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  • XI SILUBESA Simpsio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitria e Ambiental

    III-005 CARACTERIZAO DO FUNCIONAMENTO DE ETE DE TIPO LODO ATIVADO VIA IMAGEM MICROSCPICA - ESTUDO NA REGIO DA

    GRANDE FLORIANPOLIS Heike Hoffmann(1) Biloga pela Universidade Greifswald, Alemanha, Doutora em processos biolgicos de tratamento de esgoto pela Universidade Rostock, Alemanha, Ps-doutorado com bolsa de DAAD (Alemanha) no Departamento de Engenharia Sanitria e Ambiental do Centro Tecnolgico (CTC) da UFSC, Pesquisador visitante CNPq no Departamento de Engenharia Sanitria e Ambiental do Centro Tecnolgico (CTC) da UFSC Endereo(1): Universidade Federal de Santa Catarina, Departamento de Engenharia Sanitria e Ambiental, Campus universitrio, Centro Tecnolgico (CTC), Bairro Trindade, Florianpolis SC, CEP 88040-970, Telefone: 48 331 9597 e-mail: heike@ens.ufsc.br RESUMO As experincias que existem na rea da utilizao da imagem microscpica para a caracterizao da estabilidade dos processos de tratamento aerbio na Europa e nos Estados Unidos (Jenkins et al., 1993, Eikelboom & Buijsen, 1992, Bayrisches Landesamt, 1999) foram adaptadas nas condies brasileiras, com o objetivo de caracterizar indicadores tpicos de situaes operacionais diferentes das Estaes de Tratamento de Esgotos (ETE) no sul do Brasil. Foram analisados ETE do tipo Lodo Ativado Continuo, Lodo Ativado por Batelada e pilotos para especificar os resultados e simular situaes mais extremas do que existem na real. Pela carga orgnica e configurao, todas as estaes tinham principalmente a capacidade de realizar a remoo de nitrognio via nitrificao e parcialmente tambm para a desnitrificao. Comparando com regies mais frias foram observadas poucas diferenas no tipo dos organismos (Protozorios e Metazorios) no processo de lodo ativado no Sul do Brasil. Principalmente aparecem os Protozorios e os Metazorios (especialmente os Rotferos, Tardigardos), em nmeros elevados, se desenvolvem com maior velocidade em esgotos com altas temperaturas. Outro aspecto se observou em respeito aos organismos causadores do intumescimento (bulking) do lodo. Nas estaes investigadas os casos de intumescimento freqentemente esto relacionados com Sphaerotilus, Nocardia, ou o grupo de bactrias de enxofre, causado por sobrecargas ou falta de oxignio, especialmente na alta temporada da regio turstica. Um outro problema provocado por baixa alcalinidade natural de esgotos devido o uso de guas superficiais para o abastecimento pblico no Brasil. O consumo de alcalinidade pela nitrificao pode ocasionar a queda do pH no reator biolgico, conduzindo o desaparecimento de Protozorios e Metazorios e a destruio dos flocos biolgicos e com isso conseqentemente a reduo da eficincia do processo. PALAVRAS-CHAVE: Lodo ativado, microscopia, floculao, sedimentao INTRODUO Nos ltimos anos o tratamento aerbio de esgoto ganhou cada vez mais importncia no Brasil. Isto, devido a boa eficincia de remoo de material orgnico e da oportunidade de remoo de nutrientes via nitrificao, desnitrificao e at a biodesfosfatao, tanto como tratamento principal bem como ps-tratamento. O sistema mais usado no mundo inteiro entre os sistemas aerbios o sistema tipo Lodo Ativado, seja como lodo ativado de fluxo continuo ou por batelada. O princpio fundamental do processo de lodo ativado e a diferena significativa para todos os outros sistemas com aerao (lagoas, biofilmes), consiste na necessidade da concentrao de biomassa no reator biolgico via decantao do lodo. A capacidade de decantao ou sedimentao exige necessariamente uma boa formao de flocos do lodo. Aquela formao de flocos o ponto mais sensvel do funcionamento. Muitos fatores fsicos, qumicos e biolgicos, como o perigo de intoxicao, uma falta de oxignio, uma mudana de pH, uma composio unilateral de esgoto bruto (falta nutrientes) ou a formao de lodo intumescido ou lodo flutuante, podem impedir a formao de flocos ou destruir os flocos j formados. O resultado de qualquer destes problemas consiste em uma perda de biomassa no decantada com o efluente final, causando dois efeitos negativos:

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    mailto:halfeld@sc.usp.br

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    a qualidade do efluente final fica prejudicada diretamente com a concentrao elevada de biomassa ativa o sistema no tem mais biomassa suficiente para manter a eficincia do processo, que afecta rapidamente

    a nitrificao e depois todos os processos heterotrficos .

