéis sofisticados fora do litoral. É dessa época a campanha do Rum Bacardi que vai tornar a bebida aceita socialmente em todo o Brasil. “A Caipiríssima” da Bacardi era a caipirinha que substituía a cachaça pelo rum. Essa campanha fazia parte do esforço mundial da Bacardi para tornar-se a líder mundial de coquetéis de misturas diversas. A Bacardi aproveitava a bebida local e a trocava pelo rum. A partir da “caipiríssima”, a bebida entrou em ambientes nunca antes permitidos à cachaça. Daí passando pela “caipiroska”, que é a receita com vodka, até retornar à cachaça foi só uma questão de gosto, moda, preferência dos estrangeiros e brasilidade. Voltando à questão do nome caipirinha, que é o que interessa neste ensaio, pode-se presumir que só existe algo quando este algo pode ser nominado, para que o produto possa ser diferenciado de outra coisa que lhe seja próxima. A caipirinha, como a própria cachaça, nasceu em Santos e aqui foi batizada com o nome famoso que a distingue. Consultado pelo autor, em 2009, o historiador Valdir Rueda não tinha dúvida sobre o fato, já que, na região, a cachaça começou a ser adicionada aos sucos de frutas na época da escravidão. O coquetel conhecido como caipirinha surge no final dos anos 50 como uma bebida de praia, influenciada pelas barracas de praia e balneários, combinando sol, praia, tempo de relaxar e férias. Seu nome deriva do hábito local de chamar o que vinha do interior de caipira e a caninha industrializada que se tomava em Santos era caipira. Portanto, CAIPIRINHA, com o maior carinho.

CAIPIRINHA NO MUNDO

Gozando de grande popularidade mundo afora, inúmeras variações dessa

bebida são conhecidas. Em algumas regiões, açúcar mascavo é usado em vez

do refinado. Mesmo no Brasil, podem ser encontradas variantes com

adoçantes artificiais ou com uma grande variedade de frutas. Além disso, a

cachaça algumas vezes é substituída por vodca (caipiroska, marca registrada

pela Smirnoff), Licor Beirão (conhecido por caipirão), rum (caipiríssima, marca

registrada pela Bacardi), ou Steinhäger (caipinheger). "Caipirinhas"

de saquê (saquerinha) ou vinho (caipivinho) também são feitas. Na região Sul

do Brasil, mais especificamente na cidade de Maringá, a caipirinha recebe o

nome de chimboca e difere da receita tradicional por ter mais açúcar e menos

aguardente.

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LEGISLAÇÃO

De acordo com o Decreto nº 6.871, de 2009:

§ 5º A bebida prevista no caput, com graduação alcoólica de quinze a trinta e

seis por cento em volume, a vinte graus Celsius, elaborada com cachaça, limão

e açúcar, poderá ser denominada de caipirinha (bebida típica do Brasil),

facultada a adição de água para a padronização da graduação alcoólica e de

aditivos.

Museu da Cachaça – Maranguape – Ceará

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Maior Tonel de Madeira do Mundo – Museu da Cachaça – Maranguape – Ceará

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Cachaça do Trinchete – Tocantins

Em Julho de 2003, participei da organização do 1° Campeonato de Campos do Jordão á base de Cachaça. O evento tinha como objetivo, promover a Cachaça Brasileira. Na época, tivemos apoio do Hotel Frontenac e Cafeteria Magno Fruto (aonde aconteceu as etapas do torneio), da Red Bull, Stock, Pernod Ricard, Jagermaister e Abrabe (Associação Brasileira de Bebidas).

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Cachaça de Jambu – Belém – Pará

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Cachaçaria com mais de 388 sabores em Imperatriz – Maranhão

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Seu Ambrósio, proprietário da “Farmácia”

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No alto dos seus 1200 metros de altitude, fica a cidade de Triunfo no

Pernambuco, perto da divisa do Ceará e da Paraíba. Colonizada por

Europeus e de clima “FRIO”, pertence a região conhecida como Pajeú. Lá

encontramos o Engenho São Pedro, produtor da Cachaça e licor de Cana

“Triumpho”. É bom lembrar, existe o nome de Triumpho com “PH”,

porque na Paraíba, existe uma outra cachaça com o nome de TRIUNFO.

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Triunfo – Pernambuco

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Engenho São Pedro – Triunfo – Pernambuco

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Pau de índio, bebida típica do Carnaval de Olinda – Pernambuco

Cachaças - Mercado Municipal de Fortaleza

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Cachaças - Mercado Municipal de Fortaleza

Cachaças - Mercado Municipal de Fortaleza

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Cachaças - Mercado Municipal de Fortaleza

Cachaças - Mercado Municipal de Curitiba

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ROMA – ITÁLIA

Aquiraz – Ceará

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Tianguá - Ceará

Tianguá – Ceará

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Mercado Municipal de Fortaleza

Cachaça de Morretes – Paraná

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Formatura de Medicina da UFT – Palmas – Tocantins

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Bar com Cachaça em Palmas – Tocantins

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Bares com Cachaça em Palmas – Tocantins

Bar com cachaça em Araguaína – Tocantins

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Evento Bar em Bar – Fortaleza – Ceará

Brinde para Festas

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Brasil Rural Contemporâneo – Rio de Janeiro – RJ

Evento em Curitiba para a Prefeitura

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Evento no interior do Paraná

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Bar com Cachaça em Palmas – Tocantins

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Caipirinha e Feijoada

Caipirinhas em Icapuí – Ceará

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Formatura de Nutrição – Palmas – Tocantins

Curso de Coquetelaria com Cachaça para o exército brasileiro

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Workshop sobre Cachaça em Quixadá – Ceará

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Evento em Curitiba

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Cachaça, uísque ou conhaque: é possível dizer qual dos três

destilados é o melhor ? Um estudo conduzido na Esalq (Escola

Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP), em Piracicaba

(SP), propôs-se a tentar fazer essa comparação.

A pesquisadora Aline Marques Bortoletto criou uma cachaça nos

laboratórios do Departamento de Agroindústria, Alimentos e

Nutrição. Desde 2012, conforme a bebida envelhecia, ela a

submetia a uma bateria de análises.

A cada mês, a cachaça era comparada a 20 marcas de conhaque e

uísque –por ética acadêmica, a pesquisadora não divulgou os

rótulos, mas diz que fez um leque variado de preços e origens.

No laboratório, foram feitas provas às cegas para análises de

cor, aroma e sabor, além de análises químicas, de elementos como

o teor alcoólico e diversos compostos.

A surpresa: "Quando a cachaça atingiu um ano e meio de

maturação, superou as demais bebidas em todos os aspectos". Isso

não significa necessariamente que ela seja superior, "mas

conseguiu extrair mais diferenciais da madeira que outros

destilados".

Por diferenciais, entenda-se menos contaminantes (que são

deletérios à bebida) e mais marcadores de envelhecimento – que

terão reflexo positivo na parte sensorial.

MODO DE PRODUÇÃO

A cachaça da Esalq – que não será vendida– foi feita de forma

diferente em relação às disponíveis no mercado (veja quadro

abaixo).

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A principal diferença, diz a pesquisadora, foi o envelhecimento em

tonéis de carvalho francês e americano de primeiro uso, ou seja,

nunca usados. "Eles são comuns entre produtores de outros

destilados, mas pouco usados para a cachaça. Porque são mais

caros que os de segunda mão e que os de madeira brasileira", diz

Maurício Maia, do blog O Cachacier.

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EXISTE O MELHOR?

A Folha ouviu especialistas em bebidas para discutir o resultado da

pesquisa: afinal, se cada destilado tem um modo de produção e

particularidades sensoriais, aspectos químicos poderiam indicar que

um é melhor que o outro ?

"Isoladamente, nem sempre os compostos químicos se refletem de

forma positiva na parte sensorial. Como eles interagem entre si é o

que dá complexidade à bebida", diz Ensei Neto, engenheiro químico

e consultor da área. Mas experts reconhecem que a pesquisa pode

referendar a impressão, até aqui empírica, de que a cachaça pode

ter tanta qualidade e nobreza quanto outros destilados. "É injusto

ela não estar ao lado de uísques, vodcas e conhaques na

prateleira", afirma Felipe Jannuzzi, autor do projeto Mapa da

Cachaça. Outro consenso é que a pesquisa pode servir como

manual de boas práticas para produtores. "O grande problema da

cachaça, hoje, é a variação de padrão, inclusive em bebidas do

mesmo produtor", diz Vicente Ribeiro, presidente do Ibrac (Instituto

Brasileiro da Cachaça). De acordo com Ribeiro, a bebida não tem,

como o uísque e o conhaque, um órgão fiscalizador ou padrões

para garantir sua qualidade.

"Vemos que falta formação a muitos produtores, até dos processos

mais básicos de fabricação -da assepsia do ambiente ao controle

das fases da destilação", diz Jannuzzi.

NOTA: O “Museu do Homem Americano”, no Piauí, já tem provas sobre a presença do homem naquela região, a mais de 100 mil anos, ou seja, milhares de décadas antes da chegada dos portugueses. Baseado nessa cultura milenar e os relatos de dezenas de viajantes estrangeiros que tiveram no Brasil. Aonde descreveram o Cauim e diversas bebidas indígenas feitas através da fermentação de uma infinidade de ingredientes brasileiros. Será mesmo que é correto dizer que a origem da cachaça está ligada aos negros escravizados nos engenhos de açúcar.? Será que Câmara Cascudo e vários pesquisadores estão certos ao fazer essa associação? Hoje, sabemos que milhares de índios foram escravizados para trabalhar em engenhos, muitas décadas antes de o tráfico de escravos se torna uma prática economicamente viável, já que existiam aos milhares e sem custos para os “PSICOPATAS” donos de engenhos. Baseado em todas essas informações, você acha realmente que índios que fermentavam quase tudo, não iriam fermentar a Cana da 1° oportunidade que tivessem?

