MINISTRIO DO PLANEJAMENTO, ORAMENTO E GESTO ...

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    MINISTRIO DO PLANEJAMENTO, ORAMENTO E GESTO

    Secretaria de Gesto Pblica

    Departamento de Normas e Procedimentos Judiciais de Pessoal

    Coordenao-Geral de Aplicao das Normas

    NOTA INFORMATIVA N 13/2015/CGNOR/DENOP/SEGEP/MP

    Assunto: Licena por motivo de afastamento de cnjuge ou companheiro

    Interessado: Ministrio da Educao

    SUMRIO EXECUTIVO

    1. Trata-se de expediente administrativo encaminhado a esta Secretaria de Gesto

    Pblica-SEGEP pelo Ministrio da Educao- MEC, com o objetivo de obter esclarecimentos acerca

    da correta aplicabilidade do artigo 84 da Lei n 8.112, de 1990, na hiptese de afastamento do

    cnjuge para estudo no exterior e, se cabvel, provocar a mudana de entendimento j proferido na

    Nota Tcnica n 164/2014/CGNOR/DENOP/SEGEP/MP.

    2. Entende este rgo Central pela impossibilidade de alterao do entendimento

    vigente, ainda que haja posicionamento jurisprudencial em sentido diverso emanado pelo Poder

    Judicirio, uma vez que, embora seja dever da Unio proteger a manuteno da unidade familiar,

    razo pela qual, inclusive, foram criados pelo legislador a licena para acompanhar cnjuge e o

    exerccio provisrio, ambos abarcados pelo art. 84 da Lei n 8.112, de 1990, essa garantia h que se

    conformar com os demais preceitos constitucionais que regem a Administrao Pblica, de

    modo que inexiste direito subjetivo licena para acompanhar cnjuge, na hiptese em que o

    deslocamento no tenha sido provocado por ato da Administrao1, raciocnio que se fortalece

    no caso em que os cnjuges, anteriormente ao afastamento de um deles, j vivam em

    localidades diversas.

    3. Pelo retorno dos autos Coordenao-Geral de Gesto de Pessoas do Ministrio da

    Educao, para conhecimento e providncias subsequentes.

    INFORMAO

    4. Trata-se de consulta que chegou ao conhecimento desta SEGEP por meio da recepo

    do Ofcio n 163/2015/COLEP-CGGP/SAA/SE/MEC, no qual o Ministrio da Educao, apesar da

    1 O fato de a Administrao anuir com o pedido do servidor de afastamento para estudo no exterior no significa que o

    ato tenha nascedouro na vontade e interesse da Administrao, o que se pode confirmar da inteligncia do art. 84, quando

    exige que o servidor tenha sido deslocado para outro ponto do territrio, para o exterior.

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    cincia do entendimento firmado pela Administrao Pblica Federal sobre a Licena por Motivo de

    Afastamento do Cnjuge ou Companheiro, prevista no art. 84 da Lei n 8.112, de 1990, questiona

    sobre a possibilidade de alterao da Nota Tcnica n 164/2014 CGNOR/DENOP/SEGEP/MP,

    considerando a jurisprudncia do Poder Judicirio em sentido oposto ao firmado por esta SEGEP,

    assim como em razo de argumentos factuais apresentados pelos servidores interessados na

    concesso da referida licena.

    5. Da leitura do mencionado ofcio v-se que, o rgo Setorial consulente discorda do

    entendimento firmado pelo rgo central do SIPEC acerca da impossibilidade de concesso de

    licena para acompanhar cnjuge quando no se verificar deslocamento ocasionado por ato da

    Administrao, e sim autorizao de afastamento advinda de ao do prprio servidor, ou quando a

    unidade familiar j se constitua com os cnjuges vivendo em localidade diversa.

    6. Apesar de expor jurisprudncia do Poder Judicirio em sentido contrrio ao defendido

    pela Administrao Pblica Federal, extrai-se do processo que, de fato, o que motivou o

    encaminhamento do ofcio SEGEP foi a impossibilidade de concesso da licena frente situao

    pontual de servidor ocupante do cargo de Analista-Tcnico de Polticas Sociais-ATPS, em exerccio

    no MEC, na cidade de Braslia, cujo cnjuge, vinculada e em exerccio da Universidade Federal da

    Bahia, obteve autorizao para cursar Ps-Doutorado junto Universidade de Manchester, situada no

    Reino Unido.

    7. Assim, o ponto nodal da consulta cinge-se no fato de que com o afastamento de um

    dos cnjuges para outro Pas a unidade familiar seria prejudicada, tendo em vista que o casal no ter

    condies de arcar com os elevados custos de deslocamento entre Brasil e Reino Unido, o que no

    ocorre atualmente, em que, apesar de residirem em Estados da Federao distintos, os deslocamentos

    podem ser comportados pela vida financeira do casal.

