MKG - Coquetelaria com Sabor de Brasil * 2° edição

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Livro sobre histria, curiosidades e reflexes sobre a Coquetelaria Brasileira.

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<ul><li> 1. www.eventosmkg.com.br 1 CoquetelariacomSabordeBrasil COQUETELARIA COM SABOR DE BRASIL Autor: Mauricio Campos 2014 2Edio </li></ul><p> 2. www.eventosmkg.com.br 2 CoquetelariacomSabordeBrasil MAURICIO CAMPOS Bartender desde os 18 anos, teve a oportunidade de morar em todas as regies do Brasil, passando pelos estados de So Paulo (aonde nasceu), Santa Catarina, Paran, Gois, Tocantins e Cear. Durante 10 anos de viagens pelo Pas esteve em 22 estados e mais de 560 cidades. Hoje scio da MKG Eventos e defensor assduo da coquetelaria e da profisso de Bar no Pas. Em 2012, assumiu o compromisso de lutar pela Regularizao da Profisso de Bartender, em busca de melhorias nas condies de trabalho de centenas de milhares de profissionais do setor. 3. www.eventosmkg.com.br 3 CoquetelariacomSabordeBrasil INTRODUO O ano de 2014 foi escolhido pela FAO (Organizao das naes unidas para a alimentao e agricultura) como o Ano Internacional da Agricultura Familiar. O que nos remete a reflexo sobre o uso de produtos regionais, orgnicos e sustentveis. Hoje, o Brasil o maior consumidor de agrotxicos do mundo, algo impensvel do ponto de vista da qualidade dos ingredientes que chegam a nossa mesa. E como um dos maiores produtores de alimentos do Planeta, temos a grande chance de dar o exemplo no uso sustentvel atravs da nossa diversidade. partir da Independncia do Brasil em 1822, D. Pedro I se viu obrigado a criar uma identidade cultural como fora poltica, e ao fazer isso atravs de pesquisas, ele s exps a verdade. O Brasil no tinha uma histria a no ser pela viso dos viajantes alemes, franceses, ingleses, holandeses, etc. Recentemente, novas descobertas na Serra da Capivara no municpio de So Raimundo Nonato no Piau, s comprova a falta de conhecimento sobre nossa histria. Vestgios da presena humana naquela regio datada de mais de 100.000 anos atrs, s comprova o quanto estamos longe de conhecer toda a cultura perdida, milhares de sculos antes da chegada dos Portugueses. Espero atravs desse livro, deixar minha gota de reflexo nesse oceano de conhecimento. 4. www.eventosmkg.com.br 4 CoquetelariacomSabordeBrasil Viajantes (relatos sobre o Brasil, sculos XVI a XIX) Os viajantes foram, portanto, os grandes cronistas da vida brasileira dos sculos XVI a XIX, descrevendo em suas obras aspectos da terra, da gente, dos usos e costumes do Brasil. Todas as obras citadas no texto podem ser consultadas na Biblioteca Central Blanche Knopf da Fundao Joaquim Nabuco. A presena de viajantes estrangeiros e seus relatos publicados sobre o Brasil, datam do sculo XVI. Existem mais de 260 obras, em vrias lnguas, onde os autores falam dos habitantes, vida social, usos e costumes, fauna, flora e outros aspectos da antiga colnia portuguesa, principalmente durante o sculo XIX, depois que Dom Joo VI decretou abertura dos portos brasileiros, em 1808. Com abertura dos portos houve um incremento da navegao e o consequente aumento da presena estrangeira no pas. O primeiro a narrar a histria primitiva do pas foi Pero Vaz de Caminha, em carta que enviou a D. Manoel I, Rei de Portugal, quando encontrou a Terra de Santa Cruz. Ainda do sculo XVI so tambm os relatos de Hans Staden, Viagem ao Brasil (1557) e o de Jean de Lry, Viagem terra do Brasil, (1574). Dessa grande quantidade de estrangeiros, viajantes e aventureiros (ingleses, franceses, alems, portugueses), que escreveram suas impresses e crnicas sobre o Brasil, pode-se destacar alguns que estiveram no Nordeste Brasileiro e fizeram seus relatos sobre a regio. Uma das melhores narrativas sobre o Nordeste na primeira