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REFRIGERANTES REGIONAIS

Refrigerante é uma bebida não alcoólica e não fermentada, fabricada industrialmente, á base de água mineral e açúcar, podendo conter edulcorante, extratos ou aroma sintetizado de frutas ou outros vegetais e gás carbônico.

Neste grupo, encontra – se também a água tônica. No século XVI, a fabricação e a elaboração dos refrigerantes eram exclusivamente realizadas por farmacêuticos que, devido aos seus conhecimentos de química e medicina, produziam e comercializava como produtos farmacológicos.

O antigo Guaraná Brahma (Rótulo listrado) foi o 1° a ser produzido industrialmente no Brasil, pela Fábrica Cyrilla, fundada em 1910 em Santa Maria.

Os refrigerantes mais queridos dos brasileiros são os do tipo cola, que dominam 50,9% do mercado. Os guaranás vêm em segundo na preferência nacional, com 24,5% das venda. A medalha de bronze vai para as bebidas sabor laranja 11%. Apesar de terem se tornado populares nas últimas décadas, os refrigerantes diet ou light ainda representam menos de 10% do total produzido. Já se o assunto é embalagem, as garrafas tipo pet dão de goleada: respondem por 80,2% dos refrigerantes consumidos no País.

O mundo dos refrigerantes vai muito além da Coca-Cola, do Guaraná Antarctica, da Pepsi e da Fanta Laranja. Temos uma infinidade incrível de marcas de refrigerantes espalhadas pelo Brasil. A começar pelas sempre lembradas Tubaínas. Mas o post de hoje vai apresentar algumas bebidas regionais, que têm um gosto bem diferente do que estamos acostumados a tomar. Conheça algumas delas:

Mate Couro

O nome pode parecer estranho para muita gente, mas não para os mineiros.

O Mate Couro é um refrigerante feito à base de erva-mate e chapéu-de-couro,

duas plantas que podem ser encontradas em regiões brejeiras no sul de Minas

Gerais. A versão original foi criada há 64 anos por farmacêuticos e era

propagandeada como diurético. Hoje, a bebida é vendida sem pretensões

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medicinais. Em 2003, a empresa lançou uma linha de refrigerantes com

sabores como uva ou limão. “Mas eles não têm sabor de ervas, apesar de levar

o nome da marca”, garante o gerente de vendas Lazio Divino Pinto. O Mate

Couro é encontradoem Minas Gerais e começou a ser vendida este ano

também no Espírito Santo.

Laranjinha

Em Santa Catarina, o refrigerante que faz sucesso é o Laranjinha. O

refrigerante tem um sabor de laranja bem mais suaves que os mais

tradicionais. “Nós usamos o padrão europeu, mais agradável ao paladar

infantil”, afirma Otávio Greuel. A bebida foi criada em 1925 por Max Wilhelm,

imigrante alemão que dá nome à fábrica sediada em Blumenau (SC). Foi o

primeiro refrigerante de laranja no Estado. Hoje, pode ser encontrado por

várias cidades de Santa Catarina e nos Estados vizinhos.

Gengibirra

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Na região Sul do país, é tradição de algumas famílias fazer sua própria

gengibirra com gengibre, água, fermento e açúcar. A Cini

Refrigerantes desenvolveu uma versão gaseificada da bebida. O gengibre

demora aproximadamente 1 ano e 5 meses para maturação do extrato, só

então se dá início ao processo de produção de refrigerante. Com sabor

acentuado de gengibre, a promessa é que a Gengibirra, fabricada desde a

década de 1940 no Paraná, atue como afrodisíaco, expectorante e excitante

estomacal. Pode ser encontrada em Curitiba e em outras grandes cidades do

próprio Estado e de e Santa Catarina.

GUARANÁ JESUS

Talvez seja o mais conhecido dos refrigerantes regionais. O Guaraná Jesus é

um grande sucesso no Maranhão, onde competia em pé de igualdade com a

Coca-Cola. Até que a multinacional resolveu comprar a fábrica maranhense. A

cor rosa da bebida parece muito artificial, mas na verdade vem de corantes de

cascas de árvores. Seu sabor é de cravo e canela, bem diferente do

encontrado normalmente pelo país.

O hábito de consumi-la no Maranhão é tão forte que algumas mães tiram seu

gás para dar Jesus aos filhos desde cedo. O curioso é que o inventor, Jesus

Norberto Gomes, era ateu e tinha fama de ter um pacto com o demônio.

Chegou até a ser excomungado por dar uma surra em um padre.

Abacatinho

O refrigerante Abacatinho, fabricado em Ubá (MG), é feito com base na folha

do abacateiro. Não tem o gosto da fruta, mas é certamente incomum.

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Flycel Pomelo

Outro refrigerante de abacate era feito pela Celina, indústria de Vera Cruz (RS).

Eles pararam de fabricá-lo em 1978, mas estão adequando uma nova fórmula

às normas do Ministério da Agricultura para relançar o produto. Mas o sabor de

abacate não era o único incomum vendido pela Celina. Eles também têm

refrigerante sabor pomelo.

O pomelo é uma fruta cítrica muito popular em países como Argentina e

Uruguai. Celso Rehbein, sócio-gerente da Celina, diz que ela tem um sabor

bem refrescante, entre o limão e a laranja. O refrigerante Flycel Pomelo é

vendido principalmente nas fronteiras do Brasil com esses países.

A marca Frutty, de Minas Gerais, fábrica um refrigerante sabor abacaxi. Já no

interior de São Paulo há o Guaracatu da empresa Arco Íris, que mistura

guaraná com catuaba. No Mato Grosso, o refrigerante TabaGut de Tuti-Frutti

da empresa Gut Gut.

Tubaína

Tubaína é um tipo de refrigerante regional, típico do interior do estado de São Paulo, tradicionalmente a base de Guaraná, com flavorizantes e aromatizantes de tutti-frutti. O termo também é utilizado para quaisquer outros refrigerantes de produção regional em pequena escala, em especial aqueles que são vendidos em garrafas de vidro e frascos de cerveja (a mesma da cerveja tradicional), embora nos dias atuais, são mais usadas garrafas feitas em PET.

História

A primeira tubaína foi criada na região de Jundiaí, no interior do estado de São Paulo, produzida pela empresa Ferráspari 1, com o nome de Turbaína.

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O nome foi criado pelo italiano Pedro Pattini e, no início, foi utilizado como nome para as balas fabricadas por ele em seu início de carreira empresarial no Brasil. Quando começou a produzir refrigerantes, estes herdaram o nome.

O nome tubaína rapidamente se popularizou devido ao fato de, nas décadas de 1940 e 1950, outras fábricas de refrigerantes passaram a produzir sabores similares ao da Turbaína, e pediram autorização ao proprietário da marca para usarem o sufixo dela em seus produtos. Surgiram assim a Taubaína, a Itubaína, entre outras marcas. O refrigerante produzido pela Ferráspari, no entanto, continua sendo chamado de Turbaína.

Devido ao custo baixo (cerca de 20% do valor de uma Coca-Cola), as tubaínas são muito populares no interior de São Paulo. Dentre as mais conhecidas temos: Tubaína Jaboti (desde 1968), Tubaína Rainha (já extinta), Tubaína Conquista, Tubaina Funada, Tupinambá (extinta), Elite (já extinta), Cristalina, Frutty Bom, Simba, Don, Arco Iris, Estrela, Guarani, Minada, São José, Itubaína (Schincariol), Tubaína Baré, Tubaina Bremer (também extinta) entre muitas outras.

Popularização econômica

Conhecidas por seu baixo custo, muitas destas bebidas têm apelo popular sem que as empresas fabricantes tenham, para isso, lançado mão de táticas de marketing e publicidade para ganhar novos consumidores.

As marcas líderes em vendas ainda continuam com sua fatia no mercado, mas o crescimento da participação de refrigerantes de pequenas fábricas chega a incomodá-las, pois muitas destas modestas fábricas estão se modernizando e tendo acesso a formas de industrialização e embalagem similares, como uso da garrafa PET.

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Goianinho

Grupo Imperial é uma rede de cervejarias brasileira, que existe desde 1962. A empresa possui uma fábrica própria no município de Trindade, a 15 quilômetros de Goiânia. Na indústria são produzidos refrigerantes como American Cola, Goianinho Guaraná e Pitchula, os sucos La Fruit e La Fruit Soja e Tampico, água com gás e sem gás, o BiriNight e as cervejas Colônia, Imperial e Imperial Ouro.

Além desta, a empresa possui coligadas no município de Gurupi (TO), Belém (PA) e Salvador (BA). Em Goiânia, a Cervejaria Imperial, é líder de mercado em vários segmentos.

A empresa exporta seus produtos para países da Ásia, Europa, Américas e África.

Cajuína São Geraldo

Na década de cinquenta, o senhor José Amâncio de Sousa fundou a empresa que trabalhava exclusivamente com a produção de refrigerantes com sabor de caju.

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No ano de 1976 os irmãos Francisco de Sousa e Tarcila Souza passaram a integrar a sociedade com José Amâncio, modificando assim, a razão social para “Cajuína São Geraldo Ltda.”, uma referência direta ao principal produto desenvolvido pela empresa, o refrigerante de caju.

Em 1997, a empresa São Geraldo Águas Minerais Ltda. foi integrada à Cajuína São Geraldo Ltda., formando o então “Grupo São Geraldo”, que passou a trabalhar com a extração e envasamento de “Água mineral hipotermal na fonte”, extraída da “Fonte Padre Cícero”.

Atualmente a sede da empresa conta com uma área de mais de 700.000 m², e atende ao nordeste do Brasil e parte daregião Norte.

O principal produto da empresa é o refrigerante com sabor de caju, sendo este produzido com a própria fruta. A matéria prima é comprada no Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí.

