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Miss GreyANNE BRONTeRomance - Obra CondensadaLiteratura Inglesa - sculo XIX

Esta obra foi digitalizada sem fins comerciais e destina- se unicamente leitura de pessoas portadoras de deficincia visual. Por fora da lei de direitos de autor, este ficheiro no pode ser distribudo para outros fins, no todo ou em parte, ainda que gratuitamente.

Traduo de Maria Isabel de Mendona Soares Capa e ilustraes de Antnio MartinsVERBO Juvenil Ttulo original: Agnes Grey NDICEI - O presbitrio... . .5 II - Primeiras lies da arte de ensinar... ... ... . 16III - Mais algumas lies... ... . 23IV - A av... . 34V - O tio... . . 43VI - Novamente no presbitrio... ... . 49 .VII - Horton Lodge... . 55VIII - A apresentao na sociedade... . 69IX - O baile. . 72X - A igreja 77XI - Os aldees... ... . 82XII - O aguaceiro... . . 95XIII - As primaveras... . . 99XIV - O reitor. 107XV - O passeio... ... . . . 119XVI - A substituio. . . . 126XVII - Confisses... ... . . 130XVIII - Alegrias e tristezas... ... . . . 140XIX - A carta. . . 148XX - As despedidas. . . . 151XXI - A escola. . 156XXII - A visita. 162XXIII - O parque... ... . . . 169 XXIV - A praia. 173XXV - Eplogo. 180

Obras desta Coleco 1. Ivanho, de Walter Scott 2. Ben-Hur, de Lewis Wallace 3. As Minas de Salomo, [traduo] de Ea de Queirs 4. O Corsrio Negro, de E. Salgari 5. Quo Vadis?, de Henryk Sienkiewicz 6. Os Trs Mosqueteiros, de Alexandre Dumas 7. A Ilha do Tesouro, de R. L. Stevenson 8. O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas 9. A Jangada, de Jlio Verne 10. Robinson Cruso, de Daniel Defo 11. O Juramento do Corsrio Negro, de E. Salgari 12. Oliver Twist, de Charles Dickens 13. Miguel Strogoff, de Jlio Verne 14. Guerra e Paz, de Leon Tolstoi 15. Moby Dick, de H. Melville 16. David Copperfield, de Charles Dickens A publicar: O ltimo Moicano, de Tenimore Cooper