metade do sculo XIX, a do ingls Henry Koster, que escreveu o livro Travels in Brazil, publicado em Londres, em 1816. Em 1898, foi traduzido por Antnio C. de A. Pimenta e publicado na Revista do Instituto Arqueolgico, Histrico e Geogrfico Pernambucano. Porm, sua primeira edio em livro no Brasil de 1942, com traduo de Lus da Cmara Cascudo sob o ttulo Viagens ao Nordeste do Brasil. Como uma complementao ao relato de Koster, o francs Louis Franois de Tollenare escreveu, entre 1816 e 1818, um dirio onde aborda aspectos importantes da vida social e poltica, usos e costumes, festas populares, escravido, movimentos polticos e economia da sociedade da poca. As partes referentes aos estados de Pernambuco e da Bahia foram traduzidas por Alfredo de Carvalho e publicadas sob o ttulo de Notas dominicais, nas Revistas do Instituto Arqueolgico e Geogrfico Pernambucano, em 1904 (v.61), e do Instituto Histrico e Geogrfico da Bahia, em 1907 (v.14). 5. www.eventosmkg.com.br 5 CoquetelariacomSabordeBrasil Um outro relato importante o James Henderson, viajante e diplomata ingls que esteve no Brasil de 1819 a 1821 e escreveu o livro (ainda sem traduo para o portugus), A history of Brazil: comprising its geography, commerce, colonization, aboriginal inhabitants (Uma histria do Brasil: compreendendo sua geografia, comrcio, colonizao, habitantes aborgenes), publicado em Londres, em 1821. O alemo Johan Moritz Rugendas tem uma obra significativa para o estudo das caractersticas fsicas, hbitos e costumes da populao negra e ndia, assim como dos mulatos e mestios que formam hoje a chamada raa brasileira. O livro foi traduzido para a lngua portuguesa e publicado, em 1940, sob o ttulo Viagem pitoresca atravs do Brasil. Outro relato importante sobre o Brasil e o Nordeste do sculo XIX o da inglesa Maria Graham, que esteve por trs vezes no pas e escreveu o Dirio de uma viagem ao Brasil e de uma estada nesse pas durante parte dos anos de 1821, 1822 e 1823 (ttulo em portugus), publicado na Srie Brasiliana, v. 8, em 1956. Dois cientistas alemes, Johan Baptist von Spix e Karl Friedrich Philip von Martius, realizaram uma grande viagem pelo interior do Brasil, entre os anos de 1817 e 1820, percorrendo vrias provncias, seguindo atravs do rio So Francisco, por Minas Gerais e Bahia, passando pelo serto de Pernambuco, Piau e Maranho, analisando e fazendo anotaes sobre as populaes rurais. Suas anotaes foram traduzidas para o portugus e publicadas pela Imprensa Nacional, sob o ttulo Viagem pelo Brasil, em 1938. Richard Francis Burton foi um dos maiores viajantes ingleses do sculo XIX. Em 1865, foi nomeado cnsul britnico em Santos e, em 1867, conseguiu permisso para uma viagem pelo Brasil, que durou cinco meses. Visitou o Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paulo Afonso, na Bahia, indo at Penedo, em Alagoas, seguindo pelo rio So Francisco, que denominou de Mississipi brasileiro. Suas observaes foram registradas no livro, Explorations of the highlands of the Brazil, publicado em Londres, em 1869 e traduzido para o portugus com o ttulo Viagens aos planaltos do Brasil (1941). As narrativas dos viajantes, reunidas em livros, impressos s vezes em mais de uma edio e em diversas lnguas, fizeram muito sucesso na poca, sendo disputados pelo pblico interessado em descries de povos e costumes exticos. A viagem que revelou a biodiversidade do Brasil ao Mundo. Durante trs anos, de 1817 a 1820, o naturalista alemo Carl von Martius percorreu 10 mil km no interior do Brasil, de So Paulo ao Amazonas, realizando um levantamento de plantas jamais superado no pas. Aps essa viagem, as descries das espcies coletadas foram reunidas na Flora 6. www.eventosmkg.com.br 6 CoquetelariacomSabordeBrasil brasiliensis, maior obra sobre a flora de um pas da histria da botnica. Essa foi a primeira indicao de