MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO 1 MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO…

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<ul><li><p> 1 </p><p>MINISTRIO DO PLANEJAMENTO, ORAMENTO E GESTO </p><p>Secretaria de Gesto Pblica </p><p>Departamento de Normas e Procedimentos Judiciais de Pessoal </p><p>Coordenao-Geral de Aplicao das Normas </p><p>NOTA TCNICA N 171/2014/CGNOR/DENOP/SEGEP/MP </p><p>ASSUNTO: Consulta sobre a possibilidade de indicao de servidor temporrio para compor </p><p>colegiados de rgos governamentais </p><p> SUMRIO EXECUTIVO </p><p>1. Por intermdio do Ofcio n 761/2014/SE-MDS, o Ministrio do Desenvolvimento </p><p>Social e Combate Fome MDS encaminhou os presentes autos a esta Secretaria de Gesto </p><p>Pblica SEGEP formulando consulta acerca da possibilidade de indicao de servidor </p><p>temporrio para compor colegiado de rgo governamental. </p><p>2. Entende esta Secretaria de Gesto Pblica, na condio de rgo central do </p><p>Sistema de Pessoal Civil SIPEC, que o contratado temporrio no poder exercer atividades em </p><p>colegiado ou comisses de rgo governamental, permanentes ou transitrios, pois os motivos </p><p>que justificam tal modalidade de contratao a transitoriedade e a excepcionalidade da atividade </p><p>a ser desenvolvida, caractersticas tais que no se assemelham indicao em colegiado de rgo </p><p>governamental, sob pena de caracterizao de desvio de finalidade. </p><p>3. Pela restituio dos autos Secretaria Executiva do Ministrio do </p><p>Desenvolvimento Social e Combate Fome, para cincia e providncias que entenderem </p><p>necessrias. </p><p>__ _ ANLISE </p><p>4. Iniciaram-se os autos por meio do Ofcio n 761/2014/SE-MDS, de 24 de outubro </p><p>de 2014, proveniente do Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome que formulou </p><p>consulta a esta Secretaria de Gesto Pblica, na condio de rgo central do SIPEC, acerca da </p><p>possibilidade de indicao de servidor temporrio para compor rgo colegiado governamental, </p><p>nos seguintes termos: </p></li><li><p> 2 </p><p> Ao cumpriment-la cordialmente, reporto-me a indicao de servidores contratados por prazo </p><p>determinado, nos termos da Lei n 8.745, de 1993, serem indicados para representar este Ministrio </p><p>em colegiados de rgos governamentais. </p><p> Dessa forma, haja vista se tratar de matria de pessoal civil da Administrao Pblica Federal, </p><p>consulto essa Secretaria de Gesto Pblica SEGEP sobre a possibilidade de se realizar as </p><p>indicaes em tela, bem como encaminho cpia do Parecer n 301/2014/CONJUR-</p><p>MDS/CGU/AGU, de 16.10.2014, anexo, pelo qual a Consultoria Jurdica deste MDS, se manifesta </p><p>acerca do assunto. </p><p>5. Anexou-se ao feito o Parecer n 301/2014/CONJUR-MDS/CGU/AGU, no qual a </p><p>Consultoria Jurdica daquele Ministrio se posicionou pela possibilidade condicionada da </p><p>indicao, permitindo-a somente se: I) houver compatibilidade com as funes para as quais o </p><p>servidor temporrio tenha sido contratado; II) que a comisso ou rgo colegiado tenha carter </p><p>transitrio tendo em vista o contrato com o MDS ter vigncia determinada; e III) que sejam </p><p>observadas as eventuais exigncias feitas pelo ato instituidor e regulamentador da comisso ou </p><p>rgo colegiado. </p><p>6. sucinto o relatrio. </p><p>7. Num primeiro momento, entende-se que ser esclarecedora a anlise da natureza </p><p>jurdica do contrato temporrio regido pela Lei n 8.745, de 1993, para que, ento, possa-se </p><p>elucidar acerca da eventual indicao dos contratados sob a sua gide em colegiados de rgos </p><p>governamentais, como se demonstrar a seguir. </p><p>A. Da representatividade de servidor temporrio em colegiado de rgo governamental em </p><p>geral </p><p>8. As atividades que fundamentam a contratao temporria de servidores regidos </p><p>pela Lei n 8.745, de 1993, esto arroladas em seu art. 21, a exemplo de situaes de calamidade </p><p> 