mestres da gravura

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  • Mestres da GravuraColeo Fundao b i b l i o t e c a n a c i o n a l

  • Mestres da GravuraColeo Fundao b i b l i o t e c a n a c i o n a l

    Biblioteca Nacional

    r e a l i z a o p r o j e t o p a t r o c n i oa p o i o

  • Centro Cultural Correios, 28 de julho a 18 de setembro de 2011

    Mestres da GravuraColeo Fundao b i b l i o t e c a n a c i o n a l

    c u r a d o r i a Fernanda Terra

  • D e volta ao sculo xv e viajando at 1830, faremos um belo passeio, por mais de 400 anos, ao lado dos Mestres da Gravura, como Drer, na Alemanha; Rembrandt, na Holanda; Piranesi, na Itlia; Callot, na Frana; Hogarth, na Inglaterra; Goya, na Espanha... entre outros artistas europeus, internacionalmente famosos. Um passado de arte, esculpido em madeira e metal, e eternizado para o olhar contemplativo e extasiado de gerao a gerao.

    Se nas pocas vividas por esses artistas as gravuras os popularizaram, hoje, paradoxalmente, so suas extraordinrias pinturas que os distinguem entre os grandes nomes da histria da arte mundial de todos os tempos. Telas valiosas so mais frequentemente expostas, enquanto as exposies de gravuras acontecem com certa raridade, embora grandiosos e riquissmos sejam os seus acervos, como a coleo de 30 mil obras que a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro abriga.

    Conjugando o verbo gravar em todos seus tempos e modos, a ao criativa dos Mestres da Gravura pode ser adjetivada com toda a sinonmia expressiva do belo, seja pela temtica, a originalidade, a dramaticidade, a stira, a polmica, seja pelo detalhismo, o burlesco, o obsceno, o obscuro... Clssicos, renascentistas, neoclssicos, o fato que os gravadores desse ciclo marcaram seus mritos em importantes obras. Marcas de um passado indelvel a ser disseminado no presente e no futuro. Sempre!

    E os Correios, permanentemente comprometidos com a propagao da cultura, tambm se sensibilizam com essa relao de perenidade e de conhecimento dessa arte. Assim, imprimem a sua marca como patrocinadores da exposio, abrindo o seu Centro Cultural para receber esses mestres ilustres e suas obras-primas. Ao pblico, fazem um convite especial para que se percorram mais de quatro sculos da histria e evoluo da gravura. Um passeio de absoluto encantamento!

    Muito bem-vindos a esse pretrito perfeito, pelo seu indestrutvel vnculo com o futuro e pelo tempo presente que se conjuga aqui e agora.

    centro cultural correios

    P reservar e permitir o acesso aos registros da cultura brasileira misso da Fundao Biblioteca Nacional, detentora de uma das mais ricas colees da Amrica Latina, atualmente composta por mais de nove milhes de peas, entre as quais livros, manuscritos, mapas, gravuras e partituras.

    Hoje, a instituio bicentenria enfrenta os desafios que o futuro lhe impe, sem dar as costas para o seu passado. importante recordar que, graas estratgia da Coroa Portuguesa em enfrentar os mares para driblar a invaso napolenica, trazendo na bagagem sua Real Biblioteca, a Biblioteca Nacional se tornou responsvel pela preservao da memria cultural brasileira, bem como por parcela da memria portuguesa.

    A cuidadosa seleo de gravuras do acervo da Biblioteca Nacional ora apresentada ao pblico compe um conjunto precioso, grande parte oriunda da Real Biblioteca portuguesa. A partir desses documentos, ser possvel apreciar a arte da gravura e conhecer diversos artistas, bem como as tcnicas por eles empregadas. Em suma, a exposio Mestres da Gravura, uma parceria entre a Fundao Biblioteca Nacional e o Centro Cultural dos Correios, constitui-se numa oportunidade mpar de dar ao pblico acesso a esse valioso acervo.

    fundao biblioteca nacional

  • 8

    Sumrio

    Mestres da gravura 7Fernanda Terra

    As tcnicas de gravura

    Coleo Italiana 14

    Coleo Alem 30

    Coleo Holandesa 40

    Coleo Flamenga 54

    Coleo Francesa 60

    Coleo Inglesa 68

    Coleo Espanhola 76

    Coleo Portuguesa 82

    Referncias bibliogrficas 86

    Obras expostas 87

    M estres da Gravura, homenagem aos 200 anos da Fundao Biblioteca Nacional (fbn), rene 170 obras representativas da histria da gravura eu-ropeia. Esse conjunto, cuja origem remonta Real Biblioteca, trazida por ocasio da transferncia da corte portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808, integra o mais importante acervo de gravuras do pas: a Coleo de Gravuras Avulsas da fbn, constituda por 30 mil itens. Trata-se, pois, de rara oportunidade de apreciar parte significativa desse valioso patrimnio cultural brasileiro.

    Encontram-se na mostra tanto xilogravuras quanto exem-plares de diversas tcnicas de gravao em metal surgidas do Renascimento (sculo xv) ao Iluminismo (sculo xviii). So criaes de 81 gravadores que traduzem, com sensibilidade e destreza de gestos, no s a construo do pensamento reli-gioso e filosfico, como tambm ideias, aes, descobertas e costumes promovidos pela cultura europeia durante esses quatro sculos.