    8. Traado o contexto exato da consulta, de sada impende ressaltar que a SEGEP, na

    condio de rgo central do SIPEC e propositora de polticas pblicas em gesto de pessoas, busca

    conciliar os interesses e necessidades dos servidores pblicos federais com os interesses da

    Administrao Pblica Federal.

    9. Todavia, em razo da Supremacia do Interesse Pblico e da Indisponibilidade do

    Interesse Pblico, os quais, apesar de implcitos no ordenamento jurdico, so pilares do regime

    jurdico-administrativo, quando diante de questes cujo entendimento ou atuao possa significar

    JackDestacar

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    sobrepor os interesses individuais aos da Administrao, deve esta, por impositivo, sobrelevar os

    interesses pblicos, queles. Esta a razo pela qual a SEGEP, a despeito do que interpreta o Poder

    Judicirio quanto ao alcance do art. 84 da Lei n 8.112, de 1990, o interpreta no sentido de que os

    afastamentos para cursar doutorado no exterior no ensejam a concesso de licena para

    acompanhar o cnjuge ou companheiro ou o exerccio provisrio, tendo em vista que o servidor foi

    afastado do exerccio do seu cargo efetivo, e no deslocado por fora de ato de ofcio da

    Administrao, para outro ponto do territrio nacional ou para o exterior para o exerccio de

    atividade compatvel com o seu cargo, nos termos do art. 84 da Lei n 8.112, de 1990.

    10. Nesse sentido, cite-se o Parecer n 158/2012/DECOR/CGU/AGU, cuja ementa se

    transcreve:

    REMOO PARA ACOMPANHAR CNJUGE. ART. 36, PARGRAFO

    NICO, INCISO III, ALNEA "A" DA LEI N 8.112, DE 1990.

    COABITAAO.

    I - o art. 36, inciso III, "a" da lei n 8.112, de 1990 buscou resguardar o

    rompimento familiar decorrente do deslocamento do servidor, que ocorre

    independente do seu interesse pessoal em se deslocar para localidade diversa, ou

    seja, do ofcio;

    II - por estar alinhado jurisprudncia do STJ, parece no haver razo para alterar

    o entendimento consubstanciado no Despacho do Consultor-Geral da Unio n

    813/2006;

    III - a finalidade da remoo para acompanhar cnjuge ou companheiro demonstra

    a necessidade de haver prvia convivncia comum, diria e na mesma localidade

    pelo casal, de modo a preserv-la;

    III - a norma no contempla as situaes em que antes mesmo de um dos

    consortes ser deslocado no interesse da Administrao j residiam em localidades

    distintas, porquanto no demonstrada convivncia familiar comum e diria,

    passvel de rompimento;

    11. Assim, embora se reconhea a especial ateno que o constituinte concedeu famlia,

    no caso em que a Administrao no tenha, a partir de um ato de ofcio, dado causa ao deslocamento

    do servidor, no h falar em obrigatoriedade de concesso de licena para acompanhar cnjuge,

    licena esta, que no se pode olvidar, materialmente significa deixar a Administrao sem a

    atividade prestada pelo servidor pelo tempo que durar a licena2.

    12. Nesta senda, esta Secretaria de Gesto Pblica no vislumbra motivos suficientes para

    a modulao do entendimento firmado na Nota Tcnica n 164/2014/CGNOR/DENOP/SEGEP/MP,

    2 Ainda que a licena seja sem remunerao, permanece a necessidade da Administrao do servio prestado pelo

    servidor licenciado.

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    se posicionando pela impossibilidade da concesso da licena para acompanhar cnjuge quando o

    afastamento no advier de deslocamento originado de ato de ofcio da Administrao, ainda que se

    trate de cnjuge afastado para estudo em outro pas.

    13. Posto isso, submete-se a presente Nota Informativa considerao das instncias

    superiores, com sugesto de posterior envio ao Ministrio da Educao, para conhecimento e

    providncias subsequentes.

    Braslia, 23 de fevereiro de 2015.

    deliberao do Senhor Diretor do Departamento de Normas e Procedimentos

    Judiciais de Pessoal.

    JULIANA S.Y. PERES DINIZ

    Analista da Diviso de Planos de Cargos e

    Carreiras

    ANA CRISTINA S TELES DVILA

    Coordenadora-Geral de Aplicao das Normas

    De acordo. Encaminhe-se ao Senhor Secretrio de Gesto Pblica, para aprovao.

    Braslia, 23 de fevereiro de 2015.

    ROGRIO XAVIER ROCHA

    Diretor do Departamento de Normas e Procedimentos Judiciais de Pessoal

    Aprovo. Encaminhem-se os autos Coordenao-Geral de Gesto de Pessoas do

    Ministrio da Educao, para conhecimento e providncias subsequentes.

    Braslia, 24 de fevereiro de 2015.

    GENILDO LINS DE ALBUQUERQUE NETO

    Secretrio de Gesto Pblica

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