Para o diretor, a cajuína tem um sabor que agrada e por isso mantém uma

abertura de mercado surpreendente. Durante as romarias, já se tornou uma

tradição, dezenas de ônibus são estacionados na parte externa da fábrica. Os

romeiros querem degustar o refrigerante e levar para as suas residência. Há

uma loja para atendimento aos visitantes na própria fábrica, na Avenida Padre

Cícero, Km 02. Até uma garrafa gigante no pátio da fábrica é atração para os

romeiros terem a foto do produto como lembrança.

A cajuína se tornou uma das indústrias de bebidas mais conhecidas na região

Nordeste. A marca São Geraldo é uma referência ao santo italiano São

Geraldo.

Guaraná de Belém – Pará

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Guaraná de Belém – Pará

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MANDIOCA A mandioca é um dos alimentos mais representativos da gastronomia brasileira. Os índios já faziam seu plantio muitos séculos antes da chegada dos portugueses. Pesquisas recentes vem ampliando cada vez mais o conhecimento sobre essa planta tão fantástica. Além da farinha, o Tucupí, Maniçoba (espécie de feijoada Paraense feita com a folha da mandioca) e a Tiquira; ela vem sendo usada como adoçante em refrigerantes (Paranavaí - Paraná), na fabricação de biopolímeros, como fertilizante natural, como defensivo contra insetos e pragas, na produção de vinagre para uso doméstico e comercial, na produção de tijolos e produção de sabão.

NOTA: O professor e cientista José Júlio da Ponte (engenheiro agrônomo da UFC) passou décadas estudando alternativas naturais aos agrotóxicos. E descobriu na manipueira, extrato líquido que sobra no processo de fabricação da farinha de mandioca, pode ser aplicada no combate a pragas e doenças nas plantações. Infelizmente em 2013 aos 78 anos ele veio a falecer.

A parte aérea (superior) da rama da mandioca pode ser utilizada tanto na alimentação humana quanto na animal. Suas folhas são ricas em vários nutrientes, principalmente em proteínas, chegando a possuir até 28% de proteína bruta, podendo ser administradas sob as formas fresca, de feno ou de silagem.

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COMO ADUBO A manipueira pode ser utilizada para fertilizar o solo, tornando-o mais rico em nutrientes e microorganismos, servindo também para controlar os vermes que prejudicam o desenvolvimento das plantas. Rica em vários nutrientes como Potássio (K), Nitrogênio (N), Magnésio (Mg), Fósforo (P), Cálcio (Ca) e Enxofre (S), ela pode ser utilizada para a fertilização do solo e de folhas.

COMO PESTICIDA A manipueira, enquanto pesticida, deve ser aproveitada nas primeiras 24 horas após sua produção. Ela pode ser usada pura ou diluída. O melhor é que o agricultor realize testes numa pequena área do cultivo para saber a dosagem ideal na sua plantação. Mas como a manipueira pode controlar os insetos? A reposta é simples: a manipueira contém substâncias parecidas com as de muitos agrotóxicos, como por exemplo, o ácido cianídrico (HCN). É por isso que ela funciona como um agrotóxico, só que traz menos problemas ao meio ambiente e à saúde humana que os venenos normalmente empregados. O uso da manipueira é recomendado quando as pragas começarem a trazer problemas para as plantas. Pode-se pulverizar 3 ou mais vezes sobre a plantação com descanso de 1 semana entre cada aplicação. A quantidade de aplicações será determinada de acordo com a quantidade de pragas ou insetos na cultura.

FABRICAÇÃO DE VINAGRE A fabricação de vinagre é muito simples, rápida e econômica.

Como fazer: Coar a manipueira 2 vezes com um pano limpo, colocar no decantador e, depois, deixar ao sol, sem tampar o recipiente, por um período de 15 dias. Passados os 15 dias, com o cuidado de não agitar o material depositado no fundo do decantador abra a torneira e retire o vinagre puro. O líquido puro obtido (vinagre) deve ser coado e colocado em garrafas “pet” limpas e com tampas. Tampar bem as “pet” para não evaporar mais.

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Dica importante: para adicionar essência de frutas ao vinagre, antes de colocar a manipueira no decantador, misturar frutas picadas e amassadas com um garfo, ao vinagre. Como fazer o decantador: Materiais: • 1 tubo de PVC de 100 mm com 1,20 m de comprimento (aproximadamente) • 1 torneira de PVC • 1 tampão (TAP) para tubo de PVC 100 mm • 1 tubo de cola para PVC 1º - Colocar tampão em uma das extremidades do tubo. 2º - A 20 cm dessa extremidade, furar o tubo de PVC 100 mm com uma faca ou canivete aquecido, de forma a introduzir a torneira de PVC e fixá-la. 3º - Pronto, o decantador para fazer vinagre está construído. Evite mexer ou mudar sua posição quando estiver “decantando” a manipueira.

CASA DE FARINHA – MUSEU SACACA - MACAPÁ – AMAPÁ

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FARINHA DE TAPIOCA

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MANIVA

MANIÇOBA - ESPÉCIE DE FEIJOADA PARAENSE (FEITO COM A FOLHA DA MANDIOCA)

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BIOFILMES OU BIOPOLÍMEROS As mudanças nos hábitos alimentares e a falta de tempo no dia a dia de quem vive nas grandes cidades, além da busca por um consumo sem desperdícios, têm provocado aumento nos estudos sobre alimentos frescos que possam durar mais tempo na prateleira ou na geladeira. As novidades estão surgindo na forma de embalagens dotadas de biofilmes biodegradáveis e coberturas comestíveis que estão ganhando forma na Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Nos grupos de pesquisa das professoras Miriam Dupas Hubinger e Florência Cecilia Menegalli o desafio é conseguir embalagens baratas, práticas e não poluentes, além de fáceis de produzir. Desde 2000, o grupo de Florência se volta para o desenvolvimento de embalagens biodegradáveis e coberturas comestíveis para frutas secas. Miriam e suas orientandas especializaram-se em coberturas para frutas frescas e hortaliças, os chamados produtos minimamente processados. “Nossas coberturas aliam dois benefícios: a praticidade para quem vai consumir, já que a fruta está prontinha, descascada e cortada, e o aspecto saudável do alimento”, diz Miriam. Ela explica que suas coberturas funcionam como uma barreira, conservando a água e os sais minerais da fruta, protegendo-a de microrganismos e do contato com o ar. Simplicidade foi uma das razões que levaram Miriam a trabalhar com coberturas à base de farinha de fécula de mandioca na forma de gel. A concentração desse material para formar uma cobertura é menor do que a usada para fazer um filme sólido, semelhante ao plástico, que necessita da adição de agentes plastificantes para ficar flexível. “Privilegiamos o custo, a disponibilidade e a facilidade no preparo da cobertura, em uma farinha que se gelatiniza a baixas concentrações e não altera o sabor dos alimentos”, explica Miriam. “As coberturas precisam ter resistência ao oxigênio do ar, ao vapor de água e a microrganismos, sem esquecer o principal: a aceitação sensorial do consumidor.” Somada aos polissacarídeos da farinha, que é a base da cobertura, a professora utiliza uma mistura de dois componentes naturais, o ácido cítrico, encontrado na laranja, por exemplo, e o ácido ascórbico (vitamina C). Eles são adicionados antes de mergulhar a fruta na cobertura, inibindo a atividade enzimática, um dos fatores que levam ao escurecimento do alimento em contato com o ar. Depois o alimento é deixado para escoar o líquido em temperatura ambiente. A solução de cobertura de fécula de mandioca cria uma barreira com baixa permeabilidade do oxigênio do ar, mas não protege o produto do vapor d’água, presente na atmosfera. O recurso encontrado para proteger o alimento foi a produção de coberturas emulsionadas ou em camada dupla que mistura a farinha de mandioca com lipídeos como, por exemplo, cera de carnaúba ou de abelha. Os resultados oriundos dessa estratégia foram animadores. Atividade correta O morango coberto com fécula de mandioca, sem nenhum agente antimicrobiano, durou 12 dias, quando o normal são cinco. No caso do abacaxi sem casca, que normalmente tem uma vida de prateleira de quatro dias, a sobrevida também foi em torno de 12 dias. A manga cortada, coberta com cobertura de mandioca, chegou a resistir 15 dias. O normal é escurecer em dois dias apenas. Marcela Chiumarelli, aluna que colaborou no estudo das coberturas, explica que “o manuseio de produtos minimamente processados

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ainda é recente no país, e muitos mercados e atacadões não realizam a atividade corretamente”. Florência e seu grupo estão testando várias composições para a produção laboratorial de biofilmes eficientes para diferentes funções como resistência, flexibilidade e comestível. Entre os ingredientes utilizados estão fontes não convencionais para a produção de farinha e amido de cereais como o amaranto, originário da região dos Andes, na América do Sul, e mais recentemente de banana, em um filme reforçado por nanofibras de celulose obtidas da casca da própria fruta, além do uso de nanocompostos com base na montmorilonita, uma argila mineral presente no subsolo de algumas regiões de Minas Gerais. Do amido de quinoa, uma planta também nativa dos Andes, foram produzidos filmes incolores com reduzida solubilidade em água. A professora esclarece que as experiências com nanocompostos são as mais recentes e complexas. “Usamos a própria farinha da banana e do biri, que é uma planta ornamental. Isolamos os biopolímeros e fizemos a produção de uma fibra celulósica dos resíduos. A microfibra feita de nanopartículas deixa o filme menos permeável, menos solúvel”, diz Florência. Esse produto, no entanto, vai levar mais tempo para chegar ao consumidor. “Não podemos buscar acordos comerciais porque precisamos primeiro observar qual é o efeito no homem da ingestão de nanopartículas.” Outro estudo do grupo é na área de coberturas de frutos secos com biopolímeros que são aplicados antes da secagem. Já foram testados em carambola, figo e caqui. No âmbito comercial, nos Estados Unidos, a empresa Nature Seal produz coberturas comestíveis que, aplicadas à superfície de frutas e hortaliças, mantêm, por exemplo, maçãs em pedaços com coloração clara, sem perder sabor e vitaminas por mais de 10 dias. Os trabalhos do grupo de Miriam, precisamente a pesquisa com morangos, chamou a atenção de uma importante cadeia de lanchonetes dos Estados Unidos e de uma grande empresa da Bélgica que comercializa cerejas, framboesas e mirtilos. Um mercado bilionário está se formando porque lanchonetes como McDonald’s, Burger King, Wendy's e Jack in the Box tornaram seus cardápios mais verdes, adicionando saladas e frutas frescas ao menu. O que as coloca entre potenciais consumidores de biofilmes.