que o Brasil apresentava uma das maiores diversidades de plantas do mundo. Raimundo Paulo Barros Henriques Departamento de Ecologia, Universidade de Braslia O incio da viagem que revelaria a incomparvel diversidade da flora brasileira ao mundo no foi nada animador. Logo aps sair do Rio de Janeiro, a 8 de dezembro de 1817, Carl Friedrich Phillipp von Martius (1794-1868) ficou desolado. Em Santa Cruz, no caminho para So Paulo, as mulas assustaram- se, deixando para trs pessoas, mantimentos e equipamentos. Reunidos os animais, o grupo seguiu viagem. Naquele momento, Martius no imaginava as enormes dificuldades que enfrentaria em sua viagem de trs anos pelo interior do Brasil, nem que seu nome ficaria ligado em definitivo s pesquisas sobre plantas das regies tropical e subtropical das Amricas. Viajar pelo Brasil naquele tempo era uma empreitada de alto risco, que podia at levar morte, em ataques de grupos indgenas ou de animais estranhos. No era raro os viajantes contrarem graves doenas ainda desconhecidas, como malria ou febre amarela. Vrios naturalistas da poca sofreram com essas e outras doenas em suas expedies pela Amrica do Sul. O francs Aim Bonpland (1773-1858), que esteve na Amrica Central e na Amaznia venezuelana com o baro alemo Alexander von Humboldt (1769-1859), contraiu malria em 1800. Os viajantes eram pessoas de ambos os sexos, de classes sociais variadas, profisso e formao intelectual diversificada, que descreveram aspectos do Brasil, atravs de crnicas, relatos de viagem, correspondncia, memrias, dirios, lbuns de desenhos. O conjunto de obras deixadas por eles integra a chamada literatura de viagem e se constitui numa literatura de testemunhos, cujos registros e observaes ajudam a conhecer a realidade do Brasil da poca. Em alguns casos, o isolamento prolongado e o estresse decorrente das duras condies das viagens levavam a distrbios mentais, transitrios ou permanentes, como aconteceu com o diplomata e naturalista russo Georg von Langsdorff (1774-1852) no final de sua viagem ao Amazonas, entre 1826 e 1828. A viagem de Martius custaria a morte de dois de seus auxiliares. Alm disso, Martius e o zologo Johann Baptiste von Spix (1781-1826), que o acompanhava, tiveram malria e o segundo, debilitado, morreria apenas seis anos depois de retornar Alemanha. Efeito Humboldt difcil imaginar hoje, na era do ecoturismo para as mais remotas regies do planeta, quanta admirao e atrao causaram, nos europeus do incio do sculo 19, as palestras e livros do baro von Humboldt, que viajou pela Amrica Central e pelo noroeste da Amrica do Sul entre 1799 e 1804. Essa viagem, inicialmente planejada para ser no Brasil, no recebeu autorizao da corte portuguesa. A crescente necessidade de conhecimento sobre a Amrica colonial substituiu o explorador aventureiro pelo profissional de cincia da 7. www.eventosmkg.com.br 7 CoquetelariacomSabordeBrasil poca: o naturalista. O assunto ganhou importncia, virando questo de Estado. As cortes da Prssia (parte da atual Alemanha) e da Rssia enviaram naturalistas ao Brasil, aps a viagem de Martius. s vezes membros da nobreza europeia participavam pessoalmente das expedies, como o prncipe da Rennia (hoje tambm na Alemanha), Maximilian Wied-Neuwied (1782- 1867), que viajou do Rio de Janeiro Bahia de 1815 a 1817. O Brasil atraiu o interesse dos naturalistas europeus por razes polticas. Ao contrrio de alguns pases hispano-americanos, o Brasil obteve sua independncia sem conflitos, em parte por ter servido de exlio para a famlia real portuguesa, o que tornava a viagem mais segura. Outro motivo de interesse era o pouco conhecimento da natureza brasileira. Isso pode ser constatado pela carta enviada, a 12 de fevereiro de 1765, pelo pai da moderna classificao biolgica, o sueco Carl von Linn (ou Lineu, 1707-1778), ao italiano Domenico