Microeconomia FGV

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<ul><li><p>ROTEIRO DE CURSO2010.1</p><p>MICROECONOMIAAUTOR: ANTNIO CARLOS PORTO GONALVES</p></li><li><p>SumrioGarantias de Cumprimento</p><p>1. INTRODUO .................................................................................................................................................. 3</p><p>2. PLANO DE AULA .............................................................................................................................................. 7Bloco I: A lei da oferta e da demanda ............................................................................................. 7Bloco 2: Economia do bem-estar ................................................................................................. 12Bloco 3: Comportamento da empresa e organizao da indstria ...............................................16Bloco 4: A economia do setor pblico .......................................................................................... 23</p><p>3. BIBLIOGRAFIA .............................................................................................................................................. 26</p></li><li><p>MICROECONOMIA</p><p>FGV DIREITO RIO 3</p><p>1. INTRODUO</p><p>1.1. VISO GERAL</p><p>O panorama social de qualquer grupo de seres humanos composto por uma imensa quantidade de dados e informaes, os quais interagem de forma muito complexa e no evidente primeira anlise. As diversas cincias sociais procuram ordenar e estudar esta multiplicidade de dados e informaes. As-sim, a Histria usa, em geral, um critrio de organizao temporal e de perio-dizao para o entendimento dos fenmenos sociais, na expectativa de que as causas e os efeitos se ordenem de maneira temporal, ou que pelo menos isto ocorra na maioria das vezes.</p><p>A Cincia Poltica tenta classi car, ordenar, entender os dados sociais a partir da perspectiva do poder isto , de seres humanos interagindo e ob-tendo resultados melhores para um grupo e piores para o outro, conforme o poder que cada grupamento consiga amealhar. A Sociologia busca achar con- guraes de interdependncia entre os grupos humanos, isto , a formao de coalizes chamadas classes, estados, naes, raas, sindicatos, familias etc, as quais interagem entre si, tudo isto com o objetivo de interpretar os fen-menos sociais a partir destas con guraes e de sua dinmica. A Antropolo-gia faz essencialmente o mesmo que a Sociologia, mas seu foco , em geral, no passado ou em sociedades do presente fora do main-stream geogr co. H tambm abordagens institucionais, ticas e jurdicas, que se concentram em considerar as instituies e as regras desenvolvidas pelos seres humanos para conseguir uma convivncia mutuamente ben ca ou que analisam o porqu de no conseguirem tal convivncia.</p><p>A Economia, por sua vez, adota dois pontos de vista diferentes. Na Ma-croeconomia, se considera a evoluo dos chamados grandes agregados eco-nmicos PIB, in ao, desemprego, exportaes etc. e este ramo do conhecimento de natureza similar Sociologia, isto , busca con guraes de interdependncia, dividindo a sociedade em grupos amplos empre-srios, banqueiros, trabalhadores, governo e analisando a sua dinmica interativa. Mas isso ser visto com mais detalhes na parte referente ao curso de Macroeconomia.</p><p>A Microeconomia, por sua vez, adota como princpio organizador dos dados sociais que observa o comportamento racional das pessoas, de nido de forma restrita como sendo a otimizao das escolhas, feita por cada indiv-duo, para alcanar seus objetivos, supostamente muito claros e indubitveis para cada um.