NOTA: Além do Biopolímeros, outras tecnologias devem revolucionar o mercado até o final da década:

1- A impressora 3D, imagina poder imprimir seu próprio material de trabalho ?

2- O grafeno, substânica recentemente descoberta que vem mostrando uma grande versatilidade, desde a filtração de água imprópria para o consumo como a destilação através de filtros. É bom lembrar que a menos de duas décadas, a nanotecnologia era vista como algo futurista, e hoje várias empresas de bebidas no mundo tem algum tipo de tecnologia NANO aplicada a sua produção. .

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Arqueologia

PARQUE NACIONAL SERRA DA CAPIVARA

Há quatro décadas, arqueólogos descobriam, no sudeste do Piauí, um

patrimônio que, até hoje, ainda não foi totalmente descoberto. A cada ano, as

pesquisas, que desde 1992 são ininterruptas, permitem a descoberta de novos

sítios arqueológicos, novas espécies de animais, de plantas e monumentos

geológicos de grande beleza. Inicialmente financiadas pela França, essas

pesquisas recebem também, desde a década de 1990, financiamento do

governo federal brasileiro.

Em 1978, após meses de trabalho de campo, os pesquisadores enviaram a

Brasília um relatório mostrando a importância da região, não somente para o

conhecimento da Pré-História do Brasil, como também para a preservação da

caatinga e de um ambiente bem conservado. O governo federal, em 1979,

criou o Parque Nacional Serra da Capivara, mas nenhum funcionário foi

nomeado para se ocupar da unidade de conservação e não foram alocados

recursos para sua proteção.

Em razão do estado de abandono do Parque, os pesquisadores da Missão

Franco-brasileira do Piauí criaram a Fundação Museu do Homem Americano –

Fumdham que, desde então, luta para proteger o Parque e promover o

desenvolvimento econômico e social da região.

Em 1991, a Unesco declarou a Serra da Capivara Patrimônio Cultural da

Humanidade e, a partir dessa data, a Fumdham, a pedido do governo federal,

assumiu a responsabilidade de proteger e manter esse Patrimônio.

Durante esses anos, a Fumdham conseguiu manter a infraestrutura que

construiu no Parque para permitir o desenvolvimento do turismo, a proteção à

fauna e, sobretudo, a proteção e conservação dos sítios com arte rupestre.

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MUSEU DO HOMEM AMERICANO

A exposição está baseada nos resultados obtidos em 39 anos de pesquisas realizadas na região do Parque Nacional.

Atualizada regularmente, integra as novas descobertas locais e novos dados relacionados com a origem do homem e o povoamento das Américas, provenientes de pesquisas internacionais.

A história do Homem, desde há 100.000 anos, até o momento da chegada do colonizador branco é retratada na exposição.

O Museu é indescritível! Somente visitando-o é que se pode compreender a importância das pesquisas realizadas na Serra da Capivara!

Entrada Interna do Museu

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Museu Virtual

Detalhe da exposição de vestígios orgânicos.

Exposição de Ferramentas Líticas do homem pré-histórico.

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O sol do meio dia produz um calor desumano. Faz quase um ano que não cai

sequer uma gota de chuva no sul do Piauí, uma das mais secas regiões do

Brasil. Sigo os passos do arqueólogo francês Eric Boëda, enquanto enxugo o

suor que escorre pelo meu rosto. Após quatro semanas de trabalho duro com

picaretas, pás e pincéis, durante esse causticante julho de 2012, a missão que

acompanho alcança seu último dia de campo.

Estamos no sítio Vale da Pedra Furada, no Parque Nacional da Serra da

Capivara, em um buraco de 30 metros quadrados que pode chegar à

profundidade de 5 metros. Descemos ao local mais fundo, uma área coberta

com lonas azuis. Cheio de cuidado, Boëda retira os lastros que prendem o

plástico ao chão e expõe um tesouro produzido durante a pré-história do

homem.

Um círculo irregular de pedras está semienterrado no chão de arenito pardo.

Com um brilho nos olhos azul-claros e um sorriso no meio da volumosa barba,

Boëda pergunta a mim, em um inglês cheio de sotaque parisiense: “Vê as

partes escuras? É carvão. Junto a essas rochas dispostas desse jeito? Tudo

isso é uma fogueira”. Ao redor, foram encontradas pedras lascadas. “Enfim”,

diz o arqueólogo, “estamos em um sítio que reúne evidências importantes de

que tenha mais de 22 mil anos. Era isso o que procurávamos. Estava bem na

nossa frente”, arremata.

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Mas por que pararam nesse ponto? Por que não escavaram toda a fogueira?

Por que o trabalho foi interrompido diante de uma nova evidência de que a

região talvez seja uma das mais antigas moradas do homem americano? A

explicação de Boëda a minhas dúvidas traria novas camadas de complexidade

às questões centrais do enigma do povoamento das Américas.

A localização do sítio Vale da Pedra Furada é estratégica. Essa região agreste

foi parte da fronteira entre Mata Atlântica e Floresta Amazônica, até que há 10

mil anos uma grande seca transformou tudo em Cerrado e Caatinga. Quase

tudo: a mata relictual nos boqueirões da Serra da Capivara se compõe de

árvores tropicais, que sobrevivem graças à umidade entre as pedras. Na Toca

do Boqueirão da Pedra Furada, o mais famoso ponto de visitação do parque,

uma longa passarela de metal permite a apreciação de mais de mil pinturas

rupestres. Abaixo da estrutura fica um enorme vão, que evidencia os 400

metros quadrados de escavação ocorrida ali. “O lugar tem um ar refrescante

comparado ao calor ao redor. A presença da água e a beleza das formações

areníticas avermelhadas, formando colunas, justificam seu uso como um centro

cerimonial em diversos períodos”, explica a arqueóloga Gabriela Martin no

livro Pré-história do Nordeste do Brasil.

Homens pré-históricos viveram no sudeste do Piauí por milhares de anos.

Grupos atravessavam a floresta tropical em direção aos paredões e

cânions da serra, onde pernoitavam e faziam pinturas e cerimônias. A

área era repleta de abrigos, alguns próximos a fontes de água, e a mata

abrigava em torno de 70 espécies de mamíferos - Ilustração: Alexandre

Jubran

Ao percorrer esse museu ao ar livre, pode-se ver em detalhes artes de

múltiplas cores: amarelo, branco, cinza, preto, vermelho. Duas tradições de

pintura predominam: Nordeste e Agreste, correspondentes a grupos étnicos

com técnicas, temáticas rupestres e épocas de vida diferentes no decorrer de

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longos milênios da pré-história. Alguns grafismos são pequenos, de traços

finos, feitos na altura da mão. Outras pinturas, maiores, preenchidas com tintas

claras e escuras, alternam seus tons por meio de um sofisticado uso de

máscaras. Outras artes foram feitas em locais altos, de difícil acesso, a 12 metros do solo. Os desenhos, tão humanos, geram um sentimento de déjà vu.

Os temas trazem à tona caçadas, animais extintos (como as capivaras, que

dão nome ao parque), guerras, homens e mulheres, sexo em grupo, cerimônias

de êxtase, luta, seres antropomorfos, dança e até um beijo.

A complexidade dos painéis é única no mundo “e constitui um acervo imagético

diversificado e mais numeroso que todos os sítios da região franco-cantábrica”,

diz a antropóloga Anne-Marie Pessis, comparando a Capivara com as famosas

pinturas encontradas em Lascaux, na França, e Altamira, na Espanha. As

pinturas do Piauí impressionam ainda mais por estarem em um local rodeado

por pedras descomunais. O conjunto se assemelha a um anfiteatro esculpido

em rocha.

O BPF, sigla pela qual o boqueirão é classificado pelos pesquisadores, é

cenário de uma antiga e tinhosa polêmica arqueológica. Em uma escavação

feita entre 1978 e 1988, pela arqueóloga brasileira Niéde Guidon, foram

achadas centenas de seixos lascados, estruturas de pedras (leia-se antigas

fogueiras) e dezenas de carvões. Algumas amostras foram datadas, pela

técnica do carbono 14 (radiocarbono), entre 6 e 48 mil anos de idade. Durante

quatro anos, de 1987 a 1990, o arqueólogo italiano Fabio Parenti buscou

comprovar a veracidade da origem dos seixos encontrados no BPF. Ele

analisou 2 mil amostras de seixos, catalogou 595 delas como antrópicas e

agrupou 46 datações de radiocarbono em fases cronoculturais, de 5 mil anos a

50 mil anos antes do presente (ou BP, before the present, sigla usual no meio),

associando períodos de tempo a ocupações e suas respectivas tecnologias de

lascamento de pedra e elaboração de ferramentas. A conclusão de Parenti foi

que ali havia seixos em que a forma de lascamento evidenciava uma intenção,

um modo de pensar – considerando não apenas uma origem humana para eles

mas também propondo que o homem esteve na Pedra Furada por dezenas de

milhares de anos, de forma quase contínua.

