mip algod£o circular t©cnica 131

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  • 1. 131 ISSN 0100-6460 Manejo integrado de pragas do algodoeiro no cerrado brasileiros Um dos grandes entraves para a consolidao sustentada da agricultura continua sendo o problema do ataque de pragas que, quando no controladas, podem reduzir drasticamen- te a produo. Na cultura do algodoeiro um complexo de pragas que ocorre sistematicamente na cultura pode reduzir significativamente a produo, caso no sejam tomadas, a tempo, as devidas medidas de controle. Manter o nvel de infestao dos insetos sob controle configura-se como um grande desafio ao agricultor. No entanto, no se pode confiar em um nico mtodo de controle, visto que, no existe soluo nica salvadora; h de se levar em conta a necessidade da adoo de um conjunto de medidas que, combinadas harmonicamente, resultem no controle efetivo desses organismos. Para enfrentar esse desafio, a Embrapa Algodo sugere a adoo da filosofia do Manejo Integrado de Pragas (MIP), a qual considera que se deve utilizar todas as tcnicas adequadas para reduzir as populaes de praga e mant-las em nveis populacionais abaixo daqueles que causam dano econmico. Esta filosofia visa garantir a sustentabilidade da cultura ao longo dos anos pela diminuio do custo e aumento da qualidade da produo. As tticas do MIP, incluem: controle biolgico, controle cultural, controle gentico (resistncia de plantas a insetos), controle comportamental e controle qumico. O monitoramento eficiente e constante da lavoura fator imprescindvel no manejo de pragas, sendo determinante para que as vrias tticas de controle de pragas possam ser utilizadas com critrio e em tempo hbil. Falhas no monitoramento podem Foto:JosEdnilsonMiranda Autor Jos Ednilson Miranda Engenheiro Agrnomo DSc., Pesquisador da EmbrapAlgodo, Campina Grande, Ncleo Goinia, GO, miranda@cnpa.embrapa.br Campina Grande, PB Abril, 2010

2. Manejo integrado de pragas do algodoeiro no cerrado brasileiro2 levar utilizao sistemtica do controle qumico e, na maioria das vezes, essa situao pode levar a gastos monetrios desnecessrio e favorecer o surgimento de uma nova gerao de pragas. Uma grave conseqncia do uso indiscriminado de inseticidas a evoluo da resistncia da praga aos produtos. Desta forma, de suma importncia que o produtor saiba reconhecer as pragas e seus inimigos naturais, para que possa manipular o agroecossistema algodoeiro de forma adequada e assim, empregar com eficincia as formas de controle disponveis. muito importante considerar que a presena do inseto, por si s, no faz dele necessariamente uma praga; este s deve ser considerado praga quando sua populao estiver em nmero tal que passe a causar prejuzo econmico. A tolerncia das populaes de insetos em nveis que no causem dano econmico favorece o crescimento populacional de inimigos naturais que atuaro com maior eficincia no controle das mesmas. Principais pragas do algodo- eiro Broca-da-raiz - Eutinobothrus brasiliensis (Coleoptera: Curculionidae) Identificao do inseto O adulto da broca-da-raiz um besouro de colorao pardo-escura, que mede Foto:IbrahimAugustodeMoraes em torno de cinco milmetros de comprimento (Figura 1). A fmea promove a abertura da casca das plantas novas, por meio da ao de suas mandbulas fazendo postura na altura do colo. O ovo, de colorao creme esbranquiada, tem no seu interior o embrio da broca que leva em torno de 10 dias para se desenvol- ver, quando ocorre ento a ecloso das larvas. Fig. 1. Adulto da broca da raiz do algodoeiro Identificao da injria provocada pela praga As larvas da broca-da-raiz iniciam a alimentao abrindo galerias na regio dos vasos lenhosos da planta (Figura 2) e essas galerias aumentam de dimetro medida em que as larvas crescem e impedem a circulao da seiva bruta, devido ao seccionamento dos vasos, determinando a paralisao do cresci- mento da planta. Exteriormente, a planta comea a definhar, iniciando-se os sintomas por um avermelhamento do limbo foliar, murcha, seca e queda das folhas (Figura 3). Verifica-se, na regio do colo da planta, um engrossamento em razo do ataque da praga e a 3. 3Manejo integrado de pragas do algodoeiro no cerrado brasileiro Fig. 2. Fase larval da broca da raiz do algodoeiro e injria na planta Foto:IbrahimAugustodeMoraes Fig. 3. Plantas com sintomas de ataque da broca da raiz e planta sadia (esquerda) Foto:AlexandreC.deB.Ferreira presena das larvas nas galerias. As plantas atacadas morrem em virtude da interrupo no fluxo de seiva, ou persistem no campo, porm com a produo totalmente comprometida. Condies favorveis ao aumento populacional Constituem-se em fatores que favore- cem surtos populacionais da praga a alta umidade do solo, reas de baixada, cultivos sucessivos de algodo e reas onde no se efetua a destruio de restos culturais. reas de cultivo de algodoeiro sob sistema de plantio direto tendem a ser mais afetadas pela infestao desse inseto, uma vez que a palhada serve como proteo contra os efeitos da radiao solar e dos inimigos naturais. O perodo