</p><p>Estes objetivos so considerados tambm relativamente imutveis. O homo economicus no tem dvidas e constante. A pessoa sabe o que </p></li><li><p>MICROECONOMIA</p><p>FGV DIREITO RIO 4</p><p>quer e no muda, mudando apenas as suas circunstncias. As modi caes nos dados sociais so ento explicadas como decorrentes de mudanas nas circunstncias das pessoas, dos indivduos, induzindo a mudanas nas suas escolhas, e ento na sociedade como um todo. Os modelos modernos ma-croeconmicos, buscando fundamentos microeconmicos e a uni cao da economia, construdos a partir da otimizao individual, em geral acrescen-tam ainda mais hipteses simpli cadoras, talvez simplrias, a esta construo por exemplo, todas as pessoas so iguais, e assim por diante.</p><p>O ponto de vista metodolgico microeconmico reducionista, a reduo chegando ao nvel do indivduo. E a agregao, soma simples dos compor-tamentos dos indivduos, que explicaria os movimentos sociais como um todo. Apenas recentemente a teoria dos jogos tem construdo modelos envol-vendo coalizes supra-individuais. E, como dito acima, tambm um ponto de vista metodolgico racionalista estrito, ou seja, no o simples projeto grego de entender o mundo luz da razo. o racionalismo utilitrio, do comportamento individual maximizador.</p><p>Apesar de suas restries, este ponto de vista da Microeconomia bem in-teressante, at para servir como balizador, quando se trata de explicar o com-portamento de pequenas unidades econmicas, como os consumidores ou as empresas, sujeitas a mudanas freqentes nas suas circunstncias. Para tanto, desenvolve conceitos, como a escassez re etida nos vrios tipos de custos, a regularidade das preferncias e da tcnica re etida na classi cao geral dos bens e dos fatores de produo (em substitutos e complementares), as leis da demanda e da oferta, descritivas de uma ampla gama de fenmenos de troca, o comportamento dos mercados competitivos, o poder de mercado monop-lico e oligoplico, os custos e os benefcios externos, isto , as externalidades, e assim por diante. Todos esses conceitos so muito usados, inclusive na le-gislao econmica referente a controles, regulao, determinao de preos, proteo do meio ambiente, e outros campos similares. O entendimento de tais conceitos , portanto, importante para os pro ssionais da rea jurdica.</p><p>Em sntese, cada uma das cincias sociais no tem um grupo de fenme-nos espec cos aos quais se dedica como se fosse seu territrio. Na verdade, elas adotam estratgias prprias para obter o conhecimento, atravs do uso de princpios diferentes de organizao dos dados e das informaes, como se fossem diversos pontos de vista, mutuamente no exclusivos, ordenando o mesmo conjunto de observaes, movimentos e reaes sociais.</p><p>No entanto, evidente que por usarem princpios diversos para a organi-zao do conhecimento, cada uma das cincias sociais se presta mais anlise de certos fenmenos nos quais a e cincia explicativa ou interpretativa do princpio que a caracteriza maior. Da a aparente especializao territorial de cada uma das cincias sociais, quando na verdade qualquer fenmeno so-cial pode ser olhado a partir de vrios pontos de vista.</p></li><li><p>MICROECONOMIA</p><p>FGV DIREITO RIO 5</p><p>No caso da Microeconomia, este aparente territrio existe e o seu cam-po de estudo clssico, que se compe de conceitos ligados produo das empresas custos, formao de preos em vrias con guraes de mercado e tambm o comportamento do consumidor e outros assuntos correlatos. No obstante, o princpio de comportamento racional estrito, claro e imut-vel para cada pessoa, ordenador dos dados sociais pela Microeconomia, pode ser aplicado em outras reas menos convencionais. Foi aplicado ao casamen-to, ao divrcio, diviso de tarefas dentro da famlia, dentro das cidades, e assim por diante. E, em particular, na anlise econmica das leis e do direito, ou seja, as normas jurdicas vistas sob a tica de sistemas de incentivos e de e cincia econmica. Idem para a tica, interpretvel como uma soluo de um jogo interativo entre os seres humanos, suas coalizes etc. </p><p>Assim, o curso de Microeconomia ora proposto objetiva a apresentao do material clssico e do menos convencional. A idia explorar os principais conceitos microeconmicos, provendo os futuros pro ssionais com as ferra-mentas necessrias para que entendam e possam prever o comportamento dos consumidores, das empresas, dos governos e dos mercados. Tambm ser dada nfase aos conceitos mais modernos (menos convencionais) de Micro-economia, sobretudo os ligados Teoria dos Jogos, mostrando sua impor-tncia na de nio das estratgias dos consumidores e das organizaes em geral. Aulas e leituras na rea de anlise econmica das leis tambm devero ser apresentadas.