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  • Viviane Madureira Zica Vasconcellos

    MELANCOLIA E CRÍTICA

    em Carlos Drummond de Andrade

  • Viviane Madureira Zica Vasconcellos

    MELANCOLIA E CRÍTICA

    em Carlos Drummond de Andrade

    Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial para a obtenção do título de Doutor em Letras – Literatura Comparada Linha de pesquisa: Poéticas da Modernidade Orientador: Prof. Dr. Reinaldo Martiniano Marques

    Faculdade de Letras da UFMG Belo Horizonte

    2009

  • Tese intitulada “Melancolia e crítica em Carlos Drummond de Andrade”, de autoria da doutoranda Viviane Madureira Zica Vasconcellos, apresentada à Banca Examinadora constituída pelos seguintes professores:

    ________________________________________________

    Prof. Dr. Reinaldo Martiniano Marques – UFMG Orientador

    ________________________________________________

    Prof. Dr. Audemaro Taranto Goulart – PUC-Minas

    ________________________________________________

    Profa. Dra. Betina Bischof – USP

    ________________________________________________

    Profa. Dra. Maria Esther Maciel de Oliveira Borges – UFMG

    ________________________________________________

    Prof. Dr. Wander Melo Miranda – UFMG

    ______________________________________

    Prof. Dr. Julio Cesar Jeha Coordenador do Programa de Pós-Graduação

    em Letras: Estudos Lingüísticos FALE/UFMG

    Belo Horizonte, 30 de março de 2009

  • A João Zica, em memória

  • AGRADECIMENTOS

    Meus agradecimentos a(os)

    Reinaldo Martiniano Marques, pelo apoio e pela orientação.

    Professores Wander Melo Miranda e Maria Esther Maciel, pela leitura do material de

    qualificação e pelas observações significativas.

    Jean-Louis Silvy, Georg Vincent, Rebecca Monteiro, Márcia Valadares, Victor Szklarz,

    Taís Gontijo, Cláudia Póvoa, Marcelo Borges, Verlaine Freitas, Rosa Gianaccini, Ronaldo

    Brandão, Luciana Cotta, Sueli Miranda, Márcio Freire, CD Dalton, Clóvis Salgado

    Gontijo, Vera Bernardes, Oscar Gazzola, Maria Elvira Anastasia Pereira, pela amizade e

    pela interlocução.

    Luiz Fernando Vasconcellos, por tudo.

    Agradeço à Capes, pelo apoio financeiro.

  • Mas a Coisa interceptante não se resolve. Barra o caminho e medita, obscura. Carlos Drummond de Andrade

  • RESUMO

    Este trabalho aborda a temática da melancolia e a questão da negatividade

    atribuídas à poesia de Carlos Drummond de Andrade. Tais tópicos orientam o estudo das

    relações estabelecidas entre o poeta – sua prática artístico-intelectual – e o mundo

    moderno. A partir das reflexões de Sigmund Freud e Walter Benjamin, o conceito de

    melancolia é retomado como elemento instaurador de uma dimensão crítica na poesia de

    Drummond. Assim, a melancolia e a negatividade são tratadas como operadores textuais

    que instituem um campo de forças entre a forma artística e o processo histórico. Nessa

    perspectiva, cabe explicitar que a lírica drummondiana configura-se como uma arte crítica

    e emancipatória, capaz de tensionar a própria noção de modernidade, sobre a qual se

    fundamenta.

  • ABSTRACT

    This paper approaches the thematic of melancholy and the denial issue attributed to

    Drummond’s poetry. Such rhetorics guide the study of relations established between the

    poet – his artistic and intellectual practice – and the modern world. Emanating from

    Sigmund Freud and Walter Benjamin considerations the concept of melancholy is

    employed regardind this investigation as an stablisher element within an critic scenario of

    Drummond’s poetry. Therefore melancholy and negativity are considered as textual

    performers which found battles field between artistic shape and historic process. In this

    prospect it is able to explain that Drummond’s lyric writing is denoted as a critical and

    emancipative art, the same art that is able to distress the own notion of modernity in which

    it is grounded.

