mdulo 5_captulo 2

Download Mdulo 5_Captulo 2

Post on 22-Oct-2015

21 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • Prticas Educacionais Inclusivas na rea da Deficincia Intelectual

    Currculo flexvel e Estilos de aprendizagem

    FORMAS DIVERSIFICADAS DE ORGANIZAO DO ENSINO PARA ALUNOS

    COM DEFICINCIA INTELECTUAL/MENTAL: A FLEXIBILIZAO CURRICULAR NA EDUCAO INCLUSIVA1

    Lcia Pereira Leite

    Sandra Eli Sartoreto de Oliveira Martins Introduo

    Este captulo tem como propsito tecer consideraes a respeito da incluso

    educacional, evidenciando o momento histrico e poltico em que ela ocorre.

    Pretende-se discorrer sobre a flexibilizao do ensino quanto adoo de prticas

    pedaggicas que considerem uma escola que atenda diversidade do seu alunado.

    A incluso escolar est inserida em um movimento mundial denominado

    incluso social, que tem como objetivo efetivar a equiparao de oportunidade para

    todos, inclusive para os indivduos que, devido s condies econmicas, culturais,

    raciais, fsicas ou intelectuais, foram excludos da sociedade. O Brasil signatrio

    desse movimento que visa a possibilitar o desenvolvimento de uma sociedade

    democrtica, na qual exista respeito diversidade e todos possam exercer sua

    cidadania.

    Aranha (2001), ao discorrer sobre incluso escolar, destaca a necessidade de

    um rearranjo no sistema educacional para que esta ocorra, pois prev intervenes

    decisivas e incisivas, em ambos os lados da equao: no processo de

    desenvolvimento do sujeito e no processo de reajuste da realidade social [...].

    Assim, alm de se investir no processo de desenvolvimento do indivduo, busca-se

    a criao imediata de condies que garantam o acesso e a participao da pessoa

    na vida comunitria, por meio da proviso de suportes fsicos, psicolgicos, sociais e

    instrumentais. (p. 167, grifos da autora).

    Complementar a esse posicionamento, Correia (1999) discute que a

    Educao Inclusiva relaciona-se com a noo de escola enquanto um espao

    educativo aberto, diversificado e individualizado, em que cada criana possa

    encontrar resposta sua individualidade e diferena.

    1 Este texto foi elaborado com base no texto adaptado do volume 11- Flexibilizao Curricular, da coleo Prticas em

    educao especial e inclusiva. Editora FC/ UNESP, realizada para a Programa de Formao Continuada em Educao

    Especial na Perspectiva da Educao Inclusiva, SEESP/MEC, 2008.

  • Prticas Educacionais Inclusivas na rea da Deficincia Intelectual

    Currculo flexvel e Estilos de aprendizagem

    Mantoan (2001) e Ges e Laplane (2004) acrescentam que tal movimento no

    se refere apenas insero do aluno com deficincia no ensino comum, mas inclui o

    respeito s diferenas individuais, culturais, sociais, raciais, religiosas, polticas.

    Segundo as autoras, compete escola comum entender o indivduo como ser pleno,

    com talentos a serem desenvolvidos, Assim, nas pginas que seguem pretende-se

    pontuar aspectos importantes a serem considerados no processo de flexibilizao

    curricular, descrevendo os ajustes necessrios para que alunos com deficincia

    intelectual/mental, possam se beneficiar de uma proposio acadmica ofertada

    pela escola comum.

    1. Prtica pedaggica em atendimento s necessidades educacionais

    especiais2

    Por longas dcadas, as propostas educacionais pouco consideravam as

    necessidades educacionais dos alunos com deficincia3 matriculados na sala de

    aula comum, apesar de tal recomendao estar prevista na Lei de Diretrizes e Bases

    da Educao Nacional LDBEN, Lei n 4.024/61, pois, na maioria das vezes, no se

    previam ajustes educacionais para atender a essa demanda na escola. De acordo

    com Blanco (2004), a escola, tradicionalmente, focalizou sua ateno na elaborao

    de um plano de ensino nico, que desconsidera as caractersticas de aprendizagem

    especficas de cada aluno.

    Essa postura tradicional, no mbito curricular, demonstrada por propostas

    rgidas e homogeneizadoras, que desconsideram os diversos contextos nos quais

    ocorrem os processos de ensino e aprendizagem. Como consequncia, possvel

    observar a alta ocorrncia de dificuldades de aprendizagem, repetncias, faltas

    constantes e fracasso escolar (BLANCO, 2004).