Na edição de dezembro de 1994 do jornal acadêmico inglês Antiquity, os

arqueólogos americanos David Meltzer, James Adovasio e Tom Dillehay,

depois de visitar os sítios brasileiros, não reconheceram a civilização pré-

histórica do Piauí. Quase dez anos depois, outro artigo, na revista Pergamon,

também gerou controvérsia. Na análise dos seixos de quartzo queimados da

Toca do Boqueirão da Pedra Furada, a idade recuou mais ainda no tempo e

ficou entre 30 e 103 mil anos BP. Mas a equipe de pesquisadores concluiu que

as evidências da ligação desses seixos a atividades humanas não eram

seguras. “As datações obtidas para a fase cronocultural do Holoceno (entre 5 e

10 mil anos de idade) são bem aceitas. O mesmo não se pode dizer para as

datações pleistocênicas (acima de 12 mil anos), que são as mais antigas da

América. O que se questiona não são os resultados da datação, mas a origem

antrópica dos carvões e das peças associadas”, foi descrito.

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Uma teoria aceita de forma irrestrita até o início deste século diz que o homem

entrou nas Américas pelo Alasca, vindo da Ásia, por meio do estreito de Bering,

no finalzinho da última Era do Gelo, ocorrida de 110 mil a 10 mil anos antes do

presente. Essa teoria, da década de 1950, teve como base as descobertas

feitas pelo arqueólogo americano Ridgley Whiteman, em 1929, nas

proximidades da cidade de Clóvis, no Novo México, Estados Unidos. O

conjunto de artefatos dali – pedras lascadas, utensílios, esqueletos de animais

– foi catalogado como cultura Clóvis e sua datação, de 11,4 mil anos, foi

estabelecida como a mais antiga presença humana no Novo Mundo. Ainda

segundo a consagrada teoria, a América teria sido um dos últimos destinos

migratórios do Homo sapiens, que teria povoado o continente vindo do norte

para o sul.

Para o francês Antoine Lourdeau, professor de arqueologia na Universidade

Federal de Pernambuco (UFPE), “a teoria Clóvis representou a quebra de um

dogma conservador”. Até sua descoberta, a ocupação do continente era datada

entre 4 e 5 mil anos BP. “A América ganhou antiguidade com a teoria de

ocupação humana pela Beríngia”, diz. “O que procuramos hoje é avançar essa

fronteira da ciência, checar novos lugares e achar outros indícios que

comprovem ou alterem a idade da povoação”, conta Lourdeau, enquanto

caminha ao meu lado entre os sítios Toca da Pena e Toca da Tira Peia. Esse

último, pesquisado pela física Christelle Lahaye, da Universidade Michel de

Montaigne, na cidade francesa de Bordeaux, registrou uma datação além da

fronteira Clóvis, entre 4 e 22 mil anos. O estudo dos achados foi publicado em

2013 no periódico Journal of Archaeological Science.

Informações controversas para a cronologia da ocupação das Américas não

são uma novidade. Desde o final dos anos 1960, novas descobertas, em

diversos pontos do território, trouxeram à superfície dados divergentes da

teoria Clóvis. Datações mais antigas foram registradas do México à Patagônia.

O sítio de Monte Verde, no Chile, explorado pelo arqueólogo americano Tom

Dillehay e pelo geólogo chileno Mario Pino entre 1977 e 1989, foi datado em 12

500 BP. Anos depois, Pino encontrou artefatos humanos mais ao sul, com

datações que chegam a 33 mil BP. Há outros sítios relevantes na Colômbia, no

Peru e no Brasil, como Santa Elina, no Mato Grosso, e Lagoa Santa, em Minas

Gerais. Entretanto, para uma parte influente da comunidade científica, tais

sítios são considerados incompletos. O mesmo se passa com o conjunto de

artefatos da Capivara, cuja datação é comprovada, mas cuja origem humana é

vista com incredulidade. De modo geral, a grande discussão sobre a ocupação

das Américas resume-se em descobrir se isso não ocorreu antes do fim da

última glaciação, há 12 mil anos. Será possível que o homem já caminhasse

por essas bandas há mais de 50 mil anos? Afinal de contas, como ele veio para

cá?

Alguns arqueólogos trabalham com a hipótese de a América ter sido ocupada

por caminhos diferentes, porém simultâneos. A hipótese de Niéde Guidon é

que os homens do Piauí podem ter vindo da África. Ela acredita que há

dezenas de milhares de anos o nível do mar seria de 100 a 120 metros mais

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baixo do que o atual. “De forma acidental, aos poucos, de corrente em

corrente, ilha em ilha, o homem teria achado um caminho da África para o

Brasil”, diz. Outra hipótese seria a vinda do homem via Pacífico, pelo sul da

América, também por meio de uma combinação de navegações ousadas,

ventos e marés favoráveis. Há a ideia de uma viagem pela Groenlândia, pela

costa do Atlântico. Se usou Bering, esse ancestral veio para a América antes

do período glacial, há 100 mil anos, e teria, pouco a pouco, explorado o

continente. Boëda, por sua vez, questiona a teoria Clóvis: “Não tem lógica o

homem ter atravessado o estreito de Bering há 12 mil anos e, logo depois, em

um período máximo de mil anos, estar presente em todo o continente. Para que

tanta pressa para andar uma distância tão grande?”

Em busca de tantos elos perdidos, aporto em São Raimundo Nonato, a 30

quilômetros do Parque Nacional da Serra da Capivara, após longas horas de

voo e estradas esburacadas. Meu anfitrião nessa jornada é o fotógrafo André

Pessoa, que vive aqui de forma intermitente há mais de duas décadas. Chego

em um momento em que posso entender o significado da palavra caatinga – as

árvores estão tão secas que os seus galhos retorcidos ficaram esbranquiçados

(caatinga significa “mata branca” em tupi).

Com o isolamento e o calor abrasivo, apenas a cultura da maniçoba e a

pecuária conseguiram movimentar a economia da cidade até os meados de

1970. Hoje, São Raimundo é um centro comercial regional movimentado. A

região abriga enorme biodiversidade e foi cenário de lutas contra o tráfico e a

caça comercial de animais silvestres, prática que dizimou, por exemplo, uma

espécie antes comum, o tatu-canastra.

A Toca da Entrada do Pajaú foi um dos primeiros sítios descobertos na

região, em 1973. O lugar é um abrigo natural, onde despontam várias

pinturas rupestres no paredão de arenito. Fogueiras e pedras lascadas

achadas ali foram datadas em quase 7 mil anos - Foto: André Pessoa

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O acesso à cidade de 32 mil habitantes melhorou há um ano, com a

pavimentação de alguns trechos de estrada. Mesmo assim, para percorrer a

distância de 525 quilômetros até Teresina, são necessárias oito horas de

cuidados ao volante. Enquanto isso, a obra do aeroporto teima em ser motivo

de promessas políticas há pelo menos 15 anos. “Todo ano vai sair, e todo ano

não sai”, reclama Niéde Guidon, que trabalha na região há 40 anos e há 20

preside a Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham).

O relógio ainda não alcançou a marca das 7 da manhã, e sigo com Niéde

enquanto ela busca, ao lado de uma pesquisadora portuguesa da Universidade

de São Paulo, autorização para escavar em uma lagoa seca. Descendente de

franceses, a paulista de Jaú, que já passou dos 80 anos, tem mais fôlego que

uma tropa de jovens pesquisadores. Niéde foi uma das criadoras da Fumdham,

em 1988, e é a responsável por atrair financiamentos, pois a fundação não

recebe subsídios diretos do governo federal. A instituição tem como objetivo a

preservação do parque nacional e emprega quase 140 funcionários. Um

museu, seis laboratórios de pesquisa, uma biblioteca, um centro cultural e um

campus universitário formam um sistema interligado de estudos, pesquisas,

trabalho e documentação. Para conhecer os laboratórios, requisite o

acompanhamento de um dos 25 técnicos da fundação e ele irá lhe apresentar

as unidades de cerâmica, lítica e de paleontologia. Você verá a colagem de

micropartes de urnas funerárias, a meticulosa separação de milhares de seixos

lascados e a catalogação de presas de mastodontes, entre outros restos de

paleoanimais.

Na época em que Niéde aportou na região, não havia sequer a suspeita de que

o sul do Piauí pudesse abrigar tradições de pinturas rupestres e uma indústria

lítica tão característica, com seis fases cronoculturais de ocupação pré-

histórica. A destruição de sítios prosperava, sem nenhuma fiscalização, sob a

ameaça de exploradores de calcário e da própria população, que desconhecia

seu valor. Niéde arregaçou as mangas. Peitou os caçadores que invadiam as

áreas preservadas e ficou conhecida pelo ritmo incansável de trabalho, com

pesquisas de campo que duravam mais de 30 dias, sem local para banho e

com a toalete improvisada atrás de mandacarus frondosos.

O verdadeiro ineditismo das pesquisas de Niéde não veio da localização

inóspita dos sítios, mas da forma como ela escavou cada um deles. “Niéde

sempre cavou até o fundo do terreno, até atingir a rocha, em uma época em

que só se escavava até a profundidade estratigráfica de 11 mil anos. Ir além

disso era considerado desnecessário. Afinal, esse era o limite da ocupação

humana do continente – um verdadeiro tabu, que ela extrapolou em dezenas

de escavações”, conta a arqueóloga Gisele Daltrini Felice.

Niéde abriu a primeira área de escavação em 1978. Anos depois, após muitas

análises de amostras, ela compartilhou a perplexidade de suas descobertas em

uma edição da revista inglesa Nature de 1986. O artigo dizia: “A visão de que o

homem não chegara à América antes da última glaciação tinha sido sustentada

pelo fato de que os sítios não eram, até então, muito antigos. Mas agora nós

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informamos que uma datação, feita pela técnica do carbono 14, de um sítio

brasileiro, estipula que o homem vive na América do Sul há pelo menos 32 mil

anos BP”. A repercussão foi ríspida e o artigo não foi aceito por grande parte

da comunidade científica americana. “Levantaram vários argumentos contra a

teoria. Primeiro, as pedras achadas no local poderiam ter sido lascadas de

forma natural, enquanto caíam de cima do boqueirão até o solo. Segundo, as

fogueiras poderiam ter sido originadas em um incêndio causado por um raio.