1 Art. 2 Considera-se necessidade temporria de excepcional interesse pblico: </p><p>I - assistncia a situaes de calamidade pblica; </p><p>II - assistncia a emergncias em sade pblica; (Redao dada pela Lei n 12.314, de 2010) </p><p>III - realizao de recenseamentos e outras pesquisas de natureza estatstica efetuadas pela Fundao Instituto </p><p>Brasileiro de Geografia e Estatstica - IBGE; (Redao dada pela Lei n 9.849, de 1999). </p><p>IV - admisso de professor substituto e professor visitante; </p><p>V - admisso de professor e pesquisador visitante estrangeiro; </p><p>VI - atividades: (Redao dada pela Lei n 9.849, de 1999). </p><p>a) especiais nas organizaes das Foras Armadas para atender rea industrial ou a encargos temporrios de obras e </p><p>servios de engenharia; (Includo pela Lei n 9.849, de 1999). (Vide Medida Provisria n 341, de 2006). </p><p>b) de identificao e demarcao territorial; (Redao dada pela Lei n 11.784, de 2008) </p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12314.htm#art2http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9849.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9849.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9849.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Mpv/341.htm#art28ihttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art166</p></li><li><p> 3 </p><p>pblica, de assistncia a emergncias em sade pblica e de realizao de recenseamentos e </p><p>outras pesquisas de natureza estatsticas. Dentre todas, no se encontram quaisquer autorizativos </p><p>para o desenvolvimento de atividades sequer assemelhadas representao de colegiados de </p><p>rgos governamentais. </p><p>9. fato que a contratao temporria pela Administrao Pblica deve ser aquela </p><p>concretizada para o desenvolvimento de tarefas que no estejam relacionadas com as atividades </p><p>essenciais do Estado e/ou que no necessitem de continuidade a longo prazo, tendo cumprido </p><p>seu fim assim que o objeto da contratao esteja exaurido, pois que, se presente esses requisitos </p><p>(atividade essencial do Estado e continuidade) o mais indicado a realizao de concurso pblico </p><p>para o preenchimento de cargos efetivos. </p><p> d) finalsticas do Hospital das Foras Armadas; (Includo pela Lei n 9.849, de 1999). </p><p>e) de pesquisa e desenvolvimento de produtos destinados segurana de sistemas de informaes, sob </p><p>responsabilidade do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento para a Segurana das Comunicaes - CEPESC; </p><p>(Includo pela Lei n 9.849, de 1999). </p><p>f) de vigilncia e inspeo, relacionadas defesa agropecuria, no mbito do Ministrio da Agricultura e do </p><p>Abastecimento, para atendimento de situaes emergenciais ligadas ao comrcio internacional de produtos de origem </p><p>animal ou vegetal ou de iminente risco sade animal, vegetal ou humana; (Includo pela Lei n 9.849, de 1999). </p><p> (Vide Medida Provisria n 341, de 2006). </p><p>g) desenvolvidas no mbito dos projetos do Sistema de Vigilncia da Amaznia - SIVAM e do Sistema de Proteo </p><p>da Amaznia - SIPAM. (Includo pela Lei n 9.849, de 1999). </p><p>h) tcnicas especializadas, no mbito de projetos de cooperao com prazo determinado, implementados mediante </p><p>acordos internacionais, desde que haja, em seu desempenho, subordinao do contratado ao rgo ou entidade </p><p>pblica.(Includo pela Lei n 10.667, de 2003) (Vide Medida Provisria n 341, de 2006). </p><p>i) tcnicas especializadas necessrias implantao de rgos ou entidades ou de novas atribuies definidas para </p><p>organizaes existentes ou as decorrentes de aumento transitrio no volume de trabalho que no possam ser </p><p>atendidas mediante a aplicao do art. 74 da Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990; (Includo Lei n 11.784/2008) </p><p>j) tcnicas especializadas de tecnologia da informao, de comunicao e de reviso de processos de trabalho, no </p><p>alcanadas pela alnea i e que no se caracterizem como