    As gravuras foram dispostas em ncleos regionais de pro-duo, formados pelas colees italiana, alem, holandesa, flamenga, francesa, inglesa, espanhola e portuguesa, e por ordem cronolgica de nascimento dos gravadores. H nesses ncleos gravuras originais e gravuras de reproduo ou interpretao. Entre as gravuras originais, destacam-se autores como Piranese, Drer, Rembrandt, Callot, Goya e Hogarth, cujas linguagens poticas se caracterizam por seu ineditismo, sua inventividade e sua fora expressiva. Por sua vez, as gravuras de reprodu-o ou interpretao, realizadas por grandes gravadores com amplo domnio tcnico, apresentam obras-primas da pintura, da escultura e do desenho, tendo constitudo, durante muito tempo, uma das mais importantes formas de difuso da arte e de divulgao dos artistas

    A arte da gravura

    Para o homem da Idade Mdia, Deus que semeia a vis creativa. DEle provm a beleza da criao, testemunho de sua grandeza e de sua sabedoria infinita, pela qual o Belo se aproxima da Verdade. O tema religioso marca a construo do fazer artstico. J ao longo do Quattrocento, o Belo e a natureza se fundem num s ideal. Temas documentais e mitolgicos surgem no universo das gravuras, inspirados pelo humanismo crescente que afirma a dignidade do homem e o torna um investigador da nature-za, numa revalorizao dos ideais clssicos gregos e romanos. O homem como centro do universo, autnomo, livre, criativo, se faz representar em propores perfeitas e est inserido num espao ilusrio tridimensional da perspectiva linear.

    No sculo xvi, o pensamento renascentista se difunde pela Eu-ropa, ao mesmo tempo que a Reforma abala o equilbrio poltico e a unidade cultural e artstica recm-conquistados no continente. As gravuras, sob inspirao protestante, se voltam para a natureza e personagens profanos. A iconoclastia toma o cenrio da arte. Com o declnio da influncia catlica, elevam-se o pessimismo, a insegu-rana e o alheamento caractersticos do Maneirismo. A noo de espao alterada e a perspectiva se fragmenta em mltiplos pon-tos de vista. As propores da figura humana se distorcem numa linguagem visual mais dinmica, que se mostra dramtica e sofis-ticada, refletindo os dilemas de fim do sculo. No sculo seguinte, a Contrarreforma abre caminho para o adensamento expressivo do Barroco, com a sensualidade das formas curvas e espiraladas, a monumentalidade cenogrfica e a exaltao do movimento.

    Ao excesso do Barroco o Neoclassicismo responde, em meados do sculo xviii, com uma arte mais serena, equilibrada e sombria, que retoma o interesse pela Antiguidade clssica, valendo-se das escavaes arqueolgicas e das bases cientficas, sistemticas e racionais em que se inspira.

  • 10 11

    A arte de gravar

    Gravar dar vida s linhas do tempo. Das tramas delicadas do desenho sobre uma superfcie bordaram-se com linhas incisivas, ao longo da histria, algumas das mais sutis e notveis obras de arte. No Ocidente, a prtica da gravura em papel se inicia no final do sculo xiv, com as primeiras xilogravuras usadas para reproduzir imagens de santos e cartas de baralho. Seu desen-volvimento consequncia do conhecimento da tcnica de fa-bricao do papel, descoberta pelos chineses em 105 a.c., e que chega Pennsula Ibrica em meados do sculo xii. Apenas no sculo xv, no entanto, a prtica da gravura em papel se desen-volve na Itlia e, logo depois, nos demais pases europeus, como expresso artstica e meio de divulgao e democratizao do conhecimento, substituindo o manuscrito e as iluminuras.

    As primeiras impresses a partir da matriz de madeira so cha-madas de xilogravuras (gravura em relevo). J o emprego de matri-zes em metal, antes restrito ourivesaria, possibilitou o surgimento da gravura em talho-doce (taille-douce ou intaglio), nome empregado em referncia gravura a buril. As matrizes so preferencialmente feitas de chapas de cobre, em que o entalho produzido entintado, permitindo maior aprimoramento e refinamento das impresses.

    A arte da gravura em metal conhecida como calcografia. At o sculo xviii, eram cinco os principais procedimentos da gravura em metal: a buril, ponta-seca e gua-forte, herdados dos ourives e armeiros medievais; gua-tinta e maneira-negra, procedimentos inventados para a construo de matrizes reti-culadas por processos manuais e mecnicos. Somam-se a esses procedimentos, de meados para o fim do sculo xviii, as tcnicas maneira de crayon, do verniz mole e do pontilhado.

    Fernanda Terracuradora

    As tcnicas de gravura*

    A xilogravura Na xilogravura, realizam-se entalhes diretos na matriz de ma-deira com ferramentas como a goiva e o formo, deixando-se a imagem a ser impressa em relevo. Destacada do fundo, a imagem recebe a tinta de impresso, que ser transferida para uma folha de papel, por meio de presso feita pela mo dire-tamente sobre o papel posado na placa entintada de madeira ou com o auxlio de uma esptula ou colher de madeira.

    Gravura a buril Tamb