crtico de ocorrncia de surtos populacionais do inseto vai da germinao at o aparecimento dos primeiros botes florais. Amostragem Amostragens prvias semeadura (20 a 30 dias) devem ser feitas na rea a ser cultivada, atravs de trincheiras e observao de plantas hospedeiras ou plantas voluntrias. O histrico da rea extremamente importante para definir se h o potencial de ataque pelos insetos. Estratgias de controle Medidas de controle preventivo devem ser adotadas e incluem o preparo correto do solo (uso de calcrio desfavorece a praga), a semeadura concentrada na poca recomendada, o tratamento de sementes, a eliminao de plantas hospedeiras (plantas da famlia das Malvceas, como o quiabo e o hibisco) e a destruio dos restos culturais e de plantas voluntrias. Faixas de plantio-isca podem ser utilizadas para atrair indivduos sobrevi- ventes da entressafra. Aplicaes de inseticidas nessas faixas podem suprimir a populao evitando assim prejuzos econmicos cultura. Fungos entomopatognicos presentes no solo exercem o controle biolgico natural mas em reas desequilibradas 4. Manejo integrado de pragas do algodoeiro no cerrado brasileiro4 em que as populaes da broca encontrem condies de se elevar, tais organismos apresentam eficincia parcial. O uso de sementes tratadas com inseticidas sistmicos contribui para evitar exploses populacionais. Em reas com histrico de ocorrncia, inseticidas aplicados no sulco de plantio tm apresentado efeito moderado. A rotao de culturas evitando-se o cultivo do algodoeiro por trs safras em reas infestadas com o inseto configu- ra-se em medida altamente eficaz para reduzir sua populao. Tripes - Thrips tabaci e Frankliniella sp. (Thysanoptera: Thripidae) Identificao do inseto Tripes so insetos pequenos, de colorao varivel, de 1 a 3 mm de comprimento; apresentam asas franjadas e corpo afilado; tm reprodu- o sexuada, sendo os ovos colocados nas folhas. As formas jovens se distinguem das adultas pela colorao mais clara e por no possurem asas. Identificao da injria provocada pela praga Esses insetos raspadores-sugadores vivem nas folhas, causando ataques que promovem a alterao da consis- tncia das folhas, que ficam coriceas e quebradias; atacam tambm as brotaes e plantas jovens, provocando o encarquilhamento e espessamento das folhas do ponteiro, que adquirem colorao verde-brilhante e manchas prateadas. O crescimento prejudicado em plantas novas, com 2 a 4 pares de folhas; ocasionando-se, tambm, superbrotamento devido quebra da dominncia apical (morte da gema apical). Condies favorveis ao aumento populacional Condies de altas temperaturas e estiagem favorecem as infestaes do inseto. O perodo crtico de ocorrncia de surtos populacionais vai da emergn- cia das plantas at os 40 dias aps a emergncia. Amostragem Amostragens peridicas devem ser feitas no perodo entre a emergncia e 40 dias aps a emergncia, sendo inspecionadas as faces adaxiais das folhas de toda a plntula. Estratgias de controle O controle qumico feito preventiva- mente, por meio do tratamento de sementes. Caso o ataque ocorra aps o final do perodo residual do tratamento de sementes, o uso de inseticidas sistmicos, como os neonicotinides, via pulverizao area, ser indicado quando o nvel de controle for atingido, propiciando um perodo residual de at trs semanas. Inseticidas no sistmicos matam os estgios ativos, agindo por menos de uma semana; aps esse perodo as plantas podem vir a ser recolonizadas por adultos que emergem do solo, ninfas neonatas ou por indivduos migrantes de outras reas. 5. 5Manejo integrado de pragas do algodoeiro no cerrado brasileiro Os mais eficientes inimigos naturais de tripes so os percevejos predadores Orius insidiosus (Ordem: famlia) e Geocoris sp. (Ordem: famlia) Aumentos populacionais de tripes podem estimular o incremento de populaes desses percevejos, que se alimentam tambm de outras espcies-pragas, como os caros. Pulgo - Aphis gossypii e Myzus persicae (Hemiptera: Aphididae) Identificao do inseto So insetos sugadores de seiva, de pequeno tamanho, colorao varivel do amarelo-claro ao verde escuro; vivem sob as folhas e brotos novos das plantas, sugando continuamente a seiva (Figura 4). A capacidade de reproduo desses insetos enorme, processando- se por partenognese teltoca (sem a necessidade de machos). No incio da formao da colnia todos os indivduos so pteros mas, sempre que a populao cresce, surgem formas aladas que representam indivduos responsveis pela disseminao da espcie para novas plantas. Fig. 4. Pulges em folha de algodo Foto:AcervoEmbrapaAlgodo Identificao da injria provocada pela praga A suco contnua deixa as folhas dos ponteiros enrugadas, encarquilhadas e os brotos deformados. O desenvolvi- mento da planta prejudicado e se verifica presena de mela nas folhas inferiores, que formam uma mancha brilhante constituda de material adocicado (honeydew) excretado pelos insetos (Figura 5); a mela atrai diversas formigas que vivem em simbiose com os pulges e atrai, tambm, fungos Capnodium spp. que formam a fumagina, a qual dificulta