    Por isso o controle do processo de lodo ativado fundamental para a estabilidade de operao e deveria incluir o controle de fatores fsicos, qumicos e biolgicos, como a concentraes no afluente e efluente, o pH, a concentrao de oxignio, a concentrao de slidos e a decantabilidade (IVL) de lodo. Adicionalmente a utilizao da imagem microscpica um instrumento rpido e eficaz de controle em sistemas de lodo ativado, que permite uma avaliao das seguintes caractersticas: Composio do esgoto e suas alteraes, deteco de afluentes txicos Carga de lodo, sobrecargas Suprimento de oxignio; problemas com pH Ocorrncia de lodo intumescido ou lodo flutuante Estabilidade dos processos

    Devido a formao de flocos, do numero de bactrias livres e de bactrias filamentosas, os indicadores mais importantes so os Protozorios e Metazorios e o tipo e a freqncia do aparecimento deles no lodo ativado. A anlise desses fatores o objetivo da microscopia. Publicaes mais recentes (Hoffmann, 2000; Hoffmann et. al 2001) descrevem a comparao da metodologia usada na Europa e nos Estados Unidos com o mtodo usado no Brasil. O presente trabalho apresenta como resultado principal as situaes mais tpicas de operao de estaes reais e pilotos analisados e seus indicadores microscpicos. Pretende-se analisar problemas operacionais tpicos, dar uma ajuda de reconhecimento via imagem microscpica e discutir opes e solues atravs da considerao de problemas tpicos no planejamento da operao e do equipamento.

    MATERIAIS E MTODOS A metodologia empregada consiste na retirada da amostra do tanque de aerao, sendo esta acondicionada em uma garrafa de plstico, deixando um espao sem amostra para suprimento de oxignio aos microrganismos. No laboratrio, coloca-se uma gota de lodo ativado (menos de 2 h aps a coleta) em uma lmina. A amostra deve ser coberta com uma lamnula de 10x10 mm, sem incluir bolinhas de ar. Em seguida, a lmina colocada sob o microscpico ptico para o exame. So avaliados o tamanho dos flocos, a abundncia de organismos filamentosos e a identificao e contagem dos protozorios. Conta-se 3 lminas de rea de 10x10mm.

    Avaliao da estrutura dos flocos de lodo ativado e grau de formao de fios

    Para esta verificao, o preparado fresco observado no microscpio com uma ampliao de 100 vezes. Os flocos do lodo so classificados segundo os seguintes critrios subjetivos (Tabela 1), sem classificao quantitativa:

    Tabela 1: Classificao dos flocos CARATERSTICA DOS FLOCOS AVALIAO QUALITATIVA

    Tamanho grande(> 500m), mdio, pequeno(< 100m) Forma arredondada, irregular

    Estrutura e Estabilidade compacta, aberta, ou seja com uma rede de fios Composio conteno de partculas inorgnicas

    As caractersticas dos flocos dependem do tipo de aeradores, da eficincia da mistura da massa lquida nos reatores biolgicos, da composio do esgoto afluente, da carga de lodo e da atividade dos protozorios e metazorios no lodo ativado. Geralmente, os flocos grandes (> 500m) ocorrem em estaes altamente sobrecarregadas (carga de lodo > 0,5 kg DBO5/ (kg SST x d)) e flocos pequenos (< 100m), em estaes com baixa carga. Entretanto, flocos pequenos tambm podem originar-se em tanques com turbulncia elevada ou ainda, serem uma conseqncia de intoxicao do lodo ativado por afluentes txicos. Todo o lodo ativado em condies normais, contm microorganismos filamentosos. Eles tm importncia primordial na sustentao, formando "o esqueleto do floco" e oferecendo possibilidades a outras bactrias se aderirem e crescerem (Jenkins et al., 1993). Flocos com poucos fios apresentam, geralmente, uma estrutura compacta e tm uma forma mais ou menos arredondada. Os problemas de lodo intumescido ou flutuante so provocados pelo crescimento massivo de microorganismos filamentosas. Para o diagnstico desses problemas,