</p><p>1.2. OBJETIVOS GERAIS DA DISCIPLINA</p><p>O objetivo do curso de Microeconomia ser explorar os principais concei-tos microeconmicos, tornando possvel explicar e talvez prever o comporta-mento das empresas, dos consumidores e dos mercados. Dentre os conceitos clssicos focados no curso esto os ligados produo e empresas, custos, formao de preos em vrios tipos de mercado e comportamento do consu-midor. Tambm ser dada nfase aos conceitos mais modernos, sobretudo os ligados Teoria dos Jogos, mostrando sua importncia na de nio das estra-tgias dos consumidores e das organizaes em geral. O objetivo ser mostrar ao futuro pro ssional que o conhecimento da Microeconomia fundamental para entender e prever comportamentos, decises e estratgias.</p><p>1.3. METODOLOGIA</p><p>O curso ser conduzido atravs de aulas expositivas, de aulas para debates e de aulas para a resoluo de exerccios. Teremos ento:</p></li><li><p>MICROECONOMIA</p><p>FGV DIREITO RIO 6</p><p> 18 Aulas expositivas; ao nal de cada aula expositiva sero sugeridos exerccios sobre os temas discutidos.</p><p> 5 Aulas exclusivas para o debate de Questes para Discusso, os quais sero analisados a partir dos conceitos microeconmicos.</p><p> 5 Aulas exclusivas para a resoluo de exerccios e esclarecimento de dvidas.</p><p> 2 Aulas para a realizao das provas.</p><p>1.4. MTODO DE AVALIAO</p><p>A mdia nal dos alunos consistir na mdia simples entre duas provas e mais uma nota de participao, que envolve exerccios em sala, trabalhos para casa, freqncia, participao em aula etc.</p><p>Cada prova ter como matria os Blocos descritos no Plano de Aula.Matria da 1 prova Blocos I e IIMatria da 2 prova Bloco III e IV</p><p>Caso no alcance a mdia mnima de 7,0, o aluno far uma Prova Final, que englobar a matria de todo o curso.</p></li><li><p>MICROECONOMIA</p><p>FGV DIREITO RIO 7</p><p>2. PLANO DE AULA</p><p>BLOCO I: A LEI DA OFERTA E DA DEMANDA</p><p>DURAO PREVISTA: 11 AULAS</p><p>6 aulas expositivas2 aulas para a discusso de Casos2 aulas para a resoluo de exerccios1 aula para a realizao da 1 Prova</p><p>PARTE 1: PRINCPIOS BSICOS DE ECONOMIA</p><p>Referncia bibliogr ca: Mankiw, caps. 1 e 2; Krugman e Wells, caps. 1 e 2.Exerccios sugeridos: Mankiw, cap. 1, Problemas e Aplicaes 1 a 5; cap. </p><p>2, Questes para Reviso 3, 4 e 6; Problemas e Aplicaes 4 e 7. Krugman e Wells, cap. 1, Problemas 4, 5 e 6; cap. 2, Problemas 1 a 5.</p><p>PARTE 2: INTERDEPENDNCIA E GANHOS COMERCIAIS</p><p>Referncia bibliogr ca: Mankiw, cap. 3; Stiglitz, cap. 3.Exerccios sugeridos: Mankiw, cap. 3, Problemas e Aplicaes 1 a 5.</p><p>PARTE 3: AS FORAS DE MERCADO DA OFERTA E DA DEMANDA</p><p>Referncia bibliogr ca: Mankiw, cap. 4; Stiglitz, cap. 4.Exerccios sugeridos: Mankiw, cap. 4, Problemas e Aplicaes 1, 2, 5, 7 e 9.</p><p>PARTE 4: ELASTICIDADE E SUA APLICAO </p><p>Referncia bibliogr ca: Mankiw, cap. 5; Stiglitz, cap. 5.Exerccios sugeridos: Mankiw, cap. 5, Problemas e Aplicaes 1, 2, 4, 6 e 8.</p><p>PARTE 5: OFERTA, DEMANDA E POLTICAS DO GOVERNO</p><p>Referncia bibliogr ca: Mankiw, cap. 6.</p></li><li><p>MICROECONOMIA</p><p>FGV DIREITO RIO 8</p><p>Exerccios sugeridos: Mankiw, cap. 6, Questo para Reviso 4; Problemas e Aplicaes 1, 4, 6 e 7.