Por fim, a comunidade esperava mais e mais publicações a respeito. De

qualquer forma, foi com essas críticas que nasceram outras pesquisas”,

explica.

Gisele buscou responder a uma das críticas: a das fogueiras. Rastreou a área

da Pedra Furada em busca de marcas e rastros de possíveis incêndios – que

seriam a explicação natural, segundo dúvidas de pesquisadores, para o grande

número de fogueiras achadas nas entranhas do boqueirão. No final da década

de 1990 e início dos anos 2000, abriu escavações para todos os lados ao redor

do BPF. Em cada trincheira, escavou até a rocha, ultrapassando milhares e

milhares de anos de camadas de sedimentos. Um dos sítios abertos por ela é o

Vale da Pedra Furada, onde encontrou artefatos antrópicos de até 18 mil anos

BP. A pesquisa segue com Eric Boëda. Gisele, durante todo o estudo, não

encontrou, em nenhum dos níveis, carvão. Se tivesse havido um incêndio

natural no lugar, era de esperar que existissem muitos carvões espalhados de

forma aleatória. “Para os carvões encontrados no BPF, sobrou apenas uma

explicação: eles pertenceram a fogueiras humanas”, comenta.

Igualmente instigantes são as pesquisas paleontológicas que ocorrem fora dos

limites do parque, em lagoas e cavernas. A razão é a natureza geológica do

terreno: no parque, o arenito predominante corrói os fósseis após 6 mil anos.

Já o terreno calcário e as lagoas, abundantes fora dos limites da serra,

conservam os ossos.

Franceses, o paleontólogo Claude Guerin e a arqueóloga Martine Faure

trabalham no Piauí há 25 anos. Ambos moram em Lyon e lecionam na

Université Claude Bernard Lyon 1 e na Université Lumière-Lyon 2. Nesse longo

tempo, escavaram dez sítios e acumulam 8 mil fósseis analisados e

identificados. São os únicos, além da arqueóloga Marguerite Hugueney, que

têm estudado mamíferos fósseis na Serra da Capivara. “Quando chegamos

aqui, vimos que a região era um celeiro de novas frentes de trabalho”, diz

Claude, cheio de entusiasmo do alto dos seus 73 anos.

Seguimos juntos pela rodovia BR-020 até o sítio Toca de Cima dos Pilão.

Nosso objetivo é visitar uma caverna calcária em que vários ossos antigos de

animais foram encontrados. Dentro da gruta escura, mal posso ver onde estou

pisando. Claude me guia até o limite de uma queda de 12 metros. Ele se curva

e analisa o acentuado declive, enquanto quer que eu veja onde estavam as

presas de tigre-de-dente-de-sabre, ossos de preguiças-gigantes e esqueletos

de homens. Teriam eles vivido aqui na mesma época?

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Este crânio, encontrado no sítio arqueológico Toca do Gongo I, tem 2,1

mil anos. O terreno arenítico corrói fósseis após 6 mil anos. Porém, em

maciços calcários, já foram achados esqueletos com datações mais

antigas - Foto: André Pessoa

Algumas análises ainda estão no início. “Em 2011, achamos pela primeira vez

um fragmento de mandíbula de capivara. O mesmo aconteceu com a ema.

Mesmo com muitos desenhos nas pedras, só achamos um osso da ave, há

quatro anos”, diz Martine. Pergunto a eles se, após todos esses anos de

pesquisa, eles estão próximos de compreender as correlações entre o homem

e a paleofauna. “Do que se pode ter certeza é que os homens que viviam por

aqui eram caçadores de primeira. Em uma só escavação, achamos em uma

sepultura coletiva, ao lado de esqueletos humanos, um colar com 600 caninos

de raposa, outro com um adorno de osso de veado e mais um com pingentes

de caninos de onça”, diz.

Deixamos a gruta e caminhamos até a beirada da escarpa. Em nosso caminho,

uma mata fechada com urtigas, xique-xiques e bromélias, da mesma espécie

que há 15 mil anos também atrapalhava outra caminhada, a do rei da pré-

história. “Daqui, o tigre-de-dente-de-sabre podia ver tudo”, comenta Claude,

enquanto apreciamos a vista: um extenso vale, que se prolonga até as

reentrâncias do parque nacional, alguns quilômetros à frente. “Pode-se dizer

que os mamíferos e os grandes animais permaneciam todos na área abaixo. E

o homem ficava lá do outro lado, onde podia se abrigar e sair para caçar. Na

época, havia 70 espécies de mamíferos, embora os homens do Pleistoceno

não tivessem os meios para caçar os grandes animais da megafauna, como o

mastodonte, a preguiça-gigante, o toxodonte e o tigre-de-dente-de-sabre”,

complementa.

Claude e Martine sentenciaram que o tigre e o homem habitaram a gruta em

épocas separadas. “Depois da extinção do felino, o homem passou a habitar

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essa caverna. Homem e paleofauna podem ter vivido juntos, mas ainda

buscamos comprovações mais sólidas”, diz Martine, que, ao lado de Claude,

batizou em 2013 a terceira espécie de mamífero de grande porte encontrada

ali, o Piauhytherium capivarae.

Caminho pelo fundo ressequido da Lagoa dos Porcos, no município de São

Lourenço do Piauí, uma área rural no caminho que segue até a Bahia. Em seu

entorno, observo o esqueleto de um jumento, distante 800 metros da área de

escavação. Terá sido dessa mesma maneira que muitos animais morreram por

aqui na pré-história? A lagoa não por acaso foi escolhida por Niéde Guidon e

Gisele Daltrini Felice. Após tantos anos de pesquisa, Niéde resolveu intensificar

as escavações em sítios naturais fora dos limites do parque nacional para

elaborar um mapa hidrográfico da pré-história. “O rio Piauí, que dá nome ao

estado, tem 40 metros de largura em seu trecho mais largo, mas já teve mais

de 1 quilômetro. Ao saber o caminho e a extensão do antigo curso dele,

poderemos achar e mapear mais sítios, pois o homem buscava abrigos

protegidos próximos a uma fonte de água”, diz.

Se tudo na região está ligado à importância de comprovar a antiguidade da

habitação humana, por quê, afinal, Eric Boëda não escavou toda a fogueira que

encontrou no sítio do Vale da Pedra Furada? Ela pode indicar que o

povoamento das Américas começou antes do que se acredita?

Sob a chefia de Boëda desde 2008, a Missão Franco-Brasileira veio seis vezes

ao Piauí com o objetivo de encontrar evidências que ajudem a elucidar o

quebra-cabeça que um dia irá contar como foi a ocupação do homem não só

na região mas também em toda a América e no mundo – Boëda coordena

pesquisas na Síria, na China e na Coreia do Sul. “Toda uma cultura pré-

histórica pode ser compreendida por esses cortes nos seixos, pelos quais

entendemos a utilidade e os movimentos que o homem fazia ao segurá-los.

Não preciso do cadáver, mas de sua obra, pela qual posso entender como ele

pensava”, enfatiza.

“Há diferentes técnicas de lascamento e soluções na criação de ferramentas na

América do Sul. No Nordeste do Brasil, encontra-se uma solução intermediária:

é feita uma grande lasca na pedra e depois ela é modificada em uma solução

múltipla. As ferramentas, assim, servem para muitas coisas – um dos lados

como raspador e os outros como facas”, ele explica.

Boëda refuta o pragmatismo de reduzir uma cultura lítica a um desenho ou

símbolo. O que importa para ele é que se entenda que a região da Capivara

apresenta uma especificidade única no mundo. “O que podemos analisar é por

onde o homem pré-histórico esteve e por quanto tempo. Por aqui, deixou traços

por uma larga área geográfica, por milhares e milhares de anos. Tinham uma

tecnologia avançada, inteligente, que com poucos movimentos produzia

ferramentas”, diz.

Escuto o argumento de Boëda com toda a atenção. “Quero que outro

especialista faça a análise final. Que veja a camada estratigráfica nítida. Que

se depare com a camada de carvões, que indica uma distribuição antrópica de

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pedras e carvões. Se eu escavasse a fogueira inteira, iriam me perguntar todas

essas questões e questionariam meu trabalho. Eu posso entender a

incredulidade. Por isso mesmo, quero fazer o oposto. Eu quero fazer a

pergunta: como aquela fogueira foi parar ali?”, diz. O especialista convidado

para a tarefa é o geólogo Mario Pino, da Universidade Sul do Chile.

Se há um consenso nos controversos estudos sobre a pré-história das

Américas, ele se manifesta como um admirável e cuidadoso critério, por parte

dos pesquisadores, para discutir e analisar a ciência de forma sólida. “Se um

dia a cultura da Serra da Capivara de fato for considerada como a mais antiga

do continente, isso não será motivo de comemoração, mas apenas tema para

novas e intrigantes perguntas. De certa forma, o questionamento não irá parar

nunca. Ainda temos muito o que descobrir”, comenta Gisele Daltrini Felice.

Com informações ainda escondidas sobre camadas de arenito, pedras e

sedimentos do Piauí, a origem do homem nas Américas já deu mostras de que

não tem pressa em ser desvelada.

Vaso Indígena do Século 10

Relíquia encontrada em sítio arqueológico. Vaso indígena do século 10 feito de cerâmica e pintado com óxido de ferro, um mineral comum na região. Os estudos dos arqueólogos apontam que ele era usado em rituais indígenas, como a preparação de bebidas fermentadas. Material encontrado no Rio Madeira, território que antes era seco, mas hoje virou reservatório da USINA DE SANTO ANTÔNIO.