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    utiliza-se uma classificao ou segundo Eikelboom & Buijsen (1992) subjetiva de grau 1 (poucos) at 4 (bastante) ou em casos mais graves a classificao segundo Jenkins et. al (1993) de grau 1 (poucos) at 7 (somente) (Hoffmann, 2000; Hoffmann et. al, 2001). Para a deteco das causas dos problemas do lodo intumescido/ flutuante so necessrias diferenciaes das espcies das bactrias filamentosas presentes.

    Avaliao do nmero das bactrias livres e dos Flagelados

    As bactrias do lodo ativado, com excees das formas maiores, no podem ser classificadas pelo microscpio ptico. Reconhecem-se bactrias livres a partir de uma ampliao de 400 vezes. Bactrias que no esto ligadas aos flocos de lodo no se podem sedimentar no decantador secundrio e pioram a qualidade do efluente produzido. Um grande nmero de bactrias livres podem indicar uma perturbao na estao de tratamento, por exemplo, atravs de uma intoxicao. Durante os perodos de incio de funcionamento dos sistemas, surgem com freqncia conglomerados de bactrias com a forma de uma pequena rvore ou de uma esfera, as Zooglea. Os protozorios de menores dimenses so as Zooflagelados. Algumas espcies so pouco maiores que as bactrias, e por isso, apenas reconhecveis com segurana a partir de uma ampliao de 400 vezes. Muitos Zooflagelados indicam condies instveis de funcionamento, sobrecargas em forma de descarga ou incio de funcionamento da estao. O aparecimento dos organismos de pequeno tamanho pode ser muito alto, por isso, no protocolo usa-se uma avaliao dos graus de 0-4 (avaliao por lmina, Tabela 2).

    Tabela 2 - Classificao as bactrias livres e os flagelados

    APARECIMENTO DOS ORGANISMOS PEQUENOS AVALIAO DO GRAU raros 1

    alguns 2 mais 3

    muitos 4

    Avaliao do tipo e freqncia dos protozorias e metazorios

    Os outros protozorios (Amebas e Ciliados) os metazorios constituem um grupo muito heterogneo de organismos. No lodo ativado aparecem organismos celulares que se agarram aos flocos e formas livres, dispersas entre os flocos. Eles alimentam-se, principalmente, de bactrias, e tambm de substncias orgnicas e outros organismos pequenos. Atravs do seu comportamento na alimentao, os protozorios rejuvenescem a populao de bactrias na estao de tratamento. As diversas relaes entre os grupos de organismos existentes e a importncia dos protozorios na composio do lodo est longe de ter sido completamente estudado. O aparecimento dos protozorios e metazorios por lmina contado e avaliado com o grau 0-3 (Tabela 3).

    Tabela 3 - Classificao os protozorios e metazorios

    APARECIMENTO DOS ORGANISMOS MAIORES NA AMOSTRA AVALIAO DO GRAU 1-5 1

    5-10 2 > 10 3

    Os Amebas, Ciliados e Metazorios desempenham um papel importante para a apreciao microscpica do lodo ativado, devido ao seu grande tamanho corpreo, esses microrganismos podem ser utilizados como indicadores das caractersticas predominantes no sistema. Especial importncia tem os organismos, cuja ocorrncia permite concluir quanto s condies especficas de funcionamento da estao de tratamento. Por exemplo, os Ciliados que constituem grandes variaes morfolgicas, possuem grande importncia como indicadores do estado de funcionamento do sistema. Os Metazorios tm um perodo de gerao mais longo que os organismos unicelulares e aparecem apenas em lodo mais velho e em condies estveis de funcionamento. Os Rotferos e os Nematides pertencem aos organismos pluricelulares presentes no lodo ativado.

