memorialdo convento

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  • 1. Quando digo corrigir, corrigir a Histria, no no sentido de corrigir os factos da Histria, pois essa nunca poderia ser tarefa do romancista, mas sim d introduzir nela pequenos cartuchos que fdedlh faam explodir o quel d at ento parecia indiscutvel: por outras palavras, substituir o que foi pelo que poderia ter sidosidoJos Saramago Histria e Fico, in, JL, 1990Saramago, Histria Fico in JL

2. Jos SaramagoMesmo que a rota da minha vida me leve a uma estrela, nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos d mundo r rr ri h do d Jos de Sousa SJ d S Saramago nasceu no di 16 dia de Novembro de 1922, na Azinhaga do Ribatejo, pequena freguesia do concelho da Goleg. A sua famlia de camponeses mudou-se para Lisboa quando ele tinha somente dois anos; todavia, Saramago no esqueceu as suas origens e visita frequentemente a sua terra natal.fig. 1 Jos Saramago O Nobel iniciou os estudos no Liceu Gil Vbld l Vicente, porm, por razes econmicas apenas frequentou este local durante dois anos acabando por estudar na Escola Industrial Afonso Domingues. Aqui aprendeu o ofcio de serralheiro mecnico. Ao longo da sua vida foi tambm funcionrio administrativo e desenhador nos Hospitais Civis de Lisboa. A par disto lia sempre centenas de livros, tendo sido o utilizador mais frequente da p f q biblioteca do Palcio Galveias.Casou com a pintora Ilda Reis em 1924 casamento que se manteve 1924, durante 26 anos. Foi em 1947 que nasceu a sua filha Violante, no mesmo ano em que publicou o seu primeiro ttulo, o romance Terra de Pecado Esta bra a P ad . E ta obra passou d r bida e f ra necessrios mais vi t despercebida foramriai vinte anos para que o autor de Memorial do Convento voltasse a publicar. Embora os seus trabalhos no fossem reconhecidos como Saramago desejava, a sua actividade profissional j h i sofrido uma mudana: d jti id d fi i l havia f id d trabalhou doze anos numa editora, onde exerceu funes de direco literria e de produo, e colaborou, como crtico literrio, na revista Seara N SNova. 3. J em 1972 e 1973 f parte d prestigiado Dirio d Lisboa, ondefez do d de bd foi cronista, coordenador do suplemento cultural e comentador politico. Foi F i no ano d 1976 que a carreira d N b l portugus passou a ser de i do Nobel t estritamente literria. Alm de poeta e cronista, Saramago tambm dramaturgo e contista. No entanto, as suas obras de literatura portuguesa contempornea so as mais apreciadas. Por fim, casado desde 1988 com a jornalista Pilar del Rio,f ,j R , vivendo com ela na ilha de Lanzarote, nas Canrias. Como nasceu o RomanceMemorial do Convento foiM rial d C v t f i concebido p r bid por Jos Saramago no final dos anos setenta. Segundo o autor, a primeira inteno de criar gp esta obra surgiu quando ao olhar o mosteiro afirmou Gostava de meter um dia isto dentro de um romance. Seguidamente ao ler uma romance Seguidamente, passagem de Camilo ficou bastante impressionado com a referncia aos cinquenta mil homens que sofreram para erguer o convento d h f de Mafra.Todavia,Todavia a maior das inspiraes surgiu quando o autor percebeu que havia uma coincidncia cronolgica entre a construo do convento e as experincias d Padre Bartolomeudo dl fig. 3 e 4 Convento de Loureno de Gusmo.Mafra e Passarola 4. Contextualizao Memorial do Convento evoca a Histria portuguesa do reinado do sculo XVIII, procurando relaciona-la com as situaes polticas de meados do sculo XX Nesta poca tenta se seguir o fausto da corteXX. tenta-se francesa do Rei-Sol Lus XIV. Em Portugal, D. Joo V deixa-se influenciar pelos diplomatas quegxf p p q o cercam (intelectuais estrangeirados) e pela riqueza vinda do Brasil. O facto de no Brasil surgirem as grandes jazidas de ouro de aluvio permite a resoluo d alguns problemas fil i it l de l bl financeiros e l o rei ilevai a investir em luxuosos palcios e igrejas. O rei portugus manda construir o convento de Mafra na tentativa de ultrapassar a fp magnificncia do Escorial de Madrid e do palcio de Versalhes, e tambm em aco de graas pelo nascimento do seu filho. No convento foi includo uma grandiosa baslica e um extraordinrio palciopalcio.D. Joo V foi aclamado rei a 1 de Janeiro de 1707 quando o pas atravessava uma situao econmica critica. Portugal estava envolvido na GGuerra d Sda Sucesso. Por outro lado o Rei megalmano tinha uma vida sentimental marcada pelas traies rainha D Maria Ana Este envolveu se com D.Ana. envolveu-se figuras femininas quer da corte quer do clero. O rei semeou bastardos. Outra caracterstica deste sculo a Inquisio que atingiu o seu auge nesta poca. Esta ocupa-se com a ordem religiosa e moral, ocupa se estendendo a sua interveno aos campos sociais, culturais e polticos. Os perseguidos deixaram de ser apenas cristos novos e pessoas que cometem delitos de feitiaria, superstio, magia e crena sebastianista, para passarem a ser tambm os intelectuais. 