    2 Segundo o artigo 5 da Resoluo CNE/CEB n 2/2001 que institui Diretrizes Nacionais para Educao Especial na Educao Bsica, consideram-se educandos com necessidades educacionais especiais os que, durante o processo educacional, apresentarem:I-dificuldades acentuadas de aprendizagens ou limitaes no processo de desenvolvimento que

    dificultem o acompanhamento das atividades curriculares, compreendidas em dois grupos:a) aquelas no vinculadas a uma

    causa orgnica especfica;b) aquelas relacionadas a condies, disfunes, limitaes ou deficincias; II-dificuldades de

    comunicao e sinalizao diferenciadas dos demais alunos, demandando a utilizao de linguagens e cdigos

    aplicveis;III-altas habilidades/superdotao, grande facilidade de aprendizagem que os leve a dominar rapidamente

    conceitos, procedimentos e atitudes. 3De acordo com a Portaria n 948, de 09 de outubro de 2007 (SEESP/MEC), consideram-se alunos com deficincia queles

    que tm impedimentos de longo prazo, de natureza fsica, mental, intelectual ou sensorial, que em interao com diversas

    barreiras podem ter restringida sua participao plena e efetiva na escola e na sociedade.

  • Prticas Educacionais Inclusivas na rea da Deficincia Intelectual

    Currculo flexvel e Estilos de aprendizagem

    O movimento de incluso escolar revelou que a educao, com seus mtodos

    tradicionais, exclui cada vez mais alunos com deficincia do processo escolar

    comum, ao invs de inclu-los (FREITAS, 2006). Atuar no ensino comum

    considerando a diversidade do alunado, principalmente do aluno com deficincia

    mental, exigir do professor conhecimento sobre o processo de aprendizagem dos

    alunos, valorizando como cada um deles se apropria dos conhecimentos

    historicamente acumulados, delineados no currculo escolar.

    A interveno pedaggica, numa perspectiva inclusiva, dever considerar que

    diferentes formas de aprender enriquecem o processo educacional. Por meio dela, o

    professor assume grande responsabilidade na superao de aes discriminatrias

    na escola, em relao s formas de agir, pensar e interagir de alunos com

    deficincias. Maneiras diversificadas de organizao do tempo, das metodologias de

    ensino e dos espaos pedaggicos na sala de aula, do planejamento individual do

    aluno e da organizao do projeto pedaggico da escola, devem ser consideradas

    como aspectos importantes na flexibilizao do ensino aqueles que, por muito

    tempo, permaneceram margem do processo escolar.

    No caso especfico de alunos com deficincia intelectual/mental, flexibilizar a

    prtica pedaggica, em grande parte, significar repensar o qu e como a escola

    ensina. Propor estratgias que considerem os ritmos e as potencialidades desses

    educandos e compreender as relaes de alunos, com ou sem deficincia e seus

    professores, permitir tambm rever os conceitos historicamente construdos em

    torno das prticas pedaggicas j constitudas.

    2. A flexibilizao curricular

    A educao inclusiva pressupe que haja significativas transformaes

    administrativas e pedaggicas no mbito da organizao do sistema de ensino,

    principalmente, no que refere reviso de um currculo que atenda aos princpios de

    uma escola para todos.

    Nesta perspectiva, a LDB 9394/1996 (Lei Diretrizes e Bases da Educao) e

    do Plano Nacional de Educao buscam assegurar o acesso e a permanncia de

    todos os alunos na escola. Contrria prerrogativa da manuteno da prtica de

    ensino tradicional na escola, a flexibilizao do ensino defende o princpio das

  • Prticas Educacionais Inclusivas na rea da Deficincia Intelectual

    Currculo flexvel e Estilos de aprendizagem

    diferenas em sala de aula, buscando o equilbrio harmnico entre o que comum e

    o que individual na aprendizagem de todos os alunos (PASTOR; TORRES, 1998).

    Assim, definir o currculo na educao inclusiva, necessariamente, significar

    caracteriz-lo como a organizao de um conjunto de decises que seja capaz de

    dar respostas sobre o qu, como e por qu, a escola deve ensinar. Concebido como

    um artefato social e cultural, produzido historicamente, nas determinaes sociais,

    econmicas e polticas da sociedade, o currculo foi definido por Sacristn, como o

    agrupamento de cinco parmetros (1998, p. 11):

    Currculo como interface entre a sociedade e a escola. Currculo com projeto ou plano educativo, pretenso ou real, composto de diferentes aspectos, experincias, contedos etc. Currculo como a expresso formal e material desse projeto que deve apresentar, sob determinado formato, seus contedos, suas orientaes e suas sequncias para abord-lo etc. Currculo como em campo prtico. Entend-lo assim supe a possibilidade de: 1) analisar os processos instrutivos e a realidade da prtica de uma perspectiva que lhes dota de contedo; 2) estud-lo como territrio de interpretao de prticas diversas que no se referem apenas aos processos de tipo pedaggico, interaes e comunicaes educativas; 3) sustentar o discurso sobre a interao entre a teoria e a prtica em educao. Currculo como campo de atividade discursiva acadmica e objeto de pesquisa.

    Aranha (2003) acrescenta que o currculo dever ser pautado na ideia da

    diferena, ou seja, no o aluno que se ajusta, adapta-se s condies de ensino,

    mas o movimento se d de forma contrria, pois a equipe escolar q

Recommended

View more >