metodologia de projeto para adaptacao inclusiva de conteudo literario para deficientes visuais

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  • 1. Metodologia de projeto para adaptao inclusiva decontedo literrio para deficientes visuaisDominique Adam, Universidade Federal do Parandomiadam@gmail.comCarolina Calomeno, Universidade Federal do Parancarolcalomeno.ufpr@gmail.comResumoO objetivo dessa pesquisa apresentar uma metodologia para adaptar representaesgrficas para crianas com deficincia visual congnita, ou seja, aquelas que j nasceram coma deficincia ou a adquiriram at os cinco anos de idade. Utilizando tcnicas de produogrfica diferenciadas e independentes do mtodo braile, o projeto de adaptao inclusiva visaestimular as habilidades sinestsicas necessrias pr-alfabetizao a partir de pesquisa,identificao e anlise de materiais direcionados atravs da traduo intersemitica paraposterior adaptao grfica. Aliada com as pesquisas tericas sobre o assunto, a pesquisa decampo observacional foi imprescindvel para a efetivao do projeto inclusivo.Palavras-chave: metodologia de projeto, literatura cientfica, adaptao inclusivaAbstract:The aim of this research is to introduce a methodology to adapt visual representations forchildren with congenital visual impairments, those who have been born with visualimpairment or its detection occurred until 5 years old. Using different kinds of graphicproduction independent of Braille process, this inclusive adaptive design urges tosynesthesics skills needed to literacy - from research, identification and analisys of differentgraphic materials through intersemiotic translation for graphic adaptation afterwards. Inpair with academical researches, the field research was indispensable to conclude thisinclusive adaptive design.Keywords: Projects methodology, academical researches, inclusive adaptive design.10 Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, So Lus (MA).

2. IntroduoA linguagem um tipo de tcnica que pode ter efeitos decisivos na vida do indivduo ena vida das pessoas a seu redor, sendo necessria para as mais variadas atividades: informar-se, comunicar-se, interpretar um poema, ler um livro. Atravs da linguagem escrita, falada,desenhada possvel adquirir conhecimento, entretenimento e se localizar no mundo. Umaforma de interao entre pessoa-mundo dada atravs da leitura, dos livros extensos oucurtos, ldicos ou sistemticos os quais so imprescindveis para a alfabetizao. SegundoRichard Bamberger (1994, p. 34), Se conseguirmos fazer com que a criana tenhasistematicamente uma experincia positiva com a linguagem, estaremos promovendo o seudesenvolvimento como ser humano. De fato a leitura e os livros em geral tm sumaimportncia para o desenvolvimento das pessoas, seja propondo entretenimento ouconhecimento.A literatura infantil, por sua vez, traz desde cedo a inteno de fazer com que ospequenos seres desbravem o mundo. O livro infantil utilizado como recurso pedaggico epode ser um auxlio para compor, enriquecer, constituir bagagem intelectual de cada um.Alm de auxiliar na alfabetizao, este tem o potencial de despertar curiosidade, auxiliar noprocesso de captao e comparao de coisas, objetos, pessoas, lugares, etc. Porm, estaspeculiaridades que os livros possuem so pouco utilizadas em materiais grficos destinados spessoas com deficincia visual. So necessrias muitas palavras para representar umailustrao, por exemplo. Como descrever as cores de um arco ris para uma criana que possuideficincia visual? As palavras servem como apoio, mas necessrio proporcionar aosdeficientes visuais experincias to ricas quanto aquelas vividas pelos videntes.A partir do contexto apresentado, a pesquisa tem como objetivo apresentar um modelometodolgico para adaptao inclusiva de livro infantil, com foco no usurio e na efetividadeda compreenso sensorial, sendo capaz de integrar e estimular as experincias sensoriais dascrianas cegas congnitas o mais cedo possvel.Dessa forma, utilizar uma metodologia voltada para compreender o usurio e suasnecessidades, o que garante efetividade no processo de design.Para dar inicio pesquisa, o pblico alvo foi definido: o material a ser adaptado destinado s crianas com deficincia visual congnita ou precoce, ou seja, aquelas quenasceram cegas ou adquiriram a doena at os cinco anos de idade. A cegueira, em crianas,provm de anomalias do desenvolvimento, de infeces transplacentrias e neonatais (comoexemplo, a toxoplasmose, a rubola, a sfilis), a prematuridade, os erros inatos dometabolismo, as distrofias, os traumas e os tumores.Para compreender relao da sociedade perante as pessoas com deficincia visual, foirealizada uma entrevista com o cientista social Manoel Negraes - integrante da equipe demobilizao social da Unilehu - Universidade Livre para a Eficincia Humana, OSCIP -Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico, que atua na rea de incluso social nomercado de trabalho e na sociedade em geral. Pode-se observar que o preconceito existente fruto da falta de informao e de uma imagem errnea que a