Vandelli (c.1735-1816), ento professor na Universidade de Coimbra, em Portugal: Oxal possas ir ao Brasil, terra onde nunca ningum andou, exceto Marcgrave..., mas em um tempo em que no estava acesa nenhuma luz da histria natural; agora tudo deve ser de novo descrito luz. Tu ests apto para isso, s solidssimo nas coisas da natureza, infatigvel na inquirio, habilssimo nos belos desenhos. Carl Martius nasceu em Erlangen, no reino da Baviera (parte da Alemanha). Seu pai, Ernst Martius (1756-1849), era farmacutico, professor da universidade local e scio fundador da Sociedade Botnica de Ratisbona. O tio Heinrich Martius (1781-1831) foi o autor de Prodromus florae mosquensis, sobre a flora da regio de Moscou. A casa de Ernst Martius era freqentada pelo botnico e zologo Johann Schreber (1739-1810), ex-aluno de Linn, que talvez tenha influenciado o interesse do jovem Carl pelas plantas. Este comeou a estudar medicina aos 16 anos, na Universidade de Erlangen, obtendo o grau de doutor em 1814, com uma dissertao sobre as plantas do Jardim Botnico da cidade. Nessa ocasio, o rei da Baviera, Maximiliano Jos I, enviou a Erlangen o botnico e entomologista Franz von Schrank (1747-1835) e o zologo Johann Baptiste von Spix para comprarem o herbrio de Schreber. Spix (que viajaria com Martius pelo Brasil) e Schrank ficaram to impressionados com o jovem Carl que o recomendaram para o Jardim Botnico da Academia de Cincias da Baviera, em Munique. Assim, ao final do curso, Martius foi para Munique, onde aperfeioou seus estudos botnicos. Como europeu, Martius certamente tinha grande curiosidade pela Amrica, devido leitura dos livros de Humboldt. Este citado com frequncia por Mar - tius no dirio de sua viagem pelo Brasil antes dessa viagem, as informaes sobre as plantas do Brasil eram escassas. A oportunidade para a vinda Amrica do Sul surgiu aps a invaso de Portugal pelo exrcito de Napoleo Bonaparte e a transferncia da famlia real portuguesa, e de toda a corte, para o Rio de Janeiro, onde chegaram no incio de 1808. Com a sede do imprio portugus no agora reino do Brasil, o regente D. Joo mudaria de posio 8. www.eventosmkg.com.br 8 CoquetelariacomSabordeBrasil quanto entrada de estrangeiros. Assim, nas negociaes para o casamento de D. Pedro de Alcntara (depois D. Pedro I) com a arquiduquesa da ustria, D. Carolina Josefa Leopoldina, foi includo o envio, pela Academia Real de Cincias da ustria, de uma misso cientfica e artstica ao Brasil. O rei da Baviera aproveitou a ocasio para integrar a essa misso tanto Martius, pela Academia de Cincias da Baviera, quanto Spix, pelo Museu Zoolgico de Munique (ver Misso austraca alem). A comitiva de D. Leopoldina partiu de Trieste, hoje na Itlia, em 10 de abril de 1817. Martius chegou ao Brasil em 15 de julho de 1817 e realizou suas primeiras observaes na cidade do Rio de Janeiro e arredores, em excurses ao Corcovado, ao Po de Acar e lagoa Rodrigo de Freitas, com von Langsdorff, cnsul da Rssia. Fez tambm uma curta viagem serra dos rgos, a cerca de 90 km do Rio de Janeiro, quando conheceu as duras condies que teria de enfrentar no pas. Seu espanto com a diversidade tropical est claro no primeiro relatrio da viagem ao rei da Baviera: Diante de tanta riqueza de formas, no temos mos e olhos suficientes para realizar nosso trabalho. Cada um de ns teria que ser pintor, empalhador, caador e herborista para poder representar e reunir toda esta riqueza. O interior do Brasil Martius tinha 23 anos quando iniciou a viagem pelo Brasil, com Spix e o pintor austraco Thomas Ender (1793-1875). Partiu com destino a So Paulo, a cavalo, com trs guias e uma tropa de mulas. Aps a travessia da mata atlntica na serra do Mar, eles surpreenderam se, ao chegar a Taubat, no vale do rio Paraba do Sul, na provncia paulista, com a mudana na aparncia da vegetao. A...</p>