    RESULTADOS 1. Situao tpica de sistemas lodo ativado com baixa carga orgnica e operao estvel

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    Todas as ETE foram acompanhadas durante trs anos. Elas operaram na faixa de sistema de aerao prolongada, que significa uma baixa carga orgnica (F/M < 0,10 kg/(kg*d)) e alta idade de lodo (> 20 d) (von Sperling, 1997). Necessariamente existe um tanque biolgico aerado at uma concentrao de 2 mg O2/L. A baixa carga orgnica e o abastecimento com suficiente oxignio garantem o processo de nitrificao em paralelo com a estabilizao aerbia do lodo. A realizao da desnitrificao recomendvel para estabilidade do processo, como desnitrificao prvia com retorno de lodo ou com fases anxicas conforme realizado no valo de oxidao. Caso haja nitrificao sem desnitrificao no reator, a desnitrificao pode ocorrer no decantador causando lodo flutuante (manta ascendente) pelo nitrognio gasoso liberado (Jenkins et. al 1993, ATV Manual, 1997, von Sperling, 1997).

    As caractersticas tpicas para estaes com baixa carga e alta idade de lodo no clima do Sul do Brasil so uma alta variabilidade dos protozorios e dos metazorios. Foram identificados Ciliados com casinha, de tipo Vagnicola e Chaetospira (figura 1.9) em 3 das 6 estaes, indicando situaes estveis com oxigenao suficiente (tabela 4). Estes organismos no encontram se nas publicaes internacionais acima citadas. A concentrao dos organismos no lodo com alta idade relativamente baixa (normalmente nvel 1-2), os organismos podem at desaparecer totalmente nas estaes que operam com uma idade de lodo muito elevada (> 30 - 40 d). Mesmo que aquelas estaes ainda trabalham com boa eficincia, a concentrao do lodo (> 7.000 mg SST/L) provoca necessariamente uma sobrecarga do decantador e uma perda de lodo, que piora a qualidade de efluente final (concentraes elevadas de Slidos Suspensos, DQO, NTK). Por isso recomenda se de tirar sempre uma quantidade suficiente de lodo em excesso.

    Se observaram ETE sem nenhum problema biolgico e outras que estavam periodicamente com falta de oxignio ou sobrecarga, especialmente na alta temporada da regio turstica. Em seguida as situaes tpicas com os indicadores mais encontrados sero apresentadas. Tabela 4: Situao tpica de sistemas lodo ativado com baixa carga orgnica e operao estvel

    Parmetro Caracterstica Forma dos flocos Pequena e compacta Concentrao de Protozorios Relativamente baixa (em casos extremos no

    aparecem mais) Variabilidade de Protozorios Relativamente alta Aparecimento de microrganismos filamentosas As vezes, mas no tpicos

    Indicadores tpicos, encontrados com frequncia Protozorios Zooflagelados Tipos majores como Peranema Amebas com cascas Centropyxis, Arcella, Euglypha Ciliados livres Coleps, Aspidisca, Euplotes, Trachelphyllum, Amphileptus,

    Litonotus, Prorodon Ciliados pedunculados Suctrias: Podophyra, Tokophyra Vorticella convallaria, Vorticella campanula Ciliados com casinha no encontrados em clima mais frio

    Vagnicola, Chaetospira

    Metazorios Rotatria, Cephalodella, Tardigrada, Nematoda, Aelosoma, Concluso Lodo ativado com baixa carga orgnica, alta idade de lodo,

    suficiente oxignio operao estvel

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    Figura 1 (1.1 1.12) Indicadores para alta idade de lodo e estabilidade de operao:

    1. Centropyxis (100x) 2. Euglypha sp. (400x) 3. Coleps sp. (400x) 4. Euplotes sp. (400x)

    5. Litonotus sp. (100x) 6. Ptorodon sp. (100x) 7.Podophyra sp. (400x) 8.Vorticella sp. (400x)

    9. Vagincola sp. (100x) 10. Rotatoria sp. (100x) 11.Aelosoma sp. (30x) 12. Tardigrada sp. (30x)

    2. Situao tpica de sistemas lodo ativado de tipo aerao prolongada - sobrecarregados Estaes periodicamente sobrecarregadas foram observadas especialmente nas regies tursticas. Estas sofrem necessariamente uma mudana da formao de flocos e do tipo e freqncia de protozorios e metazorios. A concentrao de Protozorios mais elevada, mas a variabilidade est menor (tabela 5). Tipicamente aparecem Zooflagelados, em nmeros elevados especialmente no caso de carga de choque freqentemente (nvel 2-3), alguns dos Protozorios como Aspidisca, Trachelphyllum, Amphileptus, Prorodon sobrevivem at aumentam bastante o nmero (nvel 2 - 3), outros, como Coleps, Amebas com casca, Vagnicola, Chaetospira morrem e somente as cascas ou casinhas vazias deles ficam no lodo (figura 2.4). Bem tpico uma concentrao elevada dos colnias de Ciliados pedunculados Epistylis, Zoothamnium (nvel 3).

    Tabela 5: Situao tpica de sistemas lodo ativado de tipo aerao prolongada - sobrecarregados Parmetro Caracterstica Forma dos flocos Menos compacta, mais irregular Concentrao de Protozorios Elevada Variabilidade de Protozorios Reduzida Aparecimento de microrganismos filamentosas As vezes, relacionado com baixa concentrao de

    oxignio Indicadores tpicos, mais encontrados

    Protozorios Zooflagelados com nvel elevado mais tipos pequenos Ciliados livres Aspidisca, Trachelphyllum, Amphileptus, Prorodon Ciliados pedunculados Suctrias: Podophyra, Tokophyra Vorticella convallaria, Colnias Epistylis, Zoothamnium Metazorios Rotatria, Nematoda, Concluso Lodo ativado com carga elevada, idade de lodo reduzido, necessidade

    de controlar a concentrao de oxignio e o efluente final operao com perigo de instabilidade

    Figura 2 (2.1 2.4) Indicadores para a sobrecarga das estaes de tipo aerao prolongada :

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    1. Peranema (400x) 2. Aspidisca sp. (400x) 3.Epistylis sp. (100x) 4. Vagincola, morto (100x) Cargas orgnicas elevadas (> 0,10 kgDBO5/ kg ST*d) nas estaes de tipo aerao prolongada significam uma estabilizao insuficiente do lodo. A nitrificao pode ser afetada com cargas mais elevadas (> 0,2 kgDBO5/ kg ST*d) ou pela falta de oxignio (< 1mg O2/ L). 3. Situao tpica de sistemas lodo ativado de tipo aerao prolongada falta de oxignio Falta de oxignio, em resultado da carga elevada, por causa de uma aerao ou mistura insuficiente o problema mais comum dos sistemas aerbios. Como resultado a eficincia do processo se diminua, mais afetada a nitrificao, conseqentemente as concentraes de Amnio e Nitrito se aumentam. Bem tpico o aparecimento de bactrias filamentosas de tipo Sphaerotilus e bactrias de enxofre Beggiatoa e Thiothrix, (nvel 3 - 4 segundo Jenkins et al. 1993 ou nvel 2-3 segundo Eikelboom & Buijsen, 1992) que afetam a decantabilidade de lodo (lodo intumescido: IVL > 150 ml/g). Dependendo da durao da falta de oxignio, somente aqueles poucos tipos de Protozorios, que precisam menos oxignio, Vorticella micrstoma, Parameceum, Dexiostoma Glaucoma, determinam o lodo. Os Metazorios desaparecem e os Ciliados pedunculados formam cistos (fig 3.5). Os troncos destes ficam no lodo sem cabeas (fig. 3.6). Em casos mais srios os flocos liberam bactrias livres que no podem se sedimentar no processo de decantao, assim causando perda de lodo. Tabela 6: Situao tpica de sistemas lodo ativado de tipo aerao prolongada falta de oxignio

    Parmetro Caracterstica Forma dos flocos Irregulares at destrudos, as vezes com uma rede de

    bactrias filamentosas Concentrao de Protozorios Alta Variabilidade de Protozorios Baixa Aparecimento de microrganismos filamentosas Tipicamente Sphaerotilus, Beggiatoa e Thiothrix