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NOTA: Datação por Carbono 14

Você já deve ter visto ou lido notícias sobre artefatos antigos fascinantes: em

uma escavação arqueológica, um pedaço de ferramenta feita de madeira é

encontrado e o arqueólogo descobre que ele tem 5 mil anos de idade. A múmia

de uma criança é encontrada no alto dos Andes e um arqueólogo diz que a

criança viveu há mais de 2 mil anos. Mas como os cientistas sabem a idade de

um objeto ou de restos humanos? Que métodos eles usam e como é que

esses métodos funcionam?

A datação por carbono 14 é uma maneira de determinar a idade de certos

artefatos arqueológicos de origem biológica com até 50 mil anos. Ela é usada

para datar objetos como ossos, tecidos, madeira e fibras de plantas usados em

atividades humanas no passado relativamente recente.

Todos os dias, raios cósmicos entram na atmosfera terrestre em grandes

quantidades. Para se ter um exemplo, cada pessoa é atingida por cerca de

meio milhão de raios cósmicos a cada hora. Não é nada raro um raio cósmico

colidir em outro átomo na atmosfera e criar um raio cósmico secundário na

forma de um nêutron energizado, e que esses nêutrons energizados, por sua

vez, acabem colidindo com átomos de nitrogênio. Quando o nêutron colide, um

átomo de nitrogênio 14 (com sete prótons e sete nêutrons) se transforma em

um átomo de carbono 14 (seis prótons e oito nêutrons) e um átomo de

hidrogênio (um próton e nenhum nêutron). O carbono 14 é radioativo e tem

meia-vida de cerca de 5.700 anos.

Carbono 14 nos seres vivos

Os átomos de carbono 14 criados por raios cósmicos combinam-se com

oxigênio para formar dióxido de carbono, que as plantas absorvem

naturalmente e incorporam a suas fibras por meio da fotossíntese. Como os

animais e humanos comem plantas, acabam ingerindo o carbono 14 também.

A relação de carbono normal (carbono 12) pela de carbono 14 no ar e em todos

os seres vivos mantém-se constante durante quase todo o tempo. Talvez um

em cada trilhão de átomos de carbono seja um átomo de carbono 14. Os

átomos de carbono 14 estão sempre decaindo, mas são substituídos por novos

átomos de carbono 14, sempre em uma taxa constante. Nesse momento, seu

corpo tem uma certa porcentagem de átomos de carbono 14 nele, e todas as

plantas e animais vivos têm a mesma porcentagem que você.

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Vestígios da Presença Holandesa em Icapuí– Ceará

Vestígios da Presença Holandesa em Icapuí– Ceará

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Arqueologia Biomolecular

"Bebo, logo existo." A frase, subtítulo do primeiro capítulo de

"UncorkingthePast" (algo como "Destampando o Passado", ainda inédito no

Brasil), novo livro do cientista biomolecular americano Patrick McGovern, deixa

clara a tese da obra. O segundo livro do pesquisador da Universidade da

Pensilvânia revela detalhes da milenar relação entre a espécie humana e o

álcool, alterador de humor presente em praticamente todas as grandes

civilizações do assado e do presente. Para McGovern, somos tão naturalmente

ligados à substância química que até mesmo nosso nome científico deveria ser

revisto, passando de Homo sapiens para Homo imbibens. "Ao redor do mundo

e desde os tempos mais remotos, os humanos tomam bebidas alcoólicas. Elas

já foram usadas como remédios e lubrificantes sociais, além de terem sido

incorporadas em cerimônias religiosas e rituais de toda sorte", disse McGovern

à ISTOÉ.

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À frente de uma ciência relativamente nova - a arqueologia biomolecular existe

formalmente há apenas 25 anos -, McGovern atingiu o status de maior

autoridade mundial ao encontrar resquícios de uma bebida com mais de nove

mil anos de idade em um jarro achado na localidade de Jiahu, às margens do

rio Amarelo, na China. "Foi a minha descoberta mais surpreendente e

excitante. Pensava que toparíamos com algo mais antigo no Oriente Médio,

berço da civilização humana. Mas vale lembrar que os chineses faziam potes

de cerâmica desde o ano 13.000 a.C., uma técnica dominada por outros povos

apenas cinco mil anos depois", revela o cientista.

"Talvez, os mais profundos e marcantes

efeitos do álcool repercutam nos pontos mais

misteriosos e místicos do cérebro humano.

Seja nas civilizações antigas ou nas

modernas, as melhores formas de estabelecer

contato com os deuses ou nossos

antepassados é por meio da ingestão de

bebidas"

Trecho de "UncorkingthePast", livro do

arqueólogo Patrick McGovern

Segundo o novo livro, a fascinação pelos líquidos estimulou a engenhosidade

humana a buscar avanços importantes. No período neolítico, por exemplo,

nossos ancestrais foram capazes de domesticar o cultivo dos cereais para ter

matéria-prima sempre à mão. O detalhe é que, segundo McGovern, os

primeiros fazendeiros pensaram primeiro na cerveja (substituto seguro para

águas contaminadas) e depois no pão. Além disso, novas tecnologias de

armazenamento, conservação e transporte só foram criadas graças à

necessidade de manter as bebidas alcoólicas conservadas e prontas para

o uso - sejam elas o vinho de arroz chinês e japonês, os fermentados de cacau

encontrados na América Central ou a cerveja egípcia. "Sabemos que certas

civilizações também usavam tabaco, cogumelos, folhas de coca ou maconha

em certos rituais. Mas nada estava tão incorporado ao dia a dia como o álcool",

diz o pesquisador. Se você está se perguntando qual seria o paladar dessas

bebidas do passado, saiba que McGovern já tentou recriar alguma delas em

laboratório. Segundo ele, que conseguiu ajuda e auxílio tecnológico de

fabricantes contemporâneos, seus maiores êxitos são uma cerveja de

chocolate e o ChateauJiahu, já batizado de "o vinho mais antigo do mundo".

Resta saber se algum sommelier de plantão encara uma degustação.

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INOVAÇÃO

Inovação significa novidade ou renovação. A palavra é derivada do termo

latino innovatio, e se refere a uma ideia. Método ou objeto que é criado e que

pouco se parece com padrões anteriores. Hoje, a palavra inovação é mais

usada no contexto de ideias e invenções assim como a exploração econômica

relacionada, sendo que inovação é invenção que chega no mercado.

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PEDAGOGIA HISTÓRICO CRÍTICA

Pedagogia é a ciência que tem por objeto de estudo a educação, o processo de ensino e aprendizagem. O sujeito é o ser humano enquanto educando.

Da teoria a prática no contexto da Coquetelaria.

Os cinco passos que formam a didática da Pedagogia Histórico-Critica exigem do educador uma nova forma de pensar os conteúdos estes devem ser enfocados de maneira contextualizada em todas as áreas do conhecimento humano, evidenciando que este advém da história produzida pelos homens nas relações sociais de trabalho. Essa didática objetiva um equilíbrio entre teoria e prática, envolvendo os educandos em uma aprendizagem significativa dos conhecimentos científicos e políticos, para que estes sejam agentes participativos de uma sociedade democrática e de uma educação política. A seguir os passos estruturados por Gasparin (2005): 1º Passo - Prática Social Inicial - Nível de desenvolvimento atual do educando: se expressa pela prática social inicial dos conteúdos. Tem seu ponto de partida no conhecimento prévio do professor e dos educandos. É o que o professor e alunos já sabem sobre o conteúdo, no ponto de partida, em níveis diferenciados. Esse passo desenvolve-se, basicamente, em dois momentos: a) o professor anuncia aos alunos os conteúdos que serão estudados e seus respectivos objetivos; b) o professor busca conhecer os educandos através do diálogo, percebendo qual a vivência próxima e remota cotidiana desse conteúdo antes que lhe seja ensinado em sala de aula, desafiando-os para que manifestem suas curiosidades, dizendo o que gostariam de saber a mais sobre esse conteúdo. 2º Passo - Problematização: consiste na explicação dos principais problemas postos pela prática social, relacionados ao conteúdo que será tratado. Este passo desenvolve-se na realização de: a) uma breve discussão sobre esses problemas em sua relação com o conteúdo científico do programa, buscando as razões pelas quais o conteúdo deve ou precisa ser aprendido; b) em seguida, transforma-se esse conhecimento em questões, em perguntas problematizadoras levando em conta as dimensões científica, conceitual, cultural, histórica, social, política, ética, econômica, religiosa etc, conforme os aspectos sobre os quais se deseja abordar o tema, considerando-o sob múltiplos olhares. Essas dimensões do conteúdo são trabalhadas no próximo passo, o da instrumentalização. 3º Passo - Instrumentalização: Essa se expressa no trabalho do professor e dos educandos para a aprendizagem. Para isso, o professor:

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a) apresenta aos alunos através de ações docentes adequadas o conhecimento científico, formal, abstrato, conforme as dimensões escolhidas na fase anterior; os educandos, por sua vez, por meio de ações estabelecerão uma comparação mental com a vivência cotidiana que possuem desse mesmo conhecimento, a fim de se apropriar do novo conteúdo. b) Neste processo usa-se todos os recursos necessários e disponíveis para o exercício da mediação pedagógica. 4º Passo - Catarse: é a expressão elaborada de uma nova forma para entender a teoria e a prática social. Ela se realiza: a) por meio da nova síntese mental a que o educando chegou; manifesta-se através da nova postura mental unindo o cotidiano ao científico em uma nova totalidade concreta no pensamento. Neste momento o educando faz um resumo de tudo o que aprendeu, segundo as dimensões do conteúdo estudadas. É a elaboração mental do novo conceito do conteúdo; b) esta síntese se expressa através de uma avaliação oral ou escrita, formal ou informal, na qual o educando traduz tudo o que aprendeu até aquele momento, levando em consideração as dimensões sob as quais o conteúdo foi tratado. 5º Passo - Prática social final - novo nível de desenvolvimento atual do educando, consiste em assumir uma nova proposta de ação a partir do que foi aprendido. Este passo se manifesta: a) pela nova postura prática, pelas novas atitudes, novas disposições que se expressam nas intenções de como o aluno levará à prática, fora da sala de aula, os novos conhecimentos científicos; b) pelo compromisso e pelas ações que o educando se dispõe a executar em seu cotidiano pondo em efetivo exercício social o novo conteúdo cientifico adquirido. A implementação dessa didática está vinculada a uma nova forma dos educadores pensarem a educação, sendo necessário muito esforço, estudo, experimentações, coragem para inovar, divergir, arriscar e assumir desafios. Portanto, sua aplicabilidade com êxito, depende indubitavelmente do compromisso dos educadores em aprofundar seus conhecimentos teóricos e criarem condições necessárias como, nova forma de planejar e aplicar os conteúdos e as atividades em sala de aula, almejando um ensino significativo, crítico e transformador. Após concluirmos o estudo teórico, demos início ao planejamento. João Luiz Gasparin (livro Uma Didática para Pedagogia Histórico-Crítica, Campinas: Autores Associados, 2005).