</p><p>CASO PARA DISCUSSO 1:</p><p>XHOSAS E ZULUS</p><p>Xhosa o nome de um grupo tnico sul-africano de onde veio o grande lder Nelson Mandela, o qual lutou vitoriosamente contra o Apartheid. No grupo dos Xhosa, um homem deveria pagar 26 cabeas de gado de dote para a famlia de sua futura esposa. Assim, um homem rico, com muitas cabeas de gado, poderia ter vrias esposas. Havia tambm trocas secundrias, ou seja, um homem poderia adquirir a esposa de outro em troca das tais 26 cabeas de gado.</p><p>Entre os Zulus, outro grupo tnico sul-africano, o dote pago para a famlia da futura esposa era de 11 cabeas de gado. Os Zulus eram grandes guerreiros (mais que os Xhosas) de maneira que muitos homens morriam e mulheres normalmente faziam parte do botim de guerra.</p><p>QUESTES:</p><p>a) D uma explicao em termos da lei da oferta e da demanda, para a menor cotao das esposas entre os Zulus.</p><p>b) O fato de que 26 e 11 eram cotaes estabelecidas e tradicionais sugerem o qu a respeito da estabilidade da oferta e da demanda e do progresso tcnico nessas sociedades?</p><p>c) A globalizao tenderia a homogeneizar as cotaes. Explique o que seria a globalizao neste contexto e destaque as vantagens e desvantagens desta tendncia. O que os Xhosas exportariam para os Zulus e estes para os Xhosas?</p><p>d) Pouco antes da abertura dos contatos entre os dois grupos qual seria o tpico comportamento de um especulador Zulu, dada a possibilidade de trocas secundrias? justo uma pessoa se bene- ciar porque interpreta melhor os eventos no mundo? E se tiver meramente sorte?</p><p>e) Seria justo permitir o contato social e comercial entre os Xhosas e os Zulus?</p></li><li><p>MICROECONOMIA</p><p>FGV DIREITO RIO 9</p><p>CASO PARA DISCUSSO 2:</p><p>Manifesto Comunista</p><p>Marx e Engels, no Manifesto Comunista (1848), falaram que a histria do Homem sempre foi marcada pelo con ito entre o capital e o trabalho, isto , entre o capitalista (o dono dos meios de produo) e o trabalhador. Conside-re essa questo e responda: no h cooperao entre capital e trabalho?</p><p>CASO PARA DISCUSSO 3:</p><p>PLANO DE COMBATE GUERRILHA NO LUGAR DA GUERRA S DROGAS (PLANO COLMBIA)</p><p>Por WFM-CARTACAPITALREVISTA CARTA CAPITAL- 11 Maio de 2005 Ano XI Nmero 341.</p><p>No seu primeiro priplo funcional e geoestratgico por pases da Amrica do Sul, a secretria de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, cou pou-cas horas em Bogot. Tempo su ciente, no entanto, para anunciar o m do Plano Colmbia que completar os cinco anos estabelecidos em julho e transmitir a deciso de Bush de continuar a ajuda militar para combater o terrorismo. Numa correta chave de leitura, faliu o Plano Colmbia. O novo foco prioritrio ser o combate aos insurgentes, considerados por Bush, quer no Iraque, quer na Colmbia, como terroristas. </p><p>Com tudo adrede preparado para evitar surpresas e reaes verbais no funeral do Plano Colombia, o presidente lvaro Uribe cumpriu silncio ob-sequioso. No dia seguinte, j cogitava da nova estratgia antidrogas, em ce-rimnia no Parque Nacional Sierra Nevada de Santa Marta, onde foi encon-trada coca transgnica por um o cial da polcia colombiana, desmentido pelo czar antidrogas do governo norte-americano, John Walthers.</p><p>O dispendioso e militarizado Plano Colombia teve como carro-chefe a erradicao das reas de cultivo de folhas de coca, matria-prima para a ela-borao do cloridrato de cocana. As reas objeto das erradicaes foram es-colhidas com base em identi cao por fotogra as de satlite, ou seja, em Putumayo, Caqueta, Meta, Vichada e Vaupes. O forte das erradicaes con-sistiu no despejo de toneladas do potente herbicida base de glifosato, desen-volvido pela multinacional Monsanto.</p><p>Esse ingrediente ativo comercializado com o nome Roundup, sendo fartamente encontrvel nas prateleiras dos supermercados e casas de pro-dutos agrcolas brasileiros. As perigosas erradicaes manuais em campos </p></li><li><p>MICROECONOMIA</p><p>FGV DIREITO RIO 10</p><p>sob proteo de guerrilheiros e paramilitares, como se percebeu, no ti-nham a velocidade dos geis camponeses incumbidos de re...</p></li></ul>