  • SUMÁRIO

    INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 10

    1. A MELANCOLIA NA LÍRICA DE DRUMMOND ........................................... 21

    1.1. Breve histórico do conceito de melancolia ........................................................ 22

    1.2. Humor melancólico e racionalidade moderna ................................................... 30

    1.3. O sentimento melancólico de perda em Drummond ......................................... 58

    2. A POÉTICA DA NEGATIVIDADE DE DRUMMOND: ................................... 69

    2.1. Poesia e subjetividade: reflexão e lirismo ......................................................... 71

    2.2. Poesia e mundo: mundo das palavras e mundo das coisas ................................ 84

    2.3. Poesia e tempo: tradição e modernidade ........................................................... 93

    3. DRUMMOND: POETA E INTELECTUAL ....................................................... 111

    3.1. Tensão instaurada entre o cosmopolitismo e o localismo ................................. 113

    3.2. Conflitos: Drummond e o Estado Novo ............................................................ 130

    3.3. Dialética estabelecida entre a rememoração e o esquecimento ......................... 152

    CONCLUSÃO .......................................................................................................... 172

    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 189

  • INTRODUÇÃO

    Eu sou o poder de dizer não. Mefistófeles, in Fausto, de Goethe

    Não tens mais coisa alguma agora a me dizer? Surges sempre com queixas tantas a fazer? No mundo nada há justo, exato, perfeito?

    O Senhor Deus

    Extrai dessa lição a sua melhor parte, Deixa de ser um simples e pobre palrador Preferível é aliar um pouco de arte À razão e ao bom senso sempre construtor.

    Fausto

    A relevância da temática da melancolia e da questão da crítica é de ordem

    literária, política e filosófica. Atribuídas, no âmbito deste trabalho, à poesia de Carlos

    Drummond de Andrade, a melancolia e a negatividade serão tomadas como fios

    condutores do trabalho de investigação do caráter moderno de sua prática artística, com

    vistas à sua particularização. Trata-se de uma melancolia escrita, perlaborada pelo trabalho

    poético, capaz de produzir distanciamento crítico e conhecimento em relação ao seu

    próprio tempo. A tonalidade melancólica e a reflexão crítica, conforme tematizadas por

    Drummond, portam a potencialidade de problematizar os pressupostos da modernidade e

    orientar o estudo das relações estabelecidas entre o poeta e o mundo moderno. Como

    instância material e histórica, a poesia drummondiana configura-se como uma arte

  • 11

    emancipatória, ao tensionar a própria noção de moderno, que funda e pela qual é

    engendrada.

    A prática escritural de Drummond formula-se em torno de questões dilemáticas,

    do que resulta uma complexa estruturação de sua poesia. No contexto da publicação de

    Claro enigma (1951), ocorrera o que se convencionou chamar de guinada classicizante, o

    que instaurou a polarização crítica em torno de uma ruptura formal ocorrida em sua

    poética. Alheia à dimensão contestatória presente na poesia filosófico-existencial do livro

    de 1951, parte da crítica tratou de contrapô-la à poesia de cunho mais abertamente

    participativo, como a elaborada em A rosa do povo, e tomou Claro enigma como uma obra

    reacionária de um pessimista semiclássico, fugidio da sociedade e das lutas concretas. Se

    para alguns críticos, essa inflexão poética representou um aprofundamento das questões

    existenciais e especulativas, para outros, significou uma virada reacionária em consonância

    com a restauração dos princípios pré-modernistas, promovida pela Geração de 45.1

    Sérgio Buarque de Holanda defendeu a hipótese de que os eventos e as coisas do

    tempo não foram desconsiderados no livro de 1951.2 De acordo com ele, a aparente

    mudança inscrita na abertura para uma poesia de caráter meditativo não indicava a

    abolição dos acontecimentos em favor de uma noção transcendente de poesia,

    compreendida como essência contraposta ao mundo das coisas perecíveis. Mas, ao

    contrário, o impulso que o levou a superar um tipo de poesia contestatória não chegou a

    abolir a preocupação do mundo das coisas temporais.