NOTA: Caso queira se aprofundar no assunto, vale a pena pesquisar sobre o

trabalho do Sr. Reuven Feuerstein, criador da Teoria da Modificabilidade

Cognitiva Estrutural (MCE), a teoria da Experiência da Aprendizagem Mediada

(MLE), e o programa de Enriquecimento Instrumental (PEI). A idéia de que

inteligência pode ser desenvolvida está associada ao trabalho do Professor.

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REFERÊNCIAS

www.mma.gov.br

www.ibama.gov.br

www.fao.org.br

www.embrapa.br

www.museu-goeldi.br

www.fumdham.org.br

www.brasilcidadao.org.br

www.wikipedia.org

www.istoe.com.br

www.copa2014.gov.br

www.cerratinga.org.br

www.basilio.fundaj.gov.br

O livro negro do açúcar

www.novacana.com

www.cosan.com.br

www.onu.org.br

www.oxfam.org

www.bartendersbrasil.blogspot.com

www.eventosmkg.com.br

www.regularizacaodaprofissaodebartender.blogspot.com

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Apoie a Regularização da Profissão de Bartender

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PROJETO DE LEI

Capítulo I

Disposições preliminares e conceitos

Art. 1º Esta lei regulamenta a profissão de Bartender e dá outras providências.

Art. 2° Considera – se bartender, para efeito desta Lei, o profissional

responsável pelo preparo de drinques de alta qualidade.

1° Entende – se como preparo de drinques de alta qualidade:

I – o amplo conhecimento sobre a história e cultura das bebidas, com visão da

cadeia agroindustrial que ela representa.

II - o domínio das técnicas de degustação, processos de produção (bebidas) e

modos de preparo de drinques.

III – a produção de drinques á base de bebidas, contendo ou não bebidas

alcoólicas, frutas ou qualquer outro tipo de ingredientes legalmente

regulamentado e aceito no Brasil por meio de sua legislação sanitária.

Art. 3° A atividade profissional do bartender efetiva – se no seguinte campo de

realizações:

I – organização de carta de drinques e bebidas;

II – seleção de ingredientes e fornecedores necessários para o serviço de

drinques e bebidas;

III – orientação da estocagem das matérias – primas, de acordo com os

critérios propostos pelas normas do Ministério da Saúde;

IV – preparo dos drinques, de acordo com o que dispõe o art 2°;

V – execução do serviço de drinques e bebidas aos consumidores;

VI – promoção do consumo no ponto de venda especializado, formando a

opinião de consumidores, por meio da difusão da cultura de drinques e

bebidas.

VII – colaboração com a comercialização de produtos no ponto de venda;

VIII – organização e limpeza do espaço de trabalho

Art. 4º É proibida a atribuição de serviços de limpeza e faxina fora do local de

trabalho aos profissionais de que trata esta lei, inclusive após o término da

jornada de trabalho.

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Capítulo II

Do exercício da profissão

Art. 5º O exercício da profissão prevista nesta lei condicionam-se à

comprovação de conclusão do ensino fundamental e de curso

profissionalizante na área pretendida, devidamente reconhecido por órgão

competente, com duração mínima de 40 (quarenta) horas.

Art. 6º Poderão exercer a profissão aqueles que, independentemente da

conclusão dos cursos mencionados no artigo anterior, comprovem estar

exercendo efetivamente a profissão, á data da publicação desta Lei, há pelo

menos 2 (dois) anos.

Parágrafo único. A prova referida no caput deste artigo deverá ser feita com

base nas anotações constantes da Carteira de Trabalho e Previdência Social –

CTPS do empregado, e na falta desta, pelos meios admitidos na legislação

processual civil e trabalhista.

Art. 7º O exercício da profissão prevista nesta lei deverão ser registradas na

respectiva Delegacia Regional do Trabalho.

Parágrafo único. Para efetuar o registro previsto no caput deste artigo, o

interessado deverá comparecer na Delegacia Regional do Trabalho para

apresentar os seguintes documentos:

I – Registro Geral ou qualquer outro documento público que faça prova de

identidade;

II – Carteira de Trabalho;

III – Atestado médico comprovando que o interessado não é portador de

moléstia infecto-contagiosa;

IV – prova de quitação do serviço militar.

Art. 8º Caberá ao sindicato representante dos empregados previstos nesta lei,

bem como aos agentes de inspeção do trabalho, a fiscalização das normas

estabelecidas, devendo comunicar às Delegacias Regionais do Trabalho e ao

Ministério Público do Trabalho, qualquer irregularidade ou ilegalidade sobre a

sua atividade laboral.

Art. 9º. Caracteriza-se exercício ilegal da profissão a atividade de

bartender em desacordo com a presente lei, acarretando multa administrativa

aos empregadores que contratarem empregados sem observar as prescrições

legais.

Capítulo III

Dos direitos trabalhistas

Art. 10. Aplicam-se a profissão dispostas nesta lei, os dispositivos previstos no

Decreto-Lei nº 5452, de 1º de maio de 1943, em especial o Capítulo II, Seções

II, III, IV, V e VI; Capítulo IV, Seções I, II, III, IV e V.

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Art. 11. Fica vedado ao empregador utilizar os valores arrecadados a título de

gorjetas para o reembolso de despesas referentes aos riscos da sua atividade

empresária.

Art. 12. Fica assegurado aos bartenders o direito de fiscalizar, diariamente, o

montante dos valores recebidos a título de gorjetas.

Art. 13. Em caso de dano causado pelo empregado, o desconto será lícito

somente nos casos de dolo, desde que haja previsão em acordo ou convenção

coletiva.

Art. 14. Os estabelecimentos que atuam no setor de alimentação, fornecerão

obrigatoriamente e gratuitamente, alimentação a seus empregados, quando

estes estiverem no exercício de suas funções.

Capitulo IV

Disposições Finais

Art. 15. O poder executivo regulamentará esta lei no prazo de 180 (cento e

oitenta) dias a contar da sua publicação, em especial, sobre a competência

para exercer o poder de polícia, bem como o valor das multas administrativas a

serem aplicadas em caso de descumprimento dos preceitos aqui

estabelecidos.

Art. 16. Esta lei entra em vigor 6 meses após a data da sua publicação.

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Projeto de Lei entregue ao Senador Pimentel do Ceará

2° Encontro com o Senador Pimentel

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MODELO (Abaixo – Assinado)

Regularização da Profissão de Bartender

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Modelo de Carta para Deputados e Senadores

Excelentíssimos Deputados e Senadores Considerando que o Brasil irá sediar o Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016. Venho solicitar o apoio para a Regulamentação da Profissão de Bartender. Uma categoria com ampla amplitude, que atua em todos os rincões do nosso país, merece uma legislação específica, para delimitar as suas atribuições de maneira clara, evitando desvios de função e abusos por parte dos empregadores. Fundamental, também, porque esses profissionais atuam num ramo da economia que está em franca expansão em nosso país. Trata-se do turismo: o primeiro salto foi dado em 2003, com a criação do Ministério do Turismo. Na sequência, houve o Plano Nacional de Turismo, que estabeleceu metas para o setor. Agora há a Lei Geral do Turismo. Então, temos todas as condições para aumentar o desenvolvimento turístico do país. É um setor que gera muito emprego e renda. Atualmente mais de seis milhões de brasileiros vivem do turismo, e nós podemos aumentar esse número. É nesse contexto que os profissionais elencados neste projeto de lei ganham relevância: eles recebem turistas brasileiros e estrangeiros, ajudando na impressão que aqueles terão do nosso país. Por essa razão, estabelecemos que a formação deste profissional deve ter, no mínimo, escolaridade fundamental e curso profissionalizante na área pretendida. Além da formação, outro tema abordado refere-se às gorjetas. A consolidação das leis trabalhistas - CLT, dispõe no seu art. 457, que se considera gorjeta, tanto a cobrada na conta ou nota fiscal do estabelecimento, sobre a qual recai todos os encargos previdenciários, sociais e trabalhistas, como também aquela ofertada de forma espontânea pelo consumidor, sem que isso esteja embutido na conta. A gorjeta não é obrigatória, pois não há dispositivo legal que determine a sua cobrança. Pretende-se, portanto, que quando cobrada e paga pelo consumidor, o valor obtido pela taxa de serviço seja repassada aos funcionários do estabelecimento. Assim, o presente projeto pontua somente alguns aspectos sobre o tema. Por todos os motivos aqui expostos, peço o apoio dos nobres Deputados Federais para o apoio do presente projeto de lei. Respeitosamente. Mauricio Campos Cidadão, Contribuinte, Eleitor, Bartender e Coordenador do Projeto Pela Regulamentação da Profissão de Bartender.

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Plante seus próprios ingredientes

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Vamos desbravar esse País ?