    Indicadores tpicos mais encontrados (Protozorios) Zooflagelados Tipos menores, movimento difuso Ciliados livres Paramecium, Dexiostoma, Glaucoma Vorticella microstoma Colnias Cistos e troncos sem cabeas Concluso Lodo ativado com falta de oxignio, sem nitrificao, necessidade

    aumentar a concentrao de oxignio operao instvel Figura 3 (3.1 3.4) Indicadores para falta de oxignio das estaes de tipo aerao prolongada :

    1. Glaucoma sp. (400x) 2. Dexiostma sp. (400x) 3. Zoofagelados pequenos e

    bactrias livres (400x) 4. Paramecium (30x)

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    5. Cisto de Vorticella

    (400x) 6. Troncos de colnias de

    Epistylis (400x) 7. Sphaerotilus sp. (30x) 8. Beggiatoa (400x)

    4. Situao tpica de sistemas lodo ativado problemas de baixa alcalinidade Mais um problema tpico consiste no perigo da queda de pH, provocada por baixa alcalinidade natural do esgoto devido o uso de guas superficiais para o abastecimento. A maioria dos esgotos brutos investigados tinham uma alcalinidade do esgoto bruto de 200 - 250 mg CaCO3/L, somente uma, abastecida de guas subterrneas, chegou em 350 - 400 mg CaCO3/L. O processo problemtico para um esgoto com baixa alcalinidade a nitrificao, onde se libera H+. Dependendo da concentrao de Amnio o tampo natural do esgoto pode ser insuficiente para manter o pH estvel (Jenkins et. al 1993, ATV Manual, 1997, von Sperling, 1997).

    A nica possibilidade de recuperao da alcalinidade consiste no processo de desnitrificao. Pelo clculo (ATV, 1997) o caso mais positivo da concentrao de 30 mg NH4-N/ L e 250 mg CaCO3/L precisa uma desnitrificao de pelo menos 30% para manter a alcalinidade necessria de 75 mg CaCO3/L no efluente final. Esgoto com um concentrao de 40 mg NH4-N/ L e 200 mg CaCO3/L vo ficar com valores abaixo de 50 mg CaCO3/L, mesmo com uma desnitrificao terica de 90%. Isso deve considerado especialmente em ps-tratamentos aerbios depois de uma digesto anaerbia, porque o Amnio passa o tratamento anaerbio sem reduo mas o DBO5 necessrio para a desnitrificao falta aps o processo anaerbio.

    O resultado da baixa alcalinidade no final do processo um perigo de queda de pH, que depende de mais fatores, como concentrao de lodo, aerao, velocidade de nitrificao, atividade heterotrfica, temperatura e outros. Primeiros ensaios com pilotos provaram, que a eficincia do processo cai significativamente com valores de pH abaixo de 6,0. Os protozorios morrem, comeando abaixo de pH 6,8 com os Ciliados pedunculados continuando abaixo de pH 6,2 com as Rotatria e Aspdisca e finalmente abaixo de pH 5,8 com as Amebas nuas (fig. 4.4) e Zooflagelados. Organismos que indicam entre outros fatores um pH relativamente baixo, so os Zoogela (fig 4.1) e fungos filamentosos (fig. 4.2). No lodo ativado com valor baixo de pH eles aparecem com nvel 2 at o nvel 4.

    Mesmo que as bactrias tenham a capacidade de se adaptar nos valores de pH mais baixos, a estrutura dos flocos pode se destruir pela acidez liberada. Uma decantao de lodo ativado com valores de pH abaixo de 6 caracterizado pela turbidez na fase liquida por causa de bactrias livres e flocos pequenos. Tabela 7: Situao tpica de sistemas lodo ativado problemas de baixa alcalinidade, pH descendo

    Parmetro Caracterstica Forma dos flocos Pequenos, destrudos Concentrao de Protozorios Baixa Variabilidade de Protozorios Baixssima Aparecimento de microrganismos filamentosas As vezes mas no tpicos

    Indicadores tpicos mais encontrados (Protozorios) Zooflagelados Tipos menores, movimento difuso Amebas nuas Tipos menores, nmero crescendo com valor de pH mais baixo Ciliados livres Aspidisca at pH 6,2 Outros organismos Concentraes de Zooglea e Fungo elevados indicam pH baixos Concluso Lodo ativado com insuficiente alcalinidade, perigo de perda de

    biomassa, necessidade de aumentar a desnitrificao (por exemplo um bypass) ou adicionar cal. operao instvel