sociedade possui sobre aspessoas que compartilham essa deficincia. Esse fator prejudica o desenvolvimento como serhumano desses indivduos, dificultando as relaes interpessoais. As dificuldades encontradasno se limitam falta de convvio social. O acesso aos bens e recursos materiais (lupaseletrnicas, computadores com leitores de tela, etc.) e aos servios pblicos de qualidadedificulta a pessoa com deficincia visual a superar obstculos para conseguir uma boaeducao e colocao no mercado de trabalho. Os investimentos nessa rea ainda sodiminutos, j que necessrio que todas as pessoas, independentes de terem problemas deviso ou no, tenham disposio sade e educao de qualidade. Como no pas ainda h10 Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, So Lus (MA). 3. muita desigualdade nesse aspecto, as pessoas com que apresentam alguma deficincia enecessitam de ateno especial, ainda ficam para terceiro plano, pois, mesmo em algumasescolas que j possuem salas com recursos pticos diferenciados, como as lupas eletrnicas,computadores com leitores de tela, impressoras braile, no apresentam profissionaisqualificados para realizar o trabalho de alfabetizar algum que no enxerga e tambm, casosem que profissionais esto preparados mais os recursos necessrios no esto disponveis.Para lidar com este problema, a sociedade faz bastante coisa, muitas vezes atua em reas emque o poder pblico abandona ou esquece. Trabalhos pontuais tanto na alfabetizao depessoas com a deficincia visual at a reeducao para com o espao fsico, para aqueles quese tornaram cegos, sem a ao do Estado, infelizmente no minimizam os problemas. O Brasilpossui umas das melhores legislaes do mundo para quem tem alguma deficincia, porm ogoverno no assume seu papel, no aplicando as leis e no fiscalizando seu cumprimento.Dessa forma, o problema persiste, abrindo espao para outras colocaes, como: empresasque disponibilizam vagas de emprego destinadas s pessoas portadoras de deficincia umatima ao inclusiva, porm, se o acesso at o local de trabalho continua precrio (transporteinacessvel, ruas sem sinalizao adequada), a incluso no ocorre. A necessidade da alianaentre governo e sociedade indispensvel para que os problemas possam ser solucionados.Para que todos esses obstculos sejam enfrentados pelas pessoas com deficinciavisual o convvio familiar imprescindvel. Juntamente com o apoio de bons profissionais, afamlia pode e deve se tornar a maior aliada da pessoa com deficincia para que esta possaenfrentar as dificuldades e alcanar seus objetivos.Aps o breve conhecimento sobre a posio do deficiente social no Brasil, foi possvelcompreender as dificuldades e obstculos que essa populao tem de enfrentar para fazerparte da sociedade. Com isso, uma premissa foi estabelecida: Incluir uma criana deficientevisual na sociedade em que ela vive atravs da adaptao de materiais de literatura infantilcorriqueiros em produtos diferentes na forma de apresentao, rompendo com padrespreestabelecidos e gerando solues mais criativas abrangendo a traduo intersemitica1 e asinestesia, ou seja, associando sensaes de naturezas distintas com percepes tteis eolfativas.A partir dessa etapa, foi imprescindvel analisar a realidade diria desse pblico alvo.Para isso, uma pesquisa de campo foi realizada no Instituto Paranaense de Cegos, localizadoem Curitiba-PR. O objetivo inicial da pesquisa foi o de conhecer o comportamento de umacriana deficiente visual em um ambiente social a sala de aula. Com o desenvolvimento daspesquisas observacionais realizadas durante todo o processo, foi possvel projetar um materialgrfico destinado s crianas deficientes visuais, tendo como base metodologias de anlisecentradas no usurio e tambm a convivncia com o pblico alvo.Algumas metodologias centradas no usurio foram estudadas e, de acordo com ocontexto dessa pesquisa, foram adaptadas para melhor colaborar no processo de coleta deinformaes.1Roman Jacobson define traduo intersemitica como traduo" que consiste nainterpretao dos signos verbais por meios de sistema de signos no visuais, ou de umsistema de signos para outro, por exemplo, da arte verbal para a msica, a dana, o cinema oua pintura. Traduo Intersemitica, Julio Plaza. 10 Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, So Lus (MA). 4. MetodologiaA partir do modelo centrado no usurio de Frascara, (Frascara, 2004) o qual abrangeas etapas de definio do problema, coleta de informaes, definio do problema com basena coleta, definio dos objetivos do produto, especificaes e princpios do design e por fim,a proposta de design (contedo, forma, mdia, tecnologia) meios de linguagem grfica foramadicionados, com base em Twyman (1979) e Spinillo(2001) com a inteno de identificar asprincipais caractersticas de materiais grficos para os usurios pertinentes ao objeto deestudo.Segundo Frascara (2004), no fcil estabelecer uma sequncia de passos paracompor um processo de design devido variedade de situaes onde a comunicao empregada. Alguns passos podem ser identificados e utilizados como base para a gerao deum processo de design. A seguir