atividades permanentes do rgo ou entidade; (Includo pela </p><p>Lei n 11.784, de 2008) </p><p>l) didtico-pedaggicas em escolas de governo; e (Includo pela Lei n 11.784, de 2008) </p><p>m) de assistncia sade para comunidades indgenas; e (Includo pela Lei n 11.784, de 2008) </p><p>VII - admisso de professor, pesquisador e tecnlogo substitutos para suprir a falta de professor, pesquisador ou </p><p>tecnlogo ocupante de cargo efetivo, decorrente de licena para exercer atividade empresarial relativa inovao. </p><p>(Includo pela Lei n 10.973, de 2004) </p><p>VIII - admisso de pesquisador, nacional ou estrangeiro, para projeto de pesquisa com prazo determinado, em </p><p>instituio destinada pesquisa; e (Includo pela Lei n 11.784, de 2008) </p><p>IX - combate a emergncias ambientais, na hiptese de declarao, pelo Ministro de Estado do Meio Ambiente, da </p><p>existncia de emergncia ambiental na regio especfica. (Includo pela Lei n 11.784, de 2008) </p><p>X - admisso de professor para suprir demandas decorrentes da expanso das instituies federais de ensino, </p><p>respeitados os limites e as condies fixados em ato conjunto dos Ministrios do Planejamento, Oramento e Gesto </p><p>e da Educao. (Includo pela Lei n 12.425, de 2011) </p><p>XI - admisso de professor para suprir demandas excepcionais decorrentes de programas e projetos de </p><p>aperfeioamento de mdicos na rea de Ateno Bsica em sade em regies prioritrias para o Sistema nico de </p><p>Sade (SUS), mediante integrao ensino-servio, respeitados os limites e as condies fixados em ato conjunto dos </p><p>Ministros de Estado do Planejamento, Oramento e Gesto, da Sade e da Educao. (Includo Lei n 12.871/2013) </p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9849.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9849.htm#art2vie.http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9849.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Mpv/341.htm#art28iiihttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9849.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.667.htm#art2vihhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Mpv/341.htm#art28ihttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8112cons.htm#art74http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art166http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art166http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art166http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art166http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art166http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.973.htm#art24http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art166http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art166http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12425.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12871.htm#art33</p></li><li><p> 4 </p><p>10. Um exemplo tpico dessa modalidade de contratao o recenseamento </p><p>demogrfico realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica IBGE, em que </p><p>indivduos so contratados para efetuar a pesquisa e a coleta de dados e, finalizado o objeto da </p><p>pesquisa, encerrra-se o motivo pelo qual se justificou a contratao. Nesse caso, oneraria em </p><p>demasiado o Poder Pblico criar cargos pblicos efetivos, e consequentemente permanentes, </p><p>sendo que o censo ocorre, em mdia, somente a cada 10 (dez) anos e as atividades por eles </p><p>desenvolvidas se concentram em determinado perodo j pr-estabelecido. </p><p>11. Segundo o autor PEDRO LENZA, a contratao temporria dever observar os </p><p>seguintes requisitos mnimos: a) previso, por lei, de casos especficos de contratao; b) </p><p>contratao necessria por um prazo determinado; c) necessidade temporria de excepcional </p><p>interesse pblico e, no mbito federal, as regras mnimas e gerais da Lei n 8.745/93, alterada </p><p>pelas Leis ns. 9.849/99, 10.667/2003, 10.973/2004, 11.123/2005 e 