IO Presbitrio Meu pai foi um ministro da Igreja Anglicana, no Norte de Inglaterra, condignamente respeitado por todos aqueles que o conheciam; e, na sua juventude, viveu com desafogo do rendimento de um pequeno benefcio, juntamente com o de uma modesta propriedade que possua. Minha me, que casou com ele contra a vontade da famlia, era filha de um fidalgo de provncia e de uma mulher inteligente. Em vo lhe foi explicado que, se ela se tornasse mulher de um pobre proco, tinha de renunciar a carruagens, criadas particulares e a todos os luxos e requintes da sociedade, o que para ela era pouco menos do que o essencial da vida. Uma carruagem e uma criada particular ram uma grande comodidade, mas, graas a Deus, ela tinha ps para andar e mos para prover a todas as suas necessidades. Uma casa elegante e vastos terrenos no eram para desprezar, mas ela preferia viver numa casa pequena com Richard Grey do que num palcio com qualquer outro homem. Por fim, no conseguindo encontrar argumentos de maior peso, o [5)pai disse aos apaixonados que podiam casar se era esse o seu desejo; porm, se assim procedessem, a filha perderia o direito a qualquer parte da sua fortuna. Esperava, com isto, arrefecer o entusiasmo dos dois. Mas enganava-se. Meu pai conhecia por demais o valor e a dignidade de minha me para compreender que ela por si s valia uma fortuna, e que se ela anusse a tornar mais belo o seu humilde lar sentir-se-ia feliz em aceit-la fosse em que condies fosse; por seu lado, ela preferiria trabalhar com as suas prprias mos a ver- se separada do homem a quem amava, para cuja felicidade seria uma alegria contribuir e a quem se sentia unida de alma e corao. Assim, a sua fortuna foi engrossar a bolsa da irm, que, mais sensata, casara com um rico nababo. . E ela com grande espanto e pesar de todos os que a conheciam, fo enterrar-se no humilde presbitrio de uma aldeia, nas colinas de... E, no entanto, a despeito de tudo isto, do seu excessivo entusiasmo e das extravagncias de meu pai, creio que se poderia procurar por toda a Inglaterra, que se no encontraria um casal mais feliz. Dos seis filhos que tiveram, s minha irm Mary e eu sobrevivemos aos riscos da infncia e da meninice. Sendo mais nova do que ela cinco ou seis anos, era olhada como a beb, o mimalho da famlia: pai, me e irm pareciam combinados em me estragar com mimos, no por indul gncia disparatada, de modo a tornarem-me birrenta e insubordinada, mas por contnua benevolncia, o que fez de mim um ser indefeso e dependente, incapaz de enfrentar os cuidados e complicaes desta vida. Mary e eu fomos criadas no mais estrito isolamento. Minha me, tendo sido to extremamente bem educada quanto instruda e gostando de estar sempre ocupada, tomou a seu cargo a nossa educao, com excepo do latim, que o meu pai se encarregou de nos ensinar. Dessa maneira, nunca frequentmos uma escola e, como no havia vida de sociedade na vizinhana, o nosso nico contacto com o mundo consistia em alguns chs muito solenes, de vez em quando, com os principais lavradores e comerciantes das proximidades (apenas para no sermos alcunhados de soberbos demais por nos no darmos com os nossos vizinhos) e uma visita anual a casa do nosso av paterno, onde ele, a nossa bondosa av, uma tia solteira e dois ou trs senhores j idosos eram as nicas pessoas que vamos. Por vezes, a nossa me entretinha-nos com histrias ou anedotas dos seus tempos de juventude, que, ao mesmo tempo que nos divertiam e assombravam, despertavam com frequnciapelo menos em mim - um secreto desejo de ver um pouco mais do mundo. [6) Achava que ela devia ter sido muito feliz, mas nunca me pareceu lamentar os tempos passados. Contudo, o meu pai, cujo temperamento no era nem pacfico nem alegre por natureza, afligia-se freQuentemente sem razo, ao pensar nos sacrifcios que a sua querida esposa tinha feito por ele, e, dando voltas cabea, procurava a maneira de aumentar o seu peclio por amor a ela e a ns.Em vo minha me lhe assegurava que se sentia plenamente feliz e que, se apenas ele pusesse de lado um pouco para as filhas, teramos o suficiente, tanto para o tempo presente como para o futuro. Mas poupar no era o forte de meu pai. Ele nunca contraa dvidas (pelo menos, minha me tomava cuidado para que isso no acontecesse), masenquanto tinha dinheiro ia gastando. Gostava de sentir a casa confortvel, ver a mulher e as filhas bem vestidas e bem servidas e, alm disso, era generoso e gostava de dar aos pobres segundo as suas posses ou, como algumas pessoas pensavam, acima delas. At que um dia, um amigo dedicado sugeriu- lhe um meio de duplicar o seu patrimnio de uma s vez, e depois, mais tarde, faz-lo aumentar at atingir uma considervel quantia. Esse amigo era um exportador, um homem de esprito empreendedor e indubitvel talento, que estava a passar dificuldades nas suas actividades comerciais por falta de capital. Props generosamente dar a meu pai umaboa parte dos seus lucros, se ele, ao menos, lhe confiasse tudo o que pudesse dispensar, e achou que podia prometer com toda a segurana que, qualquer que fosse a quantia que ele decidisse pr-lhe nas mos, lhe daria cem por cento. O pequeno patrimnio foi rapidamente vendido e a quantia total depositada nas mos do amigo, que prontamente embarcou o carregamento e se preparou para a viagem. Meu pai ficou encantado, tal como todas ns, com as nossas bri lhantes perspectivas. Quanto ao presente, a verdade que estvamos . . reduzidos ao magro rendimento do curato, mas meu pai pensava que no havia necessidade de restringir escrupulosamente a esse rendimento os nossos gastos: Assim, com uma conta aberta no Mr Jackson, outra no Smith e uma terceira no Hobson, ns amos vivendo com mais conforto ainda do que antes, embora minha me afirmasse que era prefervel mantermo- nos dentro de certos limites, pois que afinal as nossas perspectivas eram bastante precrias. E se meu pai tivesse confiado tudo sua administrao, nunca se veria em dificuldades. Mas ele, na verdade, era incorrigvel.

Quantas horas de felicidade passmos, Mary e eu, enquanto trabalhvamos junto lareira, ou passevamos nas colinas revestidas de urze, ou preguivamos debaixo do salgueiro-choro (a rvore mais importante do jardim), falando da nossa felicidade futura, nossa e de nossos pais, do que iramos fazer, ver e gozar, sem base mais firme para a nossa admirvel superestrutura do que as riquezas com que seramos inundados devido ao bom xito das especulaes daquele honrado negociante. O nosso pai era quase pior do que ns; s que ele procurava no se mostrar to convencido, e expressava a sua viva esperana e ardente expectativa com gracejos e brincadeiras que me pareciam excessivamente espirituosos e divertidos. Minha me ria com prazer por o ver to esperanoso e feliz; no en tanto, temia que ele tivesse posto demasiadas esperanas naquele ne gcio, e uma vez ouvi-a murmurar ao sair da sala: "Deus permita que ele no tenha uma desiluso! No sei como a iria suportar!" E desiludido ficou; e amargamente. Caiu como um raio sobre todos ns a notcia de que o navio que encerrava a nossa fortuna tinha naufragado e ido para o fundo com toda a sua mercadoria, juntamente com alguns membros da tripulao e at mesmo com o prprio negociante. Lamentei-o. Lamentei a derrocada de todos os castelos no ar que tnhamos construdo; mas, com a flexibilidade peculiar juventude, depressa me recompus do choque. Embora a riqueza tivesse os seus encantos, a pobreza no aterrori zava uma rapariguinha to experiente como eu. E, para falar a verdade, havia qualquer coisa de estimulante no facto de sermos atirados para dificuldades e vermo- nos entregues aos nossos prprios recursos. S desejava que meu pai, minha me e Mary sentissem o mesmo que eu, e assim, em vez de lamentarem calamidades passadas, pudssemos deitar mos ao trabalho, com nimo, para as remediar; e quanto maiores fossem as dificuldades, mais duras as nossas privaes presentes, maiores deviam ser o nosso nimo para as suportar e a nossa energia para lutar con