    Figura 4 (4.1 4.4) Indicadores para baixa alcalinidade das estaes de tipo aerao prolongada :

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    1. Colnia de bactrias de tipo Zooglea (400x)

    2. Fungo filamentoso (400x)

    3.Colnia de bactrias nitrificantes (400x)

    4. Duas amebas nuas, pequenas (400x)

    CONCLUSES O tratamento de esgoto em sistemas de lodo ativado um processo biolgico e os processos biolgicos podem ser analisados de melhor jeito via analise biolgica, neste caso a microscopia. A grande vantagem do controle de processo via microscpica consiste em a possibilidade de:

    diagnosticar as condies depurativas no reator estimar a qualidade do efluente e previso dos problemas futuros que ainda no podem ser analisados no qualidade de efluente final

    Necessariamente precisa-se de conhecimento profundo e de uma padronizao das analises microscpicas adaptada na situao atual. A pesquisa cumpre mais uma etapa da adaptao de experincias que existem no Europa e nos Estados Unidos na rea de avaliao microscpica nas condies brasileiras. Formam analisadas estaes de tratamento de esgoto de tipo aerao prolongada nas condiciones climticas no sul do Brasil. Indicadores de problemas mais tpicos, como carga elevada e carga de choque, falta de oxignio e baixa alcalinidade de esgoto formam documentados. Se aprovou, que a utilizao da imagem microscpica um instrumento eficiente, rpido e econmico de controle de sistemas de lodo ativado. Com analises microscpicos dirios (at duas vezes por semana) acompanhados com analises simples como controle de decantabilidade (SV), oxignio e pH, a operao de estaes com funcionamento normalmente estvel poderia ser observada com suficiente segurana. As analises qumicos somente precisariam se em casos de mudanas da situao microscpicas, como por exemplo no caso de aparecimento de bactrias filamentosas, fungos, zoogleas, flagelados, amebas nuas ou bactrias livres em nmeros elevados ou em caso de desaparecimento de outros protozorios, que indicam uma situao estvel. Com esse resultado a pesquisa oferece uma contribuio para economizar o controle necessrio de processo aerbio de tratamento de esgoto e segurar a remoo de nutrientes. REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS 1. ATV Manual, 1997: ATV Handbuch Biologische und weitergehende Abwassreinigung 4. Auflage

    1997, Ernst & Sohn, Berlin, Hrsg. Abwassertechn Vereinigung e.V. Hennef 2. BAYRISCHES LANDESAMT FR WASSERWIRTSCHAFT (1999): Das mikroskopische Bild bei der aeroben

    Abwasserreinigung Informationsberichte, Mnchen, Heft 1/99 3 3. EIKELBOOM, D.H., VAN BUIJSEN, H.J.J. (1992): Handbuch fr die mikroskopische

    Schlammuntersuchung F. Hirthammer Verlag Mnchen, 3.Auflage 4. JENKINS, D.; RICHARD, G.R.; GLEN, T.D. (1993): Manual on the causes and control of activated sludge

    bulking and foaming, 2nd Edition, Lewis Publishers Inc. 5. HOFFMANN, H. (2000): Aplicao da imagem microscpica do lodo ativado para a deteco de

    problemas de funcionamento das estaes de tratamento de esgoto na Alemanha, I Seminrio Nacional de Microbiologia Aplicada ao Saneamento, Universidade Federal do Esprito Santo, Vitria

    6. HOFFMANN, H.; BENTO, A.; BELLI, P.; PHILIPPI, L.S. (2001): Utilizao da imagem microscpica na avaliao das condies de operao uma aplicao da experincia da Alemanha em estaes de tratamento no Brasil 21. Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitria Ambiental (ABES), Joo Pessoa

    7. VON SPERLING, M. (1997): Lodos Ativados. Belo Horizonte: Departamento de Engenharia Sanitria e Ambiental, Universidade Federal de Minas Gerais, 416p.

    III-005 CARACTERIZAO DO FUNCIONAMENTO DE ETERESUMOINTRODUOMATERIAIS E MTODOSRESULTADOSCONCLUSESREFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

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