11.204/20052. Ausente </p><p>qualquer dessas condies, haver desvirtuamento da contratao. </p><p>12. Joana Ribeiro Gomes Cegala, Douglas Luis de Oliveira e Carla Beatriz de Faria, </p><p>ao discorrerem sobre o tema da contratao temporria3, trouxeram um trip de elementos </p><p>essenciais ao bom alvitre dessa modalidade contratual: </p><p>O primeiro deles a determinabilidade temporal da contratao, ou seja, os contratos </p><p>firmados com esses servidores devem ter sempre prazo determinado, contrariamente, alis, do que </p><p>ocorre nos regimes estatutrios e trabalhista, em que a regra consiste na indeterminao do prazo </p><p>da relao de trabalho. [...] </p><p>Depois, temos o pressuposto da temporariedade da funo: a necessidade desses </p><p>servios deve ser sempre temporria. Se a necessidade permanente, o Estado deve processar o </p><p>recrutamento atravs dos demais regimes. Est, por isso, descartada a admisso de servidores </p><p>temporrios para o exerccio de funes permanentes.[...] </p><p>O ltimo pressuposto a excepcionalidade do interesse publico que obriga ao </p><p>recrutamento. Empregando o termo excepcional para caracterizar o interesse pblico do Estado, a </p><p>Constituio deixou claro que situaes administrativas comuns no podem ensejar o chamamento </p><p>desses servidores. Portanto, pode dizer-se que a excepcionalidade do interesse pblico corresponde </p><p> excepcionalidade do prprio regime especial. Algumas vezes o Poder Pblico, tal como sucede </p><p> 2 LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. 13. ed. rev., atual. e ampl. So Paulo: Saraiva, 2009. </p><p>3 CEGALA, Joana Ribeiro Gomes; FARIA, Carla Beatriz de; OLIVEIRA, Douglas Luis de. O contrato temporrio: </p><p>caractersticas que definem a inconstitucionalidade deste certame frente doutrina e a luz da jurisprudncia ptria. </p><p>Disponvel na internet em http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php/?n_link=revista_artigos_leitura &amp;artigo </p><p>_id=11956&amp;revista_caderno=4 </p><p>http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php/?n_link=revista_</p></li><li><p> 5 </p><p>com o pressuposto anterior e em regra com mesmo desvio de poder, simula desconhecimento de </p><p>que a excepcionalidade do interesse o requisito inafastvel para o regime especial. [...] </p><p>No decorrer do estudo, evidenciaremos que a postura da doutrina unssono no que tange </p><p>o contrato temporrio, e sua verdadeira finalidade, como leciona MELO (p. 285). </p><p>A Constituio prev que a lei (entende-se: federal, estadual, distrital ou municipal, </p><p>conforme o caso) estabelecer os casos de contratao para o entendimento de necessidade </p><p>temporria de excepcional interesse pblico (art. 37, IX). Trata-se, a, de ensejar suprimento de </p><p>pessoal perante contingncias que desgarrem da normalidade das situaes e presumam </p><p>admisses apenas provisrias, demandadas em circunstncias incomuns, cujo atendimento </p><p>reclama satisfao imediata e temporria (incompatvel, portanto, com o regime normal de </p><p>concursos). A razo do dispositivo constitucional em apreo, obviamente, contemplar </p><p>situaes nas quais ou a prpria atividade a ser desempenhada, requerida por razes </p><p>muitssimos importantes, temporria, eventual. Neste sentido temporria, por no haver </p><p>tempo hbil para realizar concurso, sem que suas delongas deixem insuprido o interesse </p><p>incomum que se tem de acobertar. (grifos nossos) </p><p>13. Nesta senda, ao considerar a natureza jurdica da contratao temporria como </p><p>aquela que vem para suprir as demandas que fogem normalidade do atuar estatal, e somente por </p><p>esse motivo justificvel a no contratao pelo regime regular de cargos efetivos, parece-nos ser </p><p>atividade incompatvel com a representatividade em rgo colegiado governamental, uma vez </p><p>que este se reveste de carter contnuo, sem pr...</p></li></ul>

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