5. O Santo Tribunal da Inquisio tinha como suposto objectivo primrio o combate das heresias religiosas.. Porm, este desviou-se e passou a censurar livros prticas de adivinhao e feitiaria e bigamialivros,bigamia. Com o decorrer do tempo, todos os sectores da vida social, cultural e p poltica foram afectados. As torturas eram to brbaras que, osffA q , acusados, muitas vezes confessavam crimes que no tinham cometido. Muitos foram extraditados ou at mesmo queimados na fogueira. Felizmente, este Tribunal extinto em 1821. fig. 4 e 5Condenaes e torturas do Santo OfcioO que nos diz o ttulottulo Por um lado, em relao palavra memorial, podemos considerar a definio monumento comemorativo. Mafra comemora uma promessa e assiste a uma f religiosa. O romance no homenageia estas componentes, componentes mas antes o trabalho dos operrios e artistas que construram o convento. Por contraste aos homenageados esto os interesses mesquinhos e egostas dos que mandaram edificar este monumento. Por outro lado, o ttulo faz tambm referncia ao convento , sobrepondo se sobrepondo-se a Baslica e Palcio (tambm estes presentes no edifcio em causa). Esta foi a palavra que o povo elegeu para denominar as edificaes de Mafra. Em suma, o ttulo Memorial do Convento apresenta uma carga simblica quer enquanto sugere as memrias evocativas do passado e pressuposies existenciais quer ao remeter para o mundo mstico e existenciais, misterioso. 6. Classificao do romanceMemorial do Convento pode ser classificado de vrias formas: Romance Histrico A obra oferece-nos uma minuciosa descrioda i d dd sociedade portuguesa d sculo XV do l XVIII, marcada pela l d l luxuosa vida did dacorte, associada Inquisio e explorao dos operrios. Todos estesfactos esto historicamente provados Tambm o facto da Guerra daprovados.Sucesso ser referenciada na obra, bem como a construo da passarola,contribuem para esta classificao do romance.pf Li ha neo-r ali ta Linha neo-realistao autor eleva o povo sofredor e o operariadot l f di d oprimido, por outras palavras, Saramago tenta transmitir a sua preocupao com a realidade social. Romance Socialo romance pode ser considerado como uma crnica dos costumes de uma poca. Romance de interveno a obra apresenta a histria repressiva portuguesa da primeira metade do sculo XX XX. RRomance d espaode em MMemorial d Convento representa-sei l do no s uma poca, com o seu ambiente histrico, mas tambm quadros sociais que decoram a obra obra. 7. Estrutura A estrutura do romance assenta na coexistncia de vrios conflitos que se cruzam e atravs do texto manifestam e revelam a realidade e os problemas do ser humano. Nesta obra observa-se ainda uma reinveno da Histria que capta a ateno do leitor para situaes reais perturbantes. d lb Memorial do Convento possui duas linhas condutoras: a construo do Convento de Mafra e as relaes entre Baltasar e Blimunda. A criao de Saramago est dividida em 25 partes no nomeadas ou numeradas mas claramente identificadasidentificadas. Parte/Sequncias narrativas CaptuloI Relao do Rei e da Rainha e a promessa da construo do Convento; Apresentao do propsito da construo do convento; Narrao irnica destas motivaes; Sonhos do casal rgio com a futura descendncia.IIMilagres conseguidos pelos franciscanos e o seu desejo na construo do Convento; Caso da morte de Frei Miguel da Anunciao; Gravidez da Rainha; O desejo dos Franciscanos desde 1624 de possurem um convento. III Situao socioeconmica: excesso de riqueza/extrema pobreza; Excessos do Entrudo e Penitncia na Quaresma;Q Falsidade dos penitentes; Falsa devoo das mulheres; Rainha, grvida continua a sonhar com o cunhado; A stira a mais uns tantos maridos cucos. 8. IVBaltasar Sete-Sis regressa da guerra maneta; Passado herico de Baltasar; Viagem em que mata o assaltante;Vil Com Joo Elvas fala dos crimes cometidos. V O auto-de-f no R i e o conhecimento travado entre B lOd fRossio h i dBaltasar, Bli Blimunda e o padre dd Bartolomeu; A rainha, no quinto ms de gravidez no pode assistir ao espectculo; q gpp A me de Blimunda condenada; Encontro entre Sete-Sis e o padre; Casamento de Baltasar e Blimunda e sua consumao.VIO padre Bartolomeu Loureno e a passarola; Experincias da mquina de voar em S. Sebastio da Pedreira, numa quinta do duque de Aveiro; A aceitao de Baltasar para ser ajudante do padre BartolomeuABartolomeu. VII Nascimento da filha de D. Joo V, Maria Brbara; Apesar de alguma decepo, uma vez que no se trata de um filho varo, o rei mantm a Apesar promessa de elevar o convento. VIII Os poderes de Blimunda em ver as pessoas por dentro;Nascimento do segundo filho de D. Joo V, o infante D. Pedro.IX Instalao de Baltasar e Blimunda junto da passarola;Continuao da construo da passarola;O padre Bartolomeu parte para a Holanda, enquanto que Baltasar regressa casa d pais, d ll dldosem Mafra juntamente com Sete-Luas;Tourada no Terreiro do Pao. XO casal chega a Mafra e recebido pela me de Sete-Sis;A terra que Joo Francisco, pai d Baltasar tinha na V l f vendida para a construo de l h Vela foidddo convento;Morte do infante D. Pedro que enterrado em S. Vicente de Fora. fq SBaltasar ajuda o pai no campo;Nasc